segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Tá difícil, não?

Esta crônica é dirigida para leitores que olham pela janela, vêem nas páginas dos jornais e nas telas da tevê e percebem o quanto nossa sociedade está corrompida, fragilizada, refém de muita coisa, a ponto de perdermos a harmonia e de abrirmos a boca para reclamar.
É exatamente assim que tudo acontece. Todos nós nos lembramos da água quando a sede aperta; nos lembramos da sombra ou do ar condicionado quando o calor abafa; pensamos na cama quando o sono chega; e, claro, além de muitas outras situações, lembramos da comida quando a fome bate.
Como seria se não houvesse sede, calor, sono, fome?
Entramos agora na análise das coisas ruins, lamentáveis, das doenças e das dificuldades que povoam nossas vidas, onde se inscreve a violência e tudo mais de que nos queixamos.
Mas, somos unânimes em querer prosseguir vivendo.
A despeito das maldades humanas, da poluição, do clima de guerra, das catástrofes e do aquecimento global, somos unânimes em querer que este mundo não seja destruído e temos muito pavor de que isso possa ocorrer.
Você acha que o redator está certo?
Sim, pois, só não pensam assim aqueles que estejam no caminho do suicídio e os irremediavelmente fanáticos desejosos de que os pecados da humanidade sejam punidos com a hecatombe planetária.
Tiremos fora do contesto esses suicidas e fanáticos.
O que quer dizer-nos essa vontade de continuar vivos e habitando o planeta? Quer dizer-nos que deve haver no ser humano o germe da bondade e do amor ainda que oculto em nossos processos culturais. Mesmo que, para muitos, isso seja difícil de compreender, é exatamente o que ocorre.
Os espiritualizados compreendem e discernem que somos criaturas do bem, destinadas ao bem e que mesmo em trânsito pelas searas do mal (melhor dizendo, pelos caminhos escuros), não educados para a luz (para o bem), um dia os desviados serão chamados a retornar.
Difícil? Possível?
Quando e como isso seria possível?
“Quando” é um tanto difícil de saber, mas “como” já deu para perceber na introdução desta crônica.
De tanto sofrer e padecer a pressão dos sistemas em franca deterioração, alguns de nós se encarregarão de promover a denúncia para, num próximo momento, organizar a reação e a cura.
É isso mesmo que você entendeu.
Fale do caos, reclame dele, queixe-se dele com as pessoas mais próximas, no ônibus, na fila, na festa, na família. Você verá que são muitos os que também falam, reclamam e se queixam. Por enquanto, na confortável posição de acomodados. Chegará o dia em que a navalha cortará na carne e a reação virá. Isso mesmo RE-AÇÃO, ação de retorno ou de reparo.
Somos nós que teremos em nossas mãos a virada. Se renunciarmos fazê-la, é porque merecemos continuar mergulhados nessa lama. Se tomarmos consciência disso e erguermos a cabeça acima da lama, iremos encontrar outros interessados na mesma coisa boa, assim como sempre tem gente interessada em alguma coisa. Se somos minoria, merecemos o que temos. Se somos maioria, já tem início a virada.
O que não dá para fazer é ficar só reclamando. É preciso descobrir aonde tem gente querendo o que também queremos, organizada para tanto. É preciso que nos juntemos aos pelotões de reforma da sociedade.
Os desafios são imensos: congresso, justiça, governo, segurança, modelo de vida, religião, miséria, planejamento, sistema prisional, imprensa, etc. etc.
Vá, leitor, a caminhada já começou. Ela será longa.
Quem sair na frente chegará antes.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Carmas... Tragédias... Lições... Destinos...

Já abordamos o tema intitulado “carmas coletivos” e, na abordagem, fizemos a correlação principal com o caso haitiano. Espero que você tenha lido aquela crônica.
Mas, é óbvio, existem muitos outros casos possíveis de serem anotados como possíveis carmas coletivos. Não vamos muito longe: a falta de chuva nos sertões nordestinos, as favelas das grandes cidades, as zonas frequentemente sob o efeito de terremotos, enchentes, vendavais, deslizamentos, erupções vulcânicas e outras inclemências da Natureza...
O que significa estar no centro de uma situação a mercê de forças muito poderosas que impedem uma vida tranqüila, equilibrada e harmônica?
As filosofias que exploram o que ficou convencionado chamar de “carma” ou “karma” (budismo, hinduísmo, jainismo e posteriormente a Teosofia, o Espiritismo e o Movimento New Age) o usam para expressar um conjunto de ações dos homens e suas consequências. Este termo, na física, é equivalente a lei: "para toda ação existe uma reação de força equivalente em sentido contrário". Neste caso, para toda ação tomada pelo homem ele pode esperar uma reação. Se praticou o mal então receberá de volta um mal em intensidade equivalente ao mal causado. Se praticou o bem então receberá de volta um bem em intensidade equivalente ao bem causado.
Dependendo da doutrina e dos dogmas da religião discutida, este termo pode parecer diferente, porém sua essência sempre foca as ações e suas consequências.
Há uma pequeno grupo que também trabalha com a possibilidade de ver o carma sem olhar para trás, apenas e, portanto, não pensar que os carmas coletivos estejam só associados a coisas que já foram, mas sim a coisas que estão por vir. Neste caso, os sofrimentos entrariam não na conta de passivo e sim de ativo, aquisição de crédito para uso futuro.
E, portanto, um carma nunca poderia ser interpretado como castigo, pena ou coisa parecida por cometimentos passados e sim como colheita. Cada pessoa ou grupo irá obter suas colheitas na exata medida de seus plantios.
Como não temos bola de cristal para ver adiante e quase nenhuma lupa para ver atrás e nem agora, todas as hipóteses de carma precisam ser olhadas como lições. E se não puderem se transformar em lições, estaremos diante de casos crônicos de muito difícil solução.
Mas, o visível das tragédias que assistimos nos informa que as pessoas vitimadas desenvolvem um excelente senso de solidariedade, dão valor à solidariedade e se tornam solidárias. É maravilhoso ver como os miseráveis das favelas se ajudam entre si. Este mesmo espírito passa ao longe das pessoas abastadas que residem em mansões ou apartamentos de luxo. Geralmente nem querem conhecer os vizinhos para evitar de ter que realizar algo em sua companhia.
Quando tomamos o primeiro maior mandamento de Jesus como recado ecológico (“Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças...” Marcos 12; 30) e entendemos assim o respeito que devamos ter com o ambiente, que é a Obra de Deus, fica evidente que qualquer flagelado de qualquer tragédia ecológica tem a obrigação de aprender que as forças de Deus são muito grandes e muito grandemente têm de ser respeitadas.
E, óbvio, o segundo maior mandamento complementa o primeiro quando diz: “E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Marcos 12; 31).
Aquele ser humano que se ama e se respeita, terá de dedicar igual amor e igual respeito a seu próximo, incluindo neste “próximo” os outros seres, inclusive animais e vegetais e, sem nenhuma dúvida, pensando no futuro próximo de sua própria alma: “próximo” pode relacionar-se com quem está perto e pode relacionar como aquilo que virá: próximo dia, próximo ano, próxima reencarnação.
Os espíritas especulam com a hipótese do já citado carma de futuro, aludindo que a espiritualidade maior pode ter carência de espíritos experimentados e treinados em situações de grande ameaça/calamidade com muito pouco recurso para utilizá-los na superação das dificuldades. Uma das carências seriam líderes para grandes missões em outras dimensões do cosmos. Comparando de maneira pobre, esses espíritos seriam os “soldados das forças de paz e auxílio” como hoje acontece com tropas que servem sob a bandeira da ONU, para serem levados a outros extremos do cosmos para atuar em situações análogas, já não mais como flagelados e sim como líderes dos processos de resgate e reconstrução.
Nós, portadores de mentes apenas focadas no plano terreno e apenas focadas nos episódios em si, aqui, agora e nas regiões atingidas, sem a correlação e sem a compreensão ampla que cada ação representa para poder transformar-se em “carma” passado ou futuro, nunca chegaremos perto das verdades que ainda não podemos conhecer. Mas, os guias espirituais que cuidam da humanidade e da espiritualidade trabalham com os olhos e as atenções voltados para o todo cósmico e para o todo eterno.
O que se poderia interpretar como um baita azar, um imenso sortilégio, na verdade, pode estar se inscrevendo como uma ou a maior das oportunidades para a realização de uma pessoa e seu espírito. Os grandes heróis tem ser construídos e treinados, precisam vivenciar as situações em que serão chamados a atuar. Um excelente bombeiro é aquele que já ajudou apagar muitos incêndios. Um excelente enfermeiro socorrista é aquele que já ajudou a juntar muitos corpos dilacerados. Nas horas extremas de aprêmio, o socorro não pode amarelar.
Você acha que um espírito com as vivências que o Haiti vem proporcionando poderia ajudar muito em uma situação análoga em outro ponto dos cosmos?
A sua resposta nos encoraja a fazer mais uma ilação. Nós também não podemos imaginar simploriamente que os espíritos haitianos estejam reencarnando sempre ali e sempre naquelas condições. A espiritualidade pode estar dirigindo para lá sempre espíritos novos para que passem pelas experiências de que já citamos aqui.
Ficam essas idéias para você pensar, meditar, orar...

sábado, 29 de janeiro de 2011

Carmas coletivos

Numa crônica anterior enfocamos o Haiti, o sofrimento daquele povo praticamente desde que a Ilha foi descoberta em 1492, pois em seguida ao descobrimento, o colonizador ali se instalou e foi buscar na África a mão-de-obra destinada a promover a exploração agrícola e mineradora daquele pedacinho de terra rodeado pelo mar do Caribe, dividindo uma bonita Ilha com a República Dominicana.
A posição estratégica da Ilha no centro do Mar do Caribe, talvez tenha sido o seu pior malefício: despertou a cobiça das potências da época.
Quando os negros do Haiti tentaram fundar a primeira república negra do planeta, inspirados pela Revolução Francesa, a França chegou para organizar a paz e além de sufocar a república deixou um rastro de tragédia social.
Tudo que possa ter sido escrito sobre a trajetória daquela gente, quase unanimemente negra, quase unanimemente escrava, quase unanimemente analfabeta, quase unanimemente pobre, beirando a miséria, miserável, hoje, beirando a fome, não justifica os episódios de sua História. Hoje é um país dependente da ajuda internacional para ter assistência médica, para ter acesso a remédios, para vestir-se, para morar (melhor dizendo, acampar, porque milhares deles perderam suas casas no terremoto). Existem milhares de pessoas que perderam tudo e todos. De milhares de famílias só existe uma pessoa e em grande número crianças ou velhos. Não existe emprego, não existe dignidade, não existe ética.
Quando chega um carregamento de víveres, as pessoas se atropelam como animais famintos, pisam por cima de quem estiver à frente, quase se matam em disputa de um pedaço de pão ou de um copo d’água.
As forças de paz, provindas de vários países, inclusive do Brasil, não são propriamente de paz, pois têm de trabalhar como assistentes sociais, como enfermeiros, como policiais, como tutores, algo mediano entre soldado e sacerdote.
Como entender a translação desses milhares, hoje milhões de africanos negros desde as suas tribos na costa da África, embarcados já como escravos, muitas vezes arrancados do seio dos seus clãs para trabalhar duro em plantações de cana, café, cacau, algodão, anil, sem nada receber, alem de teto, comida e os maus tratos físicos e morais do escravocrata?
Como entender tanta gente sofrida nivelada por baixo e abrindo frentes de divergência armada em meio aos próprios da mesma raça, destino, sofrimento e futuro?
Como entender o ideal do homem branco que depois de erradicada a escravidão negra em todos os países da América, ainda mantém um regime de semi-escravidão sem nenhum respeito aos direitos humanos?
Quem é esse homem sofrido, levado à indignidade, à perda de todas as perspectivas e que ao invés de unir-se aos seus iguais para buscar a superação, escolhe lutar contra as demais facções (que possivelmente andem buscando as mesmas coisas)?
E o que são as mesmas coisas buscadas?
O que passa pela mente do excluído a ponto de desviar-se do objetivo maior, que deveria ser a liberdade e a afirmação, e focar-se em interesses subalternos de corporações guerrilheiras, em geral a serviço de um líder e não de todos?
Como explicar a atitude e o comportamento de governos de países desenvolvidos como o são a França e os Estados Unidos, que contribuíram para o caos da sociedade local e depois cruzam os braços para ver até onde irá a perdição de toda esta gente?
Custa acreditar que estejam esperando que morram todos para tomar posse do que sobrar!!! E se estiverem?
O que dizer da imprensa internacional que tinha contínuas manchetes para execrar Fidel Castro e seu governo vitalício e sem democracia e não tinha nenhuma frase sobre as barbaridades cometidas pelos Estados Unidos e França sobre outra também ilha, a do Haiti?
Imprensa que também não se ocupava com outro ditador pior que Fidel, chamado Papa Doc, vitalício no poder haitiano?
Não, a gente não pode pensar que Deus esteja castigando os africanos que foram aprisionados ao seu novo destino no Haiti. Deus não é cruel, apesar de severo; não é vingativo apesar de justo.
Acostumados a lidar com a palavra “carma”, temos de pensar que carma nem sempre é um resgate olhando para o passado. Existe carma de olho no futuro. Mas, os haitianos estão submetidos a uma brutal realidade, fora dos propósitos a que possa se submeter um povo cruel. Mas, não consta que os africanos tenham sido tão cruéis para estarem pagando uma conta tão alta, se considerarmos o carma voltado para o passado.
Seriam espíritos migrantes de outras galáxias, em estágio probatório para recuperar sua dignidade?
Qualquer um de nós deve refletir sobre a questão haitiana e tirar dela uma lição para as nossas vidas, a fim de compreendermos melhor como acontece a Justiça de Deus.
O caso haitiano não se faz a revelia de Deus. E também não pode ser olhado como castigo de Deus. E está sendo enfocado como exemplo, mas existem muitos outros carmas coletivos. É só prestar atenção.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Quanto tempo ainda nos dá Jesus?

