quinta-feira, 31 de março de 2011

Saber Viver (V)

Um breve retrospecto de nossa epistemologia espiritual

Nos últimos 25 séculos, a humanidade andou pouco em busca da verdade última. Os últimos 300 anos foram, porém, exuberantes. E os próximos 50 podem ser ainda mais.
A lentidão experimentada nos 2.500 anos últimos pegou adormecido o interesse religioso quando surgiram os principais inventos que impulsionaram o desenvolvimento industrial e tecnológico. A questão puramente moral não acompanhou os principais avanços em todas as demais áreas. Estamos quase aptos a desembarcar em outros planetas, mas não estamos aptos a lidar com nenhuma manifestação de vida, seja ela mineral, vegetal, animal ou humana. O homem não quis conhecer a Deus, quis substituí-lo.
Por conta do interesse não de colaborar, mas de substituir a Deus, a grande maioria dos filósofos e religiosos do planeta trabalhou um diagrama chamado “A Grande Cadeia do Ser” (matéria/corpo/mente/alma/espírito, que também pode ser lido como física/biologia/psicologia/teologia/misticismo) como filosofia oficial da maior parte da humanidade civilizada. Pretendeu-se adotar a escada para chegar lá em cima (onde estava Deus) ao invés de procurar o Mentor da Vida dentro da cadeia, onde aprisionaram a criatura. O ser humano era vários seres ao mesmo tempo, nunca o único, íntegro. Esta “verdade” alcançou o maior número de mentes especulativas mais sutis com as bênçãos dos grandes mestres religiosos tanto orientais como ocidentais.
A metafísica, como regra geral, simplesmente supôs que esses níveis de realidade existiam e depois passou a usá-los para explicar o mundo, Deus, a alma, a libertação, a salvação, o nirvana e o sofrimento, o pecado, a ilusão, a impureza, etc.
Porém, com a mudança na filosofia pós-moderna, essas estruturas exigiam explicação (defesa) e elas não puderam ser defendidas simplesmente desta forma porque não atendem aos padrões do pensamento pós-moderno, nem das metodologias críticas. O que se evidenciou na pós-modernidade pela via da pós-metafísica integral, é que, de fato, se pode explicar todos os ingredientes necessários à metafísica ou de uma filosofia espiritual sem elas ou apesar delas.
Os xamãs de um tempo muito remoto faziam na prática a travessia dos estados mentais para os estados transcendentes sem nenhuma escala complicada. E colaboravam com Deus e com a vida.
Esse é o segredo: a cadeia degradante pode ser rompida. O rompimento não é uma dádiva da mente, é uma iluminação proporcionada pelo espírito. O espírito não está no topo da escada, está em tudo.
Condicionados pelo mecanicismo que gerou a cultura materialista nascida com o Iluminismo e agravada pelo ateísmo científico, os filósofos foram construindo degraus após degraus que imaginavam capazes de levar o homem à dimensão sobrenatural com o tácito entendimento de que para chegar lá havia que vencer toda a escada. Juntavam realidades conhecidas e projetavam realidades imaginadas. Faziam algo certo e algo equivocado.
Esses níveis são uma parte da verdade. Eles representam uma parte da evolução havida durante quase 14 bilhões de anos: a matéria surgiu com o Big Bang, a sensação com as primeiras formas de vida, o impulso com os primeiros répteis, a emoção com os primeiros mamíferos, os símbolos com os primeiros primatas, os conceitos com os primeiros humanos. Desenvolvemos-nos durante bilhões de anos do estado mais rude para o estado mais nobre. E a ser esta toda a verdade, o homem físico-cérebro ganhou um espírito e teria de crescer para merecer chegar à dimensão mais alta. Assim a dimensão mais alta só poderia ser alcançada daqui a alguns bilhões de anos mais de evolução biológica para que se desenvolvesse um super cérebro.
Duas coisas haviam sido desprezadas: os xamãs já faziam a conectividade com a dimensão mais alta há 10 mil anos e esta conexão não se dá com o cérebro material; esse é o papel da consciência. E a consciência tem de ser melhor conceituada. E o homem não é dual como os filósofos modernos entendiam ser a sua realidade.
Aqui, então, há que atualizar o conhecimento de moderno para pós-moderno, de metafísico para pós-metafísico e de materialista para hoslítico-integral.
Chegamos ao tempo da integralidade, de unir o que estava separado, de buscar os fragmentos, inclusive do conhecimento científico. Tempo de reunir o que seja compatível entre as diversas tradições religiosas. Então também é preciso buscar o concurso do conhecimento mais expressivo sobre o Espírito e, para isso, temos de buscar a contribuição de espíritas e teosofistas.
Por que os xamãs praticavam a travessia apesar de toda a sua condição de “atraso cultural”? É porque eles nunca se imaginaram separados. Eles eram um com o que é atemporal, eterno e futuro, inteiro, não metade. Pareciam ensinar que não existe um átomo, uma célula, uma molécula, um órgão, um corpo, uma mente, uma alma, um espírito, separados uns dos outros por escalas e sim por hierarquias, e que nem dependia de elevador para alcançá-los, pois tudo é um universo só, dominado por aquele que está mais amplo, e que ir e vir é um estado e não um estágio. O mais amplo pode visitar o mais restrito e nele operar. Não o inverso.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Saber Viver (IV)

A Angelitude do Ser Humano

O Homem terá completado sua trajetória na condição humana quando ascender ao nível espiritual, não dual, isto é, quando completar o caminho de volta para Deus. Isso é consenso para as seis principais correntes de fé: o hinduísmo, o budismo, o complexo religioso chinês, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.
Por caminhos variavelmente diferentes, todas as culturas religiosas citadas sinalizam para o homem um retorno à glória divina, perseguida enquanto presente na vida física e de retorno ao paraíso perdido ou de resgate da dignidade perdida quando os liderados de Lúcifer perderam o status de anjos bons.
Partindo da visão mais arcaica de homem e de mundo adquirida ainda antes da chamada Idade da Pedra, a humanidade tem se esforçado para encontrar-se, mas o aprendizado tem sido lento. Talvez tenhamos feito muito mais nos últimos três séculos do que nos doze mil anos anteriores. Poder-se-ia dizer que saímos da nossa infância marcada por aquele Austrolopithecus afarensis e demoramos vários milênios para chegar ao Homo sapiens. O que há de errado nisso? Nada. Isso só está sendo anotado aqui para que tenhamos tempo de nos preparar para o que vem seguir. E assim mesmo se o leitor puder aceitar que a trajetória não é só biológica, que há mais coisas nesse meio.
Apesar do tempo decorrido e da espantosa evolução biológica, ainda não podemos nos gabar de termos alcançado a Maioridade (Espiritual – se o leitor aceitar dar este nome para aquela “coisa” a mais que há em nós). Mas, a maioridade está a caminho. Nem sabemos, verdadeiramente, em que altura da caminhada nós estamos. Há que reconhecer: não existe uma contagem matemática para nada, nem mesmo para o critério usado para definir a maioridade civil. Quando é que o ser humano estará maduro? Ainda não sabemos.
A ciência deixará de afirmar que o processo evolutivo se dá pela expansão do cérebro e se inclinará a recomendar que o cérebro expande-se pela demanda espiritual. Vale dizer, pois, que o que puxa a evolução biológica é o espírito. Os espíritas, entre outros, fora daquela imensa lista de principais correntes de fé, entendem que o espírito, como princípio inteligente, é criado simples e ignorante, e mandado para o convívio com a matéria, onde deve capacitar-se e ser testado em suas sensações, impulsos, instintos, emoções, símbolos, conceitos, elaborações para merecer o retorno à dignidade perdida.
O mergulho adaptativo no mundo rudimentar da matéria e a sua emancipação como confluência energética promove o Homem sob a forma de uma Inteligência capaz de receber um complexo corpo humano e iniciar uma nova trajetória educacional que o levará aos mais altos graus permitidos à inteligência humana.
Não se sabe quanto tempo tenha se passado entre o início da humanidade e as suas primeiras concepções sobre Deus. O que se sabe é que antes dos judeus, outras civilizações bem mais antigas já haviam desenvolvido uma consciência espiritual, como se conhece. E antes? Nada foi escrito. Ou foi? Importa considerar que no tempo decorrido entre Moisés e Jesus houve uma intensa atividade espiritual em favor do crescimento espiritual da humanidade. Nesse período, quase todas as sociedades e culturas mais importantes do planeta receberam incremento filosófico-religioso. Todas as atuais principais religiões nasceram nesse tempo. E não se atualizaram. Houve até retrocesso. O cristianismo não se manteve na proposta de seu fundador. O budismo regrediu no Ocidente. O judaísmo perdeu suas características místicas. O islamismo se tornou, como as demais correntes de fé, individualista e fundamentalista.

terça-feira, 29 de março de 2011

Saber Viver (III)

“Eu vim para que todos tenham vida e a tenham com abundância”.
Jesus de Nazaré
João 10;10

Esta frase, só esta, dentre milhares de outras do Novo Testamento, encerra toda a doutrina de Jesus. A partir dela, tudo fica evidente e não há necessidade de tantas afirmações, algumas repetitivas, sobre a verdadeira razão da presença entre nós desse Ser de Luz. Pouco importa o status que se dê a Jesus, de representante de Deus na Terra ou não, sua importância não pode ser diminuída em nenhuma hipótese.
A polêmica existente sobre Jesus desaparece quando, por exemplo, vemo-lo como mais um líder ao lado de Sócrates, Gandhi, Buda, Confúcio ou Francisco de Assis, entre muitos outros, retirando-se de todos eles o carimbo religioso ou a filiação intelectual.
O que restou, para a humanidade, das lições de todos eles? Muita coisa, com certeza. Basta extrair de suas obras um rigoroso resumo: Sócrates sugeriu que nos conhecêssemos em profundidade; Gandhi ensinou o poder da não violência; Buda sugeriu que nos conectemos a Deus; Confúcio ensinou-nos a paciência; Francisco de Assis mostrou que não somos superiores e nem inferiores às estrelas, árvores, pessoas, pássaros, rios; Jesus ensinou-nos viver e viver com abundância. É evidente que todos os seis legados, tomados na simplicidade de cada frase, põem diante de nós uma definitiva responsabilidade: decidir se esses homens falaram por si mesmos, se falaram em nome de uma elevada espiritualidade ou se, simplesmente, falavam de si mesmos. O que muda?
Os viciados em evangelhos excluirão quatro dos seis mestres e dirão que, a rigor, aceitam, mesmo, os ensinamentos de Jesus porque são da autoria de Deus.
Note-se que apenas num gesto como este, estão fora de aceitação e condenadas ao esquecimento as cátedras de brilhantes mestres, não apenas os citados, mas todos os demais que não aparecem nos evangelhos.
E o que dizer então, quando, por alguns setores religiosos, o próprio Jesus é excluído da condição de representante de Deus? Daria para dizer mais: do jeito que as coisas andaram, não fosse o Apóstolo Paulo e a Igreja de Roma, Jesus seria um ilsutre desconhecido nos tempos atuais.
Voltamos à estaca zero.
Que lições os homens estão a fim de aceitar: as de quem ensinou porque queria ajudar-nos ou as de quem vivenciou experiências pessoais com ou sem o intuito de ensinar ou ajudar e deixou exemplos dignos de consideração? Haverá uma terceira forma de ensinar?
O ser humano está acostumado a, antes de admitir uma cátedra, julgar o catedrático, rotulá-lo. Então a vida em abundância deixa de ser interessante porque uma boa parte da humanidade destinatária da mensagem ainda não sabe exatamente o que quer da vida e por isso despreza a lição de bem viver do mestre.
O que é a vida, para os homens?
Uma grande maioria pensa que a vida é feita de refeições fartas, sono, sexo, comemorações, conforto, emoções, dinheiro...
Os ensinamentos de Jesus não proíbem a alimentação, o sono, o sexo, as comemorações, o conforto, as emoções e o dinheiro. Suas advertências são de cunho ético: até onde o que eu faço prejudica aos outros, tira a oportunidade de outrem? E se olharmos profundamente para a proposta de Deus para os homens, a vida teria de estar alicerçada em bases muito especiais que, quando somos conscientes, buscamos descobrir para que os resultados sejam os mais compensadores e os menos desastrosos. Este é o ponto: viver objetiva o que?

segunda-feira, 28 de março de 2011

Saber Viver (II)

