terça-feira, 31 de agosto de 2010

Uma questão de dignidade

Quem é digno? Aquele que dignifica a todos?
A dignidade, como o respeito e a sabedoria, o poder e a riqueza, são colheitas e não brindes obtidos por privilégio.
E as colheitas são, sempre, espécie de bênçãos de natureza relacional, isto é, mérito ou resultado decorrente do plantio.
Deste modo, a dignidade e o respeito dependem, sim, da recíproca, mas não do modo “toma lá dá cá”, como os apressados poderiam pensar. Não é o reverso da máxima “a liberdade de um termina quando começa a do outro”. A minha dignidade não se constrói na mesma proporção de como dignifico aos demais. Passam pela dignificação e pelo respeito com que reverencio aos outros, mas, não dentro da lógica matemática. Não exatamente assim.
A dignidade acontece em outra sintonia. A dignidade dos outros é que me dignifica. E assim a dignidade, tanto quanto a liberdade, ao fazer falta aos demais com quem convivo, ameaça a minha dignidade tanto quanto a minha liberdade.
Se fosse diferente, bastaria sair à rua dignificando a tudo e a todos para tornar-me digno. Eu não seria digno, seria hipócrita, bajulador, aproveitador.
Tal qual outros interesses humanos, a dignidade e o respeito não são aquisições que se retém em si, mas algo que emana dos outros. Diferente do que nos faz crer nossa cultura, o que de mais importante existe para nós é retirado do espaço coletivo e das nossas interações. Tudo o que nós obtemos é por intermediação deste coletivo que propicia o acasalamento de potenciais que se fazem colheitas e fornece bênçãos.
Tentar driblar esta intermediação, é abrir mão da vida em troca de milagres, concessões, coincidências, privilégios e mágicas.
Não cria dignidade ao passageiro o seu ingresso na ala VIP do aeroporto e nem é recuperada a dignidade do condômino que pagou a multa por desrespeito às regras condominiais. Nos dois casos e em quase todos os outros que se possa imaginar, a capacidade financeira não compra a dignidade.
Experimente oferecer a um peregrino no caminho, por exemplo, de Santiago de Compostela, um atalho capaz de encurtar em muitos quilômetros a jornada oficial, e ele terá certeza de que você não é um bom companheiro de caminhada. Deste modo, talvez, seja mais fácil de entender o conceito de dignidade buscada por esta exposição.
Quando se tem dignidade, se tem credibilidade, se tem honra, se tem firmeza, confiabilidade, autoridade, autoria, liberdade. A indignidade vem acompanhada dos antônimos.
Perante o íntimo da vida, a doença soa como uma situação de indignidade. Com ela, novos antônimos são acrescentados à lista anterior: incerteza, imobilidade, incapacidade, dependência, carência.
E hoje, à luz dos mais recentes conhecimentos científicos, a doença, muitas doenças, também são colheitas de natureza relacional, isto é, demérito ou resultado decorrente do plantio. O contrário das bênçãos decorrentes das coisas certas.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Uma questão de riqueza ou de pobreza

Quando se lê no Evangelho de Mateus, capítulo 5, “bem-aventurados os que têm um coração pobre porque deles é o reino dos céus”, uma apressada análise parece sugerir que o Reino dos Céus, como ali é prometido, está reservado aos pouco iluminados, aos intelectualmente mais atrasados ou cujo coração seja portador de menor cabedal de virtudes.
Se, efetivamente, esta for a única interpretação para a sentença, grosso modo, estaria Jesus desencorajando as buscas por maior conhecimento em geral e mais ainda pelo conhecimento sagrado e de elevação moral.
As bem-aventuranças, como principal discurso de Jesus, têm muitas facetas interpretativas. Qualquer peça de elevado teor intelectual, como aquela, apresenta a mesma diversidade conceitual e é óbvio que também desta primeira faceta muita gente se aproveitou, e mais ainda quando a ela vinculou a outra citação, que fala de que é mais fácil um camelo passar pelo fundo da agulha do que um rico entrar para o convívio dos céus.
Por conta destas duas e de muitas outras “configurações evangélicas”, criou-se em torno da pobreza a fonte das verdadeiras virtudes como méritos ao prêmio da eternidade feliz.
O que, realmente, Jesus teria desejado ensinar quando prometeu os céus aos pobres de coração (que podemos traduzir também como pobreza de espírito, aliás encontrada em algumas traduções bíblicas), nenhum intérprete tem autorização para afirmar. Tanto pode ele ter-se referindo à pobreza gnóstica, como à pobreza material, mas uma terceira hipótese também é possível acrescentar, como será argumentado a seguir.
Em se tratando de coisas materiais e de coisas de Deus, quem é rico e quem é pobre?
Rico é aquele que se satisfaz com o que é e tem. Pobre é aquele que está sempre buscando mais.
Mas, cuidado leitor, nestas afirmações pode estar engatilhada uma perigosa cilada. A riqueza não é só uma medida de quantidade, como a maioria pensa, e sim, também, uma medida de qualidade. De um jeito, podemos entender conformismo e, de outro, ganância, ambas pertencentes ao escopo da quantidade. De um terceiro jeito, podemos pensar riqueza e pobreza associadas à capacidade de absorver e usufruir, longe do estigma de acumulação e ambição, que é quando “enriquecer-se” nada tem a ver com dinheiro ou bens.
Como se vê, riqueza e pobreza também podem ser vistas no contexto do poder e do prazer. Quando alguém as vê como sinônimos de ter ou não ter poder, elas se fazem territórios que fomentam frustrações e insatisfações e aí os pobres são elevados a um patamar de vida serena e feliz, ao contrário dos ricos que se preocupam e se decepcionam com o mundo da economia. Quando alguém as vê como sinônimos de ter ou não ter prazer ou felicidade, desarma-se a cilada que pode frustrar e começa-se a chegar mais perto da eloqüência com que Jesus falou de pobreza.
Neste último aspecto desta análise, para ser rico de vida é necessário ser humilde e, portanto, pobre, para poder desconectar-se do estigma da riqueza o poder. Por humildade, então, é preciso entender o contentamento por sermos parte de algo muito belo e maravilhoso, como seres incluídos neste conjunto de qualidade que conhecemos como vida. O evangelho poderá estar sinalizando que a pobreza do coração ou do espírito é, justamente, a capacidade de livrar-se das armadilhas do poder, poder que a riqueza material confere.
Então, a humildade também precisa receber um conceito não humilhante: não é ser menos que os outros, mas é definitivamente não ser mais. Esta é uma definição da abdicação de poder, referida atrás.
Por conta de nossa natureza humana, só conheceremos a gratidão e a alegria se renunciarmos ao poder. Os poderosos ou pretendentes ao poder, sob o ponto de vista material não podem ser ricos, pois nesta linha de raciocínio riqueza é uma medida de fastio, preenchimento, vasilha cheia, e os candidatos ao poder não conhecem limites. Aqui o pretendente ao poder é um pobre dissimulado, mentiroso, hipócrita, porque seu deus não é o mesmo deus dos gratos e alegres candidatos ao reino dos céus, renunciantes ao poder e praticantes da humildade, que sugere não ser mais, nem menos que os outros.
Agora, enfim, a definição para o pobre de coração ou de espírito: aquele que se satisfaz com o que tem sem deixar de almejar e esforçar-se para ter o que precisa. Só o necessário. E ao ter o necessário, gozá-lo como verdadeira riqueza ou bênção, não caindo na tentação de compará-las com outras riquezas como é usual no campo do poder. Melhor dizendo, riqueza que é de fato coisa válida para a vida, ninguém deixa pra trás quando se muda (de dimensão). A medida da carência é o que determina o grau de riqueza ou pobreza nos dois pólos do entendimento exposto. Aquele que busca Deus na humildade, é um pobre buscando pertencer (para incluir-se) à riqueza sagrada. Aquele que busca o poder da riqueza é aquele que focaliza o que lhe falta e, por isso, é um pobre, em busca de seu próprio poder (para excluir-se).
Então o reino dos céus é o lugar dos que sacrificam desejos ou poderes para perceber e pertencer ao rico mundo (das virtudes) sagrado. Contentar-se com o que temos é andar na direção do enriquecimento.
Os tão ínfimos poderes humanos não têm conotação com riqueza e sim com pobreza – seus buscadores não descansam nunca.
Não era desta pobreza que falava Jesus ao discursar no Sermão da Montanha. E a porta estreita é justamente aquela que permite passar os que nada levam além dos seus próprios valores morais.

domingo, 29 de agosto de 2010

Pensamento e realidade (III)

Pensando bem, perdemos o jeito de ampliar a mente. Tudo quanto você leu nas crônicas I e II precisa ser resgatado agora para que juntos pensemos com a mente ampliada. Os regalos que são naturais e desejados pela mente estreita podem ter direções desastrosas segundo o modelo de sociedade. O que será o regalo da mente estreita do muçulmano infectado pelo terror? O que será o regalo da mente estreita do brasileiro infectado pelo MST? O que será o regalo da mente estreita do político infectado pelos mensalões? O que será o regalo da mente estreita do nosso filho infectado pela droga?
Aquilo que numa sociedade estruturada sobre valores morais poderia ser regalos das mentes estreitas (boas notas escolares, saúde preservada, sexo seguro, diversão e lazer à luz do sol, boa leitura, bons filmes, desenvolvimento espiritual) acaba sendo levado para outros caminhos geradores de frustrações e de busca por compensações também na direção errada: a chamada adrenalina, o álcool, as drogas, o fundo do poço.
A sociedade desaprendeu fazer as coisas certas. Nós deixamos a casa pegar fogo para sair em busca da água. Não investimos na formação da identidade e do caráter e estamos exigindo mais policiais, mais cadeias. Não trabalhamos o desenvolvimento espiritual e ficamos apavorados com o crescimento do consumo de drogas.
Aquelas tenras mentes de crianças e adolescentes já buscam seus regalos nos primeiros aninhos de vida e se familiares e educadores não as suprirem com amor e fé, elas irão buscar gratificações onde estiver à mão nas avenidas às vezes sem volta.
É difícil? Agora é. Deixamos o passarinho escapar antes que ele fizesse asas e agora ele não voa, se arrasta, desaprendeu voar.
Fomos maus cultivadores e deixamos o mato tomar conta do jardim. Fomos maus pastores e deixamos os lobos maus comerem todo o alimento das ovelhas. Fomos maus piscicultores e deixamos as piranhas tomarem conta do açude.
Na fase em que estamos, pareceria mais correto agir preventiva do que corretivamente. É preciso atacar a porta de entrada para não ter que tomar conta da porta de saída, onde as vítimas já não têm mais fôlego para respirar a vida. Mas, não fique aí olhando para o palácio imaginando que o governo deva fazer isto ou aquilo ou que o padre, pastor ou líder espiritual devam fazer isto ou aquilo. Nós estamos acostumados a pagar a conta e esperar que alguém faça a coisa acontecer. Desta vez não haverá como delegar a ninguém. O trabalho terá de ser feito pelo pai, pela mãe, pelos avós, pelos educadores natos dessas criaturas, frágeis mentes vulneráveis aos ataques desta multidão de vírus que querem ali se instalar para criar esta tragédia social que assusta-nos e apavora-nos. De que trabalho estou falando? Imaginemos o mundo ideal e plantemos a sementes que irão se transformar em consciências blindadas contra os descaminhos do futuro. O trabalho é fácil. Difícil é a concepção. Mas, ela será moldada aos poucos, do mesmo modo como foi moldada a tragédia: aos poucos.

sábado, 28 de agosto de 2010

Pensamento e realidade (II)