Jesus nos dá todo o tempo que quisermos. A pressa é nossa, os resultados são nossos. Quanto tempo nós achamos que judeus e palestinos brigarão pelas colinas que margeiam o Rio Jordão? Cá entre nós, não é, isso, coisa muito pequena para tanto barulho?
Você, leitor, já participou de uma reunião de condomínio, um universo pequeno, com portas e com interior, dentro do qual a vida se faz igual para todos e onde as regras também são iguais para todos? Por acaso existem iguais ali? Se sua resposta for positiva, cabe chamar seu depoimento: você já se perguntou por que se briga por tão pouco?
Esse é o ser humano fruto dessa civilização: pobre de alma e rico de ambição; pobre de intelecto e rico de ornamentos; pobre de deveres e rico de direitos; pobre de visão de longo prazo e rico de visão de si próprio, entre muitas outras qualificações menos gerais e mais particulares para muitos dos seus membros.
Nós iniciamos estas crônicas que envolvem a doutrina de Jesus falando sobre gnósticos ou filósofos, se gnóstico puder ser o conceito de quem busca conhecer, assim como filosofia significa amor ao saber. E ao gnóstico ou filósofo atribuímos a capacidade de auto-criar sua independência mental, fugir da prisão arquitetada pelas igrejas para cercar seus fiéis, incutir neles um elenco de obrigações e deveres capazes de anular seu arbítrio, somados às armadilhas do mercado, outra fábrica de cadeias. Ensinam que o “olho de Deus” tudo vê e que as câmeras do fiscal divino não deixam escapar nada. Ensinam que fazer desse jeito é chique.
Veja, leitor, o novo ser independente abre um abismo entre a velha e a nova mente. A nova mente faz tudo certinho não porque haja uma câmera vigiando, mas porque tem consciência de que é assim que ter de ser. Tira a polícia rodoviária da estrada, tira o guarda da rua, desliga os monitores de vigilância no supermercado. Vou mais longe, desativa grande parte do poder judiciário, dos tribunais de contas e fecha as penitenciárias, se não todas, quase todas.
É pedir demais? A curto prazo, sim. Mas, Jesus nos dá todo o tempo do mundo. A pressa é nossa, os resultados são nossos.
Os gnósticos defendiam, defendem a hipótese de que nós temos a capacidade de crescer para a vida sem intermediários, o que vale dizer a auto-cura. (Marcos 12; 30: 30 Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. 31 E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes).
EXCLUSIVAMENTE, POR ESTE MEIO, SERÁS O SER QUE JESUS ESPERA ENCONTAR UM DIA.
E isso não se põe dentro da alma de ninguém. É a alma que precisa querer que assim seja.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Uma poderosa escola exclusiva

Esta é uma crônica para falar do ato de excluir. Somos ótimos nisso.
Bem no começinho da civilização humana havia, talvez, justificáveis motivos para o “apartheid”. O surgimento das cidadelas, cidades ancestrais, primordiais, na verdade, a primeira versão do condomínio moderno, cercadas, muradas, protegidas contra ataques de hordas humanas bárbaras, conquistadoras e impiedosas, foi a maneira de como os pré-civilizados pré-cidadãos preferiram escapar do assédio organizado daqueles predadores, humanos e animais, e também de indivíduos desgarrados, famintos, fugitivos ou expulsos de seus clãs. Eram comuns as expulsões substituindo as execuções nos clãs primitivos.
Os guetos judeus também derivam das cidadelas primodiais.
A evolução das cidadelas, foram as cidades e ali já podiam ser abrigados integrantes de múltiplas origens nacionais ou étnicas e até de múltipla fé, o que não aconteceu nos guetos judeus, que excluem todos quantos não forem judeus de fé. Aliás, a definição para judeu não é dada pela nacionalidade ou etnia judaica, mas por adesão à fé do clã.
Caminhamos assim pela humanidade a fora não só no lado de cá do planeta, chamado de Ocidente, pois as lições judaicas vêm de uma geografia chamada Oriente Médio. Mas, admita-se, sua influência é quase que exclusiva na Europa e posteriormente nas Américas.
Aqui, apesar da impressão que o texto possa dar, não se está condenando ou criticando a forma judaica de organização. Os judeus, se não foram os primeiros, e sabemos que não foram, ao menos tiveram a forma de fazer história e escrever a história e, por isso, servir de modelo. Tiveram, possivelmente, as primeiras comunidades organizadas com história escrita. E fizeram escola. Escola para os gregos. Escola para os romanos.
É importante, no entanto, identificar que as sociedades foram se organizando milênio após milênio cada vez de forma mais refinada em busca da exclusão.
Hoje nós temos os condomínios deixando pelo lado de fora de seus muros tudo aquilo que não se deseja dentro deles; temos as prefeituras apanhando em seus terminais rodoviários os pobres que chegam e os reenviando de volta às suas regiões de origem; temos um aparato policial quase que exclusivamente focado nas periferias e nos pobres, de onde vem os atos contra a lei mais considerados pela sociedade que temos. E temos, ainda, o refinamento legal de que o preso de nível superior não fica preso com os demais presos e sim em cela especial.
Mas, não terminam aí os atos de exclusão ou “apartheid”: os aviões (meio desuso, já) possuem a primeira classe onde sentam os especiais que também embarcam através das salas VIPs – abreviatura de pessoa muito importante, em inglês. Nas festas populares e nos teatros – quanto mais antigos mais presentes – lá estão os camarotes, vendidos a preços muito elevados, a fim de que os pobres não tenham acesso à privacidade deles.
O poder legislativo das três esferas tornou a eleição do parlamentar tão cara que só quem pode pagar a conta consegue o mandato, oferecendo neste gesto a grande origem da corrupção com dinheiro público, pois os financiadores de campanhas depois cobrarão o retorno.
O poder judiciário, pela complexidade dos concursos, abre as portas, antes, àqueles que tenham tido a capacidade de passar nas difíceis provas. Se classificam os oriundos de bons cursos realizados em ótimas faculdades, e isso tudo tem relação com poder aquisitivo. Na prática, os tribunais sempre se inclinarão por aplicar a justiça em favor dos mais abastados, pois além dos juízes serem oriundos das classes mais abastadas, também os melhores advogados são os que cobram mais caro. E, todos sabemos, os juízes julgam segundo aquilo que consta dos processos. Advogado de mais qualidade ganha maior número de causas. E assim por diante.
Só para não perder a oportunidade de incluir nesta crônica: por duas oportunidades, as mais famosas, o papa exigiu traje adequado para receber determinadas “personalidades” e os dois casos repercutiram muito. Na primeira vez, foi São Francisco, no século XII, que só entrou para conversar com o papa da época porque burlou a segurança do Vaticano. A outra ocasião, no século XX, se passou com Gandhi, que não foi recebido porque estava vestindo aquele fraldão indiano.
Nos gabinetes oficiais, por vício de origem, as pessoas não são recebidas se não estiverem vestindo terno e gravata que, como sabemos, são roupas de quem as possa comprar.
Excluímos nos restaurantes, nos hotéis, nos ônibus, nos condomínios, nos elevadores, nas repartições públicas, nas festas, nos teatros, no mercado de trabalho, etc., etc., sempre na contramão da vida, pois a vida dá sobejos exemplos de incluir, incluir, incluir. E depois nos queixamos que a vida está difícil, ameaçadora, violenta, insuportável.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Uma(s) igreja(s) para a elite proteger-se

É muito difícil ao analista fingir com a realidade que nos alcança. O sistema judaico fechado e materialista, praticado segundo teorias especiais acerca de Deus, do homem e da natureza foi parar dentro da Igreja Romana, por vício de origem, pois os generais e os sacerdotes dos antigos ritos das crenças anteriores ao cristianismo eram escravocratas e estavam preocupados em garantir os tributos à corte e manter a ordem para que os senhores pudessem viver sem serem incomodados. Todo o sistema policial e judicial que veio depois, por vício de origem, centra-se na proteção das elites.
Quando se implantou, por absoluta conveniência ao poder romano, a nova igreja que nem o nome de cristã adotou, toda a estrutura de poder canônico foi copiada do exército, inclusive a farda, que diferia dos militares apenas quanto à cor dos tecidos.
Como nos tempos mitológicos, Deus estava distante do homem e o homem distante da natureza, impingindo-se aos católicos a sensação de que estavam soltos no contexto entre as duas outras dimensões. A Gênese Judaica ensinava isto, colocando o homem não como parte da Natureza, mas como algoz dela.
Por pior que possa parecer, todas essas heranças abriram entre os humanos uma classificação de homens de primeira (reis, nobres, papas, cardeais, generais e seus familiares, isentos de tributos e mantidos pelo Estado), de segunda (oficiais burocratas, cobradores de tributos, financistas, navegadores, proprietários dos meios de produção e comerciantes, contribuintes) e de terceira classe integrada pelos trabalhadores, vassalos ou não, pelas mulheres e por todos os aí nascidos que irão se tornar escravos e passíveis de batismo. Havia ainda uma quarta classe, dos nativos, índios e negros, banidos, ímpios e condenados, destinados a serem conquistados ou mortos, cujo destino era ceder suas terras e, se catequizados, trabalharem para a satisfação dos seus senhores, que pertencem à primeira e à segunda classe.
Os cultos religiosos, em qualquer país que fosse, era celebrado em língua latina, falada apenas pelos nobres, portanto não se destinava ao povo.
Quando, nos anos 1970 da nossa era recente, que também foi quando os cultos passaram a ser celebrados nos idiomas locais, surgiu um movimento esquerdista/comunista dentro da Igreja, numa chamada “Opção pelos Pobres”. Ele só prosperou nos países do então chamado Terceiro Mundo (tudo o que era pobre fora da Europa, América do Norte e União Soviética), aliás de cujas concepções nasceram o MST e o PT, Lula no meio. Havida a percepção de que o comunismo iria beneficiar-se com aquelas concepções, os padres foram silenciados e a igreja se retirou daquelas arenas chamadas Comunidades Eclesiais de Base. O movimento tinha uma inspiração cubana que, por conta das mesmas reflexões, a América do Sul ganhou alguns governos socialistas como os de Evo Morales e Hugo Chávez. Andaram na esteira daqueles movimentos católicos com opção pelos pobres e excluídos.
Ao arrepender-se de optar pelos pobres, a Igreja perdeu enormes contingentes de fiéis que foram parar nas igrejas evangélicas ou pentecostais, aonde se destaca a mais rica e mais poderosa delas, a Universal do Reino de Deus.
E novamente iremos encontrar, por vício de origem, nessas novas congregações religiosas um completo elitismo. Salvar-se, para muitas destas concepções de fé, é ganhar dinheiro, ficar rico, ganhar conforto para viver, doar parte desta riqueza à igreja e esperar pelo Dia do Juízo.
São corporações religiosas sem nenhuma obra social, seja de educação, seja de saúde ou de amparo à pobreza extrema. Como se lê esta notícia, se não através do elitismo destas organizações. Copiaram dos judeus a máxima de que irmão só ajuda irmão e mesmo assim em situações muito especiais. “Deus está por todos e cada um por si”.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A religião que deram a Jesus