Atualmente, quem queira bem viver encontrará ampla literatura de auto-ajuda, receitas, exercícios, meditação, contemplação, yoga e muito, muito mais coisas. Mas, acredito que nenhuma fórmula seja tão mágica a ponto de resolver todos os problemas de todos. Mas, é assim que muitos mestres da auto-ajuda estão encarando as coisas, como se bastasse vestir um escafandro, dentro do qual nos blindamos dos erros, do mal, do fracasso, da solidão, ao mesmo tempo que o ato de bem viver nunca mais nos abandonará.
Na verdade, não há mágica, não há fórmula pronta, a vida para ser bem vivida, é como um pomar ou um jardim que, para dar bons frutos ou flores em profusão, tem de ser cultivado.
Vou ao fundo de algumas leituras sem nada de proposta de auto-ajuda e descubro que corpo, mente e espírito são, de verdade, tudo quanto queremos em bom estado para bem viver. E descubro que o Corpo pede Saúde; que a Mente pede Verdade; e que o Espírito pede Amor.
Presta atenção, leitor, os valores colocados são os que puxam a dianteira de forma disparada, o que não significa afirmar que o corpo não peça amor; pede e bastante, mas amor sem saúde não se sustenta; mente sem verdade não se sustenta; e o amor se oferece ao espírito como caminho de sabedoria, pois sabedoria sem amor também não se sustenta.
Então vamos esmiuçar um pouco mais para maior clareza.
Cinco são os sistemas que rondam o corpo, a mente e o espírito e eles também têm necessidades que, se não atendidas, viram ruínas. Vejamos:
Sistema Físico necessita de vigor, disposição, ação, trabalho, obras, realizações, legados; quando não atendido é quando estamos em crise e o mais provável que é que haja alguma doença denunciando desequilíbrio com possibilidade de morte.
Sistema Emocional necessita de solidariedade, dedicação, compaixão, amizade, lealdade, compromisso, doação, amor, afeto, esperança; quando não atendido entra em desequilíbrio tendo como resultados a covardia, a violência, o egoísmo, a traição e as conseqüências poderão ser acidente, briga, tragédia e novamente a morte ou a prisão.
Sistema Intelectual necessita de inteligência, conhecimentos, sabedoria, aptidão, responsabilidade, honestidade, ética; quando não atendido entra em desequilíbrio e as conseqüências podem ser o trambique, a fraude, a corrupção, a preguiça, a safadeza, o golpe, o roubo.
Sistema Psíquico necessita de equilíbrio, harmonia, imaginação, autocontrole, serenidade, fé, confiança; na ausência dessa constante realimentação há turbulência, transtorno, sufoco, angústia, novamente doença, morte natural e até suicídio.
Sistema Espiritual necessita de abertura de consciência, justiça, liberdade, vontade, entusiasmo; a ausência desses valores pode acarretar a perda das possibilidades de evolução, desenvolvimento, crescimento espiritual.

Dá para ir mais a fundo um pouco:

Quanto à Saúde e relativos ao corpo cabe a cada candidato a bem viver: alimentar-se corretamente, respirar ar puro, ingerir água pura, dormir o necessário, integrar-se à natureza humana, vegetal, animal e mineral, ter alegria, mover-se, ouvir música, dançar, procurar pessoas e ambientes tranqüilos e harmônicos, relacionar-se afetivamente.
Quanto à Saúde e relativos à mente, cabe ao candidato a bem viver: amar e ser amado, contemplar, adorar, orar, meditar, ler, silenciar a mente, ativar a percepção.
Quanto à Saúde e relativos ao Espírito, cabe aos candidatos a bem viver: prestar atenção aos seus sonhos, pesadelos e insights, ter sonhos (que sonha acordado) que realimentem a vontade, monitorar vontades, estar com pessoas elevadas, celebrar a vida, solenizar o presente, ritualizar e sacralizar o que é sagrado.
E tem mais:
Quanto à Verdade e relativos ao corpo nos cabe: respeitar a agenda natural, isto é, o ritmo biológico, promover e respeitar sem queimar etapas as passagens de era para era corporal, descobrir seu padrão de aparência e expressão (cabelo, roupas, calçados, voz, óculos, adereços), amar sua própria imagem sem ser narcisista.
Quanto à Verdade e relativos à mente nos cabe: monitorar pensamentos indutores (tentações), fazer auto-avaliação, oferecer-se para liderar, perseguir a disciplina, respeitar hierarquias, desenvolver a coragem, ser verossímil, oferecer confiança.
Quanto à Verdade e relativos ao Espírito nos cabe: revisar crenças e dogmas, conferir conceitos, avaliar aprendizados, gerenciar atitudes, oferecer-se ao Sagrado.
E para finalizar:
Quanto ao Amor e relativo ao corpo é indispensável: amar-se, estimar-se, gostar de si mesmo, respeitar os limites, exercitar o amor e o sexo sem culpa ou remorso, cantar, rir, ser amável com os outros.
Quanto ao Amor e relativos à mente também é indispensável: fugir das drogas que causam dependência física ou psicológica, arranjar lazer construtivo (leitura, cinema, música, teatro, viagens), estar com pessoas e lugares saudáveis e agradáveis.
Enfim,
Quanto ao Amor e relativos ao Espírito é obrigação nossa: ter um lar sagrado ou um canto sagrado no lar, meditar, transcender.
Prosseguiremos na próxima crônica.

domingo, 27 de março de 2011

Saber Viver (I)

A Era do Conhecimento, recém encerrada, evidenciou também aspectos do Saber Viver, além daquelas questões profissionais, filosóficas, acadêmicas, técnicas e tecnológicas, que estiveram em alta. Trouxe para o debate a competência, a capacidade, a habilidade e aptidão para viver e, no fundo, trabalhar, produzir.
A grande carência de pessoas habilitadas para uma infinidade de funções, que é a marca registrada destes tempos, nos remete para o passado e assim descobrimos que foram pessoas que não viveram o seu tempo, fecharam os olhos, os ouvidos e provavelmente abriram demais a boca. Todo ser que fala demais, aprende pouco, ensina nada e acaba sozinho e até sem emprego, sem amor.
Essa chamada Era do Conhecimento colocou-nos diante da realidade de que toda a ventura e toda tragédia do ser humano indivíduo, grupo ou nação, passa por quatro vertentes de nossas relações conosco mesmos e com os demais, que são:
PODER – competência ou não associada a dinheiro, posição política, social ou empresarial, controle sobre pessoas, desejo de aprovação ou atenção, posse de bens materiais, títulos ou cargos.
RESPONSABILIDADE – competência ou não de assumir e dar conta de recado em inúmeras áreas de nossas vidas.
SABEDORIA – competência ou não de aceitar aquilo que não podemos mudar e de ter coragem de mudar aquilo que é preciso mudar.
AMOR – competência ou não de amar, de florescer com o amor ou desintegrar-se sem ele, envolver-se em relacionamentos que triunfam ou fracassam, manipular por amor, sentir solidão, ressentimento, rejeição, cansaço emocional, medo de ser amado ou não ser amado, sofrer decepções, ter culpa por não corresponder às expectativas dos outros.
A COMPETÊNCIA parece algo crucial que a família, a escola e a igreja nem sempre conseguem transmitir, mas se está como divisor de águas entre uma vida triunfal ou fracassada. Ela nos põe frente a frente com a Arte, a Filosofia, a Ciência e a Fé, capazes de juntas nos permitirem:
LIDAR com aspectos POLÍTICOS dentro do casamento, da família, do condomínio, da empresa, do bairro, cidade, estado e planeta, onde exercitamos nosso poder relativo e absoluto, nossa liderança ou nossa prepotência.
LIDAR com aspectos SOCIAIS, novamente dentro desses mínimos, pequenos e grandes universos, onde costumamos pecar pela incompetência de tomar decisões, pela arrogância das decisões precipitadas, pela dificuldade de assumir os erros ou acertar e querer dividir ou não os louros pelas vitórias.
LIDAR com aspectos SAPIENSAIS, também dentro dos citados universos, onde o conhecimento, a técnica e a academia não são a mesma coisa que sabedoria e podem comprometer uma vida, uma geração, uma nação, porque extrapolam nossa capacidade cerebral e mental e nos colocam frente a frente com a divindade que existe nós.
LIDAR com aspectos EMOCIONAIS, outra vez dentro dos citados universos, onde vamos encontrar com o que está dentro de nós e atinge o que está fora através das emoções e está fora e nos atinge através dos sentimentos.

Em qualquer dos quatro aspectos, os resultados podem ser:
egoísmo, inveja, ódio, raiva, medo, culpa, remorso, perda do sentido da vida, perda da auto-estima, perda da dignidade, perda da identidade, desintegração com o meio, solidão, traição, mágoa, tristeza, covardia ou o contrário de tudo isso.
Seguimos neste assunto na próxima crônica.

sábado, 26 de março de 2011

Destino e Livre Arbítrio (II)

A Grande Teia

Mais de vinte e cinco séculos depois que as deusas Cloto, Láquesis e Átropos entraram para o rol das discussões da parte instruída da humanidade, cientistas de última geração de nossa contemporaneidade concluem que a vida é uma imensa teia, cujos fios estão absolutamente integrados uns aos outros. Ao tocarmos num deles, toda a teia balança. Seus fios somos nós e todos os demais seres vivos, desde bactérias até elefantes, desde o átomo até a galáxia. Dentro da trança, nossa liberdade é pautada pela saúde da rede. A rede nunca é a mesma. A cada segundo, novas configurações se fazem, novas possibilidades se tornam eventos e assim por diante. Dentro da teia (limite) sou livre para algo (escolha) pelo qual respondo em última análise com a própria vida. Seria isso o destino? O livre arbítrio é isso?

Algo determinado, algo livre

Razão e intuição no caso do Livre Arbítrio, são caminhos à nossa escolha desde que aprendemos pensar. E aparecem e mantém relação com lendas, mitos e tradições de todos os tempos.
Curiosamente, nas cartas do tarô, amplamente usadas para o exercício da adivinhação, jaz oculta uma de suas maiores verdades: a lição de que o nosso destino está dentro de nós. Guardamos no coração as sementes da felicidade e da realização. A vida é o jardim onde podemos semeá-las. Escolhemos sempre o que semear. E seremos, sempre, os jardineiros de nossos próprios jardins.
Ainda nas cartas do tarô, o Arcano VI, a carta d’O Namorado, mostra um jovem rapaz entre duas mulheres. Cada uma cobra-lhe sua escolha. Uma veste azul, simbolizando o mundo emocional e intuitivo, e toca-lhe o coração, órgão humano associado à alma à época em que o tarô passou a existir. A outra veste vermelho que, do mesmo modo, traduzia o lado racional da vida ou nosso pensamento lógico. Mais velha que a outra, esta puxa-lhe pelo ombro, como que a acentuar um pedido de atenção. Mas o jovem parece realmente inclinado a seguir sua consciência, seguindo a direção da flecha de cupido, presente na cena.
O cupido simboliza o inconsciente, aquilo que está além do mundo racional, o não sabido, inconstância desconhecida que, ao mesmo tempo, nos assusta e nos guia. Ainda que represente algo oculto, repleto de meandros e mistérios, lança flechas que nos aguçam a percepção, provocando-nos vislumbres muito além da vida consciente, esta, sim, à qual está acostumado o nosso ego. Em resumo, a flecha do cupido é nossa intuição. E quem de nós pode negar que amiúde ouvimos essa voz interior, a nos guiar os passos, a nos inspirar em momentos difíceis, a nos orientar pelo caminho? Seria, isso, o anjo guardião? Seria, isso, nosso espírito a aflorar para o mundo consciente?
Decisões racionais, intuitivamente inspiradas, são sempre mais sábias, ensinam os pensadores de muito longo prazo. Pouco importa por qual dos caminhos seguirá o jovem do tarô, o necessário é que não se abata indeciso e não deixe de optar. Seja qual for a sua escolha, essa o levará por caminhos onde predomine razão e intuição, mas nunca onde uma delas exista totalmente sem a outra, até porque é impossível separar essas funções em nosso psiquismo. Razão e intuição, na verdade, é tudo o que nos move.

