quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

FÉRIAS DO REDATOR

Queridos leitores.
Vosso redator estará em viagem por alguns dias e nem todos os locais a serem visitados estão servidos de internet. Por isso, a produção diária estará prejudicada.
Desejo a todos vocês momentos iluminados de alegria e amor em companhia dos amigos e familiares enquanto o Natal vai aproximando as pessoas e o ano de 2010 vai se despedindo e dando lugar a que 2011 compareça com suas esperanças.
Vamos fazer de 2011 um ano de grandes conquistas?
Um abraço a todos, do redator, Homero.

MEU ANIVERSÁRIO ESTE ANO

Como você sabe, está chegando novamente a data de meu aniversário.
Será dia 25. Ao menos é isso que estão divulgando.
Todos os anos fazem festa em minha honra e creio que este ano acontecerá a mesma coisa. Nesses dias as pessoas fazem muitas compras. O rádio, a TV, os jornais, as revistas e a internet fazem centenas de anúncios convidando as pessoas a gastar. Por todo canto não se fala de outra coisa a não ser dos preparativos para esse grande dia.
É bom saber que, ao menos um dia por ano, algumas pessoas pensam um pouco na data que me foi consagrada.
Como você sabe, há muitos anos começaram a festejar meu aniversário nessa data. No começo, pareciam compreender e agradecer o que fiz por eles, mas HOJE em dia, ninguém sabe por que razão a celebram. As pessoas se reúnem e se divertem muito, mas não sabem do que se trata...
Estou me lembrando do ano passado: ao chegar o dia do meu aniversário, fizeram uma grande festa em minha honra. Havia coisas deliciosas na mesa, tudo estava decorado e havia muitos presentes... mas sabe de uma coisa?
Não me convidaram! Eu era o aniversariante de honra e ninguém se lembrou de me convidar! A festa era para mim e quando chegou o grande dia, fecharam a porta na minha cara. Bem que eu queria partilhar a mesa com eles...
Em verdade não me surpreendi porque, nos últimos anos, muitos me fecham a porta na cara. Como não me convidaram, ocorreu-me entrar sem fazer ruído. Entrei e fiquei num cantinho, disfarçado, quase oculto.
Estavam todos brindando, alguns já estavam embriagados, contando piadas, rindo, divertindo-se. Aí chegou um VELHO GORDO, VESTIDO DE VERMELHO, COM BARBA BRANCA E GRITANDO: HO! HO! HO! Parecia ter bebido demais... Deixou-se cair pesadamente numa cadeira e todos correram para ele dizendo: Papai Noel! Papai Noel! – como se a festa fosse para ele!
Quando chegou meia-noite, todos começaram a abraçar-se. Eu estendi meus braços esperando que alguém me abraçasse também... Quer saber? Ninguém me abraçou.
De repente, todos começaram a entregar presentes. Um a um, os pacotes foram sendo abertos. Cheguei perto para ver se, por acaso, havia algum para mim – nada!
O que você sentiria se no dia de seu aniversário todos se presenteassem e não dessem nenhum presente para você?
Compreendi, então, que estava sobrando na festa... Saí sem fazer barulho, fechei a porta, fui embora...
Cada ano que passa é pior: as pessoas só se lembram da ceia, das bebidas, dos presentes, da festa... De mim ninguém se lembra.
Gostaria que, neste Natal, você me permitisse entrar na sua vida, reconhecendo que há dois mil anos vim ao mundo para lhe dar um recado de amor e solidariedade e o que recebi em troca foi uma condenação na cruz.
Mas, disso eu não me queixo, tudo estava previsto nas profecias. Era o meu carma passar por aquela prova para que entendessem que a vida não termina na sepultura.
Vou dizer-lhe mais uma coisa. Já que muitos não me convidam para a festa que fazem em honra ao meu aniversário, vou fazer minha própria festa – uma festa grandiosa como ninguém jamais fez, uma festa espetacular.
Estou nos últimos preparativos e expedindo os convites.
Poucos terão a oportunidade de receber um convite. As vagas são limitadas.
Só quero que você me diga se quer vir: reservarei um lugar para você e incluirei seu nome na lista dos que confirmaram...
“Muitos gostariam de ser convidado mas poucos serão os escolhidos”.
Não será uma festa gratuita. Haverá um preço. Quem se oferecer e pagar, virá.
Sabe qual é o preço? Tirar um minuto da algazarra natalina para elevar uma prece aos céus agradecendo por estar podendo festejar!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Sinais dos Tempos

Estamos a 730 dias da data prometida pelos Maias para uma virada na vida do planeta, provavelmente o ingresso da Era de Aquário. Quando se pronuncia a frase “sinais dos tempos”, logo nosso pensamento vai até o apocalipse e imagina o mundo em derrocada, cataclismo e furor planetário, o fim do mundo. Mas, essa não é a interpretação que o espiritismo dá aos Sinais dos Tempos.
A humanidade está devendo a si mesma o avanço moral na mesma proporção de como avançou em conhecimentos científicos e tecnológicos. Os seus graus atingidos de inteligência parecem muito pouco diante dos sentimentos de moralidade, respeito, ética e compromisso com a própria espécie.
Os sinais nos estão sendo dados e apontam para outras direções da vida, que não é o cataclismo, ainda que perdure a ameaça do aquecimento global e do perigo nuclear. É da luta de idéias que surgirão os graves acontecimentos preditos nos apocalipses e não através de cataclismos ou catástrofes puramente materiais. Os cataclismos estão ficando para trás. Temos apenas alguns vulcões e terremotos com pequeno efeito perante o que foi interpretado como uma previsão da derrocada do planeta. Os cataclismos pertenceram à fase de formação e acomodação da Terra. “Hoje não são mais as entranhas do planeta que se agitam; são as entranhas da Humanidade”, advertem os espíritos avançados. Ainda teremos guerras e embates quem sabe já não por razões tão econômicas ou políticas, mas por razões de fé e fanatismo.
O fim do mundo, como apregoado por alguns pastores deve ser entendido como o final de uma era truculenta e a entrada num outro tempo de estabilidade da vida. O comando da vida vai providenciar uma separação entre “ovelhas e bodes”, como figurativamente Jesus discursou a um grupo de condutores de ovelhas, referindo-se que os bodes são os atrasados moralmente.
Vamos ver como se chega à estagnação espiritual e ao atraso moral.
O homem passa suas existências em constante aprendizado, em constante convivência e em razoável atividade produtiva.
Para aprender, dispõe da família, da escola, da sociedade, do mercado e da igreja.
Em convivência, ele se relaciona com a família, com os colegas de escola e de atividade, com os membros de suas associações e com os estranhos.
Na atividade produtiva, ele começa em família e evolui até chegar ao mercado e além.
Tudo isso seria parte de seu elegante atestado de crescimento em qualidade, passando pelos seus melhores momentos nos meandros da Ciência, da Filosofia, da Política e da Religião. Mas, nem sempre é assim.
A construção de um caráter pode trazer defeitos de concepção. Um deles é o entendimento sobre Deus. Aprendemos que Deus é um poderoso fiscal com o olho vivo sobre tudo o que fazemos. Sempre que “somos multados”, nos ensinam a correr para o “setor de multas” para pedir clemência, desconto, jeitinho. Resolvida primeira multa, ficamos “autorizados” a transgredir novamente. E assim vamos tocando. Tiramos uma vantagem hoje, outra amanhã e o que importa é ganhar, ganhar... Ganhar o que, mesmo?
A maioria dos cristãos educados na linha judaico-cristã foi ensinada desta forma: respeitar as leis quando há fiscalização e costumeiramente a desrespeitá-las quando sabemos que ficaremos impunes. Assim, a cada tropeço, a cada ilegalidade, nos ensinaram a procurar o representante do fiscal para pedir clemência, isenção, perdão, ou para dar um jeitinho, muitos jeitinhos.
Esta realidade não se aplica apenas ao plano religioso. Ela está inserida profundamente na cultura ocidental humana e é exposta nas nossas relações com amigos, cônjuges, clientes e fornecedores, no trânsito, na indústria, nas finanças, etc.
Esta não é a concepção dada pelo espiritismo. A questão subjetiva na doutrina espírita é da aplicação prática da lei de causa e efeito, associada ao livre-arbítrio. Quem fiscaliza o espírita não é o “olho de Deus”, é a consciência (que são, na prática, uma coisa só). Na prática, um espírita consciente assume sua conduta sem a necessidade de fiscalização externa, pois reúne sabedoria suficiente para compreender que não haverá descontos na sua dívida e, por isso, como juiz de si mesmo, prepara-se em vida material presente para a viagem que o levará às outras vidas sem nada para esconder que não possa entrar no balanço. Balanço, que cada um de nós é levado a fazer a cada pouco, independentemente de auditoria externa.
Se um não espírita falta com a ética, talvez esteja equivocado perante a compreensão das leis eternas, mas se um espírita falta com a ética, é sabido que ele compreende o que isto significa em seu capital espiritual. O espírita tem a oportunidade de saber o que o trouxe a esta existência e de assumir a autonomia para decidir o que quer ser quando reencarnar novamente.
À medida que o ser humano evolui, mais exigente se torna. Não estou falando de expansão técnico-científica, estou falando de qualidade intelecto-moral. Note-se que a inteligência aflorou no homem há 40 mil anos, apenas. E sempre que este crescimento se faz efetivo, maior é a aspiração por mudar aquilo que já não serve mais. O espiritismo já é conseqüência das transformações ocorridas nos séculos anteriores ao seu surgimento e que se aceleraram de 1850 para cá.
Os avanços são grandes. Os Sinais dos Tempos, são esses:
A perda da zona confortável, do dinheiro fácil, da impunidade, da mordomia, da traição, da deslealdade, da hipocrisia, da avareza. E a necessidade de incorporar os valores da bondade, da doçura, da benevolência, da lealdade, da franqueza. Não existirá sacrifício maior ao hipócrita, que inverter suas atitudes. Nem ao avarento, ter de pagar impostos e salários na justa proporção de suas rendas. Nem ao soberbo, ter de voltar à sala de aula para aprender com a vida. Isso são só alguns exemplos.
As estrondosas reclamações nas filas dos aeroportos, atualmente, partem, em geral, daqueles que nunca precisaram entrar em filas, sempre foram atendidos na sala VIP. Com a popularização das viagens aéreas, mediante a redução dos preços das passagens, muita gente deixou o ônibus e foi voando para onde estava acostumado a ir rodando. E os guichês se encheram de gente, os aviões se encheram de passageiros, os aeroportos se encheram de aviões e os aviões encheram os ares e o sistema entrou em colapso, do mesmo modo que os hospitais se enchem de pessoas que querem ir diretamente ao médico, que não está nos pequenos municípios e vilas, não está nos postos de saúde e nos ambulatórios, enquanto a aflição e a agonia por problemas não solucionados, vai deixando, cada dia, mais gente doente.
Por que não vemos os ricos reclamarem do atendimento de saúde? É porque eles vão de primeira classe, como vão nos aviões. Por que eles não reclamam da educação pública? Porque os seus filhos estudam em colégios privados e depois abarcam as vagas da Universidade pública, que é gratuita. Uma coisa compensa a outra. O pobre estuda em colégio público e depois paga pelo curso superior, particular. Qual dos dois é o mais caro?
Os Sinais dos Tempos servem também para chamar a atenção para a necessidade de afastar do poder aqueles que se acham donos do Estado e pela via do patrimonialismo (Prática do administrador que mistura o patrimônio particular com o patrimônio público) trabalham para seus grupos de poder, sem nenhuma outra preocupação que garantir a próxima eleição para não se afastar do poder.
O choro e o ranger de dentes que o Evangelho prevê acontecer quando os novos tempos forem chegando, é mais ou menos o que se viu no Chile, com o ditador Pinochet e sua família e com tantos outros que conhecemos suas histórias.
Os Sinais dos Tempos prometem outras correções. Servirão também para que se encaixe aqui outros exemplos que nós conhecemos de aproveitadores do poder pela via do comércio ou da indústria, contumazes devedores de impostos e polpudos empréstimos em bancos oficiais, ladrões incorrigíveis, destruidores do meio ambiente, descobertos, acusados, julgados e nunca condenados.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Por que descobrir a pérola?

Aproxima-te da aurora.
Para ti nascerá o sol!
Aproxima-te da noite.
Para ti brilharão as estrelas!
Aproxima-te do riacho.
Para ti cantará o sabiá!
Aproxima-te do silêncio.
Encontrarás a Deus.

