sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz 2012


Não será apenas mais um ano

O ano que vai começar dentro de algumas horas marca uma efeméride que muitos, muitíssimos seres humanos gostariam de presenciar, pois ele trará consigo em dezembro próximo a data que marcará a passagem oficial da Era de Peixes para a Era de Aquário.
Mas, não é apenas isso. São dois acontecimentos conjugados. Um deles é a troca das eras, o outro é a transição do Sistema Solar dentro do Sistema de Alcion alcançando uma área vibratória pela qual passamos há 5 eras passadas, quando estávamos na Era de Leão, há mais ou menos 10 mil e tantos anos, em plena auge da civilização Egípcia, antes de sucumbência de Atlântida.
É de saudar com euforia e muito mais, fazer por merecer participar de um tempo afortunado para a espiritualização da humanidade.
Confira nos textos a seguir as predominâncias e as tendências de cada signo do Zodíaco sobre a humanidade deste planeta:

Era de Áries: 2.280 anos antes do nascimento de Cristo

A agressividade, militarismo, conquista e atividades físicas desta era são percebidas na evolução das cidades estado gregas em direção à democracia, na ascensão e queda do Império Romano tão bem relacionado ao deus Marte, no estabelecimento de grandes exércitos e da arte da estratégia militar, no estabelecimento dos Jogos Olímpicos. O signo de Áries rege armas, ferramentas, metalurgia, esportes, exércitos, cirurgias.

Era de Peixes: 134 anos antes do nascimento de Cristo

Profundamente ligado ao misticismo, fé, sacrifícios e assistência social, o signo de Peixes predominou nesta Era e ao final do Império Romano a fé cristã se espalhou por todo o mundo conhecido, praticamente toda a arte tinha motivos religiosos. Outras religiões não cristãs também tiveram tempos áureos, numa demonstração de que predominava a busca mística da humanidade com seus elevados preços, pois várias guerras por motivos religiosos ocorreram, sendo que a perseguição dos judeus na Segunda Grande Guerra foi o sacrifício final desta Era.

Era de Aquário: Ano 2012 da Era Cristã

Desde o ano de 1950 a humanidade não é mais a mesma. O signo de Aquário rege a tecnologia, e ao mesmo tempo o resgate da sabedoria antiga, o computador ao lado da arqueologia, uma mescla intrigante que parece excêntrica, mas hoje faz muito sentido. A excentricidade é uma constante aquariana, e se vê no fenômeno hippie dos anos 60, mas outras características aquarianas estão mais evidentes: a globalização, a aceleração da história, a busca dos conhecimentos ocultistas antigos, a conquista do espaço, o direcionamento a ver a humanidade como um todo ao invés de países isolados. Nos últimos 50 anos evoluímos o equivalente a 1000 anos de história, em parte devido à tecnologia e à velocidade de comunicação, mas em parte devido à maturidade do homem, que está gradualmente passando a deixar de olhar para si mesmo e olhar para o conjunto dos homens.

Pelo privilégio de estar ingressando na Era de Aquário, erga os olhos para a Luz Superior que iluminará este pedacinho da galáxia e chame para sua vida os melhores influxos vibratórios. Faça por merecer.
Seja feliz.

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Este blog ficará em recesso durante o mês de janeiro 2012

Estados e estágios de consciência (V) final


5. Níveis de consciência

Segundo o que pode obter da cátedra de Ken Wilber, cada um de nós é para o mundo e é o que o mundo significa para nós, de acordo com aquilo que cremos e transformamos em realidade. Quando você vê uma multidão de nordestinos aos pés da imagem de Padre Cícero buscando um milagre, uma cura, uma solução para seus males, pode crer, são pessoas sofridas, com baixa auto-estima, muita fé, a procura de um salvador. Estamos lidando com baixos níveis de consciência, justamente onde a Igreja mais atuou e onde o governo menos atuou.
Pelo Brasil a fora e na América, na África ou em qualquer lugar onde os conhecimentos ainda são limitados, iremos encontrar milhões de pessoas com níveis de consciência como as descrições seguir identificam:
• Acredito em mau-olhado, magia-negra, gato-preto cruzando a rua, azar provindo de haver passado por baixo da escada, dependo da ajuda de líderes carismáticos, de salvadores, de milagreiros, de protetores, de adivinhos e curandeiros;
• Acredito na ação de santos, orixás, patuás, breves e escapulários;
• Acredito na ação de invejosos, de duendes e gnomos e na suas influências sobre mim, minha casa e minha família;
• Acredito que Deus está no céu de onde tudo vê, tudo dirige, e de onde há de vir julgar os vivos e os mortos numa data breve;
• Acredito no dia do juízo final em que todos os mortos serão ressuscitados e todos, vivos e mortos, serão julgados e enviados para um destino fatal: inferno ou paraíso;
• Acredito no poder da energia mental e na atração que exercemos sobre aquilo que mentalizamos com recorrência;
• Acredito na existência do Sagrado que se revela espiritualmente com cuja influência posso mudar em grande parte o curso do meu destino graças ao livre-arbítrio;
• Acredito na existência de Leis Universais Naturais com as quais temos de lidar permanentemente colocando-nos a seu favor ou contra elas;
• Acredito poder potencializar nosso desempenho frente ao destino com a ajuda de forças sagradas e também na possibilidade de perder forças e poder por conta de um posicionamento equivocado, egoístico ou egocêntrico;
• Acredito no poder de uma Inteligência Superior que deu causa ao Universo e na autoria de um projeto para o qual os seres humanos contribuem melhorando-o ou piorando-o segundo nossos estágios de conhecimento-consciência e que, por conta disso, temos o mundo que merecemos ter não só individualmente, mas também coletivamente;
• Acredito ser muito grande o poder humano não só para destruir, como ocorre, enquanto nos comportamos como adversário das Leis Naturais Universais e que a nossa recuperação é aguardada pelo Comandante Supremo com grande expectativa, pois, dessa forma, teremos correspondido e confirmado pertencermos ao grupo dos aliados da Inteligência Superior Universal no tocante a contribuir para uma constante melhoria.
(Até onde alcançar o seu “sim” é até onde a sua consciência já consegue “enxergar”)
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Como foi anunciado em vezes anteriores, em janeiro/2012 este blog estará em recesso para retornar reformulado.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Estados e estágios de consciência (IV)


4. Um entendimento holístico

No modelo de Ken Wilber de Filosofia Integral a consciência se organiza em esferas evolutivas que sucessivamente incluem e transcendem a camada anterior. Você, leitor, poderia entender como se dá isso (proposta de exercício) dirigindo-se a um terreno desconhecido à noite, portando consigo um cabo energizado tendo na extremidade um suporte para lâmpadas. Leve consigo uma coleção de lâmpadas com as seguintes capacidades: 20, 40, 60, 100, 300 e 500 watts. Você ligará a lâmpada de 20 watts a erguerá por sobre a cabeça e olhará em volta até onde a claridade permitir que você veja. Você verá o que estiver iluminado. Se quiser, trocará pela lâmpada de 40, 60 e assim sucessivamente, sempre fazendo o exercício de olhar em volta. Mas, não basta olhar, o ideal é que você percorra todo o campo iluminado, faça conato com o que ali existe, descubra, aprenda, certifique-se. Parece óbvio e até idiota um exercício assim, mas não há outro jeito de explicar com maior realismo o fenômeno da expansão do campo de consciência.
E, claro, não é tudo. Estará iluminado o terreno, nele haverá coisa que você vê, toma contato, sabe o que é, mas também haverá coisas que você não sabe o que é. Certo? Então não é só iluminar, é também apropriar-se do conhecimento do que ali existe.
À medida que a luminosidade do conhecimento permitir, seus olhos (aqui pegos como símbolos da consciência) irão abarcando maior área e tomando maior ciência do que ali existe. A palavra consciência, quer significar exatamente co-ciência. Ter também ciência do que ali existe. A palavra também é sintomática, pois conhecer algo não significa apropriar-se daquilo, mas sim do {co}-nhecimento sobre ele. Infelizmente, os níveis de consciência das maiorias humanas não ocorre por experiência, ocorre por informação. Eu acredito nisso ou naquilo não porque sei, mas porque me disseram.
Wilber aprofunda e ensina que a vida inclui e transcende a organização física e molecular onde ocorre; a mente, por sua vez, inclui e transcende a vida; a alma inclui e transcende a mente; e o espírito, inclui e transcende a alma.
• A: Matéria / Física - A
• B: Vida / Biologia - A+B
• C: Mente / Psicologia - A+B+C
• D: Alma (sutil) / Teologia - A+B+C+D
• E: Espírito (causal) / Misticismo - A+B+C+D+E
Esta idéia que qualquer "todo" conhecido é apenas um "holon" (parte de um "todo maior", é um conceito holístico que Wilber tomou emprestado de Arthur Koestler), que aplica-se também aos átomos, moléculas e organismos; letras, palavras, frases, páginas, livros e ideias; e também se aplica à própria consciência humana, um holon que se manifesta em quatro quadrantes: eu, isto, nós, "istos" (que quer dizer isto coletivo).
Segundo o seu modelo, a negação das camadas vistas como "inferiores" (comum a vários sistemas filosóficos e religiosos), seria um equívoco; assim como o descarte, por parte de alguns campos da ciência, de toda esfera que transcenda os limites de sua visão.
A visão científica em geral considera um "cosmos" da realidade física como "todo", e não um holon. Isso implica a visão de que apenas a física e causalidade seriam as ciências perfeitas e reais. Wilber propõe a retomada do conceito grego de “Kosmos”, que inclui não só a matéria, mas também a vida, a mente, a alma e o espírito. Assim, uma visão materialista encontraria explicações para o domínio de seu "olho do físico", criando teorias para o cosmos. Já uma visão de Kosmos implicaria o desenvolvimento de um "Olho do Espírito", uma vez que causas oriundas de um holon transcendente pareceriam inexplicáveis - ou fatos acausais, na visão de Carl Gustav Jung - se considerado apenas a esfera anterior.
Wilber também expande o conceito da Dinâmica da Espiral de sua colega Clare W. Graves, um modelo dos estágios do desenvolvimento humano, aplicável a vários campos, de acordo com uma visão do mundo mais ou menos individual, familiar, coletiva ou holística.
Segundo o pensador, a maioria das visões espirituais e psicológicas incorrem numa visão dualista (racional ou espiritual, ciência ou religião, ego ou essência do ser). Wilber ignora toda a história do pensamento pós Descartes, que é construída sobre a crítica contra o pai do racionalismo. Wilber tentará então criar um pensamento pretensamente inovador ignorando qualquer estudo aprofundado acerca da história ocidental, a começar por, por exemplo, David Hume entre outros. Para ele há um modelo de três camadas (pré-pessoal, pessoal e transpessoal; mítico, religioso ou místico; corpo, ego ou Ser; instinto, intelecto ou intuição; natureza, cultura ou Kosmos), e há um falácia ao incluirmos as experiências pré-pessoais na coluna "espiritual" do modelo anterior. Assim, sua análise discerne, no dito espiritual, aquilo que é "transpessoal" e evolutivo daquilo que seria "pré-pessoal".
Wilber propõe dez níveis e quatro quadrantes que, se combinados, geram a abordagem "todos os níveis, todos os quadrantes" de sua Filosofia Integral. Esses níveis e quadrantes são:
• SUPERIOR ESQUERDO: Interior-Individual, Eu. Psicologia do Desenvolvimento.
• SUPERIOR DIREITO: Exterior-Individual, Isto. Neurologia, Ciência Cognitiva.
• INFERIOR ESQUERDO: Interior-Coletivo, Nós. Psicologia cultural, antropologia.
• INFERIOR DIREITO: Exterior-Coletivo, Istos. Sociologia.
Cada um destes quadrantes apresenta 10 estágios ou níveis, sub-divididos em pré-pessoais, pessoais ou transpessoais:
• TRANSPESSOAL: Causal, Sutil e Psíquico.
• PESSOAL: Centáurico/Visão Lógica, Formal (formop) e Operacional Concreto (conop).
• PRÉ-PESSOAL: Rep-ment, Fantásmico-emocional, Sensório-físico e Indiferenciado ou matriz primária.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Estados e estágios de consciência (III)


