terça-feira, 30 de novembro de 2010

Cadê aquele garotão especialíssimo?

Morreu? Como morreu? Aliás, foi assassinado. Levou sete tiros e foi encontrado à beira de um caminho já em decomposição, sem documentos e levado para o Instituto de Perícias para aguardar que algum familiar depois de dar pela sua falta, viesse fazer a identificação.
Coisa muito triste, muito deprimente, muito revoltante, em todos os sentidos.
Não foi apenas a sua família que acaba de ser atingida por uma tragédia desse porte. O garotão foi induzido a experimentar a droga, repetiu, repetiu mais uma vez, começou a sentir falta dela e daí em diante a consumi-la diariamente, mas não tinha recursos financeiros para bancar o vício. Como era um bom menino, não queria roubar para arranjar dinheiro. Isso mesmo, era um cara legal, de bom caráter. Tem mais. Era muito querido e admirado. Mas, caiu. Não pediu socorro. Bem, a gente sabe que o socorro para esse caso é um grande apoio familiar e uma clínica para se tratar, mas as tais clínicas cobram muito caro. Então, sem pedir apoio e sem se tratar, restou ao garotão negociar um fiado junto do fornecedor, mas não pôde honrar o prazo para o pagamento.
Aí começa o segundo drama, o drama de outro cara, muito mais vítima que réu: o cara que faz o tráfico entre o fornecedor e o consumidor. Qual é o drama? O dono da droga mandou avisar: ou vem o dinheiro daquele bestinha ou você, que vendeu fiado, será castigado. Qual é castigo? Bem, aí a gente precisa descer ao submundo da droga e esse “buraco” é muito fundo e sai “muito caro” chegar lá.
E tem mais, avisa o dono da droga: nada de trazer aparelhos de som, celulares ou jóias para amenizar a dívida, tem de ser dinheiro vivo, nem cheque é aceito.
Só limpa a tua barra se receber ou se apagar o cara. Quer um conselho? Apaga ele pra exemplo de todos os demais.
Então o também bestinha (mais vítima que réu) aquele que faz o tráfico entre o fornecedor e o consumidor, torna-se, pela primeira, mas não pela última vez, assassino.
Se ele ainda tinha a chance de abandonar o “serviço”, quem sabe como motoboy, cobrador de ônibus ou coisa assim, agora não dá mais, ele tem um crime na consciência e não titubeará em partir para outro, outros.
Não foram as duas famílias atingidas, não foram apenas duas vidas destroçadas, dois jovens expulsos da vida, duas famílias atingidas pela desgraça, pela tragédia. A sociedade como um todo, perdeu, perdeu muito. A primeira vítima foi para o cemitério. A segunda está a caminho. Não sem antes matar mais alguém e levar mais famílias para o sufoco.
Do outro lado desse submundo está o consumidor, o viciado, vítima e réu. É vítima quando é induzido a provar a droga. É réu quando não pede socorro.
Do lado de cá estamos todos nós que achamos que nada temos a ver com isso.
Bem até ontem a quase totalidade dos brasileiros, inclusive do governo, isto é, do legislativo, do executivo e do judiciário, estavam imaginando que esse é um problema da polícia. Se é da polícia, o problema não é meu, o filho drogado não é meu, o traficante eu não conheço.
Engano bestial.
É assim que o Rio de Janeiro chegou aonde chegou. No início era só o jogo do bicho, depois vieram as drogas, vieram os bingos, e tudo isso na clandestinidade. O país institucionalizou a clandestinidade, algumas disfarçadas de camelão, outras toleradas nas esquinas com a venda de mercadorias pirata, outras nas disfarçadas casas de jogo. O que dizer das fronteiras, portas de entrada de armas e drogas? Nós não sabemos da metade dos casos de clandestinidade. Lá nos gabinetes das estatais e empreiteiras, o que acontece quando se negocia com o dinheiro público? E assim, etc. etc.
O engano bestial tem início quando o quase motoboy ou quase cobrador de ônibus pondera entre a oportunidade de ganhar 1.000,00 por mês numa atividade lícita ou ganhar isso por semana numa atividade clandestina.
Bem, já que, no geral, o processo cultural ensina que cada um vale pela grana que tem, a opção daquele jovem se dá pela atividade ilícita. E não tem volta. Se ele é experto, depois de muitos crimes, chegará a chefe de uma pequena gang. Se ele é bobinho, acabará com a boca cheia de formiga.
Enquanto isso, eu e você vamos fechando-nos em casa, com medo de sair à rua. Isso mesmo, reféns por opção. Ergue a altura do muro, põe cachorro bravo, põe câmeras, põe vidros fumê no carro, põe carro blindado, o que mais?
Aonde isso vai parar?
Mais cadeia, mais policiais, mais traficantes, mais drogados correndo atrás da droga, mais o quê? Mais tudo!
E você vai ficar aí de braços cruzados esperando que a tragédia chegue à sua porta?
Você precisa escolher!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Sociedade diz não às drogas

Já dá para perceber o alcance do limite. A sociedade se une através de poderosas organizações suas para uma campanha envolvendo advogados, médicos, sociólogos, antropólogos, psicólogos, psiquiatras, religiosos e muitos outros interessados em soluções eficazes ao caos já instalado.
Todos os dias os noticiários são inundados com as notícias do crime: tráfico, roubo, assalto, assassinato, fuga, seqüestro...
Todos os dias é dito que quase todos os bandidos alcançados pela polícia já têm passagem pela polícia, com extensas fichas, já foram condenados por isto ou aquilo e que estavam em liberdade condicional ou haviam fugido da prisão.
Todos os dias é dito que os presídios e penitenciárias estão lotados e que não há mais lugar pra mais ninguém.
Todos sabemos que as penitenciárias ao invés de reeducar, aprofundam o caos humano.
Todos os dias aparece a palavra dos governantes e especialistas recomendando redução da idade penal, mais aparato policial, mais cadeias, mais isto e mais aquilo.
Nenhuma palavrinha sobre a necessidade de fechar a fábrica de marginais, tratar dos viciados, afastar do vício os futuros viciados.
Você, leitor, que trabalha, tem valores morais, é educado e instruído (veja são duas coisas: instrução é capacitação para trabalhar; educação é formação moral) sabe dizer de onde lhe vem a sua índole, os seus valores, as suas virtudes?
Você sabe, desde que você era criança, havia muitas pessoas trabalhando em você aquilo que hoje é sua base moral, do mesmo modo que desde criança muitas pessoas trabalharam no bandido aquilo que hoje ele tem de sobra na senda do crime.
Por isso, ao invés de trabalhar, rouba. Por isso, ao invés de estruturar uma família, estrutura uma gangue. Por isso ao invés de respeitar para ser respeitado, ele agride para amedrontar e se impor.
Então, leitor, você já percebeu, aonde falhamos e aonde temos de atuar para que a fábrica de bandidos seja reduzida a zero ou muito perto disso e para que haja uma luta contínua pela recuperação de quem já caiu nas drogas e pelo afastamento de quem pode estar na fila para entrar no vício.
Sempre que um cidadão como eu e você começamos a falar dessa proposta, mais e mais gente parará de falar de redução da idade penal, de aumento de penitenciárias, de mais policiais e de mais aparato que, sabemos, é nada diante do crescimento vertiginoso do número de novos bandidos e novos drogados. Mesmo que os traficantes se matem entre si pela disputa de "mercado", sempre haverá novo bandido, graças, também, ao crescimento do consumo das drogas, que é a porta de entrada do traficante para o crime.
A sociedade tem de estar falando e propondo a cura dos que já caíram e o fechamento da porta a novos caídos na senda do crime. O que faremos? Está aberta a temporada de sugestões. Vamos trocar as velhas e inócuas sugestões (repressivas apenas) por novas e eficazes idéias (preventivas e corretivas) de como reduziremos o consumo de drogas e de como tiraremos os jovens do caminho das drogas e do crime.
Ligue-se, leitor. Você está sendo chamado a fazer a sua parte.

domingo, 28 de novembro de 2010

Quero voltar a ser feliz!

Fui criada com princípios morais comuns.
Quando criança, ladrões tinham a aparência de ladrões e nossa única preocupação em relação à segurança era a de que os “lanterninhas” dos cinemas nos expulsassem devido às batidas com os pés no chão quando determinada música era tocada no início das matinês de domingos.

Mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades presumidas, dignas de respeito e consideração. Quanto mais próximos, e/ou mais velhos, mais afeto.
Inimaginável responder deseducadamente à policiais, mestres, aos mais idosos, autoridades.

Confiávamos nos adultos porque todos eram pais e mães de todas as crianças da rua, do
bairro da cidade.
Tínhamos medo apenas do escuro, de sapos, de filmes de terror.

Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo que perdemos.
Por tudo que meus netos um dia temerão. Pelo medo no olhar de crianças, jovens, velhos e adultos.

Matar os pais, os avós, violentar crianças, seqüestrar, roubar, enganar, passar a perna, tudo virou banalidade de notícias policiais, esquecidas após o primeiro intervalo comercial.

Agentes de trânsito multando infratores são exploradores, funcionários de indústrias de multas. Policiais em blitz são abusos autoridade.

Regalias em presídios são matérias votadas em reuniões. Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos.
Não levar vantagem é ser otário.
Pagar dívidas em dia é bancar o bobo, anistia para os caloteiros de plantão.
Ladrões de terno e gravata, assassinos com cara de anjo, pedófilos de cabelos brancos.

O que aconteceu conosco?
Professores surrados em salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas janelas e de portas.
Crianças morrendo de fome.

Que valores são esses?
Carros que valem mais que abraço, filhos querendo-os como brindes por passar de ano. Celulares nas mochilas dos recém saídos das fraldas. . . TV, DVD, vídeo-games ....

O que vais querer em troca desse abraço, meu filho?
Mais vale um Armani do que um diploma. Mais vale um telão do que um papo.
Mais vale um baseado do que um sorvete.
Mais valem dois vinténs do que um gosto.

Que lares são esses?
Jovens ausentes, pais ausentes. Droga presente. E o presente? Uma droga!

O que é aquilo?
Uma árvore, uma galinha, uma estrela, ou uma flor?

Quando foi que tudo sumiu ou virou ridículo?
Quando foi que esqueci o nome do meu vizinho?
Quando foi que olhei nos olhos de quem me pede roupa, comida, calçado sem sentir medo?
Quando foi que me fechei?
Quero de volta a minha dignidade, minha paz. Quero de volta a lei a ordem.
Quero liberdade com segurança.
Quero tirar as grades da minha janela para tocar nas flores.
Quero sentar na calçada e ter a porta aberta nas noites de verão.
Quero a honestidade como motivo de orgulho.
Quero a vergonha, a solidariedade.
Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olho no olho.
Quero a esperança, a alegria.

Abaixo o TER e viva o SER!
Teto para todos, comida na mesa, saúde a mil.
Quero calar a boca de quem diz: “a nível de”, enquanto pessoa. E viva o retorno
da verdadeira vida, simples como uma gota de chuva, limpa como um céu de abril, leve como a brisa da manhã.
E definitivamente comum, como eu.
Adoro o meu mundo simples e comum.
Ter o amor, a solidariedade, a fraternidade como base.