A mente reduzida (como vimos na crônica anterior) está programada para servir ao corpo, servir é inerente à sua função sagrada. Mas ela é vulnerável e se deixa levar, em parte porque o seu treinamento é incluir e então ela tem muitas dificuldades de excluir. Lembre-se de que ela pode ser comparada com a mãe nas funções de prover, cuidar, zelar. Mas, ela é vulnerável, como foi dito. Por atuar como um fim em si mesma, ela está treinada para cuidar de tudo o que precisa acontecer para que a vida também aconteça: defesa imunológica, bombeamento do sangue, sono, apetite, digestão, funções renais e intestinais, etc. Ela sabe que tudo isso lhe pertence e entende que tem de se adonar de tudo e colocar tudo em ação perfeita, confortando-se com as conquistas e reconhecimentos obtidos. O prazer é seu regalo.
Então, entram neste rol de retribuições um prato delicioso, um vinho saboroso, um bom charuto, uma ótima música, um orgasmo e assim por diante. Perceba o leitor que por conta dos regalos pode caber coisa mais escabrosa. Entram, com certeza, conteúdos culturais de excelente qualidade e também os vírus que se dissimulam como conteúdo cultural.
A mente reduzida constrói a identidade do indivíduo com base nos ensinamentos que recebe. Se ensinada a derrotar os concorrentes no campo esportivo, ela construirá um atleta; se no campo político, ela construirá um candidato; se no campo econômico, ela construirá um empresário; se no campo da guerra, ela construirá um estrategista; se no campo das profissões, ela construirá um especialista; se no campo fora-da-lei, ela construirá um bandido. No caso de ela reconhecer no que chamamos de vírus o interesse pessoal do indivíduo, ela irá servir a isso e se entregar plena e incessantemente à tarefa para a qual foi desenhada. Este será o seu jeito normal de fazer as coisas e o fará com devoção para incluir mais e mais, para gratificar-se.
Muita gente constrói sua identidade desta forma infectada. O desastre social de boa parte da humanidade tem origem aí. É daí que advém as maiores verdades (mentiras) da experiência existencial de muitos indivíduos.
Mas, não será sempre assim. Haverá um momento de crise. A crise virá pela via do conhecimento, se o indivíduo tiver a oportunidade de confrontar-se com suas “crenças” e tiver humildade para admitir ou talvez a crise virá pela doença ou talvez por uma fatalidade acidental. Nos casos muito profundos de desvios morais, o retorno ao amor benigno será lento, penoso ou impossível.
Veja que usei a expressão “amor benigno” com a exclusiva finalidade de distinguir o que acontece com as pessoas afetadas pelos vírus malignos: elas entendem que estão certas e o amor que sentem, embora doentio, pensam que é correto.
Grande parte das depressões está associada a este mau funcionamento da mente estreita ocasionado pela sua vulnerabilidade. Nossa mente estreita se oferece aos vírus sempre titubeia entre as vibrações do bem e do mal. Quando as perdas se instalam, instalam-se também os estados estressores. E o que é mais grave: a mesma sociedade que empurra uma pessoa para a vala através de suas escolas de descaminhos (mentes estreitas infectadas no coletivo), é também a que condena e discrimina o descaminhado, como se estivesse sentenciando “não foste capaz de superar-se, agora agüente”.
Ao invés de tratar o delinqüente (pensando com a mente ampliada) com educação, manda-o para a cadeia; ao invés de tratar o doente com conselhos, manda-o para o hospital. Trata do perdido com promessas e paliativos quando ele mais precisa de identidade.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Pensamento e realidade

Uma prática constante de busca das verdades que se perderam, manipuladas pelos donos dos poderes que mandaram sobre a mente humana é, hoje, o que poderíamos chamar de retomada do Caminho Sagrado. Para isso, temos de buscar os originais de papiros que estão preservados. Eles não são muitos, mas são valiosos. Dentre eles, está o Talmude, uma tradição oral hebraica contendo leis e rituais antigos anteriores à Bíblia judaica. A Bíblia ou Torá tiveram origem, em grande parte, no Talmude e então a tradição oral deixou de ser oral. Para nós, ocidentais, uma parte dos conhecimentos sagrados está no que conhecemos pelo nome de Antigo Testamento.
O trecho a seguir vem do Talmude e não está na Bíblia:
• Presta atenção em teus pensamentos, pois eles se tornarão palavras;
• Presta atenção em tuas palavras, pois elas se tornarão atos;
• Presta atenção em teus atos, pois eles se tornarão hábitos;
• Presta atenção em teus hábitos, pois eles se tornarão teu caráter;
• Presta atenção em teu caráter, pois ele determinará o teu destino.
Sim, o pensamento humano produz o destino, mas não o destino do lado de fora, produz a matriz através da qual vivenciamos internamente os acontecimentos e circunstâncias externas de nossa existência.
Existe uma equivocada cultura ou escola ou cátedra ensinando que podemos transformar o mundo para que este venha a convergir para aquilo que, como indivíduos, desejamos. Nesta “fábrica” de realidades, o pensar humano ganha poder sobre a “mágica” e sobre os “aladins” e estes sem nenhuma oposição se encarregam de “obedecer”, o que é um verdadeiro absurdo.
Outra equivocada cultura ou escola ou cátedra, ensina a necessidade da entrega total da vontade humana a uma Outra Vontade, mediante a negação do livre-arbítrio e anulação da relação direta e livre entre consciência humana e o mundo à sua volta. Tudo está pronto e acabado.
Com alguma demora a sabedoria dos mestres do conhecimento sagrado está retornando e caminhará para o encontro das maiorias emancipadas para aquilo que já dissemos: conhecimento sagrado.
O mundo não é relativo a vontade humana e a vontade humana também não é relativa ao mundo estático. Qualquer uma destas propostas banaliza a vida, desmerece o criador e mente sobre Aquele que é o Senhor da Vida. A vida não é uma entrega desenfreada aos desejos a qualquer custo do deus-homem e nem é a submissão plena do homem-de-Deus aos desígnios externos. Porém, tanto os desejos internos como os externos são absolutos e têm as suas alçadas de poder cuja vitória do homem é o encontro de ambos num mesmo canal de progressão. Quem se deter a estudar a vida se aproximará desse axioma.
O Talmude é claro ao dizer que os “pensamentos” e não as vontades determinam o destino. Pensamentos permitem modificar o destino. Porém nisso deve estar embutido um conhecimento sagrado. Os pensamentos podem muito à medida que se tornem livres das interferências, separados, sagrados, em cujo âmbito se tornam instrumentos da potência maior da autonomia e da grandeza humana. Toda essa grandeza sofreu desgaste ante a ânsia dominadora e escravocrata dos poderosos aliados aos sacerdotes. Dito assim parece ranço, mas não é, é o curso da história da humanidade.
Para entender o que seja esta potência que já era conhecida nos primórdios do conhecimento sagrado, hoje temos de alinhá-lo à moderna energia quântica e trabalhar este entendimento com a visão de que a Mente – matriz dos pensamentos - se divide em duas dimensões: a reduzida que cuida do imediato da vida e a ampliada, que cuida do eterno da vida.
Veja como isso se torna magnífico quando deixamos a mente reduzida preocupar-se com o dia-a-dia da vida e avançamos para além de onde está a vida material como a entendemos.
É-nos ensinado algo sobre o que é sobreviver (mente reduzida). Por estes ensinamentos desde o ato da concepção no ventre da mãe, o mais apto, o mais eficaz, o mais forte, determinado pela competência de chegar primeiro e de garantir a vitória é, de fato, quem merece vencer. Mas isso pode ser uma balela diante da possibilidade de que a marcha intra-uterina dos espermatozóides não seja uma carreira e sim uma corte, um cortejo, pelo qual milhões de “indivíduos” saem em “revoada” (marcha) para conduzir o ungido, o escolhido, o compatível ao seu ato de doação, através do que ele se anula e se funde com o outro indivíduo que encontra para formarem um novo indivíduo, tão complexo e tão intrigante quanto ele próprio e o outro (o óvulo), que também se entrega mais ainda porque se deixa penetrar.
De qualquer modo a hipótese da carreira do vencedor já foi ultrapassada com as inseminações artificiais em que os “escolhidos” para fertilizar nada disputam; é o médico que os separa quase que aleatoriamente sem serem submetidos a teste e apesar disso as crianças nascem normais e sadias.
Os biólogos sempre afirmarão que há, sim, a seleção natural. Os químicos sempre afirmarão que tudo não passa de uma adaptação química. Os estudiosos do sagrado sempre afirmarão que tudo o que já foi dito é possível e necessário, mas que há a bênção, que os beatos chamarão de dedo de Deus, um quantum de desejo que não obedece às regras clássicas do desejo. O desejo clássico quer para si, o quantum do desejo quer doar, quer servir.
Prestar e se prestar são as verdadeiras retribuições nesta esfera quântica que conseguem contornar a força gravitacional do ego e do indivíduo. E muito provavelmente, apesar do desejo clássico ter sua função e produzir tantos fenômenos em nossa rotina, as verdadeiras engrenagens que distribuem benesses pelo mundo a fora estão na esfera do servir, de funcionar como um meio e não como um fim.
Aqui, enfim, o grande segredo perdido: a mente reduzida não tem poderes sobre o destino, é apenas o gerente de operações e tem a si mesma como fim: sobreviver enquanto matéria. Quando ela se imiscui na esfera da mente ampliada, gera conflito, pois a mente ampliada tem a si mesma como um meio. Entre o que é de competência de uma e de outra mente, está o sagrado. As demandas de bem-estar para quem é um fim em si mesmo são muito distintas do bem-estar buscado por aquele que tem como natureza ser um meio. A diferença entre aquele que busca um fim e aquele que busca um meio determina formas muito diversas de existência. Enquanto o primeiro se pauta por gratificações constantes, com o temor máximo de que a morte o impossibilite, o segundo busca a serventia e teme uma vida que seja inócua e que não cumpra sua função. O desejo clássico quer receber e é temente à morte; o desejo quântico quer doar e é temente à vida.
Todo aquele aprendiz que conseguir discernir quando está pensando e desejando com a mente reduzida e puder educá-la para que não se torne adversária daquilo que busca a mente ampliada, estará deixando de ser um aprendiz para fazer mestre a caminho da maioridade espiritual.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Sumidouro x Vertedouro

Quando você sai à rua, vai à praia, está numa fila, num templo, na sala de aula ou numa festa, sempre haverá por perto de você pessoas que podem ser sumidouros ou vertedouros de energias, energias que podem virar plasma ou miasma. Essas energias somem de nós na sua direção, enquanto nós vamos nos sentindo lentamente exauridos, cansados, desanimados, deixando no lugar de nossa energia vital os seus miasmas enegrecidos pela baixa vibração. Nos momentos imediatos começamos a sentir tristeza, sono, falta de atenção, dor de cabeça, enjôo, nojo.
Para você melhor identificá-las, presta atenção nos seus principais sintomas característicos:
Grupo um: são as pessoas dodói, que estão sempre pedindo que olhemos para elas e que dediquemos a elas atenções, palavras, afeto, elogios, conselhos, sugestões de novos remédios, novos livros de auto-ajuda, etc.
Grupo dois: são os mendigos dos templos: estão sempre pedindo algo a algum santo, algum guia, algum anjo e sempre à espera de que caia dos céus alguma migalha.
Grupo três: são os mendigos das ruas e dos palácios: estão sempre com o chapéu na mão para recolher algum dinheiro venha ele de onde vier.
Grupo quatro: são os avarentos acumuladores, verdadeiros sumidouros de dinheiro; como vampiros financeiros bebem o sangue do mercado e guardam-no nos seus depósitos sem se importar que coagulem.
Grupo cinco: são os egoístas que querem para si tudo quanto existir.
Se você puder prestar atenção, essas pessoas estão sempre por perto e se comportam aproximadamente de uma ou de outra forma. Elas ligam seus tentáculos em nós com os claros objetivos de abastecerem-se segundo as suas necessidades.
Nos planos intermediários iremos encontrar as pessoas que às vezes têm pra dar e às vezes também gostariam de receber. Estas se comportam das seguintes formas:
No primeiro plano: estão as que se doam, mas querem retribuição, isto em trocam.
No segundo plano: estão as que se doam, mas querem holofotes ligados, querem aparecer, querem vangloriar-se de haverem doado.
No terceiro plano: estão as que doam aquilo que já não lhes serve mais.
Na outro extremo estarão as pessoas vertedouro pura e simplesmente. São as que doam dinheiro, objetos, conhecimentos, préstimos, tempo, amor, sem nada pedir, sem nada trocar, sem publicidade.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O que é viver naturalmente?

