sábado, 30 de abril de 2011

Os mistérios de Atlântida (III)

E os exilados de Capela?


A discussão sobre a existência de Atlântida surgiu com os “Diálogos de Platão”, intitulados Timaeus e Critias e fala de sua destruição por maciças catástrofes geológicas e se refere que tomara conhecimento disso através de Sólon, um causídico ateniense com ligações com a cultura egípcia.
Os tempos passaram, os escritos de Platão ficaram um tanto esquecidos, mas eis que Atlântida reaparece na Renascença, através de Francisco Gomara (1510-1555), de Athanasius Kircher ((1601-1580) e de Francis Bacon (1551-1626) e, claro, também através do romance “Vinte Mil Léguas Submarinas” de Júlio Verne.
No século XX muitas foram as publicações sobre Atlântida, sempre enaltecendo ter sido este continente o último reduto da Terra a abrigar uma civilização avançadíssima espalhando-se pelo Golfo do México, do Rio Mississipi, do Amazonas, da costa pacífica da América do Sul, do Mediterrâneo, da costa ocidental da Europa e da África, dos Bálcãs, do Mar Negro e do Mar Cáspio.
Algumas dessas obras a apontam como o antediluviano Éden, Jardim das Hespérides.
Se disse que os deuses e deusas dos antigos gregos, fenícios, hindus, e escandinavos, eram simplesmente reis, rainhas e heróis da Atlântida guardados nas memórias dos povos. Para não estender demais nestas citações, concluiu-se que as mitologias do Egito e do Peru representariam a religião original da Atlântida, a de adoração ao Sol.
Completariam as especulações algumas obras esotéricas, teosóficas e espíritas, assinadas por Helena Blavatsky, Edgar Cayce e Edgard Armond, reforçando a possibilidade da existência deste continente. Armond, em seu livro “Os Exilados de Capela”, descreve que o nosso planeta recebeu há muitos milênios uma imensa colônia de espíritos procedentes do planeta Capela, na constelação de Órion, vindos para cá com dupla finalidade: expiar suas culpas lá e impulsionar o desenvolvimento aqui. Ficaram aqui durante alguns séculos, deram origem às civilizações do Egito, do México, do Peru, entre outras, e foram de volta, mas especialmente Atlântida, em algumas dessas obras teria puxado a dianteira tecnológica e que fora exatamente a sua excepcional tecnologia a causa do soçobro do continente.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Os mistérios de Atlântida (II)

As teses de Pangéia e Lemúria

Os continentes que formaram o planeta Terra não permaneceram intactos com a conformação que hoje têm. Isso já foi evidenciado e a ciência geológica acredita na possibilidade de importantes transformações. Uma delas seria a existência de Pangéia (continente), cujo formato quase redondo, teria sido o principal continente do remoto passado do planeta Terra.
Depois, ao que se presume, Pangéia rachou se dividiu e da sua estrutura surgiram quatro continentes: África e Europa a Leste e as duas Américas a Oeste. No meio da fenda deixada pelo racha formou-se o Oceano Atlântico (que assim se chama por razões óbvias) e os contornos dos dois continentes de Leste e dos dois continentes de Oeste são muito parecidos. Se pudéssemos aproximá-los quase que se encaixariam perfeitamente.
Na extensão que hoje forma o Mar do Caribe, teria existido a Atlântida, que soçobrou e abriu o vazio que abriga o Mar do Caribe.
O continente da Lemúria teria existido no Oceano Pacífico, entre a Ilha de Páscoa e a Austrália.
Tudo isso são conjecturas.
As lendas acompanham as conjecturas.
Talvez a mais antiga dessas lendas diz respeito à princesa Môo, que deveria casar-se para ser coroada rainha da Lemúria. Dois rapazes disputavam sua mão e a escolha seria dela. Môo escolheu Coh, mas Aac, o outro pretendente assassinou o rival. Môo recusou-se a casar com o assassino e fugiu na direção Leste, indo parar no Egito, onde é lembrada como a deusa Ísis, que foi esposa de Osíris e se tornou viúva deste porque este morreu assassinado pelo próprio irmão (Seth).
Ausente de casa quando o esposo foi assassinado e seu corpo lançado nas águas do Rio Nilo, coube a Ísis, desesperada, percorrer toda a extensão do rio a procura do corpo de seu marido.
O que Ísis e Osíris têm a ver com Atlântida? Talvez a sua concomitância com os reinos faraônicos do Egito e pela expansão da cultura egípcia até a Grécia e Roma antigas, onde a Mitologia se encarregava de enaltecer os serviços dos deuses.
E foi na Grécia antiga que Platão muito falou de Atlântida, como veremos no próximo capítulo.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Os mistérios de Atlântida (I)

Houve vários Noés

Muito já se escreveu e muito se escreverá sobre Atlântida, um hipotético continente desaparecido no longínquo passado da humanidade e visto como um território que inundou e deu origem à lenda bíblica da Arca de Noé.
Por conta dessas ilações, há quem acredite e afirme que naquela oportunidade não partiu daquele continente ameaçado a navegar pelas águas apenas a Arca de Noé. Muitas outras arcas partiram e por conta do esforço de sua tripulação mais a influência de correntes marinha e ventos aleatórios, uns foram parar no México, outros no Oriente Médio e Norte da África, outros no Brasil, outros na costa Oeste da América do Sul, outros nos territórios do Mediterrâneo, dando origem a algumas das civilizações de que temos notícias: maias, hebreus, egípcios, araras vermelhas, incas, gregos, romanos.
Lenda, hipótese, tese ou verdade, Atlântida é dada como tendo sido uma civilização desenvolvida, tecnológica, que soçobrou, ao que se diz porque o continente submergiu. Dá-se ao fenômeno duas interpretações: a terra cedeu por conta de movimentos sísmicos, num processo perfeitamente geológico e natural, ou por sua arrogância intelectual, ao desrespeitar as leis naturais, os atlantes teriam sido castigados por Deus.
O seu desaparecimento é também associado Jardim do Éden, de ondem segundo a Bíblia, o homem foi expulso por desobediência às “ordens de Deus”.
Em muitas oportunidades nesta série os fatos científicos, as lendas e os mistérios estarão sendo postos frete a frente. Não tem como fazer diferente.
Outras fontes especulam Atlântida antes do que seria o Dilúvio (na verdade afundamento do continente onde estava Atlântida, pois um dilúvio como propõe a Bíblia é impossível de acontecer) e a relacionam com a Lemúria, continente mais antigo ainda, onde se diz que viveram seres humanos de maior tamanho, tipo gigantes, dos quais a Bíblia também fala em Números 13;33 e Gênese 6;4.
Uma recente pesquisa arqueológica na Grécia acaba de descobrir ossadas de homens com 4 e 5 metros de altura. Falta identificar a idade das ossadas.
A cada novo dia, nestes tempos de descobertas, ficamos mais convencidos de que conhecemos muito pouco, quase nada, sobre nós mesmos.
Esta série tem a pretensão de jogar um pouquinho de luz sobre isso.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A evolução do conhecimento espiritual (conclusão)

Kardec não é a questão

O leitor percebeu que mesmo eliminando-se todo o conhecimento oferecido pela equipe humana e espiritual que contribuiu para a obra de Allan Kardec, muitíssimo do que ele nos trouxe como informações filtradas pela espiritualidade, são de fato, conhecimentos que a ciência dos homens vai tornando real para o conhecimento científico. Insistir com teses e teorias associadas a este ou aquele estudioso, é fugir da raia para discutir a poeira que os corredores espargem no ar quando se deslocam.
Kardec existiu, existe. Existiu para informar que os espíritos não são entidades sobrenaturais. São naturais, reais. São eles que existem, de fato. O componente orgânico dos corpos se desfaz, para renascer, o inorgânico se transforma para evoluir. Mas, isso tudo viria a tona por outra via, não francesa, americana, russa, para que os regionalismos também não interfiram, como de fato interferem.
Ainda que nem sempre citado nas obras que enfocam o espiritismo universal, o acervo de Kardec, os conhecimentos ainda hoje modernos, se encontram ativos em algumas áreas do planeta e grandemente no Brasil.
O aparente sumiço do conhecimento espiritual na França, sua pátria natal, onde nasceu com Kardec, e a sua transferência para o Brasil e países vizinhos, tem tido como resultado um resguardo à doutrina. Ainda que maltratados em muitas casas e confundidos com outras práticas menos nobres de comunicações espirituais, os ensinamentos kardecistas permanecem vivos e íntegros em milhares de endereços da América do Sul.
Depois da peregrinação de Emanuel Swedenborg pelos escaninhos da ciência e de haver abandonado os laboratórios para tornar-se um vidente, o que lhe valeu ser riscado do mapa acadêmico, e depois das experiências de seu patrício Anton Mesmer, na Universidade de Leipsig (Alemanha), somado ao que nos trouxe Ralph Waldo Emerson, com o transcendentalismo por ele criado, a partir de conhecimentos hinduístas, estava aberto o caminho para o espiritualismo.
Em alguns endereços ocidentais do planeta, já era possível dizer que os espíritos existem, sim, sempre existiram. Estiveram presentes nas comunicações recebidas por um médium chamado Abraão, um pouco depois recebidas por outro médium chamado Moisés e assim foram marcando presença com Daniel, quiçá o mais trabalhador dos médiuns da Bíblia. Os espíritos marcaram presença no Monte Tabor, quando Jesus falou com Moisés e Elias e novamente quando da reunião dos apóstolos no Pentecostes.
Mas, havia discrepâncias. As mentes mais recalcitrantes do catolicismo e do protestantismo se negavam a entender do mesmo modo que entendiam os espiritistas ou espiritualistas e, tentando mudar cá e acolá, foram surgindo outros movimentos. A Ciência Cristã, fundada por Mary Baker Eddy, inclusive com apoio da médium Emma Curtis Hopkins, tentava afastar a possibilidade de cura dos males do corpo de outra influência que não fosse a de Jesus. Faltou informar à criadora dessa importante religião, que Jesus nunca esteve distante dos endereços onde o espiritismo engatinhava.
Ao mesmo tempo, formava-se o embrião da Sociedade Teosófica, liderada pela médium russa, radicada nos Estados Unidos, Helena Petrovna Blavastky. A figura de Jiddu Krishnamurti, inicialmente confundida com a reencarnação de um grande mestre espiritual da humanidade, desestruturou um pouco os teosofistas, mas no século 20, ainda que divididos em três facções, eles voltaram e semearam organizações por quase todo o planeta, difundindo o contato com os mortos e a utilização do poder de cura, riqueza e felicidade, que essas entidades podem oferecer, segundo os teosofistas. Foi através de Helena P. Blavatsky que o mundo conheceu a expressão “reencarnação”, imediatamente incorporada aos tratados espirituais de Kardec. É de sua autoria uma das obras mais famosas do ocultismo: “A Doutrina Secreta”, publicada em mais de 100 países.
Imediatamente após a publicação e a divulgação dos primeiros trabalhos de Kardec, pulularam obras e trabalhos que poderiam ser chamados de espíritas por todo o mundo ocidental. Nomes como Annie Besant, que presidiu a Sociedade Teosófica e percorreu o mundo fazendo palestras e exibições espiritistas; George Bernard Shaw, que ocupou o papel de cientista do espiritismo teosófico; Daniel D. Home, que colocou sua mediunidade de efeitos físicos a serviço da teosofia; os irmãos Eddy, famosos médiuns de materialização; e Edgar Cayce, outro médium famoso que atuou muito na interpretação dos sonhos; acabaram por transferir a sede da teosofia (espiritismo) mundial para os Estados Unidos. Lá como aqui, porém, a seriedade recomendada por Kardec esteve e está comprometida. Dezenas de charlatões davam e dão espetáculos mágicos públicos e televisados sob a égide da espiritualidade, livros e mais livros são publicados – como ocorre – vendendo a informação espiritual no balcão dos fenômenos psíquicos, em nada diferente do episódio bíblico dos vendilhões do templo. Programas de televisão, novelas e filmes são criados para explorar o tema, nem sempre com seriedade e fidelidade.
Em compensação, grandes personalidades do mundo político, acadêmico e econômico deram visibilidade à questão espiritual. Henry Ford, Abraham Lincoln, Margaret Morre, Albert Einstein, Shirley Maclaine, James Lovelock, Carl Gustav Jung, Edgar D. Mitchel, Aldous Huxley, Stanislau Grof, Charles Leadbeater, Fritjof Capra, Jean Houston, Marilyn Ferguson deram e dão testemunhos públicos de sua crença na existência e influência dos espíritos. Escritores, educadores, médicos, cientistas, artistas, músicos, religiosos, empresários, políticos, astronautas, além de uma centena de ONGs, entidades, redes, diretórios, trabalham a visão global, a vida comunitária, a educação, o meio ambiente, a saúde, o amor, a paz, a consciência planetária e política, a partir do enfoque espiritual da humanidade e dos compromissos do indivíduo consigo mesmo, com a sociedade, com o planeta, com os cosmos.
Nos últimos 20 anos Universidades têm procurado fazer trabalhos tendo a ciência dos espíritos como base. Profissionais das ciências humanas, sociais e psicológicas, com métodos científicos, fazem experimentações e estudos e oferecem-se e caminham rapidamente para o que poderíamos chamar de resgate das lições deixadas por muitos espíritos de luz, um dos quais, o maior deles, Jesus, que nos legou o Paráclito, entendido como o Consolador (Evangelho de João, capítulo 14) e cuja identidade e profundidade ainda não conseguimos desvendar no todo.
Estes conhecimentos cada dia mais estão à disposição do homem, mesmo que em sua maior parte fora da esfera científica. No campo da moderna pedagogia se aceita que a sabedoria popular tem enorme importância quando se soma ao saber científico objetivando a construção de novos paradigmas sociais. Educadores modernos aceitam como verdadeira a impossibilidade da transferência dos conhecimentos; e praticam a soma dos conhecimentos existentes nos vários atores sociais como forma de se evoluir para um novo conhecimento e para uma nova realidade. O que dizer e onde incluir as ciências de cura através da prática de benzer, que existe desde antes de Cristo, e foram por Ele exercitados, e só estão sendo retomados e levados à conta da ciência - porque sempre existiram – depois que a arrogância materialista foi suplantada?
Claro, não seria justo encerrar esta série com uma pergunta. Mas, meu caro leitor, restam dúvidas? Você está mais capaz de erguer a fronte e olhar para o futuro como alguém que aqui está para melhorar o processo? Então, faça isto, por amor a você e aos seres que você ama.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A evolução do conhecimento espiritual (XI)