Vamos voltar a ser “gente”?
A indignação diante da falta de ética, de moral, de respeito.
Discordar do absurdo.
Construir sempre um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitam as pessoas.
Utopia? Não...
...se você e eu fizermos nossa parte e contaminarmos mais pessoas e essas pessoas contaminarem mais pessoas.
Quem sabe?...
Hein!!!!!!!!!”
(autora ignorada)

sábado, 27 de novembro de 2010

Os sinais dos tempos

O homem sempre olhou para os céus em busca do que podemos chamar de vislumbre de Deus. Os planetas e as estrelas sempre estiveram associados aos deuses, à força magnética de suas influências e foi assim que nasceu a astrologia e os signos do zodíaco, conhecimentos que podem ser inócuos, mas são levados a sério e alguma coisa de influência devem ter.
Estamos há alguns meses de 21.12.2012, marcada para a ser data de uma grande mudança na vida do planeta, como foi aquele que os céus proporcionaram e que os Reis Magos conheciam em detalhe, como sinal cósmico do evento crístico, que motivou sua ida a Belém para encontrar o recém nascido Jesus, como dizem os evangelistas.
Os espiritualistas trabalham a tese de que esse fenômeno e outros que tivemos em suas versões ampliadas ou reduzidas têm conseqüências especiais para a humanidade terrena. Nós somos influenciáveis e precisamos de motivos para acreditar nisso ou naquilo. Considerando o extraordinário Espírito de Luz que habitou em Cristo enquanto Ele aqui viveu, talvez possamos entender a importância da participação do alinhamento planetário como campo de força vibracional para que um ou milhões de espíritos evoluídos possam chegar até as esferas inferiores, como chegou naquela ocasião o Messias e como se acredita possa estar ocorrendo novamente agora com outros messias encarregados de promover novas mudanças.
Não bastasse o alinhamento planetário, os esotéricos também anunciam a mudança da Era de Peixes para a Era de Aquário, que ocorre a cada 2.155 anos terrestres, quando todo o sistema cósmico dá uma volta completa sobre si mesmo e coincide com os tempos atuais.
São acontecimentos que, se examinados à luz das escrituras sagradas, traduzem mudanças brutais no destino da humanidade, como foi o episódio que envolveu Cristo. Ainda que sejamos materialistas, como de fato, muita gente é, é preciso aceitar que magneticamente nossos cérebros são induzidos a vibrar e é isso que ocorrerá. Ainda que com divergências marcantes entre o povo no seio do qual Jesus nasceu e fez questão de identificar-se como Messias, ali houve um evento magnético de extraordinário efeito, hoje reconhecido como a maior manifestação divina na Terra em todos os tempos. É tão grande a importância de seu legado para a humanidade que a quase totalidade dos homens do planeta, inclusive os budistas, para contar o tempo, adotam o calendário iniciado com a data de seu nascimento.
Esse 2012 sugere para o mundo espiritualista uma nova velha leitura, uma nova velha compreensão e uma nova velha consciência e percepção do que sejam as relações entre nós, criaturas divinas e o nosso Criador.

Luz de Epifania

Esta denominação se tornará conhecida como definição da Luz que cada ser humano traz consigo e que suplanta a todas as outras partículas de todo o sistema espectral corpóreo. Alinhada ao processo do pensamento, domina o sistema vibratório humano. É a "Célula Divina do Todo" em nós. Podemos também chamá-la de Espírito. Importa que se lhe compreendamos o papel. O ser humano não é apenas material ou apenas animal. Toda a criação é divina. E o homem, semelhança do seu criador, é dotado de poderes superiores em relação a todo o conjunto no qual se insere. Tais poderes se expressam na manifestação da célula divina que possuímos como partícula de toda a criação. Esse novo conceito se transformará em paradigma frente à nova visão do homem quanto às suas relações consigo mesmo e com o Criador.

Mudanças

Mandados para o corpo carnal na qualidade de aprendizes, nós humanos viemos treinar e exercer na prática o que precisamos fazer depois de formados nesta gigantesca escola, de pensamentos, vontades, comportamentos, atitudes, ações, reações.
Integrados ao processo de evolução, vamos atuando e sendo atuados. Divididos entre ser e ter, nossos processos se degradam e participam do caos, inerente a todo o cosmos em seus ciclos de caos e ordem. O fator catalisador da ordem é a atração exercida sobre a Luz de Epifania pela Luz Maior que a outorgou para a experiência material no Planeta.
A Grande Mudança de 2012 terá significados múltiplos. Não podemos vislumbrar a dimensão dessas transformações porque não temos a compreensão conceitual do todo. Nossa existência terrena é curta demais para isso. Mas, se quisermos olhar para trás e promover uma síntese da história do homem nestes 7 mil anos dos quais temos memória, já podemos avaliar uma minúscula parte da marcha do processo.
A primeira reação que os desavisados esboçam em tempos de mudanças, é questionar se haverá hecatombe e correr para abrigos seguros levando estoques de víveres. Note-se que nem mesmo os animais inferiores, no auge de seu aguçado instinto, têm esse comportamento quando postos a prêmio. Mas, quando a coisa é para valer, como no primeiro tsunami, foram os animais que abandonaram as planícies costeiras. Perceberam? Previram? Têm eles outras sensibilidades que nós não temos?
O que está para vir, como já ocorreu, é a transformação da consciência e da percepção como matrizes das ações e reações. A cordialidade, o afeto, o fervor, a generosidade, a caridade e o amor, grandemente descartados na maior parte do tempo vivido pela maioria dos homens no planeta, estão de volta ao quotidiano. Meditação, respiração, controle mental, programação para estágios de sono, alimentação saudável, exercícios, integração com a natureza, atenção para os nossos sentidos e as manifestações de nosso Eu Superior, é o primeiro degrau para a caminhada que está recomeçando. O segundo degrau é a prática de tudo isso em grupos fraternos exercitando a fraternidade para com todos os outros seres. O restante do caminho será uma descoberta progressiva.

Astrologia

O que os astrólogos reservam para os interessados nos efeitos desse extraordinário espetáculo dos astros que, segundo eles, comandam nossas vidas através de vibrações:
• Favorecimento para troca de modelos político-econômicos;
• Redução da influência dos Estados Unidos da política e na economia do planeta;
• Fase de grandes questionamentos;
• Valorização das questões humanas;
• Beleza, paixão e harmonia serão as palavras de ordem do período, que pode durar 20 ou 2000 anos;
• Possível alteração da posição do eixo da Terra, com conseqüências geológicas e climáticas;
• Os taurinos serão os mais atingidos e favorecidos em todos os aspectos;
• Os capricornianos e virginianos receberão energia positiva em consonância com o novo paradigma em curso;
• Os cancerianos e piscianos também serão beneficiados, podendo crescer no trabalho e se arriscar em novos desafios;
• Os escorpinianos sentirão bastante a mudança: terão de domar suas energias;
• Os leoninos e aquarianos serão chamados a novos desafios;
• Os arianos e geminianos terão ligeiro benefício material;
• Os librianos e sagitarianos sofrerão ansiedades em seus projetos que andarão mais lentamente.

Aguardemos as novidades. Que venham os novos tempos.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

É preciso fechar a fábrica mortífera

Todos os dias os noticiários são inundados com as notícias do crime: tráfico, roubo, assalto, assassinato, fuga, seqüestro...
Todos os dias é dito que a maioria dos bandidos já tem passagem pela polícia, já foi condenado por isto ou aquilo e que estava em liberdade condicional ou havia fugido da prisão.
Todos os dias é dito que os presídios e penitenciárias estão lotados e que não há mais lugar pra mais ninguém.
Todos sabemos que as penitenciárias ao invés de reeducar, aprofunda o caos humano.
Todos os dias aparece a palavra dos governantes e especialistas recomendando mais aparato policial, mais cadeias, mais isto e mais aquilo.
Nenhuma palavrinha sobre a necessidade de fechar a fábrica de marginais.
Você, leitor, que trabalha, tem valores morais, é educado e instruído (veja são duas coisas: instrução é capacitação para trabalhar; educação é formação moral) sabe dizer de onde lhe vem a índole, os valores, as virtudes?
Você sabe, desde que você era criança havia muitas pessoas trabalhando em você aquilo que hoje é sua base moral, do mesmo modo que desde criança muitas pessoas trabalharam no bandido aquilo que hoje ele tem de sobra na senda do crime.
Por isso, ao invés de trabalhar, rouba. Por isso, ao invés de estruturar uma família, estrutura uma gangue. Por isso ao invés de respeitar para ser respeitado, ele agride para amedrontar e se impor.
Então, leitor, você já percebeu, aonde falhamos e aonde temos de atuar para que a fábrica de bandidos seja reduzida a zero ou muito perto disso, como já foi em muitos momentos de nossa sociedade lá no passado ou lá no interior, de onde muitos de nós viemos.
Sempre que um cidadão como eu e você começamos a falar dessa proposta, mais e mais gente parará de falar de redução da idade penal, de aumento de penitenciárias, de mais policiais e de mais aparato.
Todos sabemos que isso é nada diante do crescimento vertiginoso de novos bandidos. Mesmo que eles se matem entre eles pela disputa de “mercado”, sempre haverá novo bandido, graças, também, ao crescimento do consumo das drogas, que é a porta de entrada do traficante para o crime.
A sociedade tem de estar falando e propondo a cura dos que já caíram e o fechamento da porta a novos caídos na senda do crime. O que faremos? Está aberta a temporada de sugestões. Vamos trocar as velhas e inócuas sugestões (repressivas apenas) por novas e eficazes idéias (corretivas e preventivas) de como reduziremos o consumo de drogas e como tiraremos os jovens do caminho do crime.
Que venham as idéias!!!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Quanta mentira e meias verdades!

Muitos milhões de seres humanos continuam, como se crianças fossem, a acreditar no que lhes é ensinado, muito diferente daquele jeito ingênuo, sem maldade, de como, um dia, acreditamos no bom velhinho Papai Noel, ilustre figura invasora dos festejos cristãos.
As mentiras e meias verdades que assolam a vida de milhões (talvez bilhões) de pessoas, são contadas não para encantar a noite de Natal e fazer a alegria da entrega dos presentes aos pequeninos. Estas outras mentiras e meias verdades inauguraram num passado remoto a prática da dominação política, religiosa, econômica e social sobre civilizações inteiras. Se você, por vezes, sente pena do que ocorre em alguns países do Oriente Médio, saiba que conosco, na Europa e América, não é muito diferente.
Quem já tenha lido “A Revolução dos Bichos” (que recomendo) sabe exatamente de que tipo de dominação estou falando: uma coisa cruel que castra o desenvolvimento humano tornando verdadeiras multidões em indefesas crianças intelectuais, muitas delas com formação superior, mas nem por isso fora dessas prisões da consciência.
Houve um dia, está claro que foi assim, que o primeiro dominador ensinou aos seus dominados uma estória, um mito, uma alegoria, evidentemente favorável à sua condição de dominador e, com a repetição, posteriormente a cargo dos pais repassando para seus filhos e para seus netos, tudo ficou consolidado, ninguém mais questionou, virou “verdade”.
São estórias, mitos e alegorias muito perversas. Nem dá para compará-los, como tentei fazê-lo com o caso do bom velhinho invasor da festa da natalidade de Jesus. Também não dá para compará-los com outro ilustre invasor das cerimônias da vitória de Jesus sobre a morte, na Páscoa, o coelho.
A aceitação do Papai Noel pervertendo e ofuscando o principal personagem do Natal e a aceitação do animalzinho (que não bota ovo e não tem nada a ver com a vitória de Jesus sobre a morte), são, por assim dizer, ingenuidades nossas, perpetuadas como tradição, um quase folclore.
As mentiras e meias verdades que o povo engole com ou sem farinha, são coisas muito graves que retardam a evolução do ser humano, tomam-lhe o dinheiro, roubam-lhe a consciência mais pura e têm conseqüências funestas no futuro desses espíritos.
Se fosse pesquisar com tempo e paciência poderíamos encontrar quem foram os maiores mentirosos da História da Humanidade, mas, pelo visto, atirar pedras no passado pouca eficácia teria. O mais correto é despertar as pessoas para crescerem, para deixarem de ser crianças manipuladas por sacerdotes, pastores, líderes religiosos, líderes políticos, líderes empresariais, líderes profissionais, líderes sindicais, todos interessados que seus dominados continuem fiéis aos seus interesses, pagando a conta, referendando, comparecendo, votando, prolongando os seus reinados sobre súditos obedientes, cordatos, dependentes, clientes, tutelados.
O que mais interessa à Humanidade nesta fase em que o planeta se prepara para um Salto de Qualidade quanto à Consciência Universal, é que as “crianças” de 5, 15, 25, 50, 75 anos, se declarem adolescentes e conspirem, questionem o direito desses aproveitadores e se rebelem.
Ao se rebelarem, certamente, serão tentadas a procurar motivos para satisfazer suas curiosidades sobre o que é viver com liberdade de pensamento, liberdade de atitude, liberdade de crença. É quase certo que descobrirão a proposta de Jesus: salvação, isto é, libertação. “Conhece a verdade e a verdade te libertará”, disse Ele. Disse mais, disse: “eu sou o caminho, a verdade é a vida”.
O problema é que torceram muito do que foi escrito nos Evangelhos, moldando-os aos interesses dos dominadores e a História está a mostrar: se domina, se castra, se rouba, se mata em nome de Jesus. Muito longe de salvar e libertar, escraviza-se e aprisiona-se em seu nome.
Aqueles “adolescentes” que conspiraram, no passado, foram chamados de hereges e mandados para a fogueira. Hoje ainda são advertidos de que Deus virá castigar todos aqueles que descumprirem os cânones oficiais das religiões dominadoras. Criaram-se leis pelas cabeças humanas e disse-se que estas leis são de Deus.
Mas, aqueles que conseguem enxergar isso e traçar para suas vidas novos rumos em termos de Consciência Liberta, são os adultos, aquilo que eu chamo, aqui no blog, de “maioridade espiritual”.
Não gosto de descer tanto a detalhes nesta apaixonante questão intelectual, mas, recebo comentários que me obrigam a ir um pouco além para que as fichas comecem cair. Parece que enferrujou tudo e nem com marteladas elas se soltam. Que pena!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Por que tanta mediocridade?