A resposta será, sempre, com saúde física?

Queremos discutir e procurar responder estas questões do maior interesse para qualquer ser humano. Principalmente se a saúde não estiver 100%. O que é natural? Esta palavra tem uma extensa aplicação, mas como estamos escrevendo num blog que objetiva a Maioridade Espiritual, e que prefere não se afastar dos paradigmas científicos, iremos dar prioridade às conceituações que correspondam a isto. Natural é aquilo: que não sofreu intervenção; que segue a ordem regular das coisas; aquilo que é lógico; inato; ingênito; congênito; peculiar; sem artifício; não afetado; espontâneo; aquilo que é conforme a natureza. Logo, naturalidade é a qualidade ou caráter daquilo que é natural desde sua origem. O cosmos tem suas leis. A vida tem as suas. Deus tem suas leis. Tudo o que estiver em acordo com as leis cósmicas, naturais, divinas, pode ser considerado natural. Por outro lado, tudo o que estiver contrário às já citadas leis, pode ser considerado contranatural.
Como os humanos fazem parte do cosmos, da vida e fazem parte da imensa cadeia natural, cuja concepção, sem controvérsias, precisa ser entregue à inteligência maior que a deu causa, vamos procurar discorrer sobre o que é viver naturalmente e aprofundar o conceito de doença e saúde.
O que seria natural para um corpo biológico? Se tomarmos como modelo a plantinha de nossa floreira, todos nós teríamos a mais ampla capacidade de opinar. Saberíamos que se não tratarmos de nossa plantinha com aquilo que a ela é natural, ela definhará, murchará, morrerá. O corpo biológico humano pede o quê em termos naturais? Vamos entrar pela outra porta: o que mais nos tira a saúde? As respostas sem percentuais quantitativos são os acidentes, as agressões perfurantes ou contundentes, o frio, a dieta, a fome, a asfixia, as queimaduras (inclusive do Sol), a sede, a insônia, o barulho, a extenuação e a exposição a agentes infecciosos, radiativos ou venenosos, além de outros, tanto ou mais perigosos.
Dentre as situações citadas, você seria capaz de enumerar aquelas que não lhe afetaram ou não lhe afetam ou ameaçam afetar? E poderia afirmar se isso é algo deliberado ou casual? Quase todos nós podemos afirmar que as gerações antecedentes das quais herdamos nosso código genético, tiveram deficiências de conhecimentos para comportar-se e orientar seus descendentes numa série de situações em que a vida esteve a perigo e precisou adaptar-se para não perecer. A isso, a ciência e a filosofia chamam de cultura. E são culturais as conseqüências ou resultados que acabam por configurar o modo de vida dos grupos sociais e mesmo de civilizações inteiras. Pode-se citar, entre tantos outros, os casos da ingestão de gordura, açúcar, álcool, farinhas, bebidas e fumo, os inimigos do coração, do fígado, do pâncreas, do pulmão e de outros órgãos principais do corpo. No entanto, eram e são costumes encarados como coisa normal na vida das pessoas.
Fica evidente, então que a vida dos indivíduos, grupos e civilizações é o resultado daquilo que se conhece, acredita, transforma em atitude, comportamento e ações. A vida que se tem é o resultado do que sabemos e praticamos? Inclusive, tem origem aí muitas das adaptações que o código genético acabou por fazer ou ainda está tentando fazer para atender os pesados ônus que nós impusemos a ele.
Bem, este é apenas primeiro quadro da quebra ou não da naturalidade e de suas conseqüências para a vida, digamos, biológica. Chegamos apenas ao primeiro degrau, que é o biológico.
Mas, há, um segundo quadro diretamente ligado às nossas emoções. O que é benéfico e o que é maléfico à emoção humana? Possivelmente, muitos de nós, maioria talvez, tenha enfrentado a infância, adolescência, juventude, maioridade e mesmo a velhice desconhecendo o que seja natural às nossas emoções. E, por isso mesmo, tenhamos dado vazão à raiva, ao medo, ao ódio, à inveja, à vingança, ao remorso e, no mínimo, acolhido algumas mágoas que nos tiraram do natural por horas, dias, meses, anos... Quem de nós pode erguer-se e afirmar: “disso eu não padeci?!”
Pois bem, já temos uma segunda geração de agentes quebradores da naturalidade da vida e apontados cientificamente como responsáveis por mais de 80% das causas de muitas doenças em geral, inclusive as mais severas, que é quando o estado emocional interfere no normal funcionamento de nossa rede hormonal, linfática e imunológica. Isso também tem tudo a ver com a cultura dos homens, ou seja, com os nossos conhecimentos e mais profundamente com o nosso discernimento.
Entretanto, ainda não é tudo. Temos um terceiro quadro, tão importante quanto os anteriores, que não pode ser desprezado. Trata-se da naturalidade de nosso intelecto. O que é natural, positivo, estimulador, vital, ao intelecto das pessoas? E o que não é natural e, por isso mesmo, negativo, desestimulador, doentio?
É evidente que em todas as faixas etárias fomos alcançados por ensinamentos próprios a cada uma das fases de nossa vida e muito do que aprendemos entrou para a nossa consciência como valores a preservar, sabedoria para usar, qualidades a desenvolver, entendimentos de como se resolve a vida. Mesmo tomando-se muitos desses conteúdos como sendo as bases da evolução havida ou da estagnação presente na humanidade, podemos especular, à luz dos conhecimentos atuais, que deixaram a desejar. Somos produto de aprendizados da maior relevância, mas em seu meio algo sempre chegou-nos contaminado por erros de visão, preconceitos, vícios de origem.
Mesmo que o mais grave não seja o que ficou para trás, hoje as mentes mais lúcidas estão a questionar o grau de aprisionamento a que fomos levados pela alimentação e realimentação de nosso intelecto. Podemos concluir que as notícias, a propaganda, a leitura, a escola, a igreja, os contatos, os diálogos, os pensamentos e desejos decorrentes desse bombardeio diuturno, têm mais pontos negativos do que positivos em relação à naturalidade de nosso intelecto? O que você acha? Se, porventura, também a realimentação equivocada de nosso intelecto responde por boa parte de nosso desassossego como seres divinos, que somos, não é de estranhar que o número de pessoas doentes não só de fundo mental seja tão imenso? Você concorda?
Porém, não é tudo. Ainda há um quarto degrau nesse quadro de fatores intercorrentes na naturalidade da vida. E aqui nós entramos numa área ainda mais sensível, que é a área espiritual. Como é que quebramos a naturalidade que pertence ao mundo de nosso espírito? Todos nós devemos ter consciência de que nossa passagem pelo corpo não é casual e que a vida não acaba no cemitério ou no crematório. Dificilmente iremos encontrar respostas abundantes para as razões de havermos recebido um corpo, uma família, uma profissão, filhos, amigos, além de tudo mais que se relaciona às nossas vidas.
Houve um momento na história da humanidade, a partir do qual toda a sabedoria espiritual desapareceu e foi esconder-se nos mosteiros, nas sociedades secretas e lugares místicos, aos quais só os iniciados tinham e ainda têm acesso. Caminharemos muitos séculos buscando antes quebrar os paradigmas que geraram preconceitos e buscando afastar o mau uso que se faz das coisas ligadas ao espírito. Só muito recentemente os temas espirituais entraram para o quotidiano das maiorias.
Não fica difícil, pois, compreender por que tanto sofrimento, por que tanta dor, por que tantos desvios, vícios, maldades, iniqüidades e torpezas no quotidiano de muitas vidas para as quais os valores essenciais não incluem a vida eterna.
Estamos só começando a questionar o que é natural ao nosso corpo. Por isso as campanhas em prol de determinados padrões alimentares, contra fumo, álcool e outras drogas. As academias e as clínicas de beleza e estética estão a pleno.
Estamos apenas começando a questionar o que é natural às nossas emoções. Por isso, os apelos pela mudança de pensamentos, vontades, comportamento e atitudes, como um caminho para a cura das emoções, dos sentimentos. Por isso, o grande número de terapeutas e de ambientes especializados em harmonizar pessoas.
Estamos apenas perguntando por que tais e tais informações servem mais para contaminar do que para iluminar nosso intelecto. Estamos só ensaiando redimensionar o valor da escola na construção de homens e mulheres livres. Estamos só começando a nos interessar por algo muito fundamental: o que estará dizendo e fazendo o verdadeiro piloto de nossas vidas, aquele que continuará a caminhada após a falência do corpo físico?
Como se vê nesta rápida abordagem, viver naturalmente é uma arte e uma ciência. Saúde nunca será apenas estar sem dor.
Os melhores terapeutas, em primeiro lugar, serão sempre aqueles que educam antes de tratar e, em segundo lugar, tratam do todo e não da parte afetada.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O que é maior entre liberdade, fraternidade e igualdade

A Revolução Francesa nos legou a célebre frase que por séculos vem animando ideólogos e se afirmando na sempre atualíssima luta pelos direitos humanos: “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”.
Lá se foram 221 anos desde que a divisa “liberdade, igualdade, fraternidade” tornou-se ideal coletivo. Andamos bastante, mas quase tudo está por fazer.
O século XIX, segundo observadores, foi o século da liberdade, marcado pela queda da escravidão, o nascimento da imprensa livre, o fim do domínio absoluto de alguns redutos de poder capazes de impor, como de fato impuseram, a Inquisição.
Pela ótica dos mesmos observadores o século seguinte, XX, foi o século da igualdade, marcado, antes de tudo, pelo reconhecimento dos direitos da mulher, dos pobres, dos negros, dos índios.
E assinalam os observadores, o século XXI está reservado à fraternidade.
Para marcá-lo desde cedo estamos participando dos movimentos ecológicos, através dos quais descobrimos que somos irmãos das florestas, da terra, da água, do ar, dos peixes, pássaros e todos os animais, porque sem esse pressuposto jamais seríamos irmão de nenhum homem, nenhuma mulher.
A luta pela liberdade acompanha a própria história da humanidade e alguns filósofos heterodoxos apostam que a proposta da vida é a liberdade. Argumentam quanto a isso que na liberdade pensamos, criamos, vamos do nada para o todo e vice-versa. Saímos da prisão uterina para a luz, que equivale liberdade; saímos do jugo dos pais para a autonomia, que equivale liberdade; saímos do corpo, pela morte, para a vida espiritual, que equivale liberdade.
Todavia, liberdade tem significados muito mais amplos do que apenas a da locomoção, como liberdade de pensamento, de expressão, de consciência, de crença, de informação, de decisão, de reunião, de associação, enfim, todas estas (e outras tantas) que asseguram a vida condigna da pessoa humana, nenhum valor teriam não fosse a liberdade. Porém, para que a pessoa seja, de fato, livre, é necessário, primeiramente, que ela seja liberta da miséria, do analfabetismo, do subemprego, da subalimentação, da submoradia. Esse é o ponto em que a negação da liberdade prende e algema a igualdade. Nem todas as pessoas moram, comem, estudam, têm assistência médica e hospitalar. E a causa da desigualdade é, mais uma vez, a ausência de liberdade para a tomada de decisões políticas e econômicas, o que leva os homens a não serem fraternos e a não terem responsabilidades para com a espécie.
O que é maior entre liberdade, igualdade e fraternidade?
Será no correr do século XXI que se formará todo o ideário contra a discriminação baseada em sexo, raça, cor, origem, credo religioso, estado civil, condição social ou orientação sexual?
Não se pode tratar de modo diferente as pessoas simplesmente por suas características peculiares; ainda que tais características sejam visíveis, não se pode diferenciar indivíduos a partir delas, se não há qualquer critério jurídico que justifique tal diferenciação.
Todavia, não se pode olvidar que a verdadeira igualdade consiste em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais.
Perpetua-se idêntica injustiça diferenciar indivíduos por sua cor de pele, como dar tratamento uniforme a pessoas que tem, de fato, motivos para serem tratadas de modo diferenciado (ninguém se sente discriminado pela lei que obriga atendimento preferencial a idosos, grávidas ou portadores de deficiência).
Assim como pela liberdade, a luta pela manutenção e extensão da verdadeira igualdade é constante.
Faz-se premente que a solidariedade norteie as ações de governantes, empresários e das pessoas em geral.
Neste novo século, o foco da proteção dos direitos deve sair do âmbito individual e dirigir-se, definitivamente, ao coletivo.
São direitos inerentes à pessoa humana, não considerada em si, mas como coletividade, o direito ao meio-ambiente, à segurança, à moradia, ao desenvolvimento. É necessário que tomemos consciência de que nossos direitos apenas nos serão assegurados de fato, quando estes forem também garantidos para todos os demais. Enfim, é o momento de se realizar o bem comum.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Uma tentativa de pacificar o mundo

As falhas de estrutura nos quatro pilares da construção humana têm levado o homem ao extremo de ser indigno de si mesmo.