Por vezes nebuloso

Muitos dos nossos leitores podem estar confusos e um tanto distantes das formulações científicas que tiveram de ser feitas para que cientistas parciais pudessem compreender que aqui embaixo, onde estamos, não está o mapa da vida e que o mapa da vida só acessível ao homem em pequenas partículas. Na parte que está acessível, nós podemos intervir e, de preferência, para melhorar o todo. Na verdade, intervimos, via de regra, para piorar. E enquanto discutimos se isto ou aquilo é correto, somos muito mais críticos do que analistas, muito mais desconfiados do que interessados.
Nessa parafernália de ciúmes acadêmicos (que é um dos pontos centrais) perdemos a oportunidade de juntar conhecimentos e iluminar cantos escuros. Por exemplo, (como se descreveu no capítulo anterior), caso a Quintessência não exista, nossa melhor teoria gravitacional sofrerá um golpe fatal, pois aparentemente não há outra maneira de acelerar o universo no âmbito da Relatividade Geral. Uma alternativa que vem sendo examinada na literatura é que a gravidade possa ser diluída nas dimensões extras. Esse é o esquema mais promissor oferecido pela atual teoria de cordas e de membranas. Um conflito de doutrinas será inevitável. Contudo, esse choque não deve ser visto como uma catástrofe para a ciência do Cosmos, e sim como uma grande oportunidade para os espíritos criativos. No atual estágio da Física, para avançarmos no entendimento da natureza é preciso investir na compreensão do Cosmos – o nosso sistema maior – a última fronteira na busca do conhecimento. Nesse contexto, a natureza da Quintessência (ou sua negação!), juntamente com outros problemas da Cosmologia contemporânea irá desempenhar um papel extremamente relevante na construção do novo paradigma norteador da ciência do século XXI” (J. P. Ostriker e P. J. Steinhardt, “O Universo Quintessencial”, Scientific American Brasil, No.1, 2003).
O corpo humano é um Todo, tanto quanto o universo no qual o homem se insere. “Sistemas psicoenergéticos” são citados pelo físico Jack Sarfatti em sua obra (“Psychoenergetic Systems”, Gordon & Breach vol II, Londres, 1976), na qual sugere que a coerência superliminar pode existir através de um plano mais elevado da realidade. Sugere, que as ‘coisas’ são mais ligadas e os acontecimentos mais ‘correlacionados’ num plano de realidade ‘acima’ do plano humano físico, propriamente dito. E que ‘naquele plano’ as ‘coisas’ estão ligadas por meio de um plano ainda ‘mais elevado’. Assim, atingindo um plano mais alto, compreendemos como funciona a ‘coerência instantânea’ (é a ligação imediata que se estabelece entre dois ou mais seres, mundos, sistemas, produzindo-se em todos eles as mesmas “coisas” instantaneamente). Pela coerência instantânea, podemos descobrir porque alguma coisa, pensamento, moda, paradigma ou preferência passa a existir em diferentes continentes sem qualquer ligação que explique tal “coincidência” e também podemos absorver poderes criativos capazes de curar à distância. Curadores há que adquirem estado de ‘ser holístico’, fundindo-se e identificando-se com Deus e com o paciente. Isto é, movem-se na direção da força criativa universal, re-identificam-se com o ‘eu’, universalizam-se e identificam-se com Deus, associando-se a campos de energia de freqüência mais alta e de uma consciência maior. Sintonizados a freqüências mais altas, se tornam mais e mais ligados, até identificarem-se com o universo, onde as altas freqüências operam as obras do Criador. Através dos processos profundos de meditação, qualquer pessoa pode chegar ao estágio de supra-consciência e integrar essa ‘realidade’ de modo prático e verificável, separando a fantasia de uma possível realidade mais ampla.
O estado supremo de consciência, a travessia das sombras para o encontro do ser consigo mesmo, também chamado de iluminação (comunicação da luz divina à alma, pelo que a inteligência se torna capaz de atingir um conhecimento verdadeiro), não tem nenhuma diferença entre o conteúdo da consciência e a própria consciência. A integração ou unidade é a principal característica desse estado, tanto literalmente como no sentido figurado. No estado supremo, aquilo que conhecemos é a força vital, a condição universal que emerge enquanto percepção inteligente, que tem seu próprio nome: espírito. Ela, a percepção inteligente, equivale ao olho que se vê a si mesmo, ao pensamento que se volta sobre si mesmo e pensa acerca do pensar: o encontro do ser consigo mesmo. A iluminação é a travessia, é o ato reflexivo no qual a mente se conhece a si mesma, incluindo a própria experiência do conhecimento, ou o retorno à divindade (conteúdo da consciência), que equivale à percepção da Percepção Cósmica (da própria consciência).
Quando considerada de modo abstrato, a consciência, como a luz, tem um aspecto tanto físico como espiritual. A unificação, porém, é a realidade concreta por trás, abaixo, acima e dentro dela – muito sutil e, no entanto, real, como demonstra a evidência recente da percepção das plantas.
A consciência, enquanto bioquímica, pode ser analisada em função dos neurônios, descargas eletroquímicas através de sinapses e dos feixes moleculares que permeiam as membranas. Estes, contudo, também podem ser analisados até alcançar o nível atômico, em seguida, o nível subatômico. Onde isso acaba?
A consciência é o espírito? Será ela, ele, algo bioquímico? Algo eletroquímico? E a inteligência onde entra? É muito para a parte querer conhecer do todo. Seria a consciência o todo na parte? Vale dizer que quanto mais as ciências avançam sem medo de intercambiar os mundos que antes estavam separados, vamos descobrindo que tudo é energia, inclusive os espíritos. Seriam os espíritos algo material, pois. E se assim for, como parece evidente, a ciência terá como explicá-los.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

A evolução do conhecimento espiritual (X)