(L.Vahira)

O verdadeiro êxtase consiste em navegar pela intimidade sagrada de nossa vida. “Como um pescador de pérolas, mergulha fundo à procura da pérola preciosa!”. E lembrar que uma ostra que não foi ferida não produz pérolas. Pérolas são produtos da dor, resultado da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou um grão de areia.
Na parte interna da concha há uma substância lustrosa chamada nácar. Quando o grão de areia penetra as células do nácar, tem início o trabalho destinado a cobrir o grão com camadas que protejam o corpo indefeso da ostra contra o invasor.
Como resultado, uma linda pérola irá se formando ali no interior da ostra.
Uma ostra que não foi ferida, nunca vai produzir pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada.
Você já se sentiu ferido(a) pelas palavras rudes de alguém?
Já foi acusado(a) de ter dito coisas que não disse?
Suas idéias já foram rejeitadas ou mal interpretadas?
Já sentiu duros golpes de preconceito?
Já recebeu o troco da indiferença?
Já teve a sensação de que o mundo havia acabado para você?
Já pensou que isso pode produzir pérolas preciosas?
Para produzir pérolas, cubra suas mágoas com várias camadas de amor. Infelizmente ainda são poucas as pessoas que se interessam por esse tipo de sentimento. A maioria aprende apenas a cultivar ressentimentos, deixando as feridas abertas, alimentadas por sentimentos pequenos, não podendo cicatrizar.
Assim, na prática, o que vemos são muitas ostras vazias não porque não tenham sido feridas, mas porque não souberam perdoar, compreender e transformar a dor em amor.
Se necessário, fabrique pérolas você também!

(Autor Desconhecido)

domingo, 19 de dezembro de 2010

O Reino de Deus

Interpretado para Compreensão de Iniciantes

A expressão “Reino de Deus” aparece no Novo Testamento já no primeiro capítulo de Marcos, no versículo 14 e se replica no capítulo 3 de João, 4 de Lucas e 6 de Mateus. Em Mateus, porém, aparecem cinco citações de Reino dos Céus antes de citar no capítulo 6, versículo 33, Reino de Deus.
As colocações são incisivas. João Batista veio pregar para antecipar a chegada do Reino de Deus. E Jesus é o próprio responsável por esta tarefa. Então não nos cabe ter dúvidas de que, efetivamente, a principal missão do Salvador era estabelecer as bases para a implantação do Reino de Deus na Terra. Seu projeto não tinha em mente, como pensavam os judeus, conceber um novo Rei Davi, não se limitava ao reino de Israel e nem pretendia colocar a coroa sobre a cabeça de Jesus. O Reino de Deus não é um lugar no tempo e no espaço e tão pouco é aquele alcançável após a morte do corpo físico, como também se apregoa, mas é um estado coletivo de espírito, a ser alcançado a qualquer momento, na razão direta da qualidade dos súditos integrantes.
Para ser respeitado como interlocutor de Deus, Jesus usou de poderes especiais, realizou 46 milagres, fez quase uma centena de discursos públicos e fez muitas pregações reservadas ao pequeno grupo de apóstolos e assessores.
O objetivo deste artigo é elucidar temas que ao longo dos séculos ainda não estão claros para os estudiosos. Por serem do conhecimento restrito, não alcançam a mídia e não são incluídos nos discursos dos pregadores. Mas são, indubitavelmente, os conhecimentos básicos para a interpretação do que venha a ser o Reino de Deus.
Para elucidar, vemos-nos obrigados nos fixar nas pregações reservadas do Mestre. Era falado “reino” porque esta era a expressão mais clara para conceituar o conjunto de pessoas, moradas, a multiplicidade de vilas, cidades, estados, de que se compõe o planeta habitado por toda a humanidade, mas não necessariamente queria referir-se a um território e sim a um conjunto de valores humanos: "O reino de Deus não vem com aparência exterior. O Reino de Deus está no meio de Vós. (Lucas 17; 20-21)”. "Aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus. (João 3; 3)”

Conhecimento Reservado

Adiante, esta leitura abordará mais diretamente o que era ensinado às massas populares e parte do que, reservadamente, era detalhado aos membros do grupo restrito de apóstolos e familiares. “Quando se acharam a sós, os que cercavam e os doze indagaram de (Jesus) o sentido da parábola (do semeador). Ele disse-lhes: ‘A vós foi revelado os mistério do Reino de Deus, mas aos que são de fora tudo se lhes propõe em parábolas’; deste modo eles olham sem ver. Escutam sem compreender, sem que se convertam e lhes seja perdoado” (Marcos 4; 10-12).
“Era por meio de numerosas parábolas desse gênero (aqui se trata do grão de mostarda) que ele lhes anunciava a palavra, conforme eram capazes de compreender. E não lhes falava a não ser em parábolas; a sós, porém, explicava tudo aos seus discípulos” (Marcos 4; 33-34).
Dirigindo-se ao pequeno grupo, relatam os capítulos 6 e 7 de Mateus, vários conselhos foram dados aos discípulos, um dos quais: “Não lanceis aos cães as coisas santas, não atireis aos porcos as vossas pérolas, para que não as calquem com seus pés, e voltando-se contra vós, vos despedacem” (Mt 7; 6).
Em seguida, explicando como é estreito o caminho da compreensão das verdades eternas, ensinou: “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por ali entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram” (Mt 7; 13-14).
Ainda nos dias de hoje, com todos os avanços tecnológicos e culturais, a informação libertadora é escassa e, mesmo no seio da Comunidade New Age, cujos objetivos são elevados, o que mais se encontra são informações de auto-ajuda: “faça assim”, “mentaliza isso”, “compareça cá ou acolá para determinadas práticas vibracionais”, enquanto a informação verdadeiramente libertadora (ou salvadora, se preferirem) não está disponível. Ainda são inúmeros os concessionários da cura, do alívio, da sorte, da alegria, da paz, da salvação eterna, bem como era o cenário em que atuou o rebelde, revolucionário, quebrador de paradigmas, chamado Jesus. Fez inúmeras denúncias, provocou constrangimentos em inúmeras lideranças, sacudiu o povo, mas não pôde abrir todo o cabedal que havia e há, porque não veio tratar de auto-ajuda, veio para libertar, não queria clientes, muito menos contribuintes ou cativos.
Passados mais de dois mil anos, o que muitos poderiam chamar de coincidências, faz disparar a velocidade da consciência humana e o processo se acelera. A mística da troca de épocas preside nossos dias e impacta com maior intensidade que os aniversários das pessoas ou a entrada das novas estações, do novo ano, do novo século, do novo milênio, da nova Era (de Aquário). O homem destes tempos tem ânsia pelo novo, faz busca pelo novo e tem o cansaço do que envelheceu.
O erro das doutrinas que preservam dogmas e/ou tradições superadas, contribui para sepultar a oportunidade de caminharmos para diante. Roma promoveu uma grande mudança recente ao abrir-se ao ecumenismo e ao introduzir o idioma nacional no ritual das celebrações ao redor do mundo, mas tudo ficou no exterior. Nada mudou na essência da doutrina. “Quem tem ouvidos, ouça; quem tem olhos, veja”, advertiu o Mestre. Mas, muito pouca gente é despertada a ouvir e ver o que realmente tem de ser visto e ouvido, por estarem amordaçados aos dogmas e tradições castradoras e envelhecidas. O que existe para ver e ouvir, mas não é mostrado e nem dito, é tão simples, é de uma espantosa simplicidade.
Uma das primeiras lições do Mestre: “Eu e o Pai, somos um”, expressão que as igrejas usaram, equivocadamente, para elevar Jesus à condição de Deus. O Mestre referiu-se a si próprio porque queria estabelecer um padrão. Todo o ser merecedor, como eu, da “direita do Pai” (isto é, a mão boa, o lado correto, a mão da vida), estará com Ele no seu Reino. Adiante, teria Ele dito: “Pedro, és como uma pedra e sobre pedras como tu, edificarei a minha fé (ou igreja)”, como foi traduzido. A sentença não mandava edificar um prédio sobre uma rocha e sim uma evidente preferência pela pessoa pronta para caminhar na mão direita da vida. A fé, edifício da sua doutrina, teria de alicerçar-se na moral dos seus seguidores. Contrariamente ao que foi prescrito, as igrejas cristãs se fundamentam em organizações especializadas em construir templos; a conceituar o homem como pecador original; a ensinar que Deus é um justiceiro irado, sujeito a ataques de fúria, que precisa ser aplacado por diversas formas de sacrifícios e holocaustos; que as verdades estão protegidas por dogmas; e que seus sacerdotes são concessionários do pedágio para a vida eterna.
A simplicidade das lições de Jesus é extrema. Um anônimo teólogo concluiu que nada de novo foi trazido, apenas foi feito um enxugamento na imensidão dos recados e advertências, retirando daquele meio o que não fenece, o que não deteriora. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8; 32). A qualquer um bom observador resta enumerar o que teriam sido, originalmente, as bases da doutrina de Jesus:
1. Alertar a humanidade para a realidade do Reino de Deus, semelhante ao Paraíso perdido, e ensinar como construí-lo ou reconstruí-lo com os nossos próprios conhecimentos (diga-se comportamento moral);
2. As condições para o homem participar da construção moral do Reino do Deus foram dadas exaustiva e principalmente nos dois grandes mandamentos, em que o Mestre pede amor e atenção a Deus e a sua obra (diga-se postura ética);
3. Esse Caminho é a vida espiritual (diga-se comunhão estreita com o criador e com a criação);
4. O Caminho tem três grandes etapas, compreendidas como a religiosa, ou infância humana, em que os alunos, por necessidade ou dependência seguem os pais, professores e sacerdotes sem contestação; como a espiritual ou da vida adulta, que começa pela rebeldia do adolescente até chegar nas contradições e na insatisfação que levará o jovem a amadurecer e a alcançar a segurança e a independência sonhada pelo adulto; como a mística, ou da maturidade em que, transformado, o buscador espiritual quer a meta suprema, que só pode vir com a ajuda do alto, por mérito, subordinando seu ego à vontade de Deus, como sugere a oração do Pai Nosso;
5. Por isso, a construção do Reino de Deus é um processo lento, em que os “construtores” vão sendo admitidos como aprendizes; se se dedicam e crescem, são aprovados vão à condição de oficiais; dentre os oficiais, os extremamente aplicados e melhores chegam a mestres. “Muitos são os chamados e poucos são os escolhidos” (Mateus 22; 14). Os poucos mestres ajudarão a preparar novos oficiais; e a imensa maioria se demorará na condição de aprendizes, repetindo as lições.
O reino de Deus não é um lugar circunscrito, mas "obra divina no coração dos homens", ou seja, a edificação da sabedoria e a conquista do amor, através do trabalho incessante na prática do bem. É o desapego aos bens materiais, o perdão às ofensas dos inimigos, enfim, é a lembrança das Leis Divinas ou Naturais, gravadas por Deus em nossa consciência. Nesse sentido, todo o esforço despendido em auxiliar o próximo, em silenciar uma crítica, em pensar duas vezes antes de querelar com o vizinho assume papel relevante e elementar na prática da perfeição. Os “aprendizes” que nem a este estágio conseguem chegar, jamais deixarão a escola primária. Mas, nem por isso serão expulsos do Reino de Deus, pois o Reino de Deus não tem necessidade de ser constituído apenas por mestres, pois faltaria o que fazer. Deve ele acomodar almas em todos os estágios evolutivos, mesmo aquelas pouco afeitas ao bem, pois estas se prestarão ao exemplo contraditório do que é o bem, do que é a luz e para que serve ela, e que mais e melhor serve quando há escuridão.
Os grandes avanços havidos na educação e a liberdade de pensamento exercida sem as antigas inibições religiosas e longe dos conflitos entre dogma e razão, tem levado um grande número de cristãos a assumir uma posição de coerência com seus sentimentos mais íntimos, mas tem contribuído para que muitos rechacem, juntamente com os dogmas, toda a doutrina de Cristo, o que é profundamente entristecedor e retardador da evolução humana. Também é válido recordar que por iniciativa de alguns padres, em determinados dias e horas, as suas igrejas passaram a experimentar práticas orientadas em outras linhas, que não a tradicional, com excelente acolhida. Isso explica porque o espiritismo, o budismo, o hinduísmo, a ioga e outros movimentos religiosos e filosóficos, no Brasil, tiveram tão boa acolhida entre os cristãos insatisfeitos com a postura ortodoxa de sua tradição religiosa. Os buscadores nos tempos atuais querem encontrar práticas espirituais sólidas e doutrinas que não agridam a razão. Eles são, em verdade, nem fiéis a nenhum poder religioso, nem praticantes de nenhuma práxis religiosa convencional, são desvendadores livres em que na maioria dos casos dispensa a figura do facilitador, do padre, do pastor, do monge. São aquilo que se poderia chamar os cristãos do futuro que, na verdade, são do passado, pois a primitiva e original religião de Jesus, chamada de Casas do Caminho, não tinha templos, tinha discípulos e estes percorriam as residências dos iniciados e ali oficiavam uma cerimônia de ligação das pessoas com Deus através da palavra sagrada e de exercícios espirituais.