Ao padecer na cruz, Jesus demonstrou: (1) confiança na possibilidade de vencer a morte (ele havia experimentado isso com Lázaro, seu amigo); (2) capacidade de vencer a dor; (3) provar aos inimigos que sua doutrina que não era apenas discurso, obrou episódios desconhecidos pela sociedade de sua época (e também da época atual), entre esses, o de salvar-se da morte; (4) coragem em submeter-se à crueldade das autoridades e dos militares da época, sem reagir e sem reclamar.
A Religião Cristã equivoca-se ao glorificar o Senhor morto e ao celebrar a sangria dele na cruz, e também ao prometer que aquele corpo sacrificado no ano 33 estará de volta aos olhos do povo. Isso não é ético e nem se coaduna com o materialismo hebreu adotado pelo catolicismo como valores ancestrais à nova religião concebida para ser universal.
As bases da Religião dita fundada por Jesus teria de se assentar no Cristo vivo, caminhando, pescando, pregando, curando, assando peixe, distribuindo pão e peixe aos seus discípulos à beira dos lagos como de fato ali esteve (Tiberíades) novamente e assim fez novamente por 30 dias após sua crucificação (o que é negado pela religião oficial e admitido pelos gnósticos), antes de sumir da vista dos seus contemporâneos.
As provas de que a cura está ao alcance da fé foram dadas por Jesus e são repetidas agora já com o apoio de algumas universidades. É pena que essa demonstração de cura muito cedo tenha se perdido. Durara apenas cerca de três séculos depois evidenciada por Jesus e por seus apóstolos.
As escolas que sucederam as escolas antigas de filosofia, de matéria médica ou de teologia escolástica, jamais ensinaram ou demonstraram a cura divina que se realiza pela Ciência Absoluta, que não é dos homens, está nos homens.
Os homens de boa vontade já pararam para pensar por que os verdadeiros pastores de Cristo foram e são perseguidos, caluniados, condenados e assassinados? Por falta de argumentos para contrapor-se às idéias dos gnósticos e de membros de outras sociedades secretas com as mesmas características, os seus adversários sempre disseram serem praticantes de licensiosidades, orgias e atos criminosos como o consumo de carne de crianças e cultos a satã.
A resposta à pergunta que abre o parágrafo, é simples: eles se dedicaram à obra de ensinar e demonstrar que pelo conhecimento e fora do pecado todos seremos mais felizes. Como conseqüência, haverá menos consumidores e usuários de bebidas, drogas, fumo, armas e arte pornô; cessarão os apelos à libertinagem, à velocidade, aos estados de adrenalina aberta; haverá menos doentes, menos acidentes, menor número de mortos, menor venda de produtos industrializados para o prazer material e religioso; muitos laboratórios para a fabricação de remédios deixarão de existir; muitos dos atuais beneficiados com a nova situação perderão dinheiro; muitas profissões serão declaradas extintas; muitos bilionários, por questão de ética religiosa, terão de se desfazer de suas fortunas obtidas por meios escusos e usadas com fins escusos. Muitos políticos que se elegem sob a sombra das igrejas perderão a mamata.
Não poderia ser diferente

Quando nos detemos a analisar o contexto no qual atuou Cristo, concluímos que o desfecho daqueles episódios não poderia ser outro. Não é por menos que o judaísmo continua distante da proposta crística. O judaísmo, que acabou sendo adotado como base da Religião Cristã, via Roma, é a antítese do cristianismo. A divergência não carece de remexer em genealogia (ser ou não filho de um judeu) e muito menos em dinastia (ser ou não sucessor de Davi), nem mesmo se Cristo veio ou não para substituir os profetas. E também não cabe dizer que sua estada na Palestina tinha por objetivo só aquele povo. Esses são os lados menores da divergência. A divergência mais profunda, é de concepção.
O judaísmo possui uma religião nacional, racial, tribal, excludente, que bate de frente com o princípio amplo, amoroso e solidário ensinado por Cristo para com toda a humanidade. E não é só. O sistema judaico é fechado e materialista, praticado segundo teorias especiais acerca de Deus, do homem e da natureza que, realmente, só poderiam criar a fragmentação que criou ao separar Deus do homem e o homem da natureza, impingindo-nos a sensação de que estamos soltos no contexto entre as duas outras dimensões e ainda, por pior que possa parecer, abrindo entre nós uma classificação de homens de primeira, de segunda e de terceira classe. A primeira classe é integrada pelos varões escolhidos, salvos e sábios. A segunda classe é integrada pelas mulheres dos senhores de primeira classe. À terceira classe pertencem todos os demais povos que irão se tornar escravos, banidos, ímpios e condenados, destinados a trabalhar para a satisfação dos seus senhores, que pertencem à primeira classe.
A fé ali construída é tão materialista que ainda nos dias de hoje temos organizações judaicas oferecendo um milhão de dólares ao ser humano que consiga comprovar um evento sobrenatural. Por isso, os fariseus, maiores complicadores do trabalho de Jesus, e seus mais destacados acusadores, inclusive no coro popular que pediu a sua crucificação, eram e são materialistas e foram colocados no olho do furacão crístico, em que a mística estava presente, em que os homens eram chamados a repetir os milagres outorgados por Deus.
Já é conhecida a passagem (Lucas 3, 16-22) em que Jesus assume a liturgia no interior da sinagoga, abre o livro sagrado (Torá) e lê o trecho 61, 1-3, do livro do profeta Isaías: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor consagrou-me pela unção: enviou-me para levar a boa nova aos humildes, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos a redenção, aos prisioneiros a liberdade, proclamar o ano de graças da parte do Senhor, um dia vingança do nosso Deus; consolar todos os aflitos, dar-lhes um diadema em vez de cinzas, o óleo da alegria em vez de vestidos de luto, cânticos de glória em lugar de desespero. E fechando o livro, disse: Hoje se cumpriram estas escrituras. Ao ser perguntado qual a autoridade afirmava isso, Ele retorquiu: Eu vos digo isso!
E também é conhecida a passagem (João 14, 9-11) que enfureceu os fariseus, quando Jesus instrui os seus apóstolos: Aquele que me viu, viu também o Pai. Não credes que estou no Pai e o Pai está mim?
Para a cultura judaica, jamais um ser mortal poderia ter-se feito “igual a Deus”. Mas, nesse caso, também a reação dos fariseus fora prevista pelo profeta Isaías: Eles não podiam crer, estavam cegos e o coração estava endurecido (6,10).
Quando muitos cientistas, grande parte deles, judeus, nascidos em diferentes países da Europa e Estados Unidos, se declararam materialistas e afastam a possibilidade da intervenção de Deus através dos homens, e todos sabemos que essa divergência também se cristalizou com a Igreja Romana, para a qual só os santos agem por outorga de Deus, nada pode ser estranho ou extraordinário. A história é viva nos personagem que a escrevem. E a maior parte da história da raça branca foi escrita por judeus. Continua sendo escrita.

Continuaremos nós, aqui, com este mesmo tema.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Ainda os gnósticos, na verdade, os xamãs

O processo religioso da humanidade tem início no exato momento em que o homem teve sua consciência despertada para a sua individualidade, seguida da sua curiosidade para as coisas que escapavam de seu controle. Ali se revelara para ele o SAGRADO, o inteiramente outro. O Sagrado se revelava poderoso porque erguia sobre o alto dos céus o sol, a lua, as estrelas, fazia chover, mandava raios e ventos. Do respeito pelo Sagrado ou do temor e do desejo de fazer amizade com essa(s) força(s) extrema(s) – ainda não havia o conceito de UM deus ou de muitos DEUSES –, nasce o desejo de purificação, de mostrar-se digno perante o temível desconhecido e nasce o ritual, a oferenda, o sacrifício, nasce a tentativa de um desejável diálogo, que conhecemos pelo nome de oração. E como a força extrema dava ao homem o fruto, o grão, a raiz e o animal, nasce a refeição sagrada, também um tipo de oferenda, na qual o ofertante se julga anfitrião e toma parte dela e também dela se serve, num conceito de comunhão.
Tem origem aqui todas as religiões do planeta.
Coube ao xamã, na verdade sacerdote primitivo, que recebia outros nomes de região para região, de cultura para cultura, coube a ele inaugurar o contato espiritual, isso que modernamente conhecemos por telepatia ou por mediunidade. Na verdade, o diálogo entre a inteligência de cá com a inteligência de lá, sendo que naqueles tempos a inteligência de lá não estava num corpo de carne e osso.
Note o leitor que com ou sem a intervenção do sacerdote ou xamã, a primitiva religião – ligar o que foi desligado – ensinava: “respeita, sede puro, dignifica-te, reverencia e serás admitido à comunidade abençoada”.
Isso tem conceito de gnose – conhecimento do segredo de como se faz e se age certo e capacidade de fazer a conexão para estar de bem com aquele poder sagrado “do qual também serás parte”.
Dentro desse conceito de “religião”, estão dispensados o templo, a regra, o sacerdote, o dízimo.
Isso era um absurdo diante do modo como os hebreus haviam sido preparados para serem conduzidos por um líder, por um rei, por um tetrarca, um rabino. Moisés, o maior dos líderes hebreus e todos os seus sucessores, mas especialmente Salomão e a esperança subscrita nos textos sagrados desse povo dava a vinda de um SALVADOR – aquele que levará o seu povo ao porto seguro (conotação com Libertador), fez com que o discurso gnóstico – capacitação para agir sem intermediários – de Jesus fosse uma tremenda decepção para os hebreus, que esperavam um rei e foi uma tremenda ameaça para os romanos, que temiam um insurreto. O resto desta história, todos conhecemos. O que não conhecemos são os seus meandros.
Jesus nunca desejou sentar-se na cadeira de Salomão, apesar de tecerem para ele uma linha consangüínea com Davi e apesar de os merovíngios (não oficialmente) haverem alegado descendência de Jesus/Madalena para ocupar o trono de uma região da Europa entre os séculos V e VIII. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como ensina o homem do povo sempre que quer ser entendido quando lida com coisas distintas.
O que queria Jesus? Libertar os homens de todos os jugos oferecendo o “seu leve jugo”, traduzido por conhecimento, consciência própria, autonomia, dignidade. Como poderia uma proposta destas chafurdar reduzida num cargo monárquico destinado a dominar uma nação, um planeta? Não faz sentido na Palestina e nem na Europa, onde os merovíngios se matavam entre si para ficar com o poder.
Não se está negando a possibilidade de haver uma ligação marital entre Jesus e Madalena, nem de negar a possibilidade de haver descendentes biológicos destes dois seres humanos, ao que se sabe, iguais a nós.
Entretanto, vai uma enorme distância disso para que haja uma descendência intelectual ou espiritual autorizada a governar nações em nome da doutrina de Jesus. Sua doutrina se destinava a todos os povos, isso está claro dentro dos escritos que restaram. Suas idéias eram idéias de salvação/libertação, nunca de fidelização, adesão, escravidão. Todos quantos estiverem buscando fiéis, adeptos, vassalos, seja pela via do dinheiro ou da mão-de-obra ou da mente, estará na contramão da mensagem de Jesus.

Ainda retornaremos com novos enfoques.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Cristãos gnósticos condenados à morte

Para se chegue ao detalhe – o segredo está numa palavra – é preciso, antes, conhecer como e por que aquela corrente de pensamento era temida pelos governos da época.
Pelos tempos áureos da Filosofia grega, Alexandria também brilhava como centro irradiador de conhecimento e além das fronteiras do Egito também estavam comunidades com grande evolução intelecto-religiosa, conhecidas como Essênios e Nazarenos, entre outros. Eram gnósticos, mas não eram conhecidos por este rótulo. O rótulo veio mais tarde e partiu dos inimigos de suas idéias.

Historicamente, os povos que estudavam e pregavam a libertação humana através do conhecimento, eram tidos como esotéricos, seres que buscavam auto-libertar-se. De dentro para fora. Os inimigos dessa idéia queriam “fazer a cabeça” dos seguidores de fora para dentro. Esses eram os exotéricos. Uma brutal diferença entre alguém capacitar-se para assumir seu destino autonomamente ou entregar o comando do seu destino a um sacerdote ou guru, mesmo que para ele se dê o nome de deus.

Assim, os esotéricos que, mais tarde, ficaram conhecidos como gnósticos, viveram, em sua larga maioria, desde os três ou quatro últimos séculos antes de Cristo até os primeiros séculos da Era Cristã. Eram ou foram aqueles que derramaram o próprio sangue nas arenas junto com os leões, perseguidos pelos governos da Palestina e de Roma.