3. Para reabilitar o Espírito

Aquilo que chegou a ser denominado dignidade da modernidade, significada pela independência da ciência em relação aos ditadores religiosos, hoje se tem certeza pode ser rotulado como o desastre da modernidade. Os cientistas e filósofos já sabem disso. Hegel, Heidegger, Horkheimer e Habermas, no Ocidente, chamaram a atenção para isso. Livres, autônomas e (atéias) as ciências, as artes e a moral (diga-se ética) produziram um grande avanço nas consciências humanas destas áreas, mas as igrejas preferiram estacionar no que se pode chamar de pós-mítico e renunciaram avançar. O desenvolvimento espiritual não aconteceu. Nem mesmo a cátedra de Jesus conseguiu chegar íntegra ao Iluminismo (século XIX) e este movimento, então, aproveitou para apagar todas as luzes de espiritualidade que ainda poderiam existir.
Para Wilber (já referido), a racionalidade técnica colonizou o mundo da vida. A guerra que se travou entre a Ciência nascente e a Igreja dominante, inicialmente com aquele processo absurdo que esteve a um passo da execução de Galileu, por haver ele descoberto que a Terra não era, como diz a Bíblia, o centro do mundo, começou por considerar que aquilo exercido pela Igreja representava o aspecto espiritual do homem: castração. A Ciência queria entender que acreditar nos escritos simbólicos de um “livro sagrado” não era muito diferente que acreditar nos deuses do Olimpo. E assim, o aspecto espiritual, entendido como coisa da Era Mítica, deveria ser descartado, como, de fato, o foi. E permaneceu à margem. Talvez ainda esteja lá.
Depois que a espiritualidade, como um todo, foi descartada, o modo de discurso dominante não apenas tornou ilegal a espiritualidade mítica ou pré-racional (o que pode ser aceito), como também a espiritualidade racional e pós-racional (o que foi um crime). Isso explica a dificuldade do kardecismo ser entendido na Europa e nos Estados Unidos.
Os novos e modernos tempos chegaram. A linha moral e a linha estética (aquelas da questão das esferas de valor) foram forçadas a assumir o lugar da espiritualidade. Intelectuais liberais modernos deixaram de ter religião, tinham apenas arte e moral. Em seguida arte e moral desabaram sob o peso da ciência racional, que colonizou as outras esferas de valor e que, por algum motivo, tornou-se a “religião” dos intelectuais iluministas. Deus havia sofrido uma repressão catastrófica, através da ciência. E dormindo sobre o poder temporal esse crime recebeu as bênçãos papais, dos infalíveis papas. Eles terão que responder por esta falência disfarçada de infalibilidade.
Deixa estar, que a integralidade humana parcialmente castrada continuava a pedir e a cobrar espaço para a espiritualidade. Cientistas da estirpe de Einstein falavam nisso. Como a andança, em geral, observa-se três grandes etapas, compreendidas (1) como a religiosa, ou infância humana, em que os alunos, por necessidade ou dependência seguem os pais, professores e sacerdotes sem contestação; (2) como a espiritual ou da vida adulta, que começa pela rebeldia do adolescente, passando pelas contradições e pela insatisfação que levará o jovem a amadurecer e a alcançar a segurança e a independência sonhada pelo adulto; (3) como a mística, ou da maturidade em que, crescido, o buscador espiritual quer a meta suprema, que só pode vir com a ajuda do alto, por mérito, subordinando seu ego à vontade de Deus, boa parte da Ciência tendo transposto o nível dois, inaugura-se a fase três, como se torna possível compreender.
Aquele segmento do pensamento religioso não tendo evoluído tornou-se fundamentalista: seus seguidores acreditam naquilo que acreditam não porque seja racional, mas porque alguém lhes disse que é assim e teimam. Isso é fundamentalismo. Todas as religiões evangélicas e seus milhões de “cordeirinhos” e “fanáticos” são frutos desse desastre da modernidade.
Outra forma de desastre ocorre com milhões de estudantes universitários, oriundos de famílias contaminadas por estas mesmas tradições religiosas: eles são ridicularizados em sala de aula sempre que tentam falar de Deus com a maioria de seus professores e colegas. Tomados de frustrações, caem em um vazio cultural de difícil recuperação e não raro vão embriagar-se com algo que entorpeça suas mentes.
O homem desses últimos 500 anos cresceu aleijado: a cabeça (representada pelo cientificismo) se tornou enorme; o coração (representado pela ética) quase parou de bater; a alma (carente de espiritualidade) foi buscar socorro no alcoolismo, nas drogas e nos últimos resquícios do xamanismo; o corpo adoecido, tornou-se refém das poções mágicas laboratoriais infalíveis no combate aos sintomas, só aos sintomas. A cura ficou adiada.
Nessa selva brutal de desvios, perdas e descaminhos atuam algumas filosofias da religação daquilo que desligou, entre as quais o espiritismo. E a esperança agora se volta para aqueles cientistas que se convencem da necessidade de retomar o desenvolvimento da inteligência espiritual, esquecida nos Concílios de Constantinopla e de Nicéia e definitivamente condenada depois que ciência e religião (religião vista como congregação estrutural, empresa) passaram a ser inimigas.
Os experimentos revelados pelas últimas notícias científicas dão o tom do que vem por aí nessas próximas décadas.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Estados e estágios de consciência (II)


2. Enfim, alguém para integrar

É sempre um pouco difícil abordar a questão do desenvolvimento espiritual em virtude da escassez de outros estudos comparativos. Mas, se tomarmos a via dos estados de consciência parece que o caminho se torna menos obscuro. Vamos partir do princípio do homem e aproveitar as perspectivas de mundo anotadas por Gebser. Jean Gebser foi um filósofo polonês (1905-1973) que se dedicou ao estudo da consciência humana e criou uma escala capaz de situar as fases de desenvolvimento espiritual, que vai da arcaica à integral, passando pelas fases mágica, mítica, racional e pluralista. Ensinou que viemos do arcaico, que pode ser considerado o ponto zero: o homem olhava para os céus e nem mesmo sabia o que era aquilo. Bem mais tarde passamos para o mágico: aquilo era realmente maravilhoso, a magia da abóbada celeste. Muito tempo depois, saltamos para o mítico: havia deuses poderosos carregando e sustentando tudo aquilo. Não demorou muito, saltamos para o racional: quem são esses deuses? Neste século XXI abre-se a fase pluralista, que estudará o Deus Único sob a visão de todas as tradições religiosas, cujo resultado poderá ser o alcance da fase integral: acabar-se-ão as divisões fundamentalistas.
Gebser não foi o único a estudar o crescimento consciencial do homem. Outro que trabalhou isso foi o estadunidense James W. Fowler, professor de Teologia e Desenvolvimento Humano, conhecido mundialmente por seu livro “Estágios da Fé”, no qual traça um verdadeiro mapa do desenvolvimento humano e sua concepção de Deus. Fowler teve a companhia de Piaget. O suíço Jean Piaget (1896-1980) revolucionou as concepções de inteligência e desenvolvimento cognitivo partindo de pesquisas baseadas em observação. Apesar de considerar-se um epistemólogo genético, Piaget contribuiu com a Educação, com a Psicologia e até mesmo com a Informática.
Esses dois também contribuíram para isso, criando cada qual a sua escala para identificação da expansão cognitiva. Mais recentemente, Ken Wilber andou juntando concepções de uma dezena de autores e chegou a uma tabela centrada na cores do Arco-íris, segundo a qual, partindo do infravermelho, o desenvolvimento pode alcançar o ultravioleta. Ken Wilber é norte-americano considerado um dos mais brilhantes filósofos da atualidade. Fundou o Integral Institute, onde reúne centenas de pesquisadores da mente e da consciência. O seu mais recente livro, “Espiritualidade Integral”, foi editado no Brasil pela Aleph.
A juntada das teorias consagradas no mundo todo, dá a Wilber a certeza de não merecer as críticas dos discordantes, como sempre ocorre e por conta de cuja mania humana nós já ficamos séculos discutindo a autoria e nunca reconhecendo o efeito das idéias ou teses.
Para nós, aprendizes, interessados em entender onde poderíamos nos localizar na tabela crescente de Wilber, importa anotar que o trabalho desse intelectual não se resume apenas aos aspectos religiosos. Apesar de Wilber demonstrar especial interesse por explorar a inteligência espiritual e a repressão do sublime, como especifica, trata por igual as inteligências cognitiva, estética, espiritual e moral, associando-as com as esferas de valor (Max Weber) (pela ordem): ciência, arte, espiritualidade e ética.
Wilber reúne as diversas teorias para concluir que dependendo das circunstâncias uma pessoa pode experimentar diferentes níveis de evolução em cada um dos quadrantes: cognitivo, estético, espiritual e moral.
A sua análise demonstra uma catástrofe perpetrada contra o desenvolvimento espiritual, segundo narra. Lá nos primórdios de nossa consciência, sem nenhum critério científico, filosófico ou religioso, misturávamos tudo aquilo que modernamente foi diferenciado e conceituado como esferas de valor, o que pode ser descrito como estética, ética, ciência e religião. O problema foi que da Idade Média para frente além de diferenciar as esferas de valor (o que foi bom), nós as dissociamos (o que foi ruim) e, sob o pretexto de contrapor a hegemonia de uma Igreja dominadora, jogamos fora o aspecto da espiritualidade. Os últimos espiritualistas foram executados em praça pública e queimados. A Reforma e a Contra-Reforma religiosas só vieram aprofundar o fosso da divisão.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Estados e estágios de consciência (I)


1. Introdução

Vamos iniciar com este primeiro enfoque uma série de crônicas sucessivas destinadas a abordar a questão da consciência, dos graus, dos estágios e também dos estados de consciência. Todos nós, um dia, chegaremos ao topo, fomos destinados a chegar lá, estamos a caminho. As oportunidades nos são dadas de avançar a passos largos. É quando bate aquele vento benfazejo na popa e nosso barco parece deslizar sem resistência. D’outras vezes, os obstáculos são postos em nosso caminho, aliás, é melhor não pensar que eles sejam postos, não é bem assim: eles aparecem possivelmente por nossa necessidade de aprender com eles e demonstrar que essa parte já ficou para trás, já estamos capacitados a suplantar. Mas, eis que, dependendo do estágio de consciência em que nos encontramos, nós ficamos uma vida inteira andando ao redor do obstáculo, reclamando dele, amando ele, valorizando ele, aumentando ele, especulando sobre ele, procurando culpados pela existência dele e, puf, lá se foi o tempo, soou o gongo, acabou a “festa”, a oportunidade caiu no vão e perdemos, isso mesmo, perdemos a oportunidade de erguer os olhos para a vida, o trem passou e não estávamos na plataforma de embarque. Vamos ter de esperar o próximo trem. Quando ele virá? Virá lotado? Parará?
A questão consciência é coisa muito séria, muito grave, muito profunda e muito simples.
É o que pretendemos demonstrar nestas abordagens que virão sequencialmente graças a algumas pesquisas muito atuais sobre o assunto.
Você fica conosco?
Então se prepare.