Acho que chamar de mediocridade aquilo que nos insulta é elogiar. A coisa está mais em baixo, é muito pior. E por quê?
Entendo que não temos todas as respostas, mas temos algumas delas.
Numa crônica anterior enfocamos alguns avanços experimentados pela nossa humanidade e citamos especificamente uma época, a da civilização egípcia, tempo de esplendor, em que as pirâmides foram construídas e dos legados deixados por Hermes Trismegistus, que ficaram conhecidos por conhecimentos herméticos.
Por que isso não foi à frente? Cadê os sucessores de Hermes, de Sócrates, de Pitágoras, de Confúcio?
A mesma crônica já referida abordou tratar-se de membros de colônias espirituais dos chamados Exilados de Capela, que passaram alguns séculos reencarnando na Terra para cumprir uma destinação evolutiva. Cumprida a sua missão, retornaram à sua origem, o que vale dizer: nosso planeta ainda é uma criança na escala evolutiva e nossas consciências ainda não podem assimilar muito do que é capaz de caber no saber humano. Estamos a caminho, quem sabe concluindo o primeiro grau da Escola Espiritual. Com muito esforço venceremos esta etapa, chegaremos ao segundo grau e mais além.
Olhando bem, observando com muito carinho qualquer observador notará que somos uma imensa maioria comportada, estudiosa, bondosa, ética, com grandes virtudes postas em prática, mas há uma minoria barulhenta, safada, criminosa, corrupta, ocupando os espaços da mídia em todos os sentidos: violência, destempero moral, putaria mesmo, altos investimentos em produções para vender abobrinhas, enquanto os assuntos de maior envergadura para a evolução da humanidade vão ficando para trás. Pior, enquanto isso, a discussão do que precisa ser feito, não é feita. Os enormes problemas estão aí desafiando a nossa capacidade e nós ficamos vendo palhaçadas – que também é bom – mas, não só.
Um exemplo: você já experimentou assistir televisão, principalmente nos fins de semana, que é quando temos tempo disponível? Você passeia pelos inúmeros canais – televisão aberta – e simplesmente fica enojado. Quando não é um pastor pedindo dinheiro descaradamente, é um programa de futilidades e gozações, seguido de outro explorando as tragédias humanas, seguido de outro com as vídeocassetadas fazendo humor em cima dos acidentes acontecidos ou provocados (aquilo é matéria paga) e até mesmo o Fantástico, que já foi uma revista eletrônica, hoje é um amontoado de vulgaridades. Importantes e inteligentes comunicadores colocam seus talentos a serviço de indescritíveis vulgaridades beirando palhaçadas que, segundo alguns índices, fazem sucesso.
Aquilo que poderia significar avanços para a evolução humana, que existe aos montões, não é mostrado, não serve de exemplo, estamos nivelando por baixo. E bota baixo nisso.
Resumindo: aquela minoria – que talvez vote no Tiririca, aparece mais, tem mais visibilidade, preenche os espaços destinados à intelectualidade, enquanto a maioria silenciosa faz o quê? Talvez você seja um deles e saiba do que eu estou falando.
Acho que tudo começa quando eu não participo da reunião da escola de meu filho, quando não vou às assembléias de meu condomínio, quando não mando carta aos repórteres que fazem os noticiários que quero ver/ler, quando não tenho o telefone/e-mail do vereador ou deputado em quem votei, enfim, enfim, meu caro leitor/eleitor/contribuinte, nós estamos deixando a “vaca ir pro brejo” por pura omissão, preguiça, delegação.
Cuidado, amigo, não tem aquela estória do sapo na panela? É, me lembro de ela ter sido usada num seminário há muitos anos. O sapo demora muito a perceber a alteração de temperatura ambiente. Nós, quando estamos debaixo do chuveiro e a água está muito quente ou muito fria, reagimos imediatamente. O sapo não. Se ele estiver dentro de uma panela com água e o fogo estiver aceso, talvez ele pule fora tarde demais, quando sua pele estiver totalmente queimada. E daí? Você quer continuar sendo sapo?
É isso, o moderador do seminário fez esse desafio que agora está sendo feito a você em relação ao dia-dia de uma sociedade/açude aonde todos nadamos e em que cada dia mais a água está pior. E daí, sapo?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Estaríamos regredindo?

Não há regressão, há uma retomada desde o ponto em que se estagnou.
A pergunta título da crônica de hoje vem a propósito de algumas reflexões que qualquer estudioso pode fazer sobre aquelas épocas de esplendor cultural e religioso anotadas na história de civilizações que aparentemente sucumbiram aqui no planeta.
Por que o esplendor do antigo Egito, do povo da Grécia antiga e mesmo de Roma e de tantas outras não prosperou e não alcança os nossos dias?
Há quem tenha uma bonita tese para levar-nos à reflexão.
Seus autores e personagens não eram deste planeta, estavam aqui.
Mesmo que aqueles conhecimentos tenham sido escritos e deixados para as civilizações subseqüentes, as civilizações subseqüentes não aproveitaram, não deram atenção, não estavam aptas a dar continuidade àquilo.
Isso pode parecer regressão. Mas, não é.
O que temos anotado é que seus autores e personagens vieram encarnar no planeta Terra alguns milênios antes da Era Cristã. Eram legiões de espíritos provindos de Capela (de outra galáxia) para uma incursão educativa e regenerativa, segundo o espírito Emmanuel, através de Chico Xavier no livro “A Caminho da Luz”.
Pela administração da elevada espiritualidade, eles se dividiram em quatro grandes levas humanas aqui em nosso Planeta: os Árias, a civilização do Egito, o povo de Israel e as castas da Índia, cada um desses grupamentos com suas próprias afinidades e problemas a resolver. Com isso deram início à raça adâmica, conforme registra de forma confusa a Gênese bíblica. Até então o planeta Terra possuía apenas seres da raça negra. E também por este mesmo motivo a arqueologia não encontra resquícios ultra antigos dos seres de raça branca. Eles, simplesmente, não existem. Os seres de raça branca vieram de outra galáxia.
À medida que esses espíritos aqui encarnados zeravam suas contas espirituais iam retornando a Capela. Já retornaram quase todos.
Por que aquele conhecimento não se arraigou e não continuou dando frutos aqui? É porque a civilização original da Terra é infinitamente mais atrasada.
Nos tempos atuais, quando temos notícias da encarnação das chamadas crianças índigo e cristal, novamente está ocorrendo um aporte de espíritos desenvolvidos e que muito contribuirão para a evolução da Terra. Os futuros escritores registrarão isso.
Quando se diz que o desafio humano é evoluir, esta meta não pode ser entendida como meta individual. Os clãs familiares, as sociedades, os planetas são desafiados a evoluir grupalmente, coletivamente. É isso mesmo, os planetas também são chamados a evoluir. Esta é a Lei Espiritual.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Nossa evolução através de escolhas

Se a vida é uma Escola, talvez ela comece na Creche. Daí temos duas lições ou duas formas de aprendizados: 1. Enquanto na Creche, dependemos de que alguém nos sirva o alimento, troque nossas fraldas, nos dê banho, troque nossas roupas e nos ensine coisas básicas, e nos conduza entre a creche e o lar, despertando nossos sentidos para ver, ouvir, desenvolver o tato, o paladar e a audição, nossos instrumentos de reconhecimento da vida; 2. Já na Escola, temos de nos valer dos mesmos sentidos já desenvolvidos para aprender e, no num breve futuro, nos fazer artífices iniciais ao produzir nossas primeira obras, a escrita, os desenhos, as contas, a partir das anotações e dos trabalhos de aula ou dos deveres de casa.
Esse é o ponto em que estamos no limiar da Oficina, que é onde dizemos a que viemos. Note-se que existem exímios artífices em todas as profissões. Nada mais são do que veteranos executores daquelas funções sempre mais aprimoradas e sempre chamados a fazer melhor, reciclando suas competências segundo o progresso da Humanidade.
Mas, há escolhas equivocadas e já a partir da Escola começamos a fazer besteira, como bater no professor, fraudar resultados de sabatinas, gazear, brigar, mentir.
Ainda na Oficina, num primeiro momento, nos libertamos daqueles professores que nos ensinam o básico a partir de nossos sentidos físicos e partimos em busca de outros mestres no plano da intuição, do insight, da iluminação, da mediunidade. Com mente elevada chamaremos para perto bons conselheiros ou o contrário.
Uma ordem de coisas nos aguarda num plano onde o instinto, a experiência e a razão não podem operar. É onde entra o talento (engenhosidade), o dom (outorga, dádiva, qualidade), a vocação (chamado, predestinação) e a genialidade (criatividade estupenda). Ou a negação de tudo isso.
A alma, em expansão, pode quebrar a parede da carne, na verdade, a prisão, e comunicar-se por seus próprios instrumentos. É quando iremos entender o que se passa nos sonhos, na telepatia, nas visões, no êxtase e muito mais sobre nossa identidade com a dimensão chamada de divina.
O extraordinário de nossas vidas acontece no plano imaginado, onde a criatividade parece não ter limites, para o bem e para o mal. Tem, no entanto, o cuidado de ser gradual para que o que progresso geral da humanidade possa assimilá-la.
Vamos a dois exemplos clássicos:
a) o computador – inteiramente concebido com base no cérebro e na mente humana, veio como instrumento estimulador do desenvolvimento da consciência;
b) o telefone celular – no mesmo sentido do computador, foi concebido para estimular nossa capacidade mental de poder vir a abandoná-lo para realizar nossas comunicações via telepatia.
No curso da vida, porém, como foi insinuado, iremos encontrar os desatentos, os teimosos, os desinteressados, os irresponsáveis e os ousados, que erram o alvo, saem do caminho, se perdem e se machucam. Então, a vida lhes oferece o Hospital. Existem indivíduos que entram no Hospital, se curam e vão em frente. Outros, porém, fazem do Hospital uma nova creche e ali se entregam aos cuidados dos cuidadores e não querem de curar.
E existem os indivíduos desajustados, carentes de valores, que escolhem destruir, afrontar, corromper, machucar e vão parar na Penitenciária da Vida. Trata-se de um sistema diferente do que nós conhecemos como presídio destinado àqueles que foram condenados pela Justiça dos homens por terem infringido as leis humanas. A Penitenciária Espiritual não recolhe à prisão se não no próprio corpo em sucessivas reencarnações marcadas pelo pagamento, também chamado de carma. Ficamos impressionados, às vezes, com o sofrimento aparentemente sem causa de determinados indivíduos e somos tentados a pensar em injustiça ou azar, mas, na realidade, deveríamos trabalhar a compreensão e o discernimento de que nada acontece por acaso. Seu curso está sempre associado a um outro evento passado, presente ou futuro, a bem da justiça da vida.
Como se vê, cada um de nós escolhe o setor aonde queremos atuar e a forma como queremos obter os nossos resultados.