BIBLIOGRAFIA:
BRANCO, RAUL. “Os ensinamentos de Jesus e a Tradição Esotérica Cristã”, Ed. Gnose, s/data.
XAVIER, F. C. “Boa Nova” pelo Espírito Humberto de Campos. 11. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.
XAVIER, F. C. “Caminho, Verdade e Vida” pelo Espírito Emmanuel. 6. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1973.
XAVIER, F. C. “Fonte Viva” pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro, FEB, s/data.
XAVIER, F. C. “Pão Nosso” pelo Espírito Emmanuel. 5. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.
XAVIER, F. C. “Vinha de Luz” pelo Espírito Emmanuel. 3. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1971.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Hierofani

Ao pesquisar as várias tendências religiosas conhecidas em atenção ao pedido do nosso diretor, deparei com uma interrogação que ganhou dimensões poderosas e suplantou o interesse por conhecer conceitos, cerimônias, organização e experiências das diversas manifestações propostas como elemento de pesquisa. Que interrogação foi esta: por que o homem se torna religioso?
Ainda não respondendo, mas introduzindo-nos no tema, temos de considerar que a religião sempre teve um aspecto intelectual precedente ao aspecto espiritual. O crente é levado a idéias definidas sobre como a humanidade e o mundo vieram a existir, sobre a divindade e o sentido da vida. Todas as religiões partem desse axioma e se estendem por cerimônias, formas organizativas e chegam às experiências que as sustentam ou não. Para tanto buscam expressões lingüísticas pela via de escrituras sagradas, credos, doutrinas ou mitos.
Se olharmos para as centenas e milhares de religiões e seitas conhecidas, iremos deparar com essas praticamente invariáveis situações.
A interrogação então surge. Por que quase 100% dos povos e pessoas se tornam religiosos? Os mais atualizados filósofos arriscam explicar que é a partir de uma força descrita como misterium tremendum et fascinosum, traduzida para o português como “mistério tremendo e fascinante”. A citada força engendra, por um lado, um sentimento de grande espanto, quase temor, mas de outro lado tem um poder de atração ao qual é difícil resistir.
Se nós descermos ao plano das sociedades contemporâneas, iremos encontrar boa parte dos seus membros alcançados pelo espanto e pelo exacerbado temor, e mesmo pela atração irresistível, em que as religiões e os seus seguidores criam no íntimo de seu intelecto a expressão de seu deus e em alguns e repetidos casos até substituem-no, aplicando a chamada justiça pelas próprias mãos ou impondo-a através de regras severas. Assim, o deus inventado adquire a severidade de um magistrado diante de réus originalmente pecadores a espera de sentenças nunca de absolvição, sempre de punição, a seu juízo, através de penas mais leves ou mais severas; noutras situações, o deus autoriza seus eleitos a investir contra os desafetos ameaçadores, trucidando-lhes a vida e confiscando-lhe os bens, numa repetição do que faziam as tribos primitivas num remoto passado; mais à frente, iremos encontrar deus autorizando o auto-flagelo de grupos, ao extremo de oferecerem a ele a própria vida, por suicídio coletivo e, no mais das vezes, impondo aos seus fiéis comportamentos que nada ficam a dever ao flagelo.
Numa desastrada estatística, as religiões não estão conseguindo aplicar o princípio do sagrado.
A grande dificuldade dos homens é separar o que sejam as leis imutáveis, pertencentes ao sagrado. Por extensão, não definem o que é sagrado e, por isso, não conhecem a seu deus e, portanto, não têm idéias definidas sobre como a humanidade e o mundo vieram a existir, sobre a divindade e o sentido da vida, que são os pilares das religiões. Resumindo: não têm religião.
O analista descreve o espetáculo contemporâneo comparando-o com o canibal que adentra a sala de trabalho do compositor musical, vê que ali existem coisas que ele não conhece (partituras, tonalidades, construção de trechos musicais e instrumentos que se manejados com a habilidade daquele que é chamado a dar vida ao inteligente trabalho do compositor, produzirão uma sinfonia), mas, o canibal não tem alcance intelectual, nem sensibilidade e muito menos juízo moral para, ao menos, respeitar o ambiente (sagrado para o compositor). O que faz? Se apodera estupidamente das partituras e de alguns instrumentos para acender uma fogueira, ao redor da qual levará a cabo um ritual de sacrifício de um prisioneiro.
Duas notas ainda são necessárias: uma para excluir do contexto os espíritas e os xamãs, para os quais Deus não é um desconhecido; para os quais quase nada é preciso ensinar: as leis sagradas não lhe são desconhecidas e o sentido da vida está muito claro; dos quais, portanto, é esperado um comportamento coerente com o conhecimento intelectual já obtido. E enfim, a última nota: a esperança do otimista observador, ao qual a constante integração cultural planetária e a miscigenação fruto das migrações e inclusões, tendem a levar a espécie humana a um padrão cultural, não distante de um padrão racial, não distante de um padrão lingüístico e não distante de um padrão religioso. Calma, leitor, o profeta desta macro transição não está pensando pequeno e não espera isso para este milênio.

P.S. Hierofani é uma palavra grega usada para declarar algo sagrado que está se revelando para nós, humanos.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Cicatrizes

Há alguns anos, em um dia quente de verão,
um pequeno menino decidiu ir nadar no lago
que havia atrás de sua casa.
Na pressa de mergulhar na água fresca,
foi correndo e deixando para trás os sapatos,
as meias e a camisa.
Voou para a água, não percebendo que
enquanto nadava para o meio do lago,
um jacaré estava deixando a margem e entrando na água.
Sua mãe, em casa, olhava pela janela
enquanto os dois estavam cada vez mais perto um do outro.
Com medo absoluto, correu para o lago,
gritando para seu filho o mais alto quanto conseguia.
Ouvindo sua voz, o pequeno se alarmou,
deu um giro e começou a nadar de volta ao encontro de sua mãe.
Mas era tarde.
Assim que a alcançou, o jacaré também o alcançou.
A mãe agarrou seu menino pelos braços
enquanto o jacaré agarrou seus pés.
Começou um cabo-de-guerra incrível, entre os dois.
O jacaré era muito mais forte do que a mãe,
mas a mãe era por demais apaixonada para deixá-lo ir.
Um fazendeiro que passava por perto,
ouviu os gritos, pegou uma arma e disparou no jacaré.
De forma impressionante, após semanas
e semanas no hospital, o pequeno menino sobreviveu.
Seus pés extremamente machucados pelo ataque do animal,
e, em seus braços, os riscos profundos
onde as unhas de sua mãe estiveram cravadas
no esforço sobre o filho que ela amava.
Um repórter de jornal que entrevistou o menino após o trauma,
perguntou-lhe se podia mostrar suas cicatrizes.
O menino levantou seus pés.
E então, com óbvio orgulho, disse ao repórter:
“Mas olhe em meus braços”.
“Eu tenho grandes cicatrizes em meus braços também”.
“Eu as tenho porque minha mãe não deixou eu ir”.

Você e eu podemos nos identificar com esse pequeno menino.
Nós também temos muitas cicatrizes.
Não a de um jacaré, ou qualquer coisa assim tão dramática.
Não as cicatrizes de um passado doloroso.
Aquelas cicatrizes são feias e causam-nos profunda dor.
Mas, algumas feridas, meu amigo,
são porque DEUS se recusou a nos deixar ir.
E enquanto você se esforçava, Ele estava lhe segurando.
Se hoje há um momento difícil, talvez o que está te causando dor
seja Deus cravando-lhe suas unhas para não te deixar ir.
Lembre-se do jacaré e muito mais daquele que mesmo em meio
a tantas lutas nunca vai te abandonar.
Deus certamente vai fazer o que for necessário para não te perder,
ainda que para isso seja preciso deixar-lhe cicatrizes.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

As origens da violência

Um ensaio sobre a psicopatologia do Comportamento Agressivo.

O material apresentado é um "fragmento" elucidativo das pesquisas realizadas
pelo autor durante 25 anos de exercício da Psicanálise.
Estas pesquisas serão publicadas pelo autor, na íntegra, brevemente na forma de um livro.

As primeiras origens.
A Relação Pais/Filhos.


As raízes do comportamento agressivo começam na infância e estão alicerçadas na relação de afeto com as figuras materna e paterna.
Para a menina a mãe é a "figura de molde" o pai o "modelo teórico".
Ela procura ser "como" ou o "oposto" da mãe e procura alguém "igual" ou o "oposto" do pai.
Para o menino o pai é a "figura de molde" a mãe o "modelo teórico."
Ele procura ser "como" ou o "oposto" do pai e procura alguém "igual" ou o "oposto" da mãe.
Isto vai depender da relação afetiva entre pais e filhos.
O relacionamento afetivo entre pais e filhos é de extrema importância na formação da personalidade da criança. Ele pode criar marcas altamente positivas, como pode deixar registros negativos que influenciarão na formação do caráter.

*Vamos ver :
Pais ausentes.


A falta de relação afetivo/corporal entre pais e filhos é o primeiro passo para o estabelecimento de um comportamento agressivo.
Pais distantes que tem pouco ou nenhum contato afetuoso, podem desenvolver em seus filhos uma relação de afastamento com a figura de "PODER" gerando em seus filhos uma relação AMOR/ÓDIO muito forte.
Esta relação AMOR/ÓDIO é um dos principais "FATORES" da agressividade.
O amor geralmente é dirigido a "OBJETOS", ou melhor, na "POSSE" material, e o "ÓDIO" à quem "TEM" (materialmente ou hierarquicamente).
"TER"significa "PODER".
"SER" é secundário, pois "SOU" na medida que "TENHO".
Quanto mais "TENHO" mais "EXISTO".
Acontece que na maioria dos casos estas crianças, por falhas em sua formação tem dificuldades em investir "DE SI" para "OBTER ou "ATINGIR" algum objetivo.
Assim podem partir para comportamentos "SOCIOPÁTICOS" na vida adolescente e/ou adulta.
É uma porta para o uso de "DROGAS" ( criar um mundo artificial), para os comportamentos de "TIRAR DOS OUTROS AQUILO QUE DESEJA" ( furtar, roubar,etc.), para a necessidade do "USO DE ARMAS" (sentir-se mais forte, mais poderoso, etc.).
"Tiro do mundo aquilo que me foi negado!
"Tudo que é contrário a meus interesses ou minha ideologia tem que ser lesado pois esta errado"!
"Tudo que é contra ou interfere em meus desejos eu destruo."

*O inverso:
Pais superprotetores.


Pais extremamente presentes que superprotegem e inibem a liberdade de expressão dos filhos podem gerar a "IDÉIA" de que eles são "INATINGÍVEIS", são o "CENTRO DO MUNDO". Este "EGOCENTRISMO" gera quase sempre um comportamento agressivo contra as figuras hierarquicamente superiores, pois é difícil seguir ou obedecer regulamentos.
Eles "ME IMPEDEM OU DIFICULTAM" fazer "O QUE QUERO, DA FORMA QUE QUERO, NA HORA QUE QUERO"!
"Tudo que é contrário a meus interesses ou minha ideologia tem que ser afastado pois está errado"!

*Outra forma:
Pais agressivos.


Pais que usam o bater como "FORMA PEDAGÓGICA" ou que agridem para impor "RESPEITO", podem estar gerando uma repetição "AMPLIADA"deste comportamento nos filhos.
"Aquilo que quero consigo sempre, nem que for preciso usar da minha força, da agressividade, ou de qualquer outra forma que consiga me impor"! "Tudo que é contrário a meus interesses ou minha ideologia tem que ser destruído pois está errado"!