Enfim, Einstein

É oportuno abrir espaço, aqui, para uma observação orientadora: os estudiosos das ciências que tentavam provar que o homem não é só matéria, eram considerados românticos, utópicos, sonhadores. O modelo cultural fazia com que as pessoas se tornassem obtusas, caolhas, cegas, céticas. Mas, enfim, um homem veio para mudar isso.
Com a publicação da Teoria Especial da Relatividade (1905), por Albert Einstein, cientista judeu, alemão, radicado nos EUA (1879-1955), as teorias newtonianas fizeram-se em pedaços. De acordo com a TER o espaço não é tridimensional e o tempo não é uma entidade separada. Intimamente ligados entre si, formam ambos um contínuo tetradimensional ‘espaço-tempo’. O tempo e o espaço tornam-se meros elementos para descrever fenômenos.
A TER permitiu também a compreensão de que matéria e energia são intercambiáveis. A massa nada mais é do que uma forma de energia. A matéria é simplesmente uma energia desacelerada ou cristalizada. Nossos corpos são energia.
À medida que o conhecimento sobre o CEH e CEU se desenvolveu e a física newtoniana deu lugar às teorias da relatividade, do eletromagnetismo e das partículas (como vimos) tornamo-nos cada vez mais capazes de vislumbrar as conexões existentes entre as descrições científicas objetivas do nosso mundo e o mundo da experiência humana subjetiva.
Cada vez que penetramos mais no mundo da psicologia moderna e do desenvolvimento espiritual, descobrimos que as velhas formas do OU/OU também se dissolvem na forma do AMBOS/E. Já não somos maus ou bons; já não só amamos ou odiamos alguém. Encontramos dentro de nós capacidades muito mais amplas. Podemos sentir tanto o amor como o ódio e todos os sentimentos (emoções) intermediários pela mesma pessoa. Agimos de maneira responsável. Vemos o velho dualismo Deus/Diabo dissolvendo-se num todo em que encontramos a Deusa/Deus de dentro fundindo-se com o Deus/Deusa de fora. Nada do que é mau se opõe à Deusa/Deus, mas resiste à força de Deus/Deusa. Tudo é composto da mesma energia. A força Deusa/Deus é, ao mesmo tempo, preta e branca, masculina e feminina. Contém ambos tanto a luz branca como o vazio negro de veludo. Temos um mundo de opostos ‘aparentes’ que se completam, e não de opostos ‘verdadeiros’.
Cabe, então um resgate: o lobo mau e o lobo bom estão vivos em nós. Qual deles sairá vencedor? Aquele que por nós for alimentado. Os sistemas, dentro dos quais vibramos, perdem quando um de nós se perde. E ganham quando um de nós encontra a sua rota.
Os físicos dizem que não existe nada parecido com uma ‘coisa’. O que costumávamos chamar de coisas são, na realidade, ‘eventos’, ou ‘caminhos’, que podem tornar-se eventos. O universo inteiro parece uma teia dinâmica de modelos inseparáveis de energia: um todo dinâmico. Os ambientalistas, escudados por estudos científicos, divulgaram que “o universo é de uma só matéria, um conjunto uno, indivisível e indissociável, contínuo, com matérias que se integram. Quando um pedaço do universo se modifica, todo o conjunto se altera. O mundo é um todo sistêmico ao qual o homem se junta como parte dele e vice-versa” (revista “Ciência Hoje” abordando Vesto Slipher, cientista (1875-1969). E acrescentaram, corrigindo: “A Natureza se constitui de uma complexa relação de interdependências entre os seus constituintes. A quebra ou alteração em qualquer uma das partes relativas as dependências e aos constituintes conduzirá a uma realidade completamente diferente da que nós estamos habituados do nosso dia a dia” (revista “Ciência Hoje” ibidem). E não satisfeitos com a informação sobre o universo, foram além: “Observações indicam que o universo é basicamente formado por bárions (elementos pesados), fótons, neutrinos, matéria escura, além da “substância” extra que acelera o universo. Sendo, esse último, o 5o e o mais abundante dos componentes básicos (cerca de 70% da energia e da matéria do universo), o que justifica sua denominação de Quintessência – nome anteriormente consagrado pela tradição grega pré -socrática. A Quintessência junto com a Matéria Escura respondem por cerca de 95% do conteúdo total de matéria e energia que preenche o cosmos (os 5% restante é das outras 3 componentes). Diferente da Matéria Escura, que é não relativística e sem pressão, a Quintessência é relativística e tem pressão negativa. Embora dominante, sua densidade é extremamente pequena e a fraca interação com a matéria ordinária, provavelmente, tornará impossível sua identificação em laboratório.

domingo, 24 de abril de 2011

A evolução do conhecimento espiritual (IX)

Os Campos de Energia Universal

O Dr. Wilhelm Reich (“The Discovery of the Orgone”, Orgone Institute Press, N.Y. 1948) psiquiatra, colega e contemporâneo de Freud, interessou-se por uma energia universal a que deu o nome de ‘orgone’. Identificou que os distúrbios do fluxo de ‘orgone’ estavam associados às doenças psicológicas dos seus pacientes. Liberando-se o bloqueio dessa energia, clareavam-se os estados mentais e emocionais negativos dos doentes.
O Dr. John Pierrakos (“The Energy Field in Man and Nature”, Institute for the New Age, (monografia) N.Y. 1975) criou um sistema de diagnóstico e tratamento de distúrbios psicológicos baseado em observações visuais do campo de energia humana e de observações do Pêndulo. O invento se chamou ‘Energética do Núcleo’ e trata-se de um processo unificado de cura interior concentrando o trabalho através das defesas do ego e da personalidade (auto-estima) para desobstruir as energias do corpo.
A Energética do Núcleo procura equilibrar os campos físico, etérico, emocional, mental e espiritual para lograr uma cura harmoniosa holística da pessoa.
As experiências relatadas de vários cientistas e médicos nos levam a concluir que as emissões de luz do corpo humano estão intimamente relacionadas com a saúde. Apesar de que muitos componentes conhecidos do CEH (Campo de Energia Humana) já foram medidos em laboratório, a dificuldade encontrada até agora é que os estudos eram estanques e os métodos para identificar e medir os campos de energia humana, eram os mais diversos.
Um dia chegaremos a unificar e a padronizar esses métodos. Fora dos equipamentos, encontramos dezenas de médiuns capazes de ‘ver’ e ‘sentir’ tais vibrações. A experiência instrumental mais recente é da Dra. Valorie Hunt (“Project Report, A Study of Structural Integration fron Neuromuscular, Energy Fiel, and Emotional Approaches”, U.C.L.A. 1977). Mostra que o CEH possui movimentos semelhantes aos de um fluido, como as correntes de ar ou de água. A energia se mostra minúscula, subatômica. A citada doutora sugere que o corpo humano pode ser “encarado desde um conceito de quantum de energia, decorrente da natureza celular atômica do corpo em funcionamento, que atravessa todos os tecidos e sistemas”. Sugere a Dra. Hunt que a visão holográfica do CEH seria a correta.
O conceito de holograma, que surge na física e na pesquisa do cérebro, parece proporcionar uma visão cósmica realmente unificadora da realidade, que exige a re-interpretação de todos os descobrimentos biológicos em outro plano.
Para a cientista Marilyn Ferguson (Revolução Aquariana, 1980) “quando a ciência associar a biologia à física, num sistema aberto, chegaremos ao modelo holístico, à teoria integral, abrangendo todos os maravilhosos animais selvagens da ciência e os (ainda) inexplicáveis mistérios do espírito”. Aqui, finalmente, está uma proposta para que se integre biologia, física e espiritismo.
O Dr. White e o Dr. Stanley Krippner (“The Energy of Consciousness”, N.Y. 1975) enumeraram muitas propriedades do CEU (Campo de Energia Universal – que os espíritas chamam de Fluido Universal): impregna todo o espaço, os objetos animados e inanimados, e liga todos eles uns aos outros; flui de um objeto para outro; e sua densidade varia na razão inversa da distância da sua origem. Também obedece às leis da indutância harmônica e da ressonância simpática, fenômeno que ocorre quando se bate num diapasão e noutro, perto dele, e os dois entram a vibrar na mesma freqüência, emitindo o mesmo som.
As observações visuais revelam que o campo está organizado numa série de pontos geométricos, pontos de luz, pulsantes isolados, espirais, teias de linhas, faíscas e nuvens. O CEU pulsa e pode ser sentido pelo toque, pelo gosto, pelo cheiro, e com um som e uma luminosidade perceptíveis aos sentidos mais elevados.
Afirmam os pesquisadores citados que o CEU é basicamente sinérgico, o que supõe a ação simultânea de agências separadas que, juntas, têm um efeito total maior do que a soma dos efeitos individuais. Esse campo é o oposto da entropia. (Entropia, função termodinâmica de estado (físico) associada à organização espacial e energética das partículas de um sistema, e cuja variação, numa transformação deste sistema, é medida pela integral do quociente da quantidade infinitesimal do calor trocado reversivelmente entre o sistema e o exterior pela temperatura absoluta do sistema. Exemplo: é o que acontece com uma chaleira de água quente enquanto esfria em contato com o ar exterior, ou com um prato congelado enquanto degela em contato com o ambiente.)
O CEU tem um efeito organizador sobre a matéria e constrói formas. Parece existir em mais dimensões. Quaisquer mudanças que ocorrem no mundo material são precedidas de mudança nesse campo. O CEU está sempre associado a alguma forma de consciência, que vai desde a mais altamente desenvolvida até a mais primitiva. A consciência altamente desenvolvida se associa às vibrações mais altas e aos mais altos níveis de energia. O CEU existe em mais que três dimensões. Que significa isto?
Significa que ele é sinérgico e constrói formas. Isso contraria a segunda lei da termodinâmica, segundo a qual a entropia está sempre aumentando, que no universo a desordem está sempre aumentando, e que não podemos tirar de alguma coisa mais energia do que nela colocamos. Esse princípio da termodinâmica consagra que sempre obtemos de alguma coisa um pouco menos de energia do que a que colocamos nela. (O moto perpétuo não teria futuro) Não é esse o caso do CEU. Dir-se-á que ele continua sempre a criar mais energia. Esses conceitos, emocionantes, nos dão uma visão muito esperançosa do futuro quando nos arriscamos a mergulhar mais profundamente no pessimismo da idade nuclear. Algum dia, talvez, sejamos capazes de construir uma máquina que possa captar a energia do CEU e termos toda a energia que precisamos sem a ameaça de nos ferirmos.
A teoria newtoniana (Isaac Newton, físico, matemático e astrônomo inglês (1642-1727) no início do século XIX, com todo o seu mecanicismo, foi superada pelas novas descobertas que tiveram Michael Faraday, físico e químico inglês, (1791-1867) e James Clerk Maxwell, físico e matemático inglês (1831-1879) como responsáveis. Além dos átomos (eléctrons girando à volta de um núcleo de prótons e de nêutrons), esses cientistas identificaram um campo de carga em que cada carga cria uma ‘perturbação’ ou uma ‘condição’ no espaço à sua volta. Nasceu, assim, o conceito de um universo cheio de campos criadores de forças, que interagem uns com os outros e umas com as outras. As descobertas de Faraday e Maxwell levaram-nos a compreender porque e como uma mãe pode saber quando o filho está em dificuldade, não importando a distância entre ambos. Ao trabalhar isso, admitimos que nós somos compostos de campos de força. Sentimos imediatamente outra presença na sala sem ver nem ouvir ninguém. A isso se chama ‘interação de campo’; falamos em boas ou más vibrações; em mandar energia para os outros; em ler os pensamentos de alguém;
sabemos quando gostamos ou não de alguém e se nos daremos bem ou mal com essas pessoas. Esse ‘saber’ pode ser explicado pela harmonia ou desarmonia de nossas ‘interações de campo’.

sábado, 23 de abril de 2011

A evolução do conhecimento espiritual (VIII)

