segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O pecado visto como condenação (I)

O tema desta crônica, ainda com relação aos mais recentes comentários desta página é esse aí: o pecado retira do homem a chance de redimir-se?
Quem viu o filme de Mel Gibson, “A Paixão de Cristo” (pobrezinho do Cristo sofrer daquele jeito para nos redimir) e escuta o sacerdote falar do Pecado Original e do pequeno número dos eleitos, desanima e se entrega ao pecado, pois não há, mesmo, chance de salvação.
Isto aqui não é uma crítica à cultura do dolorismo escolhida pela Igreja nos últimos séculos para domar a impulsividade pecadora dos homens.
Trabalha-se por demais o temor e por de menos o amor a Deus e dentre esses medos, como poderia esquecer um dos mais importantes, sobretudo nos séculos passados: o medo de que alguém venha a julgar-nos como um pecador e sentenciar-nos ao irremediável fogo eterno. O jesuíta francês Bourdaloue escrevera no século XVII: “Não é de forma alguma um paradoxo, mas uma verdade certeira, que não temos maior inimigo a temer do que nós mesmos”. Isso mesmo que você leu: Eu sou mais temível para mim do que todo o resto do mundo, já que só cabe a mim aniquilar a minha alma e excluí-la do reino de Deus”. Na frase de Bourdaloue algum resquício do cristianismo primitivo: o julgamento pertence a cada um de nós e é a a nossa consciência que deve dizer se somos dignos ou indignos de olhar nos olhos de Deus. Nos séculos posteriores inventarem o juiz severo e mal-humorado que aponta com o dedo o nosso destino eterno.
Dessa doutrina, verdadeiramente fundamental, decorre uma imagem de Deus que não é a do amor: um Deus mais justiceiro do que misericordioso e mesmo sádico e “perverso”. No século XVIII, o autor de uma enciclopédia para pregadores, em um modelo de sermão, evoca Deus “muito ocupado em se vingar” dos condenados, fazendo escorrer sobre eles “fontes inesgotáveis de betume e enxofre”. Um conselheiro no Parlamento da Bretanha, que se tornou padre, “pensava e pensava novamente e sempre, no seu modo de entender, o que havia lido e compreendido pregar sobre o pequeno número dos eleitos de Deus... Ele refletia sem parar sobre o rigor dos julgamentos de Deus, sobre o horror da morte, sobre a fúria dos condenados e as penas inconcebíveis das almas que vão às chamas do purgatório”.
Do Deus justiceiro passamos ao Deus “perverso”. Um místico alsaciano do século XVII, Tauler, evocando as tentações com as quais Deus se deleita ao vê-las arrasar as almas valorosas, dizia: “O homem é caçado como um animal que se quer oferecer ao imperador. Ele é caçado, esquartejado e mordido pelos cães, e assim é muito mais agradável para o imperador do que se o tivéssemos capturado moderadamente. Deus é o imperador que quer comer a caça capturada pelos caçadores”. Um biógrafo de Santa Jeanne de Chantal, cuja obra é publicada em 1653, escreve que “Deus a tratou como trata as grandes almas de feitio celestial, das quais ele recompensa os longos sofrimentos por novos suplícios com o intuito de tornar a fidelidade delas mais purificada, seus serviços mais gloriosos e suas penas mais dignas de coroas”.
É evidente, estamos aqui refletindo a cultura de 300 a 400 anos passados, em meio a bretões, germânicos e outras etnias que precisavam fazer frente ao islã presente em alguns países vizinhos e tendo “Os Dez Mandamentos” de Moisés como base do catecismo de suas igrejas católicas e já também as protestantes, inclusive estas com muito mais rigor que as antecessoras.
Nem por perto daquelas mentes e muito longe daqueles templos passava a evocação dos dois mandamentos centrais trazidos por Jesus: “Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito. Amarás teu próximo como a ti mesmo. Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas”.
Nunca uma civilização concedeu tanto peso à culpa e valor ao arrependimento do que o cristianismo nos séculos XVIII-XIX. Estamos diante de um fato maior que não poderíamos esclarecer inteiramente. Uma história cultural do pecado na civilização da qual somos herdeiros. Encontrar em um espaço e numa faixa cronológica dados da história do pecado, consequentemente da “má imagem de si”, é se colocar no coração de um universo humano; é extrair um conjunto de relações e atitudes formadoras de uma mentalidade coletiva; é encontrar a reflexão de uma sociedade sobre a liberdade humana, sobre a vida e a morte, sobre o fracasso e o mal; é descobrir sua concepção das relações com Deus e a representação que esta sociedade fazia de Deus. É, então, no interior de certos limites de tempo e espaço, empreender conjuntamente uma história de Deus e uma história do homem.
A crônica de hoje esclarece o funcionamento e a difusão de um discurso culpabilizador. E não aparece aqui como uma crítica. Nada prova que no lugar daquelas pessoas nós teríamos feito melhor do que fizeram. Com esse estado de espírito, a crônica deseja fazer aparecer os condicionamentos culturais deste medo durante um certo período e num certo espaço, hoje um pouco mudado, mas profundamente arraigado na cultura de muitos dos povos que emigraram para o Brasil e que, no fundo, são nossos avós. Ao compreender esse método podemos também nos ajudar a compreender as situações atuais da fé.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Estudo Comparado das Religiões (conclusão)

Sinais dos tempos

Esta é uma fala muito mais para ocidentais do que para orientais. Durante séculos procuramos por Deus. Um Deus “Catholos”, universal, onipresente, onisciente e onipotente que nos proteja do mal e elimine nossos inimigos. Está nos salmos da Bíblia, no Evangelho e na história do povo hebreu a evocação à guerra, a luta, uma terra prometida, um paraíso, um Reino de Deus, e as batalhas e sacrifícios de tantos povos, com a anuência de Deus.
Se nos agrada a idéia de um paraíso na Terra, por que falamos tanto na morte? Por que fazemos a desgraça nossa e dos outros pela via da destruição? Se a idéia que temos de religiosidade começa na destruição e aniquilamento de nosso semelhante, por que falamos de Deus? Se defendemos a idéia de um só Deus, por que este deve ser o “nosso” e não o Deus de todos? Será que estamos sendo, de fato, religiosos? Não seria mais apropriado sermos irmãos?
Nas Cruzadas, na Idade Média (séc. XI), a humanidade se dizia consciente da sua própria força racional e autonomia. Tentava-se impor a importância da igreja à ferro e fogo. A fé era fanatizada. A morte era sinônimo de purificação e remissão dos pecados daqueles considerados impuros, o que significou uma grande matança de inocentes entre mulheres, crianças e velhos. Buscava-se o sepulcro de um líder que não respeitamos ao invés de buscar-se as suas lições.
Traçando um paralelo entre o período medieval e o tempo atual, verificamos quase nenhuma transformação no tocante à tolerância, à aceitação dos posicionamentos de outras crenças e povos. Ainda temos uma religião a anunciar para o mundo: “eu sou a única certa, todas as demais estão erradas”. As Cruzadas ainda não acabaram.
Nem precisa muito, basta olhar para os três últimos séculos. Éramos verdadeiros trogloditas só comparados aos ainda atuais terroristas islâmicos. Que diferença existe entre um terrorista seqüestrar um avião cheio de gente e projetá-lo contra o maior símbolo da riqueza de um continente e entre um Papa encher o papo para arremessar contra o maior símbolo da fé de outro continente a notícia de que aquela crença é falsa? Que diferença existe entre um Bin Laden que mandou derrubar as torres gêmeas e o líder político que mandou detonar Hiroshima? Que razões tinha este que aquele não teria?
O analista isento diria que são crianças vizinhas jogando bombinhas por sobre o muro de suas casas na expectativa de que os seus pais demorem para chegar. E, de fato, Papai já chegou, já xingou, já surrou, já castigou, mas os pirralhos são teimosos.
Hoje, a busca dos valores interiores do homem, a compreensão e a tolerância entre povos torna-se possível, existem 2/3 da humanidade pronta para isso, mas carecemos de uma visão de mundo mais fraterna e mais solidária justamente nos nossos líderes. Lideres?
O desgaste das relações humanas e seus problemas básicos que não encontram uma solução definitiva como a fome, as epidemias, o mau-caratismo, aumentou a distância entre ricos e pobres dentro do mesmo bairro. O progresso de nações como as da África e mesmo do Oriente Médio não é alcançado de forma rápida, as guerras impedem o processo de desenvolvimento, os cárceres mentais são do interesse dos nossos líderes. Líderes?
A pós-modernidade não renega a tecnologia e nem os avanços científicos. Não pode renegar, pois, afinal, isso é fruto da capacidade humana. Palmas para a habilidade do homem. O que ela (a pós-modernidade) propõe é um questionamento sobre uma forma mais inteligente de se buscar os resultados que queremos. A busca de condições de vida mais saudável em consonância com o divino, com o místico e com a fé em um Deus único, é o ideal deste pós-modernismo. O ser humano do século XXI caminhará para o equilíbrio entre modernidade tecnológica e moralidade a caminho do sagrado da vida. E fará isso sem reis, sem faraós, sem papas, sem gurus, porque decretará a sua LIBERDADE ante tudo o que a aprisiona.
Este retorno ao sagrado busca curar as feridas da sociedade, na equalização dos pólos dispares da sociedade: o pobre e o rico, o ético e o corrupto, o escravo e o liberto, o sabido e o ignorante. A experiência religiosa deverá converter sua doutrina para conseguir alcançar este objetivo e não somente ser uma atitude alienante que sirva de instrumento de dominação e imposição de leis e normas de conduta.
O termo religiosidade vem do latim religare que significa vincular, religar, incluir, emendar o que se quebrou. Portanto, a proposta de uma nova religiosidade vem da vinculação pessoal do homem com sua origem e destino. A religião deve ser um modelo, um caminho para seguir e não instrumento de fanatismos.
Assim, o holismo é a proposta religiosa de um novo milênio. Todo o mundo deverá unir sua fé e sua doutrina para a conquista da paz. O diálogo inter-religioso não significa a reclusão ou o fechamento dos povos em seu próprio mundo e nem unanimidade a um credo. Lembremos do evangelho de São Paulo: “Examinai tudo e ficai com que é bom”. Isso inclui a renúncia por algumas religiões que se anunciam só elas como certas.
Portanto, cada pessoa tem uma dimensão profunda em sua realidade, que é um mistério. Cabe a cada ser humano repensar a maneira de vivenciar a fé e como nos conduzimos para a criação do paraíso terrestre sonhado por cada doutrina ou filosofia religiosa.
Este tempo não está distante. Os líderes religiosos não o desejam. Mas, o povo o buscará sem eles.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Estudo Comparado das Religiões (XIV)

