domingo, 31 de outubro de 2010

Encontro com os Mestres do Caminho (final)

A descoberta do sagrado

O blog “Maioridade Espiritual” convida seu leitor e participante para uma Travessia. Aliás, a proposta do blog foi, e continua sendo, uma caminhada, uma travessia, a travessia da menor para a maior idade.
Agora estamos diante de um momento decisivo dessa caminhada. Precisamos fazer uma travessia. Que travessia? Tomemos como exemplo a travessia de um caudaloso rio, onde os medrosos se afogarão e onde os fracos desistirão. Nós queremos, dentro do possível e do interesse de cada um, prosseguir na caminhada e no resgate que estamos fazendo desde as primeiras leituras.

Lembremos de que grande parte dos conteúdos explorados aqui objetivam a travessia das sombras de nossa inconsciência para a luz de nossa consciência, da face de desconhecemos para a face que queremos conhecer, do nosso oposto personal para o nosso aliado espiritual. Buscamos a ajuda de Carl Gustav Jung para entender melhor o mapa da travessia. Aprendemos que iremos encontrar cinco estágios de (in)consciências, segundo Jung, que precisaremos acessar para que a travessia aconteça na direção do Ser Maior, que é onde desejamos chegar. Não quer dizer que chegaremos lá imediatamente, neste momento. Queremos chegar lá. Pode demorar, mas isso não tem importância. Sabemos que é possível e faremos de tudo para conseguir.
A partir de agora o texto cuidará da primeira pessoa. Meu convite é para que você progrida na caminhada, dando passos decisivos na travessia. Tudo quando for recomendado, daqui para a frente, que fique claro, é para ser executado brevemente, em sua casa, nas ruas próximas, ou na praia, nos próximos dias, repetindo a ação pelo menos três vezes, isto é, em três dias distintos.
O primeiro (in)consciente que acessarei é o familiar. Farei isso no tipo de meditação em pé. Pegarei fotos antigas de meus avós, bisavós, trisavós, gravuras e outras imagens relacionadas com eles e com seu tempo, e armarei um painel numa parede, à altura de minha cabeça. Em frente aos citados objetos permanecerei por cerca de 30 minutos em contemplação/meditação, perguntando a mim mesmo e a eles, à memória de seus espíritos, o que eles gostaríamos de me dizer.
O segundo (in)consciente que acessarei é o simbiótico, isto é, visitarei as memórias que estão em mim, mas que não me pertencem, me foram “vendidas” por conselheiros estranhos aos meus laços de família, amigos e mestres. Se for necessário visualizar para facilitar o exercício, pegarei livros escolares, catecismo, livros de auto-ajuda, crucifixo, imagens de santos e outros símbolos que participaram de minha formação intelectual e religiosa.
Para quem conhece a informática, ficará fácil entender que se propõe: deletar os arquivos intrusos, temporários, indesejados, alojados em minha memória apenas para manipular minhas escolhas, ocupar espaços e tornar mais lentas e mais complicadas as minhas resoluções. Farei isso na posição de meditação deitada e oferecerei a esse trabalho 30, 60, 90 minutos, quanto tempo for necessário, repetindo a operação quantas vezes forem necessárias até ter certeza de que está superada a fase e realizada a travessia. Quero limpar os arquivos. Ficarão neles só o que for valoroso, verdadeiro, importante e útil.
O terceiro (in)consciente que acessarei é coletivo, isto é, visitarei a memória que pertence ao povo de onde sou oriundo. Como se sabe, este país foi formado pelos indígenas que aqui viviam e, de 1500 em diante, pelo homem europeu, africano, asiático, médio-oriental e tantos outros. Qual é o meu povo? Que queria ele? Como chegou aqui? O que fez aqui? Onde está o meu povo? Com que do meu povo me identifico? São respostas mínimas que se busco. Para obter essas respostas, contemplarei, meditarei, andando. À medida que meus passos forem ritmando minha caminhada, estarei imaginando, neste mesmo ritmo, a jornada de meu povo, andando desde onde se encontrava antes até onde se encontra hoje.
O quarto (in)consciente que acessarei é o cósmico, isto é, procurarei visitar as criaturas que deram início ao planeta Terra, o homem das cavernas, meu ancestral. Irei imaginar esse estranho ser corpulento, peludo, desajeitado, carregando um filho no colo, migrando de uma região que se tornou agressiva pela erupção de um vulcão, para outra onde ele pudesse habitar com seu clã. Meio andando, meio correndo, esse “quase gorila” que fui, caminha depressa para fugir do perigo, para proteger sua espécie, para garantir que seus genes chegassem aqui em mim. Farei isso meditando em dois distintos momentos: no primeiro tempo caminharei do mesmo jeito que ele, com a angústia de quem está fugindo de algo perigoso. Farei isso desde a rua até chegar em casa; no segundo momento me aconchegarei no colo de uma poltrona. O filhote que está no colo do “quase gorila”, sou eu.
Estou sendo levado para o futuro. Quero rememorar a partir desse ato, a trajetória da humanidade pelos séculos, pelos milênios. Preciso passar pelo povo hebreu, pelo Império Romano, pelo Império Otomano, pelos bárbaros, pela formação do continente de onde veio o meu povo. Quero incorporar sua luta à minha história pessoal. Quero sentir carinho por sua e minha história, de muito longo prazo, pois a história é uma só.
O quinto (in)consciente que acessarei é o angelical, isto é, quero descobrir quem fui eu, que imagem tinha eu, que nome eu tinha antes de ser (esta atual identidade): ________. Quero sentir-me leve, voando livremente, como um pássaro. Um pássaro inteligente, que sabe onde quer ir, com quem quer ir e por que quer ir. Quero encontrar-me fazendo a livre escolha de possuir como mãe e pai, os meus pais atuais. E combinando com clareza com esses meus irmãos atuais, participarmos e partilharmos uma família, que é a nossa, a minha atual família. Quero sentir-me ocupando meu corpo, mas vendo-o de fora, de cima, como se estivesse vendo um filme, do qual sou um dos atores. E quero, novamente, imaginar-me livre deste corpo, outra vez na condição de pássaro, um anjo, isto mesmo, um anjo. Agora, nesta condição de anjo, meditarei a respeito do que quero fazer. Nos próximos minutos, estarei fazendo meu plano de ação como anjo, pelos próximos anos, pelas próximas décadas.

Oferendas Ritualísticas

Que oferenda eu faço, farei, no final deste ritual?
Posso levantar-me e dirigir-me a um símbolo que povoa minha história de fé.
Posso consumar uma oferenda numa pedra.
Num abraço a alguém que amo.
Quem sabe decido repetir esta travessia e só então programar uma oferenda àquilo que entendo por Sagrado.
Em qualquer dos casos, será o meu compromisso, a minha oferenda íntima – de mim para comigo.


Uma síntese, um resumo

Assim como o espírito ganha poder no corpo humano, o Criador exibe seus poderes nos elementos terra, água, ar e fogo.

O contato do homem com o Criador se dá pelos sentidos.
Quanto mais expandida a nossa percepção,
maior e mais profundo é o contato e o conhecimento do homem sobre o seu Criador e com o seu Criador.
Basta conhecer e contatar?
Não!
O ser humano é feito à semelhança do ser divino e deve crescer para o bem, para a luz.
Muitos caminhos levam à luz,
passam pela luz verde do Curador;
passam pela luz azul do Sábio;
passam pela luz amarela do Líder;
passam pela luz vermelha do Visionário.
E tende a chegar à luz violeta crística,
pois Jesus Cristo simboliza os quatro mestres.
Foi, Jesus, ao mesmo tempo, curador, sábio, líder e visionário.
As luzes e as sombras de cada de nós são os desafios colocados em nosso caminho por todos os dias de nossas vida.


Estou ligado com o todo.
Aquele que sou eu não se limita à minha pele.
Estende-se para além de mim mediante uma complexa matriz de inter-relações que abarca todo o Universo.
As estrelas são feitas de carbono, assim como eu.
Eu as estrelas temos os mesmos pai e mãe, compartilhamos da mesma origem e temos o mesmo destino.
Uma vez que todas as coisas estão ligadas a tudo mais, são enormes os riscos que assumimos ao explorar quaisquer recursos da Terra.
O simples ato de servir carne e osso às vacas – que são herbívoras – levou-nos à vaca louca e dela ao homem louco. Aliás, o homem louco levou à loucura as vacas.


Pensar que se pode controlar a natureza e dirigir o seu curso, é talvez o engano mais perigoso na história do mundo. Nossa cultura sinaliza que nos consideramos separados da Natureza e distantes de Deus. A verdade é que também nós estamos incluídos em sua complexa rede de relacionamentos. Somos apenas uma espécie dentre milhões de outras produzidas pela Natureza.
Esta é a lição mais importante da tese darwiniana: não somos nem mais nem menos do que um filho na prole numerosa da Terra.
O fato de termos aprendido a caminhar eretos e termos desenvolvido um cérebro um pouco maior que os outros animais, pode não ser mais que um experimento na curva evolutiva e pode ser o sinal mais que evidente que somos mais responsáveis que os outros irmãos nossos.
Se formos, como temos sido, tolos o suficiente para fazer com que esse cérebro atrofiado e calculista se volte contra a Natureza, é certo, ela se voltará contra nós.
As enchentes, os tsunamis, os deslizamentos, os vulcões, os terremotos, as contaminações radioativas e químicas, o fogo, o câncer de pele, a intoxicação por venenos e outros fenômenos, alguns naturais e outros frutos de reações às nossas agressões à Natureza – homem no meio – é só uma amostra de como viver é uma arte e uma ciência.
A vaca louca não está sozinha. O mesmo problema atinge milhões de pessoas na Europa. A próxima reação poderá vir dos transgênicos. Os defensores da transgenia confessam que não pensaram nas reações, só nos benefícios. A vaca louca é um produto transgênico.

Deus patriarcal

De acordo com alguns estudiosos, a alienação do homem ocidental em relação à Natureza, começou quando as religiões derivadas do deus hebreu substituíram e eliminaram o culto às deusas, que viam a Terra como a Grande Mãe.
Os antigos hebreus, origem da fé em Javé, foram direcionados para a eliminação da deusa mãe e de todos os sinais de adoração da Natureza porque eram nômades e se valiam da guerra para comer e beber. Javé era um deus ciumento e colérico, que insistia em ser o único deus verdadeiro e sancionava a destruição dos que discordassem dele. Javé não tinha esposa nem contrapartida feminina. Entre os seus seguidores a mulher e o princípio feminino recebiam pouca autoridade.
Essa perspectiva patriarcal causou grande impacto no modo como era vista a Natureza. A Gênese bíblica, extraída da Torá judaica autoriza o homem dominar tudo e submeter tudo. Acabou submetendo o próprio homem pela via da escravidão. Enquanto as comunidades agrárias adoravam a Natureza como sendo a personificação da deusa, os nômades patriarcais viam a Natureza de um modo funcional. Eles eram pastores de animais, e seu estilo de vida nômade levou-os a entrar em conflito com os outros. Desse modo, aderiram à luta e ao desenvolvimento de armas de guerra. Ao contrário da deusa, Javé não era considerado como imanente à criação; ele era sobrenatural – sobre a natureza.
Javé aparece no livro Gênesis, da Bíblia, como o criador do mundo, mundo que a ele pertencia, e por isso tinha o direito de fazer dele o que bem entendesse, até mesmo dá-lo ao seu povo. Este, por sua vez, tinha o direito de posse e usufruto da Terra. A Natureza foi coisificada, deixou de ser vista como o corpo sagrado da mãe e por extensão da deusa.
“Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a Terra e sujeitai-a: dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela Terra”. Esta é a linguagem do patriarcado, a linguagem da guerra, da dominação, do reinado territorial e da autorização para que cientistas – ainda que ateus – introduzam células animais em corpos vegetais e vice-versa ou manipulem componentes minerais ou bacterianos e façam cruzamentos químicos e biológicos em nome do lucro.