O período de Socialização.
(os primeiros anos da vida escolar)


Estes 3 casos podem ser vistos no período de socialização muito claramente:
Crianças extremamente "COMPORTADAS" podem só estar acumulando "ÓDIO" por não conseguir vencer suas barreiras e se "EXPRESSAR".
Crianças extremamente "DESCOMPORTADAS" podem já estar expressando suas dificuldades de seguir ou obedecer "NORMAS".
Crianças com extrema "DIFICULDADE" em aprender ou se concentrar podem já estar expressando sua "REBELDIA".
Crianças que não conseguem "DIVIDIR OU COMPARTILHAR" brinquedos podem já estar expressando sua necessidade de "POSSE".
Crianças com "DIFICULDADES" ou "AGRESSIVAS" na participação de brincadeiras em grupo podem já estar expressando sua falta de aceitação às "NORMAS".
O pré-adolescente ou o adolescente.
Que procura "GRUPOS COM IDÉIAS" contrárias às normas,
procura para impor as suas.
Que procura "GANGS" com comportamento agressivo,
procura para se sentir mais forte.
Que procura "GRUPO QUE USA DROGAS",
procura porque não precisa dar nada de si nem é exigido em nada.
Que procura usar "ARMAS",
procura para ter "Poder".
Que usa o "CARRO" para correr e mostrar sua habilidade na velocidade,
o faz para estar "Além" das normas.
Que usa o carro como uma "EXPRESSÃO DE PODER", desrespeitando normas como:
"farol vermelho, faixa de pedestres, estacionamento irregular, não admitindo que ninguém o ultrapasse, querendo levar sempre vantagem".
Está mostrando claramente sua fragilidade emocional manifesta na agressividade e é um forte candidato a "Ser um adulto Agressivo".
Como evitar ou corrigir?
Procure ser mais afetuoso com seus filhos.
Não economize afeto nem contato corporal. A criança precisa ser "alimentada afetivamente" para depois ter afeto para dar.
Não use ameaças e/ou castigos corporais em excesso pois a criança pode se acostumar e achar que é uma forma correta de expressão.
Não dê "ARMAS DE BRINQUEDO" pois a criança pode "gostar do suposto poder" que a arma trás.
Não superproteja seus filhos.
Permita que eles experimentem e aprendam pelo próprio esforço (nem que eles falhem ou errem).
Falhar é bom para aprender a enfrentar desafios.
Não estimulem a relação de posse.
Incentivem a criança a dividir seus brinquedos na brincadeira.
Não isolem seus filhos.
Incentivem a participação de atividades de grupo pois facilitará na vida adulta o convívio social.
PERMITA-SE admitir estar errado, quando falhar na presença de seus filhos.
Eles precisam de "PAIS HUMANOS" e saber que "ERRAR É HUMANO".
Não se mostre ONIPOTENTE na presença dos filhos.
Eles precisam de pais ao alcance deles não de ídolos distantes!
Permita-se dizer "NÃO SEI" em vez de dizer "agora não tenho tempo ou não posso ou pergunte para ...!
Com certeza eles ficarão mais felizes por ter um pai ao alcance de seu conhecimento, "um pai presente".
Não desrespeite "NORMAS" na presença de seus filhos, pois eles vão aprimorar os erros vistos nos pais.
No trânsito faça um esforço, siga as normas(pelo menos na presença deles).
Assim ainda chegaremos a um trânsito mais educado e com menos acidentes.
Participe mais da vida de seus filhos.
Assim não correrá riscos de surpresas pois as expectativas deles serão de seu conhecimento e terão sua participação.
Autor - José Roberto Paiva

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O que é e pra que serve a inteligência

Não, o título desta crônica não é uma pergunta, é uma afirmação. Sim, seremos muito ousados, correremos o risco inerente à ousadia de quem quer ir além numa experiência. Mas, é necessário ousar. O pinto não nasceria se não ousasse perfurar a casca do ovo.
Antes de tudo é necessário fazer um rompimento. Romper com a mania que têm algumas pessoas de relacionar inteligência apenas com o cérebro, com os neurônios e com as sinapses por eles estabelecidas, coisa muito válida e muito importante, mas, infelizmente, tudo aquilo que está acondicionado dentro do crânio, é hardware, é ferramenta, é aparato. Retire-se dele o princípio inteligente e isso tudo se decomporá, principalmente depois que a alma se for.
Buscaremos uma segunda razão para romper com certos dogmas científicos. Vamos tratar do coma. Quantas pessoas já passadas por experiências de coma, tiveram diagnóstico médico positivo para morte cerebral, mantidas, porém, nos aparelhos para que coração, respiração, etc. não fossem interrompidas e num lance de milagre retornam à vida? Nada absurdo, pois a vida não é somente coração, pulmões, etc. funcionando, e quando o princípio inteligente assim o quer, a vida, que é vida de verdade, não vai embora. Nada demais. O interessante é o depoimento das pessoas que retornam do estado de quase morte: tomaram conhecimento de tudo o que se passou no CTI, com a tácita confirmação dos familiares e da equipe médica.
Como assim, se o cérebro estava fora de ação? Simplesmente, porque a mente pode atuar sem o cérebro. Para algumas importantes funções, a mente necessita do cérebro, mas para algumas outras, tão ou mais importantes, a mente é senhora dos seus próprios processos.
E agora, leitor, o que é e pra que serve a inteligência?
Vamos por partes para não embrulhar o raciocínio. O terceiro rompimento a ser feito é com a mania que têm algumas pessoas de relacionar mente com inteligência. Uma serve a outra, mas as duas são coisas distintas. A mente de um papagaio pode ajudá-lo a repetir algumas dezenas de palavras, mas o papagaio não tem inteligência para fazer um discernimento ou resolver uma equação matemática.
A mente pode socorrer o aluno durante uma prova, mas, se a questão a ser respondida exigir raciocínio, resolução, dedução, discernimento, a mente travará e não ajudará em nada, pois aquele departamento se localiza num andar bem acima do armazém dos dados e se chama inteligência, capacidade para criar, fazer ilações, compor situações, comparar experiências acumuladas e chegar a conclusões de alta resolução. Essas operações, todas talvez, possam ser registradas nos aparelhos de eletro-encefalograma, mas não para capturar as provas físicas da inteligência e sim, apenas, para registrar as áreas do cérebro que foram acionadas como ferramentas auxiliares do processo, pois a inteligência é como a dor, as duas não deixam provas físicas de sua existência e sua atuação não se deixa medir.
Controvérsia à vista: então, como se chega à mensuração do Q.I. (quociente de inteligência)? Sem controvérsia. O quociente de inteligência é obtido aplicando-se ao sujeito provas específicas reveladoras de sua capacidade inteligencial.
Bem, a esta altura parece já estar claro a respeito do que é a inteligência. É um princípio superior que, no homem, lhe dá poder de criação e de solução de problemas, algo inerente à vida supra-biológica, que não cessa com a falência do cérebro, logo um poder espiritual.
E pra que serve?
Esta resposta teria de ser longa e inserida num contexto de muita significação, quem sabe, um livro com dezenas de páginas, mas, isto aqui é um blog, cuja leitura de cada crônica nunca deve demorar mais que dez minutos. Então, a inteligência, stritu sensu, serve para que o ser humano utilize-se deste princípio para conceber o que quer fazer de sua trajetória pela vida e também para promover as escolhas entre as inúmeras opções que a vida nos oferece.
Com um “porém” de extraordinária significação: conceber e escolher em favor da melhoria da vida, pois a vida é um processo melhorador. Com toda a certeza, um processo melhorador. Ainda que aparentemente as coisas pareçam deteriorar-se, na verdade, as coisas estão morrendo para que em seus lugares nós tenhamos a oportunidade/capacidade de conceber algo melhor e conhecer a diferença entre o que é pior e o que pode ficar melhor.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Deus não é sádico...

Quando a Torá, Bíblia Judaica, registrou, na Gênese, que o homem foi concebido à semelhança de Deus, os judeus, por conveniência, passaram a conceber Deus na pessoa de um homem. E na seqüência dessa concepção, o tal Deus-Homem passou a ser tomado como aquele pai severo que bota ordem em sua família na base da porretada. “Você me obedece, senão te quebro!” Estava instituída a religião do temor, da pancada, do terror, da guerra.
Tivemos o advento de Jesus que, para os judeus, nada representou, mas as igrejas que nasceram do legado de Jesus foram buscar a tradição judaica do Deus-Homem, pai severo e levaram esta concepção um pouco mais além: levaram o Homem-Jesus para os céus e deram a ele o status de Deus. Embora esse novo deus não esteja concebido com o mesmo rigor do deus mais velho, arranjaram um novo entendimento: a culpa. Jesus foi levado ao gesto extremo de ser pregado na cruz pelo único e exclusivo motivo de anular os pecados dos homens. Não houve um único templo que não tivesse apresentado reiteradamente as cenas de Jesus apanhando, sendo cuspido, sangrando no madeiro e morrendo no madeiro como vítima, para aliviar os nossos pecados. Ele é apresentado como o “cordeiro que tira o pecado do mundo”.
As coisas pioraram. O homem pensou que estava livre e podia continuar transgredindo.
Mesmo por temor ao Deus-velho e mesmo por remorso em relação ao Deus-novo, os adeptos da primeira religião, a judaica, e também os adeptos das posteriores religiões, católica e derivadas, prosseguiram sentindo-se Homem-deus (veja que agora a posição se inverte). Agora estavam autorizados a promover uma sucessão de besteiras, justamente porque descobriram que o Deus-velho não estava olhando com tanta severidade e que o deus-novo havia sido imolado para livrar a nossa cara. Se não há uma câmera vigiando, pensa o Homem-deus, dá para transgredir.
Faltou à religião antiga e às suas derivadas, amor. Faltou ensinar o amor que, no fundo, foi a mensagem de Jesus. Se houvesse amor, por amor a Deus o homem transgrediria menos e respeitaria mais.
Quem de nós não sabe que quando o pai é muito severo, a filharada passa a fazer suas transgressões às escondidas?
Quem de nós não sabe que quando se ama de verdade, tudo se faz para não decepcionar a pessoa amada?
Qualquer pai concordará que é muito mais fácil controlar os filhos pela bondade do que mediante ameaças constantes. Os pais que sempre ameaçam castigos insuportáveis, falam em chamar um policial ou inventam um bicho-papão e até mesmo ameaçam vender os filhos insubordinados, são aqueles que causam uma neurose nos mesmos, e mais tarde na raça a que pertencem.
Mas, os pais podem controlar mediante firmeza e bondade, e fazer com que os filhos vivam na alegria e no amor (fora do temor e do terror). São aqueles pais que produzem filhos bons cidadãos. Um exemplo para ilustrar: quem é o verdadeiro cidadão: aquele que dirige dentro da velocidade permitida pelo código ou aquele que reduz a velocidade apenas porque existe um radar registrando a velocidade?
A disciplina jamais deve representar severidade ou sadismo.
Sejamos os religiosos da religião do amor, sejamos pais que ensinam com amor, sejamos filhos de pais possuídos de compaixão e compreensão.
Afastemos todas as deturpações no modo de conceber Deus a partir da índole humana, afastemos toda a degradação do terror, castigo e condenação eterna. Esse deus pintado e bordado pelas religiões judaico-cristãs é um deus sádico, que abandona seu filho no meio de uma fogueira sem lhe dar a mínima chance de recuperação. Uma coisa dessas não existe. Esse deus não pode existir, porque isso é o maior absurdo que as lideranças religiosas poderiam impor à cultura religiosa dos homens.
Se as citadas religiões tivessem ensinado que a falta de amor é que fará com que tenhamos de permanecer entre pessoas pouco amorosas por mais tempo, até que aprendamos a praticar o amor, com muita certeza, já teríamos chegado a grandes avanços. Mas, a concepção de punir os faltosos com a retirada de todas as suas chances, isto é, com a sua morte, leva os homens a decretar a guerra contra aqueles que julgam ser seus desafetos. Ao invés de acenar com o amor, com a oportunidade de negociação amistosa, acenam com bombas e outros modos de punições.
Diante do Deus do amor, que não sádico e não quer destruir ninguém, esse novo homem ganharia prestígio, consideração, incentivo.
Mas, se concebemos deus como um desvairado que nos atira pros demônios, sem misericórdia, e vira as costas, ficamos autorizados a proceder do mesmo modo. Afinal, somos feitos à semelhança de Deus!!!
Certamente estes são os motivos que levam judeus e muçulmanos a uma interminável sucessão de represálias e vinganças. Seu deus não é um Deus de amor. Mas, nem por isso, o seu deus os manda pros quinto dos infernos. Pelo contrário, abre a chance de recuar, rever posições, colocar a consciência na balança para, quem sabe, um dia, promoverem a paz.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Diálogos e descobertas de um Ser ao morrer