O futuro da fé

Não há dúvida que o futuro da fé passa pela eliminação da incerteza, conquista que se escreve com o nome LIBERTAÇÃO. Nenhuma fé se sustentará em dogmas, mistérios e mitos. Crianças precisam de estórias que brinquem contando sobre deuses. Enquanto houver religiões intermediando a salvação (libertação) de seus seguidores e enquanto houver seguidores afirmando sua extraordinária fé num “alguém” que os salvará, este é o mais evidente sinal de que o rei ou faraó ou papa estará à frente do pelotão, no caminho, para guiar os incapazes. A incerteza e a dependência é a anulação da fé. O ser indigno de Deus sempre buscará um padrinho ou advogado que o recomende ou de cúmplice que o ajude pular o muro porque lhe falta o ingresso, a senha, a credencial.
Quando cada um dos seres humanos adquirirem a certeza de que a salvação (libertação) é um processo individual e intransferível, como resultado do crescimento de cada um ante os olhos de Deus, esta é a cartada, esta é a chave, esta é a senha, este é o segredo.
Enquanto uma multidão continuar se julgando indigna de que Deus habite a morada de sua alma, permanecerá aberta a temporada de ação dos coiotes de fronteira que farão os fora-da-lei ingressar no Reino de Deus sem nenhum mérito. E é óbvio que isso é uma metáfora e que o resultado dessa operação é nula.
A nova fé estará menos associada ao nome que se dá ao Deus. Ele não foi visto, não foi encontrado, não é conhecido e nós não temos o direito de chamá-lo por nenhum nome. A nova fé, definitivamente, presa a princípios e valores praticados, vivenciados e partilhados, antes de normas, mandamentos e louvações. Por isso, a internet é o novo templo dos homens, a nova escola dos homens, a nova vitrine comercial do planeta, cujo papel mais elevado é ensinar aquilo que o templo, a escola e o mercado não ensinaram: ética. Todo o espertinho que quiser “dar-se bem” por anda passa, não é digno de que Deus venha até ele e que ele vá até onde Deus poderia olhá-lo.
O que é necessário entender sobre a ênfase dada aos princípios e valores praticados, é que quando não sem tem princípios e valores, eles podem ser buscados numa grande figura emblemática, que pode ser um santo, um anjo, um espírito, um messias, um papa, um faraó, um grande líder, um pequeno grande deus. A mesma avaliação pode ser aplicada para o caso da autonomia política: quando ela não existe, as pessoas que não a possuem a projetam nos tutores, reis, ditadores, coronéis, padrinhos políticos, etc., onde pode esconder-se o algoz. A grande virada islâmica iniciada com a queda de Mubarack pode ser invocada como exemplo de libertação para um povo que não conhece liberdade alguma.
Preces e louvores da forma como exteriorizam muitos fiéis é algo ultrapassado e atrelado a um sistema de fé baseado no temor à ira de um deus entediado, julgador severo. Preces e louvores à luz da nova fé, são condimentos para a formação de campos morfológicos, egrégoras, interações de campo para as mais diferentes aplicações: elevação moral, evolução espiritual, alteração de paradigmas e tantas outras formas individuais ou coletivas de campos vibracionais, inclusive de cura, mas, com certeza, superação, avanço, evolução. Para mais da metade da humanidade, Deus parou há 4 mil anos e nunca mais disse nada de novo, pois nem mesmo os ensinamentos de Jesus são assimilados. Joga-se fora a escola crística e troca-se o seu efeito pela imagem de um santo crucificado por seus algozes: nós.
Nenhuma religião deveria ter outro objetivo que a ética e a moral como sustentação da vida levada em sociedade, ética e moral não obtidas por mandamentos proibitivos disto ou proibitivos daquilo, mas pelo desenvolvimento do caráter, da índole, da humanização do ego e da expansão da consciência.
Algumas religiões falham por não atingirem o objetivo e por tolerarem o desvio de seus fiéis quanto aos mínimos princípios éticos e morais; outras falham por anularem seus fiéis, obrigando-os a levar uma vida destituída de alegria à espera do juízo final. As religiões do futuro deverão estar focadas na realização humana levando o homem a conhecer Deus e não a preparar o homem para Deus, como acontece na maioria das religiões atuais. O Reino de Deus apregoado não precisa estar no mundo espiritual. Nós temos capacidade de construí-lo aqui.
Já é possível encontrar segmentos religiosos preparando as bases para essa, por assim dizer, pedagogia, que levará o homem a conhecer Deus e a querer um reino divino aqui:
Horizontes – Nossos horizontes éticos se expandem e se entrelaçam com a responsabilidade. Nosso sentido de responsabilidade mal e mal cobre o indivíduo e às vezes se estende à família e aos amigos. O novo homem será cósmico e, no mínimo, planetário. Sua ética terá de ser global, como temos buscado globalizar economia, arte, comunicação, cultura...
Coração – Esta palavra tem por sinônimo, consciência, e quer demonstrar a necessidade de afastarmos a anestesia que alcança grande número de seres humanos em relação ao amor, à consciência, à ética. Agir mais com o coração e menos com a mente, para que as ações incluam sem excluir. As religiões do futuro terão levar seus fiéis a tirar o amor do discurso e a consciência do cofre.
Cabeça – Esta palavra indica que não basta sentir-se responsável ou ter a consciência pesada, ou não ser bom. Precisamos descobrir a diferença entre cérebro, raciocínio, discernimento e mente – faculdades que mais nos diferencia dos animais – para estabelecer valores e pautar normas práticas de vontade, atitude e conduta. Os animais também têm cérebro. Não é o cérebro (tamanho) por si só que nos qualifica como humanos e sim o seu bom emprego como ferramenta processadora de conteúdos conscienciais próximos da divinação do homem. Os crimes contra a humanidade não são perpetrados só com o derramamento de sangue. Existem crimes tão hediondos quanto tirar a vida, como suprimir a liberdade, castrar a vontade, sepultar a dignidade, esconder a verdade, envenenar alimentos, aprisionar animais, submeter a natureza, e outros praticados com decisões, vontades, omissões, atitudes, condutas deliberadas, centradas no “me dei bem”, onde este resultado tem como resposta não o bem, nem mesmo do seu autor e pior ainda do meio aonde ele atua.
Mãos à obra – Não basta ter horizontes éticos, coração caloroso e cabeça fria, consciência ampliada. Não podemos apenas ter idéias sobre nosso caminho para a boa vida moral e ética. Devemos agir. Isso não pode ser terceirizado em nenhum aspecto. Devemos fazer experiência ética prática conosco, com nossos filhos, com nossos vizinhos. As deliberações éticas nunca devem cessar, mas não podemos ficar a vida toda imóveis, pesando e ponderando as coisas, com aplauso, indignação, reclamação, apenas. Devemos sempre escolher entre várias ações alternativas. Estamos numa eterna encruzilhada, como aprendizes exercitando o nosso livre arbítrio. E será com base nas nossas escolhas e com o resultado prático delas que mundo se tornará melhor ou pior.
Ensinam os mestres da atualidade que a ausência de um desses quatro pontos destacados pode indicar que um grande problema se aproxima. Em geral, é quando falha um desses geradores de princípios orientadores, que as coisas começam a não dar certo. As religiões, todas elas, costumam lamentar e consolar quando alguém dizendo agir em nome do coletivo, ou de Deus, pratica a violência, esquecendo-se de que a violência está dentro dos homens educados pelas religiões. Onde está o erro? Ele, certamente, está dentro de nós, que sem conhecimento de coisa alguma além do elementar, julgamos, apenas. Se assumíssemos a responsabilidade pelos nossos dias por vir, certamente não ficaríamos à espera das graças ou benesses de quem quer que seja; não preferíamos pagar para alguém fazer a nossa parte; iríamos buscar o que nos falta; iríamos extirpar o que nos incomoda; iríamos curar o que nos faz doentes.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Estudo Comparado das Religiões (XIII)

Contemporaneidade e atualidade

O que se escreveu sobre Deus, os homens e toda a criação, veio a nós através dos próprios homens, sob observação, experimentação, inspiração ou mediante revelação. Os escritos mais antigos têm menos de 4.000 anos. Se deixarmos de lado as obras filosóficas gregas, concluímos que, com novidades sobre Deus e sobre a Fé, se escreveu mais intensamente de 400 anos para cá. As obras mais recentes sobre Teosofia, Espiritismo e Logosofia, patrocinadas respectivamente por Helena Blawatzki, Allan Kardec e González Pecotche, resgatam trechos da sabedoria hinduísta, xamânica, e com muita certeza, ao lado de dezenas de outros avanços filosóficos, científicos e religiosos, para abrir caminho à New Age (Nova Era), nascida em 1972, embora se diga que esse movimento tenha origem nos escritos de Nostradamus (1555), também o que disse Nostradamus foi subtraído da humanidade. O correto é afirmar que a Nova Era é a reunião de tudo o que se sabe em espiritismo, misticismo, ocultismo, metafísica, parapsicologia, esoterismo, xamanismo, ufologia, yoga, tantrismo e psicologia transpessoal, com a publicação, em 1972, do Guia da Comunidade Espiritual e do Catálogo Ano Um, que fala de uma Nova Era para o conhecimento humano, sepultando paulatinamente o paradigma materialista, mecanicista, newtoniano e os regimes castradores da informação.
Em paralelo, segmentos interessados no assunto começam questionar se o conhecimento inspirado e revelado é eterno ou se estamos a caminho da verdade próxima que, para os humanos, nunca será a última? Hoje, com a globalização da economia, da cultura, das artes, das ciências e também das religiões, e mediante a busca de um código mundial de comunicação, já se sonha com a possibilidade de apanhar os pontos convergentes e aproximar os pontos divergentes de todas as principais religiões (melhor dizendo interesses espirituais dos homens) e edificar um novo conhecimento do sagrado e do divino, válido para este novo momento de toda a humanidade.
O espiritismo de Kardec, que não é uma religião formal, experimenta fazer, por enquanto, a ponte entre religiões e ciências, atuando no nível do imponderável que pode ser medido, sentido, testemunhado, documentado. Mas, não é o único caminho. Quem quiser buscar uma saída para suas próprias prisões, a encontrará, sem afobação.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Estudo Comparado das Religiões (XII)

Conhecimento, sacrifício e devoção

Estas três chaves ou senhas são postas, como vimos, como essenciais à salvação segundo as religiões de judeus, cristãos e islâmicos. É o que ali no texto aparece como eixo central comum entre essas religiões derivadas ou herdeiras do monoteísmo originado com Abraão.
Por conta do que poderíamos chamar de eixo central das maiores religiões do planeta, qualquer observador e mais ainda os seus fiéis, podem identificar que o sacrifício é algo visível. Nos judeus e islâmicos existe, entre outros, o jejum, que nos católicos é brando e muito intensos os demais sacrifícios nas religiões pentecostais, que controlam até os prazeres dos seus seguidores, e exercem um controle cerrado quanto ao dízimo. A devoção, que poderia ser algo muito relativo, se mostra intensamente em algumas dessas religiões, como as cinco orações diárias dos muçulmanos e outras demonstrações ostensivas de respeito a Alá. Mas, tentando equilibrar a interpretação quanto à devoção, ela nos remete ao foro íntimo e cada fiel irá trabalhar isso muito particularmente. O que muito preocupa é o conhecimento, a qualidade do conhecimento e a sua forma didática. Que tipo de conhecimento é oferecido?
A resposta é um tanto difícil, pois o cronista teria de ter acesso ao recinto dos templos, sinagogas, mesquitas e igrejas para poder relatar com precisão. Uma coisa, porém, não deixa dúvida: o conhecimento vem dos testamentos, criados no tempo da barbárie humana e nunca mais atualizado. Aquilo que poderia ser a salvação de um bárbaro no primeiro milênio da Era Cristã, não é e não pode ser argumento de salvação do homem do terceiro milênio desta mesma era.
Freud ensinou que “só a informação traz o poder” e Basilides ensinou que “só o conhecimento liberta”. E o que é mais desesperador nas três religiões aqui enfocadas é que elas retiveram a informação estratégica para não distribuir o poder e não repassaram ou não atualizaram o conhecimento para não perder fiéis, mas o efeito foi desastroso. Um espetacular exemplo está batendo em nossas portas, melhor dizendo, está nos jornais e tevês do mundo todo: o modelo patriarcal de dominar multidões pela autoridade carismática de um rei-faraó, que herdamos dos tempos mitológicos, apesar de morto para quase toda a sociedade atual, está vivo nas religiões citadas. Os egípcios nos mostram isso enquanto outros países com o mesmo perfil de poder estão indo a reboque. A internet, instrumento da globalização, que foi inicialmente uma jogada comercial, expandiu-se para os aspectos culturais e chegou na fé. Poder é capacidade de escolha: escolher quem será meu governante, que religião eu quero. Conhecimento é descobrir que o meu Deus não tem corretores nem intermediários. É acessar uma linha, que nunca esteve interrompida, a exemplo da internet, e o meu Deus pode ser evocado, acionado, sentido, vibrado.
Para não perder poder e para não perder o controle sobre seus fiéis, as religiões aqui enfocadas não socializaram a informação sagrada – pelo contrário, esconderam-na nos cofres dos seus privilegiados sacerdotes (com diferentes nomes) e não permitiram a salvação de seus rebanhos. Note-se que a palavra salvação é outra forma de entender libertação.
Muito confortável estiveram as ditas religiões enquanto puderam abrir a Torá, e/ou o Alcorão e/ou a Bíblia e extrair de seus conteúdos os trechos mais adequados a cada situação que precisasse ser mascarada, manipulada, obscurecida, teatralizada, para que seus fiéis deixassem o culto de cabeça baixa, obedientes, subservientes, quando não culpados, aterrorizados com a condenação eterna. Mas, a informação, sob a forma de uma grande vitrine do mundo e o conhecimento, sob a forma de uma imensa biblioteca virtual, começaram a entrar para dentro dos lares do mundo todo. E o mundo todo, através de um correio gratuito e célere, passou a enviar mensagens, trocar impressões, recomendar sites, numa silenciosa construção ou abertura de consciências e fará balançar as estruturas de toda instituição que quiser obstruir o grande destino do homem: crescer para si mesmo, superar-se em suas fraquezas e adquirir dignidade perante qualquer coisa que o aguarde numa possível eternidade. E terá de fazê-lo sem terceirizar, sem procurador, sem tutor. Esse é o novo homem a caminho, inclusive no autero Oriente Médio, raiz das religiões aqui citadas. A religião desse novo homem? Pouco importa.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Estudo Comparado das Religiões (XI)