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Aviso aos leitores

Este blog entrará em recesso em janeiro/2012 para retornar reformulado.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Constelações Humanas (VIII) final


8. O Grupo ou Constelação Social

É difícil encontrar alguém que consiga ser feliz sozinho. A quase totalidade das pessoas associa a felicidade, ventura, plenitude, com a convivência, com amigos, cônjuge, filhos, parcerias, etc. O terapeuta espiritualista John Welwood (EUA), que atende famílias, escreveu em seu livro “Amor e Despertar”, que fica cada vez mais clara a missão grupal, que se cumpre em família. As almas se encontram num enlace genético em atendimento ao que foi enlaçado espiritualmente para que se faça o crescimento espiritual.
Afirma ele que fracassar numa missão de família é tão ou mais sério que fracassar numa missão individual, pois envolve pessoas, grupo de pessoas. É por isso que o amor e a paixão têm uma força inexplicável: são acontecimentos que perpassam o plano físico. Os apaixonados sentem a sensação de plenitude quando estão juntos. A conexão pela alma tem como ressonância perceber no outro a beleza essencial da natureza individual própria. Beleza transcendental, profunda, duradoura. Esta sagrada aliança vai além das formas e do prazer de conviver, cumpre combinações de cunho espiritual, de programação de muito longo prazo. As individualidades se somam para a obra maior, que agrega outros parceiros, os filhos, as noras, os genros, as instituições ou empresas que criamos e as pessoas que nela operam ou dela ser servem.
A missão grupal tem a força das águas, que se juntam para fazer o rio, para mover as rodas e turbinas, gerar força e energia e, um dia, evaporar, transformar-se e fazer a chuva, e novamente a vertente, o rio, a cachoeira, o oceano.
A experiência da alma, segundo Welwood, implica sempre um duplo anseio: sentir o significado e a beleza da vida individual e se conectar com outras correntes da vida universal, que fluem através de nós. E adverte: a fricção numa relação a dois, três, cinco, cinqüenta ou mais, é inevitável e benéfica. Os indivíduos corrigem-se nas adversidades e crescem na crise. A unanimidade pertence aos santos e nem tanto assim. O desafio da fricção, do duelo, contribui para a libertação, quando os atritos servem de instrumentos de reflexão e evolução, para a síntese, o que vale dizer, a não potenciação da divergência. Esse é o ponto em que Cristo fala de trazer a espada, não a paz, numa metáfora do duelo em que os sentimentos menores são cortados fora para que os sentimentos maiores se apoderem do maior espaço no coração dos que se valem do embate para se libertar.
Uma alma em crescimento jamais deve magoar-se com aquela que lhe impõe limites, cobranças ou advertências. Pelo contrário, deve agradecer-lhe. Nisto reside a grandeza ética do combatente que combate o bom combate, por uma boa causa, a causa que levará este mundo a ser um lugar melhor para se viver.
Este texto inicial objetiva fazer entender a necessidade do grupo para nosso desenvolvimento.
Entendido isso, você, leitor, já está apto ao próximo passo: por que e como aplicar a Teoria de Constelação Humana a grupos maiores que a família.
Os mesmos métodos que se aplica à família no processo de busca da cura podem ser aplicados a corporações mais numerosas, como times, equipes, clubes de serviço, lojas maçônicas, centros espíritas ou afins, equipes de trabalho, etc.
Em grupo, o que seria a busca da cura (cura progressiva, como é correto entender)?
Resposta curta e grossa: organizar os duelos.
O desenvolvimento de uma índole competitiva se dá duelando, inicialmente naqueles duelos em que se elimina o opositor para garantir o reinado de um macho ou de uma fêmea sobre seu “território” e, mais tarde, colecionando vitórias sobre disputas em que a colimação não represente eliminar mas simplesmente vencer o opositor. Os esportes, alguns de péssimo gosto, como o vale-tudo, o boxeur, a rinha de galos, representam bem esse desejo de vitória humana.
Até nos casamentos é possível identificar o duelo entre marido e esposa. Um pouquinho mais tarde e também concomitante, ele aparece entre filhos e pais. Mais tarde entre sogros e noras ou genros. E se vão perpetuando em repetições.
A cura começa a vir quando os duelantes se unem no mesmo lado por uma causa pequena, média ou grande.
O efeito da terapia pelo método da Constelação é impressionante.
A base da constelação é o conhecimento dos fatos e das pessoas que pertencem ao sistema do grupo. Por intermédio das reações do grupo captadas pelo terapeuta será verificado se têm relevância encontrar a solução. (FRANKE, 2006. P.29)
Para atuar em constelação, o grupo traz um tema, aborda o seu problema, os seus sintomas e o que deseja como solução. O terapeuta, que vamos chamar simplesmente de constelador, complementa as informações necessárias com uma pesquisa de aspectos biográficos (genograma, outras pessoas importantes no emaranhamento sistêmico e acontecimentos traumáticos importantes na vida do grupo, seus pais e avós, patriarcas, fundadores, inspiradores, etc.), utilizando-se de poucas e breves perguntas e, também, com suas próprias observações sobre as reações do grupo. O terapeuta então se pergunta: O que é importante aqui? Com as informações o constelador desenvolve uma hipótese sobre o emaranhamento sistêmico e, a partir daí o trabalho passa a ser verificar essa hipótese na própria constelação.
Na pesquisa biográfica dramas familiares como: assassinatos, suicídios,
acidentes, guerras e revoluções, mortes precoces, desentendimentos, brigas, abortos espontâneos ou induzidos, adoções, abandonos, rachas, distanciamentos dos ancestrais, exclusões em família, mudança de país, relações problemáticas e outros casos como de parceiros importantes que se chocam, são especialmente observados pelo constelador, pois podem conduzir a um nó no emaranhamento sistêmico.
O sintoma é outra indicação importante, porque recorda uma situação não solucionada de acordo com a verdade interna do grupo. O sintoma foi assumido do sistema familiar ou social em um determinado contexto, num determinado momento. Podemos supor que o sintoma esteja correto para esse contexto e momento e assim o sintoma do grupo nos conduz diretamente para dentro da sua história, no exato local onde está congelado em seu drama.
As perguntas do constelador devem, então, ser:
O que o sintoma está dizendo?
Onde o cliente apreendeu esse comportamento?
Em que situação ele faz sentido?
Em que contexto?
Em que época?
Em que pessoa dentro do sistema familiar do grupo ele se encaixa?
Quando o sintoma foi útil?
O constelador vai, então, garimpando em busca do contexto adequado para ressignificá-lo, sempre partindo do princípio que o sintoma está correto dentro de uma vivência bem precisa que não é a vivência atual do cliente, mas que pertence a uma outra época.
Quando o encontra, segue perguntando-se e, talvez, também ao grupo: como essa história deveria ter seguido?
E como ela deve seguir agora?
Franke destaca: Nossas percepções adquirem um outro significado se partirmos do princípio de que percebemos, como corpos de ressonância, as vibrações, experiências e o conhecimento vividos e armazenados ao nosso redor.
Bert Hellinger descreve como uma dinâmica básica a adoção de experiências, estados e tarefas de gerações anteriores. Uma criança assume ou desenvolve um sintoma que faz sentido dentro da dinâmica do sistema familiar. Essa dinâmica não se restringe somente aos sentimentos, mas abarca também comportamentos, impulsos e pensamentos. (FRANKE,2006. P.57)
E não poderia deixar de contribuir a questão espiritual.
Todos já entendemos por toda a extensão das leituras precedentes que a vida se dá em sistemas, “clusters” (do inglês), cuja tradução é “cacho”, lembrando o cacho de uva. Isso vale para as reencarnações, tese aceita pelos espíritas, hinduístas, budistas e outras correntes de fé. Os espíritos reencarnam em “clusters” e neles se apóiam, se desenvolvem, se realizam, mas também chafurdam em tremendos equívocos estagnantes, para não dizer retrocedentes.
Aqueles que se tornam pais e avôs recebem maior responsabilidade porque assumem a condição de guias, condutores, educadores, provedores. No entanto, fracassam, podem fracassar, sabendo ou não, conscientes ou não dessa responsabilidade. Ao fracassar abrem rombos nas estruturas periespirituais de seus protegidos e, ao recobrarem a consciência espiritual após a saída do corpo, entram em desespero e, não aro, querem ajudar e podem ajudar. Só que isso não deve acontecer de forma caótica porque pode se transformar em obsessão.
A terapia das constelações humanas quando bem dirigida pode contribuir para a ajuda vinda dos ancestrais falecidos. Nada de incorporações, cartas psicografadas ou coisa parecida. O fato de se fazer o resgate desses desacertos pela via do amor, do perdão, da reconciliação (lembra dos campos mórficos?) é o remédio para sarar as feridas abertas.
Mesmo que quiséssemos ir adiante com esta abordagem, isso não é possível porque a partir daqui o assunto se eleva à estágios só conhecidos por iniciados nestas ciências e toda a exploração se encaminharia para terrenos inseguros se experimentados por curiosos. Então, ponto final.
Quer aprofundas? Dirija a quem entende desse assunto.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FRANKE, Ulrik. “Quando fecho os olhos vejo você. As Constelações Familiares no atendimento individual”. Atman, 2006.
HELLINGER, B. “A fonte não precisa perguntar pelo caminho”. Atman, 2002.
______________. “Um lugar para os excluídos”. Atman, 2006.
______________. “Ordens do Amor”. Cultrix, 2007.
______________. “Constelações Familiares”. Cultrix, 2007.
______________. “Ordens do Amor”. Cultrix, 2008.
______________. “Simetria Oculta do Amor”. Cultrix, 2009.
SCHNEIDER, J. R, A Prática das Constelações Familiares. Atman, 2007.
http://www.hellinger.com

domingo, 25 de dezembro de 2011

Constelações Humanas (VII)


7. Uma cura surpreendente

Alguma vez, em algum lugar, e não apenas uma, fomos confrontados por experiências repetitivas fora de nosso controle, “lições de vida” colocadas como algo que devêssemos aprender por ser de fundo relevante. Por mais racionais que sejamos (sendo essa própria postura racionalista, em si mesma, um hábito ou condicionamento), somos levados a entender que há mais coisas atuando além da razão humana. Assim, muitas vezes nos perguntamos, o que será que devemos aprender com tal situação que ainda não fomos capazes de perceber, enquanto esse evento continua a se reproduzir periodicamente em nossos dias. Às vezes é um tipo de conflito familiar, alguma doença crônica, um padrão de falha em nossas comunicações, um relacionamento comprometido, um vício ou compulsão qualquer, algum pensamento negativo insistente, alguma insegurança ou medo freqüentes e assim por diante.
O que nem sempre sabemos é que esses programas ou rotinas inconscientes possuem um grande poder de ação, independente de nossas vontades ou esforços conscientes. Alguns desses padrões, magicamente, podem também ser identificados em nossa história familiar – e até assumidos como hereditários ou sistêmicos, pois somos partes de organismos ou sistemas maiores, como vimos, chamados de famílias, organizações ou comunidades.
Um exemplo interessante dessas forças que agem sobre nós, e que estão além de nós, é este caso descrito a seguir. Um dos mais revolucionários psiquiatras americanos, Carl Whitaker, demonstrou uma rara sabedoria ao receber uma família para uma seção de terapia dentro de um seminário que proferia para médicos, psicólogos, assistentes sociais e terapeutas. Nessa família (cobaia) havia um garoto esquizofrênico completamente surtado.
Por indicação de seu médico e aceitando as condições de um tratamento em público enquanto estudo de caso, todos os membros dessa família foram trazidos para essa sessão de demonstração. Quando entrou na sala de atendimento (uma arena rodeada de profissionais que estudavam com esse psiquiatra), o garoto estava completamente descontrolado e havia uma tremenda confusão instalada entre todos os membros da família.
Estavam agitados a tal ponto, que nem todos viram e cumprimentaram o médico antes de sentarem-se em círculo nas cadeiras já posicionadas. Ainda permaneciam aos berros e desentendimentos, quando o psiquiatra começou a falar algumas palavras. Após algumas frases, Whitaker cochilou!!!
Passados alguns minutos, ele despertou, disse mais algumas palavras e, novamente, adormeceu! Esse fato repetiu-se várias vezes ao longo da seção terapêutica. Lenta e progressivamente, cada membro da família foi encontrando sua tranqüilidade. Mesmo o garoto esquizofrênico se acalmou (saiu do surto) e, ao final da seção, estavam todos conversando educadamente, cada um falava por sua vez, escutando e aceitando os pontos de vista uns dos outros.
Os profissionais que assistiam à demonstração estavam extremamente surpresos e curiosos com o ocorrido. Foi encerrado o atendimento, agradecimentos, etc. e a família foi retirada da sala. Whitaker mal teve tempo de “respirar” e foi “bombardeado” com inúmeras perguntas, com grande alvoroço entre os profissionais presentes.
Diziam: — “Mas nada foi feito tecnicamente... Como você conseguiu esse resultado??!!”; — “Como você conseguiu acalmar aquelas pessoas?”; — “Como retirou o garoto do surto sem nenhum medicamento??!!”; etc. Pacientemente escutou todas as perguntas aguardando sua oportunidade de respondê-las com uma única frase:
— “Em cada sistema (ambiente) existe espaço para apenas UM louco!!!!”.
De uma forma brilhante, Whitaker nos ensina que, embora um determinado membro de um sistema familiar possa manifestar um mal qualquer, a família como um todo é responsável!!! Seu único trabalho enquanto terapeuta nesse caso foi parecer mais louco que o garoto, fazendo algo completamente inesperado. Mesmo porque, as crises do menino já eram esperadas.
Portanto, se um membro de uma família adoece, em grande parte dos casos, todos os membros podem ser responsáveis. Igualmente, mesmo que um único órgão esteja doente em um indivíduo, “sua vida está doente”. Naturalmente, sob esse ponto de vista mais amplo, os porquês ou razões nem sempre podem ser encontrados em raciocínios lógicos simples. Nem mesmo talvez seja possível identificar culpados, pois os sintomas podem ser apenas sinais ou evidências a respeito das soluções inconscientes que as pessoas e os sistemas encontram para gerenciar suas tensões e insatisfações.
É claro que terapias grupais nem sempre podem ser encaminhadas desta forma. O principal objetivo desse exemplo foi despertar a atenção do leitor para o fato de que sempre existe algo inusitado capaz de quebrar rotinas, hábitos, manias, vícios em sistemas e grupos. Em todos os lugares existem muitas pessoas empenhadas em elaborar soluções que possam nos desvincular de emaranhados e vínculos negativos, muitas vezes co-responsáveis por destinos não muito desejados. Se essas leituras puderam ajudar, tocaram seu interesse de também aprender a gerenciar as relações dentro dos seus grupos, salve! Era isso mesmo que os autores desejavam.
Mas, espera aí, ainda não terminou. Falta um tópico importante.