Os campos de Energia Bioplasmática

O passo seguinte foi procurar juntar química e física. Os estudos de vários cientistas reunidos pela doutora Barbara Ann Brennan (curadora praticante, psicoterapeuta e cientista, ex-pesquisadora da NASA e mestre em Física Atmosférica da Universidade de Wisconsin, autora de vários estudos sobre terapia bioenergética e de dois livros sobre o mesmo assunto: “Mãos de Luz” e “Luz Emergente”) de New York, USA, concluem que “tudo tem um campo de energia à sua volta: as árvores, os animais, os insetos”. Segundo a pesquisadora “as árvores pareciam maiores quando eu fechava os olhos em estado de APS (Alta Percepção Sensorial, estado ampliado de consciência, em que somos capazes de perceber coisas além dos limites humanos normais, também chamada de visão clarividente) e caminhava pelo bosque. As árvores tinham (e têm) à sua volta campos de energia vital. Tudo parecia ligado por campos de energia”. “Não existe espaço sem um campo de energia. Todas as coisas inclusive eu”, diz Barbara, “estamos vivendo num mar de energia”.
Diz a ciência contemporânea que “o organismo humano não é apenas uma estrutura física feita de moléculas, mas como tudo mais, somos também compostos de campos de energia. Também fluímos e refluímos como o mar e as marés, como o dia e a noite, como a lua nova e cheia, como os ciclos da natureza: fecundação, nascimento, crescimento, florescimento, ovulação, crise”. Isto explica a existência de biorritmos com auges e crises.
O Dr. William Kilner (“The Human Aura”, University Books, N.Y.1965) em 1911, relatou seus estudos sobre o Campo da Energia Humana (CEH), descrevendo “tratar-se de uma névoa brilhante ao redor de todo o corpo, em três zonas: (i) uma camada escura de cerca de 6mm mais próxima da pele, cercada por (ii) uma camada mais vaporosa de cerca de 25mm que flui e (iii) um pouco mais para fora, uma delicada luminosidade externa de contornos indefinidos, de cerca de 152mm de espessura”. A isso chamou de ‘aura’ e afirmou que difere consideravelmente de sujeito para sujeito, dependendo da idade, sexo, capacidade mental e saúde.
“Certas moléstias apareciam como manchas ou irregularidades na aura, o que levou-nos a desenvolver um sistema de diagnósticos na base da cor, da contextura, do volume e da aparência geral do invólucro áurico”, afirmou Kilner.
Algumas doenças que ele diagnosticou através desse sistema, foram infecções do fígado, tumores, apendicite, epilepsia e distúrbios psicológicos, como a histeria.
O Dr. Victor Inyushin (“Biostimulation Though Laser Radiation of Bioplasma” traduzido por Hill e Ghosak, University of Copenhagen, 1975) da Universidade de Kazakh, Rússia (1950), identificou um campo de ‘energia bioplasmática’, composto de íons, prótons livres e eléctrons livres positivos. Sendo este estado distinto dos quatro estados conhecidos da matéria:sólidos, líquidos, gases e plasma – assinala que o campo da ‘energia bioplasmática’ é o quinto estado da matéria. Para termos uma idéia de como a ciência está atrasada ou estava satisfeita com suas descobertas – orientadores espirituais têm advertido que os estados da matéria são sete.
Segundo o cientista, “as partículas bioplasmáticas, constantemente renovadas por processos químicos nas células, estão em contínuo movimento, podendo tratar-se de um equilíbrio de partículas positivas e negativas dentro do bioplasma. A estabilidade do bioplasma determina a estabilidade dos processos de humor e saúde, e vice-versa, e está intimamente ligada aos processos mentais”. A despeito da estabilidade ou alteração do bioplasma, o Dr. Inyushin descobriu que uma quantidade significativa da energia é irradiada para o espaço.
Na espiritualidade, a aura é aceita, estudada e descrita como perispírito. A doutora Barbara Ann Brennan a descreve como composta de sete camadas, às quais dá nomes: 1) corpo etérico; 2) corpo emocional; 3) corpo mental; 4) nível astral; 5) corpo etérico padrão; 6) corpo celestial; e 7) corpo ketérico padrão ou corpo causal.
Os Drs. George De La Warr e Ruth Drown (médicos e inventores ingleses) em meados da década de 1900, construíram um instrumento para detectar radiações de tecidos vivos, chamado Radiônica. Através dela detectavam, diagnosticavam e curavam, utilizando o campo de energia biológica humana.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A evolução do conhecimento espiritual (VII)

Agora, a desconstrução

As ciências da psique e da mente decorrentes deste monumental paradigma científico (resumidos nos capítulos V e VI), iniciaram suas atividades operando sobre o comportamento aparente do homem sem atribuir-lhe outras forças condicionantes do que lhe ocorre na memória. Nem mesmo era possível chegar à consciência. O eu humano estudado nunca era o eu profundo.
Para estudar a superfície (eu menor), foram necessárias muitas derivações à Psicologia e à Psiquiatria. Sem mergulhar no oceano mental/espiritual, fizeram-se mil pedacinhos da superfície e sempre mais o conhecimento se tornou fragmentado e confuso. Foi necessário amarrar o doente ou tirá-lo da consciência, através de pesados remédios, do que curá-lo através dos caminhos naturais já conhecidos dos xamãs. As ciências da consciência, quase dois mil anos depois, apenas se contentavam em observar Jesus na prática do afastamento das perturbações psíquicas, do que procurar aprender-lhe a técnica. Esse desvio de rota pode ser debitado ao fosso que se criou entre ciência e fé.
As ciências determinam uma concepção para criação como se houvesse cinco níveis, de baixo para cima: o atômico, o biológico, o psicológico, o social e o cósmico. Se procurarmos uma resposta para aquele koan básico “quem sou eu?”, tudo que for examinado se dissolverá nas outras categorias dessa metáfora. Comece-se pelo meio: o psicólogo em breve estará no social através da Psicologia de grupo. No nível social, a Psicologia de grupo alcançará a Sociologia, que por sua vez, conduzirá a um estudo de Religião e Filosofia. Dirigindo-se para a base, passar-se-á da Psicologia para um estudo de Biologia e de Química. À medida que procurarmos conhecer-nos melhor, passaremos ao estudo da composição celular, às redes neurais e à química da emoção, da percepção, do aprendizado e da memória. Na busca, porém, de uma compreensão da mentalidade, descobriremos que, em breve, teremos descido até o nível atômico, onde se chega ao DNA, à transmissão da radiação atômica e à teoria quântica. Estas, por sua vez, nos levam de volta ao topo. Pois a Física Subatômica conduz ao estudo da matéria e da antimatéria numa escala cósmica. Isso nos leva à antiga e misteriosa citação bíblica: “Assim na terra como no céu”. Este caminho desconstrói o monumental edifício newtoniano-cartesiano e lança as bases do novo edifício, que não sabemos ainda se é o “quente”, mas que é novo e melhor que o anterior, é.
Se havia, como houve, a necessidade de afastar-se dos dogmas e das crendices rotulados como sobrenaturais, havia, por outro lado, a necessidade de correlacionar os fenômenos espirituais com o trabalho material, com respostas racionais. E o eletromagnetismo foi a porta de entrada para a primeiras experiências. No século XII, dois eruditos, Boirac e Liebeault, identificaram que os humanos possuem uma energia capaz de causar interação entre indivíduos à distância. Na Idade Média o douto Paracelso chamou essa energia de ‘illiaster’ e disse que a mesma se compõe ao mesmo tempo de força vital e de matéria vital. Modernamente estava redescoberta a aura, conhecida há milênios como ‘energia’, ‘luz’ ou ‘campo glorioso’. Os estudiosos do espiritismo ofereceram ao conhecimento científico e espiritual, o que chamam de “fluido universal”, que pode entrar nestas identificações dos cientistas.
No livro Future Science, o escritor John White (Anchor Books, N.Y. 1977.) enumera 97 culturas diferentes que se referem aos ‘fenômenos’ áuricos com 97 nomes diferentes.
Helmont e Mesmer (F.A Mesmer, autor de “Mesmerism” Tradução de V.R. Myers, Londres Macdonald, 1948) no século XIX, trabalharam esses campos energéticos humanos, chegando à hipnose (do grego Hypnós, irmão gêmeo da morte). Afirmaram eles que os objetos animados e inanimados podem ser carregados com esse ‘fluído’ e que os corpos materiais podem exercer influência uns sobre os outros à distância, o que subentendia a existência de um campo de certo modo idêntico aos campos eletromagnéticos.
O Conde Wilhelm von Reichenbach, no século XIX também, estudou a relação entre as emissões eletromagnéticas do sol e as concentrações associadas do ‘campo ódico’ (Reichenbach chamou de ‘força ódica’ o campo de energia humana hoje chamada de aura) descobrindo que a maior concentração dessa ‘energia’ se encontra nas áreas vermelha e azul-violeta do espectro solar, visível a olho nu durante o arco íris. Afirmou que cargas opostas produziam sensações subjetivas de calor e frio em graus variáveis de força. Pelos testes, todos os elementos eletropositivos davam aos sujeitos sensações de calor e produziam sensações desagradáveis; todos os elementos eletronegativos pendiam para o lado frio e davam aos sujeitos sensações agradáveis.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

MENSAGEM EXTRA: PÁSCOA

"Passé vous..."
O mundo transita, a vida transita e as travessias nos convidam deixar para trás o “velho” para que o “novo” possa chegar. As transformações são notadas nas nossas próprias células, muitas delas de vida efêmera. A “velha” repassa à “nova” a informação original da vida e se o repasse é mal feito, ocorre a degeneração, a neoplasia. Esse é um exemplo de PASSAGEM (mal feita). Pesach, Páscoa é uma tradição que celebra o ato de passar do pior para o melhor, em cuja semana, por herança hebraica nós vivenciamos a passagem de Jesus entre um plano e outro de sua missão entre nós, deixando para nós, como os hebreus também o fazem quando celebram a passagem do Mar Vermelho: uma lição de PASSE.
A História da Humanidade está repleta de ritos de passagem. A vida nos impõe ritos de passagem, muitos deles biológicos e comportamentais. Entramos no ventre da mãe através de uma passagem; saímos do ventre da mãe através de uma passagem; saímos da condição de tutelado infantil para a de ansioso adolescente; para a de adulto conquistador; e, assim, de passagem em passagem, marcada pela idade não só biológica, alcançarmos a maioridade intelectual e espiritual, além da senilidade do corpo e da necessidade de deixar o corpo e fazer uma nova passagem.
Os hebreus experimentaram o cativeiro da Babilônia, insuficiente para sua aprendizagem. E foi no Egito, em contato com uma extraordinária cultura espiritual, que fizeram grandes avanços. A entrada nos dois cativeiros e as saídas dos dois cativeiros foram passagens importantes na vida daquele povo, que nos legou tantas tradições, entre elas, a PÁSCOA.
Não é por nenhuma outra razão, que os católicos instituíram a Quaresma, tempo de recolhimento e preparação para a PASSAGEM pascal.
Há que aproveitar as vésperas das passagens para enterrar a velha semente que amadureceu, na esperança de que, ao morrer, ela dê causa à nova planta, planta que, neste caso, não quer referir-se apenas ao arbusto que crescerá e dará flores, frutos e novas sementes, quer referir-se a uma planta arquitetônica, intelectual, moral, comportamental.
O mundo transita. E nós somos parte do mundo.
Quando a vida nos diz “passe” é porque já devemos ter conquistado o mérito para mudar de estágio ou estado.
Infelizmente, existem alunos repetentes aos quais a escola recorre a inúmeras chances de passagem de ano, mas eles são recorrentes, gostam de reviver as mesmas coisas, remoer as mesmas pedras, requentar o mesmo prato, refazer a mesma estrada, tropeçar nos mesmos obstáculos, comemorar as mesmas derrotas,
PÁSCOA é isso, PASSAGEM, Então, passé vous!