Causa e efeito

Intervir na Natureza para tirar proveito além da vida natural, significa correr o risco e pagar o preço. As cidades inundadas por enchentes, as encostas desabadas, a camada de ozônio, as queimadas, os motores à explosão, o efeito estufa, as mortes por insuficiência renal, hepática, cardíaca, respiratória, pancreática e outras causadas por envenenamento de clorados e fosforados, nada mais são do que o pagamento do preço a que está sujeito aquele que provoca a ira natural.
Interagir com a Natureza para ser feliz, significa receber o prêmio. As comunidades que aprenderam respeitar a Grande Mãe Gaia – que são poucas ainda, mas eram muitas – podem capitalizar a comunhão com a Natureza.
Maioria dos homens aborda a Natureza com mapas e diagramas em vez de abrir a alma para o silêncio perfeito das estrelas. Embora as abordagens objetivas tenham seu lugar, comunhão significa romper com os discursos e práticas de coisificação da Natureza e ir ao encontro dela para um abraço e um beijo místico, profundo e umedecido, onde ela se revela diretamente para a alma aberta à admiração e ao assombro.
A corrida tecnológica não trouxe felicidade ao homem. Estamos matando-nos sem motivo nas escolas, nos cinemas, nas ruas. As UTIs dos hospitais já são apontadas como motivo de aprofundamento da crise dos doentes a ela submetidos. Os seres arrancados de seu habitat morrem aos poucos. As plantas e animais estressados por agentes estranhos à sua natureza, fazem mal ao homem.

Comunhão

Comunhão significa abordar a Natureza com uma reflexividade baseada na alma, que esteja disposta a esperar, ouvir e permitir que a Natureza se revele a seu próprio modo, em seu próprio tempo. A comunhão envolve uma atividade de não imposição, uma ausência de categorias predeterminadas e mesmo uma espécie de indefinição filosófica.
É claro que para o realismo determinado e agressivo do Ocidente isso não faz sentido; certamente a pesquisa, a medida, a precisão e a claridade rigorosamente delimitadas são sempre preferíveis à indefinição. Mas, toda a tecnologia e seus métodos nada explicam e apenas aprofundam o drama humano. Continuarão a dizer que os avanços tecnológicos na agricultura e pecuária servirão para aplacar a fome, como foi a mentira da Revolução Verde. Em muitas áreas da vida, a abordagem pragmática simplesmente não funciona. As relações íntimas humanas, por exemplo, requerem uma abordagem completamente diferente, o mesmo aplicando-se às nossas relações com a Natureza. Para conhecer seus segredos mais profundos, precisamos estar dispostos a entrar numa relação de comunhão com ela, buscado o que Alan Watts chama de “um toque cálido, enternecido, vagamente definido e carinhoso”.
Em outras palavras, comunhão é um modo de observar que significa carinhosa atenção, sensação de conforto com o que é enevoado, indefinido, obscuro, místico e indistinto, presente nas culturas orientais. Já a cultura ocidental produz um tipo insolente de personalidade que está sempre disposta a avançar e esvaziar o mistério, a descobrir com toda a precisão para onde foram os gansos que tanto encantaram o ancião japonês. O homem ocidental não se dá conta da diferença entre a superfície e a profundidade. Somos apartados de nossa própria experiência interior e dela não podemos depender como meio de conhecer o mundo. Aprendemos a depender do ego – a mente analítico-racional – que nos permite operar o mundo sem “estar lá” de fato em corpo e alma. A glorificação da objetividade, atitude tão predominante em todas as áreas da vida ocidental, só pode acontecer numa cultura em que as pessoas estão apartadas de si mesmas, separadas de sua própria subjetividade. Somos estranhos para as demais culturas, nas quais é impossível a vida apenas vivida na cabeça, sem nenhuma necessidade real do corpo, da alma e das emoções.

São Francisco

Todos nós nos relacionamos com o ambiente ao nosso redor e o interpenetramos ao inspirar e expirar, beber água, comer alimentos. O carbono, um dos principais componentes da vida e um dos elementos mais antigos, foi criado na incrível explosão que foi o Big Bang. As estrelas são feitas de carbono, assim como nós. O mesmo Deus que pensou e arrojou as estrelas na vasta escuridão do espaço também se curvou sobre o nosso corpo e salpicou-o de substância estelar. Temos os mesmos pai e mãe, compartilhamos da mesma origem e nos dirigimos para o mesmo destino.
Desse modo, São Francisco de Assis sabia algo por nós esquecido quando chamou os corpos celestes de “Irmão Sol”, “Irmã Lua”. E talvez Thoreau estivesse igualmente certo ao perguntar como é possível sentir solidão quando podemos olhar para o céu à noite e ver as luzes dançantes da Via Láctea. A compaixão pela natureza cresce com a consciência de estarmos interligados com tudo o que existe.
Por isso, se você coisifica alguma coisa, pode imaginá-la como separada de você – sujeito e objeto – e assim sendo mais fácil de usá-la, feri-la ou abusar dela. Hoje já temos certeza de que sujeito e objeto são uma coisa só. Aí, se você está intimamente conectado com alguma coisa, ela se torna parte de você, e feri-la é o mesmo que ferir você mesmo.

Salvar ou destruir

Estudos de uma nova safra de cientistas demonstram que dificilmente a ciência ou outras instituições oficiais de nossa sociedade salvarão a Terra. A nossa visão de mundo, o conjunto dos nossos paradigmas nos faz doentes. Doentes da cabeça. Quando estivermos curados das psicoses que levam os cérebros mais qualificados do planeta a manipular genes, a promover a transgenia modificando estrutura e padrão, que são dois dos três princípios da vida, o que precisa ser curado é a mente do homem. A cura ambiental será então uma conseqüência natural.
A esta altura, surge no meio da multidão alguém que se oferece para jardineiro, para cultivador da pequena grande horta, da pequena grande lavoura, do pequeno grande pomar, do pequeno grande jardim, seja ele do tamanho que for. Este ser é o salvador. Este ser é o libertador. Se ele puder salvar/libertar a si mesmo já é muito. Mas, certamente, ele terá como salvar/libertar mais alguém. Ele terá descoberto o que é Sagrado. E a bênção virá. A maldição será afastada.

sábado, 30 de outubro de 2010

Encontro com os Mestres do Caminho (V)

A descoberta do Cultivador

Tenho apenas três coisas a ensinar:
simplicidade, paciência e compaixão.
Este é nosso maior tesouro.
Simples em pensamentos e ações, retornarás à fonte do ser.
Paciente em atitudes, o Universo revelar-se-á a ti.
Compadecido, crescerás em Espírito.

É necessário, enfim, compreender: os quatro Mestres do Caminho, já conhecidos, neste instante se fundem em um só e ganham o nome de Cultivador.
A Travessia parece completar-se, mas a caminhada vai continuar para novas buscas de sabedoria e de iluminação, afastando ilusões, fantasias e pensamentos lentos, levando-nos diretamente à imaginação, ou seja, às imagens em ação.
Lembre-se, nosso cérebro “vê” por imagens.
O objetivo é resgatar o antigo e verdadeiro sagrado de nossos atos.
A tarefa é experimentarmos as dimensões e tempos aparentemente esquecidos.
O prêmio é vivenciarmos a ancestralidade das raízes de nossa árvore da vida, recordando nosso “sonho real” sem nenhuma culpa, vergonha ou medo de caminharmos o nosso destino, contarmos as nossas histórias, cantarmos as nossas melodias, dançarmos a coreografia da dança universal que reproduz em nossos corações o pulsar cósmico de nossas próprias danças.
O tempo todo, em nossa caminhada, como já vimos, seremos chamados a andar (expansão) na melhor direção a tomar; e a parar (contração) na melhor posição a escolher. Repetiremos assim a expansão/contração da natureza, dia-noite, inverno-verão e também aquilo que faz nossa coração em cerca de 70 vezes por minuto.
Estaremos sintonizando e conectando-nos ao que o cosmos exige de nós para que estejamos aptos a pertencer aos padrões e sistemas de que se compõe a vida.
Chegou para nós o chamado espiritual, a oportunidade divina e a companhia de nossos guias e mentores para:
acordarmos o Curador que mora em nossa coração;
o Guerreiro e Líder que toma conta de nosso corpo físico;
o Mestre e Sábio que dirige a nossa mente;
e o Visionário que ilumina a nossa alma.
Agora falando na primeira pessoa: minha decisão de caminhar no rumo de mim mesmo e de habitar o templo que sou eu, se manifesta nesse momento quando dou o primeiro passo, querendo resolutamente buscar dentro de mim:
a riqueza que sou;
a beleza que sou;
a bondade que sou;
a alegria que sou;
a pureza que sou;
a harmonia que sou;
a inteligência que sou;
a perfeição que sou.

O Caminho Quádruplo

Percorrer o Caminho Quádruplo significa abrir-se aos arquétipos universais do Líder (guerreiro), do Curador (pajé), do Sábio (mestre) e do Visionário (xamã) que se encontram dentro de nós esperando para expressar sua sabedoria em todos os nossos atos e escolhas.
Muitas tradições xamânicas acreditam que a via do Curador é dar amor; que a via do Sábio é tomar a forma da sabedoria; que a via do Líder é saber o correto uso do poder; que a via do Visionário é expressar criatividade e visão.
Através do recurso do amor somos capazes de estar atentos a tudo o que tem coração e significado à vida.
Através do recurso sabedoria somos capazes de fazer as escolhas sem nos apegar aos resultados futuros.
Através do recurso do poder somos capazes de nos mostrar, oferecer nosso trabalho para transformar exclusivamente em prol da vida.
Por meio do recurso do visionaria somos capazes de estar abertos a todas as possibilidades que a vida nos oferece.
Quando estamos abertos ao poder, ao amor, à criatividade e à sabedoria,
a experiência que temos do mundo e de nós mesmos é de quão maravilhosos podemos ser se soubermos cultivar tudo isso e de tudo isso obter exuberantes colheitas.
Mas, isso não é tudo.
Uma estátua também pode ser maravilhosa e estar petrificada sobre seu pedestal sem nenhuma ação além de tornar-se apreciada ou adorada.
Aqui entra o papel do Cultivador, um expert em amor, sabedoria, poder e criatividade.
Note que o Cultivador reúne em si os dons dos Quatro Arquétipos Universais do Caminho Quádruplo.
Com essas qualidades potencialmente aplicáveis, pode o Cultivador iniciar o serviço de cultivo de sua lavoura, de seu pomar, de sua horta, de seu jardim, visando as colheitas que deseja obter.
O que semear para colher a verdade?
O que semear para colher o amor?
O que semear para colher o respeito?
O que semear para colher a harmonia?
O que semear para colher a justiça?
O que semear para colher a paz?
O que semear para colher a alegria?
Quando o Cultivador detiver esses conhecimentos ele não precisará de quase mais nada para ser o Mestre de Sua Própria Vida.

Reflexões animadoras

Vimos durante esta série que apesar de perfeitos, como fomos concebidos ― seres divinos que somos ― não estamos acabados, não estamos prontos, estamos ainda em processo de cultivo, crescimento, evolução, para chegarmos a semente.
Somos seres em construção, mutáveis e, portanto, mutantes.
O que éramos há minutos atrás quando iniciamos esta leitura, já não somos agora, neste presente momento.
A vida é isso: um fluxo contínuo que, se interrompido ou atropelado, gera o caos.
Já vimos que aquilo que acaba de acontecer, pertence à memória; uma parte relevante irá pertencer à Consciência, memória eterna.
As memórias funcionais, de utilização de curto prazo, ficam por algum tempo no armazém da Mente, onde serão guardadas para uso e depois são esquecidas.
O passado é aquilo que passou, foi-se, não volta mais.
Se eu e você ficarmos visitando o passado para reviver principalmente as más lembranças, mágoas, sofrimentos, tristezas, perdas, permitimos que uma quantidade enorme de nossa energia vaze, seja desperdiçada e nunca mais retorne e nem possa ser recuperada, é como a lenha que se queimou.
Poderá faltar-nos um dia.
O passado só nos serve como conselheiro, como parâmetro e, se nele houver sombras ou rachaduras, serve também como instrumento de cura se formos capazes de fazer os reparos agora no presente.
Aquilo que deu certo e aquilo que deu errado deve servir como lições de vida.
Já vimos, também, que o presente pertence ao Coração.
Em primeiro lugar porque a arte de “presentear” tem significado de carinho, agrado, respeito, celebração, coisas nas quais o Coração é especialista.
A vida é um presente cercado de carinho, agrado, respeito e celebração.
Viver o agora é o PRESENTE que nos damos.
Se dependesse só do Coração, o PRESENTE seria sempre amoroso adornado de Carinho, Agrado, Respeito, Celebração.
Quem dá PRESENTE é o Coração, mas, no geral, há sempre alguém buzinando coisas no ouvido do Coração.
A Vontade ouve a Mente e a Mente é cheia de preocupações.
O Coração é sede do Amor, onde cabem todos os sentimentos em favor da vida e onde são geradas todas as emoções em favor da vida.
O Coração é a sede da vida: quando pára de bater, já éramos para este corpo.
Se o Coração for chamado a desempenhar outro papel, que não o do Carinho, do Agrado, do Respeito, da Celebração, ele se arruinará.
A Mente Terrena tem a mania de tornar-se a sede do medo, do pânico, do nojo, da nostalgia, da incerteza, da indecisão, do orgulho, da preocupação, do remorso, da tristeza, do tédio, do ódio e se preocupar com o que os outros vão pensar.
E ela só age assim quando ficar distante do Alvo Espiritual.
Se a Mente Terrena for humilde e ouvir o Coração, ela descobrirá que ali mora a alegria, a compaixão, a gratidão, a saudade, a paz interior, a confiança, a coragem, a fé, a amizade, o amor.
Se a Mente Terrena não aceita a ajuda do Coração para fazer as coisas no presente, a consciência faz o balanço e tem início o conflito, a divergência.