sábado, 24 de dezembro de 2011

ASSIM EU VEJO O NATAL


Amigos especiais,leitores deste blog:

A magia do Natal está de volta.
Mesmo que saibamos que a data do nascimento de Jesus foi outra (que desconhecemos); mesmo que se saiba que a figura de Papai Noel procede de outra cultura, inclusive diferente do que hoje acontece; mesmo que se saiba que as árvores natalinas vieram de outra tradição alheia ao Natal, nada se compara ao sentimento coletivo desta época.
Será o encerramento dos exercícios profissionais e empresariais? Serão as férias chegando? Será a proximidade da virada do ano? Serão os encontros de família? Serão os visuais natalinos e as canções tangendo os nossos sentidos? Será o 13º salário? Será o prazer de presentear? Ou de ser presenteado? Será tudo isso? Ou será muito mais?
As pessoas são mais humanas nestes tempos natalinos!!!
Se houve uma razão primordial que deu causa ao ser humano, podemos sonhar que este padrão de pessoas em tempo de Natal deve ser a melhor escolha.
Há no ar uma magia, um quê de fraternidade, um desejo de abraçar, de augurar o bem, de simpatia, de empatia, de alegria, de felicidade, de amor.
Impossível não creditar tudo isso a Jesus, apesar do pouco que Ele aparece nos contextos de sua data natalícia.
Que tal acordarmos na segunda-feira, 26, com o mesmo astral deste 24? E levar isso adiante todos os dias em que a vida nos premiar com sua presença em nós?
Esta é a nossa mensagem às pessoas queridas, que conosco comungam o desejo de um mundo melhor para se viver.

Constelações Humanas (VI)


6. Família, um começo e um fim

Talvez agora, cientes do que são e para que servem as formas criadoras e a ressonância das formas criadoras, a primeira pergunta sobre Constelação Familiar Sistêmica seja: O QUE ACONTECE NUMA CONSTELAÇÃO FAMILIAR SISTÊMICA?
A resposta é ampla e isso aqui não é um tratado, é um ensaio. Primeiro, por que existe uma constelação humana? As experiências humanas no corpo não são só pessoais e nem isoladas. A vida se dá em sistemas, você sabe, isso já é paradigma científico. Os espíritos também encarnam em sistemas. São as nossas interações que nos farão melhores ou piores. Ganhamos os sistemas como escolas, oficinas, creches, penitenciárias, hospitais, onde iremos fazer o que precisa ser feito para evoluirmos. Estar consciente disso dentro do sistema e entender esse papel, contribuir para o todo, eis a questão chave. Não entender esse papel, não contribuir para o desatar dos nós e continuar enredado, amordaçado, barrado, travado, eis a outra questão. Por que será que uns recebem bênçãos e outros amargam maldições?
A família ou mais precisamente o casamento, é a dimensão do menor sistema. Se nem dentro do menor sistema somos capazes de atuar satisfatoriamente, o que somos? Todo casamento fracassado irá exigir do casal que se separa léguas de compensações para suprir o mal que causou aos dois, aos três, aos tantos mais que ficaram tocados pelo este fracasso.
Uma das terapias grupais para sanar sistemas atingidos por crises chama-se Constelação Familiar.
Resumidamente podemos definir que o trabalho com constelação é a arte de transformar os “vínculos invisíveis” de uma família ou de um sistema em vínculos visíveis, utilizando-se para isso, inicialmente, de uma representação espacial como veículo de informação ou educação.
Uma vez visíveis, os vínculos podem ser desemaranhados num movimento de aproximação entre os membros do sistema. Talvez desemaranhados não seja a palavra mais correta. Identificados e confirmados, em primeiro lugar, talvez soe melhor porque o desate dos nós é a tarefa subseqüente. Sobre os vínculos invisíveis Ulrik Franke destaca: Rupert Sheldrake retornou à antiga idéia de totalidade abrangente, continuou a desenvolvê-la e a transformou num aspecto central de suas pesquisas. Ele descreve os princípios básicos do campo mórfico que refletem as idéias de Thales sobre a alma universal e o pensamento de Carl Gustav Jung sobre um inconsciente coletivo. Toda estrutura, seja uma organização, um organismo ou um sistema vive num campo mórfico que atua como uma memória onde estão armazenadas todas as informações importantes do sistema. Portanto, todos os elementos individuais como partes do todo estão em ressonância com o todo. Cada parte dessa estrutura, portanto, cada membro desse sistema ou cada indivíduo de uma organização participa do conhecimento sobre o todo e de todos os acontecimentos importantes. Nesse sentido, a memória não é observada como uma função ou uma conquista pessoal de nosso cérebro, mas como um “campo de memória”, no qual nos movimentamos como um rádio, no meio das ondas radiofônicas. (FRANKE, 2006. P.39)
O conceito de campo mórfico ou morfogenético, como já vimos, fundamenta a possibilidade de acesso aos “vínculos invisíveis” e serve para nos ajudar a entender melhor o que acontece nas constelações humanas ou animais. Terapeutas que atuam na identificação desses sistemas constelados captam, podem “sintonizar” o campo de memória do grupo e podem acessar o drama interno desse sistema. A partir daí a condução da constelação pode tornar os vínculos invisíveis em vínculos visíveis e, então, é possível ressignificar e desemaranhar a razão de ser ou as razões de ser do sistema estudado.
Deve ser considerado que o membro de um sistema está sempre em ressonância com os acontecimentos do sistema, mas, também, com lembranças inscritas no campo de memória, pensamento e idéias do sistema.
Pela própria dinâmica da constelação não cabe nenhum tipo de análise e não há necessidade de se discutir ou esclarecer nada. Os membros do sistema necessitam apenas ver uma nova imagem que reverberará em seu inconsciente ou, como prefere Bert Hellinger, na sua alma, porque o essencial é simples e aí se dá o acoplamento com a razão de ser. Isso é a cura. Melhor dizendo esse é o processo da cura, eis que a cura final está bem mais para lá do que se pensa.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Natal


Pausa para relembrar o Menino Jesus

Uma edição extra para relatar detalhes sobre o nascimento e a vida infantil de Jesus.

As profecias:

Durante séculos, os profetas hebreus e de outras nações haviam proclamado a vinda de um libertador; essas promessas tinham sido elaboradas por gerações sucessivas e, no caso hebreu, referiam-se a um governante que iria sentar-se no trono de Davi e que, por meio dos métodos miraculosos de Moisés, estabeleceria os judeus na Palestina como uma nação poderosa, livre do domínio estrangeiro. Novamente, muitas das passagens figurativas encontradas nas escrituras dos hebreus foram posteriormente aplicadas de modo que, no futuro, viria confirmar-se distorcido em relação à missão da vinda de Jesus. Se prestarmos atenção aos muitos dizeres do Antigo e Novo Testamento poderemos perceber a preocupação dos evangelistas em relacionar o messias como herdeiro da dinastia israelita. Quiseram adequar a entrega da coroa imperial judaica ao Mestre Jesus. Mas chegou o dia em Ele negou publicamente, Ele próprio, qualquer ligação com a casa real de Davi. Mesmo assim foi detido, condenado e morto sob a acusação de pretender ser o Rei dos Judeus. Os primeiros seguidores de Jesus freqüentemente sucumbiam à tentação de fazer com que todas as velhas expressões proféticas (no que se relaciona à dinastia) parecessem encontrar a sua realização na vida do seu Senhor e Mestre.

Os seus pais:

José não tinha a linhagem do Rei Davi. Maria tinha mais ancestrais na linha de Davi do que José. José era um homem de maneiras suaves, extremamente consciente e, de todos os modos, fiel às convenções e práticas religiosas do seu povo. Falava pouco, mas pensava muito. A condição sofrida do povo judeu causava muita tristeza em José. Na sua juventude, entre os seus oito irmãos e irmãs, ele havia sido mais alegre, mas nos primeiros anos da sua vida de casado (durante a infância de Jesus) esteve sujeito a períodos de uma apatia espiritual leve. Essas manifestações do seu temperamento foram bastante atenuadas um pouco antes da sua morte prematura, depois que a situação econômica da sua família melhorou em conseqüência do seu progresso, quando passou, de carpinteiro, à posição de um próspero empreiteiro.
O temperamento de Maria era completamente oposto ao do marido. Geralmente era alegre, muito raramente ficava abatida e possuía uma disposição sempre ensolarada. Maria permitia-se dar livre e freqüente vazão à expressão dos seus sentimentos e emoções e nunca se sentira afligida, até a súbita morte de José. E mal se recuperara desse choque quando teve de enfrentar as ansiedades e perplexidades que se lançaram sobre ela por causa da carreira extraordinária do seu filho mais velho, que se desenrolou muito rapidamente diante do seu olhar atônito de mãe. Mas, durante toda essa experiência inusitada, Maria manteve-se calma, corajosa e bastante sábia no seu relacionamento com o seu primogênito e com os demais irmãos dele.

José conhece Maria:

Quando ainda rapaz, José tinha sido empregado do pai de Maria no trabalho de construir uma extensão da sua casa; e, quando Maria trouxe a José um copo d’água, durante a refeição do meio-dia, foi que realmente aqueles dois, destinados a serem os pais de Jesus, começaram a fazer a corte um ao outro.
José e Maria casaram-se de acordo com os costumes judeus, na casa de Maria, nas proximidades de Nazaré, quando José tinha já seus vinte e oito anos de idade, viúvo, pai de outros oito filhos, contra 15 anos de sua consorte. Esse casamento concluiu um noivado normal que durou quase dois anos. Pouco antes de se casarem oficialmente, Maria foi anunciada grávida. Casados, se mudaram para a casa em Nazaré, que havia sido construída por José com a ajuda de dois dos seus irmãos. A casa situava-se ao pé de uma elevação que dominava, de modo encantador, a paisagem do campo. Nessa casa, especialmente preparada, eles cuidaram da infância do menino prometido. Apesar dos anúncios angelicais não sabiam que aquele evento, memorável para todo um universo, estava para acontecer enquanto eles estivessem fora de casa, em Belém, na Judéia.
A parte maior da família de José converteu-se aos ensinamentos de Jesus, mas pouquíssimos entre os da gente de Maria acreditaram nele, antes que ele deixasse este mundo. Mas, entre os tios de Jesus, um foi muito grande apoiador seu: José de Arimatéia. Entre seus pais, José inclinava-se mais para o conceito espiritual de um Messias esperado, mas Maria e a sua família, especialmente o seu pai, ativeram-se à idéia de que o Messias seria um libertador temporal e um governante político. José apegava-se vigorosamente ao ponto de vista oriental, ou Babilônico, da religião judaica; Maria inclinava-se fortemente para a interpretação ocidental, ou helenista, mais liberal e aberta, da lei e dos profetas.