A evolução do conhecimento espiritual (VI)

Comte e o positivismo

Se o leitor quiser maior base para ler o que segue, retorne à leitura do capítulo V e entenda que o modelo cientifico nasceu nas ciências da natureza e foi acolhido no século XIX pelas nascentes Ciências Humanas e Sociais. Foi Auguste Comte quem realizou a síntese positivista das ciências no seu livro Curso de filosofia positiva.
Há que conhecer o que significou esta “síntese”. O positivismo opõe o real ao quimérico, o útil ao ocioso, a certeza à indecisão, o preciso ao vago, o positivo ao negativo, e especialmente, o absoluto ao relativo. Com isto, Comte, considera que o processo de evolução do conhecimento humano tinha atingido o que ele chamava de “estado positivo” no qual estas oposições ficariam evidentes. Esse processo de desenvolvimento, ele o expressa na sua famosa Lei dos três estados, segundo a qual, o conhecimento humano teria começado num Estado Teológico, no qual o conhecimento se dirigia à procura da explicação dos fenômenos naturais a partir de fenômenos sobrenaturais. Depois viria um Estado Metafísico, onde agentes sobrenaturais são substituídos por agentes abstratos capazes de engendrar por si mesmos os fenômenos naturais. E, finalmente, o Estado Positivo, onde se renuncia a procurar causas últimas, sobrenaturais ou abstratas dos fenômenos, e se começa a buscar as leis efetivas da natureza.
A natureza é composta por classes de fenômenos ordenados de forma imutável e inexorável e, portanto, a ciência deve descrever tal ordem. Por isso, as leis dos fenômenos são para Comte, um correlato exato do que acontece na natureza e, portanto, são invariáveis e universais. A obtenção de tais leis demarca o sentido da produção do conhecimento científico: a previdência e a ação. (O homem não é capaz de prever o que acontecerá na natureza porque ela não é eterna e se altera a partir de interações entre seus componentes. Os constantes terremotos são um bom exemplo disso).
Em linhas gerais, sem nos determos no legado de Isaac Newton, estavam lançadas as bases para a construção do conhecimento humano, distante de Deus, ao menos do modo como a Igreja via Deus e sua criação.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A evolução do conhecimento espiritual (V)

A Caminhada pelo Tempo

Foi no final da Idade Média que algumas correntes de pensamento tentaram uma leitura menos ortodoxa da relação entre sentidos, razão e fé. Tomás de Aquino, por exemplo, introduziu a idéia de que fé e razão não operam dicotomicamente. Não são necessariamente pólos opostos, mas sim fenômenos complementares que têm a mesma origem: Deus.
Outros pensadores (Roger Bacon e Guilherme de Ockham nos séculos XIII e XIV d.C.), foram mais longe e disseram que a razão e o conhecimento não deveriam necessariamente depender da fé, mas dos sentidos. Poderíamos saber aquilo que tivéssemos experimentado. Esta idéia de fazer experimentos para saber coisas é a virada que o conhecimento deu em direção ao empirismo, doutrina ou atitude que admite, quanto à origem do conhecimento, que este provenha unicamente da experiência, seja negando a existência de princípios puramente racionais, seja negando que tais princípios, embora existentes, possam independentemente da experiência, levar ao conhecimento da verdade.
Os citados pensadores introduziram a idéia de que o mundo de Deus e o mundo cósmico (dos homens) são diferentes, portanto, os meios de conhecimento de cada um deles têm que ser também diferentes. Daí a necessidade de separar a fé como caminho para conhecer o mundo de Deus; da razão, como meio de conhecer o mundo cósmico (material). Ou seja, a fé poderia continuar sendo a base para explicar o mundo de Deus, mas o nosso mundo terreno deveria ser explicado pela experiência dos sentidos. Com isso introduziram a necessidade de recorrer a experimentos para poder conhecer o mundo cósmico.
As discussões desta época foram as sementes de toda a ciência moderna. É delas que emergem as duas grandes linhas mestras de todas as discussões sobre filosofia da ciência e epistemologia, que enriqueceram a produção científica dos séculos seguintes. De um lado, a necessidade de partir da experiência sensível, de outro, a necessidade de lidar com conceitos racionais. A primeira corrente foi se transformar no Positivismo, a segunda no Construtivismo.
Mas, não estava equacionado o problema de como definir cientificamente a existência de Deus e, se admitidos os espíritos, onde encontrar uma prova deles. Se isso não é tarefa fácil, o caminho menos difícil foi procurar indícios de energias que possam estar associadas a eles. E assim aconteceu, realmente.
Adeptos de todas as religiões falam em experimentar ou enxergar luz em torno das pessoas. Através de práticas religiosas, como a meditação e a oração, as pessoas atingem estados de consciência ampliada que lhes abrem as capacidades da Percepção Sensorial Elevada (estado em que a pessoa se comunica com freqüências ou vibrações cósmicas e retira delas informações não disponíveis aos cinco sentidos do homem).
Antiga tradição espiritual indiana, de mais de 5.000 anos, menciona uma energia universal denominada ‘prâna (nome indiano para o Campo de Energia Universal e Humana) vista como um constituinte básico e a origem de toda a vida. ‘Prâna’, ou ‘alento de vida (os espíritas o chamam de Fluido Vital e lhe dão as mesmas características e funções) move-se através de todas as formas e, segundo a tradição indiana lhes dá vida. Os iogues praticam-lhe a manipulação por meio de técnicas de respiração, meditação, exercícios físicos, com os quais objetivam estados alterados de consciência e de juventude prolongada.
Francis Bacon e René Descartes foram os primeiros a elaborar reflexões filosóficas que faziam eco aos resultados do conhecimento dos físicos e matemáticos da época.
Bacon (o Francis, que é apontado como reencarnação do outro, Roger, na mesma família, 340 anos mais tarde) diferentemente dos pensadores medievais, que direcionavam a produção do conhecimento para contemplar a obra de Deus, defendeu a idéia, muito moderna, de que o produto da ciência deveria ser aplicado diretamente à industria e, portanto, a serviço do progresso. O conhecimento perde seu caráter contemplativo e ganha uma outra funcionalidade: transformar e dominar a natureza em benefício do homem. Para tanto, o homem deveria conhecer as leis naturais, decifrar a linguagem matemática e os caracteres geométricos do mundo. No Novum Organum, Bacon expressa a necessidade humana de “investigar a possibilidade de realmente estender os limites do poder ou da grandeza do homem e tornar mais sólidos os seus fundamentos... O Império do Homem sobre as coisas se apóia, unicamente nas artes e nas ciências”. Com estes princípios Bacon transformou o conhecimento em algo útil, coisa estranha tanto para os gregos da Antiguidade como para os teólogos da Idade Média. Mas, para que a ciência produzisse este conhecimento útil, Bacon dizia que era preciso evitar 4 armadilhas: não se deixar levar pelos sentidos e pelo intelecto; não se deixar levar pelas tradições culturais; não se deixar levar pelas confusões conceituais de linguagens e, enfim, não se deixar levar pelos paradigmas vigorantes.
Bacon também é reconhecido pelo fato de ter introduzido um percurso de caráter indutivo para a produção do conhecimento, em contraposição à via dedutiva que reinou desde Aristóteles até o final da Idade Média. Pela via dedutiva, a dedução parte de um princípio geral, um axioma fundamental que é aceito sem crítica e que possivelmente está fundamentado na fé ou na necessidade. Tal princípio pode ser Deus ou qualquer fenômeno ordenador da realidade que, dada sua universalidade, termina por determinar todos os fenômenos que lhe são intrínsecos, portanto, a função do pesquisador seria a de realizar uma descida gradativa desde os cumes daquele princípio universal até os fenômenos mais singulares, encontrando as razões que estabeleceriam a concordância entre o singular e o universal. Ao contrário desta postura, Bacon propõe, para o pensamento científico, seguir o caminho oposto: partindo das sensações e das coisas particulares, de observações específicas, encontrar leis intermediárias, que, combinadas, podem gerar leis cada vez mais gerais, axiomas gerais, ascendendo continua e gradativamente, até alcançar os princípios de máxima generalidade. Tal axioma geral deve, uma vez verificado mediante prova ou exame, corresponder aos fatos particulares dos quais foi extraído.
Este é o germe do método científico que será desenvolvido por Descartes um século depois. Bacon estabeleceu um roteiro de ação que disciplinou as práticas e o sentido dos cientistas dos séculos XVII, XVIII e XIX. René Descartes, em seguida, retomou este roteiro e botou no papel os passos necessários para a produção do conhecimento científico: o método experimental-dedutivo, ou método Cartesiano (que vem de Descartes).
Descartes resgata o conhecimento humanista que, no final do século XVI, estava vivendo um período de crise e de abandono dos axiomas cristãos. Perdida a fé como princípio básico, os homens da época viveram um período de ceticismo. Descartes acreditou na possibilidade de conhecer e de se chegar a verdades. Para tanto, propunha que deveríamos agir metodicamente, seguindo um caminho de esclarecimento que partia da dúvida como princípio de trabalho científico. Seu sistema vai da dúvida à certeza. A dúvida é imperfeita, confusa, enquanto que o conhecimento é claro, distinto. Mas, começando pela dúvida, Descartes, tem que duvidar de tudo, das coisas, do mundo, até do próprio corpo com o qual percebe o mundo. A única coisa da qual não consegue duvidar é do pensamento, fenômeno que o leva a pronunciar sua máxima mais conhecida: “cogito ergo sum” (penso, logo existo). Tal sentença é capital para o entendimento da filosofia moderna, pois ela permitiu a instalação da razão como portadora da capacidade de conhecimento do homem, e mais, pela certeza da existência do homem.
Ao conhecimento verdadeiro se chega através da razão, da qual se tem certeza, não através dos sentidos, dos quais só podemos duvidar. O racionalismo moderno está fundamentado nestas considerações cartesianas. Mas, Descartes junta este racionalismo a uma visão antropológica da produção de conhecimentos. Conhecer deve dar ao homem, como já dizia Bacon, o poder sobre a natureza, conforme o escrito por Descartes no seu Discurso sobre o Método.
Descartes entende a implementação do racionalismo no sentido de fundamentar matematicamente os resultados da pesquisa, isto é, a procura da verdade deve conduzir a evidenciar a ordem do mundo, e esta ordem deve corresponder a equações matemáticas: o mundo é, então, em última instância, uma expressão matemática do pensamento de Deus.
O método cartesiano é, nesse sentido, um caminho rigoroso que separa o mental do natural e dá a este último o caráter de mecanismo: surge assim o mecanicismo, segundo o qual, o mundo opera como uma máquina; é nosso trabalho, como seres capazes de conhecer, apreender as leis gerais de funcionamento do mundo-máquina, para assim, obter o controle, o domínio sobre o artefato divino que é a natureza. Para tanto é necessário dividir o todo em suas partes, classificá-las e estabelecer suas relações.
Ao contrário de Francis Bacon, que subordina a razão à experiência, seguindo um caminho de caráter indutivo, Descartes, submete a experiência à razão, obrigando um percurso dedutivo. As experiências servirão para confirmar os resultados deduzidos dos princípios gerais, aos quais só se chega através da razão.
Enfim, Bacon e Descartes são os pilares do consenso moderno em torno de um modo de produzir conhecimento (um método), que parte dos seguintes pressupostos:
1. o processo de conhecimento é o resultado da captura de verdades que um sujeito realiza sobre um objeto ( Os conhecimentos mais recentes não mais separam sujeito e objeto. Sujeito e objeto pertencem à mesma dimensão e não se subordinam);
2. tal sujeito apreende o mundo a partir de exercícios sensitivos e racionais que organizados metodologicamente lhe permitem obter conhecimentos verdadeiros, universais e objetivos. (Aos exercícios sensitivos a nova ciência acrescenta a dimensão espiritual, que se inclui como tão sensitiva e tão racional na apreensão de conhecimentos);
3. o objeto que é conhecido é objetivo, separado do observador, estruturado por leis naturais que se expressam matematicamente e completamente destituído de sentido. (Reside aqui o maior equívoco desse método: o objeto conhecido não é separado do observador, a natureza não é estática e nem destituída de sentido. Este conhecimento só viria a ser incorporado ao acervo científico nas duas décadas finais do século XX);
4. conhecer o objeto significa dominá-lo. (Conhecer o objeto significa interagir com ele dentro da mesma teia da vida, sem dominá-lo e sem se deixar dominar. Os desastres ambientais provocados pelo homem se amparam neste bárbaro equívoco, ainda em vigor);
5. para conhecê-lo é suficiente conhecer suas partes (Aqui também houve avanço e hoje o raciocínio científico busca conhecer o todo, as partes e as sub-partes);
6. o método científico impõe, nesse sentido, uma redução da complexidade, deve encontrar a lei mais geral que dê conta de um grande número de fenômenos. (Hoje se amplia a complexidade através da Física Quântica para, realmente, perceber e conhecer);
7. isso significa a necessidade de quantificar, medir, matematizar; encontrar as fórmulas gerais que decifrem aquele mundo que Galileu dizia estar escrito em linguagem matemática. (O mundo pode ser descrito por fórmulas matemáticas, físicas, químicas, mas não permanece inalterado);
8. este método deve ser capaz de construir um conjunto cada vez maior de leis da natureza que desvendem as regularidades que compõem o mundo e permitam sua utilização e transformação. (Não há regularidade, a natureza não é eterna, modifica e modifica-se constantemente e aleatoriamente).
Esta é a síntese do método científico formulado nos séculos XVI e XVII por pesquisadores como Bacon, Galileu e Descartes, conhecido como Determinismo Mecanicista e que se tornou, até o século XIX, um modelo dominante de fazer ciência. Entre parêntesis, para você entender, colocamos a evolução daquele pensamento.