Pergunta final

Quem estará nos esperando no porto do destino? A resposta é simples. O bilhete de passagem diz que é para lá que estamos indo. Nele constam os serviços que encomendamos e pelos quais pagamos. O esforço correspondente (moeda-comportamento atual e passado) empenhado para aquisição desse pacote de viagem e seus serviços, determinam a sua qualidade e não deveria dar margem a muitas dúvidas. Expectativas sim, dúvidas não. Quem pode duvidar disso? Já sei, são aqueles que contam com o milagre de um salvador que nos carregue, nos proteja e arranje para nós um lugar entre os escolhidos. Isso é fraude.
No momento em que o planeta dá sinais de estresse, degelando as calotas polares, rompendo a uniformidade da camada de ozônio, inundando cidades e regiões, terremotos e tempestades deslizando morros, inundando cidades, fazendo crescer a temperatura ambiente, decretando pestes, calamidades e racionamentos que ameaçam a estabilidade dos padrões de vida em curso e obrigando o homem a enormes sacrifícios para fazer a vida prosseguir, a pergunta que se impõe é a mesma: o bilhete de passagem, o destino escolhido por acaso não foi esse? A resposta se aplica com toda certeza a todo o indivíduo membro da Teia da Vida, desta vida agora em curso, da vida que está para vir. Quem quiser saber qual o seu destino, que examine os conteúdos de sua semeadura. Essa é a encomenda feita e os serviços que estarão à espera diariamente a bordo, até o porto de destino, a cada momento futuro da vida.
O que pode contribuir para alterar a certeza desse destino é o esforço decorrente de uma ou de milhares de pessoas em atendimento à missão pessoal ou coletiva, aquele conteúdo que foge de nosso livre arbítrio e nos puxa pela mão para rumos que só a intuição pode conhecer ou perceber, apenas. O nosso espírito sabe por que estamos aqui e por certo sabe para onde estamos indo. Por que não o escutamos mais?
Isso será tema de outra série.

BIBLIOGRAFIA:
Capra, Fritjof. “Pertencendo ao Universo – Explorações nas Fronteiras da Ciência e da Espiritualidade”, Cultrix, SP, 1999.
Ingiles, Brian. “Coincidências: Mero Acaso ou Sincronicidade?” Pensamento, SP, 1998.
Urban, Paulo. “Livre Arbítrio ou Destino?” Revista Planeta, ed. 344, maio 2001.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Destino e Livre Arbítrio (I)

Há quem acredite que todos os acontecimentos de nossa vida é obra de um plano inexorável chamado destino.
E há quem acredite que não há destino pré-determinado, que o destino é a linha de chegada e que a caminhada para chegar lá somos nós que fazemos.

Para continuar com este argumento: os seres humanos são acorrentados a um destino previamente traçado, ou são efetivamente livres para fazer o que querem? Temos realmente permissão para fazer tudo aquilo que queremos, já resguardado o respeito pela liberdade alheia? Ou nascemos destinados a experimentar a sensação de que agimos “livremente” dentro de certas possibilidades previstas desde o início? Tudo o que fazemos na vida nada mais é do que cumprir um risco já traçado, ou escolhemos passo a passo o caminho por onde seguir, imprimindo ao longo dele nosso rastro pessoal ao qual chamamos liberdade?
“Estamos condenados a ser livres” (Jean-Paul Sartre - 1905-80). “Sofrer é o destino dos mortais” (Eurípedes - 485-406 a.C.). Frases assim acompanham a humanidade desde sempre, algumas sem autoria. “A minha liberdade termina onde começa a sua”. “Cada um com sua cruz”. “A liberdade não é compatível com quem não sabe usá-la”.
De fato, sempre que assumimos um comportamento ético frente à vida, obrigamo-nos a certas atitudes que bem nos revelam quão relativa é nossa liberdade diante dos conflitos que nos são impostos, dilemas aos quais chamamos de destino. Então, escolhemos sofrer ou a dor é atributo inerente à existência? Assim sendo, cadê e Livre Arbítrio, se num e noutro caso o sofrimento está ou pode estar presente?

Dimensões distintas

Parece haver duas dimensões onde encontramos a mão daquilo que se chama destino. Para isso, devemos entender por destino o lugar, a situação, o contexto para onde apontamos nosso foco e dirigimos nossa caminhada individual, familiar, nacional: onde quero, queremos chegar.
Na dimensão individual, mais próxima e palpável, o destino pode ser determinado com certa precisão a partir das minhas escolhas: colherei o que planto, enfrentarei as conseqüências de cada um dos meus atos presentes, entendimento que pode ser ampliado para o grupo familiar ou mesmo para a Nação.
Na dimensão remota encontramos a missão. Quase todas as religiões admitem existir uma missão dada pelo Mentor do Universo, negociada com forças fora do alcance dos mortais ou livremente escolhida por nós. Aqui pode ser novamente incluído o grupo familiar, a Nação, a Humanidade.
Nesses casos, tanto é provável que escolhamos sofrer ou que estejamos determinados a sofrer, possivelmente pelo mesmo motivo: crescimento, aprimoramento. Vencida a dor estaremos livres dela (?) e de tudo mais (?) que impede nossa liberdade (?).
Esse heroísmo justifica a evolução do homem. Herói é uma palavra grega que significa “pequeno deus, grande homem”, aquele que rompe a barreira limite num esforço constante para a realização dos seus feitos. É aquele que estando no lugar certo para si, faz certo aquilo que lhe cabia fazer, na hora certa.

Plantar a dor

Toda a ação humana pressupõe ou não a dor, não só a imediata, que nos força a optar por algo em detrimento de todo o resto que deixamos, como a dor seguinte, previsível ou não, acarretada pelas conseqüências que advém de nossas escolhas.
Há a possibilidade do destino ser aquele irmão ciumento, invejoso da capacidade humana de ser livre. E não raro ele é cruel, capaz de enredar em suas malhas as nossas frágeis liberdades diferenciadas, dignas de compaixão.
Os gregos, em época anterior a Homero (século 9 a.C.) já admitiam que nossa existência, desde o instante do nascimento, estava predestinada. Imaginavam estar no Olimpo a morada dos deuses, e ali a presença de três Moiras (Parcas, entre os romanos) (com significado de partilha, quinhão, prêmio) a decidir por nós. Sem personificação no princípio, depois representadas por figuras femininas, foram as moiras batizadas de Cloto – aquela que fia; Láquesis – aquela que mede ou lança a sorte; e Átropos – aquela que, inflexível, corta com sua tesoura o fio de nossas vidas, sem jamais retroceder em suas decisões.
Homero também as denominava em seu dialeto árcade-cipriota de Aîsas, cujo sentido é fiar. Segundo Hesíodo, poeta beócio do século 8 a.C., as Moiras são filhas de Nix – noite, que por sua vez é filha de Caos, o espaço aberto primordial, do qual se originou o Cosmos.
Continuaremos na próxima crônica

quinta-feira, 24 de março de 2011

O que é perdoar

Viemos aprendendo ao longo de nossa história pessoal religiosa que o PERDÃO é algo sublime e que devemos perdoar sempre. O raciocínio que segue, absolutamente, não é contra o ato de perdoar, mas é favor da responsabilidade que encerra o ato de perdoar. Conhecemos o instituto da confissão, penitência e perdão dos pecados, criado por algumas igrejas e não concordamos com isso porque permite aos contumazes pecadores terem suas faltas zeradas e novamente repetidas por conta de uma benevolência religiosa irresponsável. A humildade com que nos dirigimos a um sacerdote, a um juiz ou a um amigo para confessar uma falta cometida, não nos pode isentar de culpa e de responsabilidade quanto ao mal possivelmente causado a outrem e nem deixar de existir a necessidade de reparação. E nem pode o sacerdote, o juiz e o amigo assumir a iniciativa da indulgência porque não terão autorização para isso sem cometerem o mais bárbaro dos atos humanos: declarar alguém limpo de culpa e responsabilidade sem promover a recuperação do ato gerador da falta.
Imagine-se alguém cometendo um barbarismo contra nós e, por força de nossa consciência espiritual, oferecermos graciosamente a ele o perdão, facilitando ao bárbaro prosseguir pela vida afora sem a busca da transformação. Imagine-se o seu filho retido numa barreira policial por excesso de velocidade, ato contínuo ser defendido e recebido pelos pais sem nenhum corretivo. Imagine o morador de um condomínio infernizar a vida dos seus vizinhos com barulho excessivo e apenas por seu poder financeiro pagar multa por isso e ficar tudo como está sem reduzir o seu ímpeto de infernizar os vizinhos.
Não pode haver este “perdão” irresponsável em qualquer uma das três situações colocadas como exemplo. O bárbaro tem de ser domesticado porque barbarismo não é o objetivo da sociedade. O velocista tem de corrigir-se porque ele é um assassino ou suicida em potencial, coisas que a sociedade também não pode incentivar. E o riquinho barulhento tem de enquadrar-se nas regras da vida de condomínio porque fazer e ouvir barulho não faz parte da vida em vizinhança.
Se facilitadas as suas travessias por dentro da ilegalidade ou contravenção, praticaremos todos, por convenção cultural outros perigosos barbarismos ao aceitar como coisa leve, quem sabe normal, o cometimento, no primeiro caso, de um barbarismo, no segundo, um ensaio para a morte e, no terceiro, a generalização do caos comunitário.
O que é, verdadeiramente, o perdão?
O que devemos fazer para agir corretamente e evitar a repetição das barbaridades?
O perdão não deve ser um ato gratuito. O bárbaro tem de receber uma punição e depois de reeducado deve receber uma oportunidade de retorno ao convívio dos normais. O velocista deve perder a chave do carro, rodar de ônibus ou em companhia de motoristas normais até ter consciência de qual é a velocidade segura para um veículo. O barulhento deve ser convidado a retirar-se da companhia dos seus vizinhos (premissa prevista no Código Civil) e se não enquadrar-se à vida dos demais ser levado à expulsão por medida judicial.
Cabe a eles solicitar uma oportunidade de reparação, de reaquisição da dignidade ferida. E aí, sim, o perdão terá tido razão de ser. Sem o sincero arrependimento e a oferta de reparação do mal causado, não se trata de perdão, se trata de indulgência.
O perdão tem de ser uma atitude amorosa responsável para com a devolução da dignidade do faltante. Fora disso, já dissemos, não há, não pode haver, amorosamente, o perdão.
Quando concedemos o perdão sem essa motivadora reconstrução do caráter do faltoso, seja ele o presidente da República, o esposo, o filho, o vizinho ou o assassino desconhecido, estaremos levando a humanidade para o barbarismo e não para a civilização.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Florianópolis ano 285