É bastante provável, como dissemos, que eles mesmos não se considerassem gnósticos porquanto eram sabedores do significado oculto dessa palavra e tenham razões para não se proclamarem seguidores de uma prática. Eles tinham um mártir: Jesus Cristo. E, certamente, após Cristo, eram cristãos. Antes dele eram inicialmente apenas judeus de seitas como os essênios, os nazarenos, e de outras nacionalidades adeptos de antigos cultos egípcios, babilônicos, gregos e romanos.

Muito do que Platão e Aristóteles deixaram registrado pode enquadrar-se como conhecimento gnóstico.

Ao contrário do que diziam seus detratores, os gnósticos não formavam uma religião específica nem eram sectários, fanáticos ou arrogantes. Simplesmente, compartilhavam de uma atitude comum para com a vida e o mundo e, essa atitude, sabemos, era fundamentada no conhecimento do coração (Gnozis kardias) como diz o “Evangelho da Verdade”, também conhecido como “O Evangelho de Felipe”.

Aparentemente, ao leitor atento, parece haver uma incoerência dentro do conjunto de frases do parágrafo anterior, quando é dito que tais cristãos “gnósticos não formavam uma religião específica”. Mas, não há coerência alguma, porque, de fato, não havia religião formal. Os primitivos cristãos levavam suas idéias através de parábolas que ensinavam pensar para o despertar de consciências. Nem havia evangelho, nem sacerdotes, nem templos; se reuniam em casas, embaixo de árvores, em qualquer lugar e não deixavam nada escrito. Tanto que os escritos hoje conhecidos como evangelhos de Mateus, Lucas, Marcos e João surgiram depois do ano 60, mais perto do ano 80 e se destinavam a corrigir um grave problema: os adeptos se proclamavam cristãos, mas torciam as idéias recebidas. Isso comprometia a idéia-mãe. As epístolas enviadas a inúmeras comunidades por onde os pregadores cristãos já haviam passado, se destinaram a chamar as pessoas para a proposta central trazida por Jesus e que, ainda que um pouco desfigurada, era levada aos povos por apóstolos nem tanto capacitados para uma missão com esta envergadura.

Então vejamos a coerência esotérica da proposta original trazida por Jesus: arrepende-te de teus erros, coloca Deus no centro de tua alma e de teu coração: (Marcos 12; 30: 30 Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. 31 E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes). Está sugerido o caminho pelo qual cada ser humano pode candidatar-se à descoberta de Deus, sem templo, sem religião, sem sacerdote. A isso se conceitua como descoberta íntima, sabedoria esotérica. Os dez mandamentos deixados por Moisés, se incorporados ao comportamento moral do ser humano, se conceitua como sabedoria exotérica, vinda de fora.

Já nos primórdios das pregações cristãs, aliás gnósticas, e conhecidas de muitos povos, entre eles os Essênios os Nazarenos, homens de cabelos longos, a cuja seita pertenceu Sansão, que amou Dalila, cuja lenda é conhecida e, não sem propósito, Jesus também ostentava longa cabeleira e também era chamado de nazareno, já naqueles primórdios a idéia da emancipação religiosa, de desvinculação com sinagoga, templo, etc. não agradava aos governos centralizadores. As coisas ficaram ainda piores quando a idéia libertadora passou a ameaçar o governo de Roma, em queda, precisando reabilitar-se. As perseguições a cristãos, diga-se gnósticos, intensificaram-se. Quase todos os líderes principais dessa “idéia ameaçadora” foram sacrificados. E quando cessou a pregação libertadora, o imperador convocou centenas de colaboradores para fazer surgir a partir da idéia cristã uma religião institucional, com papa, cardeal, bispo, sacerdote, exotérica, comprometida em ensinar aos fiéis, melhor dizendo baixar normas sobre o que é certo e o que é errado, de fora para dentro.

As sociedades iniciáticas eram, todas elas, vistas com este defeito pelos governos absolutistas. Não foi diferente com os Templários e com outras mais.

Este assunto merecerá novos enfoques.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Haiti, 500 anos de carma

Existem muitas tragédias pelo mundo a fora, mas uma, especialmente, vem chamando a atenção de todos nós: o Haiti.
Só para lembrar aos leitores, havia tropas internacionais atuando ali desde alguns meses em virtude de fortes indícios de guerra civil, quando um terremoto trucidou metade do território com mortes, privação de habitação, falta de abastecimento (água, luz, comida, remédios) agravado agora por um surto de cólera, que parece ter surgido através de soldados da força internacional de apoio.
Não é o fim da picada (como se diz)?
Na verdade, a picada por onde caminha aquela população é, realmente, um calvário: escravidão, espoliação, intolerância, revolta, desamor, maus tratos com o meio ambiente e com as pessoas, desrespeito, desonestidade, descompromisso, ganância, corrupção...
Para entender, a tragédia não se dá por conta de um terremoto ou de um surto de doença endêmica. Isso só agravou-a.
Precisamos voltar ao descobrimento da América, com o detalhe de que Colombo aportou as terras americanas bem ali, a algumas milhas de distância da Ilha Espanhola, que abriga dois países, a Republica Dominicana e o Haiti.
O Haiti é cortado por duas cadeias de montanhas, uma das quais veio abaixo com o terremoto há dois anos. Mas, isso é só um detalhe diante do barbarismo criado pelos homens naquele pequeno espaço da Terra.
A Ilha foi uma possessão francesa e nunca, na verdade, experimentou a liberdade, pois os embates entre interesses internos e externos sempre afastaram a possibilidade de liberdade e democracia, desenvolvimento e evolução.
Seu povo, 95% negros, ex-escravos franceses, maioria analfabeta, foi motivado através da Revolução Francesa (1789) a radicalizar o processo de abolição da escravatura, mas sem sucesso. Os dominadores reagiram com truculência. O povo partiu para o revide, mas os empresários de minas, açúcar, café, cacau, algodão e anil contavam com o apoio externo da França e dos Estados Unidos, nacionalidade dos principais dominadores do povo.
A riqueza tirada do solo haitiano era tanta que os Estados Unidos passaram a interessar-se por financiar rodovias, ferrovias e portos.
Mas, as divisões internas e radicalismo e a corrupção de parte a parte levaram o país à falência. Em 1915 os Estados Unidos invadiram-no para garantir o recebimento de seus créditos. Com o apoio militar norte-americano, assumiram os Duvalier (Doc pai e Doc filho, por sinal de retorno), nativos corruptos que se fizeram presidentes vitalícios, numa experiência parecida com a de Cuba, que os Estados Unidos tanto criticam. Daí em diante aumentou o caos e nasceram facções favoráveis e contrárias ao capital estrangeiro. Diante de iminente guerra civil, a ONU e a OEA criaram uma força de paz para intervir no Haiti, com a participação do Brasil, que até a seleção de futebol levou para lá.
O recente terremoto, a destruição, a fome, a doença e agora o cólera, (o que ali havia não chamava a atenção da grande mídia até então) se encarregam de contar o restante da história de analfabetismo, discriminação, miséria, sujeira, desesperança, doença, dor, morte, ódio, que ali se repetem há mais 500 anos.
Apesar de declarados de fé católica, na verdade a maioria haitiana é adepta do vudu, seita religiosa muito agressiva em termos rituais.
O Haiti, hoje, é um dos 25 países mais pobres do planeta e não tem perspectiva alguma de superar-se, a menos que a ONU chame os responsáveis pelo caos a devolver aos haitianos todo o dinheiro que levaram de lá e aplique essa fortuna na recuperação de habitações, hospitais, esgoto, escolas, segurança, etc. a fundo perdido.
Qual será o carma daquele povo?

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Um cristianismo que antecedeu a Jesus

É interessante como se deturpou muita coisa. As religiões institucionalizadas no nosso planeta não disputam a primazia de Deus, disputam a primazia dos homens.
Explicando melhor, as religiões não se preocuparam em se aproximar da verdade eterna, mas em ganhar adeptos e poder, dinheiro e prestígio.
A mensagem original crística foi abandonada em meio a uma guerra intelectual envolvendo interesses fundados em uma nova ordem de poder, que deveria dar sustentação ao Império Romano. Como o império ruiu, a própria Igreja Romana chamou para si a hegemonia do poder. E aliada aos reis que lhe prestavam obediência garantiu-lhes o poder pela via do domínio econômico, político, militar...
Não era de seu interesse esclarecer a mente dos homens, mas adestrá-la para o respeito ao papa, aos cardeais, aos bispos e aos sacerdotes, segundo a própria hierarquia do poder humano. Os reis obedeciam ao papa. Os homens comuns obedeciam ao padre, que não se chamava padre por nenhuma outra razão do que encarnar o papel de “pai dos fiéis”, tanto que o Pai Nosso, oração muito conhecida, até 1970 era rezado “Padre Nosso que estais no céu...”
Não foi por nenhum outro motivo nem dogmático, nem doutrinário e muito menos de compromisso com a verdade imanente de Deus, que os gnósticos foram caçados, perseguidos, castigados, executados ao longo de séculos. Mas, veja o leitor, quando falamos de gnósticos – adeptos da gnose, palavra que quer dizer conhecimento – estamos falando exatamente da missão de Jesus entre os homens.
Muito antes da encarnação biológica do messias, a doutrina crística era disseminada entre muita gente na Palestina com conceito gnóstico, isto é, de libertação, de conexão direta do homem com Deus.
Entre essas pessoas havia o grupo dos essênios, o grupo dos Batistas, à qual pertenceu João Batista, precursor de Jesus e primo seu e havia os Nazarenos,cuja etimologia vem da palavra "naza", de onde deriva a palavra "nazareno", com significado de representantes do culto da serpente, pois naza vem de naja, a serpente mais poderosa do oriente... Esta serpente sempre acompanhou os gnósticos como símbolo de conhecimento, da vida eterna – ouroboro – e está presente nos símbolos do saber médico. Sua origem é gnóstica com passagem pela alquimia.
Nos textos de Qumran vamos encontrar que existiu um grande personagem, antes de Jesus, conhecido como o Mestre da Justiça, ou Mestre da Retidão, que foi um grande divulgador da doutrina crística nos arredores da Terra Santa. Se procedente o registro, começamos a aceitar que João Batista não estava sozinho ou esse era o próprio Batista. Jesus também não esteve sozinho. Havia um extraordinário esforço libertador. Conhecimento e liberdade são a mesma coisa.
Mas os poderosos do planeta não estavam interessados em conhecimento libertador. Formularam estruturas de poder que deveriam passar pela Arte, pela Política, pela Economia e pela Religião. Para que a estrutura trouxesse os resultados desejados, o quinto elemento, a Guerra, entrava em ação.
Aplicando esses poderes, o interesse dos dominadores vieram marchando de sangue a face do planeta durante 17 séculos. Hitler surgiu como o ungido para o serviço sujo e fazer estremecer as estruturas do poder. Depois dele, as guerras se voltam para as velhas rixas judaico-muçulmanas por razões ainda anteriores a Jesus Cristo.
E por falta de Gnose, isto é, de conhecimento, isto é, de libertação, os conflitos ainda perdurarão por mais um século.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O Rio de Janeiro voltará a ser lindo

São poucas as vozes sábias a dizer que a maior ajuda possível ao povo do Estado do Rio de Janeiro é informar aquela gente que não deve voltar para a mesma região. Isso seria um suicídio calculado.
Nossa leitora Tânia Vieira, carioca radicada em Florianópolis, assim escreve sobre o Rio:

Paisagens belíssimas, recantos paradisíacos reduzidos a dor e a lama...
Amados irmãos, o ano que se inicia nos pede reflexões severas sobre nosso papel na preservação e continuidade da vida humana genuína no planeta azul.
Durante esta semana a mídia nos parou e falou claramente sobre nosso verdadeiro tamanho diante daquilo que convencionamos chamar de “meio”. Seria a Biosfera um “meio” a ser utilizado pelo homem em seu desejo desregrado de “desenvolvimento” e consumo?
Dividimos a Terra, denominamos de “recursos” os biomas que guardam a cura, a possibilidade do novo. Avançamos famintamente contra a Natureza, destruímos desenfreadamente tudo aquilo de que mais precisamos e precisaremos para nos mantermos vivos e as catástrofes chegam alertando-nos sobre nossos enganos e prepotência.
Como debatido nos Encontros de Ética, nas aulas da Escola de Médiuns, do Núcleo Espírita Nosso Lar, o atual modelo de civilização fundamentado no desenvolvimento científico e tecnológico, coloca a tecnologia como motor da vida, mas as catástrofes nos demonstram que a tecnologia tomada como garantia de vida não passa de obra humana, falha e imperfeita, que não garantirá a humanidade do próprio humano.
Se não pensarmos como parte deste delicado sistema, não nos será garantida a vida genuína. Mais do que preservar o “meio ambiente” se faz necessário modificar, repensar, desconstruir este velho modelo vivenciado desde o tempo em que o homem ousou fazer ciência e colocou a “razão” como fundamento da existência, deixando de lado, definitivamente, os laços que mantinham a espécie como parte integrante da Natureza.
Hoje, a Natureza, da qual somos parte, nos cobra seu lugar central e, nos demonstra que pela força ou pelo amor seremos obrigados a devolver a ela o seu legítimo lugar.
Assim, a ecologia, em suas diversas dimensões, deve ser tomada como base à vida genuína. A ética que fundamentará nossas ações na Era da Informação, terá como papel relevante construir princípios que considerem que tanto a Natureza quanto a própria humanidade humana são de responsabilidade do homem.
Interferimos em tudo com nosso aporte tecnológico e hoje a Natureza não nos deixa saída. Não temos a quem culpar, a responsabilidade é tão somente e intransferivelmente nossa.
Nossa inteligência deverá estar a serviço de nossa preservação.
É, amados irmãos!
Nossa inteligência deve nos auxiliar na busca de formas sustentáveis de viver, que assegurem nossa continuidade, pois estamos ameaçados enquanto espécie.
Como dito pelo Cristo, só o amor pode operar a desconstrução deste modelo de egoísmo.
Não estamos vendo isto na televisão?
Quão magnífica é a força da solidariedade humana!
Que durante este ano possamos pensar em forças de operacionalizar ações que permitam o renascimento da vida genuína em nosso planeta e em implantar valores éticos fundamentados na responsabilidade.
Que Deus abrande o sofrimento de nossos irmãos atingidos por esta catástrofe e que nos guarde e ilumine nos possibilitando o exercício do aprendizado pelo servir.
(Tânia Vieira)

Não deixemos de ajudar os fluminenses que perderam pessoas, casas, terrenos, móveis, documentos.
Que eles não percam a esperança de superação.
Mas, que, antes de tudo, não inventem de reconstruir a vida aonde não era para terem construído suas casas, empresas e lavouras.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Sécuo XX: a grande transição

Realmente, apesar das guerras, da bomba atômica, do vírus HIV, da primeira quebra da bolsa de valores e muitas outras loucuras e loucurinhas do “animal” humano, o século passado reservou-nos muitas coisas boas: a consciência ecológica, as vacinas, os transplantes, os implantes, etc. etc. Saímos de uma expectativa de longevidade de 46 anos e já quase dobramos esta marca. Quantos atuais bisavós que não conheceram todos os seus avós?
As marcas longevas só não são maiores porque morrem muitos jovens nos acidentes e nas drogas, derrubando as médias, mas a verdade é que nunca tivemos percentuais tão elevados de idosos cheios de saúde. Isso é uma verdade estatística.
Vivemos mais para que aprendamos mais, hipótese nem sempre verdadeira na prática, pois existe muito idoso no caminho da bestialidade, a começar por aqueles senhores de mais 60 anos que levam para o ventre de suas esposas o vírus HIV adquirido fora de casa pela prática do sexo inseguro. É uma pena, também, de parte das senhoras idosas, que ao invés da busca por bons livros e bons filmes, estão se consumindo à frente da televisão com os piores produtos da mídia e espairecendo naqueles paupérrimos bailinhos da terceira idade.
A verdade é que a oportunidade de viver mais e refinar mais o crescimento intelectual/espiritual nos está sendo dada por igual.
O grande nó da coexistência humana do século que foi e da entrada deste que começou é a solidão e o atrito das relações entre gerações, entre vizinhos, entre cônjuges... Quase todas as desavenças têm um único motivo: não queremos ceder, não queremos ouvir o que o outro tem para dizer e quando o diálogo se estabelece os dois querem ter razão e a queda de braço leva à discussão, à quebra das relações e muitas vezes leva a coisas ainda piores.
A lição que o século XX deixou-nos: estamos cada dia mais velhos. Velhice teria de ser sinônimo não de decrepitude e sim de experiência, sabedoria, serenidade.
Aqueles que capitalizam a experiência casada com a sabedoria e com a serenidade, farão parte dos pelotões felizes. Os que estiverem fora desse padrão amargarão tristezas, doenças, sofrimentos, solidão...
É pagar para ver.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Século XIX: trevas e luzes

Diversos foram os cronistas que identificam o século XIX da nossa era como um dos mais terríveis quanto à obscuridade intelectual e espiritual. Para os analistas militares, as duas grandes guerras do século XX foram encomendadas, tramadas, no século anterior e vieram ensangüentar a face do planeta entre 1914 e 1944, pois mesmo durante aqueles anos em que os combates estiveram suspensos a atividade fomentadora da guerra não foi interrompida. E mesmo depois da assinatura da paz, em 1945, os efeitos da guerra perduraram e perduram por décadas.
De maneira jocosa ou hilariante já houve quem comparasse a guerra a um porre: bebe-se muito por muito tempo e depois há que esperar os efeitos, também muito fortes e muito demorados.
O filósofo alemão Martin Heidegger expressou uma grande verdade ao considerar o século XIX o mais negro de todos os da era moderna; no entanto, foi, precisamente, nesse período de maior obscurecimento da luz do espírito e do intelecto que nasceram alguns gigantes pioneiros do inconsciente e da espiritualidade: Allan Kardec, Sigmund Freud e Carl Gustav Jung, respectivamente nos anos de 1804, 1856 e 1875.
O mais antigo desses pioneiros, numa sintomática cronologia, revela seus estudos no exato momento em que Freud aprendia suas primeiras letras e, da mesma forma, os primeiros trabalhos de Freud saíram a público quando Jung vinha ao mundo.
O primeiro pioneiro documentou o perispírito como arquivo da maioria das doenças humanas que afetam a mente; o segundo pioneiro usou da hipnose e encontrou distúrbios psicológicos em seus pacientes fora do cérebro; o terceiro pioneiro experimentou pessoalmente as ligações espirituais extra cérebro. Tudo num crescendo.
Hoje, os estudiosos das mais diferentes correntes destacam a importância dos três nomes para a nova consciência humana.
Quanto mais cedo surgiram as novas idéias, maior era a reação contrária, pois naqueles tempos bicudos o maior interesse do homem era enriquecer, conquistar novas terras, escravizar homens e recursos. Acenar com espiritualidade nesse meio era a mesma coisa que oferecer leite no meio da festa da cerveja.
Numa comparação destinada a associar os três pioneiros com as mais conhecidas histórias sagradas da humanidade, alguém já disse que Kardec simboliza Abraão, que liderou o povo hebreu a deixar a terra onde estava para buscar a uma sonhada nova terra. Poucos acreditavam nessa possibilidade, mas a fome e a esperança fizeram o povo sair dali. Freud pode simbolizar Moisés que muito trabalhou para mudar os hábitos do povo hebreu a ponto de merecer penetrar na terra sonhada, mas ficou na metade do caminho. Foi preciso Josué, neste caso, Jung, assumir a liderança e levar toda aquela gente ao destino.
Se formos continuar estas comparações, a humanidade ainda está a espera do quarto libertador moderno, que simbolizaria a Jesus, vindo bem depois de Josué – e de outros profetas – para ensinar coisas ainda mais sofisticadas sobre a espiritualidade.
Aquele que simbolizar a Jesus a esta altura dos acontecimentos já não é mais apenas um nome, mas sim uma multidão de cientistas espalhados por algumas das mais importantes Universidades fazendo o o trabalho de devolver à ciência a sensibilidade, a imaginação. Esses modernos pioneiros tornam-se hierofantes dos mistérios, enquanto o paciente transformou-se no neófito ou discípulo. Não há mais aquele que cura e aquele que é curado. Médico e paciente buscam juntos a cura. A doença revelou-se uma condição dividida ou incompleta, e a saúde, um estado de integridade espiritual. A psicologia analítica começou com Jung a aparecer como um diálogo entre o indivíduo e o universo, sem destruir a personalidade ou o ego, segundo a orientação de algumas teorias hindus, budistas e espiritistas.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Servir é pouco, há que saber servir

Incompreendido entre os de sua classe e angustiado por não poder dizer mais sobre psicologia, Carl Gustav Jung passou por este planeta e ainda não foi complemente superado por outro de sua categoria de estudos.
Jung circulou por várias avenidas do saber humano ou divino e deixou uma série de livros por ele mesmo escritos e propiciou a que outros estudiosos também escrevessem sobre a sua obra.
Algumas preciosidades foram escritas e nem sempre as páginas ficam abertas para exalar aquelas riquezas em favor de muitos, muitos necessitados de rumo.
Na obra “A Gnose de Jung e os Sete Sermões aos Mortos”, Stephen Hoelller disseca uma boa parte da obra de Jung e já no prólogo explica porque Jung foi um mestre de primeira grandeza ao resgatar para o leitor um ensinamento extraordinário do mestre.
“Somos vocacionados para o Pleroma, a Plenitude do Ser, que é o verdadeiro lar da alma. Somente aqueles que descobriram o caminho de casa podem revelá-lo aos outros (ou se preferirmos, a palavra certa não seria revelar e sim indicar, pois cada um de nós tem de descobrir o próprio caminho). Aquele que perdeu o rumo revela-se um andante medíocre, sujeito a ficar muito tempo a mercê da aprendizagem”.
E a seguir o trecho mais marcante: “E não é apenas com trabalho, com serviço ao mundo que se reabilita o medíocre. Há que saber para prestar um serviço útil, serviço de qualidade”.
Nada mais profundo e verdadeiro. A sociedade está cheia de gente extremamente servidora, porém o seu serviço é fraco, é inócuo, não transforma, apenas mascara, ilude, prolonga a agonia.
Muito provavelmente são pessoas que escolheram a avenida do servir, só sabem fazer aquilo que fazem, nunca se perguntaram se aquilo é exatamente o que devem fazer e passam uma vida inteira fazendo o tradicional sem buscar o novo.
São duas situações perigosas quando substituímos a fé pelo pensamento e a busca pela tradição. São dois extremos que mutilam o crescimento humano para a vida.
O tradicional aqui enfocado destina-se a jogar luz sobre algumas atividades assistenciais que deságuam no comodismo do assistido e na presunção daquele que assiste, como é o caso da esmola que, invés de libertar o necessitado de sua situação o aprisiona ao cômodo ato de pedir para ter. Ele troca a sua dignidade pela comodidade e o doador, na outra ponta, se convence de que fez uma boa obra.
O “Bolsa Família” é um extraordinário programa de combate à miséria, mas se não estiver atrelado a um poderoso trabalho escolar/profissional e a uma estreita ligação da escola com o mercado de trabalho, tem tudo para virar um balcão de necessidades satisfeitas pelo comodismo.
Haveriam outros exemplos também nas searas emocional, religiosa e intelectual, mas creio que o leitor já captou o espírito da tese.

sábado, 15 de janeiro de 2011

"A natureza não admite a mentira"

A frase do título desta crônica não é nova nem original, ela está exposta em muitos lugares, menos aonde realmente ela deveria estar.
Os governos da União, dos estados e dos municípios, têm como regra a incapacidade de fazer as coisas certas para depois serem chamados a pagar a conta, com o dinheiro do povo. Em Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e em muitos outros lugares onde a concentração urbana se acentua, os terrenos se tornam caros e as construções irregulares se multiplicam, os mangues e as encostas são invadidos. Com cada dia menos árvores e mais asfalto, ninguém segura a força das águas e as tragédias calculadas se multiplicam.
Os governos não previnem e trabalham ainda pior no socorro das tragédias.
Assim como uma menina de 7 anos e uma anciã de 70 não podem ser mãe porque isso é incompatível com sua natureza, também uma espiga de milho não pode ser obtida apenas alguns dias depois de plantada a semente. Aplica-se a mesma regra para quem se dependura na encosta do morro ou se aloja no vale que pertence às enchentes. A Natureza não admite a mentira e não perdoa.
A legislação deveria prever uma severa pena ao administrador público que permite ou tolera as barbaridades que custam vidas e destruições. Eles costumam justificar que a coisa acontece da noite para o dia, mas na maioria dos barracos irregulares a luz e a água foram ligadas. Os carnês do IPTU são emitidos em muitos dos casos. As ruas são abertas com máquinas da municipalidade. Com autorização de quem? Daquele que só queria faturar para os cofres das instituições beneficiadas ou daquele que quer os votos da população "beneficiada", diga-se, condenada.
Os serviços públicos de assistência aos flagelados e desabrigados deveria ter um cadastro e obter o compromisso do assistido de que ele só tem direito ao socorro à primeira tragédia da mesma categoria. Se ele retornar à prática de morar aonde a Natureza não tolera, estará ciente de que estará fora da atenção dos serviços públicos, pois por ignorância foi-lhe admitido o erro, mas não por negligência. O mesmo deveria valer para o administrador público que negligencia diante de suas responsabilidades.
A dor imensa de milhares de famílias em Blumenau, Angra dos Reis, Teresópolis, etc. etc. tem de servir para alguma coisa além de chamar-nos todos para as campanhas de solidariedade. No entanto, a maior solidariedade para com todos os atingidos é conscientizá-los: “Não volte a morar aonde a Natureza não quer que você more”.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A FINALIDADE DA ALMA

Para começar, um conceito para alma: entendemos a alma como o princípio inteligente, a animação da vida. É através de sua presença em nós que pensamos, imaginamos, criamos, somos; e é quando ela se retira do corpo, que este falece, pára de vibrar, esfria, se decompõe.