Um pequeno resumo

Para nosso governo: o presente dá acabamento ao passado, da mesma forma que lança o projeto do futuro.
Numa construção administrada pelo Coração, o Amor preside a edificação e a Razão a fiscaliza.
Numa construção administrada pela Mente, a Razão preside edificação e o Amor a fiscaliza.
Qual das duas administrações funciona melhor?
No primeiro caso, o gestor é amoroso e o fiscal exigente.
No segundo caso, o gestor é exigente e o fiscal é amoroso.
Sempre se pensou que a Razão está na Mente e que ser racional era um ser mental, frio, calculista, matemático, materialista.
No entanto, a Razão é definida como uma faculdade avaliativa, de ponderação de idéias universais, de juízo, senso, tino, prudência, de administração do equilíbrio e da justiça.
Nada é mais harmônico e equilibrado que a razão e, portanto, flexível, como também é o Coração.
Talvez seja por isso que se diga “Seja razoável, meu senhor!” quando se busca flexibilidade na atitude de alguém.
Então, é de perguntar: o que torna a mente fria e calculista?
A resposta sempre será a INSEGURANÇA, que nada mais é que IGNORÂNCIA, algo como dúvida, incerteza, falta de fé.
Quando Coração e Mente atuam juntos, dão-se muito bem, fazem acender a luz da vida com a união das Fontes Vitais Mãe e Pai.
O Coração não é teimoso, precisa ser educado para o desapego.
Também não é prepotente, nem injusto quando se desprende da posse.
Uma Mente racional e inteligente não é fria, nem calculista.
Ela será a grande administradora se nós a ensinamos a ser ética, madura, a não querer para si aquilo que nega aos outros.
Isso mesmo: não faz ao outro o que não quer para si.
Sente-se desconfortável quando é alvo de privilégios, vantagens que suprime dos outros.
Só planeja aquilo que pode fazer e só faz aquilo que sirva ao bem.

Então, o futuro a Deus pertence?

O passado, o presente, o futuro e tudo mais a Deus pertence, como Planejador da Vida.
Temos de entender Deus não daquela forma arcaica como um Juiz que determina gozo ou sofrimento àqueles a quem julga.
Devemos entender Deus pelo Criador-mor que fez o projeto e deu a partida.
Fez um projeto tão perfeito que os passarinhos em todo planeta, mesmo sem serem inteligentes, fazem seus ninhos exatamente da mesma maneira.
Fez o projeto tão prefeito, que os seres humanos de todo o planeta são exatamente iguais em todo arcabouço biológico, porém completamente diferentes em termos intelectuais, culturais e espirituais.
Projetos tão perfeitos que toda a vida que existe no planeta rege-se pelas mesmas leis.
Acasos? Não!!!
O Criador-mor e Legislador-mor deu a partida em sua obra e estabeleceu as Leis Eternas para reger toda a Criação.
O objetivo é a perfeição.
Desviados desse objetivo, caímos na degradação política, social, ambiental e corporal, adoecemos, sofremos dor, desespero, privações até que descubramos que construímos esses resultados por opção equivocada nossa.
A vida não pára para que os equivocados se recomponham; são eles que terão de correr para preencher o vazio que deixaram.
Aqueles que forem dignos à Vida, avançarão e receberão a bandeirada.
Os indignos ou fora-da-lei chegarão atrasados e serão chamados a reaprender.
A cada hiato de tempo, Deus capacita alguns homens para Mestres Especiais da Humanidade.
E a humanidade inventa outros.
Nesse cai e levanta, estamos indo.
Não há prêmio, nem castigo, há resultado.
Os aplicados intérpretes das Leis, andarão mais depressa.
Os relapsos serão chamados a recompor seu saber, ainda que lhes custe algumas dores e sofrimentos.

O que é a Vida, afinal?

A Vida é um processo de refinamento das virtudes, de melhoramento do comportamento, de aperfeiçoamento espiritual, da menor para a maior complexidade.
A ciência da vida é a ciência do equilíbrio moral.
Os alicerces desse equilíbrio é o poder de conciliar o saber e a religião, a razão e o sentimento, a energia e a doçura.
A linha de chegada dos detentores do poder do equilíbrio é a perfeição é a harmonia.
Estamos a caminho da divinização do homem.
A sua chegada pode ser a angelitude.
Para chegar a tanto, o espírito terá de experimentar todas as vicissitudes de sua caminhada: nenhum espírito será vitorioso sem tombar e voltar a erguer-se.
O aprendizado virá com a experiência.
É o acúmulo de experiências que lhe dará o diploma aprovação.
A angelitude é a capacidade de entender a vida sem se machucar.
Ao alcançar esse estágio, estará livre da carne.
Quase todas as religiões do planeta têm esta expectativa.
Um anjo tem de saber muito.
Tem de saber quase tudo sobre a Criação.
Tem de desenvolver-se, afastar de si as sombras.
Por isso, os homens são chamados a ter experiências.
Algumas dessas experiências são dolorosas: não afastamos nossos defeitos sem dor; nada conquistamos sem lutar.
Ao conseguirem suplantar seus defeitos, isto é, iluminar suas sombras, os espíritos terão merecido ir adiante.
Um espírito maduro habita um corpo dócil, sereno, harmônico.
Não se vai ao pavimento de cima sem resolver tudo neste pavimento.
É assim que se cresce.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Encontro com os Mestres do Caminho (IV)

A descoberta do Visionário

O que um caminhante deve saber sobre si mesmo? Muito. Mas, é preciso irmos por etapas. Estamos iniciando a quarta etapa desta caminhada. O caminho não existe. O caminho se faz. Então...

Quando seguimos o Caminho do Visionário somos capazes de tornar a verdade visível. Segundo as tradições xamânicas são visionários aqueles que encorajam todos os membros da sociedade a dizer e expressar a verdade.
O princípio que guia o nosso Visionário, é dizer a verdade sem acusar nem julgar. Quando expressamos o Visionário que existe em nosso interior, conhecemos e compartilhamos nossos objetivos criativos e nossos sonhos de vida, agimos a partir de nosso eu autêntico, somos sinceros e honramos as quatro maneiras de ver, como vê um Visionário:
· Pela intuição – para muitas culturas nativas a intuição é a fonte de cuja centelha se origina a visão exterior (percepção), interior (discernimento) e holística (visão). Prestar atenção as estas formas de ver, é uma maneira de honrar o sagrado. Respeitamos nossos processos de visionarização quando damos voz ao que vemos e sentimos. O arquétipo do Visionário nos impele a trazer ao mundo nossa voz e nossa criatividade.
· Pela percepção – que é outra das formas de ver. Percebemos pela intuição, como vimos, e percebemos pelo tato, pelo paladar, pelo olfato, pela audição, pela visão, como é de costume. E ainda há outras formas mais sutis de percepção, que só o desenvolvimento contínuo do ser humano poderá revelar.
· Pelo discernimento – discernir é uma forma de percepção resolutiva, pela qual além de tomar conhecimento, procedemos a conceituação daquilo que nos é dado conhecer.
· Pela visão – ver nem sempre é enxergar. Um mestre visionário precisa separar o que é real do que é miragem.

“Você tem de saber o que quer atingir. Mas quando souber, deixe-se possuir por este conhecimento. E se ele parecer desviá-lo de seu rumo, não se detenha, porque lá talvez seja aonde, instintivamente, você deseja estar. E se você se detiver a tentar ficar sempre no mesmo lugar, você irá murchar”, ensina o mestre.

O Poder do Visionário

O bálsamo de cura usado pelo Visionário é o canto. Por meio da música, do canto, e do contar histórias, as sociedades nativas praticam a permanência dentro dos seus Arcos Sagrados. Algumas tradições afirmam que uma das formas de manter-se ligado ao Grande Espírito é "cantar pela vida".
Várias sociedades que mantém sua tradição viva, sabem que cantar é um recurso de cura.
O trabalhar com a voz de qualquer maneira – cantando, salmodiando, apenas produzindo sons, ou com indução vocálica – alimenta a essência de quem você realmente é. Há uma relação muito próxima entre música e espírito. Os povos antigos pensavam que a vida humana está intimamente ligada à respiração, a respiração ao canto, o canto à prece e a prece à vida longa e saudável – um dos grandes segredos da criação.

Corpo-Som do Ser

Os índios consideram o corpo humano uma flauta por onde flui energias ligadas à terra, à água, ao fogo e ao ar. Portanto, a harmonia, o estado de plenitude, segundo estes índios, podem ser obtidos com o afinar daquilo que eles chamam do CORPO-SOM DO SER, a flauta-corpo humano, através da emissão de sons e da produção de movimentos que agitam estas energias dos nossos corpos.
Segundo estes índios os sons e movimentos que promovem este afinar são:
Ÿ (u gutural) – Som tom primitivo, que vibra o padrão terra do ser. Mora na base da coluna. É o som tom da vitalidade física, da concretização, da segurança, da determinação. Sentar em terra e contar história, mentalizando a cor vermelha, é o ato do guerreiro que está firme e sereno no caminho.
U – Vibra no padrão água do ser. Mora no umbigo. Quando está no seu fluxo natural manifesta bem-estar emocional e estimula a criatividade e a sexualidade. Quando está preso, todo o corpo está em perigo. Caminhar arrastando os pés, resmungando e mentalizando a cor alaranjada solta as más águas do corpo.
O – Vibra no padrão fogo e mora no plexo. Quando está bem, a vitalidade está presente. Quando está mal, há preguiça, sonolência, ausência de vontade. Cantar mentalizando a cor amarela, devolve as vibrações e purifica o corpo som do ser.
A – Vibra o padrão ar e mora no coração. Esta vibração faz a união do céu com a terra. Seu som tom vibra os sentimentos, onde reside o amor ou a ausência dele. Dançar mentalizando a cor verde acelera as vibrações do amor.
E – Vibra o padrão éter e faz sua morada na altura da garganta. É a expressão da alma atuando na palavra. É responsável pela liberdade da alma. Quando está mal, sentimos angústia e somos puxados para baixo. Gritar mentalizando a cor azul claro vibra energia do éter e nos trás grande tranqüilidade e liberdade.
I – Este som tom mora na gruta sagrada do ser, no fundo da cabeça, entre os olhos. Faz a ligação com o sétimo som que é o o som do silêncio. Favorece a intuição quando vibramos emitindo mantras do tipo “OM” e mentalizando a cor índigo.
Silêncio – Som “insonoro” que expressa a sabedoria, o amor. Alcançamos este estágio em silêncio, mentalizando a cor violeta, meditando, visualizando, contemplando.

Exercício para afinar a flauta:

Descubra seu elemento nativo: terra, água, ar ou fogo. Alinhe as energias de seus chakras escolhendo na relação de músicas a seguir uma que você vai ouvir, em silêncio, na poltrona, na cama, no carro, ao menos uma vez por semana:
Terra
A.Dvorak – “Dança Eslava” Op. 46, nº 6 em Ré Maior.
J. Brahms – “Intermezzo” Op. 117, nº 2.
E. Satie – “Je te Veux”.
Água
D. Scarlatti – “Sonata em Si Bemol Maior”, L. 396.
F. Chopin – “Noturno” Op. 15, nº 2 em Fá Sustenido Maior.
M. Ravel – “Concerto para Piano em Sol Maior”, adágio.
Ar
W.A.Mozart – “Sinfonia Concertante” em Mi Sustenido Maior, adágio.
F. Schubert – “Impromptus” Op. 90, nº 3 em Sol Maior, Andante.
F. Liszt – Estudo de Concerto nº 1 “Waldesrauchen”.
Fogo
J.S.Bach – “Concerto de Brandenburgo” nº 3, em Sol Maior BWV 1048.
L. van Beethoven – “Rondo a Capriccio”, Op. 129.
C. Debussy – “Rêverie”.
(Em casas especializadas, você ouve, seleciona e manda gravar para seu uso).