A viagem a Belém:

No mês de março do ano 6 d.C., César Augustus decretou que todos os habitantes do Império Romano fossem contados; que deveria ser feito um censo de modo a poder ser utilizado para uma cobrança mais eficiente dos impostos. Os judeus sempre tiveram muita prevenção contra qualquer tentativa de “enumerar o povo” e isso, além das dificuldades domésticas com Herodes, rei da Judéia, havia conspirado para causar o adiamento, por um ano, na concretização desse censo, no reino dos judeus. Em todo o Império Romano esse censo ficou registrado no ano 5 d.C., exceto no reino de Herodes, na Palestina, onde foi feito um ano mais tarde, no ano 6 d.C.
Não se fazia necessário que Maria fosse a Belém fazer esse registro — José estava autorizado a efetuar o registro por toda a sua família — , mas Maria, sendo uma pessoa dinâmica e ousada, insistiu em acompanhá-lo. Ela temia que, sendo deixada sozinha, a criança nascesse enquanto José estava ausente e, Belém não sendo longe da cidade de Judá, Maria previu a possibilidade de uma agradável visita à sua parenta Isabel.
José praticamente proibiu Maria de acompanhá-lo, mas foi inútil; quando a comida estava sendo empacotada para a viagem de três ou quatro dias, ela preparou rações duplas e aprontou-se para a viagem. E, antes que saíssem de fato, José já se havia acostumado com a idéia de Maria ir junto e então, alegremente, eles partiram de Nazaré ao alvorecer do dia.
José e Maria eram pobres e, como tivessem apenas um burro de carga, Maria cavalgava o animal, estando já adiantada na gravidez, junto com as provisões, enquanto José caminhava guiando o animal. A construção e a manutenção de uma casa havia sido um grande peso para José, pois ele devia também contribuir para a sobrevivência dos seus pais, já que o seu pai recentemente tinha-se tornado incapacitado para tal. E assim o casal judeu partiu da sua humilde casa, na manhã de 18 de agosto, do ano 6 d.C., para a sua viagem a Belém.
Cedo, na brilhante manhã de 19 de agosto, José e Maria estavam a caminho. Tomaram a sua refeição do meio-dia junto ao pé do monte Sartaba, que domina o vale do Jordão, e continuaram viagem chegando a Jericó à noite, onde pararam em uma hospedaria na estrada nos arredores da aldeia. Depois da refeição da noite e de muita discussão sobre a opressão do governo romano, sobre Herodes, sobre os registros do recenseamento e a influência relativa de Jerusalém e Alexandria como centros da cultura e ensino judeus, os viajantes de Nazaré retiraram-se para o repouso noturno. Bem cedo, pela manhã do dia 20 de agosto, retomaram a sua viagem e alcançaram Jerusalém antes do meio-dia. Visitaram o templo e tomaram, de novo, o seu caminho para chegar a Belém bem no meio da tarde.
O albergue estava superlotado e José, então, procurou um alojamento entre os parentes distantes, mas todos os quartos em Belém encontravam-se repletos. Ao retornarem à praça na frente do albergue, José foi informado de que os animais dos estábulos das caravanas, construídos nos flancos do rochedo, e situados exatamente abaixo do albergue, haviam sido retirados e que tudo estava limpo exatamente para receber os hóspedes. Deixando o asno na área à frente do albergue, José colocou os sacos de roupas e provisões sobre os seus ombros e desceu, com Maria, os degraus de pedra, até os alojamentos de baixo. Viram-se instalados naquilo que era uma sala de estocagem de grãos, na frente dos estábulos e das manjedouras. Cortinas de tendas haviam sido dependuradas e eles se deram por muito felizes de terem alojamentos tão confortáveis.
José havia pensado em registrar-los logo em seguida, mas Maria achava-se cansada, bastante extenuada mesmo, e suplicou-lhe que permanecesse com ela e ele ficou ali.

O nascimento de Jesus:

Durante toda essa noite Maria estivera inquieta, de forma que nenhum dos dois dormiu muito. Ao amanhecer, as pontadas do parto já estavam bem evidentes e, no dia 21 de agosto do ano 6 d.C., ao meio-dia, com a ajuda e as ministrações carinhosas de mulheres viajantes amigas, Maria deu à luz um pequeno varão. Jesus de Nazaré havia nascido para o mundo; encontrava-se enrolado nas roupas que Maria tinha trazido consigo, para essa contingência possível, e deitado em uma manjedoura próxima.
Da mesma forma que todos os bebês tinham vindo ao mundo até então e viriam desde então, nasceu o menino prometido que, conforme a prática judaica, foi circuncidado e formalmente denominado Joshua Bar Levi (Jesus).
No dia do nascimento de Jesus, ao meio-dia, os serafins reunidos com os suas falanges cantaram hinos de glória sobre a manjedoura de Belém, mas esses cânticos de glória não foram escutados por ouvidos humanos. Nenhum pastor, nem quaisquer outras criaturas mortais vieram imediatamente prestar a sua homenagem ao menino de Belém, até o dia da chegada de certos sacerdotes de Ur, que haviam sido enviados de Jerusalém por Zacarias.
A esses sacerdotes da Mesopotâmia havia sido contado, há algum tempo, por um estranho professor religioso, do país deles, o qual em um sonho havia sido informado de que a “luz da vida” estava a ponto de aparecer sobre a Terra, na forma de um menino, entre os judeus. E os três sacerdotes partiram, pois, em busca dessa “luz da vida”. Após muitas semanas de infrutífera procura em Jerusalém, estavam para voltar a Ur, quando conheceram Zacarias que lhes confiou sobre a sua crença de que Jesus era o objeto da procura deles e os enviou a Belém, onde encontraram o menino e deixaram as suas oferendas com Maria, a sua mãe terrena. A criança estava então com quase três semanas de idade à época da visita deles.
Esses sábios homens não tiveram nenhuma estrela a guiá-los para Belém, como diz a lenda. A belíssima lenda da estrela de Belém originou-se da seguinte forma: Jesus nasceu aos 21 de agosto, ao meio-dia do ano 6 d.C. Em 29 de maio do ano seguinte houve uma extraordinária conjunção entre Júpiter, Saturno e a constelação de Peixes. E é um acontecimento astronômico marcante que conjunções semelhantes hajam ocorrido aos 29 de setembro e aos 5 de dezembro do mesmo ano. Com base nesses acontecimentos extraordinários, mas inteiramente naturais, os bem-intencionados zelotes, das gerações que sucederam, elaboraram a lenda atraente da estrela de Belém e dos Reis Magos adoradores, conduzidos pela estrela, até a manjedoura, para contemplar e adorar o recém-nascido. As mentes orientais e do Oriente-Próximo deleitam-se com fábulas e inventam constantemente: belos mitos sobre a vida dos seus dirigentes religiosos e dos seus heróis políticos. Na falta de uma imprensa, quando a maior parte do conhecimento humano se transmitia, de uma geração a outra pela palavra saída da boca, era muito fácil que os mitos se tornassem tradição e que as tradições finalmente acabassem aceitas como fatos.
No dia seguinte ao nascimento de Jesus, José fez o seu registro. Encontrando-se então com um homem com quem haviam conversado duas noites atrás, em Jericó, foi levado por ele até um amigo abastado que possuía um quarto na pousada e este homem se dispôs, com prazer, a trocar de quartos com o casal de Nazaré. Naquela tarde, eles se mudaram para a pousada, onde ficaram por quase três semanas, até que encontraram hospedagem na casa de um parente distante de José.
Ao segundo dia após o nascimento de Jesus, Maria enviou uma mensagem a Isabel dizendo que o seu filho havia chegado e recebeu em resposta um convite feito a José, para ir a Jerusalém, a fim de falar de todos os assuntos com Zacarias. Na semana seguinte, José foi a Jerusalém para conversar com Zacarias. Zacarias e Isabel achavam-se ambos sinceramente convencidos de que Jesus estava destinado a se tornar o libertador judeu, o Messias; e que João, o filho deles, seria o seu principal colaborador, o braço direito no seu destino. E, já que Maria compartilhava dessas mesmas idéias, não foi difícil convencer José a permanecer em Belém, a cidade de Davi, para que Jesus pudesse crescer e se tornar o sucessor de Davi no trono de todo o Israel. Desse modo, permaneceram eles em Belém por mais de um ano, tendo José se dedicado ao seu ofício de carpinteiro durante esse tempo.
Mas, eles tiveram de fugir porque Herodes decidiu matar todos os meninos nascidos de agosto do ano 6 em diante na esperança de atingir aquele que estava prometido para sentar ao trono de Israel.

O messias e sua família:

Muito da doçura especial de Jesus e da sua compreensão compassiva da natureza humana, herdara ele do seu pai; o dom de ser um grande mestre e a sua imensa capacidade de indignar-se, por retidão, ele herdara da sua mãe. Nas reações emocionais ao meio ambiente, na sua vida de adulto, Jesus era também como o seu pai: meditativo e adorador; o que algumas vezes deixava transparecer tristeza, mas, mais freqüentemente, ele conduzia-se de maneira otimista e com a disposição determinada da sua mãe. No conjunto, a tendência era de que o temperamento de Maria dominasse a carreira do filho, durante o seu crescimento e nos passos decisivos da sua carreira adulta. Jesus era uma mistura dos traços dos seus pais, em algumas das suas atitudes; em outras ele demonstrava mais as características de um deles do que as do outro.
De José, Jesus tinha a educação estrita nos usos dos cerimoniais judeus e o conhecimento excepcional das escrituras dos hebreus; de Maria, ele trazia um ponto de vista mais amplo da vida religiosa e um conceito mais liberal da liberdade espiritual pessoal, conforme a gnose circulante.
As famílias de ambos, José e Maria, eram bem instruídas para a sua época. José e Maria haviam sido educados muito acima da média da sua época, considerando a sua situação social. Ele, um homem de muito pensar e ela, uma mulher planejadora, dotada de adaptabilidade e prática na execução imediata das coisas. José era moreno, de olhos negros; e Maria era do tipo quase louro, de olhos castanhos claros.
A casa de Jesus não ficava longe do alto da colina, na parte norte de Nazaré, a uma certa distância da nascente de água da cidade que era na parte leste. A família de Jesus morava nos arredores da cidade e isso facilitou, posteriormente, as caminhadas dele ao campo e as subidas à montanha próxima, a mais alta de todas, na parte sul da Galiléia, exceto pela cadeia do monte Tabor, a leste, e o monte Naim, que tinham aproximadamente a mesma altitude. Esta casa localizava-se um pouco ao sul e a leste da parte sul do promontório desse monte e a meio caminho entre a base dessa elevação e a estrada que vai de Nazaré a Caná. Além de subir o monte, o passeio favorito de Jesus era seguir uma trilha estreita que serpenteava desde a base da montanha, indo na direção nordeste, até um ponto onde se juntava à estrada de Séforis.
A casa de José e Maria tinha a estrutura de pedra e um cômodo com um teto plano e uma construção adjacente para abrigar os animais. A mobília consistia de uma mesa baixa de pedra, utensílios de barro, pratos e potes de pedra, um tear, uma lamparina, vários bancos pequenos e esteiras para dormir sobre o chão de pedra. No quintal ao fundo, perto do anexo dos animais, ficava o abrigo que protegia o forno e o moinho para moer os grãos. Eram necessárias duas pessoas para operar esse tipo de moinho, uma para provê-lo de grãos e outra para moer. Quando ainda menino, Jesus muitas vezes cuidava de dosar os grãos no moinho, enquanto a sua mãe girava o moedor.
Mais tarde, quando a família cresceu, todos se agrupavam em volta da mesa de pedra, que foi aumentada, para desfrutarem das refeições, servindo-se do alimento em um prato comum. Durante o inverno, na refeição noturna, a mesa estaria iluminada por uma lâmpada pequena e achatada de terracota, cheia de óleo de oliva. Após o nascimento de Marta, José construiu uma outra acomodação, um quarto grande, usado como carpintaria durante o dia e como quarto de dormir à noite.
Tivesse José vivido mais e ter-se-ia tornado, indubitavelmente, um crente firme na missão do seu filho mais velho de seu segundo casamento. Maria alternava-se, ora acreditando, ora duvidando, sendo grandemente influenciada pela posição tomada pelos seus outros filhos e pela dos seus amigos e parentes, mas sempre era fortalecida, na sua atitude final, pela memória da aparição de Gabriel imediatamente depois que a criança fora concebida.
Maria era uma hábil tecelã e possuía uma habilidade acima da média na maioria das artes caseiras da época; era uma boa dona-de-casa e muito caprichosa no forno. Tanto José quanto Maria eram bons educadores e cuidaram para que os seus filhos se tornassem bem versados nos ensinamentos da época.
Dos 12 aos 30 anos, Jesus esteve ausente da Palestina. Falaremos sobre isso num outro artigo.
(Contribuíram para este texto “O Livro de Urântia”, psicografado, e outras buscas em sites da Internet)