Ao final do caminho, quando finalizas este capítulo do livro de tua vida, tens de volta novamente a consciência da inocência absoluta e tomas conhecimento de alguém que te acompanhou por toda a jornada e te ajudou, quanto pôde, a cumprir com as obrigações que jamais houvera sonhado serem tuas.
São as tuas aparentes relações com os outros, as que te permitem conhecer o que foste, em vida material.
Só existe uma relação. É a relação que estabeleceste contigo mesmo. Os outros e os acontecimentos, são acidentes, oportunidades, experiências pelas quais quiseste passar.
A todos os momentos da caminhada foste chamado a eleger, decidir, manifestar, criar e experimentar algum aspecto do teu ser. Conheceste os outros para conheceres quem eras. Andaste na tua própria direção sempre que hás experimentado assacar contra alguém ou ajudar alguém.
Tudo quanto aconteceu foram oportunidades e possibilidades que tu mesmo criaste para experimentar os teus aspectos mais agudos. É assim com todos os que vão até lá onde estavas.
Agora, acabas de descobrir toda a grande justiça. Tu mesmo vês.
Nada, jamais, veio em teu prejuízo ou dano. Todo o ocorrido foi o que imaginaste, criaste, pediste, experimentaste.
Talvez, com surpresa, saberás que as dores e sofrimentos com que acreditavas atingir aos outros, são, nada mais nada menos que feridas que a ti mesmo estavas causando.
Por conseqüência, da mesma forma, todo amor, carinho e respeito por ti devotado aos outros, era a ti que estavas oferecendo.
O medo mais intenso, a dor mais profunda, a traição mais dolorida, a ofensa mais cruel, a agressão mais incrível e o inferno mais temido, sempre serão magníficas expressões desejadas por aqueles que se apresentam como suas vítimas.
Não, meu querido amigo, nunca irás encontrar injustiças no plano perfeito da vida.
É uma pena que só no final do caminho desta jornada a maioria dos seres venham a ter certeza de que são os criadores absolutos e livres de todas as suas experiências.
E quando isso ocorre, sentem uma profunda compaixão por si mesmos.
Nestes momentos, levados por um profundo arrependimento, pedem, suplicam, imploram, uma nova oportunidade capaz de reparar tudo, consertar tudo.
Muito poucos seres encarnados se oferecem para conhecer esse lado de sua realidade. Alguns acreditam no que conhecem e refazem o curso da própria jornada. Outros deixam a oportunidade passar, iludidos pela crença de que as coisas não são desse jeito, pela única e exclusiva razão de que aprenderam de modo diferente.
Tu, também, gostarias de voltar e de refazer tudo? Terás a tua oportunidade. Ela pode demorar, mas virá. Enquanto aguardas, refaz o saber.
Nada te dá nada. Tu és a fonte. Vais receber o que dás. Dás o que estás tendo, pois isto tu estás dando. O que estás dando é o que estás sendo. O que estás recebendo é o que estás sendo. O que estás sendo em relação aos outros, é o que estás experimentando. O estado de ser que eleges experimentar em relação aos outros sempre será a causa do que TU MESMO experimentas.
O ser que decidas manifestar, será aquele que a vida te dará. O ser que decidas eleger, será o ser que serás.
Naquilo que te deteres a pensar e criar, ancorarás a tua existência. Para a glória ou para a ruína.
A experiência é a resposta do universo ao teu pedido.
O que for a tua relação com os outros, será a tua relação contigo mesmo.
Em todos os momentos te relacionas contigo mesmo em presença dos outros.
A vida sempre te dará o que decidas ser.
Não te preocupes com a contrapartida do universo. Ela virá. E virá na exata medida de teus planos para a vida.
Saiba que o amor é e será tua verdadeira essência. Irás e virás quantas vezes for necessário até experimentá-lo, até senti-lo.
Enquanto isso, irás tendo por companhia estes seres que tens; irás tendo por morada este lugar que tens; irás tocando em frente como és; continuarás pensando e criando o que tu queres pensar e criar para ti.
Tudo o que é e está contigo foi aquilo que tua mente criou para ti. Tu o pediste. A ti foi dado.
Agora, ao terminar, podes estar pensando que eu te darei um abraço de despedida e me irei. Mas, não. Eu não posso ir-me. Tu e eu somos uma coisa só. Tu estavas no comando da vida que tínhamos. Agora, livre das amarras e poderes da matéria, quem comanda sou eu.
E para que possamos nos re-identificar como tem de ser, fica o registro:
— Por que foste tão surdo, cego e insensível aos meus apelos enquanto estavas no comando de nossa última jornada terrestre?

domingo, 12 de dezembro de 2010

A Síndrome do Pensamento Acelerado

Introdução

O presente artigo se propõe analisar o que o cientista teórico e pesquisador humanista da Psicologia e da Filosofia, Augusto Jorge Cury, chama de SPA, propositalmente aludindo ao local onde as pessoas se internam para emagrecer e que, no fundo, é mais uma faceta da Síndrome do Pensamento Acelerado.
A agitação proporcionada pelos compromissos sociais, de trabalho, de família e outros, tirou dos seres humanos a estabilidade intelectual e emocional. Navegamos pela vida como pilotos de um avião ou de um navio em meio a uma tempestade: damos uma olhada rápida pelo visor do pára-brisa e sem poder prestar atenção na paisagem que há, já temos de desviar o olhar para o painel, onde algumas luzes vermelhas indicam que algo está reclamando nossa atenção; nisso o navegador anuncia que é preciso desviar a rota porque algo muito denso se atravessa em nossa frente (pode ser uma desavença com vizinho, colega, patrão, parente, cônjuge, irmão, filho, pode ser um acidente, um prejuízo, uma doença, uma perda) e, ainda uma vez, sem estabilidade, escapa de nós a chance de procurar um desvio e lá estamos nós batendo de frente com “aquilo”. Só mais tarde percebemos que o choque foi demasiado e causou estragos, mas é preciso correr novamente para evitar que outros transtornos transformem a viagem em fracasso total.
Noutra forma de metáfora, temos de considerar a nossa capacidade de lidar com a realidade agitada como se fôssemos um computador. Tanto quanto a máquina, temos uma determinada capacidade de carga de trabalho, isto é, um limite para processador e memória. Sempre que ficamos baixando arquivos pesados e salvando coisas demasiadamente, a sobrecarga irá esgotar nossos limites. O computador tranca, nós fazemos o reset, mas continuamos a exigir dele competências que ele já não possui. E nem introduzimos mais memória e nem deletamos o excesso imprestável que está guardado nos arquivos. O que se pode esperar? Novos desmaios.

Quem é você?

Você, eu, nós, homens e mulheres que enfeitamos os jardins da humanidade, temos uma história comum bastante semelhante: fomos brindados com a existência terrena a partir de uma bárbara competição pela chance que era oferecida. Se não quisermos imaginar quantos outros poderiam estar na mesma fila para merecer a vida física, ao menos imaginemos o que aconteceu quando foi dada a partida e os milhões de espermatozóides saíram em disparada para agarrar a chance da fecundação. Bem, a vitória foi nossa, somos nós que, após a fecundação, começamos a viver esta história individual que você e eu podemos contar aos nossos semelhantes.
Para muitos de nossos semelhantes, porém, bastou ter nascido. O restante da caminhada é um ato de contemplação. Bonito, não? Mas, você e eu sabemos que não foi só para contemplar que viemos a este mundo e, por isso, nos candidatamos a muitas batalhas que vão do pessoal ao familiar, do empresarial ao social, do emocional ao intelectual e inclusive podendo chegar ao espiritual. Por conta disso, as dificuldades aparecem todo dia, a fadiga bate à porta, o medo rouba-nos a paz e a ansiedade assalta-nos a alegria. As nossas atividades sociais, a conta bancária e as tensões profissionais entulham a nossa emoção. Nossos sorrisos já não são tão espontâneos e nem freqüentes. Francamente, nem para contemplar o quão belo é o mundo tem restado tempo.
Talvez você e eu já estejamos tão ocupados que nem achemos tempo para dialogar conosco mesmos. Já não perguntamos a nós mesmos: quem sou? O que sou? É provável que cuidemos de tanta gente, mas tenhamos esquecido de nós mesmos. Talvez devêssemos dar uma parada, “resetar nosso computador” e, ao retornar, fazer uma seleção daquilo que deve ficar e do que deve ser deletado por ser lixo imprestável. Será justo prosseguirmos nos auto-abandonando?

Uma faxina

É isso mesmo, uma faxina. Se faz tempo que ela não é feita no escritório, na bolsa, em casa, nas gavetas, incluamos também essas. Elas nos farão muito bem. Mas, a principal faxina deve ser na mente. Entenda-se, não é tirar férias, viajar e esquecer os pepinos. É encarar de frente aquilo que não queremos mais ocupando fenomenais espaços em nossas vidas, tirando-nos a possibilidade de uma boa gerência de nossa existência.
Preocupação, sofrimento por antecipação, viver problemas que ainda não ocorreram e que talvez nem ocorram, é o mesmo que fazer o velório antes da morte. Sempre que nos perdemos dos bons caminhos para perseguir fantasmas, deixamos de encontrar tempo e disposição para uma conversa com um amigo, uma retomada de nossos romances, uma celebração, um brinde ao sucesso e à felicidade. Correndo atrás de fantasmas, comemos sem tempo, dormindo sem paz, vivemos sem graça, malhamos sem amor. É aqui que surge o interesse por SPA. Não aquele spa onde muita gente vai recuperar o verdadeiro peso e harmonia. Estamos falando da Síndrome do Pensamento Acelerado. Não se trata de uma doença psíquica – como assegura Cury, mas de um estilo doentio de vida.
As características da SPA são fadiga excessiva, irritação, déficit de concentração, déficit de memória, insatisfação, humor flutuante. Os cientistas atribuem SPA ao excesso de informações, estímulos, estresse e preocupações sociais decorrentes do saber para ter ou do ter para aparecer. Em apenas 32 anos, os últimos vividos por esta civilização, o número de informações disponíveis dobrou em relação a todos os milhares de anos vividos por todas as civilizações anteriores. O bombardeio televisivo nos estimula a tudo, menos a interiorizar-nos. A mente humana não estava preparada para tanto e, tal como o computador sobrecarregado, tranca. Isso não é fantasia. Como nós não gerenciamos e aquietamos nossa mente, o cérebro começa a proteger-nos, desligando algumas conexões e tornando péssima a nossa capacidade de guardar dados, manter controle sobre o que precisamos lembrar. Não é um problema médico, é um problema de estilo de vida. Carecemos de faxina em nossos entulhos.

Envelhecimento emocional

Eis uma nova visão de envelhecimento. Acostumamos falar e ouvir sobre longevidade e envelhecimento biológico, senilidade intelectual, esclerose cerebral, decrepitude, mas possivelmente nunca falamos nem ouvimos falar de envelhecimento emocional. Sempre que condenamos nossa emoção ao abandono, dando preferência às coisas sem graça, sérias demais, tediosas, repetitivas, maçantes, estamos aprisionando nossa emoção e trocando-a pelo lado triste, lúgubre, infernal, doentio.
Se fizermos um pequeno esforço iremos recordar de pessoas que, embora idosas, são alegres, apaixonadas, vivazes. Essas são as pessoas que não envelheceram a emoção. Mas, com certeza, não precisamos de nenhum esforço para apontar dezenas, centenas de pessoas jovens sem graça, sem tesão de vida, opacas, pra baixo. São os velhos de emoção, morreram por dentro, naquilo de mais fascinante tem a vida.
São muitas as causas para a velhice emocional, mas a chatice do mundo é a principal. Avançamos muito em muitas coisas, tivemos saltos tecnológicos, remédios e vacinas, esporte, parques de diversões, internet, mas o homem nunca foi tão triste e tão sujeito a tantas doenças emocionais.
A pergunta que não quer calar é a seguinte: viver é isso? Avançamos tanto, adquirimos uma fantástica inteligência e enormes habilidades, nos relacionamos com centenas de pessoas, mas nem sempre podemos dizer que somos felizes. Terá valido a pena enfrentar tudo isso para se chegar a este resultado?
Enquanto você e eu começamos a pensar em profundidade na resposta, tenhamos o cuidado de separar o lixo e mandar para o lixo, deixando armazenado só o que merece ser guardado em nossa mente. É pouco? Não importa. É isso que conta.
E já que não podemos evitar as tempestades, ao menos, de agora em diante, evitemos que elas nos desviem da rota de nossas vidas. Ao invés de viver para trabalhar, trabalhemos para viver.
Evitemos que outras pessoas nos imponham o que fazer e comecemos a agendar e a levar a sério outros compromissos conosco mesmos, principalmente o de estar com os nossos seres amados com tempo para brincar, rir, alimentar a alma, não fazer nada. Vivamos cada minuto com o propósito de serem instantes inesquecíveis. E se não o forem do ponto de vista de merecer celebração, saibamos apagá-los da memória, pois não merecem ser celebrados. Diante das derrotas pequenas ou grandes, saibamos reconhecer que perdemos e se necessário choremos. Sem nunca esquecer de dar uma nova chance a nós mesmos.