Os especialistas que estudam a totalidade humana recomendam que a correta construção dessa complexa maravilha da criação divina, que é o homem, passa pelo equilíbrio e harmonia entre quatro pilares:
Tradições – que responde pela descoberta do ser, pelos princípios e valores adquiridos no clã, pela identidade cósmica e religiosa e pela relação indivíduo-teia da vida;
Econômico – que responde pelo espaço, território, sobrevivência, alimento, vestuário, casa, comida, estrutura familiar;
Social – que responde pela convivência, preservação, emergência, sociedade, nação;
Político – que estabelece regras, contratos e organização relativa a indivíduos, famílias, grupos, sociedades, nações.
O mau encaminhamento de um ou mais desses fatores pode conduzir a diferentes resultados indesejados para o indivíduo, sua família, sua sociedade, sua nação, a saber: fanatismo, fundamentalismo ou ao oposto: ausência de respeito para com a teia, tirania, banditismo, consumismo, egoísmo, vaidade, hipocrisia, preguiça, perda de espaço e território, desagregação, fome e decadência, perda de espaço e território, baderna, guerra civil, guerrilha, insurreição, guerra entre indivíduos, facções, nações, grupos de nações.

Bons encaminhamentos

Se tomarmos os mesmos fatores a partir dos bons encaminhamentos, as respostas serão outras. O homem bem construído eticamente através das tradições e da religiosidade, descobre-se pertencendo ao todo e integrante da teia da vida, conhecendo os limites e responsabilidades pessoais e intransferíveis perante a vida. Em conseqüência, respeita espaço e território alheios, vive e deixa viver e busca apoiar-se em seu grupo mais diretamente interativo, a família. Com esta construção resolvida, o indivíduo convive, preserva valores, dons e patrimônios, principalmente o ecológico e emerge como cidadão perante uma nação resolvida. O quarto fator é o que estabelece regras sociais e civis, contratos de relacionamentos grupais e a organização de todo o conjunto necessário à vida.

A descoberta

Não existe grande dificuldade em se obter uma construção humana. É preciso descobrir por que os homens se agridem. Descobrindo isso, descobriremos por que eles não se amam e saberemos o que os afasta da alegria, da paz, da felicidade, da saúde e do amor, que são os ingredientes da vida. Sem isso, não se pode dizer que há vida.
Para quem queira iniciar-se na tarefa de observar por que os homens se agridem, dizemos que é preciso observar oikos (palavra grega para designar “casa” e muito usada quando se quer trabalhar o planeta como a nossa casa, a casa de todos nós, seres viventes de todas as espécies, de todos os continentes, de todos os mares) para se chegar à conclusão que nada mais precisa ser criado, tudo já foi criado. O homem tem a permissão de juntar, compor, fracionar, extrair, reciclar, desde que agüente as conseqüências. Nada mais. Tudo mais que se queira atribuir ao homem extrapola os seus papéis, dá-se a ele poderes que não lhe são outorgados, ao menos enquanto ele não crescer.
O sábio e o louco nadam no mesmo oceano. O sábio o atravessa. O louco se afoga nele. O louco é aquele que joga pedras no telhado do vizinho. O sábio é aquele que manda flores para o vizinho.

domingo, 22 de agosto de 2010

Arguelles e a "Convergência Harmônica"

Estamos retornando ao tema que enfocamos em 16 de agosto último, dada a atualidade do enfoque naquela data com outro enfoque: o escritor metafísico mexicano José Arguelles deu ciência ao mundo em 16 de agosto de 1987, que estava sendo iniciada a configuração astronômica que levará nove planetas do sistema solar a estarem alinhados entre si, em 123 graus, repetindo em 21.12.2012 o que já havia ocorrido há 23.412 anos atrás.
Não se trata, não, de uma invenção de Arguelles. A Configuração Principal a ocorrer em 21.12.2012 foi prevista pelos maias e pelos astecas há muitos séculos.
A tese de Arguelles é simples e amplia o fenômeno para além de uma configuração astronômica inclusive apontada por gente apressada como o ‘fim do mundo’. Para Arguelles haverá uma ocorrência caracterizada pelo deslocamento na orientação mental humana, no coletivo, induzida por forças magnéticas. Suas conseqüências: desmilitarização e rápido encaminhando para a despoluição ambiental, forte tendência para uso da energia solar, mudanças sócio-culturais coordenadas por uma atualização aperfeiçoada do potencial humano e surgimento de avanços na parapsicologia.
Outro ponto da tese de Arguelles reúne uma profecia Hopi com o apocalipse bíblico e sugere que os 144 mil seres ali citados como escolhidos para dar conta da grande mudança humana na Terra são, na verdade, mestres iluminados, que deverão reunir-se em pontos de força ao redor do planeta, utilizando-se dos chamados chakras energéticos da Terra para criar as condições ideais de travessia do planeta de seu estágio anterior para este, que será de transformação.
Nessa mesma ocasião ingressarão na crosta do planeta milhares de espíritos evoluídos a caminho de renascerem aqui.
Tanto em 1987, como presentemente, as notícias sobre este fenômeno geram três tipos de reações. Os céticos dizem que se trata de coisa de desocupados e que tudo não passa de bobagens. Os beatos esperam o fim dos tempos, como previstos no apocalipse e desde agora já estão concentrados nos templos esperando o convite de Deus para embarcar entre os 144 mil que serão salvos. Os da coluna do meio preferem trabalhar com a ciência e com a fé. Para tanto mandaram conferir o que, astronomicamente, está previsto. A ciência astronômica manda dizer que o sistema solar roda ao redor da Via Láctea, em volta completa a cada 25.920 anos terrestres. Portanto, já passamos por ali um monte de vezes. E informa que, sim, haverá uma configuração alinhada de 9 planetas do sistema solar, coincidindo com a aproximação ameaçadora de um meteoro, mas ele passará a milhões de quilômetros de nós, o que não invalida a hipótese de influências magnéticas. A ciência informa que as alterações climáticas havidas de 1987 para cá estão associadas às novas configurações magnéticas pelas quais está passando o planeta Terra. E informa, em derradeiro, que os alinhamentos de 21.12.2012 são muito sutis e jamais poderiam ter o impacto apregoado pelos arautos do fim do mundo.
Agora vamos às notícias relacionadas com a fé. Aos que crêem em reencarnação, diremos que o planeta (veja bem, o planeta também reencarna) vai reencarnar em uma nova era, deixando para trás o cadáver da era que morreu. Já fizemos isso inúmeras vezes, do mesmo modo que os anos morrem nos solstícios (22.06) e renascem no dia seguinte, avançam expandindo-se até chegar ao ápice no outro solstício (21.12) e novamente começam a enveredar para a morte.
Seja lá que o que for que virá depois de 21.12.2012, nada mais será exatamente como antes. Todas as mentes estarão inclinadas ao novo tempo e os adversários do novo tempo serão convidados a se retirar, isto é, decretarão a sua exclusão por livre-arbítrio e serão levados para dimensões diversas para as futuras reencarnações. Sua vibração estará em desacordo com a vibração do planeta Terra.
Eis aí algumas informações, não todas, que irão pavimentar o conhecimento e a consciência daqueles que tomam interesse pelo todo do planeta e da humanidade.

sábado, 21 de agosto de 2010

A descoberta do sagrado (VI) conclusão

Salvar ou destruir

Estudos de uma nova safra de cientistas demonstram que dificilmente a ciência ou outras instituições oficiais de nossa sociedade salvarão a Terra. A nossa visão de mundo, o conjunto dos nossos paradigmas nos faz doentes. Doentes da cabeça. E, por extensão, do corpo e da alma.Se a Terra tiver de salvar-se, se este é o seu destino, os salvadores não serão os cientistas e nem as instituições oficiais. Seremos nós, os membros da sociedade consciente e organizada.
Quando estivermos curados das psicoses que levam os cérebros mais qualificados do planeta a manipular genes, a promover a transgenia modificando estrutura e padrão, que são dois dos três princípios da vida e, por extensão nada fazer para estancar a sujeira, a poluição, o assassinato e a corrupção, o que precisa ser curado é a mente do homem racional. Após isso, a cura ambiental será então uma conseqüência natural.
O que seria o Sagrado a ser descoberto (tema desta série)? O primeiro estágio é tomar o homem o seu próprio corpo como um recipiente sagrado onde a vida acontece. Respeitar a dimensão sagrada do aparelho da alma é tornar-se parceiro do Arquiteto Maior e não seu adversário. Por extensão, terá o homem apreendido a lição que o capacitará a amar e respeitar tudo mais que participa de sua caminhada sideral.
Para uns estudiosos dessa transformação o caminho é longo, mas não impossível. E o primeiro passo será, exatamente, o ecológico. Se o homem aprender a respeitar seu corpo, respeitará, por extensão, o meio ambiente.
O passo seguinte será aprender a combinar os seus planos e desejos com a visão e missão reservadas ao homem no plano cósmico, onde os seus caminhos não sofram obstáculos ou resistências. Mas, neste estágio, já deverá estar consolidado o conceito de espiritualidade e definido que há uma vontade maior, da qual fazemos parte, mas não temos ingerência. Esta pode ser a vontade ou plano do Arquiteto Maior. E já deverá estar consolidado que há um plano menor que diz respeito a um clã, um grupo, uma família, uma ou mais pessoas, podendo, mesmo, alcançar uma nação. Quando o plano ou desejo menor estiver alinhado e coerente com o plano ou desejo maior, terá o homem descoberto o que se convencionou chamar de “conspiração do Universo”, lógico, que a seu favor, o que significa recorrer à metáfora de que os anjos “digam amém” ou de que eles se retirem do caminho com suas espadas resplandecentes, apenas para usar de um certo misticismo bíblico.
Uma tradição ancestral ensina que a bênção é trilhar os caminhos que levam no rumo planejado pela instância sagrada e que a maldição é a trilha adversária, e inclusive sugere que as palavras fluxo-bênção nasceram da mesma fonte mística, enquanto as palavras bloqueio-maldição também são gêmeas de origem.
Abençoados, somos potencializados em nossos dons. Amaldiçoados, perdemos potência. Exauridos nos distanciamos da força e tudo parece dar errado ou tornar-se mais difícil. A reação dos amaldiçoados é queixar-se de “não ter sorte”. Na verdade, é a perda do mais íntimo e sagrado diálogo com a fonte do poder benigno.
A frase “seja feita a vossa vontade”, interpretada como esteja a minha vontade calibrada com o plano maior, parece absolutamente correta.
Outra tradição ancestral ensina que a resistência exercida pelo ego, pela vontade corrompida, é o mesmo que maquiar a realidade com cosméticos reveladores de quão especial se é e fonte de irritação e convocação dos anjos ao bloqueio de nossos caminhos. Ao não fazer esta leitura ou interpretação, nos afundamos em reações adversas, birras, disputas, adversidades e cada vez temos menor força para ir em frente em nossa caminhada.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A descoberta do sagrado (V)