Ensinam as doutrinas espiritualistas que as almas se formam num crescendo a partir do campo mineral, aonde desenvolve as energias de coesão e união. Passa algumas vezes pelo campo microbiano aonde desenvolve a energia da mobilidade. Passa algumas vezes pelo campo vegetal aonde desenvolve a energia da sensação. Veja como ocorre um crescendo evolutivo. Passa algumas vezes pelo campo animal aonde, também num crescendo, desenvolve a energia instintiva. Passadas estas fases, a alma está prestes a consolidar-se para adentrar o campo humano aonde irá desenvolver seu psiquismo, não sem antes visitar o mundo elemental, aonde vivem os gnomos, ondinas, silfos e salamandras.
Uma pausa, também para um conceito para psiquismo. Ele deve ser entendido como o lado intangível da pessoa, a alma, o espírito, os territórios menos acessíveis aos estudos conscientes do homem. Por isso mesmo, ainda bastante incompreensível à maioria estudiosa de seus fenômenos.
É num corpo humano, com a presença da inteligência, com o aflorar das emoções, com os diálogos, com os atritos, com a necessidade da compreensão que a alma irá desenvolver seu psiquismo.
Então ela irá encarnar entre os silvícolas para continuar a ter o mais estrito contato com os minerais, os micróbios, os vegetais, os animais e depois de algumas experiências, avançar por sua espiral evolutiva.
Esta Essência Misteriosa escapa à análise, como tudo o que pertence ao Absoluto.
Tem-se que ela foi criada por Amor, para Amar, e enquanto não completar seus estágios formadores ela prosseguirá em aula. Suas aulas acontecem no corpo, aonde ela pode exercer seu livre arbítrio. Nada lhe é proibido, tanto que a ela se abre num lampejo do pensar, todo o Infinito. Se ela pode pensar o Infinito pode aprender a alcançar o Infinito.
Este é o Princípio que gera, instrumenta, dá sentido e alimenta as almas.
A finalidade pela qual elas existem é para cumprir-se no plano psíquico humano, a Proposta de tudo o que existe.
Jamais em uma única passagem por um corpo estaria completada a jornada de uma alma perante os bilhões de anos de toda a natureza que sustenta a vida total.
Como seria possível a uma alma adquirir todos os elementos de sabedoria, santidade e gênio, em apenas 70 ou 100 anos de vida humana.
Por isso, as almas perpassam milhares de séculos indo e voltando do reino material para que o mineral grosseiro se converta em diamante puro, refratando mil cintilações, como descreve Leon Denis em “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O que você quer para si?

Para você conseguir superar todos os problemas de relacionamentos com a vida, terá de, antes, aprender a não deter-se em lembranças dos momentos difíceis, das perdas ou vitórias que não vieram.
Esqueça o passado dolorido. Ninguém vai em frente olhando para o espelho retrovisor.
Se quiser, mesmo, remexer no passado, prefira recordar apenas daquilo que ficou como lição ou, se preferir, ainda, daquilo que se inscreve como vitória ou conquista suas.
Desta forma, mesmo aquilo que doeu se transforma em alegria, alegria de haver atravessado aquelas provas postas em seu caminho e de haver aprendido com a dor, com a derrota, com o orgulho ferido.
A vida é assim. Aprendemos com a dor, aprendemos com o amor, aprendemos com o labor e aprendemos com o incitador. Até o inimigo, quando temos, pode incitar-nos a progressos que, sem a incitação deles, não nos motivaria.

Quando sair de um tratamento de saúde não pense no sofrimento que foi necessário enfrentar, mas nas bênçãos que permitiram a capacidade de resistir em busca da cura. Isso é heroísmo.

Leve na sua memória, para o resto da vida, as coisas boas que surgiram mesmo nas dificuldades. Elas serão provas de sua capacidade e lhe darão confiança e credibilidade diante de qualquer novo obstáculo. Poucos chegam até aonde você chegou.

Muitos desejam estar curados e garantidos. Mas, isso é inalcançável aqui neste planeta. Melhor estarão aqueles que souberem passar pelas crises sem se deixar abater.
Uns querem um emprego melhor; outros, só um emprego.
Uns querem uma refeição mais farta; outros, só uma refeição.
Uns querem uma vida mais amena; outros, apenas viver.
Uns querem pais mais esclarecidos; outros, ter pais.
Uns querem ter olhos claros; outros, enxergar.
Uns querem ter voz bonita; outros, falar.
Uns querem silêncio; outros, ouvir.
Uns querem sapato novo; outros, ter pés.
Uns dariam um pedaço de seu corpo em troca da vida; outros dão a vida por causa de apenas um pedacinho dela.
Uns querem um carro; outros, andar.
Uns querem o supérfluo; outros, apenas o necessário.

Você já pensou naquilo que realmente quer?
Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a superior.

A sabedoria inferior é dada pelo quanto uma pessoa sabe e a superior é dada pelo quanto ela aplica daquilo que sabe. Tenha a sabedoria superior. Seja um eterno aprendiz na escola da vida ensinando sempre.

A sabedoria superior tolera; a inferior, julga; a superior, alivia; a inferior, culpa;
a superior, perdoa; a inferior, condena.
Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar!
A vontade é um instrumento da consciência e precede o pensamento, ambos a serviço da inteligência. Quando dominamos a vontade, mesmo aquela que manda entregar os pontos no jogo da vida, assumimos o comando autônomo com liberdade para escolher o que queremos viver. E neste caso, a escolha sempre será viver.

O verdadeiro piloto de nossas vidas é Aquele que É e, por Ser, vive eternamente. Ele tem um corpo e não o contrário, como se pensa. Como co-pilotos, não temos o direito de contrariar as orientações do comandante. Isso seria perigoso e arriscado. Poderia acabar em tragédia.

Faça as pazes com seu espírito e comece por receber sucessivas bênçãos em tudo o que fizeres em comunhão com ele.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Os Seres Atômicos e os Seres Cósmicos

Em uma recente crônica mostramos um estudo relativo aos seres atômicos (revestidos de corpo material) desde os mais rústicos até o sofisticado ser humano, dotado de inteligência e frequentador da dimensão espiritual, porém sujeito às reencarnações que o capacitem a transcender e chegar à outra dimensão, também abordada, que é a dos seres cósmicos (desvestidos de corpo material), abordagem que iniciou-se pelos anjos, as abaixo deles existem outros seres.
Temos notícias de que a fase espiritual angelical se pauta por uma extensa hierarquia, semelhante à hierarquia dos seres atômicos. Aquela dimensão começa pelos querubins e passa pelos anjos, guias, arcanjos, arcontes, potentados e só depois alcança os seres crísticos e de maior luz.
Nós somos ainda crianças para ousar estudar estas coisas e os nossos focos se dirigem para outros rumos, as religiões não querem abrir estes estudos, mas é para eles que teremos nos voltar, a caminho da maioridade espiritual.
Se você, leitor(a), sentir-se encorajado a trilhar estes extraordinários caminhos, busque literatura, faça pesquisas na própria internet e esteja preparado(a) para encontrar estudos maravilhosos e complexos, bem como muitos chutes. Saiba, porém, que é chutando e tropeçando que a gente descobre qual é o caminho real.
Fica a sugestão.
Nossa atenção também estará desperta e as novidades surgidas também desfilarão por aqui.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Remédio para quem está no sufoco

• Quando você se sentir irritado(a);
• Quando você achar que as ansiedades e inquietações do mundo estão amontoadas sobre os seus ombros cansados e doloridos;
• Quando você se sentir triste, desolado(a), deprimido(a);
• Quando a sensação for de que nada tem graça, nada seria capaz de arrancar um sorriso seu e o seu peito parecer espremido por um poderoso cinturão de aço;
• Quando você se sentir impotente;
• Quando o conserto dos erros, ao seu mundo, parecer exigir tanto esforço e trabalho, que as 24 horas do dia, os 30 dias do mês ou os 365 dias do ano forem insuficientes para dar conta de tudo;
• Quando você se sentir só;
• Quando em seu dia a dia houver mais lágrimas e suspiros que risos e gargalhadas;
• Quando as pessoas mais caras e mais desejadas parecerem distantes ou estiverem inacessíveis;
• Quando você mais precisar de certas pessoas importantes, elas estiverem envolvidas em outros projetos, sem tempo para oferecer uma fraçãozinha de atenção e afeto a você;
• Quando tudo parecer terminado;
• Quando você sentir desejo de esconder-se atrás de um comprimido ou de uma dose por mais fraca que ela seja;
• Quando a sensação parecer indicar que o seu tempo expirou, que nada mais tem a fazer aqui;
• E quando parecer chegada a hora de partir por bem ou por mal;

SAIBA, é chegada a sua hora.

Não é hora de se irritar, nem de sentir tristeza, muito menos de perder forças, isolar-se, nem de morrer ou drogar-se.

A hora é de VIVER.

CONFIE, esta é a hora da VIRADA.

Respire fundo. Ponha-se frente a frente com seu Eu Maior.
Ele tem um poderoso recado para lhe dar.
A irritação, a tristeza, a falta de forças, o abandono e mesmo a vontade de abandonar este corpo, na verdade, é como Ele, seu Eu Maior, está se sentindo ENQUANTO VOCÊ NÃO MUDAR.
O pedido de socorro é dele.

Feche os olhos, aguce os sentidos do coração, traga a consciência para a presidência dos trabalhos de seu dia-a-dia.
Entenda os recados.
Deixe seu Espírito falar.
Convide-o para uma volta no bosque, na praia, no campo.
Deixe-se absorver pela energia de seu Espírito com a ajuda da Natureza.
Através da Natureza, Deus injetará energia em você.
Abrace uma árvore ou uma pedra.
Você não precisa de muito mais.
Tudo está lá.
Tudo que parecia impossível começará a acontecer.
A VIDA dirá presente em sua vida.
Acredite!
Vamos, anda logo, vai perder o trem da vida.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O Homem a Caminho de Si Mesmo

A crônica de hoje poderia alongar-se por várias crônicas. Talvez seja o que acontecerá, mas não sem antes apresentar a você os seres que constituem as duas dimensões que acreditamos serem coerentes, uma que conhecemos e outra que acreditamos existir. Na que conhecemos, vivem os seres atômicos, constituídos de átomos que se revelam aos nossos sentidos.
São eles:

Os Seres Atômicos – Membros da Dimensão em que a Vida Acontece

Estes seres vêm do menor e mais simples reino para os reinos de maior complexidade, assim descritos em suas respectivas fases:

Fase Mineral Ou Química
Os 92 Elementos são produzidos nas estrelas super novas e se tornam disponíveis para combinações que darão sustentação ou negarão sustentação a tudo que vier existir. São encontrados na água, na terra e no ar. Com acesso à luz (ou calor) transmutam.

Fase Microbiana
Vírus são partículas basicamente protéica que podem aderir a organismos vivos. Vírus são parasitas obrigatórios do interior celular e isso significa que eles somente se reproduzem pela invasão e possessão do controle da maquinaria de auto-reprodução celular.

Fase Vegetal
Aqui a vida começa a organizar-se sobre as mínimas condições já existentes e já tem condição de procriar-se em espécies próprias.