domingo, 21 de novembro de 2010

Carmas coletivos

Na crônica anterior enfocamos o Haiti, o sofrimento daquele povo praticamente desde que a Ilha foi descoberta em 1492, pois em seguida ao descobrimento, o colonizador ali se instalou e foi buscar na África a mão-de-obra destinada a promover a exploração agrícola e mineradora daquele pedacinho de terra rodeado pelo mar do Caribe, dividindo uma bonita Ilha com a República Dominicana.
A posição estratégica da Ilha no centro do Mar do Caribe, talvez tenha sido o seu pior malefício: despertou a cobiça das potências da época.
Quando os negros do Haiti tentaram fundar a primeira república negra do planeta, a França chegou para organizar a paz e além de sufocar a república deixou um rastro de tragédia social.
Tudo que possa ter sido escrito sobre a trajetória daquela gente, quase unanimemente negra, quase unanimemente escrava, quase unanimemente analfabeta, quase unanimemente pobre beirando a miséria, miserável, hoje, beirando a fome, não justifica a História. Hoje é um país dependente da ajuda internacional para ter assistência médica, para ter acesso a remédios, para vestir-se, para morar (melhor dizendo, acampar, porque milhares deles perderam suas casas no terremoto). Existem milhares de pessoas que perderam tudo e todos. De milhares de famílias só existe uma pessoa e em grande número crianças ou velhos. Não existe emprego, não existe dignidade, não existe ética.
Quando chega um carregamento de víveres, as pessoas se atropelam como animais famintos, pisam por cima de quem estiver à frente, matam em disputa de um pedaço de pão ou de um copo d’água.
As forças de paz, provindas de vários países, inclusive do Brasil, não são propriamente de paz, pois têm de trabalhar como assistentes sociais, como enfermeiros, como policiais, como tutores, algo mediano entre soldado e sacerdote.
Como entender a translação desses milhões de africanos negros desde as suas tribos na costa da África, embarcados já como escravos, muitas vezes arrancados do seio dos seus clãs para trabalhar duro em plantações de cana, café, cacau, algodão, anil sem nada receber, alem de teto, comida e os maus tratos morais do escravocrata?
Como entender tanta gente sofrida nivelada por baixo e abrindo frentes de divergência armada em meio aos próprios da mesma raça, destino, sofrimento e futuro?
Como entender o ideal do homem branco que depois de erradicada a escravidão negra em todos os países da América, ainda mantém um regime de semi-escravidão sem nenhum respeito aos direitos humanos?
Quem é esse homem sofrido, levado à indignidade, à perda de todas as perspectivas e que ao invés de unir-se aos seus iguais para buscar a superação, escolhe lutar contra as demais facções (que possivelmente andem buscando as mesmas coisas)?
E o que são as mesmas coisas buscadas?
O que passa pela mente do excluído a ponto de desviar-se do objetivo maior, que deveria ser a liberdade e a afirmação, para focar-se em interesses subalternos de corporações guerrilheiras, em geral a serviço de um líder e não de todos?
Como explicar a atitude e o comportamento de governos de países desenvolvidos como o são a França e os Estados Unidos, que contribuíram para o caos da sociedade local e depois cruzam os braços para ver até onde irá a perdição de toda esta gente?
Custa acreditar que estejam esperando que morram todos para tomar posse do que sobrar!!!
O que dizer da imprensa internacional que tinha contínuas manchetes para execrar Fidel Castro e seu governo vitalício e sem democracia e não tinha nenhuma frase sobre as barbaridades cometidas pelos Estados Unidos e França sobre outra também ilha, a do Haiti?
Não, a gente não pode pensar que Deus esteja castigando os africanos que foram aprisionados ao seu novo destino no Haiti. Deus não é cruel, apesar de severo; não é vingativo apesar de justo.
Acostumados a lidar com a palavra “carma”, temos de pensar que carma nem sempre é um resgate olhando para o passado. Existe carma de olho no futuro. Mas, os haitianos estão submetidos a uma brutal realidade, fora dos propósitos a que possa se submeter um povo cruel. Mas, não consta que os africanos tenham sido tão cruéis para estarem pagando uma conta tão alta, se considerarmos o carma voltado para o passado.
Seriam espíritos migrantes de outras galáxias, em estágio probatório para recuperar sua dignidade?
Qualquer um de nós deve refletir sobre a questão haitiana e tirar dela uma lição para as nossas vidas, a fim de compreendermos melhor como acontece a Justiça de Deus.
O caso haitiano não se faz a revelia de Deus.

sábado, 20 de novembro de 2010

Haiti, 500 anos de carma

Existem muitas tragédias pelo mundo a fora, mas uma, especialmente, vem chamando a atenção de todos nós: o Haiti.
Só para lembrar aos leitores, havia tropas internacionais atuando ali desde alguns meses em virtude de fortes indícios de guerra civil, quando um terremoto trucidou metade do território com mortes, privação de habitação, falta de abastecimento (água, luz, comida, remédios) agravado agora por um surto de cólera, que parece ter surgido através de soldados da força internacional de apoio.
Não é o fim da picada?
Na verdade, a picada por onde caminha aquela população é, realmente, um calvário: escravidão, intolerância, revolta, desamor, maus tratos com o meio ambiente e com as pessoas, desrespeito, desonestidade, descompromisso, ganância...
Para entender, a tragédia não se dá por conta de um terremoto ou de um surto de doença endêmica. Isso só agravou-a.
Precisamos voltar ao descobrimento da América, com o detalhe de que Colombo aportou as terras americanas bem ali, a algumas milhas de distância da Ilha Espanhola, que abriga dois países, a Republica Dominicana e o Haiti.
O Haiti é cortado por duas cadeias de montanhas, uma das quais veio abaixo com o terremoto há dois anos. Mas, isso é só um detalhe diante do barbarismo criado pelos homens naquele pequeno espaço da Terra.
A Ilha foi uma possessão francesa e nunca, na verdade, experimentou a liberdade, pois os embates entre interesses internos e externos sempre afastaram a possibilidade de liberdade e democracia, desenvolvimento e evolução.
Seu povo, 95% negros, ex-escravos franceses, maioria analfabeta, foi motivado através da Revolução Francesa (1789) a radicalizar o processo de abolição da escravatura, mas sem sucesso. Os dominadores reagiram com truculência. O povo partiu para o revide, mas os empresários de minas, açúcar, café, cacau, algodão e anil contavam com o apoio externo da França e dos Estados Unidos, nacionalidade dos principais dominadores do povo.
A riqueza tirada do solo haitiano era tanta que os Estados Unidos passaram a interessar-se por financiar rodovias, ferrovias e portos.
Mas, as divisões internas e o radicalismo de parte a parte levaram o país à falência. Em 1915 os Estados Unidos invadiram-no para garantir o recebimento dos créditos. Com o apoio militar norte-americano, assumiram os Duvalier (Doc pai e Doc filho), nativos corruptos que se fizeram presidentes vitalícios, numa experiência parecida com a de Cuba, que os Estados Unidos tanto criticam. Daí em diante aumentou o caos e nasceram facções favoráveis e contrárias ao capital estrangeiro. Diante de iminente guerra civil, a ONU e a OEA criaram uma força de paz para intervir no Haiti.
O recente terremoto, a destruição, a fome, a doença e agora o cólera, (o que ali havia não chamava a atenção da grande mídia até então) se encarregam de contar o restante da história de analfabetismo, discriminação, miséria, sujeira, desesperança, doença, dor, morte, ódio, que ali se repetem há mais 500 anos.
Apesar de declarados de fé católica, na verdade a maioria haitiana é adepta do vudu, seita religiosa muito mais agressiva que o candomblé.
O Haiti, hoje, é um dos 25 países mais pobres do planeta e não tem perspectiva alguma de superar-se, a menos que a ONU chame os responsáveis pelo caos a devolver aos haitianos todo o dinheiro que levaram de lá e aplique essa fortuna na recuperação de habitações, hospitais, esgoto, escolas, segurança, etc. a fundo perdido.
Qual será o carma daquele povo?

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

A Voz do Silêncio

O ato de aquietar-me para entrar em contato com a minha própria sabedoria interior.

Quero ouvir com clareza crescente aquilo que os místicos chamam de a voz do silêncio, o som da minha alma imortal, a música eterna que nunca cessa e que só escutamos enquanto nossos ouvidos são tapados por nossa agitação pessoal.
Quem ouve a voz do silêncio recebe um magnetismo vital de grande poder. Não há fonte de energia maior que o contato com o mundo divino.

Quem busca equilíbrio e sabedoria tem fortes motivos para evitar não só o excesso de ruídos físicos, mas também os barulhos emocionais e mentais. A prática do silêncio aumenta o magnetismo pessoal e o poder interior, assim como o barulho e a conversa fútil dissipam energia vital e força magnética. Cada palavra vã ou ociosa que lançamos ao ar nos prejudica. Cada palavra correta que dizemos e cada silêncio adequado que fazemos nos beneficiam.

A prática do silêncio e da palavra correta não é algo simples. Constitui uma ciência a ser buscada e praticada para a vida toda. Nem sempre o silêncio anda junto com a sabedoria: às vezes ele expressa apenas ignorância. O silêncio também pode ocultar a verdade. Pode ser uma forma de mentir, de obedecer ao sentimento de medo, de omitir socorro ou fugir da solidariedade. Se calamos por egoísmo ou por temor, devemos desenvolver qualidades como coragem e lealdade, e aprender a falar sempre a verdade. Mas, se somos sinceros, devemos estudar a próxima etapa, que é o silêncio do sábio.

O primeiro passo pode ser aprender a identificar os vários tipos de silêncio que as pessoas praticam.
Há um silêncio decidido, e outro indeciso.
Há um silêncio seguro e outro inseguro.
Há um silêncio eloqüente e outro que não quer dizer nada.
Há um silêncio poderoso e outro destituído de poder.
Há um silêncio que transmite amor e admiração e outro, indiferença.
E existe um silêncio em que teríamos muito que dizer, mas no qual decidimos manter concentrada e estocada a energia.

“Não degrade a verdade impondo-a a mentes que não a desejam”,
dizem as Cartas dos Mestres de Sabedoria.

“Aquilo que se CALA é tão importante quanto aquilo que se FALA”
ensina Rhada Burnier, teosofista indiana.

Mas, é preciso estar interiormente silencioso e atento para perceber – ou melhor para merecer perceber – o que está implícito nas palavras e atitudes dos outros. Há, como vimos, o silêncio precário e instável de quem reprime um sentimento muito forte de amor ou ódio. Os sentimentos são como água. É perigoso reprimi-los. É melhor canalizá-los de modo útil, em um nível superior, do mesmo modo que se faz com as barragens hidrelétricas, transformando a força bruta das águas de um rio em energia elétrica útil e dócil.

Algumas pessoas escondem seu silêncio sob um mar de palavras sem significado. Esse “silêncio falado” é uma maneira barata de roubar energia magnética do outro. Não é certo usar palavras como cortinas de fumaça. A felicidade interior é produto da sinceridade. A esperteza com as palavras e a manipulação dos sentimentos alheios é fonte de sofrimento para si mesmo e para os outros. A prática da veracidade é uma exigência do caminho espiritual e deve ser exercida com bom senso. A auto-entrega total quando não está acompanhada de discernimento, moderação e abstenção de exageros, é algo que caracteriza mais os tolos do que os sábios. É a abstenção que desenvolve a vontade e a paz interior.

Recuar atirando

Milhões de pessoas se refugiam no barulho psicologicamente ensurdecedor das suas emoções desordenadas ligando o rádio, a televisão ou o aparelho de som a todo o volume. São pessoas que fogem do confronto consigo mesmas distraindo-se com as misérias e dramas, reais ou imaginários do mundo externo. Os estudiosos das táticas militares sabem que quando uma batalha é dada por perdida, para não entregar-se e para evitar cair prisioneiro do inimigo, o comandante manda recuar, atirando. Atirar para dificultar o avanço inimigo. Há pessoas que recuam das batalhas de seu crescimento pessoal, atirando palavras em todas as direções.
Para quem busca a felicidade interior, o auto-conhecimento é inevitável. O auto-conhecimento não é a exposição desordenada de idéias, é o recolhimento para a leitura interior. A prática do silêncio começa no plano físico. A abstenção gradual de filmes e músicas que agitam a emoções, assim como do rádio e de conversas tolas, é um dos primeiros passos. Em seguida, o desafio da prática do silêncio se transfere para o plano das emoções e dos pensamentos. O silêncio emocional é a renúncia a todo desejo dispersivo. Ele abre as portas da paz interior. Concentrar-se no que a vida colocou diante de nós, é o caminho da sabedoria. Fazer o melhor que podemos a cada instante, é o segredo da vitória.

Captar ou Descartar

O uso do silêncio é, pois, um instrumento indispensável para o guerreiro, para o líder, para o mestre que buscam a sabedoria. Mas, o silêncio não significa necessariamente a ausência de palavras. O sábio pode praticar um silêncio setorial enquanto convive fraternalmente com as pessoas, evitando pensar ou falar sobre questões pessoais e mantendo seus pensamentos e palavras em um nível acima das questões menores. A sinceridade com todos deve ser exercida em um plano superior, para que não se transforme em fator de destruição das relações humanas. A construção e a destruição de boas amizades contam com o fator comunicação. São abundantes os exemplos de amizades que terminam na abundância das palavras e de amizades que se afirmam no silêncio dos gestos. Captar ou descartar amizade e amor são também conseqüências dos atos de falar ou calar. A impessoalidade produz paz interior, assim como a preocupação consigo mesmo gera ruído emocional. À medida que o silêncio psicológico se amplia em nossa vida, passamos a poder ouvir com clareza crescente aquilo que os místicos chamam de a voz do silêncio, o som da nossa alma imortal, a música eterna que nunca cessa e que só escutamos enquanto nossos ouvidos são tapados por nossa agitação pessoal. Quem ouve a voz do silêncio recebe um magnetismo vital de grande poder. Não há fonte de energia maior que o contato com o mundo divino.