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Encontro com os Mestres do Caminho (III)

A descoberta do Líder


O que um caminhante deve saber sobre si mesmo? Muito. Mas, é preciso irmos por etapas. Estamos iniciando a terceira etapa desta caminhada. O caminho não existe. O caminho se faz. Então...


O caminho do Líder ou Guerreiro, conduz ao estado de alerta, que é a prontidão física para atender a qualquer chamado ao serviço. Intimamente o Líder se esforça para bem cumprir sua missão no Caminho. Dentro do coração, guarda os rumos da paz, mas fora mantém suas defesas prontas para a ação.
O princípio de liderança é mostrar-se e optar por estar presente. O Líder desenvolvido demonstra honra e respeito por todas as coisas, faz uso da comunicação criteriosa, estabelece limites e determinações, é responsável e disciplinado, faz uso correto do poder, entende dos três poderes universais e aplica para si e para os outros, a ética.
Os três poderes universais à disposição do Líder, são o poder da presença, o poder da comunicação e o poder do posicionamento, como veremos adiante.
Para melhor entendimento dessas qualidades do Líder, é preciso destacar:
· há duas causas para todos os mal-entendidos: não dizer o que queremos dizer e não fazer o que dizemos;
· quando dizemos o que queremos e fazemos o que dizemos, tornamo-nos confiáveis;
· honrar é a capacidade que temos de conferir respeito ao outro;
· o Líder deve entender a diferença entre “sim” e “não” e o efeito que essas palavras têm quando as empregamos de forma errada (o não deve expressar um limite e não um veto; o sim deve expressar um fazer e não uma adesão);
· para o Líder existem três “não”: (a) não ter medo quando houver muito a fazer; (b) não precipitar-se quando nada houver para fazer; e (c) não falar sobre opiniões do certo e do errado;
· responsabilidade deve ser interpretada como capacidade de responder;
· disciplina é o processo de encarar a vida de frente e agir sem precipitação.

Ética

Não há Líder sem ética. E ética se define como o meio de comparação e julgamento da conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal em relação à determinada sociedade e sua cultura e mesmo em termos absolutos. Determina-se como éticos, aéticos e antiéticos uma obra, um fato ou uma atitude pessoal ou coletiva segundo a sua repercussão nos indivíduos ou coletividades envolvidos. Espiritualidade e ética, quanto ao aspecto dos valores morais, costumam ser apresentadas como fonte e manifestação.
Um trabalho de ética não pode resumir-se à contenção dos pensamentos e atitudes, emoções e ações negativos ou à afirmação de nossas qualidades. Devemos aprender a cultivar as virtudes, treinar, mentalizar, praticar virtudes. Viajar mentalmente entre a doença e a cura – um extremo e outro – desperta em nós a compreensão crítica do processo. Todo o excesso é prejudicial em qualquer extremo. A prática da generosidade é essencial para combater nossa tendência de proteger demais os nossos bens, de guardar demais nosso dinheiro e de até mesmo querer armazenar a nossa energia física e emocional. Isso é mesquinhez.

Felicidade & Ética

A felicidade provém de causas virtuosas. Não há outra maneira de alcançá-la senão através da virtude, da soma das virtudes. E se pode acrescentar que a base da virtude, o solo onde estão suas raízes, é a disciplina ética.

Os Três Poderes Universais

Universalmente, para o Líder existem três tipos de poder: o poder da presença, o poder da comunicação e o poder do posicionamento.
Poder da presença – convencemos por nossa presença; mostramo-nos; optamos por estar presente e visíveis. É o poder de colocar à frente quatro inteligências: a mental, a emocional, a espiritual e a física. A simples presença física com ausência das demais inteligências é a negação do poder da presença.
Poder da comunicação - comunicamos quando sincronizamos conteúdo e contexto. Para que uma comunicação atinja sua máxima efetividade, devemos ser consistentes em relação aos seus ingredientes essenciais: a escolha das palavras, do tom e da expressão corporal não verbal.
Poder do posicionamento – ganhamos afirmação quando tomamos uma posição firme. O Líder deve fazer os demais saberem onde ele se coloca, onde não se coloca, o que defende, e de que maneira responde por ele mesmo.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Encontro com os Mestres do Caminho (II)

A descoberta do Sábio

O que um caminhante deve saber sobre si mesmo? Muito. Mas, é preciso irmos por etapas. Estamos iniciando a segunda etapa desta caminhada. O caminho não existe. O caminho se faz. Então...

O Caminho do Sábio, também chamado de Mestre, leva à Sabedoria e ao processo universal de aprender e ensinar. O princípio que guia o Sábio é estar aberto aos resultados e não preso a eles.
Um mestre da sabedoria caminha pelo Caminho da Confiança, que é fonte de onde brotam as qualidades da sabedoria: clareza, objetividade, discernimento e desapego. É do estilo do mestre da sabedoria, usar a confiança como instrumento. As tradições xamânicas atingem a capacidade humana da sabedoria aprendendo como confiar e sentir-se à vontade diante de situações desconhecidas. A incerteza deve ser vencida com a sabedoria de aguardar e confiar. A confiança. No entanto, pode ser uma arte difícil de aprender. Ela, a confiança, depende de:
Clareza – forma clara, inteligível, nítida e transparente de pensar, produzir atitude, falar e agir;
Objetividade – alvo que pretendemos atingir; o propósito de uma idéia; o intuito de uma proposta, ou de um projeto;
Discernimento – critério perspicaz de apreciar e analisar um assunto; faculdade de apreciar, entender e julgar clara e sensatamente o conteúdo de uma idéia ou questão;
Desapego – qualidade de isenção e distanciamento para reagir diante de situações em que a emoção atrapalha o posicionamento. Não confundir isso com frieza ou falta de interesse – é totalmente o oposto. Quando não nos deixamos levar pela emoção e quando mantemos nosso senso de humor, demonstramos nossa capacidade de nos interessar profundamente por algo de forma objetiva.
Para se referir ao equilíbrio que se exige do Sábio ao examinar uma questão em que deva ele manifestar-se, Harrison Owen resume-o em quatro princípios, que chama de quatro imutáveis leis do espírito:
“quem quer que esteja presente é a pessoa certa para estar aqui”;
“seja quando for que comecemos, é sempre o tempo certo”;
“o que acontece é a única coisa que poderia ter acontecido”;
“quando acaba, acaba”.
Nessas premissas há o princípio da aceitação, não o da resignação. É de perguntar: seríamos capazes de aceitar a experiência tal como ela é, e ser criativos em relação a ela em vez de resignados ou fatalistas? A aceitação é parte importante do desapego. O sentimento de resignação é sempre sinal de apego.

Perdas e perdas

Há seis hipóteses de perdas para as quais o Sábio deve treinar o desapego:

· perda de laços – que se dá pela morte de cônjuge, parente, divórcio ou distrato;
· perda de rumo – que se dá pelo abandono, falência ou calamidade;
· perda de estrutura – que se dá na ausência de moradia, propriedade produtiva, desterro, exílio, falta de pátria;
· perda de futuro – que ocorre com a velhice ou com doença terminal;
· perda de significado – que ocorre com o esgotamento do ideal, do sonho, da crença ou cessação de um fanatismo;
· perda de controle – que ocorre com a cessação do poder sobre si mesmo, a empresa, a família, a instituição ou por privação da liberdade (prisão).

Remédio para o apego

Algumas tradições vêem os espíritos ancestrais como importantes mestres do desapego porque já encararam o processo de deixar que as coisas sigam seu rumo e experimentaram o maior desconhecido, a morte.
Um espírito consciente de que já abandonou o mundo material, se transforma num bom conselheiro para a atitude e a prática do desapego.
O bálsamo do silêncio deve ser usado como orientação íntima nas experiências transpessoais. Um bom Sábio pratica a arte de ouvir pessoas e espíritos.

A Síntese Feminino-Masculino

No aspecto da matriz de comportamento/procedimento, o homem branco reaprendeu com o índio a voltar a ser índio, onde estava quando foram buscá-lo para a dita sociedade civilizada. A cultura indígena manda "cuidar da minha água, da minha terra, da minha pedra, da minha jóia, da minha planta, da minha flor, do meu animal, do meu feminino, do meu masculino, do meu casal, do meu anjo". O indígena original se comporta e procede como sendo e tendo parte do todo-natural e traz o todo-natural para dentro de seu corpo, ao mesmo tempo que se insere por inteiro nos reinos mineral, vegetal, animal, angelical, (outro?) conhecidos ou não. Assim ele cuida da água (os líquidos de nosso corpo, os rios que correm dentro de nós), da terra (a massa muscular e celular de nosso corpo), da pedra (os nossos ossos), da jóia (o ovo, a semente que nos deu origem no ventre materno), da planta (o brotar de nosso ser a partir da concepção no ventre-da-terra, nossa mãe), da flor (o nosso crescimento e desabrochar já como promessa de nova semente), do animal (o instinto sem maldade que está em nós), do feminino (a sensibilidade, o sonho, a ingenuidade e o espírito maternal acolhedor), do masculino (a ação, a razão, a responsabilidade paternal), do casal (a união do feminino e do masculino para dar origem ao terceiro estado do ser, o ser holístico), do anjo (o ganho de asas, a procura de quem somos, qual é o anjo do meu ser?).
Completa-se esta raciocínio com o resgate das deusas que presidem a vida, afastadas do rituais pela exclusiva e toda poderosa figura do deus único masculino e sobrenatural surgido com a religião judaica e amplamente adotada no Ocidente pelas religiões cristãs.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Encontro com os Mestres do Caminho (I)

A descoberta do Curador


É necessário saber:
A caminhada vai começar para a rebusca da sabedoria e da iluminação, afastando ilusões, fantasias e pensamentos lentos, levando-nos diretamente à imaginação, ou seja, às imagens em ação.
Nosso cérebro “vê” por imagens.
O objetivo é resgatar o antigo e verdadeiro sagrado de nossos atos.
A tarefa é experimentarmos as dimensões e tempos aparentemente esquecidos.
O prêmio é vivenciarmos a ancestralidade das raízes de nossa árvore da vida, recordando nosso “sonho real” sem nenhuma culpa, vergonha ou medo de caminharmos o nosso destino contando os nossos próprios causos, cantando as nossas próprias melodias, dançando a coreografia da dança universal que reproduz em nossos corações o pulsar cósmico.
E silenciarmos sobre as nossas verdades, enquanto elas crescem dentro de nós e ocupam as sombras de nossas dúvidas, medos e culpas.
O tempo todo, em nossa caminhada, seremos chamados a andar – expansão: melhor direção a tomar;
e parar – contração: melhor posição a escolher.
Estaremos sintonizando e conectando-nos ao que o cosmos exige de nós para que estejamos aptos a pertencer aos padrões e sistemas de que se compõe a vida.
Chegou para nós o chamado espiritual, a oportunidade divina e a companhia de nossos guias e mentores para:
acordarmos o Curador que mora em nossa coração;
o Guerreiro e Líder que toma conta de nosso corpo físico;
o Mestre e Sábio que dirige a nossa mente;
e o Visionário que ilumina a nossa alma.
A minha decisão pessoal de caminhar no rumo de mim mesmo e de habitar o templo que sou eu, se manifesta nesse momento quando dou o primeiro passo, querendo resolutamente buscar dentro de mim
.a riqueza que sou;
.a beleza que sou;
.a bondade que sou;
.a alegria que sou;
.a pureza que sou;
.a harmonia que sou;
.a inteligência que sou;
.a perfeição que sou.


O caminho do Curador se abre dentro do coração. O coração é a ponte que liga o Pai Céu à Mãe Terra. Conforme as tradições, o coração tem quatro câmaras, fontes de sustentação de nossa saúde emocional e espiritual.