Membros da sinfonia

Para finalizar, é sempre bom relembrar que o Criador e muitos auxiliares diretos seus reconheceu em nós a capacidade de vir ao mundo com a missão de contribuir para a vida. Não é lícito imaginar que se trata de uma espécie de turismo. Certamente há um propósito e nós fomos eleitos para oferecer um quinhão de nossa capacidade no sentido de realizar esse propósito. Se obstáculos surgiram e surgirão, não há porque temer e desistir. Já fizemos coisas muito mais importantes. Não será, agora, um câncer, uma crise emocional, uma crise financeira, um transtorno profissional, um conflito de relacionamento, que nos levarão a fracassar. Viemos até aqui conscientemente para construir mais liberdade sobre as prisões que acorrentam a humanidade e usaremos de toda a nossa inteligência para bem cumprir a missão.
Apaixonados pela vida que recebemos, amando intensamente os nossos íntimos, conquistando novos amigos e aliados, sejamos pessoas de grande utilidade para a sociedade, ao contrário de onerar a vida com nossos lamentos e transgressões.
Sejamos o que esperam de nós: seres humanos insubstituíveis perante o grande concerto da vida, músicos competentes e afinados na grande sinfonia cósmica.

sábado, 11 de dezembro de 2010

A Filosofia de Descartes

Para leitura dominical

René Descartes, nascido em 1596 em La Haye - não a cidade dos Países-Baixos, mas um povoado da Touraine, numa família nobre - terá o título de senhor de Perron, pequeno domínio do Poitou, daí o aposto "fidalgo poitevino".
De 1604 a 1614, estuda no colégio jesuíta de La Flèche. Aí gozará de um regime de privilégio, pois levanta-se quando quer, o que o leva a adquirir um hábito que o acompanhará por toda sua vida: meditar no próprio leito. Apesar de apreciado por seus professores, ele se declara, no "Discurso sobre o Método", decepcionado com o ensino que lhe foi ministrado: a filosofia escolástica não conduz a nenhuma verdade indiscutível, "Não encontramos aí nenhuma coisa sobre a qual não se dispute". Só as matemáticas demonstram o que afirmam: "As matemáticas agradavam-me sobretudo por causa da certeza e da evidência de seus raciocínios". Mas as matemáticas são uma exceção, uma vez que ainda não se tentou aplicar seu rigoroso método a outros domínios. Eis por que o jovem Descartes, decepcionado com a escola, parte à procura de novas fontes de conhecimento, a saber, longe dos livros e dos regentes de colégio, a experiência da vida e a reflexão pessoal: "Assim que a idade me permitiu sair da sujeição a meus preceptores, abandonei inteiramente o estudo das letras; e resolvendo não procurar outra ciência que aquela que poderia ser encontrada em mim mesmo ou no grande livro do mundo, empreguei o resto de minha juventude em viajar, em ver cortes e exércitos, conviver com pessoas de diversos temperamentos e condições".
Após alguns meses de elegante lazer com sua família em Rennes, onde se ocupa com equitação e esgrima (chega mesmo a redigir um tratado de esgrima, hoje perdido), vamos encontrá-lo na Holanda engajado no exército do príncipe Maurício de Nassau. Mas é um estranho oficial que recusa qualquer soldo, que mantém seus equipamentos e suas despesas e que se declara menos um "ator" do que um "espectador": antes ouvinte numa escola de guerra do que verdadeiro militar. Na Holanda, ocupa-se sobretudo com matemática, ao lado de Isaac Beeckman. É dessa época (tem cerca de 23 anos) que data sua misteriosa divisa "Larvatus prodeo". Eu caminho mascarado. Segundo Pierre Frederix, Descartes quer apenas significar que é um jovem sábio disfarçado de soldado.
Em 1619, ei-lo a serviço do Duque de Baviera. Em virtude do inverno, aquartela-se às margens do Danúbio. Podemos facilmente imaginá-lo alojado "numa estufa", isto é, num quarto bem aquecido por um desses fogareiros de porcelana cujo uso começa a se difundir, servido por um criado e inteiramente entregue à meditação. A 10 de novembro de 1619, sonhos maravilhosos advertem que está destinado a unificar todos os conhecimentos humanos por meio de uma "ciência admirável" da qual será o inventor. Mas ele aguardará até 1628 para escrever um pequeno livro em latim, as "Regras para a direção do espírito" (Regulae ad directionem ingenii). A idéia fundamental que aí se encontra é a de que a unidade do espírito humano (qualquer que seja a diversidade dos objetos da pesquisa) deve permitir a invenção de um método universal. Em seguida, Descartes prepara uma obra de física, o Tratado do Mundo, a cuja publicação ele renuncia visto que em 1633 toma conhecimento da condenação de Galileu. É certo que ele nada tem a temer da Inquisição. Entre 1629 e 1649, ele vive na Holanda, país protestante. Mas Descartes, de um lado é católico sincero (embora pouco devoto), de outro, ele antes de tudo quer fugir às querelas e preservar a própria paz.
Finalmente, em 1637, ele se decide a publicar três pequenos resumos de sua obra científica: A Dióptrica, Os Meteoros e A Geometria. Esses resumos, que quase não são lidos atualmente, são acompanhados por um prefácio e esse prefácio foi que se tornou famoso: é o Discurso sobre o Método. Ele faz ver que o seu método, inspirado nas matemáticas, é capaz de provar rigorosamente a existência de Deus e o primado da alma sobre o corpo. Desse modo, ele quer preparar os espíritos para, um dia, aceitarem todas as conseqüências do método - inclusive o movimento da Terra em torno do Sol! Isto não quer dizer que a metafísica seja, para Descartes, um simples acessório. Muito pelo contrário! Em 1641, aparecem as Meditações Metafísicas, sua obra-prima, acompanhadas de respostas às objeções. Em 1644, ele publica uma espécie de manual cartesiano. Os Princípios de Filosofia, dedicado à princesa palatina Elisabeth, de quem ele é, em certo sentido, o diretor de consciência e com quem troca importante correspondência. Em 1644, por ocasião da rápida viagem a Paris, Descartes encontra o embaixador da frança junto à corte sueca, Chanut, que o põe em contato com a rainha Cristina.
Esta última chama Descartes para junto de si. Após muitas tergiversações, o filósofo, não antes de encarregar seu editor de imprimir, para antes do outono, seu Tratado das Paixões - embarca para Amsterdã e chega a Estocolmo em outubro de 1649. É ao surgir da aurora (5 da manhã!) que ele dá lições de filosofia cartesiana à sua real discípula. Descartes, que sofre atrozmente com o frio, logo se arrepende, ele que "nasceu nos jardins da Touraine", de ter vindo "viver no país dos ursos, entre rochedos e geleiras". Mas é demasiado tarde. Contrai uma pneumonia e se recusa a ingerir as drogas dos charlatões e a sofrer sangrias sistemáticas ("Poupai o sangue francês, senhores"), morrendo a 9 de fevereiro de 1650. Seu ataúde, alguns anos mais tarde, será transportado para a França. Luís XIV proibirá os funerais solenes e o elogio público do defunto: desde 1662 a Igreja Católica Romana, à qual ele parece ter-se submetido sempre e com humildade, colocará todas as suas obras no Index.

O Método

Descartes quer estabelecer um método universal, inspirado no rigor matemático e em suas "longas cadeias de razão".
1. A primeira regra é a evidência: não admitir "nenhuma coisa como verdadeira se não a reconheço evidentemente como tal". Em outras palavras, evitar toda "precipitação" e toda "prevenção" (preconceitos) e só ter por verdadeiro o que for claro e distinto, isto é, o que "eu não tenho a menor oportunidade de duvidar". Por conseguinte, a evidência é o que salta aos olhos, é aquilo de que não posso duvidar, apesar de todos os meus esforços, é o que resiste a todos os assaltos da dúvida, apesar de todos os resíduos, o produto do espírito crítico. Não, como diz bem Jankélévitch, "uma evidência juvenil, mas quadragenária".
2. A segunda, é a regra da análise: "dividir cada uma das dificuldades em tantas parcelas quantas forem possíveis".
3. A terceira, é a regra da síntese: "concluir por ordem meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer para, aos poucos, ascender, como que por meio de degraus, aos mais complexos".
4. A última á a dos "desmembramentos tão complexos... a ponto de estar certo de nada ter omitido".
Se esse método tornou-se muito célebre, foi porque os séculos posteriores viram nele uma manifestação do livre exame e do racionalismo.
a) Ele não afirma a independência da razão e a rejeição de qualquer autoridade? "Aristóteles disse" não é mais um argumento sem réplica! Só contam a clareza e a distinção das idéias. Os filósofos do século XVIII estenderão esse método a dois domínios de que Descartes, é importante ressaltar, o excluiu expressamente: o político e o religioso (Descartes é conservador em política e coloca as "verdades da fé" ao abrigo de seu método).
b) O método é racionalista porque a evidência de que Descartes parte não é, de modo algum, a evidência sensível e empírica. Os sentidos nos enganam, suas indicações são confusas e obscuras, só as idéias da razão são claras e distintas. O ato da razão que percebe diretamente os primeiros princípios é a intuição. A dedução limita-se a veicular, ao longo das belas cadeias da razão, a evidência intuitiva das "naturezas simples". A dedução nada mais é do que uma intuição continuada.