Barulho

Schoppenhauer afirmava que a inteligência do ser humano está na razão inversa da sua capacidade de suportar barulho. Escorados na lição do filósofo, podemos dizer que a sociedade atual reprime a inteligência principalmente de nossos jovens submetendo-os a toda a sorte de barulho. As atividades que se valem das máquinas de captar dinheiro não carecem de clientes criativos, muito pelo contrário; elas buscam transformar os seres humanos, desde quando ainda crianças em consumidores ávidos, barulhentos, compulsivos, escravos dos seus desejos criados artificialmente. Todos ganham, exceto o cliente.

Inteligência espiritual

Por outro lado, a inteligência espiritual brilha na razão direta do nosso prazer pelo silêncio – nos planos físico, emocional e mental. O amor e a amizade profundos andam juntos com a inteligência espiritual. Quando há verdadeira afinidade, as almas se compreendem sem necessidade de muitas palavras. Então o silêncio não causa constrangimento nem precisa ser quebrado com palavras fúteis, porque é cheio de luz e significado.

Audiovisão

Há também um tipo de silêncio que é feito de resignação. Mas, não é uma resignação acompanhada pela conformação de que se não há outro jeito, deixa como está. É uma resignação sábia. Ele surge em duas hipóteses: a desagradável compreensão de que as palavras são incapazes de traduzir os nossos sentimentos mais nobres e profundos e a generosa compreensão de que o que queremos traduzir não está ao alcance do interlocutor.

Em geral, perdemos muita energia tentando expressar o que não pode ser dito com palavras. Jogamos fora grandes quantidades de energia magnética tentando “impor” ou “vender” aos outros nossas opiniões em discussões intermináveis, até que aceitamos o fato de que as palavras são instrumentos limitados. Elas só podem mostrar algo a quem já tem, dentro de si mesmo, todas as condições de ver aquilo que vemos e vê enquanto ouve. Esse silêncio nasce como um sinal de modéstia inteligente, uma calma aceitação sábia dos nossos limites. Não é por menos que nossos sonhos noturnos são visões e não leituras. Ao percebermos nossos limites na comunicação verbal, percebemos que é inútil pretender só falar quando o que temos a comunicar exige mais que palavras. Aquilo que sabemos, sentimos ou intuímos nem sempre pode ser comunicado, não por outros motivos, é pela simples razão de que para os padrões das comunicações usuais os seus conteúdos são (ainda) intransmissíveis.

“Leituras”

Note-se que os programas de informática possuem ou não compatibilidades que permitem ou não o fluxo, a leitura de uns para outros formatos, como WordPerfect, Works, Macintosh, Documentos HMTL, RTF, Texto MS-DOS, Doc, Dot e outros. Com as pessoas não é muito diferente, isto é, se não trabalhamos a afinidade dos códigos de percepção, decodificação, interpretação e compreensão, jamais chegaremos a comunicar na profundidade que podemos comunicar, entendendo a comunicação como comum relação, comum ligação, comum correspondência, comum reflexividade, reciprocidade, equivalência.

Os seres sábios experimentam a maravilha que é deixar de lado a vontade de falar de tudo que sabemos. Não há necessidade de nos expressarmos com palavras. Menos de 1% delas acabam tendo efeito quando ditas à esmo. O correto é reter silenciosamente as nossas percepções, aprofundá-las até que elas tenham permeado e transmutado todo o nosso ser e só então buscar uma comunicação adequada. A comunicação verbal precoce impede a transformação silenciosa que a verdade produz em nós. Todo discurso emerge de uma prática, mas nenhum discurso é mais forte do que a prática da qual emerge. O silêncio nos dá a possibilidade de praticar o que pensamos, em vez de dispersar energias expressando opiniões, muitas vezes infundadas e passíveis de vícios.

Os dolorosos fracassos nas tentativas de comunicar oralmente, experimentados por muitos líderes, ensinam que o melhor discurso é feito por ações, no poder do silêncio, relatadas depois não pelo próprio ator. Os grandes sábios ensinam que quando não podem ser transmitidos em silêncio, os segredos da vida espiritual são incomunicáveis.

Por outro lado, a renúncia à fala evita a dispersão e preserva a energia sagrada do que foi percebido por nós. A melhor maneira de viver é intuindo, testando, confirmando e aprofundando a vivência direta das nossas verdades.

O Silêncio

Isso mesmo, escrito com “S” e não com “s”, em respeito ao sagrado. Ao lado da palavra, dos símbolos, das imagens, dos sons, dos olores, dos sabores, dos toques, o Silêncio se apresenta como a sagrada morada do amor sublime e da sabedoria. O medo do desconhecido e o apego à rotina nos faz exagerar o papel das palavras em nossa vida. O amor sublime e a sabedoria são sempre mutilados quando os arrastamos para o território das palavras na tentativa de obter segurança. As palavras podem ir até o nível do supremo, mas o supremo não pode ser trazido para o nível das palavras. Não no todo. Só em parte.

Os pais mais ensinam seus filhos em silêncio, pelo exemplo, do que pelo uso das palavras, geralmente em excesso. Nem sempre os pais são sábios e nem sempre os seus exemplos são bons. Os instrutores espirituais autênticos falam e escrevem, mas sabem que toda transmissão verdadeira de sabedoria é silenciosa, independente do que possa ser dito ou escrito. Sabem que nunca o conteúdo transmitido é o mesmo recebido. E sabem que a verdadeira construção da sabedoria não é derivada do ato de uma mente depositar fórmulas em outra, mas do ato de uma mente estimular a outra a buscar suas fórmulas próprias. E tudo é sabedoria. A sabedoria não é patenteada. É como a luz, que não escolhe criar zonas de sombra aonde vai.

Comum União

O Silêncio é o território da percepção direta e da comunhão, comum união, que é onde também ocorre a comunicação (ato de comum nicar = integrar). É nele que ocorrem as coisas mais importantes da vida: a fecundação. É sempre em momento de silêncio que brilham o amor, a compreensão e o relâmpago de intuição. O Silêncio físico contém todos os sons, todas as músicas, todos os ritmos, assim como o espaço físico absoluto e infinito contém todas as estrelas, galáxias e planetas. No Silêncio psicológico, o meditador e o místico se unem finalmente a seu verdadeiro eu e compreendem todas as coisas ao mesmo tempo. A Superior Inteligência do Universo repousa no Silêncio, onde pode ser acessada por quem estiver à altura de merecer percebê-la, comunicar(-se) com ela.

O sábio guarda o Silêncio dentro de si em todas as ocasiões. Ele se emociona, sim. Ele expressa seus sentimentos, luta, se esforça, é derrotado e vence. A diferença é que seus objetivos são altruístas. Por isso o Silêncio está ali o tempo todo ao lado dele, aconselhando-o. Ele não obedece a emoção como se ela fosse um comando para a ansiedade, a irritação, o medo, a luta. Ele busca conhecer as razões da emoção e atua na sua potenciação criadora.

O sábio sabe que é melhor amar que ser amado, curar que ser corado, carregar que ser carregado, servir que ser servido, iluminar que ser iluminado. E compreende silenciosamente as razões da existência do cosmos, das plantas, dos peixes, das aves, dos animais, dos homens, da chuva, do frio, do calor, da luz...
...assim como compreende e conhece a si mesmo.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Uma entre muitas razões para aceitar a reecarnação

Eu sei, pai, você é um cara legal, ficou imensamente feliz com a chegada de seu filho, curtiu demais o desabrochar daquele serzinho frágil, cobriu ele de carinho, acompanhou seu crescimento, fez o que pôde quanto a propiciar-lhe a melhor escola, as melhores companhias, o melhor conforto possível e ele se fez homem. Está como você planejou. Agora ele pode tomar suas próprias decisões e, você, pai, pode ficar à distância torcendo pelo crescente sucesso e evolução dele.
E de fato, o garotão é muito querido pelos amigos, anda sempre rodeado por uma turma que com ele fez o colegial, o segundo e o terceiro grau.
Mas, houve um problema, um problemão: uma madrugada destas, ao voltar da balada, ele estava acima da velocidade permitida e perdeu o controle do carro que dirigia, avançou sobre a calçada, ao lado do ponto de ônibus, bateu no poste, projetou o veículo sobre aquelas pessoas ali paradas e a tragédia não poderia ser maior: perderam a vida quatro pessoas paradas no ponto de ônibus e duas que estavam dentro do automóvel. O garotão escapou todo quebrado, mas voltará à vida normal tão logo cicatrizem os ferimentos.
E agora, pai, seu filho é um assassino, precisa ser levado ao fogo do inferno de onde nunca mais sairá. Esta é a lei de inúmeras crenças religiosas, inclusive da sua, pai. Se você é pai como tem sido apresentado o seu deus, nem mesmo uma visita a ele você deve fazer. Ele cometeu o pecado capital, merece a pena capital. Fim.
Que pena, não? Um jovem com 26 anos, menos de um terço de sua existência terrena, com todas as chances de refazer-se, pagar as suas dívidas, ser resgatado perante o Grande Amor Universal...
Que pena, não? Ter ele negada a possibilidade, a chance...
Que pena, não? Ser ele proscrito, levado a enterrar um brilhante futuro apenas porque em algum texto escrito pelos homens está dito que os pecadores serão condenados eternamente ao inferno...
Não, pai, com certeza o seu grande amor paternal não deixará que isso aconteça. Agora é sua hora, pai!!!
Você também irá buscar esclarecimentos do por quê que algumas pessoas nascem aleijadas, deficientes mentais, portadoras de doenças crônicas, enquanto, na mesma família, outras nascem saudáveis e geniais.
É isso, pai, o seu filho cometeu um erro brutal. A sua vida terá de dar uma guinada de 180 graus. Mas, não será o fim.
Ele começará a trabalhar para ter recuperada a sua dignidade, através de um sem número de ações do bem. Mesmo que leve 500 anos ou mais, essa criatura que você tanto ama terá a oportunidade de resgatar-se, regenerar-se, pagar todas as suas dívidas e seguir em frente para um destino glorioso daqui a alguns séculos.
Não será esse o desejo, a intenção, a atitude, a ação de um pai generoso e amoroso, como você quer ser?
Qual dos dois deuses você escolhe para presidir o júri em que seu filho será julgado? Um deles nem julga, já julgou, já tomou a decisão de condenar por antecipação para toda a eternidade os réus culpados. O outro, conduzirá o réu diante de sua própria consciência e dirá: filho, você pode escolher a intensidade, o tempo e a forma de como você quer recuperar-se e nós estaremos aqui torcendo pelo seu retorno à dignidade perante a vida.
Escolheste? Então, vamos à luta, a vida está a espera.
O que você leu é uma simples metáfora. Numa das situações está o deus xerife, o deus juiz, irado, severo, austero, irascível, irredutível, pintado e bordado pelas religiões herdeiras das tradições judaico-cristãs que alcançam os nossos dias e que mantêm um discurso insustentável de que as pessoas vivem apenas uma vida e são obrigadas a aceitar tudo o que lhes acontece sem terem sido consultadas (casos dos defeitos físicos, genéticos e das doenças) e também sem chance de repararem os erros cometidos deliberadamente ou cometidos por indução cultural ou por acidente.
Na noutra situação está o deus-pai, amoroso, educador, o deus da recuperação, da transformação, da evolução, da oportunidade, aquele que investe tudo o que pode no resgate de seu filho para uma vida digna e que lhe põe a disposição todo o tempo possível para que ele decida refazer o caminho andando pela luz.
Você decide em que júri quer ser julgado.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O trabalho