Pontos convergentes

Pelo fato de o judaísmo ser a fonte de grande parte do acervo tradicional que compõe as estruturas das religiões cristã e islâmica, que são as maiores do planeta, há muitos pontos comuns entre essas três religiões. Mas isso não impede que existam verdadeiros abismos entre elas.
Qualquer religião tem por objetivo a salvação de seus devotos. Ainda que haja divergência nos métodos de salvação, é possível encontrar semelhanças que apontam o conhecimento, o sacrifício e a devoção como eixo central comum entre elas.
Os pontos convergentes de quase todas as religiões do planeta são: o monoteísmo, ainda que Deus receba nomes diversos; os ritos de passagem (nascimento ou batismo ou circuncisão, puberdade ou crisma ou confirmação, casamento e morte) são comuns; as formas de relacionamento com Deus, através da oração, do sacrifício, da oferenda e a refeição sagrada, também; em algumas delas é acrescentada a contemplação e a meditação como estágios mais profundos de relação com Deus; todas elas têm mandamentos e no geral eles prescrevem as mesmas coisas.
As religiões estudadas admitem a semelhança entre o homem e Deus. Algumas entendem que, por isso, foi dada ao homem a capacidade de também criar e julgar. Algumas, porém, não admitem criar e julgar no nível cósmico, e sim apenas no nível que sua inteligência possa alcançar. Para ter capacidade de criar e julgar no nível cósmico, a inteligência humana deverá desenvolver-se da forma como prevê o projeto de Deus para o homem, mas este é o nível em que a consciência do homem não mais estará prisioneira do corpo físico e na crosta deste planeta.
Todas as religiões admitem um criador e dão ao homem uma alma, que abandona o corpo no momento da morte física e se encaminha para o local de seu merecimento segundo a qualidade da existência experimentada no corpo. Em algumas religiões, a alma é imortal e reencarna sucessivamente até a sua purificação, quando é interrompido o processo de contato com os corpos físicos.
Os principais intérpretes de Deus, de Zoroastro a Maomé, passando por Confúcio, Lao Tzé e Jesus, e mesmo incluindo o não necessariamente religioso Sócrates, nada escreveram. Foram seus discípulos que registraram suas idéias para a posteridade.
De todos os principais intérpretes de Deus, Jesus foi o único elevado à condição de Deus, providência adotada pela Igreja Romana no século XI. Os demais têm status de profetas, condutores da humanidade.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Estudo Comparado das Religiões (X)

Espiritualismo e Espiritismo

Embora o estudo espiritualista não se caracterize como um ato religioso e nem o espiritismo uma religião, seria infantilidade nossa deixar de fora uma grande tendência quanto à busca pelo sagrado, que é do que falaremos a seguir. Para entender o que é e como surgiu o interesse pelo Espírito, precisaríamos retornar ao xamanismo, claro, com passagens pelas religiões orientais.
A corrente das religiões judaico-cristãs é a única que se nega a incluir os espíritos nas relações diretas com o homem, mas aceita que os santos se comunicam com os líderes da igreja. Nem poderia ser diferente, pois o Antigo Testamento, se verdadeiro, foi totalmente ditado por espíritos aos respectivos profetas.
Para chegar ao Espiritismo precisamos, em primeiro lugar, entender a diferença entre ESPIRITUALISMO e ESPIRITISMO.
Espiritualismo é toda doutrina que afirma existir alguma coisa além da matéria, ou seja, que o homem possui uma alma e esta sobrevive após a morte do corpo, independente do destino que se dê a este espírito. Espiritualista é todo aquele que acredita existir, tanto no Universo quanto no íntimo de cada ser vivo, alguma coisa além do corpo físico e da matéria.

Como exemplos de algumas doutrinas espiritualistas podemos citar o catolicismo, protestantismo, hinduísmo, judaísmo, islamismo, taoísmo, a umbanda e o próprio espiritismo. A primeira ou única divergência entre umas e outras é a teoria da comunicação entre vivos e mortos e a teoria da reencarnação.

Cabe lembrar que, assim como as doutrinas religiosas possuem pontos em comum, integrantes da cultura da maioria dos povos do Planeta, existem também pontos divergentes entre elas. Um exemplo claro é o catolicismo que, atualmente, que não aceita a idéia da reencarnação; enquanto o budismo, o espiritismo e a umbanda sempre aceitou esta idéia dentro de seus princípios doutrinários. Assim, podemos dizer que a maioria das religiões do Oriente e do Ocidente são espiritualistas, enquanto opõe-se ao materialismo. No entanto, cada uma delas possui suas próprias doutrinas e, conseqüentemente, suas divergências.

O Espiritismo é considerado uma Filosofia Espiritualista, porém traz em sua bagagem, alguns preceitos básicos que, necessariamente, não pertencem a outras doutrinas espiritualistas.

Assim, Espírita é todo aquele que acredita na existência dos espíritos e na sua comunicação com o mundo material, de acordo com os ensinamentos transmitidos pelos Espíritos, na Doutrina codificada por Allan Kardec na metade do século XIX.

Seguindo este ponto de vista, é possível afirmar que todo Espírita é um Espiritualista mas nem todo Espiritualista é, necessariamente, um Espírita. A grande diferença entre o Espiritismo e o Espiritualismo são alguns preceitos, acrescentados a partir da Codificação da Doutrina:


Princípios Básicos da Doutrina Espírita

Existência de Deus
Imortalidade da Alma
Comunicação entre o mundo espiritual e o mundo material
Reencarnação
Evolução Universal e Infinita

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Estudo Comparado das Religiões (IX)

Cristianismo

As religiões que evangelizam com base no Novo Testamento são chamadas de cristãs. São muitas as religiões cristãs e muitas são as formas de interpretar Cristo.
Sobre Jesus Cristo, o que diz a História: nasceu em Belém um menino que, depois de crescer em graça e sabedoria viria estremecer as estruturas políticas, culturais e religiosas de sua época, com repercussão nos dias atuais. Pregava o amor. Amor a Deus e ao próximo. Toda a sua doutrina era dirigida aos pobres, aos escravos, aos mansos, aos doentes, a quem prometia libertar de suas amarras mediante um novo estado de consciência, e realizava sua pregação costumeiramente ao ar livre, juntando multidões, orando, curando, cantando.
Hoje, ao proceder a análise criteriosa dos alcances dos ensinamentos de Jesus Cristo e diante do proceder das igrejas ditas cristãs é possível apontar quatro graves desvios de objetivos, a saber: (1) a circunstancial localização dos episódios em Israel não significa entender que as propostas de Jesus Cristo tinham o endereço apenas do povo israelita, como insinua a tradição, tanto que a maioria judaica renegou esse Messias; (2) por esse erro de localização, época e dimensão, a doutrina cristã foi diretamente atrelada aos conhecimentos judaicos, o que não confere, pois Jesus veio reformar o arcabouço léxico-religioso judaico. Desta forma, Jesus Cristo foi colocado inapelavelmente como produto da história, cultura, religião e raça judaica, quando, na realidade e na prática, os seus ensinamentos tiveram, como sabemos, o endereço de todos os povos da Terra; e são antagônicos ao que professam hoje os judeus; (3) não aceitando a presença de Cristo e sua mensagem, os judeus prosseguiram com suas antigas crenças, abrindo a primeira dissidência ao projeto judaico-cristão, que também incluía os judeus, mas não excluía o restante do mundo; (4) por fim, o fato de haver a nascente igreja cristã sido colocada sob a influência do Império Romano, obrigou-a a prática de atos do poder terreno que, todos sabemos, são opostos ao que pregou Cristo.
Levando-se em conta as influências mencionadas e os desvios enumerados, a cultura não judaica ocidental ficou profundamente marcada pelas tradições judaicas e, do mesmo modo, sem ser exclusivamente romana, edificou uma cultura paralela à tradição religiosa com enorme influência do poder religioso e político romano. Toda a libertação sinalizada por Cristo ficou prejudicada.
As conseqüências são mensuráveis nesses dois últimos milênios de nossa civilização, engendrando infindáveis especulações teológicas e um sem número de movimentos milenares. Concorreu, até mesmo, para a extraordinária receptividade, na Europa, da ideologia marxista-leninista, que se opunha ao servilismo das igrejas cristãs ao poder econômico capitalista. No terreno da especulação teológica deu origem a muitas seitas radicais, com muita prosperidade, inclusive, no país mais destacado do mundo neste último século, os Estados Unidos. No terreno do conhecimento científico, praticamente obrigou o racionalismo científico a declarar-se ateu.
A proposta de Jesus é o Amor - a Deus e ao próximo - como condição de salvação (libertação) atual e futura, já que as nossas culpas passadas (eleitas pela maior religião cristã) foram expiadas por Ele. Apesar disso, a maioria das religiões ditas cristãs passaram a ensinar o TEMOR a Deus, a CULPA, a existência de um Deus terrível, aplicador de castigos, destruidor, juiz implacável que condena ao fogo do inferno, mas que também dá conforto aos obedientes e dispostos a sofrer, a se privar de tudo para estar na fila dos beneficiados no juízo final. Tudo isso porque, segundo o dogma, todo o cristão já nasce pecador.
E quanto ao AMOR AO PRÓXIMO, o que a História registra é a participação ou consentimento das igrejas nas guerras, algumas delas provocadas por elas mesmas. E têm assistido a acumulação de bens materiais por elas mesmas e por cerca de 10% dos homens mais ricos do planeta, contra a miséria, a doença, a fome e a destruição de mais de um terço da humanidade. A sua própria prática as obriga a instituírem em pleno púlpito o tribunal que reproduz a luta do bem contra o mal. Para elas, o mal é a felicidade aqui nesta vida e o bem é o permanente sofrimento aqui nesta vida. Instituiu o padrão de homem culpado, medroso, que renuncia sua realização plena nesta vida para conquistar a ventura futura.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Estudo Comparado das Religiões (VIII)

Sufismo

O lado místico do islã é o sufismo, uma seita que tem em Jesus o ideal de comportamento humano, sem ser cristã. O sufismo sustenta ser o espírito humano uma emanação do divino, no qual se esforça para reintegrar-se.