Constelações Humanas (V)


5. DNA biológico executa o que outro código define

E as explicações (já obtidas nos tomos anteriores) vão adiante. A biologia reducionista transformou o DNA numa cartola de mágico, da qual é possível tirar qualquer coisa. Na vida real, porém, a atuação do DNA é bem mais modesta. O código genético nele inscrito coordena a síntese das proteínas, determinando a seqüência exata dos aminoácidos na construção dessas macro-moléculas. Os genes ditam essa estrutura primária e ponto. Você entendeu? O muito festejado Projeto Genoma, que nos deu um grande avanço na corrida para entender o DNA, também chamado de “matriz da vida”, pode estar sendo ultrpassado. Existe outro código maior e mais amplo de define a vida, constrói a vida. O DNA executa uma parte do programa.
"A maneira como as proteínas se distribuem dentro das células, as células nos tecidos, os tecidos nos órgãos e os órgãos no sistema maior não estão programadas no código genético", afirma Sheldrake. "Dados os genes corretos, e portanto as proteínas adequadas, supõe-se que o organismo, de alguma maneira, se monte automaticamente. Isso é mais ou menos o mesmo que enviar, na ocasião certa, os materiais corretos para um local de construção e esperar que a casa se construa espontaneamente", o que sabemos, não acontece.
A morfogênese, isto é, a modelagem formal de sistemas biológicos como as células, os tecidos, os órgãos e os organismos seria ditada por um tipo particular de campo mórfico: os chamados "campos morfogenéticos". Se as proteínas correspondem ao material de construção, os "campos morfogenéticos" desempenham um papel semelhante ao da planta do edifício. Devemos ter claras, porém, as limitações dessa analogia. Porque a planta é um conjunto estático de informações, que só pode ser implementado pela força de trabalho dos operários envolvidos na construção. Os campos morfogenéticos, ao contrário, estão eles mesmos em permanente interação com os sistemas vivos e se transformam o tempo todo graças ao processo de ressonância mórfica.
Tanto quanto a diferenciação celular, a regeneração de organismos simples é um outro fenômeno que desafia a biologia reducionista e conspira a favor da hipótese dos campos morfogenéticos. Ela ocorre em espécies como a dos platelmintos, por exemplo. Se um animal desses for cortado em pedaços, cada parte se transforma num organismo completo.
Ao fazer demonstrações laboratoriais para comprovar sua tese, Sheldrake fez capotar desastrosamente o paradigma científico mecanicista herdado do filósofo francês René Descartes (1596-1650). Porque Descartes concebia os animais como autômatos e uma máquina perde a integridade e deixa de funcionar se algumas de suas peças forem retiradas. Um organismo como o platelminto, ao contrário, parece estar associado a uma matriz invisível, que lhe permite regenerar sua forma original mesmo que partes importantes sejam removidas. As células-tronco mais modernas ainda vêm confirmar outra vez a tese Sheldrake.
A hipótese dos campos morfogenéticos é bem anterior a Sheldrake, tendo surgido nas cabeças de vários biólogos durante a década de 20. O que Sheldrake fez foi generalizar essa idéia, elaborando o conceito mais amplo de campos mórficos, aplicável a todos os sistemas naturais e não apenas aos entes biológicos. Propôs também a existência do processo de ressonância mórfica, como princípio capaz de explicar o surgimento e a transformação dos campos mórficos. Não é difícil perceber os impactos que tal processo teria na vida humana. "Experimentos em psicologia mostram que é mais fácil aprender o que outras pessoas já aprenderam", informa Sheldrake. Ele mesmo vem fazendo interessantes experimentos nessa área. Um deles mostrou que uma figura oculta numa ilustração em alto constraste torna-se mais fácil de perceber depois de ter sido percebida por várias pessoas. Isso foi verificado numa pesquisa realizada entre populações da Europa, das Américas e da África em 1983. Em duas ocasiões, os pesquisadores mostraram as ilustrações 1 e 2 a pessoas que não conheciam suas respectivas "soluções". Entre uma enquete e outra, a figura 2 e sua "resposta" foram transmitidas pela TV. Verificou-se que o índice de acerto na segunda mostra subiu 76% para a ilustração 2, contra apenas 9% para a 1.
Ao ser comprovado que os conteúdos mentais se transmitem imperceptivelmente de pessoa a pessoa (e de macaco para macaco, também) essa propriedade se mostrou efetiva nas aplicações no domínio da educação. "Métodos educacionais que realcem o processo de ressonância mórfica podem levar a uma notável aceleração do aprendizado", conjectura Sheldrake. E essa possibilidade vem sendo testada na Ross School, uma escola experimental de Nova York dirigida pelo matemático e filósofo Ralph Abraham.
Outra conseqüência se dá no campo da psicologia. Teorias psicológicas como as de Carl Gustav Jung e Stanislav Grof, que enfatizam as dimensões coletivas ou transpessoais da psique, recebem um notável reforço, em contraposição ao modelo reducionista de Sigmund Freud (leia o artigo "Nas fronteiras da consciência", em Globo Ciência nº 32).
Sem excluir outros fatores, o processo de ressonância mórfica fornece um novo e importante ingrediente para a compreensão de patologias coletivas, como o sadomasoquismo e os cultos da morbidez e da violência, que assumem proporções epidêmicas no mundo contemporâneo, e pode propiciar a criação de métodos mais efetivos de terapia.
"A ressonância mórfica tende a reforçar qualquer padrão repetitivo, seja ele em prol do bem ou do mal", afirmou Sheldrake à Revista Galileu. "Por isso, cada um de nós é mais responsável do que imagina quando criamos ou reproduzimos campos de pensamentos. Pois nossos pensamentos e nossas ações podem influenciar os outros e serem repetidos".
De todas as aplicações da ressonância mórfica, porém, as mais fantásticas insinuam-se no domínio da tecnologia. Computadores quânticos, cujo funcionamento comporta uma grande margem de indeterminação, seriam conectados por ressonância mórfica, produzindo sistemas em permanente transformação. "Isso poderia tornar-se uma das tecnologias dominantes do novo milênio", entusiasma-se Sheldrake.
Uma das primeiras experiências levadas a cabo por Sheldrake foi a dos ratos no laboratório. Foi recapturado do tempo em que ele começou a considerar os campos morfogeneticos. Consiste em ensinar a um grupo de ratos uma certa aprendizagem, por exemplo, sair de um labirinto, em certo lugar, por exemplo, Londres, para logo observar a habilidade de outros ratos em outro lugar então, por exemplo, Nova Iorque, deixar o labirinto. Esta experiência já foi levada a cabo em numerosas ocasiões dando resultados muito positivos.
Então quando você ouve falar tal coisa virou moda, muito antes de ser copiada ela já estava sendo concebida na mente através das ressonâncias.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Constelações Humanas (IV)


4. Macacos “dizem” que “pode”

Já abordamos esse assunto, mas retornamos a ele para trazer um exemplo oficial da teoria que explica os fenômenos ressonantes entre seres vivos – como você acompanhou nos capítulos 2 e 3. É a teoria dos Campos Morfogenéticos, do eminente biólogo Ruppert Sheldrake. Um exemplo típico de suas idéias consiste no experimento do centésimo macaco.
Numa das inúmeras ilhas do Japão, na qual jogava-se batatas na praia para alimentar macacos, observou-se que um determinado indivíduo da comunidade de macacos, de uma das ilhas, começou a lavar as batatas antes de come-las. Sendo o macaco um animal sociável, pouco a pouco foi ensinando aos seus semelhantes como lavar as batatas para se livrar da areia e da sujeira.
Em várias das ilhas próximas havia outras comunidades de macacos, porém, sem a mínima possibilidade de contato ou troca de indivíduos entre as ilhas por causa da distância e da água. Curiosamente foi descoberto que, quando aproximadamente cem indivíduos da comunidade original do experimento já tinham aprendido a lavar batatas, membros de várias outras ilhas quase sincronicamente iniciaram o mesmo procedimento de lavagem das batatas. Havia algo, uma quantidade mínima ou crítica de indivíduos, responsável pelo processo de generalização desse aprendizado numa dimensão coletiva, partindo-se do aprendizado local de um grupo de indivíduos.
Isto é, como se houvesse uma memória pertencente a uma possível mente coletiva (inconsciente) dessa espécie de animais que passa a servir de referência para os seus indivíduos. De forma semelhante isto parece ocorrer entre os seres humanos: o conhecimento dos símbolos e arquétipos (memórias coletivas inconscientes) podem nos conduzir para a construção de um modelo de compreensão da mente humana que não depende do tempo ou do local (o chamado inconsciente coletivo) – um depósito de conhecimentos e informações de nossa espécie, disponível para todos, especialmente evidente na linguagem dos sonhos, da arte ou da cultura (valores e comportamentos coletivos dos indivíduos).
Nessa perspectiva, a “substância” de estudo no modelo das “Constelações Familiares” é bastante imponderável e é chamada de “alma”, embora ninguém se aventure a descrever seus atributos ou suas razões! Por mais materialistas que sejamos, em nosso íntimo, temos algumas questões sem respostas, normalmente atribuídas a curiosidades provenientes não sabemos bem de onde. Reconhecemos a existência de algo além de nossa percepção que, para alguns de nós, acaba por dirigir muitos de nossos interesses e decisões, isto é, por mais racionais que sejamos, sendo um pouco honestos, sabemos que grande parte de nossas decisões não são tomadas baseadas apenas em argumentos lógicos, embora os utilizemos para justificá-las.
Aqui chegamos às fronteiras de nossas realidades! O que é percebido ou intuído por alguns, é apenas sonho ou fantasia para outros, mesmo admitindo que é exatamente através dos sonhos que nos tornamos mais humanos! Nada como a sabedoria do tempo para revelar seus mistérios que a ciência ainda não alcança, já que nada contraria a natureza, mas sim apenas aquilo que sabemos dela.
Nas minhas buscas pessoais, costumo acreditar que existem alguns sinais ou evidências do desabrochar da sensibilidade e da percepção da “alma”. A primeira delas tem uma relação íntima com o fato de começarmos a acordar de bom humor nas segundas-feiras! Por mais infantil que pareça tal afirmação, essa é uma importante evidência de que aqueles problemas que imaginamos povoar nossa semana não obscurecem mais nossa visão de longo prazo e o sentido que atribuímos à nossa vida pode ser mudado.
Por que eu me torturo tanto começando por matar minha semana ao desejar começá-la com mau-humor? A ressonância disso chega no meu vizinho, no cara que dirige ao mesmo tempo, no guarda de trânsito, na cozinheira, no alimento, na água ou no suco, na sobremesa, pronto, estou doente, preciso de médico, remédio, licença, cama, hospital...
O segundo sinal emerge da habilidade de enxergar através dos eventos históricos enquanto reconhecemos uma ordem subjacente ao aparente caos das experiências cotidianas, ou seja, quando percebemos que o universo real funciona como um espelho de nosso universo interior. Nesse momento, as sincronicidades começam a emergir apontando para uma relação muito íntima entre diferentes dimensões de experiência. Às vezes são coisas simples, tais como encontrar a pessoa certa, na hora certa, no lugar certo, porém sem um planejamento consciente prévio.
Muitos de nós acordamos com otimismo e exalamos os campos ressonantes com a harmonia edificante, com o lado sublime da vida. O resto desta ação vem a reboque.
O terceiro indício está relacionado com nossa flexibilidade de identidade, tanto na medida em que devemos nos dissociar de algumas memórias ou lembranças para que possamos observá-las serenamente e aprender com elas, quanto com a habilidade de assumirmos outros papéis ou nos tornarmos simpáticos a diferentes motivações de outros indivíduos, aceitando suas razões e verdades – um procedimento que pode ser utilizado tanto no âmbito interpessoal quanto intrapessoal.
Mais sutil que os casos um e dois, neste terceiro o que parece funcionar é o astral, a nossa capacidade de relação amorosa, fraterna, generosa, possuída da grandeza humana para qual fomos pautados. Nesse ambiente os truculentos são expulsos e nele só se sintonizam os possuídos de mansidão.
Em cada uma destas três situações descritas acima, quer você as conheça ou sejam apenas fantasia, tocamos num universo de forças imponderáveis, que talvez mais pareçam pertencer ao mundo da fé ou se assemelhem a crenças religiosas. No entanto, nossos pensamentos, reflexões e sentimentos, nossos medos, inseguranças e angústias, constituídos de “substância” semelhante, são em geral responsáveis por nossas decisões e ações, cujos frutos podem ser bastante objetivos e mensuráveis.
Dessa forma, o modelo de intervenção das “Constelações Sistêmicas”, promove seus movimentos e ativa forças dificilmente acessíveis pela consciência individual de cada um, através de um mecanismo que revela parte desses vínculos “imaginários” ou da “alma”.
Quer você saiba ou não explicar a equação das forças e motivações inconscientes que condicionam os seus comportamentos e os de seus familiares, ou de seus colegas de trabalho, ou amigos do clube, imagino que seja inquestionável a percepção de como a existência de fatos e eventos completamente inesperados podem tornar a história repetitiva. Como no caso do cidadão que casa e separa várias vezes e, a cada novo relacionamento, descobre-se agindo ou sendo vítima sempre das mesmas formas, como se apenas houvesse trocado a cédula de identidade do(a) parceiro(a), mas o “script” fosse sempre o mesmo.
O mais fantástico de tudo isso, como no caso de nos tornarmos exatamente iguais àquelas pessoas que mais criticamos, ou com quem temos nossos maiores conflitos ou diferenças, principalmente no caso de pais ou irmãos, é que fazemos isso inconscientemente por amor!!! Sim, num nível decisório profundo, longe de nossas crenças a respeito de que quem somos ou devemos ser, lá em nossa essência, atuam mecanismos de compensação e equilíbrio que nos moldam de acordo com nossos modelos!
Assim, esse modelo das “Constelações Sistêmicas” vem sendo construído e utilizado a partir da experimentação diária, já que não existem ainda teorias satisfatórias para explicar esses movimentos ou motivações de nossa essência (alma). Sua principal finalidade é promover ordenações mais saudáveis dessas dimensões de nossa existência que condicionam nossas vidas.
Ao promover novas equações de forças inconscientes, despertamos movimentos inconscientes capazes de alterar comportamentos, hábitos ou vícios responsáveis por alguns fatos inexplicáveis de nossas vidas, tais como: ressentimentos sem razão, relacionamentos ou comportamentos destrutivos, alcoolismo, dependência química ou vínculos de co-dependência, doenças psicossomáticas sem explicação, fracassos recorrentes, suicídios, mortes precoces ou abandonos, até mesmo de pessoas muito queridas e protegidas.
Portanto, essa é uma metodologia para ser conhecida por qualquer pessoa que busque auto-conhecimento ou uma solução para problemas pessoais, profissionais ou afetivos que transcendam a esfera pessoal (scripts familiares) e ainda não tenha encontrado uma solução satisfatória, mesmo depois de anos de dedicação e/ou terapia. Principalmente para aqueles que se sentem aprisionados a comportamentos ou scripts que envolvem suas histórias familiares. Aprender a viver em sistema, é vital à todas as vidas.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