A Metafísica

No Discurso sobre o Método, Descartes pensa, sobretudo, na ciência. Para bem compreender sua metafísica, é necessário ler as Meditações.
1°. Todos sabem que Descartes inicia seu itinerário espiritual com a dúvida. Mas é necessário compreender que essa dúvida tem um outro alcance que a dúvida metódica do cientista. Descartes duvida voluntária e sistematicamente de tudo, desde que possa encontrar um argumento, por mais frágil que seja. Por conseguinte, os instrumentos da dúvida nada mais são do que os auxiliares psicológicos, de uma ascese, os instrumentos de um verdadeiro "exército espiritual". Duvidemos dos sentidos, uma vez que eles freqüentemente nos enganam, pois, diz Descartes, nunca tenho certeza de estar sonhando ou de estar desperto! (Quantas vezes acreditei-me vestido com o "robe de chambre", ocupado em escrever algo junto à lareira; na verdade, "estava despido em meu leito").
Duvidemos também das próprias evidências científicas e das verdades matemáticas! Mas quê? Não é verdade - quer eu sonhe ou esteja desperto - que 2 + 2 = 4? Mas se um gênio maligno me enganasse, se Deus fosse mau e me iludisse quanto às minhas evidências matemáticas e físicas? Tanto quanto duvido do Ser, sempre posso duvidar do objeto (permitam-me retomar os termos do mais lúcido intérprete de Descartes, Ferdinand Alquié).
2°. Existe, porém, uma coisa de que não posso duvidar, mesmo que o demônio queira sempre me enganar. Mesmo que tudo o que penso seja falso, resta a certeza de que eu penso. Nenhum objeto de pensamento resiste à dúvida, mas o próprio ato de duvidar é indubitável. "Penso, cogito, logo existo, ergo sum". Não é um raciocínio (apesar do logo, do ergo), mas uma intuição, e mais sólida que a do matemático, pois é uma intuição metafísica, metamatemática. Ela trata não de um objeto, mas de um ser. Eu penso, Ego cogito (e o ego, sem aborrecer Brunschvicg, é muito mais que um simples acidente gramatical do verbo cogitare). O cogito de Descartes, portanto, não é, como já se disse, o ato de nascimento do que, em filosofia, chamamos de idealismo (o sujeito pensante e suas idéias como o fundamento de todo conhecimento), mas a descoberta do domínio ontológico (estes objetos que são as evidências matemáticas remetem a este ser que é meu pensamento).
3°. Nesse nível, entretanto, nesse momento de seu itinerário espiritual, Descartes é solipsista. Ele só tem certeza de seu ser, isto é, de seu ser pensante (pois, sempre duvido desse objeto que é meu corpo; a alma, diz Descartes nesse sentido, "é mais fácil de ser conhecida que o corpo").
É pelo aprofundamento de sua solidão que Descartes escapará dessa solidão. Dentre as idéias do meu cogito existe uma inteiramente extraordinária. É a idéia de perfeição, de infinito. Não posso tê-la tirado de mim mesmo, visto que sou finito e imperfeito. Eu, tão imperfeito, que tenho a idéia de Perfeição, só posso tê-la recebido de um Ser perfeito que me ultrapassa e que é o autor do meu ser. Por conseguinte, eis demonstrada a existência de Deus. E nota-se que se trata de um Deus perfeito, que, por conseguinte, é todo bondade. Eis o fantasma do gênio maligno exorcizado. Se Deus é perfeito, ele não pode ter querido enganar-me e todas as minhas idéias claras e distintas são garantidas pela veracidade divina. Uma vez que Deus existe, eu então posso crer na existência do mundo. O caminho é exatamente o inverso do seguido por São Tomás. Compreenda-se que, para tanto, não tenho o direito de guiar-me pelos sentidos (cujas mensagens permanecem confusas e que só têm um valor de sinal para os instintos do ser vivo). Só posso crer no que me é claro e distinto (por exemplo: na matéria, o que existe verdadeiramente é o que é claramente pensável, isto é, a extensão e o movimento). Alguns acham que Descartes fazia um circulo vicioso: a evidência me conduz a Deus e Deus me garante a evidência! Mas não se trata da mesma evidência. A evidência ontológica que, pelo cogito, me conduz a Deus fundamenta a evidência dos objetos matemáticos. Por conseguinte, a metafísica tem, para Descartes, uma evidência mais profunda que a ciência. É ela que fundamenta a ciência (um ateu, dirá Descartes, não pode ser geômetra!).
4°. A Quinta meditação apresenta uma outra maneira de provar a existência de Deus. Não mais se trata de partir de mim, que tenho a idéia de Deus, mas antes da idéia de Deus que há em mim. Apreender a idéia de perfeição e afirmar a existência do ser perfeito é a mesma coisa. Pois uma perfeição não-existente não seria uma perfeição. É o argumento ontológico, o argumento de Santo Anselmo que Descartes (que não leu Santo Anselmo) reencontra: trata-se, ainda aqui, mais de uma intuição, de uma experiência espiritual (a de um infinito que me ultrapassa) do que de um raciocínio.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Os dons humanos

É interessante observar que dons são donativos, dádivas, presentes, dotes ou qualidades naturais ou inatas, que recebemos ao nascer. É algo diferente que virtude. Esta as pessoas desenvolvem, aprimoram, adquirem. Um dom, não. Está com a pessoa de forma intrínseca. É muito provável que o dom seja um valor espiritual não sujeito ao controle consciente da pessoa.
Uma pessoa portadora de dons, segundo o raciocínio do valor espiritual, certamente será uma pessoa portadora de um espírito evoluído.
O estudo dos dons é recente, da mesma forma que estamos atrasados nos estudos de outros temas associados à alma humana.
Pelo que já está um pouco mais claro, existem dons superiores, chamados de Dons Maiores e existem dons inferiores, chamados de Dons Menores. Os Dons Maiores são:

Percepção – dom elementar capaz de proporcionar com mais intensidade em algumas pessoas o dom de perceber, sentir, aperceber-se de coisas que não se ouvem, não se vêem, não se pega, não tem gosto, não tem cheiro e também não se explica através da intuição. Está antes da intuição e depois dos sentidos físicos. Poderia ser explicado através da sintonia magnética apreendida pela aura, porém num grau mais amplo do que o campo ao alcance da aura até agora estudado. O dom da percepção é, ao que parece o dom básico. Sem ele não afloram como deveriam os demais dons maiores. Estabelecida a percepção, há que saber-se o que fazer com a “coisa” percebida.

– dom complementar a quem percebe para que ato seguinte se possa acreditar e conhecer, dar credibilidade e autenticidade ao que se percebe. Assim, é possível dar mais um passo no processo de exercitar-se os dons maiores.

Amor – dom indiscutível à vida. Tendo percebido e conhecido, os seres estarão em condições de amar, aceitar, acolher, trocar, doar-se.

Esses dons maiores formam o grande tripé dos seres especiais e certamente são a base de todos os outros dons inferiores, como veremos a seguir:

Operar – dom secundário associado ao trabalho, à produção, à criação. O dom de operar também remete à necessidade de cooperar, estabelecer sinergia, complementando o sentido da palavra (linguagem), sem o que nada teria sido possível ao homem desde os primórdios de sua vida familiar e comunitária. Os estudiosos do homem pós-Darwin asseguram que “o papel crucial da linguagem na evolução humana não foi a capacidade de trocar idéias, mas o aumento da capacidade de cooperar” (Teoria de Santiago), com o que estamos dando enormes saltos evolutivos.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Ah! O diferente!

O que é ser diferente?
Para a maioria das pessoas, o diferente é o diferente, é o exótico, é o incomum. Num mundo de coisas e pessoas iguais, normais, ser diferente desperta a atenção, choca, assusta...
Pois, existem pessoas diferentes, que são perfeitas, maravilhosas, extraordinárias, sem serem anormais. Quem são elas?
O diferente não é quem pretende ser. Quem pretende ser é um imitador do que ainda não foi imitado, nunca um ser diferente. Para a maioria, diferente é quem foi dotado de parafusos a mais ou de parafusos a menos, evidenciados em hora, momento e lugar errados. Maioria que ri de inveja de não ser assim. E treme de medo de não agüentar caso um dia venha a ser.
Apesar disso, o diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição.
O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido por pessoas menos sensíveis e menos avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias são adiadas; esperanças são mortas.
Um diferente medroso, este sim, acaba se transformando num chato. Chato é um diferente que não vingou.
Os diferentes muito inteligentes percebem por que os outros não os entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro. Diferente que se preza entende o porquê de quem o agride. Se o diferente se mediocrizar, mergulhará no complexo de inferioridade.
O diferente paga sempre o preço de estar – mesmo sem querer – alterando algo, ameaçando rebanhos, matilhas, carneiros e pastores.
O diferente suporta e digere a ira do irremediavelmente igual, a inveja do comum, o ódio do mediano. O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão, mas que sempre está certo.
O diferente começa a sofrer cedo, já na primeira escola, onde os demais de mãos dadas, com a participação de alguns adultos, por omissão, se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial, em aleijão e caricatura. Para perverter o que é percepção aguçada em: “Puxa, fulano, como você é complicado!” Para mudar o que é embrião de um estilo próprio em: “Você não está vendo como todo mundo faz?!”
O diferente carrega desde cedo apelidos e marcações, que acaba incorporando. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram, e se transformam, nos seus grandes modificadores.
Diferente é o que:
• vê mais longe do que o consenso;
• sente antes dos demais começarem a perceber;
• se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham;
• engorda mais um pouco;
• engorda o que não deve;
• chora onde outros xingam;
• estuda onde outros burram;
• quer onde outros cansam;
• espera de onde já não vem;
• sonha entre os realistas;
• concretiza entre sonhadores;
• fala de leite em reunião de bêbados;
• cria onde o hábito rotiniza;
• sofre onde os outros ganham;
• fica doendo onde a alegria festeja;
• aceita empregos que ninguém supõe;
• perde horas em coisas que só ele sabe importante;
• dá horas importantes em troca de um sorriso;
• diz na hora de calar;
• cala nas horas erradas;
• não desiste de lutar pela harmonia;
• fala de amor no meio da guerra;
• deixa o adversário fazer o gol, porque gosta mais de jogar do que de ganhar;
• aprendeu a superar o riso, o deboche, o escárnio e a consciência dolorosa de que a média é má porque é igual.
Os diferentes estão aí, enfermos, paralíticos, machucados, engordados, magros demais, bonitos demais, inteligentes em excesso, bons demais para aquele cargo, excepcionais, narigudos, barrigudos, joelhudos, de pés grandes, de roupas erradas, cheios de: espinhas, mumunhas, malícias e barbas ou sem elas. Aí estão doendo, doando, mas procurando ser, conseguindo ser, sendo muito mais.
A alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para dividir com os poucos capazes de os sentir e os entender. Nessas moradas estão tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são capazes.
Nunca mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

De volta à Escola dos Terapeutas Xamânicos

Agora já sabemos:
A caminhada para a rebusca da sabedoria e da iluminação, começou, e sua profundidade se intensifica, afastando ilusões, fantasias e pensamentos lentos, levando-nos diretamente à imaginação, ou seja, às imagens em ação.
Nosso cérebro “vê” por imagens.
O objetivo é resgatar o antigo e verdadeiro sagrado de nossos atos.
A tarefa é experimentarmos as dimensões e tempos aparentemente esquecidos.
O prêmio é vivenciarmos a ancestralidade das raízes de nossa árvore da vida, recordando nosso “sonho real” sem nenhuma culpa, vergonha ou medo de caminharmos o nosso destino e de realizarmos a coreografia da dança universal que reproduz em nossos corações o pulsar cósmico.
O tempo todo, em nossa caminhada, seremos chamados a andar – expansão: melhor direção a tomar;
e parar – contração: melhor posição a escolher.
Estaremos sintonizando e conectando-nos ao que o cosmos exige de nós para que estejamos aptos a pertencer aos padrões e sistemas de que se compõe a vida.
Chegou para nós o chamado espiritual, a oportunidade divina e a companhia de nossos guias e mentores para:
acordarmos o Curador que mora em nossa coração;
o Guerreiro e Líder que toma conta de nosso corpo físico;
o Mestre e Sábio que dirige a nossa mente;
e o Visionário que ilumina a nossa alma.
A nossa decisão pessoal de caminhar no rumo de cada um de nós mesmos e de habitar o templo que somos nós, se manifesta nesse momento quando damos novos passos, querendo resolutamente buscar dentro de nós
a riqueza que somos;
a beleza que somos;
a bondade que somos;
a alegria que somos;
a pureza que somos;
a harmonia que somos;
a inteligência que somos;
a perfeição que somos;
a divindade que somos.

Relembrando Algumas Lendas

Conta-se que durante a emigração da Europa para a América, um emigrante sentindo muito amor pela terra onde nasceu, não queria abandoná-la. Mas não tinha outro jeito: era emigrar um morrer de fome. Então ele cavou uma quantidade da terra de sua comunidade e botou num saco para trazer consigo como lembrança. Já no navio ele usava aquele saco de terra como travesseiro para a cabeça. Foi para a região de sua nova moradia na América e levou o saco de terra, que definitivamente ficou sendo seu travesseiro. Aquela porção de terra estava contrariada, queria ser útil, produzir, receber chuva e sol. Os gnomos a consolaram, dizendo a ela que há ocasiões em que somos chamados a curar as dores de saudades de um pobre homem que foi arrancado de sua terra natal pela força das mudanças na economia mundial. E para isso, às vezes, somos obrigados a ficar retidos como terapeutas à espera da cura, de que o novo amor desse homem se volte pela nova terra e liberte a velha terra para misturar-se com a nova e juntas tomarem sol e chuva e produzirem, produzirem...

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O Lago Cristal era assim chamado pela claridade de suas águas. Um dia, vindo do Oeste chegou uma multidão de bovinos sedentos, vítimas de uma grande estiagem. Adentraram o lago, beberam de sua água, pularam de felicidade, agitaram os sedimentos depositados, turvaram as águas. E o Lago Cristal deixou de ser cristal por longos momentos.
As ondinas se apressaram a ensinar ao Lago que por uma boa causa nós podemos e devemos deixar nossa posição de conforto e descanso.