Taoísmo

O Taoísmo foi fundado por Lao Tsé cerca de 500 anos antes de Cristo e continuado por Tchuang Tseu, no século IV a.C. Lao Tsé é o possível autor do Tao Te Ching (A ordem do mundo e a força vital). A noção fundamental é que o Tao – o caminho – nomeia o grande princípio de ordem universal sintetizador e harmonizador do Yin e do Yang, pólos da energia do cosmos, a que se tem acesso pela meditação e pela prática de exercícios físicos e respiratórios. É uma forma religiosa centrada em sacerdotes mágicos que vendiam a idéia da eterna juventude, isto é, o poder das virtudes sobre-humanas e a imortalidade da alma. Prega a simplicidade e a alegria de uma vida em contato com a natureza.
Seus cinco mandamentos básicos são: não matar, não roubar, não tomar bebidas alcoólicas, não mentir e não cometer adultério.
Até o século II, o taoísmo dividia o primeiro lugar em importância com o budismo, mantendo mosteiros, templos, padres e cultos. Depois do século VII, já sem vigor, entrou para o rol das seitas que operam quase na clandestinidade.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Estudo Comparado das Religiões (VII)

Confucionismo

O pensador Kung Fu Tzu, no Ocidente chamado de Confúcio, viveu entre 551 e 479 a.C., portanto na mesma época de Siddharta Gautama, fundador do budismo. O confucionismo é uma doutrina ética e política, que por mais de mil anos constituiu o sistema filosófico dominante na China. Não chega a ser uma religião e se caracteriza por situar o homem e a experiência social e política da humanidade no centro da investigação, daí resultando a definição das relações humanas individuais em função das instituições sociais, principalmente da família e do estado. Note-se, apesar da distância física, que Confúcio foi também contemporâneo dos filósofos gregos.
A revolução comunista na China (1949) procurou varrer do conhecimento popular as idéias de Confúcio, acusadas de reacionárias.

Islamismo

O islamismo é uma das grandes religiões mais novas. Data do século V da Era Cristã. Íslam quer dizer submissão; muçulman quer dizer submisso. Esse é o princípio do islamismo e não só na esfera espiritual, mas em todos os aspectos da vida humana e social, com alcance no direito, nos costumes, etc. No islamismo não existe um sacerdócio organizado. O íslam compreende: (1) credo – monoteísmo e revelação; (2) deveres religiosos – os cinco pilares da religião; e (3) relações interpessoais – ética e política.
Maomé é o profeta islâmico, sem ser deus. É o profeta que indica o caminho para Alá. Logo depois da morte de Maomé, em 632 d.C., o islamismo se dividiu em virtude da escolha do líder. Ali, sobrinho e genro de Maomé liderou o partido Shiat Ali, por isso chamado de xiita, mas foi contestado pelos sunitas, que formavam a maioria e aceitavam que a liderança da religião deveria caber a quem controlasse o poder. A facção xiita estabeleceu sua sede em Damasco por algum tempo, mudando-se depois para Bagdá, onde permaneceu por 500 anos. Depois disso, a liderança passou para o sultão turco de Istambul, maior cidade da Turquia. Em 1924 foi derrubado o último sultão (Maomé VI) e o mundo islâmico xiita deixou de ter um califa como líder.
A morte de Maomé também representou o declínio dos impérios persa e bizantino, cedendo espaço para os conquistadores árabes, que levaram consigo o islã e atravessaram o Estreito de Gibraltar e entraram na Europa, penetrando até Poitiers, na França, onde foram detidos. Ficaram, porém, na metade Sul da Península Ibérica, do século VIII ao século XV, onde até hoje podem ser encontrados vestígios da cultura árabe. O califado estava em Córdoba.
O colonialismo europeu do século XIX no Norte da África não impediu que o islã permanecesse e expandisse por várias áreas da África Oriental e Ocidental. Também se expandiu desde o início para o Oriente, em direção da Índia e da Indonésia. Quando a Índia se libertou da Inglaterra, em 1947, o temor de uma guerra entre os adeptos do hinduísmo e do islamismo fez as autoridades criarem dois estados separados: a Índia continuou hinduísta e foi criado o Paquistão com maioria islâmica. Não demorou, o próprio Paquistão, em 1971, foi dividido em dois, com a criação de Bangladesh, na qualidade de estado laico.
O partido xiita é a religião oficial do Irã e de outros países, onde o aiatolá, na qualidade de imã religioso, tem poderes de destituir o governo civil.
Os países islâmicos têm lutado por uma maior unidade muçulmana internacional, mas esbarram na questão da liderança do bloco, uma vez que para muitos muçulmanos, religião é poder.
A imigração havida do Norte da África e da Ásia para países europeus, faz do islamismo a segunda maior religião da Europa nos dias atuais.
Os cinco pilares da religião islâmica são: o credo, a oração, a caridade, o jejum e a peregrinação à Meca.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Estudo Comparado das Religiões (VI)

Budismo

A região budista foi fundada pelo príncipe Siddharta Gautama, o Buda, em torno de 500 a.C. A posição de Buda não é de divindade, mas de guia dos seres humanos. A religião se baseia em que estamos no mundo a caminho de uma realidade acima do tempo e do espaço, chamada nirvana. Quando vencemos o karma, nos livramos da lei do renascimento e encontramos o nirvana, que é o estado máximo de ventura de uma alma.
Por volta do século III de nossa era, o budismo sofreu uma divisão entre as alas hinayana ou theravada, ramo ortodoxo, também chamado de “pequeno veículo” ou “escola dos antigos”, que se espalhou pelo Sul da Ásia, e a ala mahayana, também chamada de “grande veículo” ou “grande nave”, difundido principalmente no Norte da Ásia e que se opõe ao budismo primitivo por considerar que, muito embora a aspiração final deva ser o nirvana, deve este, por compaixão, ser adiado, a fim de que o sábio possa dedicar-se a ensinar aos outros o caminho da salvação.
As quatro nobres verdades budistas sobre o sofrimento são: (1) a condição do homem é a doença; (2) ele, então, indica a causa da doença: (3) ele afirma que a doença é curável: (4) ele dá uma descrição detalhada de como a doença deve ser tratada, receitando uma cura de oito pontos. A cura de oito pontos ou vias compreende: (1) perfeita compreensão – entender como o mundo funciona e aprender a lutar contra o desejo, que é a raiz do sofrimento. Deve evitar também o ódio e a luxúria, ambos causados pela crença equivocada num “eu” distinto e separado do ambiente em torno. (2) Perfeita aspiração – que é querer eliminar a ignorância. (3) Perfeita fala. (4) Perfeita conduta. (5) Perfeito meio de subsistência. Esses pontos (vias) estabelecem a ética do budismo, seu código moral. Abster-se de contar mentiras, fazer intrigas, ter conversas vazias; falar com seus semelhantes de modo verdadeiro, amigável e carinhoso; ficar em silêncio também está incluído na fala perfeita. Por perfeita conduta se entende não matar nenhum ser vivo; não roubar; não ser sexualmente promíscuo; não mentir; não tomar estimulantes. Mais tarde foram acrescentados: dar presentes e realizar serviços para os outros; estudar a doutrina e disseminá-la. Por perfeita subsistência se entende escolher um trabalho que não contrarie os mandamentos. Por isso, um budista não poder ser açougueiro, comerciante de bebidas, fabricante ou vendedor de armas e mesmo soldado profissional. (6) Perfeito esforço. (7) Perfeita atenção. (8) Perfeita contemplação. Esses pontos (vias) se relacionam ao crescimento da qualidade e a purificação da mente do ser humano. Esforço para afastar pensamentos ou estados de espírito destrutivos. E se acontecer, esforço para expulsá-los antes que tenham efeitos palpáveis. Atenção é o que antecede o esforço: para perceber, sinônimo de vigiar. Contemplar para alcançar o pleno controle sobre o corpo e a mente, ante-sala da meditação.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Estudo Comparado das Religiões (V)

Judaísmo

O povo hebreu, os semitas, posteriormente conhecidos como judeus, conservam desde 930 anos antes da Era Cristã os escritos bíblicos, cujos primeiros foram os Salmos e o Eclesiastes. O fato de terem absorvido e conservado o sistema de comunicação escrita e de terem documentado seus livros sagrados, os judeus, não numerosos em relação a toda a humanidade e falando uma língua conhecida apenas por eles mesmos, ainda assim influenciam mais de 50% da humanidade com os princípios de sua crença. O Antigo Testamento (sagrado para os judeus), composto de 46 livros, serve de base ao Novo Testamento Cristão (que não é aceito pelos judeus), que inspira as várias religiões cristãs, sendo a Católica Apostólica Romana a maior delas, mas também têm importância na luterana, na anglicana, na presbiteriana, na congregacional, na episcopal, na metodista, nos mórmons, na adventista e nas chamadas pentecostais, que foram as últimas fundadas: Assembléia de Deus, O Brasil para Cristo, Deus é Amor, Testemunhas de Jeová e Igreja Universal do Reino do Deus, entre outras.
Mas o credo judeu não influenciou somente o credo cristão. O islamismo também é um apanhado judaico e cristão com algum rigorismo árabe.
O que é a religião judaica? É a própria história do povo hebreu. Jerusalém, onde foi construído o primeiro templo judaico, é considerada cidade sagrada. O primeiro grande líder hebreu, Abraão, combateu o politeísmo e anunciou que o Deus verdadeiro, chamado Javé ou Jeová, havia feito uma aliança exclusiva com os hebreus. Entre os momentos de grandes sofrimentos do povo eleito sempre surge um fato extraordinário. Assim foram as tábuas da lei, de Moisés. Trata-se de uma religião com forte apelo moral, calcada em castigos, desgraças e promessa de redenção. Os judeus continuam à espera do Messias prometido no Antigo Testamento, que virá substituir o rei Davi. Por isso, não aceitaram a Jesus. Desde o término do reinado de Davi o povo judeu passou a sofrer, migrar, divergir e a esperar pelo que anunciaram seus profetas: a vinda de um salvador e a restituição de Israel como capital do reino de Deus na Terra.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Estudo Comparado das Religiões (IV)

Hinduísmo

Esta é uma das mais antigas religiões do planeta. Data de 1500 a.C. e é a religião atual da maioria dos povos indianos. Resulta de uma evolução secular do vedismo e do bramanismo com integração aos cultos locais. Diferentemente de outras religiões, o hinduísmo não tem um fundador. Também recebe outras influências, principalmente dos upanishads, que são sínteses do pensamento de Lao Tzé, filósofo hindu que viveu em torno do século V a.C. A divindade maior é chamada de Brahman. O nome “hinduísmo” está associado a indiano, do Rio Indo. É uma religião que permite a existência de castas: tem a ver com “puro” e “impuro”, razão pela qual o Rio Ganges aparece como poderoso lavador e purificador corporal-espiritual. O “pária” é o mais baixo nível das castas hinduístas, onde se encontram os “intocáveis”: criminosos, lixeiros, curtidores de couro. O hinduísmo sacratiza as vacas e outros animais. As castas estão distribuídas em quatro níveis: (1) entre sacerdotes (brâmanes); (2) guerreiros; (3) agricultores, comerciantes e artesãos: e (4) servos. Os párias estão fora da sociedade religiosa.
É do hinduísmo que conhecemos o karma, sinônimo de ato ou pensamento, palavra ou sentimento, veículo que une passado e presente e alcança a transmigração de uma alma em suas reencarnações. Enquanto reencarnar, uma alma carrega seu karma, espécies de colheitas das semeaduras pensadas, sentidas, pronunciadas e concretizadas. Vem dali também o dharma, que é a responsabilidade de cada um por sua família, sua casta, sua comunidade, a instrução e a escola, para que nada se perca por falta de dharma.