São Francisco

Todos nós nos relacionamos com o ambiente ao nosso redor e o interpenetramos ao inspirar e expirar, beber água, comer alimentos, excretar os resíduos e ao produzir CO², lixo, etc. O carbono, um dos principais componentes da vida e um dos elementos mais antigos, surgiu na incrível explosão que foi o Big Bang, como chamam os cientistas. As estrelas são feitas de carbono, assim como nós. O mesmo Deus que presidiu o arrojo das estrelas na vasta escuridão do espaço também se curvou sobre o nosso corpo e salpicou-o de substância estelar. Temos os mesmos pai e mãe, compartilhamos da mesma origem. Podemos até sonhar com a hipótese de sermos miniaturas de galáxias, se conseguirmos olhar para os nossos chakras como pequenos sistemas estelares.
Desse modo, São Francisco de Assis sabia algo e que foi por nós esquecido, quando chamou os corpos celestes de “Irmão Sol”, “Irmã Lua”. E talvez Thoreau estivesse igualmente certo ao perguntar como é possível sentir solidão quando podemos olhar para o céu à noite e ver as luzes dançantes da Via Láctea. A compaixão pela natureza cresce com a consciência de estarmos interligados com tudo o que existe.
Por isso, se você coisifica alguma coisa, pode imaginá-la como separada de você e assim sendo mais fácil de usá-la, feri-la ou abusar dela, destruí-la, modificá-la na essência. Mas, se você está intimamente conectado com alguma coisa, ela se torna parte de você, você a dignifica e se faz digno perante ela, antes de feri-la por saber que o ferido é você mesmo.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A descoberta do sagrado (IV)

Comunhão
Comunhão significa abordar a Natureza com uma reflexividade, baseada na alma, que esteja disposta a esperar, ouvir e permitir que a Natureza se revele a seu próprio modo, em seu próprio tempo. A comunhão envolve uma atividade de não imposição, uma ausência de categorias predeterminadas e mesmo uma espécie de indefinição filosófica.
É claro que para o realismo determinado e agressivo do Ocidente isso não faz sentido; certamente a pesquisa, a medida, a precisão e a claridade rigorosamente delimitadas são sempre preferíveis à indefinição. Continuarão a dizer que os avanços tecnológicos na agricultura, pecuária, indústria e profissões servirão para aplacar a fome, alongar a vida, como foi a mentira da Revolução Verde e como é temerário viver mais sem nenhuma felicidade. Em muitas áreas da vida, a abordagem pragmática simplesmente não funciona. As relações íntimas humanas, por exemplo, requerem uma abordagem completamente diferente, o mesmo aplicando-se às nossas relações com a Natureza. Para conhecer seus segredos mais profundos, precisamos estar dispostos a entrar numa relação de comunhão com ela, buscado o que Alan Watts chama de “um toque cálido, enternecido, vagamente definido e carinhoso”.
Em outras palavras, comunhão é um modo de observar o que significa a carinhosa atenção, a sensação de conforto com o que é enevoado, indefinido, obscuro, místico e indistinto, presente em culturas menos contundentes em relação à vida. A cultura ocidental produziu um tipo insolente de personalidade que está sempre disposta a avançar e esvaziar o mistério, a descobrir com toda a precisão para onde foram os gansos que tanto encantaram o ancião japonês, a levar para casa o pedaço de estalactite da gruta, a esgotar o gozo no primeiro contato. O homem ocidental não se dá conta da diferença entre a superfície e a profundidade. Somos apartados de nossa própria experiência interior e dela não podemos depender como meio de conhecer o mundo. Aprendemos a depender do ego – a mente analítico-racional – que nos permite operar o mundo sem “estar lá” de fato em corpo e alma. A glorificação da objetividade, atitude tão predominante em muitas áreas da vida ocidental, só pode acontecer numa cultura em que as pessoas estão apartadas de si mesmas, separadas de sua própria subjetividade. Somos estranhos para as demais culturas, nas quais é impossível a vida apenas vivida na cabeça, sem nenhuma necessidade real do corpo, da alma e das emoções. Isto explica o sucesso do filme “Avatar”, em que o herói mentaliza e concebe a salvação de um mundo natural sem querer pertencer a ele.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A descoberta do sagrado (III)

Causa e efeito

Intervir na Natureza para tirar proveito, significa correr o risco e pagar o preço. Isso, pelo menos, é o que hoje boa parcela dos homens já pode acreditar. As cidades inundadas por enchentes, as encostas desabadas, a camada de ozônio, as queimadas, os motores à explosão, o efeito estufa, as mortes por insuficiência renal, hepática, cardíaca, respiratória, pancreática e outras causadas por envenenamento de clorados e fosforados, nada mais são do que o efeito, o pagamento do preço a que está sujeito aquele que provoca a ira natural. A deusa está ferida, a mãe está machucada e a sua reação é perfeitamente natural.
Interagir com a Natureza para ser feliz, significa receber o prêmio. Isso, pelo menos, é o que hoje pequena parcela dos homens começa a aceitar como verdade. As comunidades que aprenderam respeitar a Grande Mãe Gaia – poucas ainda – podem capitalizar a comunhão com a Natureza e o estabelecimento dos primeiros elos no rumo sagrado.
Maioria dos homens aborda a Natureza com mapas e diagramas em vez de abrir a alma para o silêncio perfeito das estrelas. Embora as abordagens objetivas tenham seu lugar, comunhão significa romper com os discursos e práticas de coisificação da Natureza e ir ao encontro dela para um abraço e um beijo místico, profundo e umedecido, onde ela se revela diretamente para a alma aberta à admiração e ao assombro.
A corrida tecnológica não trouxe felicidade ao homem, conforto talvez, mas exigiu muito para isso pudesse acontecer. Estamos matando-nos sem motivo nas escolas, nos cinemas, nas ruas, enredados na tecnologia que não nos faz melhores. As UTIs dos hospitais já são apontadas como motivo de aprofundamento da crise dos doentes a ela submetidos. Os seres arrancados de seu habitat morrem aos poucos. As plantas e animais estressados por agentes estranhos à sua natureza, fazem mal ao homem. Não temos tempo de ir ao encontro da frutífera, acariciar o fruto e só então levá-lo à boca para sentir-lhe os sabedores. Mais da metade das frutas que ingerimos já vem diluída em caixas ou vidros. O leite vem em encaixotado e com isso perdemos o contato com as tetas mornas da vaca, a sua energia, o seu mugido. A água que nos sacia ou nos banha não tem a magia da fonte ou da cachoeira porque viaja dezenas de quilômetros através de tubulações e recebe doses químicas que alteram-lhe o gosto e a textura. Preocupados em correr atrás dos problemas criados por nós mesmos, não temos mais tempo e interesse em pôr os pés no chão para sentir a energia da mãe terra. E estamos cada dia mais carentes dessa comunhão.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A descoberta do sagrado (II)

Deus patriarcal

De acordo com alguns estudiosos, a alienação do homem ocidental em relação à Natureza, começou quando as religiões derivadas do Deus hebreu substituíram e eliminaram o culto às deusas, que viam a Terra como a Grande Mãe.
Os antigos hebreus, onde tem origem a fé em Javé, foram direcionados para a eliminação da deusa mãe e de todos os sinais de adoração da Natureza por razões que conhecemos: eram pastores nômades e com isso não exercitavam o enterro da semente no ventre da mãe-terra. E Javé era um Deus ciumento e colérico, que insistia em ser o único deus verdadeiro e sancionava a destruição dos que discordassem dele. Javé não tinha esposa, nem contrapartida feminina. Entre os seus seguidores a mulher e o princípio feminino mereciam pouca veneração e respeito, o que já na atualidade está diferente nas relações familiares judaicas.
Essa perspectiva patriarcal histórica causou grande impacto no modo como era vista a Natureza. Enquanto as comunidades agrícolas adoravam a Natureza como sendo a personificação da deusa, os nômades patriarcais viam a Natureza de um modo funcional. Eles eram pastores de animais, e seu estilo de vida nômade levou-os a entrar em conflito com outros povos. Desse modo, aderiram à luta e ao desenvolvimento de armas de guerra. Ao contrário da deusa, Javé não era considerado como imanente à criação; ele era sobrenatural – sobre a natureza.
Javé aparece no livro Gênesis, da Bíblia, como o criador do mundo, mundo que a ele pertencia, e por isso tinha o direito de fazer dele o que bem entendesse, até mesmo dá-lo ao seu povo e de decidir liquidar com ele, como lá está registrado. Por sua vez, o povo tinha o direito de posse e usufruto da Terra. A Natureza foi coisificada, deixou de ser vista como o corpo sagrado da mãe e por extensão da deusa.
“Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a Terra e sujeitai-a: dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela Terra”. Esta é a linguagem do patriarcado, a linguagem da guerra, da dominação, do reinado territorial e da autorização para que cientistas – ainda que ateus – introduzam células animais em corpos vegetais ou manipulem componentes minerais ou bacterianos e façam cruzamentos químicos e biológicos em nome do lucro.
Outro aspecto também relevante: Deus ficou nos céus, a Natureza ficou sob os pés e mãos dos homens e os homens ficaram dependurados entre um e outra, não pertencendo a nenhum dos dois.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

16 de agosto: "Convergência Harmônica" e mais

A data de 16 de agosto foi parar entre os dias emblemáticos para místicos e espiritualistas do mundo ocidental. Nesse dia, no ano de 1987, segundo o então desconhecido historiador da arte mexicana e escritor metafísico, José Arguelles, estava tendo início a configuração de uma convergência harmônica entre vários astros do sistema solar e de fora dele, encaminhando o que, desde então, ficou conhecido como "Mistério Maia" ou "Fator Maia". Arguelles ganhou destaque na mídia norte-americana ao defender que 21.12.2012, pelos cálculos dos xamãs maias, fechar-se-á mais um "Grande Ciclo", do qual já falamos aqui neste blog. Trata-se de uma era de 5.200 anos, iniciada em 3113 a.C. terminando em 2012. O "Grande Ciclo é um "feixe galáctico" focalizado na humanidade de espíritos elevados, avançados e benevolentes (dizem até tratar-se de extra-terrestres), localizados no centro da Via Láctea. Neste estágio de evolução da humanidade terrena, ao longo de 25.920 anos, terá se completado a integração das quatro dimensões da consciência filosófica e então o cérebro reptiliano ou sistema límbico estará pronto para novo avanço, ainda intermediário, acomodando a inteligência horizontal, emocional, conceitual e estratégica, para aguardar o novo passo, o da mente superior, que será sucedida pelo estágio da mente solar, o reino dos guias evolutivos do planeta, que os maias chamavam de "Senhores do Sol".
Este blog voltará a falar do Fator Maia em breve.
Mas, o 16 de agosto de um ano qualquer (quem sabe 1987), tem sabor especial também para uma comunidade espiritual com sede em Foquilhinhas, São José, SC, Brasil. Trata-se do Núcleo Espírita Nosso Lar (www.nenossolar.com.br) que, naquela data recebeu o que seus dirigentes chamam de "Outorga da Missão Cura", isto é a autorização espiritual para dar início à atividade curadora de almas e espíritos.
A data é muito comemorada por quem participa daquela casa.
Certamente não pode haver apenas coincidência entre datas. Algo mais estará ligando esta instituição com o caminhar dos astros e a evolução da consciência humana.

A descoberta do sagrado (I)

Introdução

Estou ligado com o todo.
Aquele que sou não se limita à minha pele, estende-se para além de mim mediante uma complexa matriz de inter-relações que abarca todo o Universo.
As estrelas são feitas de carbono, assim como eu.
Eu as estrelas temos os mesmos pai e mãe e compartilhamos da mesma origem.
Uma vez que todas as coisas estão ligadas a tudo mais, são enormes os riscos que assumimos ao explorar quaisquer recursos da Terra ou do nosso corpo.
O simples ato de servir carne e osso às vacas – que são herbívoras – levou-nos à vaca louca e dela ao homem louco.