1. Coração cheio - que significa estar por inteiro ao relacionar-se com as pessoas. Quando o nosso coração está pela metade, o sentimento que experimentamos é o de que fazemos algo que não queremos. Sentir o coração pela metade é sinal de que estamos em má posição e que é hora de sair dessa situação.
2. Coração aberto – que significa abrir o coração. Quando o nosso coração está fechado transformamo-nos em pessoa defensivas, buscando abrigo nas próprias resistências, protegendo-nos contra a possibilidade de sermos feridos.
3. Coração puro – que significa eliminar a dúvida e aguardar a clareza para agir. Quando nosso coração não está límpido, ficamos confusos e carregamos a dúvida dentro dele.
4. Coração forte – que significa coragem de ser tudo o que somos. Quando nosso coração não está forte, falta-nos a coragem para sermos autênticos ou dizer o que para nós é verdade.

É também de quatro maneiras que as pessoas de todo mundo demonstram umas às outras o seu reconhecimento: reconhecendo mutuamente (a) seus talentos; (b) suas mútuas qualidades de caráter; (c) suas aparências recíprocas; e (d) o impacto que causamos uns sobre os outros.
Quando o reconhecimento que recebemos é mínimo, isto pode nos trazer uma sensação de inadequação ou de pouca auto-estima.
Os Curadores de qualquer tradição são pessoas naturalmente capacitadas na arte de reconhecer. Estão plenamente convencidos de que o maior remorso é o amor que não se manifestou. Não há falta ou pecado maior que negar amor. Provavelmente, o mais poderoso exemplo contemporâneo de cura através do amor incondicional, é Madre Tereza de Calcutá. Nas tradições xamânicas ela seria chamada de mulher de remédio.
Existem seis tipos universais de amor:

I. amor entre companheiros e amantes;
II. amor entre pais e filhos;
III. amor entre colegas e amigos;
IV. amor profissional entre mestre e aluno, terapeuta e cliente e assim por diante;
V. amor por si mesmo;
VI. amor incondicional ou espiritual.

Existem também oito conceitos de cura associados aos oito tipos de amor. Quando nos abrimos a eles, nossa capacidade de manter um ponto de vista equilibrado sobre esse assunto aumenta.
São os seguintes os conceitos de cura:

· a cura é a jornada de toda uma vida no sentido da inteireza;
· curar é lembrar o que foi esquecido sobre vínculo, unidade e interdependência, entre tudo que é vivente e não vivente;
· curar é abrir os braços ao que é mais temido;
· curar é abrir o que estava fechado, suavizar o que se endureceu em forma de obstrução;
· curar é penetrar no momento transcendente, atemporal, em que se experimenta o divino;
· curar é criatividade, paixão e amor;
· curar é buscar e expressar o ser em sua plenitude, sua luz e sua sombra, o masculino e o feminino;
· curar é aprender a confiar na vida.

O Curador assume consigo mesmo o compromisso de desenvolver nele mesmo esses conceitos. Não desenvolvidos os conceitos, fecham-se as portas do amor e da saúde.

Toda cultura apresenta suas próprias formas de manutenção de saúde e bem-estar. Os estudos xamânicos trazem para os Curadores quatro ferramentas, quatro bálsamos universais de cura, de reconhecida importância na manutenção e ou recuperação da saúde do bem-estar. São eles: contar histórias, cantar, dançar e o silêncio.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Interrupção no serviço

Leitores
Por razões técnicas este blog não será abastecido de conteúdos entre sexta-feira (22) e segunda-feira (25). Voltarei, após, com todo vigor.
Obrigado pela distinção de sua constante frequência neste espaço.

O sono, a vigília e os sonhos (XVI) final

Ansiedade x tédio

Bem, voltando ao americano, autor do livro “A Descoberta do Fluxo”: ele criou um sistema de medição da satisfação avaliando as sensações de bem-estar das pessoas em vários momentos do dia, escolhidos aleatoriamente. A impressionante descoberta é que as pessoas vivem três vezes mais satisfeitas e sentem-se melhor nos seus ambientes de trabalho do que em seus momentos de lazer (leia-se prazer). Você pode compreender o que isso significa? Ele foi mais adiante e descobriu ainda que esses momentos de FLUXO, conforme ele denomina, é o tempo que permanecemos nesse estado de prêmio, êxtase ou satisfação, que acontece quando temos desafios de graus elevados, compensados por grande habilidade ao vencê-los. Caso tenhamos um desafio muito grande e pouca habilidade, isso gera ansiedade. Caso tenhamos pouco desafio e muita habilidade, isso gera tédio. Caso sejamos especialistas ou excelentes em algo e enfrentamos grandes desafios, isso gera os momentos de FLUXO: períodos de grande satisfação. E diz, que a satisfação proveniente da habilidade de enfrentar e conquistar desafios, é muito mais duradoura que os momentos passageiros de prazer, que as pessoas têm quando estão descansando. As conseqüências lógicas do que foi exposto são que os problemas de nossa vida são responsáveis não somente pelo nosso aprendizado, mas também pela nossa sensação de satisfação. O nó estará dado quando entendemos o problema como prenúncio de derrota. Indo um pouco além, segundo um outro autor americano chamado Paul Stoltz, sabe-se (naquele país) que apenas 25% dos indivíduos vindos das classes A e B chegarão a grandes e importantes posições por mérito próprio. Os outros 75% provêm de classes sociais menos favorecidas, pois desde cedo são expostos a grandes desafios e reúnem uma das maiores competências requisitadas atualmente nas empresas, que é a capacidade de superar obstáculos, também mensurável, segundo Stoltz, e chamada de Q.A. (Quociente de Adversidade). A boa notícia é que o Q.A. assim como o Q.E. (Quociente Emocional) – que esteve algum tempo na moda – podem ser desenvolvidos. E para onde retornamos? Para a educação. Não é a alma que derrota as pessoas. É a educação das pessoas que derrota suas almas.

Vencer com a alma

Sempre que contrariamos as leis naturais pagamos um preço que nos obriga aprender a lição ou sucumbir, adaptar-nos às leis da vida ou ser ejetado para fora do sistema. Onde estão as regras da vida? Nela. Muito já se sabe por pesquisa e observação, mas a alma que habita em nós pode ser a melhor conselheira. Está tão próxima de nós e tem total interesse em nosso sucesso. E o que fazemos nós? Nem mesmo lhe perguntamos “como estamos dirigindo?”
Se somos capazes de mover o mundo para aprender uma profissão, ter renda e conforto, por que não ter em casa um laboratório especializado em sucesso?
Sugestão de Wilda Tanner (coisas simples): Manter contínua observação aos sentimentos, emoções, percepções, sonhos e outros sinais, fazer disso um hábito de anotar e refletir sobre os conteúdos e buscar nisso tudo coerências, nexos. Fazê-lo sem pressa, sem casuísmo, acreditando na única coisa da qual não podemos duvidar: nós existimos e isso não é um acaso.
Ficamos muitos séculos afastados de nossas conexões com a porção divina que habita em nós e agora temos de ter paciência para desconstruir e reconstruir os elos, restabelecer nossos diálogos conosco mesmos.
Através da interpretação que fizermos dessa leitura irá nascendo o objetivo de viver a DIGNIDADE DIVINA que somos e fazer a descoberta da felicidade e do sucesso contidos em nosso plano para esta vida. Se soubermos meditar sobre isso, melhor será.

Conclusão

As pesquisas sobre o pensamento empreendedor, sobre a iniciativa e sobre a realização pessoal, ainda são muito pouco conhecidas. Mas, há uma crescente preocupação com o preenchimento do vazio existencial das pessoas de todas as idades. Há, hoje, inúmeros multiplicadores desses ideais fazendo o possível para que mais gente abandone a depressão ou tédio (doentios) por não saberem o que vieram fazer no planeta ou estão fazendo as coisas com enorme dose de insatisfação. Talvez esteja muito claro o motivo para as doenças, fugas e suicídios (lentos ou radicais).
Os multiplicadores do ideal de viver muito e viver bem, buscam contribuir para a construção de pessoas mais responsáveis e mais comprometidas com as suas próprias qualidades e com seus próprios sonhos. Aprender isso é viver. Viver é sonhar. Sonhar e acreditar nos desígnios dos sonhos, faz toda a diferença.

Bibliografia
Csikszentmihalyi, Mihaly – A Descoberta do Fluxo – Ed. Rocco
Dolabela, Fernando – A Ponte Mágica – Editora de Cultura
Dolabela, Fernando – O Segredo de Luísa – Editora de Cultura
Kardec, Allan – O Livros dos Espíritos – Editora Petit
Stoltz, Paul G. – Desafios e Oportunidades – Editora Campus
Tanner, Wilda B. – O Mundo Místico, Mágico e Maravilhoso dos Sonhos – Editora Pensamento
Young, Evelyn M. – Sonhos – Editora Avatar.

O sono, a vigília e os sonhos (XV)

Não estamos de férias

Ainda que muita gente se imagine de férias em sua existência corporal, no planeta, e por isso tente levar a vida irreverentemente, toda a logística da vida sinaliza para os propósitos: nada acontece ao acaso. O nosso nascimento não foi um acaso fortuito do jogo ou da carreira dos espermatozóides em que o mais forte derrotou os demais. Esse ato é um ato de inteligência e de amor, em que a “vitória” está reservada ao mais adequado, ao mais necessitado, ao mais capaz. Naquele instante, “essa pessoa” era eu (que escrevo), era você (que lê). Havia um plano, há um plano. O desafio aos seres mais inteligentes da criação, é descobrir o propósito de cada coisa, principalmente o próprio propósito, a razão de ser de estar nesta existência. Como é um tanto difícil descobrir a nossa missão, seja lá que for que tenhamos vindo fazer, façamos muito bem feito. Dediquemos todo o esmero, pois estamos construindo a nossa própria “casa”.
Mas, se você quer mesmo investigar para saber a que veio, existem três meios disponíveis:
(1) Através dos sonhos sonhados de olhos abertos. Eles não nascem do nada. Lá no fundo da alma eles querem dizer algo. Tê-los e sentir que eles são um imã a chamar para um rumo, para um desafio, tal qual uma bússola, é o indicativo de que somos parte de um plano, temos um plano, como todos têm.
(2) Através dos recados enviados pelos sonhos sonhados de olhos fechados. Ter com os sonhos uma certa promiscuidade, um elevado grau de correspondência, capacidade de anotá-los, investigar a sua procedência, prestar atenção na sua coerência. O resultado poderá indicar mais do que assuntos para conversas matinais com nossos familiares. “Bárbaro! Tive um sonho legal esta noite!”
(3) Através do desenvolvimento de uma cultura de oração e meditação, contemplação e elevada percepção capazes de abrir canais de diálogo eficaz entre a mente corpórea e a mente espiritual.

Quando somos melhores e mais felizes?

O que seria a frustração e o que seria a felicidade? E o sucesso?
A frustração, o desgosto, a depressão e mesmo as fugas pelos desvios dos vícios e até mesmo o suicídio, são conseqüências do fato de não ter sonhos, de não saber qual é o sonho ou quem sabe da triste realidade dos sonhos desfeitos.
A felicidade, bem, a felicidade tem a ver com fazer o que se gosta e se crê, estar com quem se gosta e respeita, principalmente, e isso nos remete para a realização dos sonhos, sonhos de olhos abertos e sonhos de olhos fechados que, no fundo, são sempre a mesma coisa. Estes são os aspectos em que o imã e os recados recebidos em sonho chamam para o mesmo rumo.
E o mais espantoso, segundo a pesquisa de um americano autor do livro "A Descoberta do Fluxo" é que a felicidade, que as pessoas tanto perseguem sem conhecer sua essência, na verdade, não é apenas a meta buscada, mas a meta que se nos apresenta como desafio. Fazemos aquilo que gostamos e/ou acreditamos. Isso é tudo.
Não devemos confundir felicidade com prazer. Há um professor que diz que quanto mais necessitamos de prazer, é porque menos satisfações temos com aquilo que fazemos. Quanto mais satisfeitos estamos, menos necessitamos do prazer fora do trabalho e do lar.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O sono, a vigília e os sonhos (XIV)

Mendigos do Universo

Continuando com a cátedra de Wilda Tanner, anotemos o que ela sugere: é necessário desenvolver uma cultura de interação com os sonhos e não buscar socorro apenas quando os problemas estouram. Essa é a situação das pessoas que quando têm problemas correm para as igrejas, se curvam, acendem velas, oram, fazem promessas, querem trocar sua omissão por milagres vindos do alto da energia dos santos e guias de sua devoção. Pode ser também a situação daqueles que procuram os adivinhos ou pais-de-santo e pagam qualquer preço, fazem qualquer coisa para que lhes seja dito o que devem fazer. Pode ser, igualmente, algo parecido com o empresário desleixado, que passa o tempo sem se preocupar com a segurança de sua organização, até que um dia, no meio da madrugada, liga para o corpo de bombeiros ou para a polícia, desesperado, querendo que salvem seu patrimônio ameaçado pelo fogo ou pelos ladrões.
Em todos esses casos, estaremos diante de pessoas que querem viver por milagre, por intercessão de alguém de fora, nas mãos de quem depositam sua felicidade e sucesso. São pessoas sem auto-estima, sem valores íntimos, sem capricho, sem garra, sem planejamento, desorganizadas. Viverão apenas enquanto a vida lhes seja misericordiosa. Nunca poderão dizer: isso eu conquistei. Têm a mesma sensação dos mendigos, isto é, falta-lhes DIGNIDADE. Quando não há esmola não sabem viver.