Em algum momento da História do Homem, na escravidão, por exemplo, trabalhar era depreciativo, coisa para a escória, para escravos e animais. Mas, nada fazer também era vazio, sem importância. Nesse ponto surge a negação ao ócio, logo reduzida para “negócio”. O homem de negócios era aquele que fazia algo, discutia algo, vendia algo, comprava algo, pagava, investia, chefiava. Estava nascendo o empresário, o líder político.
Era tão confuso o entendimento do trabalho para senhores e escravos que, alforriados, muitos ex-escravos buscavam tornar-se verdugos de seus próprios ex-companheiros de infortúnio; decretada a abolição da escravatura e obrigados a trabalhar, muitos ex-senhores de escravos preferiam o suicídio.
Trabalhar não pode ser confundido com sofrer, apesar das conotações equivocadas e das tiradas filosóficas confusas somadas aos ditados populares: “aquele lá só dá trabalho”, este usado para qualificar alguém que causa problemas.
A natureza inteira trabalha, labora, e nunca demonstra insatisfação por isso, pois se veste de cores e entoa cânticos de grande harmonia enquanto trabalha ou labora.
E assim nasce uma segunda palavra para expressar o ato de fazer: laborar, proveniente do ato de lavrar ou lavorar, abrir sulcos para depositar as sementes na terra, fazer lavoura ou também para elaborar, criar, inventar.
Na mais recente interpretação para o trabalho, os pensadores modernos afirmam que tudo é energia e que energia só é energia se estiver em movimento, vibrando. Por isso, as árvores, as plantas, os peixes, as águas, os ventos, os pássaros, os animais, os cosmos trabalham permanentemente em prol da vida, do movimento das energias. Portanto, na qualidade de mais um componente da vida, cabe ao homem também trabalhar, como trabalha seu coração, seus rins, etc. em prol da vida. Sem o trabalho, o homem é sinônimo de estagnação e estagnação energética é uma doença, é a putrefação, é a morte. Sem trabalho, o homem é um doente que precisa mexer-se, do mesmo modo que se mexem todos os seus órgãos para que ele, homem, possa estar vivo.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Ligar-se ao Grande Pai e à Grande Mãe

Os conhecimentos sagrados ensinam que o ar é o fio condutor do homem ao Grande Pai/Grande Mãe Universal.
Interagir com o elemento ar, é conectar-se ao divino.
Mas, nenhum aprendiz será completo se não conhecer a Deus.
Quem é Deus?
Nem mesmo o homem sabe quem é.
Pretender perquerir Deus pode ser excessiva ousadia.
Quem sabe se ao procurar por si mesmo homem acabe encontrando-se com Deus.


A quase totalidade dos ocidentais, por influência da Igreja Romana, aprendeu a crer numa divindade celeste, inacessível, apresentada segundo a imagem do homem, não raro pintada na pele de um Javé austero, barbudo, severo monarca, concebido para presidir um reino dentro de cujas fronteiras a sua vontade é soberana: dá e tira, concede e pune, julga e perdoa.
Jesus Cristo, reiteradamente apresentado como Seu Filho e assim auto-apresentado, também foi por Roma promovido a Deus. Se a imagem física de Deus já era humana, o fato de Jesus ter sido homem e elevado ao céu como tal, reforçou a idéia do homem-Deus.
A proposta deste trabalho não é desfazer esta imagem, nem apresentar outra e sim avançar na difícil tarefa de procurar por Deus.

Dualidade

A herança transmitida aos cristãos pelas religiões nascidas com Abraão, leva-nos ao Gênese (1: 26, 27 e 28) e lá está escrito: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra ... Enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra. Eis que vos dou toda a erva que dá semente sobre a terra e todas as árvores frutíferas que contêm em si mesmas as sementes ...”
Por sua conta e interesse, o homem acrescentou: alguns humanos não são gente e o uso e abuso do esforço alheio, a escravidão, a semi-escravidão, o sub-emprego, a irresponsabilidade social, também estão autorizados por Deus.
Deus está no céu, é um ser sobrenatural. O homem está na terra e não pertence a ela, está acima dela. Note-se a separação, a dualidade. Na prática, o homem passou a administrar seus privilégios em relação a Deus e à Natureza. As conseqüências dessa cultura parecem estar claras.

Espiritualidade

Mesmo como seres de carne e osso e apesar do privilégio em relação a todo o resto do mundo natural, alguns homens foram além: acrescentam-se-lhes ao corpo a alma, o espírito, o ente capaz de sobreviver à morte. E apesar disso, dentro de uma normalidade cultural, esse ser capaz de muitas coisas, depois de reinar sobre toda a natureza, usar e abusar dela, descansa em paz, sem erros e culpas. Pode morrer em paz, ainda que o mundo natural e as gerações futuras estejam ameaçadas. A maioria das religiões tolera esse entendimento entre os seus fiéis e perdoa-lhes as faltas. O mundo onde se insere o homem ocidental move-se sobre esse tapete cultural.
Também ocidentais, porém mais profundos, os espiritistas definem um karma para o homem e compreendem que a colheita não pode ser outra senão o resultado do plantio. Mas, ainda assim, para a imensa maioria espírita, o meio ambiente não está necessariamente incluído no ciclo plantar-colher.
O que pode significar a “luz no fim do túnel escuro” é a minúscula, porém crescente comunidade de homens muito mais perceptivos, sensíveis, eticamente preparados por atitudes e ações, que promovem a inversão do paradigma e, no final, definam quem obterá a efetiva colheita. Para esses, o corpo humano é um feixe de energia cósmica (divina) que possui um corpo físico, não o contrário. Nosso corpo é dado por empréstimo pela natureza. Em determinadas condições, podemos usá-lo com sucesso durante um certo tempo. A colheita será dada não a um homem, ao homem indivíduo e à toda a espécie, notadamente à sociedade à qual o indivíduo estiver vinculado. Enquanto isso, cada homem estará voltando à matéria, em sucessivas encarnações no corpo atômico denso, respondendo por si e pelos seus semelhantes com os quais compactua, até que sejam dignos de viver e desfrutar aqui mesmo no planeta e na dimensão cósmica (divina). Este deve ser o entendimento do que está escrito em Mateus 22; 36ss: “Amarás o Senhor teu Deus (suas leis e suas obras) de todo teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Amarás teu próximo como o ti mesmo”. Respeitarás tudo isso não por medo, por amor. Serás um ser ético não por que exista um olho a vigiar-te, mas porque tu escolheste este caminho.
Agora o principal: por este entendimento, Deus não está no céu, está em todos os lugares e se manifesta através de toda a natureza, sua obra, homem no meio. A natureza é um todo. Nada é separado. O corpo do homem é dado pela natureza, que é a manifestação física de Deus. O espírito do homem é dado por Deus e adquire poder manifestado na natureza. O amor a Deus sobre todas as demais coisas, inclui a natureza. O amor ao próximo como a si mesmo, inclui todos os homens e também a natureza. Este é um novo homem sob uma nova ótica, um novo paradigma, uma nova ciência, uma nova filosofia e uma nova religião. Do ponto de vista científico e filosófico, sempre foi assim. Do ponto de vista religioso, para os ocidentais, desde Cristo é assim, mas foi alterado. Os interessados em alterar isso têm ou tiveram interesses pelo domínio da natureza inteira, onde os homens sempre estiveram incluídos, mas tiveram um sacerdote ou um pastor a aliviar-lhes as culpas. Desta forma, acabou-se o amor responsável pelo entorno da vida do indivíduo e implantou-se o respeito às Leis Naturais por medo do olho do fiscal e não por aquisição de consciência própria.

Tudo é evento

A física tem contribuído para a elucidação da maioria dos equívocos que, por dogma, acabam incomodando a verdade científica, filosófica e religiosa. Em definições recentes, a física quântica ensina que nada é permanente, estamos caminhando, somos eventos a caminho de novo evento, a verdade não é estática, ainda que eterna. Ela é eterna porque sempre haverá. Mas a verdade de ontem está superada pela verdade de hoje. A árvore e o homem que você vê agora, são verdadeiros, mas a cada minuto serão outros, ainda que verdadeiros.
O conhecimento útil ao homem de 5 mil anos passados não é o mesmo conhecimento útil ao homem de hoje. Se a evolução do homem dependia de uma sacudida em sua vontade e auto-estima lá no longínquo passado, chamando-o a palmilhar caminhos diferentes que os caminhos reservados aos peixes, às aves, aos animais e vegetais, hoje a sacudida é outra: o homem precisa aprender a ser irmão das estrelas e árvores para que a sua evolução se complete antes que o planeta seja destruído por essa falta de fraternidade/responsabilidade.
Se todo o conhecimento se altera a cada minuto e duplica em volume a cada 28 meses (esse tempo já está superado para a próxima duplicação), os religiosos deveriam acautelar-se em insistir como atuais os conhecimento velhos e como aplicáveis os escritos de milênios passados, ainda que verdadeiros e eternos (para a época) como história.

O que é sagrado?

Um conhecimento que não se pderdeu e não pode ser alterado porque repousa nas Leis Naturais, nos vem dos velhos xamãs e pode contribuir extraordinariamente para o novo paradigma "Deus-natureza-homem": ensina que “sagrado é tudo aquilo que não dominamos”. Logo, uma minúscula semente de girassol ou de alface, que traz na sua programação mistérios fora do alcance do homem, é algo sagrado; se o homem não consegue inventar a folha da árvore, como tudo mais que nos rodeia nas mesmas condições e fora do nosso alcance como criadores, tudo é sagrado. Todos os órgãos humanos (coração, pâncreas, rins, pulmões, etc.), ainda que dissecados, tratados, transplantados pela moderna medicina, estão longe de estarem ao alcance do homem como inventor. Estarão ao alcance quando o homem estiver apto a substitui-los por algo de igual desempenho e praticidade, criado pelo homem. Aliás, o homem não deveria querer substituir Deus e sim entendê-lo, ajudá-lo, complementá-lo. No terreno dos dogmas, quem poderia desejar substituir Deus, é o diabo. E quem é o homem?
Iniciamos este artigo indagando se ao encontrar a si mesmo o homem não estaria encontrando a Deus. Nunca pareceu tão verdadeira essa possibilidade. Num exercício filosófico, o que mais o homem deveria procurar é a si mesmo. Quem sabe nesta busca ele descubra sobre viver, ressuscitar, reencarnar, resgatar erros passados ou torná-los zerados sempre que comece uma nova etapa existencial. O que não dá mais para protelar é essa discussão inócua de quem tem razão e de quem será salvo.

BIBLIOGRAFIA:

Allègre, Claude. “Deus e a Ciência”, EDUSC, SP, 2000
Chopra, Deepak. “A Cura Quântica”, Best Seller, SP, 1999.
______________“Conexão Saúde”, Best Seller, SP, 1999.
______________ “Saúde Perfeita” Best Seller, SP, 2000.
______________ “Vida Incondicional”, Best Seller, SP, 2000.
Franco, Homero Milton. “A História da Ciência, da Filosofia e da Religião, Estudo Comparativo”, Monografia, Florianópolis, 2000.
Gaarder, Jostein, “O Livro das Religiões”, Cia. das Letras, SP, 2000.
DOUTRINA DA IGREJA CATÓLICA E APOSTÓLICA ROMANA, contida na Bíblia Sagrada e em dezenas de outras publicações.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Os cinco elementos

Terra

O elemento terra se apresenta na natureza através dos grânulos das decomposições geológicas, formando camadas a partir dos solos férteis onde vivem milhões de minúsculas vidas e onde convivem os nutrientes que alimentam plantas, peixes, aves, animais e homens.
A partir de suas composições anteriores e posteriores ao seu estado natural,o elemento terra interage com os outros elementos e se desdobra em expansão ou contração.
É quando temos
as Pedras,
as Madeiras,
o Pólen,
a Areia,
os Metais,
os Cristais.
O gnomos, que são espíritos primários da natureza, ajudam no crescimento do amor, da comunicação, da atenção, da produção e na alimentação através de raízes, caules e grãos e na busca de associações e uniões.
Sua hora mais propícia é a primavera do dia, entre 4:00 e 10:00h.
Contato:
descalço, sobre a terra, concentrado, olhos fechados, expandindo a percepção pelos sentidos e pela intuição.
O normal é sentir formigamento na sola do pé, mas as pessoas podem experimentar outras sensações.

Água

O elemento água se apresenta na natureza em seu estado líquido,sendo encontrado nos mares, lagoas, rios, vertentes e subsolo.
A partir de suas composições anteriores e posteriores ao seu estado natural, o elemento água interage com os outros elementos e se desdobra em expansão ou contração.
É quando temos
o Vapor,
o Sólido
o Gás
a Fusão,
a Sublimação,
a Condensação.
As ondinas, que são espíritos primários da natureza, atuam na obtenção de compreensão e sabedoria para uma vida harmoniosa com os demais seres,e ajudam nos movimentos corporais e na evacuação dos resíduos do corpo.
Sua hora mais propícia é o outono do dia, entre 16:00 e 22:00 horas.
Contato:
água corrente ou chuveiro tocando o corpo ou parte dele.
Olhos fechados, expandindo a percepção pelos sentidos e pela intuição.
O normal é sentir sudoração notadamente nas mãos, mas as pessoas podem experimentar outras sensações.