Pensar que se pode controlar a natureza e dirigir o seu curso, é talvez o engano mais perigoso na história do mundo. Nossa cultura sinaliza que nos consideramos separados da Natureza. A verdade é que também nós estamos embutidos em sua complexa rede de relacionamentos. Somos apenas uma espécie dentre milhões de outras produzidas pela Natureza.
Esta é a lição mais importante da tese darwiniana: não somos nem mais nem menos do que um filho na prole numerosa da Terra.
O fato de termos aprendido a caminhar eretos e termos desenvolvido um cérebro um pouco maior que o de outros animais, pode não ser mais que um experimento na curva evolutiva.
Mas, é um tanto pobre pensar somente que o Homem é apenas um animal mais rapidamente evoluído, porque assim, daqui a pouco, outro animal de outra espécie pode superar-nos.
Se formos, como temos sido, tolos o suficiente para fazer com que esse cérebro pequeno e calculista se volte contra a Natureza, é certo, ela se voltará contra nós. Há uma enorme possibilidade de que isso já esteja acontecendo numa velocidade da qual nem nos damos conta.
As enchentes, os deslizamentos, o fogo, os terremotos, o aquecimento global, o câncer de pele, a intoxicação por venenos e outras reações às nossas agressões à Natureza – homem no meio – é só uma amostra.
A vaca louca não está sozinha. O mesmo problema atinge milhões de pessoas na Europa. A próxima reação poderá vir dos transgênicos, das clonagens. A vaca louca é um produto transgênico.

domingo, 15 de agosto de 2010

Pausa para pensar o Brasil e o Mundo

Essa merece ser lida, afinal não é todo dia que um brasileiro dá um esculacho educadíssimo nos ARROGANTES do Primeiro Mundo!

Durante debate em uma Universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do DF, ex-ministro da Educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.

O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um brasileiro.

Esta foi a resposta do Sr. Cristóvam Buarque:

"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.

"Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

"Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço."

"Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

"Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês,decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

"Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York,como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

"Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA pelas mesmas razões. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

"Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.

"Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!

(Recebi este texto através do leitor Paulo Neuburger)

sábado, 14 de agosto de 2010

Individualismo endêmico (VI) conclusão

Todo o foco desta série é o individualismo endêmico, doentio, contagioso, que assola grandes maiorias humanas principalmente as levas aculturadas no seio das religiões advindas de Abraão (judaísmo, islamismo e as várias cristãs). Vimos as várias formas pelas quais, do ponto de vista religioso, nós estamos contaminados com a busca de um lugar privilegiado, o que se identifica no tráfego, nas filas, nos negócios, no casamento, nas refeições coletivas, no “põe na tela, amarelo”, enfim, até em nossas orações andamos pedindo coisas que certamente os nossos protetores não estariam dispostos a atender. Queremos aquilo sem que haja mérito ou merecimento. Buscamos o que não poderia ser nosso diante de qualquer critério, exceto via burla, fraude, trambique, engodo, falsidade. Se virar uma carga de qualquer produto que dê para levar pra casa aonde for que o acidente tenha acontecido, até mesmo dentro d’água, pois lá estarão os saqueadores. Somos capazes de seqüestrar o amor, a água, o ar, a floresta, e vejam bem, somos capazes de corromper Deus para achar uma vantagem. São as mais temerárias as nossas relações em se tratando de dinheiro, sexo, jogo, vício, paixão, poder, ostentação.
Sabem quantas loterias existem no Brasil? Tem gente que aposta em várias delas exclusivamente pelo objetivo de busca do poder que o dinheiro dá. Nem sabe bem o que fará com o bolão, mas o quer, desesperadamente. Daí a onda de crimes: 92% dos quais exclusivamente por razões financeiras e assim o fazemos por entender que o dinheiro compra o sexo, paga o vício, facilita a paixão, trás o poder. Então o tráfico de drogas. Os bingos. A prostituição. A pirataria. A falsificação. O escravismo. Sim, leitor, caberia muito mais nesta lista, como mostra a metáfora envolvendo a atitude de Balak. Somos candidatos à benesse, ao certificado, à senha, ao diploma, ao título, à honra, ao passe, ao ingresso, ao holofote, à vitória, à bênção, com ou sem crédito, com ou sem mérito. Nosso ego inflado é vulnerável, corrupto, venal, volúvel, traiçoeiro, impostor.
Você entendeu a abordagem. Se possível, leia toda a série novamente desde o começo. Quem sabe possa ajudar em algo. Repasse a outras pessoas. Isto aqui não é uma crítica, é uma proposta corajosa de libertação.
Se a ficha caiu, ótimo. Vamos adiante. Precisamos reerguer os caídos. Os anjos caídos estão sendo chamados de volta à verdade. À verdade da vida.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Individualismo endêmico (V)

Para melhor enfocar e melhor fazer-se entender sobre o que aborda esta série de crônicas, vamos a uma metáfora: Balak queria destruir a capacidade de conquistas de seu concorrente e para tanto encomendou a um bruxo a mágica que pudesse amarrar-lhe os pés e as mãos, aquelas coisas fantasiosas de que temos notícias ainda em curso nas encruzilhadas com o sacrifício de animais e outros “segredos”. Balak pagaria bem pelo “serviço” e o bruxo, que se dizia ungido de “poderes” do alto, aceitou a incumbência exclusivamente por apego à gratificação.
O “serviço” foi feito, não surtiu efeito, e o bruxo teve abalada a sua credibilidade e ofuscados os seus méritos.
O leitor, que não é bobo, percebe o que há de conotação nesta metáfora: o desejo de Balak não foi atendido porque as coisas não acontecem deste jeito e os poderes do bruxo não funcionaram também porque as coisas não sucedem deste modo. Não, assim.
Para melhor compreensão, você pode consultar Números, capítulo 22, da Bíblia, Antigo Testamento.
Retomemos o argumento sob dois aspectos para chegar, no primeiro, a duas palavras chaves já invocadas: credibilidade e mérito, às quais vamos acrescentar mais duas: bênção e maldição. E assim chegar ao segundo aspecto: vulnerabilidade.
Na metáfora inicial nem está em questão o concorrente de Balak, mas ele poderia entrar na história, como se dirá adiante. E também não está explicitamente em questão os poderes do bruxo. Está em questão, e muito, a questão da mágica que se confunde com segredo capaz de modificar o mundo de tal maneira que se conforme à minha ou a sua vontade. Aqueles que acreditam que funciona, assim gratuitamente, espontaneamente, e se põe a seu serviço, obtenham eles o resultado que for, estarão escravos do que chamamos na crônica II de “substituição da noção do sagrado por segredo”, espécie de lavagem cerebral, prisão, encarceramento mental. Aqueles que se entregam a ele e nada obtém, ficarão frustrados e depressivos por haver acreditado numa falácia, sentindo-se amaldiçoados por não figurarem, como dissemos na crônica I, entre os ungidos, escolhidos, iniciados, especiais... Aqui entra a vulnerabilidade citada atrás, que tem efeitos também na crença de que o “serviço” dos bruxos são eficazes e a “prisão” mental funciona como encantamento maligno.
Não há dúvida de que este mundo é cheio de encantamentos e desencantos. Quando avaliamos algo benéfico que nos acontece, chamamos de bênção; quando avaliamos maléfico chamamos de maldição. No entanto, confundimos a questão da “magia” com a questão “mágica”. A mágica pressupõe justamente o segredo: como modificar o mundo de tal sorte que ele atenda a uma vontade ou satisfaça uma paixão. Em tempo: se o concorrente de Balak acreditasse no poder do corrente perderia o seu poder. O guerreiro que teme o contendor perde o duelo antes de entrar em luta.
O segredo do segredo, por sua vez, é o caminho de aproximação da magia sem recorrer à mágica. O segredo é o desejo constante de evocar mágicas, truques, senhas, pontes, jeitinhos, que nos permitam atalhos. Em seu âmago está a sedução de um curto caminho que se mostrará longo. Em seu epicentro está a miragem.
A vida é a verdade. Nela, tudo tem de revelar-se puro, autêntico, incorrupto, sem mistura, real, verdadeiro. Não se obtém uma espiga de milho depois de uma semana do plantio do grão, como não haverá dia no meio da noite e nem gravidez no útero de uma criança mulher. Tudo quanto eu e você fizermos em benefício da vida terá o seu resultado, tanto quanto tudo que fizermos em seu prejuízo. No primeiro caso, pode estar a bênção. No segundo, a maldição. Tudo quanto eu e você fizermos para iluminar a verdade da vida que habita em nós, pode resultar em bênçãos. Na contramão pode resultar em maldição.
No fundo, no fundo, nós escolhemos aquilo que queremos viver, porém sem mágica, sem atalho.

Individualismo endêmico (IV)

Então vamos falar do verdadeiro guia que nos conduz pelas travessias de forma autônoma, livres e corajosos, conforme Tucídides (“o segredo da felicidade é a liberdade e o segredo da liberdade é a coragem”).
O mais importante de todos os segredos dos segredos diz respeito ao nosso próprio ser. O inculto diria que somos apenas mais um ser entre um número incalculável de seres espalhados num universo infinito. Nossa magnitude, nosso tempo, nossos sentidos, nosso poder, nossa sabedoria e tudo mais são insignificantes. O antropocentrismo – o homem como eixo do universo – coroado pelo individualismo – a minha pessoa no centro do universo humano – é a plataforma mais delirante pela qual enxergamos a realidade.
Então vem o segredo que nos inicia à idéia de que o universo conspira a nosso favor. O universo (deus ou a natureza) está a nosso serviço, bastando que focalizemos, meditemos ou oremos e tudo aquilo que desejamos será canalizado para nós.
Há milênios, este segredo é compartilhado por tradições religiosas e místicas. “Eu rezo a meu deus ou evoco o meu totem para que meus desejos e minhas vontades possam se impor ao mundo. Os deuses ou gênios – que seria mais apropriado – acolhem os meus pedidos e eles, como apêndices do fundamento maior, farão o que têm de fazer: eu sou especial”.
Esse segredo é o mais invasivo de todos os vírus subliminares de nossa consciência. Apesar do verniz da educação e dos valores funcionarem como uma contenção à percepção de que somos especiais, é bastante improvável que não exerça influência determinante sobre nossas vidas.
Podemos acreditar a tal ponto em nossos poderes privilegiados e em nossos direitos cósmicos – que é a outra perna desse delírio –, que o uso da lei universal da atração estaria a nosso alcance, mas nunca podemos duvidar que por milênios estivemos traçando os mapas de nossa existência e, ressalvados os efeitos do pensamento positivo ou negativo, da auto-sugestão e tudo mais, não dá para esquecer que em tudo deve caber o mérito, o equilíbrio, as compensações. O que me for dado a mais, terei de devolver. O que me for tirado terá de voltar pra mim. “Não existe almoço grátis”, como ensina aquele sábio.
A igreja que expõe estátuas e obras arte de altíssimo valor em seu interior e se vê obrigada a ir à polícia para denunciar o roubo deste patrimônio, esqueceu-se que tanto quanto ela aprecia o luxo e a riqueza, também assim é o ladrão. Qual dos dois estará mais próximo de Deus?
Claro, existe a bênção e a maldição, como será enfocado adiante, mas estas condições não são genéricas a ponto de sugerir que tudo quanto quisermos poderá ser atraído e tudo quanto tiver de ser afastado poderá ser repelido. O pensamento é a linha mestra de nossas relações com o mundo, mas isso não quer dizer que o pensar seja o epicentro da realidade do mesmo modo que a vida é o propósito máximo do universo. Seria como querer que o propósito máximo de cada um de nós é o pensamento, como se a realidade, não apenas minha, mas do universo também, emanasse do pensamento humano. Dá para entender a pretensão absurda?
No entanto alguém continua a dizer que o rico fica mais rico porque detém esse segredo; o pobre fica mais pobre porque carece deste segredo. O fiel a qualquer sistema de segredos é abençoado enquanto o infiel é amaldiçoado; para um a salvação, para outro a danação. Lembram quando a Igreja de Roma entrou na América decidida a convocar para a salvação eterna os silvícolas pagãos? E para tanto valeu-se do apoio de caçadores de índios, bandeirantes, ladrões de pedras preciosas, escravocratas e grileiros de terras? O deus de Roma salvava, enquanto o deus dos silvícolas condenava.
O segredo do segredo tem outra proposta: retorna ao lugar do inculto (que pode ser o silvícola americano) e pega emprestada a sua visão. O ser humano e seu pensamento realmente não são onipotentes, muito pelo contrário, grande é a sua vulnerabilidade e sua ignorância. Porém o ser humano que conhece a pequenez de si e de sua vontade, é um gigante. É, sem dúvida, impressionante a grandeza de um ser que pensa e consegue não se colocar no topo de nenhuma cadeia ou pirâmide. Há nobreza no pensamento que não se enreda em autovalorização e autoglorificação e se submete a uma incessante auditoria para não se corromper por seus próprios desejos. Não somos especiais e esse é o segredo do segredo. Na condição de não especiais somos extremamente diferenciados.
Não é pouca coisa ser dotado de inteligência e consciência e não se asfixiar no próprio ego. Começa aqui a gloriosa conquista libertadora depois de desenvolvida a coragem para admitir isso.
Não ser nem mais nem menos é uma potência inigualável. Só o humilde sabe pedir. Só o humilde conhece a nobreza de saber adequar a si e seus desejos ao mundo que o rodeia. Deste lugar conhece a magia sem mágica e consegue ver-se no espelho sem máscaras. A mais valorizada e mais gloriosa conquista humana é descobrir-se tão pequenino que possa caber em qualquer pequeno espaço da vida e ser levado por ela com a leveza dos átomos e com a velocidade dos ventos.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Individualismo endêmico (III)