terça-feira, 19 de abril de 2011

A evolução do conhecimento espiritual (IV)

Morte e renascimento

O espiritualismo caminhava firme entre as camadas mais cultas das civilizações anteriores ao cristianismo. Os 46 livros sagrados incluídos na Bíblia como pertencentes ao Antigo Testamento e, portanto, anteriores a Cristo, estão recheados de narrativas da ação dos espíritos sobre a matéria. As pinturas cristãs e mesmo as anteriores retratam Jesus entre outras figuras espirituais cercadas de campos de luz. A luz em torno das pessoas e o aparecimento de luzes e campos glóricos, não eram enfocados como coisa extraordinária. Eram coisas normais. Os gnósticos egípcios, palestinos e gregos desenvolviam o pensamento espiritual com a maior naturalidade. No Novo Testamento, novamente a luz é citada quando Jesus subiu ao Monte Tabor com dois apóstolos e transfigurou-se luminosamente. No Pentecostes, a luz desceu sobre os apóstolos. Também se diz que ‘o corpo glorioso de Jesus apareceu aos seus apóstolos após a ressurreição’, havendo inúmeras citações da palavra ‘glória’ associada a esta luminosidade.
A partir da romanização do acervo cristão, de forma contínua, a população cristã foi conduzida a esquecer-se da energia, da luz, dos corpos gloriosos e de algumas formas de se relacionar com espíritos. Houve até o chamado ‘Santo Ofício’, diretamente sob as ordens do Papa para investigar, culpar e punir com a morte quem ousasse trabalhar com a ‘energia’, com a ‘luz’, com os ‘corpos gloriosos’, ou espíritos, tidos como prática de bruxaria.
Mas, a doutrina católica tem uma estratégia para acessar os espíritos. Isso só é possível com a intervenção dos santos da igreja. Os fiéis podem se comunicar com eles e eles com os fiéis nas tarefas de pedir e receber ajuda espiritual e material. Só.
Uma grande contribuição para o apagão nos estudos e práticas espirituais da Era Cristã, foi dada pelo protestantismo e pelas primeiras grandes ondas do pensamento cético religioso, dentro das quais se enquadra o deísmo (conhecimento adquirido através da razão e não através da revelação, que ficou conhecido como religião natural. Para os deístas a única entidade que deve merecer a atenção dos fiéis, é Deus e mais ninguém, opondo-se, por exemplo, à Santíssima Trindade defendida pelos católicos).
Mesmo discriminados e condenados, ainda que de forma velada os temas espirituais não foram abandonados. Seus expoentes tinham certeza de que não praticavam algo pernicioso ou escuso. Chamada de ocultismo, a ciência do espírito precisava de um novo veículo para substituir o ultrapassado sobrenaturalismo da magia e da alquimia medievais, com os quais foi muito confundido. O novo veículo viria na esteira da nova ciência dos séculos 18 e 19.
É fácil entender por que as ciências nascentes não ousaram fazer oposição ao espiritismo, que teve Allan Kardec como um dos principais divulgadores. Muito distante dos dogmas assumidos pelas igrejas cristãs, sem desprezar a figura de nenhum messias de nenhuma religião, inclusive Cristo, os espiritualistas dos últimos 250 anos souberam assimilar a Teoria da Evolução, a Teoria da Relatividade, os avanços de tantas outras ciências, inclusive a recente Física Quântica, sem perder a dimensão verdadeiramente espiritual.
Os metafísicos aplaudiram a crítica da ciência às religiões cristãs, celebraram suas idéias dominantes da lei natural e da evolução e, por meio de afirmações científicas, construíram uma nova visão espiritual alternativa, capaz de interagir e mesmo contribuir para a plenitude do conhecimento científico. Ainda não é geral, mas os avanços são extraordinários.
Os espíritas nunca fizeram outra coisa que não fosse aceitar a hipótese de os espíritos serem centelhas de energia inteligente. E quando os cientistas sintetizaram que tudo o que existe está inserido num mundo de energia e informação, acabaram-se os mistérios, caíram os dogmas e os espíritas puderam sair das sombras do anonimato ou das sociedades secretas para pregarem suas convicções.
Desta forma, é comum encontrar metafísicos cuja peregrinação pela vida os levou das crenças religiosas ocidentais mais tradicionais à crítica da religião a cargo de cientistas naturais, cientistas sociais e historiadores; os levou a um estado de insatisfação (até mesmo de crise) em face da incapacidade de a ciência responder a questões maiores da vida no que se refere às origens, significado e destino do homem; e finalmente os levou à reconstrução pessoal de novas visões religiosas em uma forma oculto-metafísica, espiritual, pois, sem deixar de ser científica.
A morte do corpo nem mais pode ser chamada de morte e sim de transmutação e a possibilidade das reencarnações se torna cada dia mais evidente graças ao modo científico de olhar para a espiritualidade. Não pode um espírito completar sua marcha de evolução em apenas uma existência corporal. Não seria justo o Deus dos que combatem a reencarnação ao dar a uma pessoa todas as benesses e a outra, muitas vezes no seio da mesma família, todos os malefícios.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A evolução do conhecimento espiritual (III)

Hoje como soma de ontem

No capítulo de hoje vamos saltar para a última metade do século XX. O salto é necessário para caracterizar os avanços. (O salto no tempo não desprezará o trabalho de outros pesquisadores espirituais. Eles aparecerão adiante).
O conhecimento espiritual chegou à década de 1960 com fôlego para ser reconhecido no mundo ocidental, em meio à sociedade mais preconceituosa, discriminadora e materialista. Desde então, o mundo ocidental vem experimentando a intensificação da consciência mística, espiritual, metafísica, esotérica, ontológica... São movimentos independentes, conjugados, cooperantes e até mesmo se criou um selo internacional para defini-los: A Nova Era Emergente.
Apesar da aparente confusão estabelecida pelas correntes, cujos patronos ofereceram a elas rígidos conceitos, lá na nascente de cada uma das teorias/ experiências, tudo é uma coisa só ou quase. Como se verá, aura, periespírito, corpo astral, campo bioenergético, luz astral e outras denominações da energia eletromagnética além corpo, têm quase a mesma interpretação.
O que o mundo ocidental entende e assimila por Ciências do Espírito, Espiritualismo, Espiritismo, Ocultismo, Esoterismo, Teosofia, como denominações mais comuns para o resultado do conhecimento espiritual, vai para uma caixa rotulada por aquilo que se presume estar fora da esfera da matéria estagnada, mais precisamente, além do corpo humano e, por analogia, nada ligado ao campo material. Os nomes utilizados não são universais, nada converge, tudo confunde. Há também outras formas de lidar com os espíritos de continente para continente. Por isso, inclusive, na abordagem, por exemplo, em algumas regiões do planeta já aparece uma expressão aludindo à possibilidade de os animais e os vegetais poderem ser incluídos como portadores de alguma centelha energética que pode ser entendida como uma força pré-espiritual. (Cleve Backsster, o redescobridor do antigo conhecimento indiano, acerca da percepção das plantas – que os índios sempre souberam existir – descobriu que a percepção primária, que é a capacidade da vida celular animal e vegetal de perceber os pensamentos e sentimentos animais e humanos, pode ser demonstrada com minerais, metais e até com água triplamente destilada. Há uma capacidade de percepção em todas as coisas. O cosmo inteiro é sensitivo e (nos dois sentidos) sensível. Na análise final, a consciência pode ser vista como a interconexão de toda a criação ou mais precisamente, o contexto fundamental desse encadeamento e que o torna possível). Adiante será explicado.
A despeito de seu surgimento recente, a Nova Era não é, em si, novidade sobre o interesse pelas informações oculto-metafísicas. Ela é a confederação dos movimentos organizados neste campo e chega a sonhar com a hipótese de liderar um ecumenismo no campo das entidades, seitas, redes, círculos e mesmo religiões com fundamento espiritual.
O crescimento das igrejas pentecostais deve ser inserido entre os fenômenos de crescimento do conhecimento espiritual, ainda que por parte delas sob forte oposição a tudo quanto não estiver sob a supervisão confederada a que se submetem essas igrejas.
A pretensão dos new agers (Nome dado aos seguidores da New Age – Nova Era, nos Estados Unidos) de liderar um ecumenismo espiritista universal tem contra si as tendências que quase se transformam em paradigma: conhecimento e informação espiritual não devem ser mercadoria para a exploração comercial em paralelo ao trabalho dos líderes espirituais, como hoje acontece com a Nova Era e com as igrejas pentecostais, que se colocam na posição de representantes comerciais dos pacotes tecnológicos divinos para a salvação da humanidade.
Lidar com o aspecto espiritual das pessoas está deixando de ser privilégio de pastores, padres e outros especialistas. E caminhará rapidamente para uma prática tão normal quanto cuidar do coração, da sexualidade, do aprendizado acadêmico. Todas as disciplinas do conhecimento humano vêm dedicando atenção ao aspecto espiritual das pessoas. Em outubro de 2006 milhares de médicos de todo o mundo estiveram em Washington para o primeiro congresso internacional da categoria, cuja pauta foi: como fazer a medicina do corpo com a ajuda do espírito. Mas, lá não estiveram apenas os médicos. O evento foi aberto a psicólogos, terapeutas em geral e xamãs.
Cidades profundamente marcadas pela influência católica, como a capital catarinense, evolui para uma nova realidade e passa a ser sede de um capítulo da Associação Médica Espírita Brasileira, responsável pelas ações destinadas a aglutinar o pensamento e as ações dos profissionais da medicina sob a ótica do espiritismo.
São esses avanços, alguns deles extraordinariamente grandes, que denunciam um novo tempo, a efetiva presença do Paráclito prometido por Jesus (Evangelho de João, cap. 14).