Fase Entômica
É a classe de vida animal mais rudimentar. Os insetos podem ser encontrados em quase todos os ecossistemas do planeta.

Fase Animal
O Reino Animal é composto por seres vivos multicelulares com capacidade de responder ao ambiente que os envolve. Numa fase mais adiantada que as plantas os animais buscam em seu meio seu alimento e se reproduzem segundo a espécie. Tem memória (mínima) e emoção (mínima), porém sem livre-arbítrio.

Fase Elemental
São seres da Natureza que possuem breve memória, movimentam-se junto à natureza – água, terra, ar e fogo –, filtram os estados perturbadores do pensamento animal e humano, atuam na cura e na purificação de toda a natureza. Têm cerca de 50cm e formas semelhantes aos anões humanos. Atuam na execução das ordens energéticas que recebem.

Fase Humana
Nesta fase estamos nós que trocamos estas informações através de mecanismos que sabemos criar (internet, etc.). Somos animais com o livre arbítrio incorporando todas as capacidades de todo os outros reinos mais a inteligência e a criatividade, graças ao desenvolvimento incorporado de todas as fases anteriores. Agora, somos um espírito em sala de aula.

Os Seres Cósmicos – Membros da Dimensão em que a Vida é Planejada

A partir de agora, as informações são temerárias, imaginativas, mas graças a uma coisa chamada lógica, pode-se acreditar nas seguintes posteriores fases:

Fase Angelical
São seres que possuem livre arbítrio, as capacidades dos outros reinos pelos quais já passaram mais a capacidade de cura e purificação, porém sem poder de atuar diretamente no mundo físico sem a ajuda atômica. Servem, amam e facilitam a realização da criação segundo a vontade do ser ajudado – emissão energética – do pensamento do criador. Dizem que para cada sete seres encarnados existe um anjo guardião, espécie de pastor cuidando de um pequeno rebanho.

Fase Crística
Nesta fase, os seres possuem todas as capacidades ao alcance dos seres divinos (ainda não totalmente conhecidas por nós).

Fase ............
Esta fase é apenas imaginada e reservada aos poderes da Inteligência Superior do Cosmos sem acesso às fases anteriores.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Nós somos. Somos?

Eu sou. Sou? De que necessita o homem para ser? Nenhuma dúvida quanto à resposta certa: conhecimento, experiência, sabedoria, razão.
Então vamos devagar com estes raciocínios para evitar que se cometa erros. O conhecimento parece que todo mundo sabe aonde buscar. Mas se a resposta vem sendo ESCOLA, devagar com a pressa, porque a escola humana tem sido uma perigosa armadilha contra a libertação e a favor da escravidão. Ela ensina para a mão de obra e isso se dirige para o mundo das relações de trabalho, onde trabalhador e empregador não vêm tendo as melhores relações. O desejo de pagar pouco de um lado e ganhar muito de outro, os coloca em trincheiras opostas. O homem não trabalha para realizar-se, trabalha para ganhar dinheiro; o empregador não é empresário para realizar-se e sim para ficar rico. Os dois sofrem, sofre a natureza, sofre o consumidor, perde a sociedade.
Não realizados empregador, empregado e clientes seus, tem início grande parte dos desacertos humanos que se refletem na mediocridade social que testemunhamos. Sim, uns testemunham e uma maioria protagoniza e uma minoria patrocina.
Queremos compensar nossas frustrações na ostentação, na bebida, nas drogas, nos estádios, nas pistas, nas passarelas, nas telinhas, nos locais de diversão. Temos muitas coisas (casa boa, carro novo, mesa farta, muita festa), mas somos infelizes. Nossa infelicidade é construída com dinheiro, com dinheiro de que não precisamos (nessa quantidade) para sermos felizes.
Quanta gente você conhece, que era pobre, sonhava com fortuna, ganhou algum prêmio em sorteio ou loteria e pouco tempo depois voltou à pobreza e, agora, sim à “infelicidade” de haver se despojado da riqueza. Nossa infelicidade advém pela sensação de que nos tiraram algo, de que perdemos algo. Achamos que sejam coisas, posses materiais, fortuna. E nunca descobriremos (a menos que nos digam, como está sendo dito aqui) que o vazio é emocional, intelectual, religioso. Falta-nos conforto emocional, que nossa família já não dá e vamos buscar nas ruas com pessoas que não merecem nossa confiança. Vamos buscá-lo na amizade com os animaizinhos. Falta-nos preenchimento intelectual, que a escola e a mídia não nos dão, mas continuamos sem ver de onde isso poderia vir. Falta-nos completude de fé. Nossa religião faliu e precisamos transcender de alguma forma. Então, fazemos besteiras embriagantes.
Não é a escola a fonte de conhecimento. Se não temos conhecimento de boa qualidade, nossas experiências são de erros sobre erros e nossa experiência é frustrante. Experiência frustrante também se traduz em sabedoria, mas quando as temos achamos que somos fracassados e por culpa dela não temos razão, não sabemos escolher. Quem não escolhe o que quer, o que faz, é o quê? ESCRAVO, PRISIONEIRO.
Prisioneiros ou escravos, nós nada somos.
Aonde estaria a verdadeira fonte de conhecimento, experiência positiva, sabedoria de importância?
O primeiro endereço é a FAMÍLIA. O segundo é a COMUNIDADE. O homem isolado é nada. A família sozinha é nada. É no trabalho comunitário que os homens, as mulheres, as crianças se valorizam e se emancipam saindo do quadradinho de suas calças, de suas casas, de seus carros, para assumir uma visão grupal, alteritária, distante da construção do ego e próxima da construção do nós, do todo.
Mas, a escola continuará sendo a mesma se a comunidade não for dizer ao governo e ao professor que tipo de escola a gente quer.
Não é sonho, não é utopia. É exatamente lá aonde começam as nossas frustrações. É ali que devem começar as nossas superações.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Uma bênção, uma graça

Quem dispensaria uma bênção ou uma graça divina? Difícil, não? Quem sabe exista “os que se bastam a si mesmos”, aos quais esta estória de bênção e graça nada signifique, como sabemos que também existem “os que dependem permanentemente de uma ajuda divina”, sem a qual se sentem despojados.
A bênção e a graça não estão a disposição de todos quantos a elas se candidatam. Não é como a loteria, que premia aleatoriamente um ou mais dos apostadores numa relação de probabilidades aritméticas. Há quem aceite a hipótese de sorte. Mas, não existe nenhuma confirmação de que um apostador mais do que outro venha a merecer o prêmio exclusivamente por questões de sorte. No universo da bênção ou graça é totalmente diferente: para obtê-las há que ter mérito.
No Velho Testamento existe uma narrativa que se encaixa muito bem neste tema. O imperador Balak, preocupado com a aproximação do povo hebreu, que constitui uma ameaça aos territórios seus, faz várias tentativas junto ao mago Bilam, oferecendo-lhe sempre maior gratificação para que o místico aceitasse amaldiçoar o possível invasor e causar-lhe a desestruturação e o afastamento. Algo assim como o time de futebol que chama o “pai-de-santo” para amarrar as pernas dos jogadores do time adversário. O místico vem, observa o comportamento e a organização dos hebreus e ao invés de amaldiçoá-lo, lança sobre ele uma bênção.
Até hoje, quase cinco mil anos após este episódio, os rabinos ainda invocam a mesma temática para argumentar que não se pode amaldiçoar o que é abençoado nem abençoar o que não merece bênçãos. Diante de algo abençoado, o dom da profecia se anula. E vão além os rabinos: pregam que a bênção e a graça são companhias do “bom olhado” e não do “mau olhado”; são companhias de “espírito humilde” e não de “espírito arrogante”; são companhias de “almas generosas” e não de “almas gananciosas”. Os merecedores de bênçãos e graças vêem o mundo como Deus vê a sua obra: precioso, sagrado e pleno, enquanto que os não merecedores querem tirar do mundo em favor próprio: pedem para si, egoisticamente, querem ser especiais, buscam vantagens, destaques, benefícios, honrarias, promoções, imunidade, impunidade e, na maioria das vezes, não têm mérito e nem direito a eles; fazem o que fazem pelo exclusivo desejo de serem especiais.
Quem ama, por exemplo, é abençoado independente de ser amado ou retribuído. Não há maldição que possa interferir no ato de amar, porque o amor, em si, é uma bênção e seu produto é a graça. As maldições acontecem quando desafiamos o poder de Deus, tiramos vantagens que, em livre consciência, delas nos arrependeríamos. Quando nossos atos nos dignificam perante Deus nos credenciamos a outras bênçãos e a outras graças.
Os indignos perante Deus conhecem suas próprias dores de consciências. Não se trata de um inferno que vem como praça ou castigo, mas sim como resultado do mau olhado, da arrogância, da ganância, da falta de amor. Quando alcançados pelo desgaste e pelo sofrimento destas condições é quando se diz, figurativamente, que alcançamos os nossos próprios infernos.
A sensação de estar competindo com o bem, de ter que amaldiçoar para usufruir da bênção, é intolerável. O custo de se fazer especial, de sucumbir ao vírus da maldade, é por demais alto. A vida não se reconhece por privilégios e sim por oportunidades idênticas a todos, da mesma forma que o sol, a terra, o ar e a água se tornam dádivas isonômicas. Os homens que modificam esta realidade se tornam amaldiçoados.
Sem os dons outorgados por Deus, tendo suas vidas povoadas por teses que não são as teses do amor e por falas que não são as falas de Deus, os não merecedores de bênçãos e graças vagueiam pela vida na companhia de suas conveniências. São solitários porque caminham sem Deus. Olham para os demais com inveja. E mesmo o que parecia ser o seu poder e seu prêmio de consolação, que é a faculdade de amaldiçoar, esta se mostrará fracassada.
O amor inclui. O desamor exclui. Quem não tem amor quer controlar. Quem tem amor coopera. Quem não tem amor expande seu poder exclusivo em vez de disseminar a abundância que Deus disponibilizou a todos os homens.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Equilíbrio e Serenidade