Um sistema sofisticado de comunicação

Voltemos à cátedra de Wilda. Ela assegura que a maior parte da humanidade adquire conhecimento nos sonhos. Por aproximação, temos entre cinco e sete sonhos por noite. Quando temos desenvolvida a nossa forma de lidar com eles, recebemos e temos consciência de lições, orientações, informação, compreensão, conhecimento e estímulo. Nossos sonhos, diz ela, são sinais, obtidos por telas mentais chamando-nos para os nossos verdadeiros caminhos. Alguns desses recados nos chegam diretamente de nossos níveis subconscientes, particularmente, as informações sobre nosso corpo físico e suas necessidades. Outros vêm de níveis conscientes: imagens e fatos diversos, informações para lidar com nossos problemas cotidianos. Mas, na maioria, as lições vêm do nível superconsciente, de nosso Eu Divino ou Eu Superior. Vêm em forma de lições e vislumbres espirituais que nos ajudam na solução de problemas em todos os níveis. Possivelmente tenham a virtude de nos colocar frente a frente com os nossos desafios associados com a grande missão de nossas vidas.

Uma Cultura Multidimensional

Você gostaria de ter em casa ou carregar consigo um consultor especializado em destino, missão, sucesso, realização, plenitude? Inteiramente gratuito? Nesses tempos de personal training, personal fashion, que tal um personal sucessing? Você já ouviu falar de visionários, bruxos, magos? Sabe o que eles fazem? Eles apenas confirmam para seus consulentes aquilo que seus consulentes desejam que aconteça. E se os consulentes vierem acreditar naquilo que os adivinhos dizem, terão mudado as suas vidas para melhor ou para pior, dependendo daquilo no que andem “sonhando” acordados.
Quando a semente do ser humano parte em busca da fecundação do próprio corpo, no ventre da mãe, põe nesse ato todas as suas esperanças, todo o seu entusiasmo, toda a sua energia. O seu objetivo é viver, cumprir uma missão, fazer tudo certo e alcançar a fita de chegada dessa maratona com a dignidade de um vencedor. Não se trata de derrotar os demais, aquilo não é uma competição. Todos os demais “competidores” envolvidos nessa operação, sabem que em 98,89% dos casos há um só óvulo à espera e que em 99,9999% dos casos uma só semente será premiada com a vida. Aquilo é uma travessia na qual cada um tem de vencer a si mesmo. E provar que é capaz de receber nova missão. A sementinha premiada com a concepção sentir-se-á responsabilizada pelo que aconteceu. As sementinhas não premiadas sentir-se-ão coadjuvantes de um ato de grandeza pela vida.
A vida, depois do nascimento, não é outra coisa. Alguém já se perguntou por que a vida nos chicoteia em certas circunstâncias? Estaria ela fazendo a mesma coisa que fazem os cavaleiros quando querem superar um obstáculo em plena cavalgada ou numa prova de hipismo? A reposta é sua.
Para desenvolver uma Cultura Multidimensional, o primeiro requisito é sentir-se divino, entender o prêmio da vida como outorga, dádiva, mérito, honra, dignificação, homenagem divina, claro, nunca para que o outorgado se atire nas cordas ou “tire férias”. Entramos na corrente universal da vida para realimentar e reafirmar o sentimento, permanentemente, de que somos um dente da engrenagem e que temos de corresponder a essa confiança. Se não sabemos, ao certo, o que devemos fazer, devemos, ao menos, ao acordar e ao recolher-se para dormir, que é quando adormecemos e nem sabemos o que será de nosso corpo, deixar ligado o instrumento através do qual nos comunicamos com outorgante. Claro, existem outros canais de comunicação, uns mais simples, como a oração e outros mais exigentes, como a meditação.
Importa saber que não pode haver o ser separado, que em um momento se desgasta no jogo da vida desprovido de entusiasmo, vulnerável às energias opostas, abatido por elas e, em outro momento, o ser que se liga ou religa com a Fonte Vital para carregar suas baterias. Como também não pode haver o ser passivo que apenas ergue suas mãos ao infinito pedindo que lhe seja facilitado o papel diante da vida, quando, na realidade, nem sabe ou nem quer saber que papel é esse. Cadê os sonhos?
Somos enviados para a vida com planos por nós definidos, viemos como agentes ou produtores autônomos de ação e não como diligentes ou terceiros da ação delegada.
Ao postar-se como diligente, sem planos próprios, como serviçal de interesses alheios, o ser humano assemelhar-se-á aos animais dos serviços domésticos e terá perdido, em sua existência, a oportunidade de provar a que veio tendo recebido a inteligência para com ela criar e fazer escolhas.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O sono, a vigília e os sonhos (XIII)

Mais flexível e mais imaginativo

Já se disse que pessoas aposentadas, de larga idade, umas viúvas, outras não, começam dizer que não têm mais idade para isso ou aquilo e também já não falam mais de seus sonhos quando dormem. O que seria isso, se não o prenúncio da morte?
Pode ser um exagero, mas poderemos ver que não é bem assim. Esse é um distúrbio muito comum, chamado de "Síndrome do Ninho Vazio", no qual adultos a partir de 40 ou 50 anos de idade enfrentam grandes depressões quando seus filhos saem de casa para terem suas próprias vidas. Já é possível aceitar que quando uma pessoa pensa em derrota, a vida que está nela desiste de lutar.
Wilda Tanner, num brilhante trabalho intitulado “O Mundo Místico, Mágico e Maravilhoso dos Sonhos”, ensina que os sonhos que acontecem enquanto dormimos, são terapias para nossos males do dia-a-dia. Segundo ela, para uma imensa maioria, o “terapeuta” chega e trabalha de graça nas altas horas da noite, faz muito bem o seu trabalho, vai embora e nem deixa um cartãozinho para esperar uma ligação de “muito obrigado”. Há casos, porém, que o paciente interage e encomenda ao “terapeuta” as tarefas mais absurdas e importantes e, na manhã seguinte, ao abrir os olhos a solução está ali, completa, clara e certa, também a custo zero.
Wilda trabalha com a hipótese de que interagir com nossos sonhos noturnos significa abrir a porta que leva às maiores oportunidades de expansão do conhecimento. Como alguém que se oferece para estudar o lado espiritual do homem, Wilda assegura que estamos na vida corporal para bem mais do que apenas aprender com os professores, que cobram, e não ensinam tudo; há muita sabedoria nos sonhos e cabe a nós entrar nela.
Suas teses são conciliatórias entre o saber acadêmico e o saber empírico. Se temos um problema, o melhor caminho é distanciar-se dele para vê-lo de fora. Não é assim que atua a consultoria empresarial? E por que é assim? No centro do problema, agimos com a emoção. E a emoção contamina a razão. Ter emoção é um dos atributos do ser animal que somos. Enquanto animais, temos instintos, temos impulsos, temos medos. Ao trabalhar com os sonhos, permitimos que nosso espírito, de per si ou com a ajuda de guias espirituais, sem emoção, com a razão pura, nos indique a melhor solução.

Os computadores podem ajudar?

Todos sabemos que o princípio que norteia a informática se baseia na mente humana. Programas informatizados já permitem digitar um contexto e oferecer a conjuntura na qual as coisas estão imbricadas e o computador nos dirá, percentualmente, quais as soluções mais adequadas para nossos problemas. Sabemos também que os computadores não têm emoção. Então, emoção à parte, a mente humana seria capaz de fazer melhor trabalho? E se formos além? Como se poderia chamar o ato de convocar um mestre mais inteligente que a máquina e tão mais livre das influências emocionais para indicar-nos os caminhos mais adequados a seguir, que é nosso espírito?
É claro que a coisa não é tão simples como digitar um contexto e oferecer uma conjuntura e pronto. Se não soubermos fazer a encomenda, a entrega pode sair errada. Isso vale para o computador, vale para nossa mente racional e vale para o mestre espiritual que habita em nós. Então, é preciso compreender que, em qualquer circunstância, pressa, sufoco, irreverência, casuísmo, pode estragar tudo.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O sono, a vigília e os sonhos (XII)

Somos Aquilo que Sonhamos

Todos sonhamos. O sonho é uma necessidade fisiológica. Não sonham, como já foi visto, aqueles que dormem sob efeito de soníferos, entorpecentes ou bebida alcoólica. E não sabem o que estão perdendo.
Dormir e sonhar, tanto quanto sonhar acordado, pode ser mais interessante e produtivo do que se imagina. Há, no entanto, aqueles que dizem não lembrar dos sonhos sonhados e mesmo aqueles que dizem e acham que não têm nenhum tipo de sonho.
Médicos, psicólogos e místicos estão cada dia mais interessados nessa relação de nossa mente com sensações e percepções que escapam-nos ao controle. Elas podem significar tudo ou nada para a vida.
Sonhar é, no mínimo, tão importante quanto dormir. Não sonhar pode significar nada ser para a vida.
A par do bem que nos acontece ao sonhar, existem sonhos espontâneos, que sonhamos ao dormir e existem sonhos construídos, que sonhamos imaginando, acordados. Uns e outros parecem ser a mais genuína das formas do ser humano expressar seus desejos, anseios, inclinações, motivações e, (por que não?) a missão! Podem expressar a vida que vive em nós e podem, na sua ausência, sinalizar a vida que está indo embora de nós.
Existem sonhos que movem os seres humanos e existem sonhos que poderiam mudar o destino dos seus sonhadores caso fossem levados a sério. De uma forma mais direta se pode dizer que talvez sejam mensagens de Deus, plantadas em nossa mente, que sirvam para nos direcionar na vida ou para dar sentido à nossa existência. Ou, talvez, seja nosso espírito mandando recados à nossa mente. Não sonhar talvez seja uma das primeiras evidências de que abandonamos a vida e esperamos a morte. Vale para quem turba os sentidos para dormir, vale para quem desiste de ver adiante e vale muito para quem já desistiu de viver e esqueceu de avisar que está de partida.
Três explicações para os sonhos, uma do ponto de vista espírita, duas do ponto de vista científico:
(1) Os espíritas ensinam que os sonhos são produtos da emancipação da alma que, ao dormir o corpo, torna-se independente pela suspensão da vida ativa e da convivência. Daí adquire, o espírito, uma espécie de clarividência indefinida e abandona o corpo para efetuar visitas a lugares mais afastados, conhecidos, jamais vistos e algumas vezes até de outros mundos.
(2) Cientificamente se ensina que o sonho se presta para descargas das tensões cotidianas e como capacitação para enfrentarmos os medos e as tensões.
(3) Há, contudo e também, o sonho que se sonha de olhos abertos, como a razão de ser de nossas vidas, aquilo que, para alguns, tem conotação de destino, missão ou carma.
Nossos sonhos combinam estímulos verbais, visuais, emocionais e espirituais em uma série de histórias fragmentadas e, às vezes, sem sentido, porém sempre muito interessantes. Às vezes, podemos até mesmo resolver problemas em nossos sonhos.
Entre os peritos ainda não há um acordo sobre qual deve ser o propósito de nossos sonhos. Será que eles são somente impulsos mentais ou nosso cérebro está realmente trabalhando em questões da nossa vida cotidiana enquanto dormimos, como se fosse um tipo de mecanismo de imitação? Será que deveríamos nos preocupar até com a interpretação dos nossos sonhos? A resposta é sim! Temos muito o que aprender com eles.