domingo, 17 de abril de 2011

A evolução do conhecimento espiritual (II)

Ontem, as sementes para o hoje

Até a época de Sócrates, Platão e Aristóteles, pouco se pode falar do conhecimento espiritual com alguma segurança epistemológica. Mesmo à época daqueles pensadores, o conhecimento espiritual acompanhava a Filosofia – esta como mãe de todas as ciências - e, como tal, limitada aos círculos do poder político e econômico, como hoje ainda acontece. A cultura judaica pode ser incluída como grande contribuinte ao conhecimento espiritual. É muito antigo o conhecimento espiritual empírico. Os xamãs podem ser apresentados como os pioneiros. Pioneiros e holistas. Pois o que a Física Quântica só agora assimila e experimenta, eles já praticavam há 10 mil anos ou mais.
Mas, a nossa pretensão neste texto é reunir informações sobre o conhecimento espiritual ocidental, com a preocupação de acompanhar a sua evolução e, no máximo, narrar o que migrou de outras fronteiras para dentro dele. Por isso, as correntes espirituais orientais e africanas serão citadas apenas naquilo que influenciaram o conhecimento ocidental.
A cabala, teosofia mística judaica, nascida 538 anos antes de Cristo, uma das mais antigas ciências do espírito que se conhece, documentada, os legados egípcios, e boa parte do legado helênico, emprestaram contribuições aos movimentos espirituais dos últimos 25 séculos no ocidente.
As correntes de sabedoria espiritual podem ser encontradas no xamanismo, no hinduísmo, no budismo, no confucionismo, no sufismo e no taoísmo, enquanto que os seus principais expoentes podem ser resumidos a cinco nomes: Zoroastro, Confúcio, Lao Tsé, Sócrates e Jesus. Tiveram entre si um traço comum: nunca escreveram nada; foram os seus auxiliares que descreveram as suas visões sobre a espiritualidade.
A espiritualidade transmitida por Jesus, certamente a mais atual e contundente, foi retirada de pauta no âmbito da Igreja Romana através do Concílio de Nicéia, no século IV da Era Cristã, a partir do que Igreja de Roma se apoderou do legado cristão. Daí em diante, a preocupação dominante da Igreja foi a de discutir a vida espiritual do homem e seu destino por meios que não retirassem dos cardeais a outorga da iluminação espiritual, seguida da infalibilidade do Papa.
Nesse sentido, era necessário elucidar a natureza do mundo, a natureza de Deus, os processos divinos sobre o mundo, enfim, tudo o que implicava o esclarecimento dos dogmas cristãos, sem descer à racionalidade. Tudo tinha de explicado pela via do sobrenatural, do mistério, do milagre, do mito. Isso significa que o conhecimento deveria partir da fé, ou seja, de uma crença que não dependia dos nossos sentidos. Você certamente conhece a história de São Tomé, aquele que dizia somente acreditar na ressurreição de Cristo se o visse pessoalmente (é daí que se diz, hoje: sou como São Tomé, só acredito vendo). E como termina a dúvida de São Tomé? Cristo lhe aparece, mostra-lhe as chagas e diz que ele não deveria ter duvidado, pois a sua fé não deveria depender da visão, do tato. É essa a idéia predominante no conhecimento medieval que, diga-se de passagem, não se renovou, foi ultrapassado e só por muitos outros interesses ele não é atualizado.
O conhecimento não só espiritual não deveria partir dos sentidos (o que eu vejo, o que eu escuto, o que eu sinto, etc.), mas sim da fé, da crença que não depende dos nossos sentidos. Certa ou equivocada a citação repreendendo Tomé, ela representa os posicionamentos supervisionados pela Igreja, durante séculos e que serviram para retirar os cientistas da igreja.
Com isso, na Idade Média, o exercício do conhecimento em geral se deu sobre a repressão dos sentidos como meio de conhecimento, sobre o uso limitado e limitante da razão para entender os desígnios de Deus, e sobre a soberania da fé para poder, finalmente, estabelecer contato entre a fonte de todo saber: Deus, ilimitado, infinito, e eterno; o homem, limitado, finito, temporal e falho, exceto aquele único dos seus exemplares, o Papa.
Na porção oriental do planeta, foi diferente. Não houve repressão. Os chineses, três mil anos antes de Cristo, chamavam de ‘Ch’i’ ou ‘Qui’, uma energia que entendiam compor e impregnar toda a matéria animada ou inanimada do universo (Veja que nós estamos enfocando o conhecimento espiritual a partir das energias, uma vez que o plano energético tem sido entendido como um todo). Ainda hoje dão a ela duas forças polares, o ‘yin’ e o ‘yang’. E aceitam que quando o ‘yin’ e o ‘yang’ estão equilibrados, os sistemas vivos estadeiam saúde física. O contrário resulta em estado mórbido. O excesso de força ‘yang’ redunda em atividade orgânica demasiada. Quando predomina o ‘yin’, é causa de funcionamento insuficiente. A acupuntura representa um fragmento da Terapêutica Tradicional Chinesa e não é só com ela que se trabalha para promover o equilíbrio das forças opostas através do movimento do Ch'i – dietética, exercícios corporais, massagem, dentre outras, associam-se à inserção das agulhas ou estímulos em pontos específicos do corpo (Acupuntura).

sábado, 16 de abril de 2011

A evolução do conhecimento espiritual (I)

Introdução

O objetivo desta série é situar os leitores naquilo que a ciência contribuiu para a queda das barreiras preconceituosas a respeito do conhecimento espiritual nos tempos mais recentes. Logo, isto aqui não é um enfoque filosófico, como se poderia imaginar. É, antes, um apanhado científico, um recorte histórico e um enquadramento bibliográfico que cabe inteiro dentro da história do pensamento espiritual. E serve para destacar o extraordinário avanço havido desde o restabelecimento público, no século XIX, dos estudos espirituais, e o conseqüente surgimento do trabalho capitaneado por uma plêiade de estudiosos, onde se destacam Blavatsky, Besant, Kardec e outros, que serão considerados adiante.
Afastado o preconceito e distante dos dogmas, o conhecimento espiritual voltou a ocupar a atenção dos homens com resultados palpáveis como se verá. E antes ainda é preciso chamar a atenção para a necessidade de se entender o conhecimento espiritual não como algo sobrenatural ou impalpável como podem pensar alguns. Os espíritos são feitos de matéria fluídica, constituídos de átomos, são entes de energia e inteligência. Não são fantasmas. São tão nocivos e benignos como os homens e como as mulheres portadores de seus corpos.
O primeiro obstáculo para que se resgate o conhecimento espiritual são as mutilações impostas ao processo humano do pensar. O padrão cultural deformou o homem ao atrofiar uma das quatro dimensões básicas de pensar e sentir a vida humana. Se pudéssemos usar como alegoria um círculo representativo no qual se criasse quatro raios em forma de cruz, teríamos as quatro dimensões básicas do pensar humano: econômica (responsável pelo suprimento do consumo – alimento, roupa, casa, remédio); social (responsável pelas relações pessoais, amizades, amores, lazer); política (responsável pelas relações coletivas, leis, regras, poder); e espiritual (responsável pelas conexões da alma com o mundo sagrado). Se estivessem equilibradas, teríamos quatro porções equivalentes, formando, como já se disse, uma cruz central dentro do círculo. Mas, a dimensão espiritual foi exprimida em favor das dimensões econômica, social e política. A completude humana desequilibrou-se do mesmo modo como viria a acontecer a uma mesa de quatro pernas ao perder-se uma das pernas. “Muito dos descaminhos expressos nas drogas, na violência, nos vícios e outras deturpações e desvios, conforme denunciam os novos intérpretes das tragédias humanas, podem ser debitados ao vazio deixado pela não realimentação do conhecimento espiritual” (Alberto Guerreiro Ramos em “A redução sociológica”. 3ª ed. RJ, UFRJ, 1996).
Como a própria ciência reconhece, a ausência de 25% da carga natural inerente à harmonia e à completude da vida humana, modificou os padrões que nos levam ao saber integral. Mutilada a alma do homem, a viagem das informações se dá por “compartimentos” desconexos do cérebro. Não há integração das trilhas nervosas pelas quais pensamos e sentimos. Nossos múltiplos “cérebros” são como jogadores de um mesmo time sem nenhum esquema tático: cada qual faz como acha melhor. A parte do “pensamento intelecto”, o sistema límbico e o tálamo, que é a parte da “sensação emoção” e o bulbo raquiano, que responde pela “intuição inconsciente”, não atingem mais um modo de comunicação intercelular. Foram inibidos pela forma como nos ensinaram a pensar, sentir e elaborar. Transpor esse limiar resulta num novo estado de consciência, que o homem contemporâneo não conheceu. Esta transposição, por sua vez, cria um novo modo de percepção e sensação que conduz à descoberta de formas lógicas não-racionais, porém não irracionais. (Admite-se que os xamãs do passado faziam esta transposição naturalmente).
Parece confuso? “O problema é que nós aprendemos a valorizar só o que achamos ser racional. Os paradigmas reducionistas, positivistas, materialistas, cartesianos, fragmentaram nossa forma de pensar. Teremos de recompor nossos sistemas cerebrais, treinar nossos “jogadores” para que existam níveis integrados simultâneos, não lineares, sucessivos, do tipo ou...ou, que desmontem os conceitos apenas racionais e encostem nos padrões de como a vida é e acontece. Isso explica o que para a maioria das pessoas parece ser inexplicável. Isso esclarece porque a vida nos puxa para lados que a gente não gostaria de ir. Superar isso e aceitar isso, é sabedoria, é um modo de inteligência além do racional, além do emocional, além do intelectual, além do espiritual, portanto, multifocal”. (Augusto Jorge Cury em “Inteligência Multifocal” Cultrix, 1998).

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Quanto tempo ainda Jesus nos dá?