Hoje, 23/03/2011, a Capital Catarinense, onde é a minha atual sede, completa 285 anos de vida como cidade dos homens brancos.
Como sede de muitos outros homens antes da chegada dos brancos, não se sabe sua idade.
Por isso e por muito mais, nossa homenagem a ela nesta crônica.
A proposta é examinar aspectos espirituais desta cidade, desta região, que se mesclam com a história de seus nativos e dos povos que para ela vieram como imigrantes e como migrantes.
Precisamos recuar aos tempos anteriores à chegada do homem branco, quando aqui estavam, por mais um milênio, os Kary’ó, que ficaram conhecidos depois pelo nome aportuguesado de Carijós.
São vagas as notícias que temos dos Kary’ó, mas sabemos tratar-se de um povo espiritualmente evoluído, que deixou suas marcas nas inscrições rupestres abundantes nesta região.
Consta, por pesquisa internacional de uma Universidade estrangeira, que os Kary’ó viviam mais tempo que os índios de sua época e tinham ossos de melhor qualidade, possivelmente em virtude do elevado consumo de ostras, camarões e peixes.
Mas, também pode haver aí, um mistério de fundo místico, que abordarei a seguir.
Viviam aqui, os Kary’ó, por um motivo místico, chamado Terra Sem Males, um sonho da maioria das nações indígenas da América do Sul.
Para esses nativos, haveria um paraíso no continente e este paraíso estava a Leste.
Os Kary’o imaginavam terem sido escolhidos para guardiões da Terra Sem Males e, portanto, a Terra Sem Males estava aqui e era chamada em sua língua: Yvymarae’ÿ.
Suas inscrições nas pedras denunciam isto.
A elevada espiritualidade do povo Kary’ó denuncia isto.
Suas ligações com os Inca, pelo Caminho de Peabirú (caminho pedestre que vai de Santa Catarina a Macchu Picchu), denunciam isto.
Sua extinção apenas aparente (eles não foram exterminados e sim abandonaram a região), denuncia isto.
Quando aqui chegou o homem branco e navegador, italiano, Sebastião Caboto, em 1526, batizou a Ilha com o nome de sua esposa, Catarina, no dia 25/11.
Mas, o nome ficou sendo, mesmo, Ilha dos Patos, porque, de fato, aqui existiam muitos patos e também porque os Carijós se auto-denominavam “Índios Patos”, mostravam a ave como associada aos seus nomes.
Araribé, seu ancestral mais remoto, se traduz por “Homem Pato”.
Esse nome ficou valendo para todo o litoral até Porto Alegre, onde o lago do Rio Guaíba também ganhou nome de “Lagoa dos Patos”.
Aleixo Garcia aqui naufragou, desposou uma Kary’ó e palmilhou o “Caminho Sagrado” rumo aos Andes, em busca de ouro, mas não retornou.
Cabeza de Vaca seguiu a mesma trilha e foi ao Paraguai, onde fundou Assunción.
O alemão, Ulrich Schmidel, percorreu-o no sentido inverso em 1533.
Agora vamos adentrar na história dos europeus e africanos que vieram povoar esta terra.
Francisco Dias Velho, fundou a povoação em 1673, lhe deu nome de Nossa Senhora do Desterro e aqui deixou sepultura depois de ser assaltado por vândalos estrangeiros.
O povoado passou a Vila em 23/03/1726, quando ganhou administrador, Câmara de Vereadores e pelourinho, há, portanto, 285 anos.
Em 1739 a cidade ganhou o comando do brigadeiro José da Silva Paes, que traçou ruas, ergueu fortes e impulsionou a vida local com a decisão de trazer para cá casais do Arquipélago de Açores, que chegaram, num total de 3.733 pessoas a partir de 1747 até 1752, segundo as fontes que temos.
Os açorianos foram também para outras regiões, como Vitória/ES, São Francisco/SC e Porto Alegre/RS.
Atentem agora, para outros aspectos do enfoque espiritual sobre a região da Capital de Santa Catarina.
Lembremos que os espiritualizados Kary’ó, receberam como seus novos conviventes nesta terra, uma gente de paz, de índole amistosa, que foram os açorianos, em torno de 1750, e pouco mais de 50 anos adiante, veio uma grande leva de agricultores alemães, grandes respeitadores do meio-ambiente.
A região que recebeu os alemães agricultores (não os alemães industriais) é, em Santa Catarina, a região que se encontra mais preservada em termos ecológicos.
Recordando: a região tida como a Terra Sem Males, que tinha a habitá-la um nativo espiritualizado, do bem, recebe açorianos, gente humilde, do bem, e recebe alemães, gente humilde, do bem. E vêm para cá, também, em grandes levas, os africanos, escravos, gente humilde e do bem.
Parecia uma escolha da espiritualidade para que este chakra energético integrado à rede magnética planetária e corredor de energias entre a crosta do planeta e os planos mais elevados, espirituais, permanecesse limpo e puro.
A NASA e a Academia para Ciência Futura confirmam essas qualidades energéticas para esta região.
Estava tudo certo, então? Não estava, não.
A partir de 1746 (praticamente junto com a vinda dos açorianos) iniciava-se a instalação de muitas Armações para caça às baleias, retirada do óleo e da barbatana, enquanto a carcaça e o sangue derramado ficavam na praia.
Podridão, fedor, infecção, urubu, doenças...
Os escravos usados para picar o corpo das baleias, morriam em série.
Milhões de litros de sangue pintaram de rubro as águas antes cristalinas de nossas baías.
Essa não era, não poderia ser, a proposta para um dos chakras magnéticos e sagrados do planeta.
Milhares de urubus formavam nuvens escuras sob os céus a procura da carne podre que ficava na praia enquanto a gordura era derretida em tanques aquecidos dentro de barracos chamados de Armações. E levada para a Europa.
Houve 19 dessas armações com autorização para matar livremente as baleias.
Matavam também os demais peixes e também as pessoas que eram contaminadas por este lixão a céu aberto.
Matavam todos os que se opusessem a este negócio absurdo.
Tudo isso teve lugar no Litoral de Santa Catarina entre Piçarras e Imbituba.
Esse foi o inferno na terra por longos 59 anos.
Os índios Kary’ó desistiram de viver aqui e foram embora, não se sabe para onde.
Os açorianos, mesmo que decepcionados com aquilo, não tinham como mudar esta história, pois a Armações eram autorizadas pelo império português.
Completaria este quadro de dor, em seguida, depois de 1808, as constantes guerras movidas pelo império luso-brasileiro contra os países do Prata, servindo-se de soldados retirados do seio das famílias de origem açoriana e alemã.
E a sobremesa trágica viria com o fuzilamento de 186 políticos e militares da região na Ilha de Anhatomirim, em 1895, quando o nome Desterro passou para Florianópolis, em homenagem a Floriano Peixoto, o presidente da época.
Aquilo que estava se encaminhando para uma grande outorga do bem, como uma Terra Sem Males, de repente parece receber uma maldição: matança de baleias, de pessoas, clima de guerra, medo, pavor, perseguição, execuções.
Essa herança espiritual deu causa a um Hospital do Espaço para tratar dos espíritos errantes, desorientados e ainda assustados.
Esse Hospital do Espaço passa a ser conhecido como Nosso Lar.
Essa responsabilidade foi transferida aos novos cidadãos que buscaram a cidade de 1930 para cá e muito especialmente depois que ganhamos uma Universidade Federal, em 1960.
Essas milhares de pessoas aqui nascidas e para cá vindas, em sua evolução espiritual, vieram oferecer-se para limpar o nome da Terra Sem Males e ajudar as pessoas sofridas que sentem angústia, mágoa, culpa, remorso, medo, falta de esperança, tristeza por perdas as mais diversas.
E as baleias que, ao que se sabe, estavam extintas, começaram a voltar em 2002.
Estão de volta em grande estilo e em grande número.
Quem sabe esta seja, mesmo, a Terra Sem Males, e quem sabe nós estejamos sendo chamados a reparar todos os males que homens sem consciência causaram a esta terra.
De qualquer modo e sempre mais, seja feliz, Florianópolis, Desterro, Floripa ou qualquer outro nome que venha a adotar.

terça-feira, 22 de março de 2011

Das sombras para a luz (conclusão)

Nossa caminhada teve início na aldeia do homem primitivo onde o xamã fazia, faz, a ponte entre o Sagrado e o Humano, entre a matriz espiritual e a cópia biológica.
Evoluímos para o surgimento das primeiras aglomerações urbanas e conhecemos a necessidade dos governantes criarem padrões uniformes de pensamento religioso, através de deuses associados a quase todas as atividades humanas, que seriam por eles abençoadas se estivessem sob o controle do rei, representante dos deuses.
Vimos surgir a escrita quase que ao mesmo tempo da concepção de um Deus Único. E o homem precisou conferir como a razão da Natureza e dos deuses foi parar nos Livros contendo a Razão (Lei) de um Único (e severo) Deus. E vimos o nascimento das Instituições Religiosas, que foram lentamente trocando a figura central do rei pela figura central do papa. Passamos pela mensagem de Jesus, que tentou profundamente libertar-nos desta prisão consciencial.
Conferimos o excessivo controle dos sacerdotes sobre a sociedade e o resultado disso, que foi o rompimento dos intelectuais e cientistas com as Igrejas e, por extensão, com o Sagrado, culminando com a declaração dos cientistas: “somos ateus”.
Nesta marcha, um pouco mais tarde, o Espírito se revela um ser atuante na vida e a Razão começa a ser encarada como algo pertencente a um Deus Espiritual através de suas Leis Universais e de uma atuação inteligente no mundo físico.
O longo tempo de cisão entre fé e ciência retarda colocar a fé raciocinada na pauta dos religiosos ocidentais, principalmente, e retarda colocar a fé raciocinada dentro dos laboratórios, principalmente das ciências humanas.
Mas, não há, a rigor, nenhum julgamento ou condenação porque, se as reencarnações existem, nós que estamos lendo estes textos participamos dessa caminhada, somos co-autores dessa história. E não podemos afirmar que isso não era necessário como condição indutora das novas descobertas. Sempre que a sede é muito grande, maior é o valor que se dá à água. A luz se torna mais desejada quando percebemos que existe a escuridão.
A modernidade revolucionou o mundo nos campos econômico, artístico, político e, principalmente, científico, chamando para a modernidade, também, o pensamento sobre Deus.
Tempo de luzes, idade da razão. Idade das inteligências múltiplas. Idade dos Estudos da Consciência.
E a consciência humana interiorizou aquilo que os grandes profetas, líderes e educadores espirituais da humanidade vieram ensinando ao longo dos milênios? Não. Nem sempre.
O progresso foi, fundamentalmente, no campo material, do conforto do individuo, da satisfação de necessidades efêmeras, do desenvolvimento tecnológico. Estávamos num mundo tech, mas a moral, a ética e o amor eram valores desconhecidos do tecnologismo.
As guerras eram instrumentos de afirmação do poder. Podíamos mandar artefatos computadorizados para fora do sistema solar, mas não queríamos juntar do chão o miserável caído à nossa porta.
O pensamento globocêntrico regrediu para etnocêntrico e para egocêntrico.
O século vinte foi um tempo de desentendimentos, de guerras mundiais, de bombas nucleares, do mundo dividido por um muro, e de desenvolvimento de um modo de vida profundamente predatório com relação à natureza e as criaturas que coabitam a terra conosco.
Surge o vazio, a falta de rumo e de significado.
A razão humana, arrogante, é posta em xeque.
Entretanto, é da crise que surgem as oportunidades; do velho nasce o novo, transformado e engrandecido. O mundo se tornou global, inteiro, o espírito humano construiu um monumental edifício em todos os campos, das artes, da filosofia, da ciência e, tinha de fazer o mesmo com o sagrado.
As oportunidades eram grandiosas.
A história é aberta, o pensamento é livre, flui no tempo, reflexões e inspirações pairam nos céus, modelos se modificam, a consciência vai unificando as partes.
A dimensão espiritual é retirada do exílio pela visão sistêmica, de que tudo está interligado, de que tudo é sagrado, de que tudo faz sentido.
“Ao término de um período de decadência sobreveio o ponto de mutação. A luz poderosa que fora banida ressurge. A movimento é natural, mas este não é gerado pela força, surge espontaneamente.
Por essa razão a transformação do antigo tornou-se fácil. O velho é descartado e o novo é introduzido. Ambas as medidas se harmonizam com o tempo, não resultando daí, portanto, nenhum dano”
. (Trecho do I Ching – chinês)
A nova Scientia (conhecimento) emergente se movimenta no sentido da conciliação, da integração dos saberes produzidos e revelados no processo cultural. E gestados sob o sol ancestral.
“Todas as religiões, todas as artes e todas as ciências são o ramo de uma mesma árvore. Todas essas aspirações visam o enobrecimento da vida humana, elevando-se acima da esfera da existência puramente material e conduzindo o individuo para a liberdade”. (Albert Einstein – o cientista do século XX)
Passamos três séculos olhando para fora buscando respostas no mundo exterior (macro). Quando a ciência dirige seu olhar para dentro (micro) surge a resposta: tudo é um.
“Quanto mais penetramos no mundo submicroscópico, passamos a perceber um sistema de componentes inseparáveis, do qual o homem é parte integrante”. (Fritjof Capra - físico)
“Embora se configure inconcebível para a razão comum, você e os demais seres estão integrados reciprocamente, portanto esta sua vida atual não é meramente uma parte de toda a existência, senão que, em certo sentido é o Todo. Assim, você pode se lançar ao chão, espraiando-se na Mãe Terra, com a convicção de que você é uno com ela e ela contigo”.
(Erwin Schöedinger –1964 – um dos fundadores da física quântica)
“Hoje estamos aprendendo a linguagem pela qual Deus fez a vida. Estamos ficando cada vez mais admirados pela complexidade, pela beleza e pela maravilha da dádiva mais divina e mais sagrada de Deus.”
(Francis Collins - Diretor responsável pelo Projeto Genoma)
Segundo tese desse pesquisador, Deus usa a evolução para aperfeiçoar o seu projeto. A criação é um projeto em direção à perfeição, constantemente reformulado e aperfeiçoado com base na lei de evolução, Lei Divina.
A razão não é mais da natureza ou de um deus antropomórfico, nem é a razão humana, agora é a Razão Cósmica – O AMOR, fonte onde o homem toma consciência de si enquanto natureza e espírito, transformando-se em jardineiro e cultivador do jardim da Criação.
Viver é...
...a Arte de Amar = gostar;
...a Ciência de Curar = doar;
...a Filosofia do Aprender = crescer;
...a Política de Animar-se = querer;
...a Religião do Crer = confiar.
Em resumo: SER FELIZ.
Melhor dizendo: DIGNIFICAR-SE PERANTE DEUS.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Das sombras para a luz (V)