Ar

O elemento ar se apresenta na natureza em seu estado original,como oxigênio, sendo encontrado em todos os chamados vazios naturais e mesmo em outros locais nem tão vazios assim.
A partir de suas composições anteriores e posteriores ao seu estado natural,o elemento ar interage com os demais elementos e se desdobra em expansão ou contração.
É quando temos
o Nitrogênio,
o Argônio,
o Neônio,
o Hélio,
o Metano,
o Criptônio.
Os silfos, que são espíritos primários da natureza,atuam na harmonização do poder e na tomada de corretas decisões,e ajudam nos movimentos destinados a organizar e disciplinar interesses. Também atuam na purificação corporal, limpando o sangue, os rins e o fígado.
Sua hora mais propícia é o inverno do dia, entre 22:00 e 4:00 horas.
Contato:
de frente para a brisa, concentrado, olhos fechados, expandindo a percepção pelos sentidos e pela intuição.
O normal é sentir momentos de leveza corporal e pureza plena, as pessoas podem experimentar outras sensações.

Fogo

O elemento fogo se apresenta na natureza em seu estado original,como a luz do Sol ou as chamas do fogo, que a reproduzem,sendo encontrado em todos os locais onde penetre a luz.
A partir de suas composições anteriores e posteriores ao seu estado natural,o elemento fogo interage com os demais elementos e se desdobra em expansão ou contração.
É quando temos
A Brasa,
O Raio,
a Faísca,
o Vulcão,
a Energia Elétrica,
o Eletromagnetismo.
As salamandras, que são espíritos primários da natureza,atuam na ampliação da visão, na quebra de fronteiras, na impulsão dos projetos e na purificação dos pensamentos e dos ideais.
Também atuam na harmonização dos campos das energias humana e universal.
Sua hora mais propícia é o verão do dia, entre 10:00 e 16:00 horas.
Contato:
Expondo a maior parte possível do corpo aos raios solares ou à chama do fogo, concentrado, olhos fechados, expandindo a percepção pelos sentidos e pela intuição.
O normal é sentir o calor penetrar para dentro do corpo, mas as pessoas podem experimentar outras sensações.

Terra/Água/Ar/Fogo/Éter

As disciplinas que estudam elementais, numerologia e psicologia, em alguns pontos do Planeta recomendam o 5º elemento (Éter), falam das propriedades do número 5 e decodificam o 5º Campo do Homem, como tentaremos descrever.
Na Índia, a deusa Indra estava associada ao 5º elemento (Éter) e, pela fisiognosia, associa-se ao sentido da audição.
Enquanto os quatro elementos básicos respondem pela animação da vida animal, o 5º elemento responde pela animação da vida espiritual.

Na numerologia, o número 5 representa a liberdade, a mudança, a viagem,a aventura, o progresso, a versatilidade.
São atributos inegavelmente associados ao espírito, pois nenhuma liberdade pode ser maior que a vida espiritual que, por sua vez, é uma mudança, uma viagem, uma aventura, um progresso e uma versatilidade, como se disse.

A Psicologia racionalista se detinha nos estudos dos campos físico, afetivo, cognitivo e volitivo do homem, até que concluiu que os animais irracionais também apresentam essas mesmas características e, portanto, o homem em nada se diferenciava deles a não ser pela intensidade e profundidade dos respectivos alcances.
Foi assim que o quinto campo passou a integrar a área dos estudos: o campo espiritual.

Se tomarmos o elemento Terra associado ao campo físico, o elemento Água associado ao campo afetivo, o elemento Ar associado ao campo cognitivo e o elemento Fogo associado ao campo volitivo, é óbvio que o 5º elemento e o 5º campo se encaixam perfeitamente um ao outro: são espirituais.

O quinto elemento não se desdobra em novos estados, apenas se compõe.
O espírito, ao que se sabe, também não transmuta, apenas visita o corpo físico e dele se desprende para retornar ao seu estado natural, que parece ser energético e fluídico.

domingo, 14 de novembro de 2010

Compromisso com o Sagrado

Quero despertar o caminhante que vive em mim.
Quero cultivar meus deveres de caminhante.
Quero ser o guardião dos mistérios do clã que me gerou.
Quero estar pronto para o chamado dos espíritos que viveram antes.
Quero merecer a confiança dos Grandes Espíritos da Terra,
da Água, do Ar e do Fogo.
Quero servir, curar, aprender, liderar, ensinar, prever.
Quero ser o guardador dos mitos e lendas da minha gente.
Quero contar histórias, cantar, dançar e fazer silêncio sempre na hora certa.
Quero manipular ervas e dirigir rituais que me façam digno da vida.
Quero circular energias.
Quero aplicar minhas virtudes.
Na Terra, quero plantar as sementes do amor e da fé, que alimentam o corpo e a alma, e ainda na Terra quero construir os caminhos que nos levem à Casa do Grande Espírito Soma do Todo.
Com a Água, quero saciar a sede de felicidade e lavar e refrescar o corpo e a alma de toda minha gente.
Com o Ar, quero distribuir as boas novas, as revelações que penetram e animam nossos corpos, limpam o nosso sangue e arejam nosso espírito.
Com o Fogo, quero transmutar nossos medos, aquecer nossos corações e iluminar nossos caminhos.

Quero ter gestos de devoção e gratidão a toda a graça da vida...
Que se expressa numa planta de cresce e dá frutos e sementes;
Que se expressa numa flor que se abre e revela a compaixão da terra e dos solos;
Que se expressa num pássaro que voa e canta e revela a liberdade do ar e a harmonia dos ventos;
Que se expressa num peixe que nada e saltita e revela a coragem de oferecer sua única vida para que outras vidas possam existir;
Que se expressa numa cobra que desliza, se retorce, salta, imita e reproduz uma labareda, expressão da transformação do fogo e das chamas.

No gesto da árvore, a doação.
No gesto da flor, a beleza.
No gesto do pássaro, a certeza da confiança no ar.
No gesto do peixe, a ousadia das profundezas do amor.
No gesto da cobra, a transcendência de nossas caminhadas.

Ao andar pelos caminhos que me levam à cura, à sabedoria, à liderança e ao mestrado, descobri dentro de mim o poder, a sabedoria, o desejo de servir e a humildade de ouvir e aprender.
Reforcei minha convicção de que existem poderes ou energias transcendentes,
que atuam no mundo sobre todas as coisas e que interage conosco em pensamento, sentimento, intenção e ação.
Entendi que a pessoa precisa de fé para estabelecer relação com o poder transcendente.
Precisa acreditar.
Precisa oferecer-se.
Precisa experimentar.
Precisa sentir.
Precisa perceber.
Precisa intuir.
Precisa respeitar o sagrado.
Aprendi que sagrado é aquilo que não pode ser descrito;
aquilo que é mistério e fascínio;
aquilo que o homem não pode explicar ou entender.

Aprendi que o que é sagrado é puro, ou deve tornar-se.
E que o que se torna impuro, é profano.
Que tudo o que possa pôr em perigo a relação do homem com o sagrado,
contém impureza, desvio, doença, decomposição, morte.

Aprendi que há quatro aspectos que compõem o culto ao sagrado:
a Purificação – para que os males sejam varridos das vibrações do caminhante;
o Sacrifício – espécie de oferenda, que signifique reverência, respeito;
a Oração – para que a comunicação se estabeleça e a interação aconteça;
a Refeição Sagrada – para que o sagrado natural que se introduz no corpo,
se faça com o maior respeito pelo sagrado que também o recebe com o maior respeito.

Aprendi que nós, os caminhantes das veredas siderais nos comprometemos nosso tempo diuturno em permanente ritual...
de purificação,
de sacrifício/oferenda,
de oração e refeição sagrada.

Tudo é sagrado:
o ar que respiramos e que toca nossos corpos;
os líquidos que bebemos e que nos lavam;
os sólidos que engolimos e de que nos servimos;
a energia/calor ou frio que manipulamos e de que nos servimos;
Todos eles os temos como dádivas sagradas.

Como caminhantes, as nossas vontades, os nossos pensamentos, as nossas atitudes, as nossas ações estão dirigidos para o sagrado que somos,
para o sagrado onde estamos e para o sagrado que criamos e transformamos.

Sagrado, para nós, caminhantes, é o nosso senso de responsabilidade,
a nossa consciência para com nosso conjunto de princípios e valores.
Sagrado, para nós, caminhantes, é a expansão de nossos horizontes,
que se entrelaçam com nossa responsabilidade.
Sagrado, para nós, caminhantes, é nossa consciência e nosso coração,
que desde o profundo de nós mesmos se projetam até onde nossa consciência alcança.
Sagrado, para nós, caminhantes, é usar o cérebro, o raciocínio, a capacidade
e a criatividade para aplicá-los da melhor maneira,
segundo discernimento responsável,
segundo consciência do bem
e segundo os valores do amor.
Sagrado, para nós, caminhantes,
é ter horizontes éticos,
coração caloroso,
cabeça fria
e mãos para a obra,
para a prática coerente, conseqüente.

Sem isso, não há caminhante,
não há vida,
nada é Sagrado.

sábado, 13 de novembro de 2010

Por que as pessoas mais se reúnem?

Costumeiramente vemos pessoas reunidas pela dor. Outras vezes, reunidas pelas perdas de entes queridos. As vemos reunidas pelas tragédias, furacões, terremotos, ciclones, tsunamis. Um pouco mais raramente talvez as encontremos reunidas em protestos, passeatas, reivindicações. Também as vemos reunidas pela diversão.
Nestes últimos dois casos, a palavra reunião não se aplica tão bem, pois a semântica da palavrinha reunião sugere unir outra vez aquilo que estava separado. Os motivos que reúnem pessoas para se divertir ou para protestar/reivindicar têm como ponto comum uma busca, seja por diversão, seja por interesse.
Abstraindo-se os pequenos grupos que se identificam por amizade ou interesse, no geral, as multidões freqüentadoras de grandes eventos destinados às diversões, são estranhas entre si. O mesmo se dá, no geral, quando há uma passeata, um comício, um protesto.
Mas, se formos tomar o encontro daqueles que padecem de dor, talvez possamos encontrar ali pessoas que com grande facilidade se tornarão conhecidas, solidárias, amigas. É isso que se vê nos hospitais, em família ou nas casas assistenciais dedicadas a cuidar de pessoas portadoras de dor.
Se formos tomar o encontro daqueles que lamentam a perda de entes queridos, talvez os encontremos nos velórios e enterros e novamente aí a figura do falecido é o elo existente entre todos.
Se os tomarmos os flagelados por fenômenos naturais, talvez os encontremos em abrigos improvisados, onde também reina um espírito de grande afinidade, ajuda mútua, solidariedade.
Fora disso, as suas presenças não se dão por que se conhecem. Têm no encontro as razões para espairecer ou manifestar inconformidade ou para pedir providências.
O difícil, segundo as estruturas de nossa sociedade atual, é encontrar pessoas que decidam reunir-se para celebrar a vida. Mesmo nas concentrações de fim de ano à beira mar, nos shows pirotécnicos e em outros que conseguem trazer para determinados endereços verdadeiras multidões, ali nada mais há que gente querendo celebrar uma passagem de data no calendário. Depois de alguns breves abraços naquelas pessoas da mesma família ou das relações mais íntimas, cada um irá para sua casa e fim.
As sociedades foram sendo desenhadas para que nos separemos, nos desconheçamos, muitas vezes a ponto de ignorar o vizinho de porta, o sujeito que toma o elevador no andar de baixo e nem olha pra ninguém, incompetente, muitas vezes, para dizer um “bom-dia”.
Trocar experiências:
- eu comigo;
- nós com nossos iguais;
- nós com nossos desiguais;
- construir elos de mútuo suporte para aliviar as pressões sobre o indivíduo, isso se torna o grande desafio do mundo moderno e não é nenhuma novidade.
O ser humano só chegou aonde chegou porque há milhões de anos agregou-se, juntou-se, cooperou, deu e recebeu ajuda porque compreendeu que somos a única criatura dentre as milhares das demais espécies, que necessitamos de quase um terço de nossas vidas para nos declarar autônomas, libertas do paternalismo ou do maternalismo familiar.
Desaprendemos o que é
• viver e deixar viver - sinônimo de integração cósmica;
• amar e ser amado - sinônimo de ser feliz;
• adquirir confiança - sinônimo de acreditar no que a vida pode dar;
• criar e realizar - sinônimo de cumprir missão, deixar legado;
• evoluir - sinônimo de libertar-se para crescer.
Nos aprisionamos dentro de nós mesmos, dentro de nossos apartamentos e casas, estas com muros bem altos, e também dentro de nossos automóveis, estes com vidros fumê e, como prisioneiros, não sabemos viver livremente. Precisamos da companhia das drogas e de outros modos embriagantes.
Não sabemos quem somos, muito menos o que queremos ser.
E então, a cada pouco, somos chamados a chorar juntos as tragédias desta solidão imensa que é estar vivo sem saber viver.
Não queremos nos surpreender com a descoberta de “outro eu” que não imaginamos existir.
Os animais sabem fazer isso. Nós desaprendemos isso.