Um Pouco de História

Homero se ocupou dos sonhos e o fez de forma irreverente, preferindo entendê-los como tentações dos espíritos do mal. Sócrates foi além ao entendê-los como uma expressão do lado bestial humano. Freud veio nessa mesma linha: as repressões exercidas sobre o ser humano, principalmente, sexuais, para ele, dão origem aos sonhos. Jung foi mais sutil e prestou um grande serviço à humanidade. Observou que em toda a história e no mundo inteiro os sonhos têm muita semelhança. Logo, a sua finalidade tem uma causa: transmitem uma verdade universal àquele que sonha e informam que a origem do fenômeno está associada a processo não aleatório. Melhor dizendo: é mais uma coisa comum a todos os seres humanos. E assim fica demonstrada a existência de um criador, um plano, uma causa e um efeito comuns não apenas no plano biológico.
Outros estudiosos, em linha semelhante de pensamento, teorizaram que os sonhos consistem de associações e memórias emitidas da parte frontal do cérebro, em resposta a sinais aleatórios do tronco encefálico. Estes autores sugeriram que os sonhos são o melhor "ajuste" que o cérebro frontal poderia fornecer a este bombardeamento provindo do tronco cerebral. Nesta proposição, os neurônios-ponte, via tálamo, ativariam várias áreas do córtex cerebral emitindo imagens bem conhecidas ou mesmo emoções, e o córtex, então, tentaria sintetizar as imagens disparadas, dando origem aos sonhos. O sonho "sintetizado" pode ser completamente bizarro e mesmo sem sentido porque ele está sendo desencadeado por uma atividade sem controle. Aquele sonho que temos dormindo é uma propriedade do cérebro, dizem os acadêmicos. Com base nessa assertiva, também vão além e dizem que cachorro, veja um bicho, também sonha, tem pesadelos.
Mas, há o sonho no sentido figurado, que sonhamos acordados ou imaginando, aquele que chamamos também de devaneio, plano de vida ou fantasia. Esse parece ser uma função além da mente humana, quem sabe algo maior que esta existência.
Contudo, parece existir uma sutil ligação entre uma e outra coisa, entre sonhos e sonhos.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O sono, a vigília e os sonhos (XI)

Sonhar dormindo ou acordado

Além do estágio REM, já citado como o período em que normalmente se sonha, existem três outras situações em que sonhamos e uma em que podemos "sonhar":
1. Hipnagogia - estado de quase sono (transição de alfa para teta) em que mergulhamos logo antes de dormir. Podemos ter visões, divisar rostos arquétipos, ver cores, experimentar impressionantes vislumbres sobre a nossa vida. Costumam ser visões de grande clareza sem dificuldade de dedução.
2. Hipnopompia - estado em que começamos a acordar. Os sonhos dessa fase podem ser desconexos e prosseguir no estado de vigília como soluções criativas para um determinado problema ou simplesmente como uma forte sensação de orientação. Tendem a fundamentar-se na realidade do momento, serviço, problema, desafio...
3. Parassônia - tipo de sonambulismo ou terror noturno. É um distúrbio dos estágios de transição do sono. Ocorre no segundo estágio do sono (ver adiante).
4. Meditação - estado em que esvaziamos e silenciamos a mente e permitimos uma abertura em nossos registros mentais para que o subconsciente transmita-nos imagens relacionadas com as nossas vidas.

Andar dormindo, fazer xixi na cama, roncar

Os pesquisadores apontam os fenômenos de andar dormindo (sonambulismo) e fazer xixi na cama como distúrbios que acontecem no estágio de sono Delta e associados a conflitos emocionais reprimidos e que são liberados por ocasião do sono profundo. Mais remotamente também podem estar associados a anormalidades psicológicas hereditárias.
O ato de fazer xixi na cama, por crianças e adolescentes, está identificado como associado a tensões familiares e ao estresse, principalmente no caso de pais muito tensos e emocionalmente instáveis, desaguando num processo de medo.
O problema do ronco não se limita à posição de dormir, mas está limitado ao estágio NREM, cessando durante o estágio REM. As alergias e a sinusite, que tendem a bloquear as passagens nasais são as principais causas do ronco, enquanto que os elementos gordurosos, refeições pesadas e a ingestão de álcool ou drogas são fatores que contribuem fortemente.

A verdade

"Os sonhos - diz a professora e filósofa Wilda B. Tanner, autora de vários livros sobre os sonhos - ajudam-nos a entrar em contato com nosso Eu Superior, nosso Verdadeiro Eu, a nossa parte divina, de maneira a instilar confiança em toda a beleza, amor, sabedoria e poder de que realmente nos constituímos. Por meio dos sonhos é possível estabelecer esta relação com Deus. É essa a verdadeira magia dos sonhos!"

Estágios do sono, o que acontece em cada ciclo e suas ondas

1. Primeiro: Respiração e batimentos cardíacos lentos, temperatura e pressão sangüínea baixa, nenhum movimento de olhos. Não é difícil acordar a pessoa, embora as ondas cerebrais sejam lentas. Ondas: Alfa 13 a 8 cps
2. Segundo: Surto de ondas cerebrais de alta freqüência interrompem as ondas lentas; nesse mento a pessoa pode andar e falar dormindo. Ondas: Teta
(7 a 5 cps)
3. Terceiro: Ondas cerebrais compridas e lentas, não há movimento dos olhos.
Ondas: Delta (5 a 4 cps)
4. Quarto: Ondas cerebrais mais compridas e lentas, respiração regular. Ondas: Delta (3 cps)
5. Quinto (Quando ocorre REM): Respiração irregular, contrações musculares, aceleração dos batimentos cardíacos, aumento de pressão sangüínea e do consumo de oxigênio. O corpo fica imóvel, os olhos se mexem muito.
O cérebro está atento como em vigília. É difícil acordar direto do sono REM. Ondas: Alfa (14 a 7 cps)
Informações complementares: É comum despertarmos momentaneamente entre o primeiro e o quarto ciclo, o que pode durar alguns minutos, sem que nos demos conta disso.
Durante o sono de ondas lentas são produzidos os hormônios para o crescimento e regeneração do corpo.
Os impulsos elétricos emitidos pelo cérebro podem ser medidos.
Temos vários períodos de sono REM numa noite. Entre o primeiro estágio e o estágio REM, decorrem aproximadamente 90 minutos, 30 dos quais para REM.

sábado, 16 de outubro de 2010

O sono, a vigília e os sonhos (X)

Um diário

Fazer uma síntese diária do que se sonhou, como parte de uma memória de longo prazo, é um passo importante quando se quer entender os recados. Muitas pessoas esquecem de seus sonhos ainda dentro da noite. A mente entende que a pessoa é irresponsável: houve um recado não levado a sério, um e-mail na caixa, que não foi aberto. Nossa vontade é como rédeas da mente. O sistemático desinteresse pelos sonhos pode gerar na mente a convicção de que "não é para levar a sério". Anote seu sonho imediatamente após ter memória sobre ele. Após bem acordado reflita sobre o que sonhou e anotou.
O diário tem outra vantagem. Os sonhos podem ser fragmentos de uma história, de um projeto, de um aviso extenso, em capítulos. Anotar os sonhos, repassar as anotações, fazer ilações, correlações entre fatos, encadeá-los, prestar atenção nas recorrências, tudo isso vai ajudar-nos no esforço de interpretar o todo.
A mente esforça-se para propiciar-nos a oportunidade de conhecermos o que se passou ou se passa. Como a informação não vem pela narração nem pela leitura, nós somos levados ao centro da cena e tomamos parte dela como personagem principal ou como coadjuvante. Muito raramente como testemunha.
A história se dá em metáforas visuais e tem as seguintes prováveis características:
· Uma abertura - um começo, uma razão para ser do sonho;
· Um tempo, época (atual, passada, futura);
· Um lugar, um ambiente (conhecido ou não);
· Personagens (conhecidos ou não);
· Diálogos (sobre o quê falamos);
· Ação (fazemos o que e por que);
· Animais (apreciados ou temidos e, assim, representando algo);
· Casas, prédios (conhecidos ou não e oferecendo símbolos);
· Máquinas (que podem representar ação);
· Emoções: alegria, sofrimento, tristeza, prazer;
· Lições de vida (de que necessitamos);
· Uma conclusão - final feliz ou não.

É importante lembrar e anotar como e onde se abre e se fecha a cena do sonho além de todos os demais detalhes enumerados acima, procurando uma relação, um paralelo uma dica. As imagens ambientais atuam no contexto como situação definidora: o sonho está ou não relacionado com a época atual, com os locais conhecidos ou não, podendo indicar que se trata de solução de casos passados ou que se trata de coisa a resolver.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O sono, a vigília e os sonhos (IX)

Ondas cerebrais

Estudos científicos têm sido feitos sobre os sonhos, porém o mecanismo de comprovação está sempre relacionado ao cérebro. Sabemos que o cérebro é o hardware e os sonhos acontecem no mundo do software. Por isso, a dificuldade.
Os eletroencefalogramas medem as ondas cerebrais nos hemisférios esquerdo e direito do cérebro e registram com muita precisão o número de CPS - ciclos por segundo que ocorrem em cada estágio:
Estagio Beta - normal a tenso: acima de 20 cps;
Estágio Beta - normal: entre 20 a 14 cps;
Estágio Alfa - relaxado, sono muito leve, meditação, transe: entre 14 e 8 cps;
Estágio Teta - sono profundo: entre 7 e 4 cps;
Estágio Delta - sono reparador do corpo, sono muito profundo, padrão drogado: entre 5 e 4 cps;
Estágio ...... - fora do corpo ou perto de experiências de morte: menos de 3 cps.
O sono REM ocorre entre 13 e 8 cps, portanto, em alfa. Pode ocorrer sonho na entrada do sono, mas o normal é depois de cerca de 90 minutos, passando antes, no mínimo, pelo estágio Teta.
Embora as nossas vidas possam parecer completamente diferentes umas das outras, para a maravilha da criação divina um corpo é um corpo, uma mente é uma mente, um espírito é um espírito, apenas. Vivendo sob diferentes realidades, procedências, missões e destinos, a dinâmica dos relacionamentos de corpos, mentes e espíritos podem ser muito semelhantes para todos os seres humanos.
A troca de informações, as confissões, as entre-ajudas grupais servem para conhecermos mais e mais rapidamente sobre os sonhos. Em toda a pesquisa neurológica recente, os grupos de vivências, formados para a troca de impressões e percepções sobre a vida e, claro, sobre os sonhos, é a mais auspiciosa notícia do progresso humano na caminhada do esclarecimento de causa e efeito dos sonhos no nosso quotidiano.
Sem julgamento, cada membro do grupo deve embarcar na emoção do sonho alheio e tentar visualizá-lo do ponto de vista do autor do sonho, extraindo dele um recado. Quando o último membro tiver declarado sua percepção sobre o último sonho narrado, é provável que se tenha uma avançada interpretação dos sonhos sonhados por todos.
De uma coisa a pesquisa pode estar certa: há um grande esforço da mente em transmitir-nos recados vindos do nosso íntimo. E as ferramentas conhecidas são sempre as mesmas. Uma delas, os sonhos, está à disposição de todos nós.