O leitor está sendo convidado a compreender algo profundo, antigo e atual, sobre a dimensão espiritual, o sagrado, cuja ânsia individualista e egoísta dos homens levou-os a uma prática religiosa hipócrita e suicida. É um assunto explosivo porque fere interesses e mexe com crenças instaladas de algumas dezenas de séculos.
Numa roda de intelectuais com amplitude para descer dos tamancos e encarar com naturalidade a história religiosa dos povos descendentes da crença nascida com Abraão (leia-se as religiões judaica, islâmica e as várias cristãs), a certa altura dos debates caiu a pergunta: por que a busca da posse financeira como o objetivo mais claro entre os homens, inclusive em curso de forma profunda entre os judeus em todo o planeta (principalmente porque se trata de um povo mais instruído do ponto de vista religioso e mais puro do ponto de vista das tradições)?
Simples parece ser a resposta: o que Abraão foi fazer quando deixou sua terra natal para atender ao chamado de Deus em Canaã? Por que os judeus sofreram a perseguição em vários momentos da história na Espanha, na Alemanha, etc.? Por que os judeus buscam novos espaços de terra na Palestina (em conflito com os primos árabes)? Quem tem as respostas?
Claro: outros povos e outras culturas também fizeram as mesmas coisas, mas se pararmos para pensar, as únicas culturas invasoras e escravocratas (com objetivo capitalista) estavam entre os povos que serviram de base para a cultura que nos veio com Abraão: babilônicos + egípcios = judeus, passando pela Grécia e por Roma, como extensões e, depois, por grande parte da Europa.
Hoje, a moderna teologia pregada e praticada inclusive por rabinos ao redor do planeta enfoca esse problema e cobra a revisão dessa compreensão e prática por diagnosticá-la como origem das guerras, das drogas e de toda violência. 92% dos assassinatos e execuções têm motivo capitalista.
Os rabinos judeus sabem disso. Para exemplificar, este blog já citou Nilson Bonder, atual líder espiritual da Congregação Judaica do Brasil, que rasga o verbo para desnudar o equívoco multi-milenar do individualismo, do egoísmo, da acumulação capitalista, como é ensinado pela maioria dos centros formadores de opinião e cultura, algo plantado nas universidades e na mídia do mundo capitalista.
O historiador e general grego, Tucídides (cerca de 400 anos antes de Cristo), cunhou a frase “o segredo da felicidade é a liberdade e o segredo da liberdade é a coragem”, a partir de cujo pensamento, adequado à cátedra da moderna teologia, dizemos que uma relação harmônica com a vida, que preserve alegria e bem-estar, depende de nossa liberdade. E para que esta liberdade seja plena ela não pode estar corrompida por mandos disfarçados, ocultos em nós mesmos sob a forma de gerências camufladas em nosso íntimo, cerceando nosso livre-arbítrio e estabelecendo relações políticas ou conceituais com a realidade. É nesse ponto que o homem e a mulher se tornam míopes em relação à sua realidade porque a realidade parece atender a interesses particulares amoldando-se à mentira que, no fundo, no fundo, fica sendo esta falácia.
O segredo do segredo, como viemos afirmando, se fundamenta num primeiro instante, na coragem para fazer a interpretação e, num segundo instante, na disposição para enfrentar nossos próprios fantasmas.
O segredo não é o acesso a uma obviedade desconhecida. O verdadeiro segredo é o “oculto do oculto”, é aquilo que justamente a obviedade não permite enxergar. Sua simplicidade é sofisticada porque sua distinção não reside no fato de ele ser algo diferente do que realmente é, mas sim na forma como é percebido por quem o conhece.
O segredo ensinado pelas instâncias formadoras de opinião e construtoras de culturas, religiões no meio, quererá fazer da morte algo que não é morte e do vazio algo que não é vazio.
O segredo do segredo, isto é, o sagrado, tem o poder de nos resgatar de volta ao que é real redimindo-nos de um engano tão sedutor como o que está aí. Quem desconhece o segredo (os incautos) apenas vêem; quem conhece o segredo (ensinado pelas instituições), fantasia; e quem tem acesso ao segredo do segredo, ao sagrado, ganha visão ampla.
Ao ganhar visão ampla renuncia a tutela de pastores, sacerdotes, rabinos, religiões institucionais, universidades, mídia, e passa a exercer seu livre-arbítrio e a conduzir-se pelas veredas da estrada sem nenhum outro guia que não seja o único e verdadeiro (de que falaremos adiante).
As religiões atuais servem ao homem criança, que precisa da mão tutora para atravessar a rua. As idéias revolucionárias, como o marxismo e outros, servem para o rompimento do adolescente com a tutela que considera equivocada dos pais, professores e pregadores. A livre-escolha com responsabilidade espiritual para o encontro com o sagrado confere a cada homem e a cada mulher o livre-arbítrio para a evolução espiritual, que a humanidade não obteve, não na mesma velocidade das outras evoluções promovidas e consolidadas. Esta é a fase adulta que chega, caminho para a Maioridade Espiritual.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Individualismo endêmico (II)

Terminamos a crônica anterior enfocando o que a moderna teologia chama de interpretação míope da realidade espiritual, que é como a maioria dos homens e mulheres ocidentais e de boa parte dos habitantes do Oriente Médio vem trabalhando a sua espiritualidade.
A miopia se localiza na crença de que os caminhos de busca de Deus estão corretos como estão e que só isso basta para justificar a experiência humana no cosmos e que estar neste processo ungido entre os especiais, admitido entre os escolhidos e incluído nas legiões salvas é o prêmio, a recompensa, com validade eterna. Para completar a temeridade desta interpretação, a moderna teologia fala da posse do segredo e da substituição da noção do sagrado por segredo, como se os ungidos, admitidos e incluídos, através do “segredo”, se tornassem portadores da “senha” que “abre a porta do sagrado”.
Transvertido de oculto, o segredo é o desejo por clareza, a posse da verdade, a busca da manifestação transcendental sem, no entanto, a prática. Essa proposta vestiu muitas roupagens em distintas épocas e ganha, hoje, o estilo do consumo, dos ideais capitalistas e do individualismo. É claramente uma controvérsia pagã vestida do status sagrado, através do segredo.
Algumas expressões chulas costumam apresentar o engano com a expressão “o buraco é mais embaixo”. Neste caso é mais acima, muito mais acima, mesmo.
A única palavra que tem uso exclusivo na religião e na espiritualidade, é a palavra “sagrado”. Não há qualquer outra matéria do pensamento humano que utilize tal palavra. Ela não pertence à filosofia, à sociologia, à literatura, à ciência em geral, à psicologia ou à jurisprudência. Ela significa que é algo “colocado à parte”. Sagrado significa algo que está fora, que permanece fora, separado, o inteiramente outro. Tal como um óleo transcendental, o sagrado não se dissolve e não se mistura ao mundano. Jamais o ser humano experimentará o sagrado na rotina e na superficialidade. Ele será uma instância que permanecerá isolada, diferenciada de tudo mais. A percepção e a celebração do sagrado rendem ao ser humano acesso e representação no imortal. Mesmo que não acreditemos ser imortais, o imortal, via sagrado, nos perpassa. Sua natureza é, portanto, oculta. O sagrado não se mistura e não se detém. Ele cruza nosso caminho e o vemos sempre “pelas costas”. Sua face não se faz manifesta nunca.
O ser humano parece “educado” e parece acreditar na existência de algum segredo ou de alguma lei universal que lhe permita desfrutar de riquezas, poderes, sabedoria e sucesso: riquezas que lhe saciem o corpo com conforto e prazeres; poderes que garantam atender suas vontades; sabedoria que mantenha sua supremacia; e sucesso que estabeleça ao mundo o quão especial ele é.
Em outras palavras, um segredo que, por ele, estejam asseguradas certas trajetórias vencedores ou que, sem ele, se expliquem as trajetórias perdedoras.
Milhares de escritores e gurus se tornaram riquíssimos escrevendo e ensinando como funciona o segredo e, no fundo, mesmo que não tenham agido por malícia, o segredo se transformou num vírus derradeiro e numa intransponível barreira para o verdadeiro segredo, o sagrado – o segredo do segredo, como veremos na próxima crônica.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Individualismo endêmico