Falar de equilíbrio e serenidade nestes tempos bicudos parece utopia. Parece não, é utopia. Mas, utopia pode ser meta, pode ser objetivo, pode ser sonho, exatamente porque sem meta, sem objetivo, sem sonho, viver é quase uma temeridade.
Vamos argumentar por alguns instantes. Há, entre nós, todos sabemos, aquelas pessoas cujos perfis podem ser facilmente assim descritos:
• aqueles que se deixam levar pela maré da vida esperando que Deus providencie tudo quanto precisam para sobreviver;
• aqueles que se deprimem diante de qualquer dificuldade e não fazem outra coisa que queixar-se e lamentar-se;
• aqueles que exacerbam, se excitam, entram em euforia: adrenalina pura, agitação pura;
• e aqueles que são diferentes dos três perfis já declarados porque cultivam a serenidade e buscam o equilíbrio em tudo.
É para este último modelo de pessoa que voltamos nossa atenção, até porque os do primeiro grupo são pessoas passivas, entregues ao destino, não vieram a este mundo para transformar e não raro se tornam escravas em diferentes situações. Poderíamos dar a eles um nome conceitual: “Maria vai com as outras”.
Os dois, imediatamente, formam a imensa lista de doentes, aqueles que engordam as filas dos ambulatórios e hospitais. Também podemos arranjar para eles nomes conceituais: “Maria dodói”, no primeiro caso e “Pedro leva tudo por diante”, no segundo.
Os especiais, aqueles que vieram para fazer a diferença e se oferecem para transformar o mundo sem serem engolidos pelo sistema, realmente, fazem a diferença. São diferentes, progridem e geram progresso. Podem ganhar o nome conceitual de “Construtores Sociais” ou alguma mais apropriado como “Cultivadores”.
Numa sociedade dita civilizada, mas que, de civilização, a rigor, tem muito pouco, as pessoas líderes, chamadas para fazer a diferença, são aquelas que cultivam a serenidade do próprio temperamento. Alcançam tal equilíbrio de suas emoções e não se permitem chegar ao extremo como loucamente excitadas e nem atingir o outro extremo: abatidamente deprimidas. Cultivam o equilíbrio e educam suas ondas cerebrais para que não cheguem aos picos altos nem aos vales profundos.
O corpo humano é feito para funcionar de um certo modo fora do qual padece pelos excessos. Os resultados são os transtornos energéticos e hormonais. Por isso, os excitados e os deprimidos chamam a doença. Todos os excessos e sobressaltos aos quais estamos sujeitos em nosso dia-a-dia causam malefícios ao funcionamento dos órgãos, ainda mais quando isso se torna rotina. Dá-se o nome de estresse a tudo o que fuja da normalidade e cause sobrecarga por tempo prolongado.
Sem querer baixar o nível da conversa tomemos o exemplo do motor do carro: engatado na primeira marcha vamos para a estrada e rodamos muitos quilômetros sempre acelerando; ou engatamos a quarta marcha e queremos andar ladeira acima. São duas situações em que o organismo do carro (ou na comparação, o organismo humano) entra em estresse, cuja conseqüência é danosa, dá pane.
Aprender a conviver com as constantes crises, que são da civilização atual, mas, costumam bater à nossa porta, é um aprendizado que não está na escola e nem na mídia por uma única razão: tem muita gente ganhando dinheiro com isso.
Os equilibrados e serenos, que também podemos chamar de “curados” ou “em processo de cura” aprendem a pensar as saídas para as crises. Costumam raciocinar se tal e tal situação crítica perdurará por quanto o tempo (um ano, dez ou mais anos) e, de maneira inteligente, mensuram a saída da crise.
Exemplo: o carro quebrou no meio da manhã de trabalho ou de passeio. Quanto tempo ele ficará quebrado? Uma hora, um dia ou para sempre. A busca da solução A, B ou C dependerá da resposta. Nada de chutar os pneus ou atirar-se à poltrona do carro chorando o infortúnio. É preciso ir atrás da solução, que pode ser um mecânico imediatamente ou outro carro. Fora disso, o responsável pelo carro estará chamando para si desgostos, delírios nervosos, choradeira inútil, enfermidades.
Quando você, leitor, for alcançado por estados de irritação incontrolável ou de busca irremediável de uma cama para encolher-se, deprimido, faça uma parada e indague a si próprio o motivo pelo qual sente-se assim. Descoberto o motivo, pergunte-se se o motivo durará até amanhã, até o próximo mês, até o próximo ano ou se ele é para sempre. De acordo com a resposta tem de ser a sua reação. Se o motivo veio para ficar em sua vida, nada mais pode ser feito, além de aceitá-lo e conviver com ele. Nas demais possibilidades, cabe a cada um de nós, os atingidos pela situação, avaliar e buscar solução mais adequada. Quando não houver solução, é porque ali não há um problema.
Definitivamente, a “Maria dodói” que chora por qualquer coisa e se deprime ou o “Pedro leva tudo diante”, são dois tipos de pessoas mais comumente encontradas em nosso meio. Deveriam mesclar seus padrões. Quem sabe não haveria tanta gente precisando de tanta ajuda nesta sociedade maluca aonde nos inserimos.

Equilíbrio e Serenidade

Falar de equilíbrio e serenidade nestes tempos bicudos parece utopia. Parece não, é utopia. Mas, utopia pode ser meta, pode ser objetivo, pode ser sonho, exatamente porque sem meta, sem objetivo, sem sonho, viver é quase uma temeridade.
Vamos argumentar por alguns instantes. Há, entre nós, todos sabemos, aquelas pessoas cujos perfis podem ser facilmente assim descritos:
• aqueles que se deixam levar pela maré da vida esperando que Deus providencie tudo quanto precisam para sobreviver;
• aqueles que se deprimem diante de qualquer dificuldade e não fazem outra coisa que queixar-se e lamentar-se;
• aqueles que exacerbam, se excitam, entram em euforia: adrenalina pura, agitação pura;
• e aqueles que são diferentes dos três perfis já declarados porque cultivam a serenidade e buscam o equilíbrio em tudo.
É para este último modelo de pessoa que voltamos nossa atenção, até porque os do primeiro grupo são pessoas passivas, entregues ao destino, não vieram a este mundo para transformar e não raro se tornam escravas em diferentes situações. Poderíamos dar a eles um nome conceitual: “Maria vai com as outras”.
Os dois, imediatamente, formam a imensa lista de doentes, aqueles que engordam as filas dos ambulatórios e hospitais. Também podemos arranjar para eles nomes conceituais: “Maria dodói”, no primeiro caso e “Pedro leva tudo por diante”, no segundo.
Os especiais, aqueles que vieram para fazer a diferença e se oferecem para transformar o mundo sem serem engolidos pelo sistema, realmente, fazem a diferença. São diferentes, progridem e geram progresso. Podem ganhar o nome conceitual de “Construtores Sociais” ou alguma mais apropriada como “Cultivadores”.
Numa sociedade dita civilizada, mas que, de civilização, a rigor, tem muito pouco, as pessoas líderes, chamadas para fazer a diferença, são aquelas que cultivam a serenidade do próprio temperamento. Alcançam tal equilíbrio de suas emoções que não se permitem chegar ao extremo como loucamente excitadas e nem atingir o outro extremo: abatidamente deprimidas. Cultivam o equilíbrio e educam suas ondas cerebrais para que não cheguem aos picos altos nem aos vales profundos.
O corpo humano é feito para funcionar de um certo modo fora do qual padece pelos excessos. Os resultados são os transtornos energéticos e hormonais. Por isso, os excitados e os deprimidos chamam a doença. Todos os excessos e sobressaltos aos quais estamos sujeitos em nosso dia-a-dia causam malefícios ao funcionamento dos órgãos, ainda mais quando isso se torna rotina. Dá-se o nome de estresse a tudo o que fuja da normalidade e cause sobrecarga por tempo prolongado.
Sem querer baixar o nível da conversa tomemos o exemplo do motor do carro: engatado na primeira marcha vamos para a estrada e rodamos muitos quilômetros sempre acelerando; ou engatamos a quarta marcha e queremos andar ladeira acima. São duas situações em que o organismo do carro (ou na comparação, o organismo humano) entra em estresse, cuja conseqüência é danosa, dá pane.
Aprender a conviver com as constantes crises, que são da civilização atual, mas, costumam bater à nossa porta, é um aprendizado que não está na escola e nem na mídia por uma única razão: tem muita gente ganhando dinheiro com isso.
Os equilibrados e serenos, que também podemos chamar de “curados” ou “em processo de cura” aprendem a pensar as saídas para as crises. Costumam raciocinar se tal e tal situação crítica perdurará por quanto o tempo (um ano, dez ou mais anos) e, de maneira inteligente, mensuram a saída da crise.
Exemplo: o carro quebrou no meio da manhã de trabalho ou de passeio. Quanto tempo ele ficará quebrado? Uma hora, um dia ou para sempre. A busca da solução A, B ou C dependerá da resposta. Nada de chutar os pneus ou atirar-se à poltrona do carro chorando o infortúnio. É preciso ir atrás da solução, que pode ser um mecânico imediatamente ou outro carro. Fora disso, o responsável pelo carro estará chamando para si desgostos, delírios nervosos, choradeira inútil, enfermidades.
Quando você, leitor, for alcançado por estados de irritação incontrolável ou de busca irremediável de uma cama para encolher-se, deprimido, faça uma parada e indague a si próprio o motivo pelo qual sente-se assim. Descoberto o motivo, pergunte-se se o motivo durará até amanhã, até o próximo mês, até o próximo ano ou se ele é para sempre. De acordo com a resposta tem de ser a sua reação. Se o motivo veio para ficar em sua vida, nada mais pode ser feito, além de aceitá-lo e conviver com ele. Nas demais possibilidades, cabe a cada um de nós, os atingidos pela situação, avaliar e buscar solução mais adequada. Quando não houver solução, é porque ali não há um problema.
Definitivamente, a “Maria dodói” que chora por qualquer coisa e se deprime ou o “Pedro leva tudo diante”, são dois tipos de pessoas mais comumente encontradas em nosso meio. Deveriam mesclar seus padrões. Quem sabe não haveria ninguém precisando de tanta ajuda nesta sociedade maluca aonde nos inserimos.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Plantando Civilizações

Aquilo que chamamos de civilização normalmente subentende-se estar incluso nisso uma sociedade com comportamento decente, respeitoso, ético, revestido de seriedade, honestidade, responsabilidade, credibilidade, boa educação. Mas, isso parece piada de mau gosto quando olhamos para uma boa percentagem das pessoas com as quais convivemos nesta atual “civilização”. São pessoas que pertencem à nossa mesma civilização, mas que nada têm de civilidade. Então, fica difícil a convivência desses dois padrões de “civilizados”.
Aprendemos nos livros que civilização é o estágio mais avançado de determinada sociedade humana, caracterizada basicamente pela sua fixação ao solo mediante construção de cidades, daí derivar do latim civita que designa cidade e civile (civil) o seu habitante. O termo civil aparece para determinar o objetivo de uma sociedade dedicada à paz, não à guerra e, por extensão, ao respeito aos direitos humanos.
Num sentido mais amplo, a civilização designa toda uma cultura de determinado povo e o acervo de suas características sociais, cientificas, políticas, econômicas e artísticas próprias e distintas.
A civilização é um processo social em si, inerente aos grupamentos humanos que tendem sempre a evoluir com a variação das disponibilidades econômicas, principalmente alimentares e sua decorrente competição por estes com os grupamentos vizinhos.
Alguns historiadores têm defendido que o surgimento de grandes civilizações sempre dependeu do progressivo acúmulo de recursos naturais por um determinado grupo étnico e tem por detonador o acúmulo de poder bélico nas mãos de certos líderes e suas famílias. A hegemonia de tais grupos sobre outros acaba sempre influenciando culturalmente toda a região e o produto, invariavelmente, redunda em um novo regramento social, impressionantes construções e a produção de obras de arte numa etapa posterior.
Muito bem. Estamos metidos numa civilização dentro da qual temos alguns espertinhos dando-se bem sem assumir responsabilidades e sem prestar respeito às regras, o que é frontalmente contrário aos objetivos mais altos de qualquer civilização. O que fazer? Protestar, bater o pé, pedir providências às autoridades? Claro, muita coisa pode ser feita, mas um grave problema está no fato de que muitos dos desregrados estão nos poderes constituídos, aonde iremos encontrar juízes, parlamentares, policiais, governantes e executivos públicos e de empresas que são corruptos e com os quais dificilmente poderemos contar na virada desse jogo. As leis são brandas demais, a impunidade é algo real e assim o ato de estar fora da lei parece ser normal. Burro é aquele que não transgride.

Sim, parece um beco sem saída, mas não é. A mesma sociedade que cobra uma reviravolta é aquela que renunciou ao direito de eleger. Criamos um sistema eleitoral em que o dinheiro da corrupção é reinvestido na eleição da absoluta maioria dos candidatos, permitimos que a eleição se tornasse extremamente cara e aí a coisa fica assim: aquele que quiser trabalhar limpo não investirá o que se torna necessário investir para eleger-se por que jamais, trabalhando limpo, terá as compensações. Isso inviabiliza o candidato limpo a concorrer. Se não concorre, não se elege. Se não se elege, não faz as transformações. Se não há transformações, tudo ficará como está ou piorará.
O primeiro passo a ser dado pelo cidadão que não quer perder a civilidade, é trabalhar ao lado de outros cidadãos para que a verba de campanha seja destinada pelos cofres públicos e haja fiscalização rigorosa quanto a ser investido apenas aqueles valores. Um cidadão do bem, candidato a este ou àquele cargo, receberá o mesmo valor que será destinado ao cidadão do mal. Chances iguais. Na pior das hipóteses, o poder legislativo da União, dos estados e dos municípios estaria recebendo um bom número de cidadãos do bem e as transformações, mais cedo ou mais tarde estariam a caminho.
Mas, eu pergunto: o que você fez até agora para incentivar a aprovação da adoção das verbas públicas para financiar as campanhas eleitorais? A resposta pode ser “nada”, porque você acha um absurdo tirar dinheiro dos cofres públicos para pagar a conta das campanhas. Mas, você se esquece de que já é com dinheiro público, dinheiro da corrupção, que as campanhas são custeadas. Quanto você acha que um vereador gasta para eleger-se? Quanto ele ganha em 4 anos de mandato? Faça as contas e descubra que ele jamais terá de volta o dinheiro investido na campanha. Como assim? Então, ele é uma cara legal que paga para se eleger e nada visa para si? As respostas são suas. Como sua deve ser a certeza de que já somos nós que pagamos estas contas, nas entrelinhas. A adoção do financiamento público às campanhas tirará isso a limpo e qualquer homem honesto, bem intencionado, sem nenhum esquema empresarial ou de classe que o sustente, poderá ganhar mandato e reduzir as largas avenidas por onde circulam os corruptos eleitos e eleitores, contra os quais nos insurgimos, mas eles continuarão no poder se nada for feito.