"Como irmão das estrelas e árvores, sinto-me na obrigação de rever meus valores a respeito do papel do homem no planeta. E oferecer-me para ser feliz como o são as árvores e todos os arbustos, que se enchem de flores e frutos que oferecem, sem pedir nada em troca, além de nitrogênio e hélio, que nada custam". (Anônimo)

“Quem conhece a si mesmo não tem medo, não alimenta raiva, não perde tempo em revides aos ofensores, não costuma mentir, não faz coleções de preocupações passageiras, não acaricia o ódio, não se enerva por simples notícias e não fala mal da vida alheia. Para tudo e para todos tem o mesmo estar, tem o mesmo amor”. (Francisco de Assis)

“Eu não sou eu.
Eu sou alguém que caminha ao meu lado.
Que permanece em silêncio quando estou falando.
Que perdoa e esquece, quando estou irado, esbravejando.
Que segue sereno, quando estou aflito.
Que estará de pé, quando eu estiver morrendo.
Eu não sou eu.
Eu sou alguém que caminha ao meu lado”. (Confúcio)


Voa e Canta

Goza a euforia do vôo do anjo perdido em ti.
Não indagues se as estradas,
o tempo e o vento
desabam num abismo.
Que sabes tu do fim?
Se temes que teu mistério seja uma noite,
enche-a de estrelas.
Se pressentires que a manhã estará muda,
esgota,
como um pássaro,
as canções que tens na garganta.
Canta, canta...
Talvez as canções adormecerão a fera,
que espera devorar o pássaro.
Desde que nasceste não és mais que um vôo
da terra ao céu.
Que importa o rumo?
Voa e canta, enquanto existirem as asas!
(Menoti Del Picchia)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A Eterna Juventude

Juventude não é uma época da vida; é um estado de espírito.
Não é uma questão de faces lisas, lábios vermelhos e joelhos flexíveis; é uma disposição da vontade, uma qualidade da imaginação, um vigor da emoção.
É um frescor das profundas fontes da vida.
Juventude significa uma predominância temperamental da coragem sobre a timidez e do apetite por aventura sobre a paixão pelo fácil.
Isto freqüentemente é mais comum num homem de cinqüenta anos do que num rapaz de vinte.
Ninguém envelhece meramente por viver um certo número de anos.
As pessoas envelhecem apenas por desistirem de seus ideais.
Os anos enrugam a pele, desistir do entusiasmo enruga a alma.
Preocupação, dúvida, auto-desconfiança, medo e desespero, fazem mais efeito ao curvar-nos a cabeça e ao jogar o espírito de volta ao pó, do que muitas décadas de vida.
Seja aos 81 ou aos 18 anos, há no coração de cada ser o viço da admiração, a doçura da alegria, a luz das estrelas, o desafio do desconhecido, o apetite infantil, o êxtase da vida. Desistir deles é só uma questão de opção.
Uma pessoa é tão jovem quanto a sua fé, tão velha quanto a sua dúvida; tão jovem quanto a sua autoconfiança, tão velha quanto o seu medo; tão jovem quanto a sua esperança, tão velha quanto o seu desespero; tão jovem quanto o seu amor, tão velha quanto a sua indiferença.
Enquanto seu coração receber mensagens de beleza, esperança, alegria, coragem, grandeza e força provinda da terra, dos homens e do infinito, você permanecerá jovem.
Quando você descobre que o centro de seu coração está coberto pela neve do pessimismo e pelo gelo do cinismo, realmente você terá descoberto que envelheceu.
Não importa a sua idade, nunca diga quantos anos você já viveu; diga quanto anos você ainda quer viver.

(Mensagem anônima)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O que eu quero da vida?

E o que a vida quer de mim?


Introdução

O que é a vida? Qual é a proposta do Criador para vida?
Estas perguntas certamente exigiriam milhões de palavras para tentar respondê-las. Não é o nosso propósito. O propósito desta exposição, é tentar contribuir para iluminar um pouquinho mais o caminho por onde passamos ao andar pela vida.
Para explicar a vida existem dezenas de teses. A mais óbvia é que se trata de um processo que se resume assim:
· Concepção;
· Nascimento;
· Crescimento;
· Maturação;
· Morte.
Que se dá através de um conjunto de funções representados por:
· Metabolismo;
· Reação a estímulos;
· Adaptação ao meio;
· Reprodução.
Essa é uma explicação racionalista. Sempre que se estuda a vida, costuma-se colocar o homem fora do sistema ocupado por todos os seus demais colegas de “viagem planetária”. E isso não está correto porque as leis naturais e a vida como um todo têm regras iguais para todos: homens, animais, plantas.
Os animais também percebem, conhecem, sentem (sentimentos) reagem (exercitam o instinto, têm emoção) e agem (para agirem, certamente pensam).
No vivente humano, o Criador acrescentou as capacidades de abstrair, deduzir, e construir, sem esquecermos que alguns animais também constroem verdadeiras obras de arte.
E é por conta de sua capacidade de abstrair, deduzir e construir, que o homem provocou estragos no seu mundo, desviando-se do seu propósito.

A felicidade animal e a infelicidade humana

Se observarmos a vida como um todo, os pássaros, os peixes, os animais, os vegetais, as águas, o nascimento e o pôr do Sol, chegaremos à conclusão que ali existe um esplendor, uma felicidade imensa, um êxtase.
Por que, então, nesse meio o homem se torna infeliz, adoece, se droga, se suicida, mata e morre, faz guerras, desama?...
Seria o homem o pior de todos os seres vivos?
A proposta do Criador para com o homem seria diferente da proposta válida para o restante da Natureza? Não. Já vimos que as mesmas leis valem para toda a Natureza. É o que sinaliza a nossa experiência milenar.
Em que o homem é tão animal quanto os demais animais? O animal é o ontem a caminho do amanhã humano. Retirando-se do homem o seu desenvolvimento intelectual e espiritual, ele é pura e simplesmente um animal. Logo, desenvolvidas estas faculdades, não há a menor possibilidade de nivelarmos um e outro. Ainda que a Psicologia afirme que o homem possui consciente (registros memoriais), subconsciente e inconsciente (registros de difícil acesso) e ensine que estes últimos compartimentos são praticamente iguais, não há como igualá-los, pois um nos dá as memórias possíveis a cada encarnação e o outro apenas se revela em estados especiais.
Quanto à mente, apagando-se as diferenças de tamanho, peso e capacidade do cérebro, homens e animais possuem essa máquina que responde pelo:
· Processamento (usina);
· Organização (seleção);
· Registro (armazenagem);
· Comando (gerência),
de informações com origem dentro e fora da vontade do vivente, transportadas até a mente por uma imensa rede de sensores, e altamente treinada para que, dentro do normal, nada saia errado com a complexa e ampla atividade do corpo.
Como age e reage a mente? Ela não comanda a vontade, obedece-a. E aceita como verdades as informações pensadas, percebidas ou recebidas, que processa-as, organiza-as, registra-as e coloca-as à disposição do vivente para uso sempre que ele venha a necessitar delas para decidir, escolher, criar, produzir, destruir. E no caso humano, acrescenta-se a finalidade de inventar e sofisticar.
Então, em que o homem é diferente dos animais? No supraconsciente, que pertence à dimensão divina, morada da alma, talvez.
Dotado de razão, o ser humano avalia melhor que os animais e só ele julga, pondera, raciocina, estabelece relações lógicas.
Esse ser especial, o humano, estaria, pois, ainda em melhores condições que os seus demais colegas de “viagem planetária” para gozar de uma vida extraordinariamente feliz, apoteótica. Certo? Certo! E por que não é assim?

Qual é a proposta do Criador para com a Vida?

Não é preciso ser sábio, doutor, sacerdote ou o que o valha para conhecer, perceber, sentir e, demonstrando as outras capacidades inerentes ao ser humano, abstrair, deduzir, construir, e interpretar na própria Natureza a proposta do Criador para com a vida, como fazem muito bem todos os outros viventes ditos não inteligentes. A proposta do Criador é clara: é beleza, bondade, alegria, perfeição, equilíbrio, amor, solidariedade...
Tomemos uma cadeia alimentar, que começa no solo com seus microorganismos, passando pela semente, pela chuva, os raios solares, os insetos polinizadores, o vento, o animal que consome o vegetal e que dá a vida para que o homem também se alimente, continuando nos excrementos tanto de animais como de pessoas, proporcionando novas condições a bactérias, microorganismos, plantas e frutos transformados em alimentos de pássaros, peixes, pessoas etc. e assim sucessivamente.

Vontade, pensamento, ação

Os animais também têm vontade, pensam e agem. Mas nascem aptos a realizar suas tarefas comuns quase que por instinto, guiados pela memória genética e algo também por conta de alguma inteligência. Ao homem muitas coisas devem ser ensinadas. E a escola desviou-se da rota.
Aos homens ficou reservada a capacidade sincronizada de ter vontade (apenas), ter vontade e pensar (apenas), emitir a vontade, pensar, criar e produzir (palavras ou obras), dentro de um sistema de ética e lógica, que para os animais é apenas a sobrevivência. Para os homens, não.
A coerência entre vontade, pensamento e ação, normalmente chamada de lógica, mas que também tem a ver com ética, é o que desencadeia conflitos, entendimentos, sucesso, fracasso, felicidade ou a ausência dela.
Acreditar, querer, pensar, falar, semear, fazer, multiplicar, ter e distribuir, é uma seqüência lógica, coerente entre um pensamento e uma ação. Os valores de cada um de nós determinam a qualidade do produto final: palavra ou obra.
Os seres ricos de valores, pensam e elaboram o que se transformará em obras em prol de saúde, amor, harmonia, criatividade, alegria, prazer, fé, prosperidade. Os seres pobres de valores pensam e elaboram o que se transformará em obras em prol do oposto disso.
Cada um colhe o que semeia. É a lei do Criador para com a criatura humana. Assim funciona a escola da vida. E assim acontece o chamado karma.
O que “eu penso, é o meu propósito de vida”. O que “eu desejo, se encaixa no que me acontece”. O que “eu falo é porque penso assim”. O que “eu faço, é porque eu digo assim”. Se essa relação estiver quebrada, a vida estará fora do eixo. O aprendiz precisa ser chamado à responsabilidade. Aqui tem origem a dor e o sofrimento.

Sistema de convicções

Outro componente severamente importante para a qualidade do produto final (palavra ou obra) e também para o conjunto “saúde, amor, harmonia, criatividade, alegria, prazer, fé, prosperidade”, é o sistema de convicções instalado em nossos registros (mente) com a participação de nossos pais, avós, professores, sacerdotes, pessoas de nossas relações, integrantes da “instituição” chamada “mentor”.
Semelhante a um cacho de uvas, as formas-pensamento se agrupam e dão consistência às convicções. Tanto uma convicção pode valer para “condicionar”, “programar” uma vida feliz e produtiva, como para um processo mórbido. Uma convicção pode parar em nosso “registro” a partir da ação ou avaliação de alguém importante para nós. Poderá servir para gerar uma culpa ou para afastar uma responsabilidade pessoal, alojada na memória ativa do indivíduo num momento da vida em que a criatura humana não tem capacidade para descartá-la: a infância e a adolescência.
Convicções como “nós somos pobres”, “nós nascemos para trabalhar e sofrer”, “eu não tenho sorte”, “tem alguma coisa errada comigo”, “eu não podia fazê-lo feliz”, “eu não consigo falar em público”, “sou um péssimo vendedor” e tantas outras que conhecemos, ou opostas: “esse menino é um gênio”, “puxa, o Mário é um cara de sorte”, “o Luiz vende tudo o que lhe chega às mãos, até a mãe dele”, são posições firmadas em convicções que podem determinar a nossa felicidade e o nosso sucesso ou o contrário. E isso vale para os nossos filhos, neste instante mesmo.