“Salve-se quem puder”. Esta frase tem sido quase regra geral entre a maioria dos homens e mulheres. Optamos pelo individualismo. Não somos o nosso país, não somos a nossa tribo e nem somos a nossa família. Numa relação conjugal não pensamos na dupla. Somos indivíduos não porque a vida nos obrigue a isso, pelo contrário, somos assim por opção cultural: eu preciso satisfazer-me, acumular, reter. Por que? Ninguém sabe dizer, mas continua fazendo assim porque foi isso que nos ensinaram.
A idéia de que o universo é capitalista, de que é um grande supermercado desenhado para suprir não só bens, mas promover a liberdade e a independência, isto é, salvar aqueles que puderem se salvar, assume um papel central na vida de uma quase unanimidade. Essa tem sido a escola centrada nos campos afetivo, cognitivo, laboral, espiritual. Isso está no objetivo do líder, do trabalhador, do pai, do filho, do sacerdote, do bandido, da prostituta, do profissional liberal, do empresário, do banqueiro, do mendigo. As religiões têm o indivíduo como foco, porque ele não é apenas o adepto, é o cliente, é o contribuinte.
O fundamento das religiões é canonizar a relação do indivíduo com o universo, onde universo pode ser um templo, um bairro, um deus, porém sempre como indivíduo. Para manter este indivíduo sob controle tudo é lícito, até convocar satã para um duelo ou acenar com a salvação pela fama, pela celebridade e pela riqueza.
Nenhuma destas práticas e modalidades é nova, como observa o rabino Nilton Bonder – sucessor de Henri Sober na liderança da Congregação Judaica do Brasil. Mas, também segundo Bonder, o seu resgate é motivado por algo muito novo: o anonimato radical e a necessidade de transcendência. Tudo na contramão, mas é assim que é. Aqui entra a relação do homem com o que ele entende por sagrado. Aqui entra a substituição da noção de sagrado por segredo e o nascimento das idiossincrasias espirituais absurdas. Os escolhidos, os especiais, os “iniciados” recebem a “senha” e passam adiante, numa perversão mesclada de Deus com o consumo, de Deus com o status, com a posse, com os ideais capitalistas, individuais, pagãos, egoístas.
Não se sabe o que virá ali adiante, daqui a pouco, mas se os topógrafos continuarem a estabelecer a próxima baliza de seu traçado com base nas duas balizas já fincadas, a atual (do presente) e a de ré (do passado), este traçado tem tudo para perder-se por grotas e pirambeiras. O escopo da igreja de Roma já foi dar sustentação aos regimes imperiais que a referendassem e a sua promiscuidade com o poder invasor e escravocrata modelou-a como uma religião classe A, capitalista e imperialista. Ela ensaiou romper com este modelo, mas teve de recuar para não ferir as estruturas clericais. Só conseguiu instrumentar alguns milhares de comunidades eclesiais de base (CEBs) que, no Brasil, evoluíram para o MST e para o PT, que tiveram de divorciar-se da igreja porque os bispos em sua quase unanimidade estavam fiéis à orientação do Vaticano. A proliferação das igrejas evangélicas e pentecostais, como se intitulam algumas, atendeu ao objetivo de acolher a pobreza que a igreja católica não foi capaz de encantar e uma excelente motivação foi misturar a fé com a ambição material. Muita coisa foi conseguida quando os fiéis acossados pelo pastor trocaram o bar e o prostíbulo pelo templo, trocando também o destino do dinheiro. E se o bar e o prostíbulo eram locais freqüentados por satã, se encaixava perfeitamente a proposta de chamar satã para um duelo em pleno palco daqueles espetáculos.
Aos iniciados, a promessa: seremos apenas 144.000 os escolhidos, está lá escrito nas escrituras sagradas. E tudo quando Deus tinha de dizer ao povo, já foi dito, nenhuma interpretação nova, nenhuma nova notícia evangélica. O único que pode comparecer ao palco de inúmeras igrejas para ser surrado, escorraçado, expulso é satã. Para os anjos, arcanjos, santos e querubins nenhum espaço. Para os espíritos absolutamente nada, pois eles só são do mal.
Os iniciados, escolhidos, especiais, recebem a “senha” e passam adiante, não apenas dentre os evangélicos e pentecostais, também entre os católicos. Aos primeiros confere-se o diploma de povo escolhido e entre todos os escolhidos alguns são mais escolhidos que os outros até completar a lotação dos 144.000 que cabem numa arca que partirá da Terra, que será destruída, de volta ao Jardim do Éden. Aos católicos se promete o retorno de Jesus para colocar à sua direita aqueles que visitaram os doentes, deram água aos sedentos, comida aos famintos, agasalho aos friorentos, calçados aos descalços. As campanhas esporádicas arrecadam centenas de peças de roupas velhas, calçados e cobertores. O problema dos necessitados não será resolvido, mas os doadores respiram aliviados: adquiriram o passaporte para a legião do lado direito, a legião dos caridosos.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Estudo da Ciência Futura

O conhecimento, as ciências e as religiões partem de um ponto mínimo, único ou quase, para expandirem-se, tomarem direções as mais diversas, alimentando-se de divergências, controvérsias, rupturas, paradigmas, ondas e, um dia, cedo ou tarde, retornam a um ponto comum, se possível, onde reside a Verdade Maior. Antes, porém, são condenadas à descoberta de muitas verdades, meias verdades ou perfeitos absurdos, a indicar que tudo tem de ser assim mesmo: nada pode ser copiado, tem de ser descoberto, desvelado.
Este é o destino de tudo e a necessidade de tudo.
Em nossa história, num instante não muito distante, o homem pensou que existia e, se pensava e existia, podia descobrir mais sobre si próprio e a natureza. Assim teve início a sua quase interminável romaria em busca do ser nas avenidas da Filosofia.
Num outro instante ainda menos distante, o homem decidiu experimentar para concluir por método dedutivo as suas próprias descobertas. Assim teve início a primeira fase de suas buscas científicas, que um dia terão de ser retomadas pelo método indutivo.
Aparentemente nunca esteve nas cogitações filosóficas e científicas, ao menos não de parte da Filosofia e da Ciência oficiais, uma tendência mais declaradamente aberta pelos estudos sagrados. Nem mesmo pelas religiões ocidentais. Estas últimas se contentaram em manter rituais, produzir catecismos, investir na obediência aos seus dogmas, o que vale dizer, permaneceu fiel a uma busca pelo poder e pelo controle dos fiéis e nisso nem mesmo aqueles arautos de Deus quiseram perguntar, investigar, experimentar para descobrir o que há além daquilo que os sentidos podem sentir.
Sabemos bastante sobre átomos, moléculas, tecidos, órgãos; conhecemos bastante sobre energia, magnetismo, eletromagnetismo; somos praticamente analfabetos sobre inteligência e consciência.
Sabemos, por exemplo, que o homem se compõe de um princípio imediatamente perecível – a matéria – que não é realmente ele, e de um princípio superior – a inteligência – que é o seu eu real e sobrevivente à matéria, a qual opera por meio de um terceiro princípio – a energia – que também não é ele, senão a matéria, que provém da energia, diga-se, átomos. E eis por que, quando a morte ocorre e ocasiona a separação destes princípios fundamentais à vida que achamos conhecer, ninguém dentre filósofos, cientistas e teólogos consegue explicar se tudo, realmente, se perde pela decomposição, ou se, realmente, a consciência sobrevive. Os discursos de uns e outros não convencem, absolutamente.
Os umbrais da Ciência Futura já registram que cada uma das células do corpo humano tem sua matéria (corpo), sua energia (alma), e seu rudimento de inteligência própria (espírito). Mas, estão ligadas ao destino do corpo inteiro (necessidade ou desígnio), e o homem razoável interessa-se por seu bom funcionamento (providência ou plano maior para a vida). O conjunto das células constitui o homem, modelo reduzido do Universo. Esta perfeita maravilha está cada dia mais límpida com o maravilhoso trabalho realizado pelas células-tronco ao demonstrarem que ou podem, autonomamente, pensar e agir quando chamadas a suprir lacunas abertas no todo biológico ou são conhecedoras do plano concebido para o corpo.
Os próximos passos irão demonstrar que a energia tanto melhor opera na matéria quanto mais delicadas, mais instáveis, mais afastadas, em suma, do estado mineral são as combinações em que ela se organiza. E que, de outra parte, o Espírito opera sobre a energia quando esta se animiza, isto é, quanto mais se aproxima de um estado vizinho ao seu. Em outros termos, a vida, tal como a observamos, mostra-se no ponto de convergência de três princípios. Melhor dizendo, o Espírito animizou a Energia e organizou a Matéria para fazer agir uma sobre a outra e dar Vida ao Ser.
O homem é a execução de uma lei. Uma lei mais complexa que a lei de suas células e menos complexa que a lei que rege o cosmos, mas tudo se encaixa de baixo para cima e de cima para baixo, harmonicamente. Fora da harmonia, é a destruição.

domingo, 8 de agosto de 2010

Especial Dia dos Pais

A gravidez de um pai não se dá nas entranhas, mas fora delas.
Ela se dá primeiro no coração, onde o sentimento de paternidade é gerado.
Um desejo de ser e de se ver prolongado em outra vida.
Ele sente um chute e diz que será um grande jogador de futebol.
E muitas vezes se surpreende e se maravilha quando vê uma princesinha que sabe chutar tão bem.
Está ali um sonho que se torna palpável.
O parto de um pai se dá quando ele pega pela primeira vez sua criança nos braços, quando ele se vê em características naquele serzinho tão miudinho que nem se dá conta ainda que veio ao mundo e que se tornou o mundo de alguém.
E ele sente que, a partir desse instante, a vida nunca mais será a mesma.
E ele precisa olhar dez, cem, mil vezes para acreditar que tudo não é um sonho. E geralmente há um enorme sentimento de orgulho que toma posse dele.
Assim se forma um pai. Pronto para ensinar tudo o que aprendeu da vida.
E vai gerando, aos pouquinhos, dentro de si, a arte de se tornar um pai.
(Colaboração da leitora Maria Márcia, a quem agradeço)

Estudo da Mediunidade

Os médiuns! Eis uma palavra que soa mal aos ouvidos de muita gente. Que é um médium? Deu-se este nome a certas categorias de indivíduos considerados aptos para servir de intermediários, isto é, de mediadores entre vivos e mortos, como se fala genericamente.
Pois bem, é perfeitamente exato que indivíduos predispostos por sua constituição, e exercitados ou não para este fim, podem servir de intermediários entre inteligências ordinariamente invisíveis que pretendam, às vezes, nem sempre, comunicar-se com os cérebros humanos, também como se diz genericamente.
Como muitos dos conceitos atribuídos a um grande número de termos acabaram por se tornar inadequados ou foram mal utilizados, como é o caso da palavra incorporação, no espiritismo, pois o prodígio sugerido pela palavra não acontece, de fato, o que acontece é uma imantação sintonizada, muitas vezes, a quilômetros distantes entre os dois extremos do processo, também o termo médium acabou tomado por uma estação que capta a irradiação de outra estação. E não é só isso, como veremos.
A mediunidade não é, como se divulga, um dom, e sim uma capacidade que se pode desenvolver, treinar, aprimorar a partir da percepção quando se trata da recepção de vibrações externas e a partir da emanação quando se trata da transmissão de vibrações para o exterior. Já vimos, pois, que o intermediário passivo, receptivo, pode também fazer-se emissário através do uso de sua capacidade de lidar com a transmissão, que podemos chamar de poder de sua energia espiritual.
Para informar aos leitores o que é e como se “manipula” essa força, precisamos, antes, entender que nenhum milímetro cúbico de nosso organismo é destituído de energia e que essa energia, tanto quanto a força muscular, pode ser ampliada, expandida, concentrada ou o contrário, atrofiada.
Os médiuns receptores têm a capacidade de expandir seus campos energéticos, algo semelhante à exteriorização da antena de captação, com o que obtém mais facilmente a sintonia das ondas vibratórias externas. Já os médiuns emissários têm a capacidade de focalizar seus campos energéticos, algo semelhante aos raios laser, como o que conseguem mais facilmente enviar ondas vibratórias para o exterior. A recepção das ondas é uma questão de ajuste de freqüência. Mas, isso ainda não autoriza entender que a comunicação esteja assegurada. Ainda fica faltando a interpretação. O que se queira comunicar só se torna real quando o receptor capta-a e interpreta-a corretamente.
Para exemplificar, quando oramos podemos nos colocar numa posição receptiva à espera dos fluidos externos que possam chegar de guias espirituais ou entidades divinas. É quando queremos receber uma graça. De modo análogo, podemos nos colocar em posição transmissora, enviando fluidos para algum alvo previamente escolhido. É quando fazemos votos de amparo aos nossos entes falecidos ou quando nos oferecemos para qualquer outro tipo de ajuda espiritual.
Somos uma bateria dotada de pólos negativo (receptor) e positivo (transmissor) permanentemente ativados, mais ou menos fortalecidos por nosso comportamento e humor, estado harmônico (saudável) ou desarmônico (doente), cujo equilíbrio ou desequilíbrio sempre terão como resultado o sucesso ou insucesso na vida.
Para concluir, faltou dizer o que significa exercitar ou treinar a capacidade de lidar com essa energia (o que vale dizer desenvolver esta mediunidade que, como se conclui, não é um dom e sim uma aptidão), o primeiro requisito é a vontade. Uma vontade viciosa levará a pensamentos e desejos viciosos, atraindo vibrações correspondentes. Vontade elevada, pensamentos elevados, desejos elevados, atraem vibrações elevadas e as interações se darão entre inteligências compatíveis. Alegria atrai desejos de alegria, raiva atrai desejos de raiva e assim sucessivamente. O segundo requisito é saber dosar as energias nas interações com os demais seres naturais e espirituais. É comum existirem pessoas exauridas por deixarem-se esgotar ou muito excitadas por se tornarem vampiros energéticos. No primeiro caso, são médiuns que se tornam fracos por excesso de doação e, no segundo, são médiuns alvos de indesejáveis companhias obsessivas.