Terminamos a crônica anterior afirmando que a consciência já pode aceitar novos conteúdos sem rejeitá-los por incompreensão. Estávamos nos referindo ao retorno de Deus aos laboratórios porque, antes de tudo, Deus é um grande cientista. Mas, era proibido estudar Deus no laboratório, em parte porque a estória que se contava sobre Deus colocava Deus acima da Natureza e pelo mesmo discurso estava autorizada a tortura da Natureza em benefício do homem, porque também o homem havia sido autorizado a dominar todas as coisas.
Como estava proibido pesquisar Deus sob a alegação de que este mistério não era para o bico da ciência, a ciência desobrigou-se de estudar Deus, os cientistas se declararam ateus e tudo ficou resolvido. Não ficou. As coisas ficaram facilitadas para os dois lados: os contadores de estórias sobre Deus continuaram a contar suas estórias sem ninguém para contestar; e os cientistas puderam produzir coisas horríveis contra o homem e contra a Natureza em geral por declararem-se livres daquilo que poderíamos chamar “leis de Deus”.
O terceiro contingente humano dessa conjuntura era exatamente o que designamos atrás como hippies, Green Peace, WWF, New Age, místicos em geral, espiritualistas em geral que, nem aceitavam o discurso sobre o deus engessado pelas escrituras e nem a tortura imposta à vida por conta do modelo econômico, político e social em vigor.
Mas haviam os que nem estavam em nenhuma dessas organizações revolucionárias e também não estavam satisfeitos ou queriam melhores respostas para aquilo que diz respeito à fé e ao progresso da humanidade.
Daqui para frente, não tem faltado estudos para comprovar que existem mais coisas no ar além de nuvens, passarinhos e aviões (ironia para mexer com os materialistas).
As ciências humanas, principalmente, que são as grandes devedoras nesta escalada de retirar Deus dos laboratórios, estão de volta aos primeiros estudos que comprovam uma grande, uma total influência energética, diga-se espiritual, no caso das doenças, de todas as doenças.
Na terceira crônica desta série utilizei-me da expressão “espiritismo católico” e agora, para estender um pouco a compreensão do que seja isso, é necessário acrescentar que não foi só o sistema cartorial imposto ao kardecismo, obrigando as casas espíritas “batizarem-se na ‘pia’ da Federação”, como também obriga a Igreja Católica para bem-dizer e tirar do paganismo qualquer ser humano. A federação também mal-diz toda a casa espírita que não “se batizar”. Torna-se maldita. Mas, não só. Ela tem de seguir o “catecismo”, isto é, o quadrado moldador.
As casas espíritas que romperam com o quadrado moldador da FEB e foram buscar outras fontes de pesquisa porque, de fato, existem outras importantes fontes, estão duzentos anos à frente da FEB. O belíssimo e indispensável trabalho de Kardec não foi único e não é a única fonte.
O quadrado moldador engessou o espiritismo e não houve outras pesquisas a complementá-lo. E quando se tentou complementá-lo, com as melhores das intenções, algumas intenções nem tão boas assim, de parte da FEB, se encarregaram de desautorizá-las. Ficamos presos a 1850, exatamente o que as pessoas esclarecidas condenam na Igreja Católica: sua prisão aos textos sagrados, e pior, muitos dos quais ultrapassados. Os textos de Kardec merecem ser complementados por novas pesquisas, inexistentes no âmbito do kardecismo e em pleno andamento em muitas outras organizações, inclusive Universidades.
Por conta do excessivo controle pela FEB as casas espíritas ficaram longas décadas a tratar de espíritos desencarnados e a trazer notícias da outra dimensão, sem cuidar da maior avenida que se abriu ao espiritismo, que é a reencarnação como pressuposto motivador para as transformações humanas e para elevar a qualidade de nossas ações enquanto seres corporais. Perde-se uma grande oportunidade para tratar das deformações de caráter dos homens e mulheres aqui mesmo neste plano planetário, exatamente como acontece com a Igreja Católica ao negar a reencarnação. Por isso, ao kardecismo da FEB o carimbo de “espiritismo católico”.
Fora do gesso da FEB existem trabalhos avançadíssimos envolvendo as múltiplas vidas e a precedência do princípio inteligente espiritual sobre o princípio obediente material. Tema de nossa próxima e conclusiva crônica desta série.

domingo, 20 de março de 2011

Das sombras para a luz (IV)

Imagine-se dentro de uma alvorada majestosa sucedendo a uma longa e escura noite, na qual tudo é obscuro. Os promissores raios do Sol no horizonte a oferecer as primeiras luzes e você, que nada via, apenas tateava ou, no máximo, portava uma precária tocha de limitada luminosidade e breve duração (um pau de lenha, na verdade) e, de repente, vê surgirem as primeiras imagens de um mundo deslumbrante, porém desconhecido e ainda cheio de interrogações.
De qualquer modo, você não quer mais retornar à escuridão, mas seus olhos são ofuscados pela excessiva luz sucedendo a excessiva escuridão e você se obriga, por vezes, a fechá-los e dar a eles um tempo para que se acostumem com a claridade.
Todo esse exercício de administração da luz pertenceu a muitos seres iluminados que não trabalharam só a religiosidade, pois o que chamamos de Iluminismo foi um processo cultural que atingiu também as artes, as ciências, a indústria, a agricultura, a política, a economia e, como tal, exigiu e cobrou dos líderes religiosos uma nova postura em relação a Deus. Certas estórias contadas como definitivas estavam furadas, ultrapassadas, precisavam ser substituídas. Mas, os líderes religiosos não queriam fazer isso. Faziam o contrário e se agarravam ao velho. E puniam os que quisessem avançar para o novo.
Mas, alguma coisa irresistível parecia agir e permitir ao homem ver os mapas por onde disseram que ele passou (no escuro) sem que os dados conferissem. E a truculência excessiva dos líderes fazia clamar (no íntimo desse novo velho e renovado homem) fazia clamar e impulsionava para a paz, para a ética, para o amor. Cadê Jesus, autor de um discurso de paz, de ética e de amor? Os seus representantes eram incapazes de praticar isso? Incapazes, mesmo, de pregar a necessidade desses valores como bases de uma civilização.
E então a nova consciência cosmocêntrica, despertada em bom número de pessoas, começou por atropelar os contadores de estórias sobre Deus. Os atropelamentos vêm desde o século XIX. Antes disso os “hereges” eram queimados vivos. Herege quer dizer não alinhado. E mais tarde, desde 1960, os atropelamentos se tornaram impactantes sobre a cultura envelhecida. Estamos nos referindo aos hippies, ao Green Peace, à WWF, à New Age, aos místicos, aos espiritualistas, que se manifestavam e declaravam sua inconformidade com o modelo de civilização que exclui o Sagrado.
Foi bem deste jeito que os velhos paradigmas começaram a ser quebrados: inicialmente no silêncio dos lares e de esporádicos templos onde se falava de Jesus e dos espíritos. E mais tarde por algumas organizações reformistas nem sempre religiosas, porém com profundo conteúdo cosmocêntrico.
A metafísica veio ocupar o lugar da física e passou a cobrar dos cientistas o retorno de Deus aos laboratórios porque, antes de tudo, Deus é um grande cientista.
O que durante séculos vinha sendo condenado, perseguido, escondido, começou retornar com o nome de transcendentalismo, onde se renova o saber porque o mundo é dinâmico, evolui; o velho, ao morrer, transmite seus códigos ao novo que vai nascer, como pressuposto de uma continuidade melhorista.
Desde Pitágoras, Zoroastro, os filósofos gregos, Jesus, Swedenborg, Mesmer, Emerson, Kardec, Crookes, Blavatsly, James, Besant, Einstein e daí para frente com trabalhos grupais de centenas de luminares, as luzes começam a mostrar o que não era possível ver porque a escuridão não deixava.
A consciência já pode aceitar novos conteúdos sem rejeitá-los por incompreensão.

sábado, 19 de março de 2011

Das sombras para a luz (III)

Pode parecer estranha a afirmação “espiritismo católico” atribuída ao progressivo crescimento do kardecismo no Brasil e em outros países da América do Sul. Não foi só o espiritismo que se contaminou com o modo católico de lidar com a organização religiosa, a Umbanda também se revelou católica quando colocou para cada orixá maior um santo católico.
A marca mais profunda do catolicismo no espiritismo foi dada pela Federação Espírita Brasileira ao criar uma estrutura muita próxima a da Igreja Católica para engessar o movimento. Criou para o movimento espírita um cartório de outorga. Sem o carimbo de outorga, o grupo estava fora da lei. No catolicismo também é assim a começar pelo batismo. Batizados são salvos, sem batismo são condenados ao inferno.
Mas, importa muito ressaltar no espiritismo sul-americano a sua disposição caritativa. Existem milhares de centros assistindo a velhos, doentes e crianças, mantidos com as doações dos espíritas ou de instituições que os espíritas trazem para a roda de doadores. Isso não se vê na América do Norte, onde a caridade é transferida para o governo, claro, através de associações, mas os provedores inexistem, o dinheiro vem de fundos governamentais e eventualmente de igrejas que arrecadam entre seus fiéis.
Está claro também que se o modelo econômico não fosse cruel, os miseráveis e necessitados seriam em muito pequeno número. A mesma cultura que privilegia o materialismo, sem Deus, e entrega o comando social ao mercado, é a que condena milhares, milhões de pessoas à exclusão.
Toda a crônica de hoje vem abrir caminho para as buscas. Vimos que as pessoas estavam, estão, buscando respostas para iluminar o escuro de suas almas. Os conteúdos espirituais foram os que mais encantaram os interessados nestas buscas.
Parece elementar: o homem é um ser quadridimensional e ao faltar-lhe a conexão com a dimensão que está além do que os sentidos físicos podem perceber, dá-se a ruptura, quebra-se o equilíbrio. Os remédios tarja preta inibidores da consciência e as drogas todas, aceleradoras da consciência, ganham espaço dentro dessas necessidades. Na próxima crônica havemos de ver como é bom ter contato com Deus, através do espírito.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Das sombras para a luz (II)

Parecia não haver futuro. Mas, então, por que imediatamente após à guerra houve um incremento de nascimentos, um investimento na geração de filhos? Pois foi exatamente isto que aconteceu nas Américas e foi chamado de “baby boom” por uns e o seu efeito foi, por outros, chamado de “boomerite”.
Duas questões estão implícitas neste caso: a espiritualidade governante do planeta já havia cuidado para que um outro “baby boom” acontecesse, como de fato se registrou, a partir de 1750, quando as três Américas passaram a receber grandes contingentes de imigrantes. Carentes de mão de obra para as atividades rurais – e as atividades eram fundamentalmente rurais – os casais geravam muitos filhos. Na Europa, com o fim da economia feudal e com a crise motivada pela Revolução Industrial, gerar filhos era gerar maior miséria. Nas Américas, dava-se o contrário. O segundo incremento nos nascimentos se deu a partir da década de 1940 e só então chamado de “boom” dada a ascendência dos Estados Unidos e da língua inglesa por conta dos acontecimentos do fim da Segunda Guerra. Os efeitos do incremento nos nascimentos ficaram conhecidos como “boomerite” pelas mesmas razões que chamamos de encefalite e conjuntivite quando há a infecção do encéfalo e da conjuntiva.
Um grande número de nascimentos infecta, impacta toda uma sociedade: mais roupas, mais calçados, mais alimentos, mais hospitais, mais escolas e, claro, mais trabalho para sacerdotes e pastores, justamente no momento do pós-guerra com muitos mortos, explosão das primeiras bombas atômicas, início da guerra fria, expectativa de novos conflitos, como de fato aconteceram no Camboja, no Vietnam, na Coréia, etc.
Foram momentos de introspecção e dúvidas, angústia e procura.
A mensagem das igrejas tradicionais havia envelhecido sem poder oferecer as respostas ao novo ser humano que cobrava das lideranças uma nova postura. O Festival de Woodstock, o Movimento Hippie, a New Age e o “boom” das Igrejas Pentecostais se inscrevem entre os acontecimentos dessa época. E dois fatos, em especial, merecem destaque um na América do Norte e outro na América do Sul. No norte, como os eventos já mencionados, houve uma extraordinária penetração da fé budista, não a original, foi um budismo à americana, sob o disfarce de anulação do ego, bem ao estilo e a serviço dos hippies, da New Age e do modelo celebrado pelas igrejas pentecostais: cada um para si e Deus por todos, isto é, meu ego nada vale se tudo quanto quero que aconteça será provido por Deus (o Universo me proverá).
A cultura decorrente desta nova postura individualista também transferiu ao governo a tarefa de prestar caridade e tirou das igrejas todas as iniciativas de ajuda ao próximo. No sul, foi a extraordinária penetração do espiritismo, um espiritismo católico, mas muito forte, complementando o vazio trazido pela fé católica. E tendo como ponto forte a caridade.
Na próxima crônica tem mais.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Das sombras para a luz (I)