O sono, a vigília e os sonhos (VIII)

Quando e como sonhamos

Boa parte dos sonhos acontece no ciclo do sono chamado REM - rápidos movimentos oculares (tradução do inglês) - que é quando, ao dormir, movimentamos acentuadamente os olhos já a caminho da vigília, depois de experimentar o sono profundo que é, na verdade, o descanso do corpo. Por isso, as pessoas que se dopam para dormir, têm um sono demasiadamente profundo e longo, não atingem o estágio REM, não sonham e podem sofrer perturbações de ordem psíquica e física por causa disso. Olha aqui tem informação que pode assustar, mas é muito importante, se este for o seu caso, discutir com seu médico se ele também entende que precisamos sonhar e qual a possibilidade de tais remédios inibirem os sonhos. Se a conversa com ele não for satisfatória, procure uma segunda opinião médica, mas, por favor, não faça nada em prejuízo de sua saúde, apenas porque você leu um artigo que fala da necessidade de sonhar.
Durante o descanso, é natural que nosso cérebro busque recompor-se para as tarefas importantes que lhe estão afetas sem cessar. Descansa mais o hemisfério esquerdo, que normalmente também trabalha mais em virtude de nossa cultura mecanicista e por sua estrutura verbal, analítica e ponderada, e portanto mais usado pela maioria das pessoas. O hemisfério direito, por suas qualidades de rápido, intuitivo, mais visual e simbólico, podendo fazer relações criativas inesperadas, participa do esforço para "oferecer-nos" um sonho "interessante". Mas, é o hemisfério esquerdo que acaba processando o sonho e, por isso mesmo, fazendo sua análise crítica. É como se dois irmãos gêmeos entrassem em conflito porque um é brincalhão e o outro é perfeccionista.
No período REM o nosso organismo executa o programa de liberação química das fibras nervosas, tornando a participação do hemisfério esquerdo mais relaxada na organização de nosso processo psíquico. Relaxado o rigor com que o hemisfério esquerdo trata da vida, afloram os sonhos.
Os bebês têm períodos de REM em 50% do tempo em que dormem. Sonham nesse tempo. E exacerbam a impotência. As crianças vivem períodos reais de impotência intelectual e física e os seus arquivos mentais passam essa informação como metáfora do sonho. Em compensação vivem boa parte desse tempo em perfeita sintonia com o mundo espiritual de onde vieram recentemente.
Os adolescentes têm períodos de REM em 65% do tempo que dormem e em seus sonhos exacerbam a reação e a explosão, num processo condizente com sua fase de vida.
Os adultos têm períodos de REM em 25% do seu tempo de sono e exacerbam em seus sonhos os picos de sua personalidade, também de forma condizente com a sua fase de vida.
É necessário comentar que uma personalidade competitiva associará as metáforas de seus sonhos às disputas, às competições, ao perde-ganha. Uma personalidade romântica, associará suas metáforas à conquista de amores e ao jogo da sedução. Uma personalidade oprimida e humilhada associará seus sonhos a perseguições e dominações. E assim por diante.
Os idosos têm períodos de REM em 30 a 35% do seu tempo de sono e exacerbam em seus sonhos o retorno ao passado de suas vidas e em menor proporção ao que se projeta para o retorno à pátria espiritual.
Quando crianças, adolescentes, adultos e idosos têm reduzido por muitos dias o tempo de sono REM, é comum aparecerem distúrbios de comportamento: mau humor, insegurança, ansiedade, esquizofrenia e imagens oníricas repentinas no pensamento. Basta, porém, devolver a eles a oportunidade de dormirem tranqüilamente e seus corpos se encarregam de promover uma generosa compensação.
Quanto a sonhar acordado, em vigília, isso é perfeitamente possível desde que provoquemos instantes de alheamento da realidade presente, aquilo que alguns chamam de distração, uma viagem da mente para fora do controle do ambiente.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O sono, a vigília e os sonhos (VII)

Tentativa de ajuda

Há que considerar e respeitar o sonho como um processo de ajuda íntima e não como uma obsessão a atormentar-nos quando, ao acordar, recordamos e nos pomos a pensar neles, preocupados ou não. Os sonhos não podem ter a mesma conseqüência, para as pessoas (muitas delas), que lêem o horóscopo do dia e se anulam totalmente em obediência ao que alguém irresponsavelmente escreveu para iludir-nos em troca de alguns centavos obtidos com a venda do jornal ou da revista.
Todo o mistério que envolve os sonhos possivelmente resida no ponto da nossa incapacidade de participar da comunicação que eles envolvem. Se quisermos ficar nesta mania de horóscopo, cabe dizer, talvez ali esteja o horóscopo customizado, feito especialmente para aquele que o recebe. Aliás, essa incapacidade humana de lidar com as coisas sagradas não está restrita só aos sonhos, ela está presente em quase todos os campos em que a vida se nos apresenta da forma mais natural que ela pode. Não tivemos capacidade para conviver e aprender com os indígenas que encontramos pela frente quando invadimos seu milenar habitat desde que a sociedade se dividiu em metrópole e colônia, nem como os insetos que dividem conosco as hortaliças, as frutas e os grãos. Não sabemos comer. Não sabemos dormir. Não sabemos amar. Imagine-se quanto tempo levaremos para compreender o que é ou deixa de ser a alma humana para nós?
Os sonhos geralmente ocorrem sem reação física aparente ou acentuada (movimentos corporais) e estão sempre relacionados com nossos registros mentais. Podemos sonhar com algo, "coisa muito importante" para nós e em virtude dos clichês existentes em nossas mentes, associarmos "coisa" a "pessoa", como podemos sonhar com "pessoa muito importante" e o sonho estar associado, na verdade, a "coisa muito importante que a pessoa apenas simboliza". A confusão decorre do nosso sistema de valores, os chamados clichês mentais de nosso arquivo cultural. A pessoa sensível guarda em seu arquivo o registro "valorize o que lhe emociona", e por isso dá menor importância ao lado intelectual, profissional ou material da vida. A pessoa materialista guarda em seu arquivo o registro "valorize os bens de posse" e por isso se apega mais às "coisas" ou pessoas e menos às "emoções" ou “símbolos sentimentais”. Quando a mente se vê incumbida de passar o "recado" sobre a "coisa", pode metaforizar como "pessoa" e vice versa, deixando evidentes pontos de ilação lógica, que precisamos interpretar e ligar. Para entender o "recado", basta o autor do sonho refletir com paciência e isenção. Ambições secretas ou mágoas escondidas podem estar vindo à tona através de metáforas. Uma imensidão de temas de nosso mais alto interesse podem estar bailando em contato com nossa mente enquanto dormimos e mesmo em estado de vigília (como veremos adiante) e cabe a cada um de nós desenvolver um plano de ação que considere "nossas conversas" com o lado mais íntimo de nosso ser sem ruídos de comunicação.
O básico, nisso tudo, é entender o recado sem puxar para as conveniências, pois muitas vezes os sonhos são gritos da alma pedindo-nos que mudemos de rumo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O sono, a vigília e os sonhos (VI)

Como entender o sonho

Durante muitos séculos temos trabalhado nas pesquisas sobre o sonho, porém muito mais com a curiosidade de decifrá-lo do que de entender o seu por quê. Sabe-se tão pouco sobre ele quanto pequeno é o nosso conhecimento sobre a mente humana e menor ainda a eficácia das fórmulas inventadas para tentar decifrá-los. Ao estudar uma chegaremos ao outro, e vice versa, com já vem acontecendo. O curioso é que nada exclui nada. Estávamos querendo saber por que uma célula repassa à sua sucessora o programa da vida e descobrimos que o processo se dá no biológico, mas é energético. E agora vamos nos certificando de que durante o sono a alma retorna à pátria espiritual e recolhe de lá aquilo que teimosamente não queremos admitir em vigília. Por isso os sonhos vão ganhando importância à medida que os estudiosos param de brincar com esse fenômeno.
Procuramos, neste trabalho, condensar o que está documentado sobre o que se passa conosco enquanto dormimos e mesmo em estados de vigília, quando também sonhamos.
Os sonhos podem ser a expressão de três áreas de nossas vidas tentando nos dizer algo:
1. Liberação de sentimentos represados no nosso dia a dia, mas não naquela estreita avenida traçada por Freud;
2. Transação entre a personalidade exterior e as percepções intuitivas do que está na essência, "eu superior";
3. Projeções de nosso "eu superior" em viagens para fora do corpo e do tempo.
4. De qualquer forma, o sonho é um recado de que algo foi identificado, precisa ser potencializado, deve ser consertado, não tem o conserto que desejamos oferecer a ele, coisas que nós precisamos entender ou de algo que poderá vir a ser cobrado de nossas atitudes e comportamentos.
Talvez o mais importante na tentativa para entender os sonhos seja decifrar a sua linguagem ou as linguagens utilizadas em seu processo de comunicação entre o "eu superior" e o "eu inferior". No geral, 100% dos sonhos nos "dizem algo" por metáforas. A mente não cria a informação, organiza-a, disciplina-a, processa-a e armazena-a. A informação tem origem noutro campo e precisa ser percebida. Ela não existe como um dado isolado e dificilmente cairá sobre a nossa cabeça como uma carta a ser lida. Não sonhamos como se estivéssemos lendo ou ouvindo a narrativa do sonho. Sonhamos através de imagens, telas mentais. Imagens que vemos como "testemunha" e na maioria dos casos dentro da cena, por isso a gente não se vê na cena, mas vive-a. E caso aconteça apenas como “testemunha”, é porque o que foi visto deve merecer a importância de como nos importamos conosco. Nós precisamos buscar o acesso às informações ali contidas, ter a posse do seu código. O código é a linguagem pela qual toda a comunicação se dá em todos os campos da vida. É necessário captar a sua essência através do processo adequado de linguagem. Se não possuímos a capacidade de decodificar, a informação não existe para nós e para nada e ninguém em todos os campos da vida. Se as abelhas não possuíssem a sua linguagem, elas não recolheriam o pólen, o mel, a cera, e não montariam a colméia, não existiriam como espécie. Esse é apenas um exemplo de que uma comunicação adequada está sujeita a uma linguagem adequada.
Para adquirirmos a linguagem adequada é necessário oferecer-nos a ela. Um dos caminhos é a mediação, é adormecer repensando o sonho sonhado na tentativa de que novas luzes se acendam.
Já vimos que os sonhos não se revelam a nós como um conto narrado ou escrito e sim por imagens, por metáforas, por telas mentais, cuja linguagem precisamos buscar. Existem sonhos absurdos no entender de intérpretes apressados e existem sonhos traumáticos, muitas vezes proféticos, anunciadores de tragédias, sonhados por pessoas portadoras de mediunidade, que nunca cuidaram deste aspecto.
O pesquisador Calvin Hall catalogou mais de 10.000 sonhos de pessoas que classifica como normais e encontrou 64% deles associados à tristeza, apreensão e raiva; 18% eram alegres e excitantes; 1% eram associados com envolvimento sexual; 2 sonhos eram atos hostis contra o sonhador. Poderiam esses 10.000 sonhos expressar a inconformidade das almas em relação ao estilo de vida dos sonhadores? É muito provável. E você anda sonhando com o quê?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O sono, a vigília e os sonhos (V)

Ciclo e reciclagem

Dormimos por obrigação e sonhamos por necessidade. O sono diário integra, como sabemos, um sistema de ciclos do corpo humano, sem os quais entramos em colapso e perdemos a capacidade de raciocinar. Toda a natureza tem ciclos e se recicla. Nossos períodos de vigília e de produtividade devem ser intercalados a períodos de repouso e reciclagem. O nosso planeta não existiria habitável e agradável como o é, não fossem as noites intercaladas aos dias, as estações seqüenciais, os períodos de chuvas entremeando os estios, o trabalho das bactérias transformando tudo e tudo transmutando continuamente.
Mesmo dentro dos períodos de vigília, como dentro dos períodos de sono, novamente passamos por ciclos, como poderemos ver adiante. Os ciclos diferem de pessoa para pessoa de acordo com a idade, cultura, altitude, temperatura, etc., mas existem como médias, que precisam ser consideradas e respeitadas.
O sonho é tão importante ou mais às nossas vidas que o sono. Existem pessoas que dormem uma noite inteira e por falta de sonhos podem entrar em colapso e adoecer. São as que para dormir tomam soníferos, se drogam, se alcoolizam ou têm seu sono perturbado por qualquer razão, dentre as quais o barulho externo ou a apnéia própria. Os sonhos acontecem num período leve do sono, que os excluídos deles não conseguem atingir, infelizmente.
Também parecem excluídos, mas a melhor palavra seria infelizes, aqueles que não acertaram seu biorritmo e dormem a mais quando não deviam e a menos quando deviam. Estamos falando das vítimas do corre-corre que, para equilibrar suas agendas de compromissos esticam o hoje e assassinam o amanhã, contumazmente, de segunda a sábado e, no fim-de-semana ou feriado acham que podem repor o sono que ficaram devendo às suas vidas. Seria como aquele apressado que não tem tempo para tomar água durante a semana e no domingo quer ingerir todos os litros que ficaram devendo. Isso é uma piada. O nosso organismo, submetido a terríveis pressões de pouco sono, adrenalina constante, refeições agitadas, nenhum tempo para reflexão, contemplação, meditação, oração, se comportará como aquela plantinha de sua floreira que, quando você nega a ela o que lhe é essencial, isto é, natural, ela murchará e poderá dizer adeus à você. Sabe qual é o outro nome que se dá à murcha? Estresse. E sabe qual é a senha de entrada das doenças psicossomáticas? Estresse.