Tantrismo

O tantrismo talvez não se possa rotular como religião e sim como um sincretismo religioso, derivado do hinduísmo, do budismo e de cultos populares. Ganhou popularidade por volta do século XV, na Ásia, quando se desvendou o segredo das tradições místicas guardadas dentro dos mosteiros e dos palácios reais. Caracteriza-se pela magia e ocultismo associado a complexo simbolismo, à iconolatria e à prática yoga e de ritos diversos. Os termos mandala, mantra e tantra, hoje conhecidos no mundo ocidental, têm origem na tradição tântrica. Foi também através do tantrismo que chegou ao ocidente uma visão iluminada da sexualidade.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Estudo Comparado das Religiões (III)

Dificuldades

Por tudo que já foi descrito, o xamanismo é uma proposta filosófica para as religiões do Terceiro Milênio da Era Cristã, não por sua antiguidade, mas por sua simplicidade ao alinhar Deus, o homem e a natureza como um conjunto inseparavelmente sagrado e por sua adaptabilidade ao crescente estudo dos ecossistemas que constituem a vida na Terra: a ecologia profunda. É compreensível que o homem ocidental tenha dificuldades em assimilar ensinamentos religiosos que não tenham origem nas tradições judaico-cristãs, mas o xamanismo, de forma espantosa, se aproxima dos conteúdos originais relativos a Jesus Cristo, conhecidos através de um melhor entendimento das Escrituras Sagradas e de outras fontes, uma das quais, a seita dos essênios, possivelmente participada por Maria, seus filhos e pelo próprio Jesus. Essa dificuldade deriva da absorção das tradições advindas do poder romano, que não atendem à expectativa espiritual presente nas tradições judaicas e mesmo mantida pela religião cristã em seus três primeiros séculos de vida. O xamanismo resgata esses pressupostos colocando-se como fonte de tradições e conhecimentos mais antigos, que as religiões posteriores, no Ocidente, desconsideraram.

Misticismo

Em todas as grandes religiões do mundo e mais ainda naquelas tribais, o misticismo está presente como característica da experiência de aproximação entre o homem e Deus e mesmo entre o homem e o cosmos. O processo místico aparece como tentativa de transpor esse abismo. O místico é “absorvido” em Deus, “se perde” em Deus ou “desaparece” em Deus, através de uma experiência identificada com o eu real, que não é a mesma coisa que o “eu” entendido por grande parte das pessoas. O místico experimenta, pelo menos por instantes, a sensação de ser indivisível de um eu maior, a quem dá variados nomes: espírito universal, princípio divino, eu superior, vazio, tudo, nada, uno, arquiteto do universo, grande espírito, sabedoria cósmica, inteligência superior do universo.
Entretanto, as experiências de aproximação do homem com Deus normalmente não acontecem espontaneamente. Os candidatos a ele devem percorrer “o caminho da purificação e da iluminação”, que varia de grau e profundidade em cada cultura religiosa.
É correto imaginar que o místico é incentivado por um ardente amor por Deus e se esforça para se tornar um só com Deus. Há um anseio que permeia o alcance dessa radiância divina: libertar-se da existência individual, buscar aquilo que Deus busca. É nesse êxtase místico ou união mística, que se dá o encontro com Deus sob o ângulo do misticismo.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Estudo Comparado das Religiões (II)

Xamanismo

O xamanismo é a mais antiga forma de relacionamento do homem com o princípio divino. Tudo quanto tem sido possível reunir das antigas culturas indígenas e tribais, de onde evoluiu a civilização, aponta para situações muito próximas: a existência de um líder religioso, conhecido na língua tupi-guarani como pajé, que em toda a pré-civilização fez o papel de curador, conselheiro espiritual e dirigiu ou inspirou os rituais de culto aos deuses.
A palavra xamã é de origem siberiana. A parte nordeste da Ásia é considerada o centro primordial a partir de onde a civilização passou a considerar como religião xamânica a reunião dos conhecimentos que envolvem o culto e os eventos naturais em conexão com poderes místicos e naturais para benefício físico, mental e espiritual do homem.
Os índios do mundo todo praticavam o que hoje denominamos xamanismo. As sociedades não indígenas desprezaram esses conhecimentos por muitos séculos, quase ao ponto perderem-se junto com a dizimação dos indígenas em todos os continentes.
Nos últimos séculos, o resgate das ciências e artes xamânicas ao disseminarem-se pelas populações das Américas e da Eurásia, chegaram ao Tibete, à Europa germânica e às civilizações do sudeste da Ásia, à Península Malaia, à Java, à Bali e à Indochina reduzindo a influência das religiões ditas oficiais.
Com um pouco mais de atenção aos monumentos (totens) e aos rituais indígenas encontrados nos vários continentes, a civilização contemporânea nota e anota o espantoso paralelo existente entre a sua cultura e essa com a qual jamais tivemos contato direto nos últimos 3.000 anos. Prestando um pouco de atenção a isso, chegamos a árvores sagradas, pedras encantadas, túmulos, monumentos, locais de elevada vibração, animais sagrados, que constituem a herança xamânica e povoam o planeta. Os cemitérios sagrados, para os índios, são as notícias mais recente que temos, até porque determinam a entrega de terras outra vez ao domínio dos silvícolas.
Já não se pode duvidar que o xamanismo seja a religião original da humanidade. Foi assim que o Homo sapiens teve contato com o mundo espiritual desde surgiu no planeta há cerca de 175 milhões de anos.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Estudo Comparado das Religiões (I)

Iniciamos aqui uma série que terá doze capítulos. Ao final, se você quiser reunir tudo num só arquivo, terá um interessante trabalho sobre a fé universal.


Introdução

A religião nunca é vinculada apenas ao intelecto. Ela envolve igualmente as emoções que, tanto quanto o intelecto e a capacidade de pensar, são essenciais à vida humana. Não é por menos que as religiões se valem da música, do canto e mesmo da dança, para conduzir seus adeptos a extravasar a tristeza ou a aguçar a alegria. E também expõem obras de arte, pinturas, esculturas e peças que contribuam para acender a imaginação e as emoções. Num nível mais inconsciente, elas servem para resgatar as tradições, valores que nenhuma pessoa consegue renunciar sem crises.
Existem três categorias conhecidas de religiões: as primais, que se alicerçam em grupos étnicos; as nacionais, que funcionam ao lado do poder político em algumas nações; e as mundiais, cuja proposta é atender a toda a humanidade.
Em quase todos os casos são encontrados ritos de passagem, compreendendo o nascimento, a puberdade, o casamento e a morte, bem como uma certa semelhança entre as formas de relacionamento com o divino, que se dá através da oração, do sacrifício e da oferenda.
No planeta, as principais religiões ou têm raiz indo-européia, isto é, provém da cultura indiana, grega, romana e germânica ou têm raiz oriental, isto é, provêm da Ásia meridional e do extremo oriente asiático.
Mais de 2.000 religiões ou seitas trabalham a vitória do bem sobre mal e mesmo o fim do mundo como alternativa de salvação aos aliados de um bem futuro. A maioria dessas religiões proíbe seus fiéis de serem felizes aqui e agora. Incutem em seus seguidores que os seres humanos têm uma culpa, por isso vão sofrer, e a vitória virá no final, quando nada mais restar do planeta, destruído por um Deus colérico, severo, irredutível, distante, pois, da palavra evangelizadora e promissora de um dos maiores ícones da fé dos últimos 20 séculos: Jesus Cristo.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Para sair do buraco

Esta crônica complementa crônicas anteriores que abordaram os processos de castração emocional movidos por maus educadores e maus formadores. Naquelas crônicas, nós provocamos você para a reação para sair do buraco.
Mas, não existe uma fórmula pronta para isso. O processo cultural da humanidade vem ocorrendo em ondas. Em alguns pontos da geografia anda mais rápido, noutros mais lentos. Mas, andam.
Os tempos atuais representam uma onda aparentemente ótima em situações onde seria improvável um avanço.
No Brasil, bem ou mal, começamos lá pela década de 1980, com o “diretas já”. Aquela foi um salto. Existem outros.
Por que falar do “diretas já”? Sem querer alongar, direi que existem três modos de dominação, pela religião. pela política e pelo mercado. Na maioria dos casos os três caminham de mãos dadas.
Presta atenção no Egito de 2011. O período mitológico que entregava ao faraó todo o poder sobre o povo, para os egípcios perdurou até ontem. Mubarack é, talvez o último faraó.
Tenhamos presente, igualmente, os casos dos aiatolás.
Isso serve apenas de exemplo.
O pensamento precisa evoluir e o argumento tem de chegar mais perto de nossa realidade.
Quando você disser “não” a certas situações angustiosas e buscar ajuda para sair delas, você terá amadurecido.
Os egípcios, que já foram modelo de civilização para o mundo, tinham emburrecido e se deixaram levar por um faraó dominador apoiado pelos Estados Unidos com o fim de equilibrar um caos instalado no Oriente Árabe.
Quem sabe um dia também o povo árabe livrar-se-á dos aiatolás e de outros dominadores, inclusive instalados na América do Norte, que sentam sobre seus poços de petróleo.
Para eles, Jesus ainda não chegou com a mensagem libertadora. Os árabes ainda não pensam em libertação. Pensam em vingança.
Atolados no congestionamento do trânsito nós também ainda não nos livramos do mercado dominador que nos manda comprar carros e nós vamos correndo para as filas de compradores.
Veja, leitor, é uma coisa tão simples e tão assustadora...
Mas, é a mais pura realidade.
Caímos no buraco e as barrancas são lisas, a gente não consegue subir. Precisamos da ajuda externa. Jesus é uma mão. Nossa consciência é uma mão.
Pense nisso. Saia do buraco. Cure-se. Cure-se não só da volúpia automotiva. Existe volúpia futebolística, consumista, modista e assim nós vamos votando nos mesmos caras, elegendo os mesmos caras, sendo dominados pelos mesmos caras.
Os egípcios foram pra rua e viraram o jogo. E nós?
Se o exemplo egípcio não é um movimento com características ótimas, que seria então?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Medo, culpa e castigo: a trilogia religiosa

Meio sem querer, meio levados por “uma coisa puxa a outra”, fomos penetrando neste imenso oceano dos sentimentos humanos e, de repente, entre tanta coisa indesejável, surge mais uma, o castigo.
O castigo não é sentimento, é tortura e, como tal, se enquadra como instrumento de crueldade e maus tratos.
Incompetentes para educar (tirar de dentro do casulo), os educadores e formadores instituíram o castigo e sempre foram longe demais nos instantes de “corrigir” os educandos e formandos.
Veja você como são as coisas: antes de nascer, uma criança já tem um monte de gente a traçar-lhe o destino. No meio daqueles que aceitam uma gravidez com entusiasmo, tem também aqueles que gostariam que fosse abortada. Entretanto, provavelmente, a maioria delas deseja o seu bem, a espera com vivo interesse, porém, talvez, nunca tenha conseguido fazer o mesmo em suas próprias vidas.
Veja, um serzinho bem no início de sua formação celular, óssea e dos órgãos, já precisa contar com a boa vontade de muitos, se não não nasce. E é previsível que algumas outras pessoas só estejam à espreita, pensando nas vantagens.
Assim que nasce, aparecem os seus “proprietários” e até aqueles que disputam esta propriedade. Uns com os nomes de dominadores ficam loucos para por as mãos na criança para carimbá-la, rotulá-la. E fazem isso com grande maestria, aproveitando-se de sua inocência. O mais comum e, talvez, o mais danoso método de opressão seja o religioso. Poucos dele escapam.
Outros, com os nomes de tutores ou responsáveis, nem sempre sabem das suas responsabilidades e acabam delegando ou terceirizando a assistência, a educação e a formação do novo ser.
Quando se fala de opressão religiosa, é preciso reconhecer que não é a criança que escolhe a religião, nem o templo que deva freqüentar. Tudo bem, a família responde por isso, mas o batismo deveria ser provisório, aguardando que lá pelos 14 anos o adolescente pudesse rever esta escolha, não sem antes tomar conhecimento das opções que possam existir.
Como são os pais que escolhem e, no geral, levam seu filho para a Igreja Católica, veja aí o que o espera, ainda mais se o filho for mulher. A formação religiosa católica consiste na doutrinação pelo medo, pela culpa e pelo castigo.
Deus não é para amar, é para temer. Ele está olhando tudo o que fazemos e sempre que saímos fora da linha, ele flagra. O serzinho não precisa adquirir consciência do que é bom ou é mau para si. Precisa temer que, ao escorregar, virá o castigo. Ao aterrorizá-lo, enfrequecem-no e retiram de seu coração a condução de suas emoções; entregam esta condução à sua mente. Por sua vez, a mente já iniciada na subjugação, assume o manejo das emoções, coisa para a qual não tem competência. A mente é boa para cálculos, dar troco, estimar tempo, quantificar intensidades, decorar textos, etc., mas não sabe lidar adequadamente com as emoções.
A mente cometerá uma série de barbaridades, cultivará medos, criará obstáculos e manterá limitações na vida da criança. Em um segundo momento, ela será o alicerce de criação das doenças mentais e físicas, que serão atribuídas a fatores externos, o que, apenas em pequena parte, é verdade.
O fruto dos desajustes mentais tem um caminho certo: a zona de conforto. Você irá para o lugar cujo medo será dominado e dissipado por pessoas "mais preparadas" que você, "íntimos do criador", os religiosos ou "conselheiros" outros. Aqui entra tudo: religiosos que não são pais, não têm cônjuges, não têm formação específica para lidar com emoções, nem mesmo com as suas; entram os palpiteiros de rua; e o resultado é uma catástrofe quando não é uma pedofilia e um descaminho para as drogas.
Na verdade, o medo criado e incutido em seu Ser por instituições religiosas ou tentadoras resultará em desequilíbrios que o deixarão vulnerável e ávido por qualquer ajuda externa que o alivie ou o salve. Então, essas crenças sórdidas, na suposta forma de instituições sagradas, oferecerão, aparentemente de graça, o amparo e a solução para suas mazelas (por elas mesmas criadas). Só que isso tem um preço. E caro. É uma conta de matemática: PS = SL + SD (preço da "salvação" = sua liberdade + seu dinheiro). É assim que fazem, simplesmente!
Alguns, notadamente os mais mansos se deixarão levar pelos religiosos e afundarão nos bancos das igrejas, sejam elas católicas, evangélicas ou outras. Outros vão buscar conexões mais profundas com o "sagrado", através de meios de expansão da consciência: alucinógenos, diga-se drogas.
Chegamos aonde chegamos. Temos de sair deste buraco. Temos como? Você está sendo chamado a colaborar. O problema também é seu.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Ira, tristeza, medo e culpa, os vilões da vida