Iniciamos aqui uma série em continuidade à “A Consciência” e quase que dentro do mesmo enfoque, porém não filosófico e sim histórico. Vamos relatar sem o preciosismo cronológico de como a humanidade evoluiu quanto ao aspecto do desenvolvimento do pensamento espiritual.
Desde a sombria pré-história da civilização (sombria porque conhecíamos quase nada e nem sabíamos escrever) nos vem fragmentos de um conhecimento espiritual que era manejado pelos pajés e xamãs das tribos de que se compunha a sociedade de então. Todos éramos tribais, todos fomos nômades e em diferentes tempos nos tornamos membros de tabas, aldeias, vilas. E foi para organizar e dirigir os aspectos transcendentais da tribo que alguns dos seus membros, por vocação, depois de iniciados nas artes espirituais, se tornava o sacerdote, a sacerdotisa e cuidava da saúde (entendida como sendo a alegria, a disposição para o trabalho, a cooperação para com os demais, a prática da verdade e a responsabilidade para com a prole). Fora desses cinco pontos de honra, o membro do grupo era declarado doente e em alguns casos considerado como “de alma perdida” e o sacerdote/sacerdotisa era chamado a intervir para “devolver-lhe a alma”. O que podemos entender sobre isso? Que o homem vindo das cavernas para as tabas tinha uma percepção de que somos maiores que o que encerra nosso corpo e que quando a coisa maior (no caso a alma) se separa ou se perde, nosso corpo é levado a fazer coisas das quais nos envergonhamos ou nos tornamos indignos. O trabalho espiritual, através de benzeduras, rituais, danças, pajelanças, objetivava refazer a conexão do ser com sua essência, entendida a essência por princípio divino e entendido o ser corporal como uma manifestação do sagrado no mundo profano.
Essa cultura ancestral não se perdeu, apesar de bombardeada por outros modismos religiosos, como foi a Mitologia, através da qual os reis, faraós e césares, tentaram contar uma história sagrada destinada a sufocar os ímpetos desregrados de uma humanidade bárbara que se oferecia à civilização e como foi a construção de um monoteísmo ancorado na experiência persa e hebraica, que desembocou no catolicismo romano.
Retomando o velho curso do chamado período xamânico, também encontrado nos terapeutas alexandrinos, tivemos a experiência trazida por Jesus, porém anulada por Roma tão logo os generais descobriram que política também se faz com religião, ou seja, a velha fórmula faraônica, agora renovada. Não havia mais um panteão de deuses, mas um só, aliás, no caso católico, três: pai, filho e espírito santo. E o jeito de apascentar o rebanho era exatamente o mesmo: contar-lhe estórias sagradas e cobrar respeito sob a ameaça de punição.
Caminhamos pelos séculos acreditando que o homem se tornara civilizado. Só que o civismo desta sociedade incluía os mais abomináveis atos de selvageria como o foram a Cruzadas, a Inquisição, as centenas de guerras. Mas, uma guerra em especial assustou muito. Aquela que acabou quando Hiroshima e Nagasaki foram destruídas por bombas atômicas. Viriam outras? O mundo estava sob terrível ameaça? Haveria futuro?
Pois é para tentar responder a estas perguntas que passaremos à próxima crônica.

quarta-feira, 16 de março de 2011

A Consciência (conclusão)

Com a palavra, Robert Happé, autor do livro “Consciência e a Resposta”:

Chegamos finalmente ao tempo em que os ensinamentos de Cristo podem ser compreendidos e recebidos, como representantes da filosofia da Consciência Superior. A maioria da humanidade já se desenvolveu o suficiente para acolher a substância essencial desses ensinamentos, que versam sobre sermos todos capazes de experienciar a luz divina existente dentro de cada um de nós.
. . . A unificação é o processo por meio da qual o subconsciente, a mente consciente e o superconsciente se reúnem, passando a operar como uma unidade dentro do indivíduo. Chegar à conclusão deste processo é a nova direção e o novo propósito da consciência.
. . . Cristo, portanto, não é uma pessoa, mas sim uma Consciência Cósmica de pureza cristalina, cheia de amor, esperando pacientemente que cada um de nós tome e decisão de unir-se à energia dourada que ele representa. Também o som "AUM " ou "amém" simboliza Cristo ou, dito de outro modo, essa Consciência.
. . . Quando falamos em mudanças, estamos falando, então, de transformar nossos medos novamente em amor, este é o foco central do processo que eleva o nível da nossa consciência.
. . .A verdadeira liberdade é estranha à maioria de nós. Estamos tão acostumados a receber programações e a viver de acordo a elas, que esquecemos quão mais confortável é pensar e agir de acordo com aquilo que queremos.
. . . Cada um e todos podemos refletir nossa própria divindade. O problema é que poucos ouviram a mensagem sobre serem divinos ou sobre a existência do amor dentro si. Agora precisamos simplesmente dar atenção a isso. O que todos, como humanidade, precisamos fazer é soltar a programação e iniciar a conexão com o divino inerente a cada um de nós.
. . . Somente juntos poderemos nos resgatar de nós mesmos, Consciência, portanto, é a palavra chave para que possamos sobreviver! Quando um de nós se liberta, todos podem se libertar, porque somos igualmente membro dessa mesma humanidade, e quando nos livramos da negatividade, podemos facilmente expressar amor e paz.
. . . O que há de mais negativo, entretanto, é a negação ainda presente da força-Deus que se move dentro de nós! Se colocássemos nossa atenção nessa força, o poder e o amor retornariam às nossas vidas, poderíamos curar todos os desequilíbrios.
. . . Juntos, nós compomos Deus, cada um de nós tem habilidades, energia, desejos e amor. A questão é o que estamos fazendo com essas qualidades. Estamos compartilhando essa energia e ajudando a construir um mundo melhor para todos, ou estamos usando nossas qualidades para controlar o mundo ao nosso redor?
. . . Quando nossos pensamentos estão focalizados na doação, tornamo-nos livres e a cura se inicia. Ao doar estamos acionando a fonte de poder dentro de nós.
. . . Descobrindo nossa própria natureza, uma vez contatada, essa fonte de poder possibilita-nos viver de acordo com as Leis Cósmicas e expressar nossa herança divina. Tornamo-nos assim exemplos vivos de amor criador.
. . . Nossa tarefa é a de nos tornar livres e expressar amor e amizade nas nossas experiências cotidianas com todos. Viver com amor é muito mais satisfatório do que viver com dúvida, medo ou conflito.
. . . Seria conveniente lembrar da Lei Universal do Amor que nos pede para colocar o interesse e o bem estar dos outros acima dos nossos. De mãos dadas com essa Lei, temos a Lei Universal do Perdão, que pede que perdoemos os outros pelos seus erros assim como perdoamos a nós mesmos. Viver em consonância com essas Leis requer, primeiramente, a capacidade de amar todos os aspectos de nosso ser.
. . . Não estamos sós. Existe um incrível e poderoso vórtice de energia em torno de nós e dentro de nós, chamado Deus, Divino, Cristo, ou simplesmente Vida, que busca despertar e aumentar a essência do Amor dentro de nós, para nos mostrar quem realmente nós somos. Quando inspiramos essa energia com toda atenção, começamos a nos lembrar de nossa herança divina, de nossa verdadeira identidade.
. . . Todos são UM aprendendo, criando, nutrindo e curando uns aos outros, seja dentro ou fora da forma física. Não existe morte, apenas mudanças. Conforme vamos mudando e aprendendo a compartilhar, a doar e receber, tornamos-nos criativos e adquirimos a consciência de que todos precisam amar e ser amados. Cada um de nós, como seres humanos, e cada ser de todos os reinos, está eternamente mudando para atingir a perfeição da unidade.
. . . Entregue-se à nova consciência que aguarda sua acolhida para manifestar-se em novas visões. Abandone as opiniões, crenças e atitudes que o prendem a maneiras pouco amorosas de estar na vida. Prepare-se assim, para a transformação e certamente ela virá.
. . . Existe um apego atribuído à alma desde do início, que é o desejo de retornar ao coração do Amor Divino, à fonte original da vida. Cada alma carrega dentro de si o reflexo desta memória. Quando este reflexo é fraco, a alma não sabe propriamente para onde ir, sente-se solitária e desamparada. Quando, porém, ela contata o reflexo do Amor Divino dentro de si mesma, começando a se dar conta que seu apego original é o de fundir-se à fonte, a partir daí pode colocar seu foco em qualquer coisa que mobilize seu desejo, sem se sentir perdida.
. . . Para conhecer melhor nossa própria natureza, escolhemos amigos e, à medida que nos relacionamos com eles, obtemos um conhecimento mais integral a nosso respeito. A interpretação que fazemos de nós fica, assim, acrescida pelo espelho que os outros nos proporcionam.
. . . Da perspectiva desse mundo novo, o mundo físico não é mais visto como mundo real. Conforme a alma vai se tornando íntima dessas novas áreas, penetrando e conhecendo suas vibrações, isso se reflete numa visão do plano da existência física, como sendo uma espécie de sonho, como algo que não é real.
. . . Despertar significa soltar-se das amarras do medo, permitindo que o amor existente em nós clareie tudo. Esse despertar é um processo gradual e acontece no coração daqueles que se permitem amar.
. . . O amor existe dentro de nós. Ele nos é inerente. Despertar neste plano é, essencialmente, tornar-se consciente da presença do amor e expressá-lo.
. . . Para poder escutar a voz da criança interior primeiramente temos que aquietar a mente e aprender a ouvir. Não somos nossos pensamentos, não somos nosso corpo, somos, de fato, seres de amor eterno. Não existe morte, não existe nascimento, somente existe mudança, para sempre e sempre, até que atinjamos a nossa meta e nos tornemos plenamente conscientes e libertos do medo.
. . . Quando reconhecemos nossa verdadeira identidade no oceano do amor, quando nos damos conta de nossa própria divindade, começamos a pensar por nós mesmos e escolhemos nos unir a tudo o que se apresenta em nosso caminho. Nesse ponto, tornamo-nos conscientes de que a eternidade está presente em cada momento, que tudo é interligado . . . . sentimos, então, amor por todos, porque nós somos todos.
. . . Aqui neste planeta, o jogo é o de acordar da amnésia, de aprendermos a acessar nosso livre arbítrio, de nos tornarmos auto-conscientes. O jogo é perceber o jogo, através de nossas experiências.
. . . Aqueles que gostam de viver e de se expressar como seres criadores atuam de maneiras que auxiliam os outros na melhoria de suas vidas. Descobrem-se como seres de amor e começam a expressar o modo de vida da Quarta dimensão.
. . . A nossa tarefa é a de nos tornarmos livres e simplesmente expressarmos amor em nossas experiências cotidianas. A vida é muito mais plena de paz, quando vivemos com amor, do que quando vivemos com medo. De algum modo, todos temos de lidar com o que nos agrada e com o que nos desagrada, com nossos apegos e aversões, essas polaridades estão relacionadas com nosso aprendizado.
. . . Somos criadores e realmente temos o poder criador dentro de nós, para traçar uma vida que nos torne felizes.
. . . Faça está escolha e comece a amar tudo aquilo que você atrai. Torne-se diferente, seja sua verdadeira realidade divina.
. . . Todos nós temos a habilidade de ver e compreender completamente o grandioso plano reservado para nós aqui na Terra e além dela, então esteja desejoso de tornar-se um participante consciente na mudança em direção a uma freqüência mais amorosa e compreensiva.
. . . Se você atrai situações difíceis, por favor, lembre-se de que esta é sua oportunidade para equilibrar e amar, porque este é seu ingresso para um estado mais elevado de vida e de consciência.
. . . O propósito de nossa presença no plano tridimensional é nos tornar-mos conscientes de nós mesmos como seres de amor, capazes de criar a paz. Atingindo tal estágio, expandiremos nossa consciência, adentrando na quarta dimensão. Nela desfrutaremos um sentido individual de harmonia interior e, ao mesmo tempo, nos conectaremos harmoniosamente com outras formas de vida.
. . . Em nosso mundo convivem lado a lado dois tipos diferentes e claramente distintos de pessoas. Podemos descrevê-las como sendo as que despertaram e as que estão adormecidas, ou, dito de outro modo, temos indivíduos que adquiriram a percepção consciente da totalidade e os que continuam dirigidos pelos valores do ego.
. . . É a essência da força criadora, que é a inteligência, também conhecida como amor (Deus), que nos permite enxergar a totalidade da experiência e nos faz perceber conscientemente nossa responsabilidade como co-criadores com todos os outros. A ausência do amor e inteligência, por sua vez, conduz as pessoas a essas dualidades competitivas e negativas, a jogos de condenação e de crítica em que sempre acham defeito nos outros. Aqueles que se mantêm nessas vibrações não se dão conta de que a acusação que fazem aos outros é um reflexo de suas próprias polaridades mal resolvidas.
. . . A chave para a sobrevivência, entretanto, não é a competição e sim a cooperação. Quando fizermos contato com as qualidades superiores, nós nos tornaremos capazes de perdoar e cooperar e, assim, todos, em toda parte, poderão experimentar a prosperidade.
. . . Entretanto não podemos crescer sozinhos, precisamos uns dos outros, precisamos interagir. Quando compartilhamos mais de nós com os outros e não somente agirmos em benefício próprio, então todos teremos uma parcela de abundância e o mundo se tornará melhor.
. . . Transmute então seus medos através do seu amor, de momento a momento, e desfrute das mudanças que tornam esta vida que você escolheu viver um passaporte para uma consciência superior.