21 de dezembro de 2011


Pausa para o Solstício

Hoje será o dia mais longo do ano e a noite mais curta. Por isso, a Primavera se despede e o Verão tem início, num fenômeno chamado Solstício (de Verão para o Hemisfério Sul e de Inverno para o Hemisfério Norte).
Todos os anos temos os dois solstícios, mas este de hoje tem um significado especialíssimo: marca a contagem regressiva de 366 dias até chegar à data de 21/12/2012 quando, segundo várias fontes, estaremos adentrando oficialmente na Era de Aquário.
O que significa isso sob diferentes pontos de vista:
Científico-astronômico – o fechamento de um mês sideral composto de 2.146 anos terrestres. O ano sideral, comandado pelo Sol à frente dos planetas e satélites que compõem o nosso sistema solar dentro da galáxia chamada de Via Láctea, dura 25.752 anos terrestres que, divididos por 12 (meses siderais) dá o valor de 2.146 anos terrestres já referidos.
Científico-meteorológico – embora nossa ciência não tenha estudos conclusivos divulgados, é de se supor com muita probabilidade de acerto, que a “troca de mês sideral” também acrescente variações de graus de energia nas correlações planetárias e é provável que tenhamos um novo comportamento climático: mais calor, mais frio, mais instabilidade de temperatura, mais chuva, menos chuva. Como saber, se nos últimos “meses siderais” não havia ciência, isto é, não se sabe se havia ou não havia ciência; o certo é que as estatísticas não chegaram até nós.
Esotérico-astrológico – a troca de era, segundo os estudiosos do Zodíaco, traz consigo as macro tendências do signo que preside aquela era. Assim, Aquário será a Era da Liberdade, diferentemente da Era de Peixes, que foi a Era da Compaixão, aquela representada pelo fim das principais prisões conscienciais enquanto esta que acabou foi um tempo de grandes tentativas de perdão e regeneração da humanidade.
Místico-religioso – embora as religiões costumem tratar dos grandes eventos como viradas de milênio e mesmo viradas de séculos, com argumentos apocalípticos de “fim dos tempos”, causando comoções, pavor e esperanças, uma troca de era pode, sim, ser encarada como fim de um tempo marcado, por exemplo, pela compaixão, e começo de um tempo marcado, por exemplo, pela iluminação, como veremos adiante. Parece sugerir o que foi e o que virá, se olharmos para a história recente com olhos de longo prazo, conforme descreve o ponto de vista seguinte.
Ontológico-espiritual – uma era sideral vista do ponto de vista de uma espiral evolutiva pode ser interpretada como se fosse o andar de uma vida humana a transitar pela infância, adolescência, juventude, maturidade, em que cada fase traz seus aprendizados e suas exigências.
Assim deve ser vista a Era de Peixes: um tempo de Compaixão, no qual tivemos o exemplo de Cristo (espírito evoluído, que aceitou vir ao corpo para oferecer-se como exemplo de Ser Humano). Concluiremos que os 2.146 anos da Era de Peixes foi um tempo de escaramuças, solavancos, tombos, quedas, chamados, soerguimentos e exortações, num processo de tentativa de libertar, de trazer para a luz, de estimular para o avanço e de chamar para o crescimento espiritual. Aquele adolescente ainda inexperiente a dar cabeçadas, a fazer travessuras e a ser relevado, tolerado, corrigido com ternura – eis aí a compaixão.
Podemos olhar para a Era de Aquário como tempo de iluminação, no qual ciência, arte, política e religião estarão dialogando como parecem estar, no sentido de unir interesses na busca de uma verdade menos efêmera, mais duradoura, consistente, sobre a vida. Aí, teremos, de fato, menos retórica e mais conteúdo, menos teimosia e mais cooperação, menos fundamentalismo e mais ecumenismo, menos dogmas e mais verdades.
Então, se for assim como parece que será, que venha Aquário mandando os ventos de Pentecostes sobre os novos 2.147 anos daqui para frente.

Constelações Humanas (III)


3. A ressonância mórfica "move montanha"

Ao contrário dos campos físicos, os campos mórficos pesquisados por Sheldrake não envolvem transmissão de energia, como já dissemos. Por isso, sua intensidade não decai com o quadrado da distância, como ocorre, por exemplo, com os campos gravitacional e eletromagnético. O que se transmite através deles é pura informação. É isso que nos mostra o conhecido exemplo dos macacos, que será demonstrado em nosso capítulo 4. Nele, o conhecimento adquirido por um conjunto de indivíduos agrega-se ao patrimônio coletivo, provocando um acréscimo de consciência que passa a ser compartilhado por toda a espécie.
O processo responsável por essa coletivização da informação foi batizado por Sheldrake com o nome de "ressonância mórfica". Por meio dela, as informações se propagam no interior do campo mórfico, alimentando uma espécie de memória coletiva. Em nosso exemplo, a ressonância mórfica entre macacos da mesma espécie teria feito com que a nova técnica de quebrar cocos passasse da ilha “A” para a ilha "B", sem que para isso fosse utilizado qualquer meio usual de transmissão de informações. Não havia contato entre os macacos das duas ilhas.
Parece telepatia. Mas não é. Porque, tal como a conhecemos, a telepatia é uma atividade mental superior, focalizada e intencional que relaciona dois ou mais indivíduos da espécie, no caso da telepatia, os humanos. A ressonância mórfica, ao contrário, é um processo básico, difuso e não-intencional que articula coletividades de qualquer tipo. Sheldrake apresenta um exemplo desconcertante dessa propriedade.
Quando uma nova substância química é sintetizada em laboratório - diz ele -, não existe nenhum precedente que determine a maneira exata de como ela deverá cristalizar-se. Dependendo das características da molécula, várias formas de cristalização são possíveis. Por acaso ou pela intervenção de fatores puramente circunstanciais, uma dessas possibilidades se efetiva e a substância segue um padrão determinado de cristalização. Uma vez que isso ocorra, porém, um novo campo mórfico passa a existir. A partir de então, a ressonância mórfica gerada pelos primeiros cristais faz com que a ocorrência do mesmo padrão de cristalização se torne mais provável em qualquer laboratório do mundo. E quanto mais vezes ele se efetivar, maior será a probabilidade de que aconteça novamente em experimentos futuros.
Com afirmações como essa não espanta que a hipótese de Sheldrake tenha causado tanta polêmica. Em 1981, quando ele publicou seu primeiro livro, “A New Science of Life” (Uma nova ciência da vida), a obra foi recebida de maneira diametralmente oposta pelas duas principais revistas científicas da Inglaterra. Enquanto a “New Scientist” elogiava o trabalho como "uma importante pesquisa científica", a “Nature” o considerava "o melhor candidato à fogueira em muitos anos".
Doutor em biologia pela tradicional Universidade de Cambridge e dono de uma larga experiência de vida, Sheldrake já era, então, suficientemente seguro de si para não se deixar destruir pelas críticas. Ele sabia muito bem que suas idéias heterodoxas não seriam aceitas com facilidade pela comunidade científica. Anos antes, havia experimentado uma pequena amostra disso, quando, na condição de pesquisador da Universidade de Cambridge e da Royal Society, lhe ocorreu pela primeira vez a hipótese dos campos mórficos. A idéia foi assimilada com entusiasmo por filósofos de mente aberta, mas Sheldrake virou motivo de gozação entre seus colegas biólogos. Cada vez que dizia alguma coisa do tipo "eu preciso telefonar", eles retrucavam com um "telefonar para quê? Comunique-se por ressonância mórfica".
Era uma brincadeira amistosa, mas traduzia o desconforto da comunidade científica diante de uma hipótese que trombava de frente com a visão de mundo dominante. Afinal, a corrente majoritária da biologia vangloriava-se de reduzir a atividade dos organismos vivos à mera interação físico-química entre moléculas e fazia do DNA uma resposta para todos os mistérios da vida.
A realidade, porém, é exuberante demais para caber na saia justa do figurino reducionista.
Exemplo disso é o processo de diferenciação e especialização celular que caracteriza o desenvolvimento embrionário. Como explicar que um aglomerado de células absolutamente iguais, dotadas do mesmo patrimônio genético, dê origem a um organismo complexo, no qual órgãos diferentes e especializados se formam, com precisão milimétrica, no lugar certo e no momento adequado?
A biologia reducionista diz que isso se deve à ativação ou inativação de genes específicos e que tal fato depende das interações de cada célula com sua vizinhança (entendendo-se por vizinhança as outras células do aglomerado e o meio ambiente). É preciso estar completamente entorpecido por um sistema de crenças para engolir uma "explicação" dessas. Como é que interações entre partes vizinhas, sujeitas a tantos fatores casuais ou acidentais, podem produzir um resultado de conjunto tão exato e previsível? Com todos os defeitos que possa ter, a hipótese dos campos mórficos é bem mais plausível.
Uma estrutura espaço-temporal desse tipo direcionaria a diferenciação celular fornecendo uma espécie de roteiro básico ou matriz para a ativação ou inativação dos genes. No próximo capítulo veremos, entre outros exemplos, o caso dos macacos.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Constelações Humanas (II)