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Conta-se que num dia de temperatura amena, de brisas refrescantes, um punhado de ar estava a queixar-se que só ele havia sido preso dentro de um balão colorido, impedido de brincar livremente pelos campos e vales.
Incomodou tanto que a autoridade natural ordenou que o balão explodisse para liberar o ar, como ele desejava.
Mas, qual não foi a sua surpresa: libertou-se mediante o choro inconsolável da criança que brincava com o balão.
Os silfos então se aproximaram daquele punhado de ar para ensinar que se é para a felicidade de quem merece, devemos aceitar, por amor, de colocar o nosso tempo e a nossa presença a seu serviço.

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Conta-se que durante um inverno muito rigoroso, uma pobre viúva com seus três filhos menores viu acabar-se a provisão de lenha e sentiu a ameaça do frio, sem ter como cozinhar e aquecer sua família. Morreriam de frio e fome.
Então ela se dirigiu à floresta coberta de neve ao redor de sua casa e apanhou alguns pedaços lenha verde, que pôs para queimar. A lenha chorava muito, expelindo suas lágrimas pela extremidade do tronco.
As salamandras, que assistiam a tudo sorridentes, ensinavam à lenha verde que sendo por uma boa causa, mesmo derramando lágrimas de sofrimento, devemos oferecer-nos para ajudar.

ISU
O Conhecimento da Inteligência Superior do Universo se dá no Campo Unificado de Energia que reúne o Poder do Conhecimento, o Poder do Desejo e o Poder do Espírito. O Conhecimento é a Informação, que não se manifesta, está no Silêncio. O Poder do Desejo é a Organização e a Criação. O Poder do Espírito é a Bem-aventurança buscada no Espaço e no Tempo em Conjunção com a Matéria.
A Bem-aventurança humana passa por nove estágios, a saber: Estar, presença física, nascimento; Ser, tomar consciência de si, sentir-se, querer-se; Pertencer, ser acolhido em família ou grupo, escalar-se na escola, na empresa, na sociedade; Participar, ser ouvido, ser levado a sério, cooperar; Ter poder, perceber que sua participação tem conseqüência; Dar, contribuir com algo a oferecer, semear regularmente; Receber, ser avaliado e considerado (recompensa emocional); Realizar(-se) poder apresentar uma obra, um legado, obter a satisfação de ter contribuído, colher o prazer do dever cumprido, ser feliz, ter sucesso; Ter, obter o usufruto material, a recompensa em dinheiro. Os grandes males do homem nestes últimos séculos, é que ele tem saltado do primeiro para o último estágio.

Inverno, Primavera, Verão, Outono

Temos aí um dos ciclos da Natureza, o mais palpável aos seres vivos. É no espaço de 365,¼ dias que a maioria dos seres vivos conhecem a contração e a expansão, vão da morte à vida e exercem a plenitude de ovular, fecundar, nascer, crescer, florescer, frutificar e, de novo, retomar o início do ciclo. Existem ciclos mais curtos, curtíssimos e mais longos, longuérrimos.

(Oração do Curador)
Ó Grande Espírito do Sul, Protetor da terra fértil.
E de todas as coisas verdes que crescem.
As nobres árvores e a grama.
Avó Terra, Alma da Natureza, grande poder de receptividade, do que nutre, do que suporta.
Poder de crescer e de fazer medrar as flores do campo e os frutos dos pomares.
Oramos para que possamos estar alinhados contigo,
para que assim tuas forças possam fluir através de nós,
e ser expressos por nós, para o bem desta planeta Terra
e de todos os seres que nele vivem.

(Oração do Sábio)
Ó, Grande Espírito do Oeste, Espírito das Grandes Águas,
da chuva, dos rios, lagos e degelos.
Ó, Avô Oceano, Matriz profunda, útero da vida, poder de dissolver fronteiras,
de desatar as amarras.
Poder de provar e de sentir, de limpar e curar.
Grande e Abençoada Escuridão da Paz.
Oramos para que possamos estar alinhados contigo,
para que assim tuas forças possam fluir através de nós,
e ser expressas por nós para o bem deste planeta.
E de todos os seres que nele vivem.

(Oração do Líder)Ó, Grande Espírito do Norte, Espírito Invisível do Ar, e dos ventos frescos e gelados.
Ó, vasto e ilimitado Avô Céu.
Teu vivo sopro anima toda a existência.
Teu é o poder da luz e da força, poder de ouvir os sons que vêm da alma,
de levar de roldão os velhos padrões
e de trazer a mudança e o desafio, o êxtase do movimento e da dança.
Oramos para que possamos estar alinhados contigo,
para que assim tua força possa fluir através de nós
e ser expressa por nós, para o bem deste planeta
e de todos os seres que nele vivem.

(Oração do Visionário)
Ó, Grande Espírito do Leste, Radiância do Sol Nascente, Espírito dos Novos Começos.
Ó, Grande Avô Fogo, Grande Fogo Nuclear – do Sol.
Poder de vida e energia, raio vital, poder de ver longe e de imaginar com simplicidade.
Poder de purificar nossos sentidos, corações e mentes.
Oramos para que possamos estar alinhados contigo,
para que assim tuas forças possam fluir através de nós
para o bem deste planeta Terra e de todos os seres que nele vivem.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A Travessia

O blog “Maioridade Espiritual” convida seu leitor e participante para uma Travessia. Aliás, a proposta do blog foi, e continua sendo, uma caminhada, uma travessia, a travessia da menor para a maior idade.
Agora estamos diante de um momento decisivo dessa caminhada. Precisamos fazer uma travessia. Que travessia? Tomemos como exemplo a travessia de um caudaloso rio, onde os medrosos se afogarão e onde os fracos desistirão. Nós queremos, dentro do possível e do interesse de cada um, prosseguir na caminhada e no resgate que estamos fazendo desde as primeiras leituras.
Lembremos de que grande parte dos conteúdos explorados aqui objetivam a travessia das sombras de nossa consciência para a luz, da face de desconhecemos para a que queremos conhecer, do nosso oposto personal para o nosso aliado espiritual. Buscamos a ajuda de Carl Gustav Jung para entender melhor o mapa da travessia. Aprendemos que iremos encontrar cinco estágios de (in)consciências, segundo Jung, que precisaremos acessar para que a travessia aconteça na direção do Ser Maior, que é onde sempre desejamos chegar. Não quer dizer que chegaremos lá imediatamente, neste momento. Queremos chegar lá. Pode demorar, mas isso não tem importância. Sabemos que é possível e faremos de tudo para conseguir.
A partir de agora o texto cuidará da primeira pessoa. Meu convite é para que você progrida na caminhada, dando passos decisivos na travessia. Tudo quando for recomendado, daqui para a frente, que fique claro, é para ser executado brevemente, em sua casa, nas ruas próximas, ou na praia, nos próximos dias, repetindo a ação pelo menos três vezes, isto é, em três dias distintos.
O primeiro (in)consciente que acessarei é o familiar. Farei isso no tipo de meditação em pé. Pegarei fotos antigas de meus avós, bisavós, trisavós, gravuras e outras imagens relacionadas com eles e com seu tempo, e armarei um painel numa parede, à altura de minha cabeça. Em frente aos citados objetos permanecerei por cerca de 30 minutos em contemplação/meditação, perguntando a mim mesmo e a eles, à memória de seus espíritos, o que eles gostaríamos de me dizer.
O segundo (in)consciente que acessarei é o simbiótico, isto é, visitarei as memórias que estão em mim, mas que não me pertencem, me foram “vendidas” por conselheiros estranhos aos meus laços de família, amigos e mestres. Se for necessário visualizar para facilitar o exercício, pegarei livros escolares, catecismo, livros de auto-ajuda, crucifixo, imagens de santos e outros símbolos que participaram de minha formação intelectual e religiosa.
Para quem conhece a informática, ficará fácil entender que se propõe: deletar os arquivos intrusos, temporários, indesejados, alojados em minha memória apenas para manipular minhas escolhas, ocupar espaços e tornar mais lentas e mais complicadas as minhas resoluções. Farei isso na posição de meditação deitada e oferecerei a esse trabalho 30, 60, 90 minutos, quanto tempo for necessário, repetindo a operação quantas vezes forem necessárias até ter certeza de que está superada a fase e realizada a travessia. Quero limpar os arquivos. Ficarão neles só o que for valoroso, verdadeiro, importante e útil.
O terceiro (in)consciente que acessarei é coletivo, isto é, visitarei a memória que pertence ao povo de onde sou oriundo. Como se sabe, este país foi formado pelos indígenas que aqui viviam e, de 1500 em diante, pelo homem europeu, africano, asiático, médio-oriental e tantos outros. Qual é o meu povo? Que queria ele? Como chegou aqui? O que fez aqui? Onde está o meu povo? Com que do meu povo me identifico? São respostas mínimas que se busco. Para obter essas respostas, contemplarei, meditarei, andando. À medida que meus passos forem ritmando minha caminhada, estarei imaginando, neste mesmo ritmo, a jornada de meu povo, andando desde onde se encontrava antes até onde se encontra hoje.
O quarto (in)consciente que acessarei é o cósmico, isto é, procurarei visitar as criaturas que deram início ao planeta Terra, o homem das cavernas, meu ancestral. Irei imaginar esse estranho ser corpulento, peludo, desajeitado, carregando um filho no colo, migrando de uma região que se tornou agressiva pela erupção de um vulcão, para outra onde ele pudesse habitar com seu clã. Meio andando, meio correndo, esse “quase gorila” que fui, caminha depressa para fugir do perigo, para proteger sua espécie, para garantir que seus genes chegassem aqui em mim. Farei isso meditando em dois distintos momentos: no primeiro tempo caminharei do mesmo jeito que ele, com a angústia de quem está fugindo de algo perigoso. Farei isso desde a rua até chegar em casa; no segundo momento me aconchegarei no colo de uma poltrona. O filhote que está no colo do “quase gorila”, sou eu.
Estou sendo levado para o futuro. Quero rememorar a partir desse ato, a trajetória da humanidade pelos séculos, pelos milênios. Preciso passar pelo povo hebreu, pelo Império Romano, pelo Império Otomano, pelos bárbaros, pela formação do continente de onde veio o meu povo. Quero incorporar sua luta à minha história pessoal. Quero sentir carinho por sua e minha história, de muito longo prazo, pois a história é uma só.
O quinto (in)consciente que acessarei é o angelical, isto é, quero descobrir quem fui eu, que imagem tinha eu, que nome eu tinha antes de ser (esta atual identidade): ________. Quero sentir-me leve, voando livremente, como um pássaro. Um pássaro inteligente, que sabe onde quer ir, com quem quer ir e por que quer ir. Quero encontrar-me fazendo a livre escolha de possuir como mãe e pai, os meus pais atuais. E combinando com clareza com esses meus irmãos atuais, participarmos e partilharmos uma família, que é a nossa, a minha atual família. Quero sentir-me ocupando meu corpo, mas vendo-o de fora, de cima, como se estivesse vendo um filme, do qual sou um dos atores. E quero, novamente, imaginar-me livre deste corpo, outra vez na condição de pássaro, um anjo, isto mesmo, um anjo. Agora, nesta condição de anjo, meditarei a respeito do que quero fazer. Nos próximos minutos, estarei fazendo meu plano de ação como anjo, pelos próximos anos, pelas próximas décadas.

Oferendas Ritualísticas

Que oferenda eu faço, farei, no final deste ritual?
Posso levantar-me e dirigir-me a um símbolo que povoa minha história.
Posso consumar uma oferenda numa pedra.
Num abraço a alguém que amo.
Quem sabe decido repetir esta travessia e só então programar uma oferenda àquilo que entendo por Sagrado.
Em qualquer dos casos, será o meu compromisso, a minha oferenda íntima – de mim para comigo – .


Uma síntese, um resumo

Assim como o espírito ganha poder no corpo humano, o Criador exibe seus poderes nos elementos terra, água, ar e fogo.
O contato do homem com o Criador se dá pelos sentidos.
Quanto mais expandida a nossa percepção,
maior e mais profundo é o contato e o conhecimento do homem sobre o seu Criador e com o seu Criador.
Basta conhecer e contatar?
Não!
O ser humano é feito à semelhança do ser divino e deve crescer para o bem, para a luz.
Muitos caminhos levam à luz,
passam pela luz verde do Curador;
passam pela luz azul do Sábio;
passam pela luz amarela do Líder;
passam pela luz vermelha do Visionário.
E tende a chegar à luz violeta crística,
pois Jesus Cristo simboliza os quatro mestres.
Foi, Jesus, ao mesmo tempo, curador, sábio, líder e visionário.
As luzes e as sombras de cada de nós são os desafios colocados em nosso caminho por todos os dias de nossas vida.