terça-feira, 15 de março de 2011

A Consciência (VI)

Quem esteja lendo ou pesquisando sobre os temas que envolvem a consciência estará apto a entender que algumas das experiências mais fascinantes do ser humano nestes últimos 100 anos envolvem os estados mentais incomuns, que a psiquiatria tradicional, desde Freud, diagnostica e trata como distúrbios mentais biológicos e, em grande percentual, são (1) crises de transformação pessoal, a guerra entre ego mal dimensionado e (2) o que a ciência bem recentemente chama de “emergências espirituais”, sem poder conceituá-la devidamente. Também não faremos isso aqui. Mas queremos contribuir.
Por conta das dúvidas ainda persistentes muito mais por preconceito ou dogma, os pacientes são tratados com pesadas doses de drogas tarja preta ou, como alternativa, conduzidos à presença de “exorcistas” amadores e, assim, considerados possuídos pelo “demônio”.
Dois comentários destinados a iluminar consciências: (a) episódios dessa espécie têm sido descritos na literatura sagrada de todas as épocas como marcos do caminho místico, o que vale dizer, experiências dotadas de um conteúdo ou sentido espiritual bem claro; (b) a figura do demônio apareceu nos escritos ditos sagrados há 25 séculos (bem depois, portanto) e conservam uma conotação dogmática de perigoso resultado, pois sugere uma inversão de sentido para a cura ao desobrigar o paciente “invadido” pelas “forças do mal” de transformar-se para vencer as suas próprias limitações ou medos, pois insere a contratação de um “terapeuta” ou “salvador” para “livrá-lo” do incômodo.
No interior de muitos desses episódios podem estar casos efetivos de psiquiatria, cujo tratamento é, de fato, por essa via. Mas, dentre alguns outros casos quando entendidos e tratados simplesmente com a supressão intelectual pelo efeito de drogas farmacológicas ou pela via do exorcismo, perdem os pacientes e perde a ciência a oportunidade de contribuir para extraordinários avanços. O potencial positivo expresso pelo termo “emergência espiritual” é um jogo de palavras que sugere tanto uma crise (emergência no sentido de urgência), e também como uma oportunidade de ascensão a um novo nível de consciência (emergência como elevação, do verbo emergir, sair do fundo).
Todos nós somos seres espirituais antes de sermos seres biológicos, pois é a alma que sobrevive à matéria densa sem deixar de ser algo atômico, pois é energética. Todos nós, como seres quadrimensionais, temos carência de conexão com o que está além da terceira dimensão. O prolongado veto às práticas místicas nos tem levado a crises. Crises que buscamos resolver com drogas oficiais e ilícitas ou através de recursos equivocados de fé. O resultado é dramático.
Alcançadas pelas mesmas técnicas ensinadas pelos xamãs e resgatadas por Jesus, pessoas em crise consigo mesmas têm toda a chance de promover a cura interior. Uma ressalva esclarecedora: Jesus não administrava remédios ou poções químicas. Sugeria a transformação do paciente, prática que depois apareceu nos evangelhos como exorcismo. Na verdade, o demônio ali descrito não é o diabo e sim a deterioração das vibrações por vícios e concepções viciosas. Afastar os demônios precisa ser entendido como eliminação das concepções viciosas, a tarefa de apascentar a consciência. A isso se dá o nome de reconciliação integral do ser com sua natureza, com sua essência, ou seja a religação, a solda do que havia se quebrado, a emenda do que estava partido, o remédio (como remendo) como meio de rejuntar o que estava separado, ou seja, trazer a alma de volta para casa, a casa das vibrações coerentes com o plano divino da vida.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A Consciência (V)

Então já podemos começar a entender que crescemos quando queremos crescer, crescemos quando derrotamos nossas imperfeições. Sempre que usamos nossas energias potenciais para somá-las à Energia Vital, que o planejador disponibilizou no Universo e providenciou uma mente capaz de escolher e uma juíza, chamada consciência, para mensurar os resultados, que chamamos de acertos e erros, quando acertamos somos abençoados, quando erramos somos amaldiçoados.
Pautando nossas mentes e vontades a favor das Leis Universais somos abençoados e evoluímos. Fora das leis, entramos em crise e fazemos coisas das quais nos arrependeremos. Se houver humildade para reconhecer o erro, damos um passo à frente. Se houver teimosia, estamos sujeitos a apanhar da vida, bem daquele jeito que os pais (conscientes) educam seus meninos. Com uma diferença importante: o pai consciente, aqui, é a consciência, mesmo. Nada além dela.
Esta ressalva tem de ser feita para evitar que se ponha a figura de Deus ou de Jesus no meio desta questão, como autores do “castigo” e, numa outra situação, como salvadores capazes de alterar o curso normal da vida apenas por misericórdia.
A misericórdia existe, o milagre existe, mas são, sempre, antecedidos de uma transformação extraordinária daquele que se tornará merecedor. O salvador nunca fará evaporar-se e desaparecer da estrada o caminhão que vem na sua mão apenas para promover o milagre de evitar que se choque com o outro veículo que invadiu a contramão. Tão pouco invadirá os arquivos do Detran para promover o apagamento das multas devidas pelo motorista multado só porque ele é um cara alegre e simpático. Na contramão, na contravenção, fora das leis universais, ninguém cortará caminho, ninguém se dará bem, permanentemente. Esporadicamente poderá dar-se bem. Costumeiramente, não. Será chamado a acertar as contas. Não porque o olho de Deus esteja a fiscalizar. É porque a consciência humana é a juíza, é a ferramenta do espírito e o espírito está pautado para evoluir, para aperfeiçoar-se. E tem pressa.
“Não viemos à Terra para viver uma vida medíocre, mas para aprofundar nossas experiências de vida e nos unirmos com tudo àquilo que, em decorrência de nossos medos, acreditávamos que era separado de nós”. (Trecho do livro "Consciência é a Resposta", de Robert Happé)
O tema parece não se esgotar.

domingo, 13 de março de 2011

A Consciência (IV)

Que viagem extraordinária estamos fazendo, não é mesmo? Eu e você só podemos chegar lá, próximo ao fim-da-linha das reencarnações quando nada mais restar que possa nos tornar indignos para a vida. O projeto assim exige e as escolhas são nossas, assim como, ao aluno, é dada a escolha de ficar na sala de aula e apreender a lição que ali está sendo ensinada ou cair fora, não aprender, rodar na prova e repetir o ano. As aulas suplementares, de reforço, chamadas de segunda época, que sempre acontecem fora do horário normal e exigem muito esforço pessoal para assisti-las e podem ser comparadas com a dor: tempo extra para aprender deitado numa cama, atrelado a aparelhos. Para evitar que se repita tudo novamente no ano seguinte (ou na encarnação seguinte), a vida nos dá uma prova de fogo, qual seja, a de passar pela dor, ficar deitado, sujeitar-se a médicos, enfermeiros, laboratórios, hospitais, remédios, terapias...
E não fique aí, leitor, leitora, imaginando que isso se dá por vontade de Deus, por castigo dele, etc. Aquela lenda de que Deus não joga, mas fiscaliza, é um equívoco de visão. Não é bem assim. Existe a lei e, fora da lei, a juíza consciência se encarrega de sentenciar.
A nossa consciência, no papel de registro e de juíza baixa a sentença e se não cumprida, a pena se prolongará. Ao nos sentirmos culpados, tomados de remorso, o fantasma se agigantará e se tornará ameaçador. A maior parte das nossas atenções será desviada do objetivo da vida para “cuidar” do fantasma. Nos primeiros tempos a gente quer jogar o fantasma para baixo do tapete, para dento do armário, confiná-lo no porão, apagar as luzes, deixá-lo no escuro. Mas, o danado cresce, se revela imbatível e vem pra luz.
Ou nós acabamos com ele, através da humildade suficiente para o exorcismo, para o perdão (daqui pra lá e de lá pra cá) ou ele nos põe deitados, doloridos, doentes, indignos. A outra opção é retomar a vida noutra encarnação colocando todos os pingos sobre os is.
O que é colocar os pingos nos is? Respeitar as leis. Leis Divinas, Leis Naturais.
Por que motivo nascemos num corpo, se somos espíritos? Para evoluir. A evolução se dá no plano biológico. Com que objetivo? Alcançar a perfeição, ensinam os mestres, indicam as leis, assinala a ciência.
Parece que nada mais precisa ser afirmado.
Ao entender isto, dá-se, para nós, um clarão no universo da consciência e todos os componentes que dela participam são chamados a contribuir para os nossos novos estágios. Lembra-se de quais são os componentes?
Apreensão, reação, reflexão, sensação, percepção, impulso, afeto, necessidades, regras, formas para solidificar o desenvolvimento de outros conteúdos como símbolos, conceitos, valores, visão (no sentido amplo e não apenas de olhar) e lógica. Quem sabe haja mais coisas a incluir aqui. Mas, por enquanto, é o que os estudiosos da consciência estão incluindo.
Continuaremos.

sábado, 12 de março de 2011

A Consciência (III)

Se você quiser andar com beleza e naturalidade por estes textos apreendendo a gerar novas consciências, faça o favor de ler, pelo menos, as quatro crônicas anteriores. Caso contrário, você não apreenderá o que queremos dividir com você, acrescentando.
Na série “Que venham os meninos...” foi explorada a condição egocêntrica da criança a cobrar para si atenções sobre seu corpo, suas necessidades, seu aprendizado e aí se destaca a índole do “eu”. Eu sou o centro, olhem para mim, sirvam-me, protejam-me, não me deixem. Assim se forma uma personalidade egocêntrica. Muitos de nós não crescemos e chegamos aos 80 anos nos comportando exatamente assim como as crianças. São essas pessoas que sempre terão as maiores dificuldades, as instransponíveis dificuldades com filhos, cônjuges, irmãos, sócios, empregados, amigos.
O normal da planta divina pela qual evoluímos, é que deixemos para trás o ego (criança) e incorporemos o etno (jovem), a gang, a família, o clã, e nos tornemos seres sociais, assumindo lideranças, aceitando o comando de outros líderes, contribuindo para o todo ao invés de servir-se do todo para “contentar-se com a vitória”.
O estacionamento do supermercado é amplo, 300 carros ou mais. Duas delas estão reservadas a cadeirantes e quatro delas a idosos. Dois jovens exuberantes e bem vestidos atracam seu veículo na vaga do cadeirante e entram sorrindo da vida para as compras. Ao chegarem no carro, de volta, portando muitas latas de cerveja, são abordadas pelo senhor que tudo viu. Resposta: “Azar, estava vazia, não tem fiscal e eu estou com pressa”. Lá na Líbia também tem um apressado que sentou na cadeira do presidente porque ela estava vazia. E agora mata para não sair de lá. Qual é a diferença? Os jovens não matam, não é mesmo? Matam, sim. Matam a sua dignidade perante a vida e amanhã valer-se-ão do dinheiro público apenas porque não havia uma fiscalização. Nesse caso, o fiscal é a sua consciência.
Quando é assim chegamos a postos importantes nas funções de marido, esposa, pai, mãe, empresário, administrador, líder, e somos a diferença para melhor ou engrossamos o lixão onde fuçam as nossas melhores promessas de líderes.
Como se vê, dá para dar um passo, muitos passos.
O passo seguinte (ainda segundo a planta divina pela qual evoluímos), é avançar para o estágio globocêntrico, a caminho do estágio cosmocêntrico. Ao chegar ao estágio globocêntrico passamos a defender a ecologia, passamos a respeitar a vaga do cadeirante, a lutar pelo fim das exclusões, miséria, guerras, pois o planeta não tem nenhuma necessidade de impor a uma parte dos seus habitantes a fome, a doença, a dor, o luto, frutos do desamor egocêntrico.
Se tomarmos uma estrela em processo de morte, como ensina a Astronomia, aprendemos que ela chama para si as energias circundantes, criando o que para os astrônomos é o “buraco negro”. Para ali, todo o arredor é chupado, e todo o meio sai perdendo. Mas, o buraco-negro também perde. Perde o indivíduo quando o coletivo perde. Ganha o coletivo quando o indivíduo ganha.
Existem pessoas-buracos-negros, literalmente. O mundo precisa existir ao redor delas, só para elas. São como crianças a exigir as atenções de toda a família. Passadas as necessidades, que são naturais, a criança cresce e sente necessidade de contribuir com o meio, com o cônjuge, com os filhos, etc. etc., não como regra.
Segundo a planta divina pela qual evoluímos, a criança terá de deixar de ser criança, livrar-se do ego, dominar o ego, domar o ego, emparelhar o ego com outros egos, harmonizá-lo. Se não o fizer, permanecerá criança, retornará ao aprendizado inerente às crianças, porém sendo adulta. Aqui entram os aprendizados. Se eles não puderem ser via cãezinhos, como já nos referimos em outra crônica, terá de se dar pela dor, quem sabe com a intercorrência dos dois: da escola e do hospital.
Voltaremos a este assunto.