Este blog veio comentando sobre sentimentos que nos diminuem perante a vida e especialmente os quatro piores vilões, que são a ira, a tristeza, o medo e a culpa.
Se não nos cuidamos, esses vilões nos levam aos piores resultados: cadeia, hospital ou clínica psiquiátrica.
Eu sei, você vai dizer de bate pronto: eu não tenho culpa de sentir medo ou raiva, por exemplo e nem quando me bate aquela tristeza danada. A gente vai falar sobre isso já, já.
Com a culpa, porém, é diferente. Culpa, nós sentimos quando nós somos responsáveis por algo que fizemos, deixamos de fazer, dissemos ou nos omitimos de dizer. E especialmente nesse caso, como já foi comentado aqui, em outra crônica, a única providência a ser tomada é encarar a realidade e levar o pedido de perdão, fazer a reparação da falta.
Quanto aos outros três vilões, há que se estender em alguns comentários.

– Ira. Ficamos aborrecidos, irritados com os atos ou palavras de outras pessoas. É inevitável que algo aconteça que perturbe nossos planos. Ficamos zangados até com Deus! Certas pessoas conseguem lidar com essa força e nada melhor que uma oração, uma meditação, uma caminhada, um banho de cachoeira ou de praia para esfriar a cabeça.
Em vez da velha fórmula de criticar e atacar o outro com palavras ásperas, atos de violência, etc., tem pessoas que redistribuem essa energia e após um breve momento de tensão, recobram a serenidade. Livram-se do ressentimento que surge e trás uma secura na garganta ou um aperto no coração. Estamos falando de situações que envenenam nossa alma com pensamentos amargos, que podem gerar atos negativos, condenáveis. Sem falar nas verdadeiras torrentes de hormônios nocivos.
O que não faríamos com paz e tranqüilidade no coração?
E de que somos capazes sob o impulso da raiva?

Vale a pena medir as conseqüências e evitar que se chegue ao Distrito Policial, ao Hospital ou ao fundo de uma cadeia.

– Tristeza. Não existe mar de rosas, sempre, nem céu de brigadeiro, sempre. Marinheiros e aeronautas têm de estar preparados para todos os tipos de situações. Não é diferente com os viajantes por terra. E quem estiver andando pela vida, em qualquer situação, tem de estar pronto para picos de tristeza e picos de alegria. Engana-se e decepciona-se aquele que pensa que só haverá prazer. Haverá também a dor. Na vida de cada ser humano, um pouco de chuva fria tem que cair para aplacar a agruras trazidas pelo sol abrasador. E vice-versa.
Estamos na fossa. Tudo é preto. Estamos desanimados, sem entusiasmo para fazer nossos deveres ou obrigações. Entramos numa “cova” e evitamos contato com outros. Nossa alma deprimida fecha-se para a vida.
É verdade, como vimos, que ninguém escapa de problemas e dificuldades, mas não é bom permanecer nesta fase, nem falar disso o tempo todo, nem pensar nisso o tempo todo. O luto depois da morte de alguém especial é normal, mas nossa vida continua também. Perder um posto ou até nosso emprego é um problema, mas não é o fim de tudo. Uma pessoa equilibrada e sadia sabe conviver com a tristeza na hora certa, e também não deixa sua influência bloquear as outras atividades que continuam.
Um bom filme, um bom livro, um passeio, um amigo especial para conversar... São as coisas que os tristinhos podem recorrer para superar-se e evitar um mal maior. As doenças que atingem as células podem ter origem numa tristeza mórbida continuada.

– Medo. Este parece ser o pior dos vilões. A virtude da coragem tem sido valorizada desde os tempos antigos, pois um bom soldado salva o clã ou a tribo. Mas, não estamos falando da coragem do herói e nem do medo do inimigo real. Estamos tentando falar do medo do vazio, daquilo que nem aconteceu, que nem existe. Dá para acreditar que tem gente assim? Existe o medo bom, aquele de atravessar a rua e ser atropelado, mas ter medo de ficar doente, ficar pobre, ficar abandonado, quando nada indica que haverá doença, pobreza e abandono, é inventar medos.
O medo bom alerta-nos dos perigos dos quais devemos nos defender. O medo ruim nos põe em alerta de mentira e os hormônios (só recomendados em situações de perigo) farão profundos estragos no organismo que teima em se defender do que não existe.
Ter medo é, também, prudência, é reconhecer o fato de que algo de nocivo está por perto. Assim ficamos apreensivos, nervosos, preocupados, desconfiados e temos tantas outras reações. Isso é normal. E certamente passageiro. Mas, há pessoas que passam a vida sentindo medo daquilo que é hipótese ou nem isso. O máximo que conseguem não é evitar o “monstro imaginário”, é dar chance a uma doença grave e quem sabe abreviar a própria morte.
O recomendado para as pessoas medrosas, é doarem-se em hospitais, asilos, creches, penitenciárias. Descobrirão que sua coragem é imensa e não dá lugar a medinhos de pouca monta.

– Culpa. Viemos falando de culpa e aqui temos um novo enfoque sobre ela. Existem dois tipos de culpa: saudável e não-saudável. Saudável é a que sentimos quando fizemos algo errado, um pecado ou crime. Sabemos que praticamos algo mau, contra a lei moral, contra Deus, contra a lei civil e não há outro modo do que oferecer-se para reparar. Culpa não-saudável é uma aberração emocional, quando nos sentimos mal por algo que não foi de nossa conta. É sentimento neurótico de culpa. Não é necessário. É doença mental que pode ser curada com tratamento médico.

Em resumo, queremos lembrar que nossos atos e atividades são frutos de nossa maneira de ser, pensar, falar, agir. As nossas atitudes são a vitrine de nossa índole.
Como reagimos diante de qualquer situação, aquilo que fica mediando entre instinto e ação, a isso damos o nome de atitude. Um exame de consciência, forjando situações que nos levariam a reagir ou fazendo uma retrospectiva de nossas reações diante da vida nos últimos tempos, dizem bem de “como estamos dirigindo nossa vida”.
Nossa maneira de pensar pode ser alterada pelos sentimentos, sentimentos que estão fora de nós e nos alcançam e sentimentos que geramos dentro de nós (nesse caso emoções) e alcançam os outros. Alguns deles ofuscam a objetividade da razão, outros nos põem em pânico. Nestas condições somos levados a imaginar atos de agressão e violência quando estamos zangados; a deixar de cumprir nosso dever quando estamos tristes; a nos arriscar quando estamos alegres; a fugir do perigo quando temos medo; a arrepender-nos do mal cometido quando sentimos culpa pelo que fizemos.

Os sentimentos não são nem bons nem maus, eles são instrumentos que a vida nos entrega para construirmos os jardins aonde queremos habitar. Eles pesam bastante na maneira de enxergarmos a realidade à nossa frente. Não sentir nada é impossível. As minhocas têm sentimentos. Somos sentimentais. Os nossos sentidos que os digam.
A questão é reconhecer os sentimentos e emoções que funcionam em nossa vida e, depois agir segundo a expectativa de que os resultados sejam os melhores. Sem medo de feliz e sem coragem excessiva (diga-se ira) capaz de jogar a felicidade fora. Sem reflexões que levem à tristeza contínua e sem a leviandade que permita a existência da culpa.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A culpa

A culpa é um sentimento perverso que corrói o íntimo da pessoa e a desmerece, torna-a indigna perante os elevados valores da moral. Esta frase seria construída de modo diferente se a pessoa presumivelmente culpada tiver caráter mal formado e pretender achar motivos para justificar-se e escapar ou diminuir a culpa. Neste caso, ela sempre mentirá para si mesma (e para os outros), o que não é nada fácil, pois a consciência é um tribunal de muita severidade e, mais cedo ou mais tarde, fará aparecer sua sentença.
Nos casos de empurrar para baixo do tapete, fingir, esconder a culpa, os estudiosos da índole humana acharam um jargão popular para configurar esta operação: entupir os porões com aquilo que queremos esconder, jogar escuridão sobre os conteúdos culposos. E advertem: é no escuro que esses conteúdos prosperam, tal qual o mofo ou bolor. Resultado: ditos conteúdos se agigantarão e se transformarão em monstros ameaçadores, com os quais a pessoa passará a se debater, perderá a serenidade, não dormirá tranqüila, terá sonhos horríveis, pesadelos, quererá drogar-se para dormir e sempre as coisas ficarão piores. Esta é a face do tribunal, a sentença de que falamos atrás.
De modo genérico, a culpa pode ser zerada ou diminuída mediante a humildade do culpado em assumi-la e tratar de consertar a situação que tenha dado causa ao ato culposo. Se não o fizer, passa a haver o dolo.
E como sabemos, no Direito Brasileiro, culpa é um delito, dolo é um crime. Isto é, culpa tem origem num ato sem intenção. Dolo tem origem num ato calculado ou planejado.
Ao falar da culpa, na crônica de hoje, não estamos tratando do tema sob a luz dos tribunais de justiça humanos e sim sob as luzes da consciência, que é o nosso juiz individual. E então cabe a pergunta-raciocínio: se sem intenção caímos em culpa, por que transformá-la em dolo pela simples teimosia de não querer assumir a autoria ou responsabilidade pelo ato ou palavra?
Mais uma pergunta-raciocínio: por que jogar no escurinho do porão um filhote de bicho-papão que se transformará em monstro e infernizará a nossa vida?
O único papel que resta à pessoa culpada é consertar o escorregão que dá causa à culpa e acabar com a escuridão do porão, conquistar a dignidade de olhar para seu anjo de guarda, dormir feliz, andar em beleza.
Porque se assim não fizer, além de tudo, estará na rota de uma doença de fundo emocional.
Existem quatro sensações que podem matar uma pessoa, uma delas é a culpa. Ainda voltaremos a este assunto. Continue visitando-nos e lendo as nossas crônicas. Recomende o blog aos seus verdadeiros amigos.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A raiva