2. O que é um sistema morfogenético?

Trataremos aqui da Ciência desenvolvida pelo biólogo inglês, Rupert Sheldrake, cujos resultados nos deram a descoberta dos campos morfogenéticos e da ressonância mórfica, a serem detalhadas adiante. Segundo o holismo, os campos morfogenéticos são a memória coletiva à qual recorre cada membro de uma espécie e para a qual cada um deles contribui. Isso é muito evidente quando se vê milhares de peixes ou pássaros nadando ou voando em perfeita sincronia nos seus cardumes e bandos aparentemente sem um maestro a conduzi-los. Os humanos também podem chegar a tanto, como veremos adiante.
Este é um estudo complexo, mas fascinante. Precisamos passar por ele para chegar à Constelação Humana, como é a proposta desta série.
Morfo = forma; genético = criador; tem-se o termo “forma criadora”. O campos morfogenéticos são campos de forma; padrões ou estruturas de ordem. Estes campos organizam não só os campos de organismos vivos mas também de cristais e moléculas. Cada tipo de molécula, cada proteína por exemplo, tem o seu próprio campo mórfico – a hemoglobina, um campo de insulina, etc. De um mesmo modo, cada tipo de cristal, cada tipo de organismo, cada tipo de instinto ou padrão de comportamento tem seu campo mórfico. Estes campos são os que ordenam a natureza. Há muitos tipos de campos porque há muitos tipos de coisas e padrões dentro da natureza, identificou Sheldrake.
Este foi um passo decisivo da ciência pós-moderna.
Os campos morfogenéticos ou campos mórficos são campos que levam informações, não energia, e são utilizáveis através do espaço e do tempo sem perda alguma de intensidade (a qualquer distância) depois de ter sido criado. Eles são campos não físicos que exercem influência sobre sistemas que apresentam algum tipo de organização inerente.
Os campos morfogenéticos agem sobre a matéria impondo padrões restritivos em processos de energia cujos resultados são incertos ou probabilísticos. Os Campos Mórficos funcionam modificando eventos probabilísticos. Quase toda a natureza é inerentemente caótica, isto é, não é rigidamente determinada. Os Campos Mórficos funcionam modificando a probabilidade de eventos puramente aleatórios. Em vez de uma grande aleatoriedade, de algum modo, eles atuam de forma que certas coisas acontecem em harmonia em vez de aleatórias e caóticas. É deste modo como Sheldrake ensina que esses campos funcionam.
Campos mórficos são laços afetivos entre pessoas e animais: grupos de animais – como bandos de pássaros, cães, gatos, peixes – e, como se leu, entre grupos humanos, times, famílias, etc. Não é uma coisa fisiológica, mas afetiva. São afinidades que surgem entre os animais e as pessoas que juntos convivem e promovem interações de campos. Essas afinidades é que são responsáveis pela comunicação que acaba se constituindo em forma criadora.
Talvez, de uma maneira mais sofisticada, poder-se-ia dizer que o DNA é um campo de forma estabelecido por inteligências superiores e que fica atuando e repetindo seus eventos enquanto não alterado.
Átomos, moléculas, cristais, organelas, células, tecidos, órgãos, organismos, sociedades, ecossistemas, sistemas planetários, sistemas solares, galáxias: cada uma dessas entidades estaria associada a um campo mórfico específico. São eles que fazem com que um sistema seja um sistema, isto é, uma totalidade articulada e não um mero ajuntamento de partes. Sem a existência dessa “união”, a desorganização seria uma expressão caótica.
Sua atuação é semelhante à dos campos magnéticos, da física. Quando colocamos uma folha de papel sobre um ímã e espalhamos pó de ferro em cima dela, os grânulos metálicos distribuem-se ao longo de linhas geometricamente precisas. Isso acontece porque o campo magnético do ímã afeta toda a região à sua volta. Não podemos percebê-lo diretamente, mas somos capazes de detectar sua presença por meio do efeito que ele produz, direcionando as partículas de ferro. De modo parecido, os campos mórficos distribuem-se imperceptivelmente pelo espaço-tempo, conectando todos os sistemas individuais que a eles estão associados.
A analogia termina aqui, mas tem mais coisas para aduzir. Continuamos no próximo capítulo.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Constelações Humanas (I)


1. Apresentação

A Ciência Pós-Moderna nos autoriza falar de sistemas. Tudo pertence a sistemas e este texto visa apresentar uma visão sintética de Constelações Humanas, Sistêmicas.
É novo falar sobre isso e, sobre isso, você, leitor, deve ter um pouco de paciência e considerar inicialmente que a Constelação Humana Sistêmica é uma abordagem recente, desafiadora, enfocando algo sistêmico-fenomenológico trazendo um método profundo e transformador de solução de problemas e expansão de consciência. É extremamente controvertido e efetivo em resultados, tanto para intervenções terapêuticas, como foi concebido por Bert Hellinger, quanto para diagnóstico em consultoria. Em qualquer dos casos está orientado para soluções.
Quem é Bert Hellinger? É um pedagogo com pendores filosóficos e teológicos, nascido em 1925, que estudou filosofia, teologia e pedagogia. Sua formação religiosa levou-o depois a ingressar em uma ordem religiosa católica. Mais tarde trabalhou como missionário na África do Sul. No início dos anos 70 deixou a ordem religiosa católica dedicando-se então à psicoterapia.
Através do estudo da dinâmica de grupos valendo-se do psicodrama, da terapia primal, da análise transacional e de diversos métodos hipnoterapêuticos, desenvolveu a Teoria da Constelação Familiar Sistêmica.
Seu estudo é mais concentrado na família, mas Bert Hellinger redescobriu durante o seu trabalho com centenas de sistemas familiares a comoção que afeta pessoas e muda suas vidas ao reconhecerem o amor que existe no seio das famílias. Até aqui, ao que parece, a novidade é pouca. Todos nós entendemos as ligações consangüíneas que atuam dentro das gestas familiares. Mas, o mais interessante de suas buscas diz respeito às vidas passadas.
Não, estamos falando, ainda, de reencarnação e sim de vidas que já se foram deste plano. Hellinger descobriu por que um amor rompido em gerações anteriores pode causar sofrimentos aos membros posteriores de uma mesma família. Isso é espantoso vindo de um ex-padre e ganha maior dimensão quando se lê que o processo de cura exige que os primeiros, isto é, falecidos, sejam relembrados e trazidos para a roda da cura.
Nos seus workshops os participantes observam, representam pessoas de outras constelações familiares ou exploram suas próprias dinâmicas familiares ajudando Hellinger a demonstrar como o amor, mesmo injuriado ou mal-direcionado, pode ser transformado em uma força que cura.
E quando falamos cura não estamos apenas nos referindo às doenças instaladas no corpo físico. Estamos falando de forma ampla, incluindo emoção, intelecto, alma, espírito.
Mais adiante nós iremos explorar aspectos de Constelações Humanas não consangüíneas como é o caso de muitos membros de uma mesma constelação familiar, também, mas aqui abriremos a roda e traremos para ela grupos homogêneos que atuem em empresas, clubes, lojas maçônicas, clubes de serviços, comunidades. Veremos que o aspecto do sangue é um entre os muitos aspectos intrínsecos e que o aspecto espiritual, isto é, de consciência coletiva é o que tem maior peso.
A quem poderia interessar, mais especificamente, um trabalho assim: anote aí, pode interessar a pessoas de qualquer idade que estejam vivendo situações de estresse, depressão, angústia e/ou ansiedade, mágoa, remorso, culpa, normalmente acompanhadas das seguintes reflexões e/ou questionamentos:
* Por que eu fiz tudo pelos meus empregados, meus irmãos, meus filhos, cônjuge, etc. e eles não estão bem e nem são gratos?
* E comigo o que acontece? Tenho tudo para ser e não sou feliz!
* Por que me sinto culpado e chego a ter remorsos quando acontece algo de bom comigo?
* Percebo a necessidade de ter um bom relacionamento, mas não consigo!
* Por que estou sempre repetindo algo que me prometi não fazer novamente e novamente faço?
* Por que meu negócio ou minha carreira não flui satisfatoriamente mesmo que eu trabalhe tanto?
Você, leitor, gostaria de viajar intelectualmente sobre o dorso de um tema tão palpitante como este? Então vem!!!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Espiritualidade, Ciência e Cosmovisão (V e última)


5. Sinais dos novos tempos

Os segredos para se alcançar a felicidade, agora sabemos, se desvendam no equilíbrio harmônico de corpo, mente e espírito, harmonizando assim o sonhar e o realizar, a imaginação e o esforço, a mente e os músculos, o espírito e o corpo, o eterno e o transitório, o céu e a terra.
É verdade que os contrastes tendem a desarmonizar essa percepção e a ameaçar essa verdade, mas é a sabedoria que pode permitir-nos fazer a vida acontecer sobre alicerces de pura beleza, máxima utilidade e absoluta verdade, três qualidades essenciais para que a própria vida tenha sentido.
Observemos os seguintes sintomas que podem ser interpretados como sinais atuais dos novos tempos:
• As pessoas voltam a reconhecer o valor de um corpo saudável e fazem academia, ginástica, natação, caminhadas, excursões, ciclismo, trilhas, etc. (movimento);
• Estamos mudando nossos hábitos alimentares ao reduzir as carnes gordas e ao consumir mais verduras, frutas, legumes, carnes brancas, muitos desses alimentos já livres de agrotóxicos, hormônios, aditivos, sal e açúcar (nutrição);
• Já optamos por viver nos parques, nas praias, na mata, na montanha, etc. (respiração saudável);
• Já optamos pelo consumo de água de boa qualidade e sucos de frutas saudáveis, etc. (hidratação);
• Já existem, com impacto crescente, campanhas contra o consumo de fumo, bebidas alcoólicas e drogas, pois o remédio é eliminar a demanda ao invés de combater a oferta (saúde);
• Novas gerações de empresários e líderes defendem uma cultura econômica voltada para a solidariedade e para a responsabilidade social, a fé no ser humano, a ética e o respeito pelas coisas sagradas (ética);
• O convívio respeitoso com a natureza volta a ser considerado importante (ecologia);
• A ecologia profunda é o novo paradigma do século XXI;
• Há uma aliança oculta e essencial entre as organizações espiritualistas e os grupos ecológicos (sistemas);
• Surgem comunicadores e meios de comunicação social, engajados na reconstrução do homem e da sociedade (pedagogia do amor);
• As lideranças truculentas são condenadas publicamente e levadas a julgamento em tribunais internacionais ou são trucidadas pelas suas vítimas (consciência política);
• Cresce o número e o efeito do trabalho de entidades e pessoas dedicadas ao trabalho voluntário (caridade);
• Cresce a luta pela ética na política (cidadania);
• As relações internacionais passam por uma revisão no que toca aos protecionismos e aos boicotes unilaterais (novamente os sistemas);
• 83% dos cidadãos do planeta condenaram as ações militares no Afeganistão e no Iraque, e 94% pedem uma solução para outras questões vergonhosas, como a antiga crise do Oriente Médio;
• A nova materialidade e a nova espiritualidade trazem consigo um novo céu e uma nova terra, isto é, uma nova capacidade de sonhar e um novo espírito prático;
• Estamos recuperando a coerência entre pensamentos, sentimentos e ações, e estamos nos reconciliando com a natureza ao nosso redor, de cujo contexto somos parte dependente e pelo qual respondemos solidariamente;
• À medida que cresce o convívio amoroso humano com a floresta, mar, rio, ar, e todos os seres vivos com os quais dividimos a vida, restabelece-se em nós a generosidade que conhecemos em Francisco de Assis, aprimoramos nossas emoções, damos clareza aos nossos pensamentos e vamos tomando o rumo da nossa felicidade de viver.
Casos como o da crise sócio-econômica européia se encaminham para a eliminação do egoísmo individual ou grupal sobre nações inteiras e sobre o planeta global, diante da compreensão de que não existe sistema defeso quando entre seus membros uns engolem os demais de forma insustentável.
Os ganhos e os avanços nessa jornada podem parecer esporádicos, lentos e de pequena escala, mas não são. Nunca se pode ignorar que pesados interesses políticos, militares, econômicos e até mesmo religiosos, estão por traz de guerras, doenças, consumismo, modismo, bolsas de valores, pesticidas, chaminés e efluentes poluidores, fábricas de armas e munições, temas com os quais a mídia ainda não tem toda liberdade para atuar com isenção. Mas, a repercussão do que de melhor acontece no planeta não é uma questão de se, mas de quando. Ela virá na poeira das transformações que o novo homem fará. Que nós faremos com o Amor na presidência do poder racional.
(As contribuições bibliográficas se encontram citadas no corpo do texto)