sexta-feira, 11 de março de 2011

A Consciência (II)

Voltamos a falar do “olho que vê a si mesmo”, já referido. Tomemos o espaço iluminado aberto dentro do vazio (nos ensinam que é assim que a consciência se expande) e reconheçamos (ou tentemos reconhecer) tudo o que ali existe. Isso é, muito proximamente da realidade, a consciência. Nada se perde. Pode ser substituído, mas nada se perde. Talvez, de forma simplória, pudéssemos dizer que a consciência também é o arquivo da alma e o juiz da mente.
O arquivo da alma viaja conosco pelas reencarnações e o juiz da mente nos autoriza sentirmos-nos dignos ou indignos para a vida. É com reflexo nos arquivos de muito longo prazo e nas manifestações dessa JUIZA que têm início e fim todos os dramas de qualquer ser humano.
Levamos para dentro do arquivo da alma determinados conteúdos que ali ficam sendo realimentados, na maioria das vezes, por sentimentos de culpa ou remorso (isso é apenas um dos nossos fantasmas) e os fantasmas se agigantam e nem mais sabemos lidar com eles. Quer dizer, ficamos lidando com eles, lutando, fugindo, tentando surrá-los, na verdade, apanhando sempre e pautando todas as nossas visões segundo a sua influência, à influência por eles exercida.
Quanto mais artifícios inventamos para mascarar, isto é, para mentir para nós mesmos, pior fica. Existem pessoas que passam a vida negando as coisas sem poderem dormir sossegadas pelo assédio dos monstros. Aí vêm os soníferos, aqueles olhos fundos e enegrecidos, uma imensa necessidade de sonhar durante o sono e de também sonhar os sonhos que a vida nos pede que sonhemos acordados e... NADA!
Numa das crônicas anteriores fizemos uma referência às pessoas que renunciam as relações humanas e, com freqüência, passam a dedicar-se aos animais. Não se pode generalizar e nem condenar tal atitude, mas de modo muito específico são os fantasmas que as levam a renunciar os relacionamentos que, se resolvidos, acrescentariam qualidade à vida e, se adiados, conduzem-nos a priorizar os relacionamentos que nos levam de volta para a infância, como meninos e meninas a brincar com bonecas ou bonecos, que sempre nos obedecem, nunca nos cobram posturas e sempre estão à nossa disposição para fazer as nossas vontades. Os cãezinhos e os gatinhos têm essa função. Passamos a chorar mais pela separação dos bichinhos do que pela separação dos seres humanos. Não é regra, mas também não é exceção. Aliás, é evidente (nesses casos) que trocamos o ser humano pelo ser animal.
Menos mal, quem sabe, pois existem pessoas que renunciam os relacionamentos humanos e nem evoluem para a relação homem-animal, anulam-se, deprimem-se, encapsulam-se.
Deixamos de aprender a superar nossas dificuldades, renunciamos enfrentar nossos fantasmas, os nossos fantasmas nos encurralam.
Quanta dificuldade de reconhecer um erro, pedir perdão, compreender o erro alheio, conceder perdão.
Perante a consciência, todo aquele que se apresentar derrotado por outrem, será mandado de volta para a estrada da vida com a missão de derrotar-se a si próprio. Isso mesmo, vencer a si mesmo. Esses são os vitoriosos, aqueles que vencem a si próprios, falando de ego, e permitem que a essência se revele.
Mas, isso aqui não é um tratado contra quem se dedica aos animaizinhos para fugir dos fantasmas. É um tratado contra os fantasmas. Os animaizinhos nos ensinam a dar afeto, perdoar suas traquinagens, a cuidar deles como se crianças fossem, nos ensinam a juntar o seu cocô, a limpar o seu xixi, a pagar as suas contas, a suportar o seu cheiro e o barulho que eles fazem. Que aprendizado, hein!!!
Fracassados ou mal sucedidos numa relação de maior profundidade entre humanos, nossa consciência sugere, estimula uma volta, à retomada do aprendizado numa escala inferior para, só então, saltar adiante nas relações de maior envergadura. Estarmos aptos às relações pelas quais temos de passar, sem nenhuma dúvida, é o desafio de todos, pois a vida acontece em sistemas: sistemas ecológicos, sistemas planetários, sistemas sociais, sistemas familiares, sistemas espirituais. Encarnamos em clãs cujas identidades já são velhas conhecidas e adicionamos novas e espetaculares conquistas, mesmo que seja aquela vizinha chata, que torra.
Que ironia, que descobertas nos proporcionam as chamadas leis naturais! O cão, melhor amigo nosso, posto na natureza para servir ao homem, inverte o seu papel numa jornada de, ainda como o melhor amigo do homem e da mulher, cobrar do homem e da mulher cuidados gerais, dedicação, doação, para, em troca, desenvolver (no homem e na mulher), conteúdos de apreensão, reação, reflexão, sensação, percepção, impulso, afeto, necessidades, regras, formas para solidificar o desenvolvimento de outros conteúdos como símbolos, conceitos, valores, visão (no sentido amplo e não apenas de olhar) e lógica. Agora você já pode começar a refletir sobre determinados “por quês” frente à vida. Não pode?
Continuaremos neste tema.

quinta-feira, 10 de março de 2011

A Consciência (I)

E aí, o que é a consciência? Você saberia defini-la?
Ela não é uma coisa, um conteúdo, um fenômeno. Ela não tem definição. Ela não é um conjunto de visões do mundo, de valores, de princípios morais, de cognição, de valores memes, de estruturas matemáticas-lógicas, de inteligências adaptativas, nem de inteligências múltiplas. Ela é maior que isso tudo.
Em particular, a consciência não é o que ela contém, mas o espaço em que os conteúdos surgem. A consciência é o vazio, a imensidão, a clareira em que surgem os fenômenos, e se esses se desenvolverem em estágios, poderemos afirmar que nela, a consciência, houve espaço para conhecimento, moral, valores, necessidades, memes, etc. etc..
Parece simples quando se pega um exemplo mais direto. Você, no escuro, pega e acende uma vela. Olhe ao redor. Que espaço está iluminado? Uma consciência com alcance da luz de uma vela, é uma consciência com alcance da luz de uma vela. O que couber dentro do espaço iluminado por uma vela é o que contém nesta consciência e quem sabe nem todo o espaço está ocupado ou nem tudo que ali está é reconhecido. O que nela não contém, não é consciência e também não é consciência o que nela está e não é reconhecido. A consciência é algo assim como o olho que se vê a si mesmo.
Agora tomemos a luz do Sol como parâmetro. O que cabe no espaço iluminado pela luz do Sol? Cabe, ao que se sabe, todo o Sistema Heliocêntrico, não é, mesmo? O que antes só dava para ver a si mesmo a uns quatro metros de raio, agora pode chegar a bilhões de quilômetros, inclui o planeta Terra, seu satélite, a Lua, os demais planetas deste sistema, cabe a humanidade, cabem os conhecimentos que esta mesma humanidade já domina e por aí a fora. Será mesmo? Não é bem assim, não. Só estão dentro deste espectro aquilo que a ciência conseguiu dominar ou como já afirmamos, aquilo que o olho que se vê, vê de fato. O que a ciência não domina não é consciência, os homens não vêem a si mesmos e o que os homens não vêem de si mesmos não faz parte da consciência.
Será que a consciência de um ancião com 90 anos é maior que a consciência de uma criança com quatro aninhos?
Até 30 anos atrás todos os estudiosos responderiam que a consciência do idoso é maior. Note, antes de emitir um parecer, que consciência e conhecimento não são a mesma coisa. Se trocarmos por sabedoria, teremos chegado um pouco mais perto. Lembra de que numa das crônicas anteriores explicitamos o que pode caber dentro do vazio chamado consciência? Apreensão, reação, reflexão, sensação, percepção, impulso, afeto, símbolos, conceitos, necessidades, valores, regras, formas, visão (no sentido amplo e não apenas olhar) lógica. E agora você já pode começar a refletir para saber se o ancião e a criança podem ser comparados. Diremos daqui: não podem ser comparados. Cada caso é um caso. Um deles, em suas vivências de muito longo prazo, pode reunir maior conteúdo de um dos componentes referidos, enquanto o outro pode reunir maior conteúdo de outros componentes. Querer nivelar isso, querer estabelecer parâmetros, é o mesmo que dizer que esta miss é mais bonita que aquela ou que a minha dor é maior que a sua.
Na próxima crônica tem mais.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Que venham os meninos...

De tanto “quebrar a cara”, a ciência teve de reconhecer que a consciência não está no cérebro e que a inteligência não depende da quantidade de massa cerebral e sim do que hoje se chama inteligências múltiplas.
O reconhecimento não se deu porque a busca tenha sido outra, o interesse era, mesmo, descobrir pessoas especiais para trabalhar em serviços especiais destinados ao enriquecimento. Enriquecer o dono de algum negócio que depende de talentos humanos.
Lembra que há 50 anos atrás se falava muito em QI – quociente de inteligência? Lembra que um pouco depois já se estava falando em Inteligência Emocional? E que veio, em seguida, a Inteligência Multifocal?
Pois é, foi atrás destas descobertas que surgiram os campos moral, estético, inter-pessoal, psico-social e espiritual, tudo relacionado com a inteligência. Veja, estávamos buscando talentos para ganhar dinheiro e os talentos nos colocaram diante da maravilha chamada homem, chamada mulher.
A Psiquiatria e a Psicologia tiveram de refazer grande parte do que haviam ensinado os mestres do passado para retomar o ser humano do princípio. E no princípio, não somos apenas sentimentos, impulsos, pensamentos e desejos. Somos muito mais. Nascemos egocêntricos, preocupados com nosso eu corporal, damos um passo à frente quando pensamos no grupo, na gang, em busca do “nós” e, quem sabe, abrimos o campo para sermos globocêntricos, pensando ecologicamente (os jovens são sensíveis a isso), querendo um planeta mais limpo.
Mas, infelizmente, não queremos o planeta para todos e sim para nós mesmos e voltamos a ser egocêntricos. Fracassados em nossas relações inter-pessoais, renunciamos as relações humanas. É assustador o número de pessoas que moram sozinhas (sozinhas, não, com um, com dois ou mais animais de estimação) e é espantoso o número de divórcios.
Isso é o que está dito na maioria dos estudos que traça o perfil humano dos tempos atuais.
Crescemos e não deixamos de ser meninos, apegados ao nosso brinquedo, querendo parar o jogo porque a bola é nossa. É mentira que crescemos. Ainda não crescemos, continuamos criança.
Continuamos pensar no planeta limpo não para ser habitado por todos os homens. Pensamos no planeta limpo para ser habitado por mim. E nem isso fazemos corretamente, pois o cocô do cãozinho fica sobre o jardim da praça por onde saímos a passear com ele. Pensamos numa rua sem violência para mim passear por ela. Pensamos numa produção limpa de alimentos porque eu não quero ser envenenado pelos agrotóxicos. Não juntamos o lixo jogado na rua porque não fui eu quem jogou. Queremos a rua com menos carros para mim trafegar livremente por ela.
Ah! Meninos!
Quando é que vocês crescerão???
Agora, duas palavrinhas introduzindo nesta coluna o tema CONSCIÊNCIA:
É isso que nos falta: CONSCIÊNCIA!!!
Se, desde o princípio, não somos apenas sentimentos, impulsos, pensamentos e desejos, o que somos então? Os estudos nunca se concluem porque a cada expansão aparecem novidades. Mas, já dá para dizer que somos apreensão, reação, reflexão, sensação, percepção, impulso, afeto, símbolos, conceitos, necessidades, valores, regras, formas, visão (no sentido amplo e não apenas do olhar). Unindo tudo e considerando que tudo interage, tudo se complementa, junte aí uma consciência com muita idade, um processo cultural estabelecendo influência e um aprendizado sempre renovado por conta de desafios que somos chamados a encarar e teremos, talvez, numa primeira definição, Sua Excelência, a Consciência.
Ela mora aí com você? Será?
Pretendo voltar a este assunto.