A raiva não é um sentimento, é uma emoção reativa. É o resultado elaborado em nosso íntimo após um sentimento negativo. Somos levados a ter raiva contra algo ou alguém que nos tira a estabilidade, decepciona-nos, nos incomoda, nos ofende. Lutar para que se tenha a estabilidade é uma virtude e uma necessidade. Perder a estabilidade é um acidente indesejado. Por isso reagimos. A raiva é a reação. Expressá-la é normal. Mantê-la é transformá-la numa espécie de ódio e já então não mais como uma reação é sim como um novo sentimento. Note-se que alguns sentimentos têm origem em emoções incontroladas. O ódio é um deles. Pode ter origem na inveja, na raiva, no medo, na humilhação e pode transforma-se em vingança, ira, crueldade e truculência. O ódio representa o caos, o outro extremo da estabilidade.
Não expressar a raiva, porém sem deixar de senti-la, é comportar-se à beira da loucura, incendiar uma bomba dentro de si mesmo e fechar as comportas para que não se ouça o estrondo.
Quando expressamos a raiva abertamente e de forma contínua, passamos o atestado de contrariedade e nos sentimos fora do contexto. É como querer que o mundo se adapte a nós, remar contra a maré ou ter raiva do mar, do vento ou da chuva.
Expressar, com sinceridade, uma raiva escondida – que não virou ódio – é um extraordinário avanço psicológico.
E há, finalmente, uma série de contrariedades íntimas que algumas pessoas reprimem por muito tempo e que, se potencializadas, podem vir à tona como raiva, hostilidade, crueldade. Aí, normalmente, se torna um caso de polícia ou de justiça.
E não há dúvida, existe aquela raiva que mora conosco por nossa incompetência de dissipá-la. Esse é o momento em que nossa alma pede paz e nós pedimos guerra. O resultado disso é um câncer ou coisa pior.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Pecados capitais

Antes de tudo, uma definição para “pecado”: na gigantesca tentativa de domar o ego retirando dele as deturpações que só desmerecem o ser humano, a Igreja Romana foi buscar uma palavra que pudesse nivelar todas as imperfeições da índole, do caráter, da personalidade e encontrou essa aí, “pecado”, algo muito próximo de “corrupção”. E assim, a Igreja chegou aos pecados capitais, aqueles que vetam a evolução da alma. São sete: soberba, gula, luxúria, avareza, ira, inveja e preguiça.
Tomás de Aquino elaborou esta lista e deu para ela uma interpretação.
O ser humano procura satisfazer três necessidades naturais e ao andar nessas direções pode cair em pecado. As conseqüências de uma condução equivocada:
Vilipendia o bem da alma – e tem relação com a busca da superioridade através da honra e da glória, levando à soberba e à vaidade e perde a humildade, perde as qualidades essenciais ao espírito.
Vilipendia o bom do corpo – e tem relação direta com a conservação do ser humano e da espécie, pois ao exagerar na busca do alimento, chega à gula e adoece; ou se exageradamente estiver relacionado aos prazeres da carne e chega à luxúria e se torna neurótico.
Vilipendia o bem das coisas exteriores – ao apegar-se exageradamente a valores materiais e chega à avareza e se torna escravo do dinheiro.
Ainda há outras situações em que também se caracterizam como pecados além dos quatro já incluídos. É quando ainda em busca por satisfazer as necessidades do ego, o ser humano ainda acrescenta mais três:
Ira – enquanto desejo de vingança e enquanto alterações fisiológicas que ela é capaz de provocar. Fora da razão, a ira vai de encontro à moral e pode levar a doenças psicológicas, perturbação da mente, insultos, clamor, indignação, blasfêmia, rixa.
Inveja – caracterizada pelo ato de diminuir o bem do outro ou falar mal dele. Quando movido por uma espécie de ódio, o invejoso passa a desejar o mal ao invejado. Se consegue seu intento, pode realmente exultar pela adversidade do próximo; se não consegue, cai em depressão.
Preguiça – ou acídia, é o tédio ou a tristeza em relação aos bens interiores e espirituais. Se por um lado o ser humano age movido pelo prazer, por outro faz muitas coisas levado pela tristeza, seja para evitá-la ou por ser arrastado pelo seu peso. É justamente esse tipo de acídia que se concebe como pecado capital.
Enquanto não libertar-se dessas corrupções uma alma permanecerá na sombra. A luz não vem até nós, somos nós que temos de avançar em busca dela.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O que é perdoar

Viemos aprendendo ao longo de nossa história pessoal religiosa que o PERDÃO é algo sublime e que devemos perdoar sempre. O raciocínio que segue, absolutamente, não é contra o ato de perdoar, mas é favor da responsabilidade que encerra o ato de perdoar. Conhecemos o instituto da confissão, penitência e perdão dos pecados, criado por algumas igrejas e não concordamos com isso porque permite aos contumazes pecadores terem suas faltas zeradas e novamente repetidas por conta de uma benevolência religiosa irresponsável. A humildade com que nos dirigimos a um sacerdote ou a um amigo para confessar uma falta cometida, não nos pode isentar de culpa e de responsabilidade quanto ao mal possivelmente causado a outrem. E nem pode o sacerdote e o amigo assumir a iniciativa da indulgência porque não terão autorização para isso sem cometerem o mais bárbaro dos atos humanos: declarar alguém limpo de culpa e responsabilidade sem haver estado no extremo do ato gerador da falta.
Imagine-se alguém cometendo um barbarismo contra nós e, por força de nossa consciência espiritual, oferecermos graciosamente a ele o perdão, facilitando ao bárbaro prosseguir pela vida afora sem a busca da transformação. Imagine-se o seu filho retido numa barreira policial por excesso de velocidade, ato contínuo ser recebido pelos pais sem nenhum corretivo. Imagine o morador de um condomínio infernizar a vida dos seus vizinhos com barulho excessivo e, apenas porque tem poder financeiro, ser multado por isso e ficar tudo como está. Não pode haver este “perdão” irresponsável em qualquer uma das três situações colocadas como exemplos. O bárbaro tem de ser domesticado porque barbarismo não é o objetivo da sociedade. O velocista tem de corrigir-se porque ele é um assassino ou suicida em potencial, coisas que a sociedade também não pode incentivar. E o riquinho barulhento tem de enquadrar-se nas regras da vida de condomínio porque fazer e ouvir barulho não faz parte da vida em vizinhança. Se facilitadas as suas travessias por dentro da ilegalidade ou contravenção, praticamos todos, por convenção cultural, outros perigosos barbarismos ao aceitar como coisa leve, quem sabe normal, o cometimento, no primeiro caso, de um barbarismo, no segundo, de um ensaio para a morte e, no terceiro, a generalização do caos comunitário.
O que é, verdadeiramente, o perdão?
O que devemos fazer para agir corretamente e evitar a repetição das barbaridades?
O perdão não deve ser um ato gratuito. O bárbaro tem de receber uma punição e depois de reeducado deve receber uma oportunidade de retorno ao convívio aos normais. O velocista deve perder a chave do carro, rodar de ônibus ou em companhia de motoristas normais até ter consciência de qual é a velocidade segura para um veículo. O barulhento deve ser convidado a retirar-se da companhia dos seus vizinhos (premissa prevista no Código Civil) e, se não enquadrar-se à vida dos demais, ser levado à expulsão por medida judicial.
Cabe a eles solicitar uma oportunidade de reparação, de reaquisição da dignidade ferida. E aí, sim, o perdão terá tido razão de ser. Sem o sincero arrependimento e a oferta de reparação do mal causado, não se trata de perdão, se trata de indulgência.
O perdão tem de ser uma atitude amorosa responsável para com a devolução da dignidade do faltante. Fora disso, já dissemos, não há, não pode haver, amorosamente, o perdão.
Quando concedemos o perdão sem essa motivadora reconstrução do caráter do faltoso, seja ele o presidente da República, o esposo, o filho, o vizinho ou o assassino desconhecido, estaremos levando a humanidade para o barbarismo e não para a civilização.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Cadê o seu anjo?

Você acha que é bobagem pensar que nós temos guardiões espirituais, espécie de guardadores, guarda-costas, protetores, guias?
Nenhuma literatura espiritual nega-os.
A palavra "anjo" é derivada da palavra grega "angelos" que significa mensageiro.
Eles também podem ser chamados de "filhos de Deus".
Para explicar o que seriam os anjos, há duas correntes: Uma que diz que os anjos são seres supernaturais criados por Deus para proteger os humanos, distintos da raça humana. A outra diz que são os espíritos evoluídos que alcançam a quase perfeição e são nomeados anjos daqueles que ainda não chegaram lá.
Os anjos teriam sido criados para nos ministrar, são os escudeiros da salvação. Eles estariam entre nós para nos ajudar, guiar-nos e inspirar-nos.
Todos nós temos um anjo guardião olhando por nós para nos proteger de todas as energias ruins.
Lúcifer, apontado por algumas literaturas como “o coisa ruim”, para não dizer aquele outro nome, era o mais alto arcanjo de Deus, o Arcanjo do 1º raio. Rebelou-se, quis substituir Deus, O traiu e foi afastado para que retorne transformado.
Muitas tradições religiosas vêem em Lúcifer a lenda do homem expulso do Éden. Ele tinha passado por toda a hierarquia dos seres cósmicos e quando teve acesso à árvore do saber, quis também se apossar da árvore da vida.
Ele foi desde uma simples Salamandra, até chegar a arcanjo, que tudo sabe. Ele conhecia a origem de tudo e não aceitava mais servir ao mundo atômico.
Segundo a lenda, Lúcifer pensava:
– "Porque tenho de servir a estes seres que nada sabem?"
Bem, ele esqueceu-se de que tudo sabia justamente para poder servir aos seres que nada sabem. Esta era a razão de sua existência. Caso contrário, ele não existiria.
Ao se rebelar, tentou comandar o mundo e o cosmos, mas não possuía capacidade para isso, então foi para o mundo da destruição.
Novamente a lenda do anjo caído-homem, da geração de Adão:
Depois de iniciada a trajetória destruidora, Deus nunca o abandonou e sempre tem deixado a oportunidade para que o rebelde se emende. Deus enviou o Arcanjo Miguel e seus anjos para que colocassem na terra os anjos caídos expulsos do Éden, liberando assim o Paraíso e o cosmos da rebeldia do seu Arcanjo caído.
Por que Deus teria mandado Lúcifer e sua legião para a terra? A resposta é simples. Seja feita a sua vontade ó Deus, assim na terra como nos céus. Deus espera que sigamos o seu exemplo, dando a ordem aos nossos Arcanjos e anjos, para que convertam este infeliz retirando de nossa prática as ações que nos nivelam a ele. Lúcifer e seus anjos caídos sentir-se-ão impotentes quando ninguém seguir as suas normas e serão reformados e aquecidos pelo fogo sagrado no coração do grande Sol central.
Quando Lúcifer veio à Terra, e desceu com todos os seus anjos, atacou diretamente as chamas gêmeas, separando os amores e suas forças mortais ao seu ódio. Lançou a sensualidade para fazer com que o homem fosse atraído a pensar no desejo e não pensar e desejar. Lúcifer trabalha com o ímpeto, a impulsão, ação antes de projeto, prazer antes de mérito, luxo antes de trabalho, conquista antes de amor. E sua vitória é a derrocada do homem. Esse lobo mau só continuará agindo se nós dermos alimento a ele.
Essa é a palavra de ordem dos anjos guardiões do bem a todos quantos ainda balançam entre a vantagem e o mérito, entre a verdade e a versão, entre a responsabilidade e a justificativa, entre a caridade e o egoísmo.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O Trabalho

Em algum momento da História do Homem, na escravidão, por exemplo, trabalhar era depreciativo, coisa para a escória, para escravos, para os animais. Mas, nada fazer também era vazio, sem importância. Nesse ponto surge a negação ao ócio, logo reduzida para “negócio”. O homem de negócios era aquele que fazia algo, discutia algo, vendia algo, comprava algo, pagava, investia, chefiava. Estava nascendo o empresário, o líder político.
Era tão confuso o entendimento do trabalho para senhores e escravos que, alforriados, muitos ex-escravos buscavam tornar-se verdugos de seus próprios ex-companheiros de infortúnio; decretada a abolição da escravatura e obrigados a trabalhar, muitos ex-senhores de escravos preferiam o suicídio. E muitos ex-escravos se apresentavam nas propriedades dos ex-escravocratas pedindo para ficar de favor.
Trabalhar não pode ser confundido com sofrer, apesar das conotações equivocadas e das tiradas filosóficas confusas somadas aos ditados populares: “aquele lá só dá trabalho”, este usado para qualificar alguém que causa problemas, incomoda.
A natureza inteira trabalha, labora, e nunca demonstra insatisfação por isso, pois se veste de cores e entoa cânticos de grande harmonia enquanto trabalha ou labora.
E assim nasce uma segunda palavra para expressar o ato de fazer: laborar, proveniente do ato de lavrar ou lavorar, abrir sulcos para depositar as sementes na terra, fazer lavoura, cultivar ou também para elaborar, criar, inventar.
Assim também já vem mais uma conotação a partir da expressão cultivar. A nossa cultura, ao longo dos milênios é fruto de um constante fazer, repetir, confirmar, saber.
Na mais recente interpretação para o trabalho, os pensadores modernos afirmam que tudo é energia e que energia só é energia se estiver em movimento, vibrando. Por isso, as árvores, as plantas, os peixes, as águas, os ventos, os pássaros, os animais, os cosmos trabalham permanentemente em prol da vida, do movimento das energias. Portanto, na qualidade de mais um componente da vida, cabe ao homem também trabalhar, como trabalha seu coração, seus rins, etc. em prol da vida. Sem o trabalho, o homem é sinônimo de estagnação e estagnação energética é uma doença, é a putrefação, é a morte. Sem trabalho, o homem é um doente que precisa mexer-se, do mesmo modo que se mexem todos os seus órgãos para que ele, homem, possa estar vivo.
As águas que não se mexem são águas apodrecidas, tóxicas, não potáveis. O homem estagnado é candidato à podridão, isto é, morte do corpo, toxidez da mente, não ter aproveitáveis as suas idéiuas.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A informação liberta

O objetivo “maioridade espiritual” que motivou a criação deste blog no início de 2010 permite buscar a cidadania como pressuposto de crescimento para a espiritualidade. Vale dizer: se você gosta de animais apenas porque tem um cãozinho no colo, é pouco. Se você vai às urnas apenas para evitar a multa do TRE ou para obter o documento-prova de haver votado e exibi-lo na repartição, é pouco, quase nada. Você é um ser temerário.
Se você não separa o lixo doméstico, você é um perigo para o planeta. Se você reduz a velocidade na estrada quando vê uma luz vermelha piscando, por medo de que seja a polícia rodoviária ou por curiosidade, se for a ambulância, você precisa se tratar. Excede a velocidade não por consciência de que a velocidade mata; e a sua fissura por ver latas retorcidas e corpos dilacerados não é uma reação normal de quem dá prioridade à vida.
Talvez estas informações até agora relatadas possam nada produzir em seu íntimo, mas um dia você vai ter que parar e quando isso acontecer muita coisa mudará. A informação vem por consciência ou vem pela dor.
O desejo motivador desta crônica de hoje é o Egito. Aliás, o mundo árabe, dominado por dinastias de poder está transformando-se. Causa: a internet.
A juventude, principalmente, através das redes de relacionamento e com o intenso uso do internet, está dando um basta aos ditadores, faraós, reis...
Aquele velho padrão mitológico pelo qual o rei era ungido pelos deuses foi longe demais. A hora de virar o jogo chegou e irá longe. A informação liberta em qualquer situação. Liberta até mesmo para que você decida ser péssimo para a vida, inclusive a sua. Você escolhe. O resultado será sempre seu. Ninguém virá salvar você ou amenizar a sua dor se você não quiser curar-se.
A informação serve para isso. Estou falando de informação, não de lero-lero destinado à escravizar como fazem os ditadores árabes e não árabes e como fazem sacerdotes e outros dominadores de consciências.
Se você nunca se interessou por ler algo sobre outras correntes de fé, além da sua, você não é livre, não escolhe, e o seu resultado não será seu, será do seu guru.
Você entendeu agora o que significa esta coisa de maioridade espiritual. É a maioridade física, mental, intelectual, emocional desembocando na dimensão espiritual.
A informação liberta. Sempre.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

190 milhões em ação...

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou no final de novembro/2010, os primeiros dados definitivos coletados pelo Censo 2010. Segundo o instituto, em 1º de agosto, quando começou a pesquisa, o Brasil contava com uma população de 190.732.694 de pessoas.
Uma pequena maioria de mulheres causada pelo excessivo número de óbitos masculinos, por conta das guerrilhas do tráfico de drogas e dos acidentes de trânsito, em que as vítimas são quase só homens e, o mais grave, jovens de até 35 anos.
Curiosamente, os mortos do tráfico de drogas são de classe C e D e os mortos do trânsito são de classes A, B e C.
Sem dados oficiais para subsidiar a afirmação, a Polícia trabalha com a hipótese de que a maior fortuna que sustenta o mercado das drogas venha justamente das classes de maior poder aquisitivo, que consome sem estardalhaço, mas sustenta os cartéis das drogas, onde se sentam aqueles que realmente lucram com o negócio.
Uma outra fatia social consome a droga com o estardalhaço dos assaltos a postos de gasolina, farmácias, padarias, mercearias, etc.: são os consumidores das classes menos favorecidas, sem poder aquisitivo, e que não têm o apoio dos traficantes porque desperta a ira da sociedade e chama a atenção da polícia.
Antes dos cartéis, está o produtor de coca que, no geral, é um plantador, um silvicultor, localizado nos Andes e geralmente pobre. Depois dos cartéis, está o traficante oriundo das classes pobres, a quem a sociedade e o país negam uma boa formação moral e uma boa qualificação profissional e ele, levado pela ganância dos ganhos fáceis (coisa que pertence à cultura da vantagem), se entrega a uma atividade ilícita, um mundo de coisa ruim e de perturbação.
Que bárbaro discernimento: os consumidores de poder aquisitivo alto sustentam os atravessadores, contrabandistas, planejadores das operações de exportação (entre esses alguns laboratórios produtores de drogas farmacológicas) e fornecedores dos negociantes regionais, aqueles que detêm o controle sobre uma cidade, um bairro. A montante, estão os plantadores de coca, gente pobre. A jusante, estão os boys entregadores do varejo, gente pobre. A jusante também estão os consumidores pobres que sustentam o vício assaltando, roubando, matando.
Você, leitor, percebe como seria relativamente fácil de estancar a sangria se os governos quisessem, mesmo, resolver o problema nas duas pontas pobres?
Digamos que a legislação fosse alterada para que o envolvido com drogas tivesse prisão perpétua, sem progressão de pena, isto é, sem liberdade condicional. Digamos que o governo viesse a oferecer aos boys da entrega cursos de formação profissional casados com emprego concomitante garantido, mediante o acordo legal de que quem aderisse e se entregasse e colaborasse com a polícia, teria sua pena zerada.
Lá nos países produtores de coca os governos também teriam de promover a reconversão daqueles produtores, em paralelo a uma legislação que declarasse criminosa aquela produção.
Isso é um sonho? Pode ser. Mas, quem não sonha não vive.
A partir do momento em que não houvesse produção, escasseasse a disponibilidade de entregadores, os preços da droga iriam lá pra cima ou, mesmo, faltaria o produto. Os viciados de classe A e B iriam enlouquecer atrás do produto e o governo teria a oportunidade de identificá-los e de oferecer-lhes tratamento adequado.
Você, leitor, que também toma interesse pelas coisas que nos destroem, está convidado a conversar com seus amigos e vizinhos e tirar desses diálogos algumas propostas para fazer chegar aos políticos de suas relações.
O que não dá para fazer é ficar só olhando e encrespando o cenho.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O dom da profecia

Hoje, o conceito de profecia se liga diretamente a previsões para os tempos futuros, adivinhações.
Mas, nem sempre foi assim.
Profetas eram os médiuns e profecias eram as suas revelações.
Havia diversas categorias de profetas. O mais famoso deles foi Moisés, há mais de quatro mil anos. Entendia-se que o verdadeiro profeta é aquele que recebe seus conhecimentos diretamente de Deus. Vejamos o que falou o rei Nabucodonosor da Babilônia acerca de Daniel, quando este foi ao seu palácio interpretar um sonho do rei: "Tu, maior dos profetas que, como bem eu sei, traz em ti o Espírito do Deus sagrado, para quem nenhum mistério é insolúvel..." (Daniel cap. 4).
Isaías assegura: "A boca do Senhor disse isso...".
Quem quisesse ser considerado profeta deveria se referir sempre ao Espírito de Deus, ao Espírito Santo e demonstrar muita devoção e pureza de coração. O próprio Nostradamus citava o profeta Joel para justificar-se: "Derramarei meu espírito sobre todas as carnes e vossas filhas e vossos filhos irão profetizar, falou o Senhor", através de Joel.
Prossegue Nostradamus: "Tais profecias aconteceram pela boca do Espírito Santo, que possui o eterno e ilimitado poder, unido à força dos céus. Através dele, muitos profetas predisseram grandes e maravilhosas coisas. Eu não me intitulo profeta. Mas reconheço que tudo que digo vem de Deus" (Prefácio ao rei Henrique II).
Era muito fácil, no passado, invocar Deus e conversar com Ele. Nos tempos atuais sabemos que isso é um grande absurdo: ou o médium mentiu sobre a fonte e origem de suas revelações ou o espírito comunicante blefou para ganhar importância. A tomar como hipóteses sérias, aquelas comunicações devem ser colocadas sob suspeita.
Comunicações divinas enviadas ao universo humano não partem diretamente de Deus e sim de inteligências por Ele autorizadas.
Mas, voltemos um pouco aos costumes antigos.
O segundo grupo de adivinhos citado por Moisés, é o dos doentes mentais e vigaristas. No entender da ciência gnóstica os médiuns são sujeitos doentes, precisam passar pelo sofrimento para desenvolver essa qualidade.. Nem sempre são vigaristas - embora esses existam em todos os lugares (até mesmo no meio gnóstico).
Muitos são sinceros e equivocados. Esses têm como único pecado sua própria ignorância.
Quanto aos doentes, existem muitos tipos de doenças psíquicas, obsessões e possessões, todas passíveis de serem tratadas.
Quase todos os médiuns são intuídos por "espíritos" - que sempre dizem ser "de luz". Nem sempre o são se tomarmos “luz” por uma grande consciência iluminada. Se for uma pequena consciência, ela também é iluminada. Existem centros espíritas ou de umbanda cuja vibração é muito baixa e os espíritos de grande luz nem por perto deles se acercam. Os Espíritos de Grande Luz, quando se manifestam, o fazem diretamente a uma ou mais pessoas, médiuns de elevadas qualidades ou virtudes, como tivemos e temos em nosso Brasil, com destaque especial para Chico Xavier.
Esse tipo de fenômeno é muito antigo. O Novo Testamento, mais exatamente o Atos dos Apóstolos, cita os "feiticeiros", os "mágicos" e os "adivinhos" - que as vezes falam a verdade. Mas detalha com riqueza a reunião espiritual realizada pelos apóstolos, já sem a presença de Jesus, no dia de Pentecostes.
O apóstolo Paulo encarava as profecias como um dom muito especial. Numa carta escrita aos coríntios, disse: "Porque a um é dado, através do Espírito, o dom da palavra (o poder do Verbo). A outros, pelo mesmo Espírito, é dada a palavra da percepção (clarividência). A outros ainda é dada a fé, o poder de cura e outros dons especiais. A esse, o dom de profetizar e, àquele, a capacidade de distinguir espíritos. E a outros, o dom de entender (falar) várias línguas”.
No Antigo Testamento, bastava um profeta errar uma profecia para ser apedrejado. Isso, para eles, era prova de que o que ele dizia não era Deus que falava por seu intermédio, porque Deus jamais erra. Nos tempos atuais, "profetizar" virou um rentável negócio... E ninguém é apedrejado em praça pública quando suas previsões falham.... Que o digam os economistas e políticos, dentre outros...