Jesus nos dá todo o tempo que quisermos. A pressa é nossa, os resultados são nossos. Quanto tempo nós achamos que judeus e palestinos brigarão pelas colinas que margeiam o Rio Jordão? Cá entre nós, não é, isso, coisa muito pequena para tanto barulho?
Você, leitor, já participou de uma reunião de condomínio, um universo pequeno, com portas e com interior, dentro do qual a vida se faz igual para todos e onde as regras também são iguais para todos? Por acaso existem iguais ali? Se sua resposta for positiva, cabe chamar seu depoimento: você já se perguntou por que se briga por tão pouco?
Esse é o ser humano fruto dessa civilização: pobre de alma e rico de ambição; pobre de intelecto e rico de ornamentos; pobre de deveres e rico de direitos; pobre de visão de longo prazo e rico de visão de si próprio, entre muitas outras qualificações menos gerais e mais particulares para muitos dos seus membros.
Nós iniciamos estas crônicas que envolvem a doutrina de Jesus falando sobre gnósticos ou filósofos, se gnóstico puder ser o conceito de quem busca conhecer, assim como filosofia significa amor ao saber. E ao gnóstico ou filósofo atribuímos a capacidade de auto-criar sua independência mental, fugir da prisão arquitetada pelas igrejas para cercar seus fiéis, incutir neles um elenco de obrigações e deveres capazes de anular seu arbítrio, somados às armadilhas do mercado, outra fábrica de cadeias. Ensinam que o “olho de Deus” tudo vê e que as câmeras do fiscal divino não deixam escapar nada. Ensinam que fazer desse jeito é chique.
Veja, leitor, o novo ser independente abre um abismo entre a velha e a nova mente. A nova mente faz tudo certinho não porque haja uma câmera vigiando, mas porque tem consciência de que é assim que ter de ser. Tira a polícia rodoviária da estrada, tira o guarda da rua, desliga os monitores de vigilância no supermercado. Vou mais longe, desativa grande parte do poder judiciário, dos tribunais de contas e fecha as penitenciárias, se não todas, quase todas.
É pedir demais? A curto prazo, sim. Mas, Jesus nos dá todo o tempo do mundo. A pressa é nossa, os resultados são nossos.
Os gnósticos defendiam, defendem a hipótese de que nós temos a capacidade de crescer para a vida sem intermediários, o que vale dizer a auto-cura. (Marcos 12; 30: 30 Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. 31 E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes).
EXCLUSIVAMENTE, POR ESTE MEIO, SERÁS O SER QUE JESUS ESPERA ENCONTAR UM DIA.
E isso não se põe dentro da alma de ninguém. É a alma que precisa querer que assim seja.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Uma poderosa organização excludente

Esta é uma crônica para falar do ato de excluir. Somos ótimos nisso.
Bem no começinho da civilização humana havia, talvez, justificáveis motivos para o “apartheid”. O surgimento das cidadelas, cidades ancestrais, primordiais, na verdade, a primeira versão do condomínio moderno, inicialmente vigiadas e mais tarde cercadas, muradas, protegidas contra ataques de predadores animais e de hordas humanas bárbaras, conquistadoras e impiedosas, foi a maneira de como os pré-cidadãos pré-civilizados optaram para escapar do assédio organizado daqueles inimigos humanos e animais, e também de indivíduos desgarrados, famintos, fugitivos ou expulsos de seus clãs. Eram comuns as expulsões substituindo as execuções nos clãs primitivos para com os desregrados membros seus.
Os guetos judeus são a melhor definição daquilo que foi a cidadela primordial.
A evolução das cidadelas deram causa às cidades e ali já podiam ser abrigados integrantes de múltiplas origens nacionais ou étnicas e até de múltipla fé, o que não aconteceu nos guetos judeus, que excluem todos quantos não forem de fé judaica. Aliás, a definição para judeu não é dada pela nacionalidade ou etnia, mas pelo compromisso àquela fé.
Caminhou, assim, a humanidade do Oriente e do Ocidente, em que, nesta última fatia do planeta, as lições judaicas são de extrema eficácia. Inicialmente na sobre a Europa e posteriormente nas Américas.
Aqui, apesar da impressão que o texto possa dar, não se está condenando ou criticando a forma judaica de organização religiosa ou comportamental. Os judeus, se não foram os primeiros, e sabemos que não o foram, ao menos levam a fama de fazer história e escrever a história e, por isso, servem de referência ou modelo. Tiveram, possivelmente, as primeiras comunidades organizadas e escreveram suas experiências com repercussão no Ocidente. Fizeram escola. Escola para os gregos. Escola para os romanos. Escola para muitas outras nações que foram alcançadas pela cultura judaica. Mas, no Oriente quase tudo de pode encontrar com as mesmas e mais intensas características.
É importante, pois, identificar que as sociedades foram se organizando milênio após milênio cada vez de forma mais refinada em busca da exclusão.
Hoje nós temos os condomínios deixando pelo lado de fora de seus muros tudo aquilo que não se deseja dentro deles; temos a lei mandando segregar os mal-comportados; temos os clubes selecionando quem pode associar-se e freqüentá-los; temos as prefeituras apanhando em seus terminais rodoviários os pobres que chegam e os reenviando de volta às suas regiões de origem; temos um aparato policial quase que exclusivamente focado nas periferias e nos pobres, de onde vem os atos mais considerados contra a lei. Lei que protege o rico. Lei que institui a multa e considera que aquele que pode pagar pode continuar fora da regra. E temos, ainda, o refinamento legal de que o preso de nível superior não fica preso com os demais presos e sim em cela especial.
Mas, não terminam aí os atos de exclusão ou “apartheid”: os aviões (meio em desuso, já) possuem a primeira classe onde sentam os especiais que também embarcam através das salas VIPs – abreviatura de pessoa muito importante, em inglês. Nas festas populares e nos teatros – quanto mais antigos mais presentes – lá estão os camarotes, vendidos a preços muito elevados, a fim de que os pobres não tenham acesso à privacidade dos seus ocupantes.
O poder legislativo das três esferas tornou a eleição do parlamentar tão cara que só quem pode pagar a conta consegue o mandato, oferecendo neste gesto a grande origem da corrupção com dinheiro público, pois os financiadores de campanhas depois cobrarão o retorno.
O poder judiciário, pela complexidade dos concursos, abre as portas, antes, àqueles que tenham tido a capacidade de passar nas difíceis provas. Classificam-se candidatos oriundos de bons cursos realizados em ótimas faculdades, e isso tudo tem relação com poder aquisitivo. Na prática, os tribunais sempre se inclinarão por aplicar a justiça em favor dos mais abastados, pois além dos juízes serem oriundos das classes mais abastadas, também os melhores advogados são os que cobram mais caro para defender aqueles que podem pagá-los. E, todos sabemos, os juízes julgam segundo aquilo que consta dos processos. Advogado de mais qualidade ganha maior número de causas. E assim por diante.
Só para não perder a oportunidade de incluir nesta crônica: por duas oportunidades, as mais famosas, o papa exigiu traje adequado para receber determinadas personalidades e os dois casos repercutiram muito. Na primeira vez, foi São Francisco, no século XII, que só entrou para conversar com o papa da época porque burlou a segurança do Vaticano. A outra ocasião, no século XX, se passou com Gandhi, que não foi recebido porque estava vestindo aquele fraldão indiano.
Nos gabinetes oficiais, por vício de origem, as pessoas não são recebidas se não estiverem vestindo terno e gravata que, como sabemos, são roupas de maior valor financeiro.
Excluímos nos restaurantes, nos hotéis, nos ônibus, nos condomínios, nos elevadores, nas repartições públicas, nas festas, nos teatros, no mercado de trabalho, etc., etc., sempre na contramão da vida, pois a vida dá sobejos exemplos de incluir, incluir, incluir. E depois nos queixamos que a vida está difícil, ameaçadora, violenta, insuportável.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Uma(s) igreja(s) para a elite proteger-se

É muito difícil ao analista fingir com a realidade que nos alcança. O sistema judaico fechado e materialista, praticado segundo teorias especiais acerca de Deus, do homem e da natureza foi parar dentro da Igreja Romana, por vício de origem, pois os generais e os sacerdotes dos antigos ritos das crenças anteriores ao cristianismo eram escravocratas e estavam preocupados em garantir os tributos à corte e manter a ordem para que os senhores pudessem viver sem serem incomodados. Todo o sistema policial e judicial que veio depois, por vício de origem, centra-se na proteção das elites. Um crime brutal cometido contra um negro pobre, do morro, é mais um número para as estatísticas do crime; um assalto ou seqüestro cometido contra um deputado, juiz, ou empresário rico, é um escândalo institucional.
Quando se implantou, por absoluta conveniência ao poder romano, a nova igreja, que nem o nome de cristã adotou, toda a estrutura de poder canônico foi copiada do exército, inclusive a farda, aliás, toga, que diferia dos militares apenas quanto à cor dos tecidos.
Como nos tempos mitológicos, Deus estava distante do homem e o homem distante da natureza, impingindo-se aos católicos a sensação de que estavam soltos no contexto entre as duas outras dimensões e sempre teriam de buscar a ajuda do outorgado representante de Deus. A Gênese Judaica ensinava isto, colocando o homem não como parte da Natureza, mas como algoz dela.
Por pior que possa parecer, todas essas heranças abriram entre os humanos uma classificação de homens de primeira (reis, nobres, papas, cardeais, generais e seus familiares, isentos de tributos e mantidos pelo Estado), de segunda (oficiais burocratas, cobradores de tributos, financistas, navegadores, proprietários dos meios de produção, comerciantes, contribuintes e as mulheres dos homens de primeira classe) e os de terceira classe, integrada pelos trabalhadores, vassalos ou não, pelas demais mulheres e por todos os aí nascidos que irão se tornar escravos genéticos e passíveis de batismo para que não se tornem pagãos. Pagão, então estavam numa quarta categoria, nem mesmo incluída entre os humanos: eram os selváticos, nativos, índios e negros, banidos, ímpios e condenados, destinados a serem conquistados ou mortos, cujo destino era ceder suas terras e, se catequizados, serem incluídos na terceira categoria para trabalharem para a satisfação dos seus senhores, que pertencem à primeira e à segunda categoria.
Os cultos religiosos, em qualquer país que fosse, eram celebrados em língua latina, falada apenas pelos nobres, portanto não se destinavam ao povo.
Quando, nos anos 1970 da nossa era recente, que também foi quando os cultos passaram a ser celebrados nos idiomas locais, surgiu um movimento esquerdista/comunista dentro da Igreja, numa chamada “Opção pelos Pobres”. Ele só prosperou nos países do então chamado Terceiro Mundo (tudo o que era pobre fora da Europa, América do Norte e União Soviética), aliás de cujas concepções nasceram o MST e o PT, Lula no meio. Havida a percepção de que o comunismo iria beneficiar-se com aquelas concepções, os padres foram silenciados e a igreja se retirou daquelas arenas chamadas Comunidades Eclesiais de Base. O movimento tinha uma inspiração cubana que, por conta das mesmas reflexões, a América do Sul ganhou alguns governos socialistas como os de Evo Morales e Hugo Chávez. Outras lideranças andaram na esteira daqueles movimentos católicos com opção pelos pobres e excluídos.
Ao arrepender-se de optar pelos pobres, a Igreja perdeu enormes contingentes de fiéis que foram parar nas igrejas evangélicas ou pentecostais, aonde se destaca a mais rica e mais poderosa delas, a Universal do Reino de Deus.
E novamente iremos encontrar, por vício de origem, nessas novas congregações religiosas um completo elitismo. Salvar-se, para muitas destas concepções de fé, é ganhar dinheiro, ficar rico, ganhar conforto para viver, doar parte desta riqueza à igreja e esperar pelo Dia do Juízo.
São corporações religiosas sem nenhuma obra social, seja de educação, seja de saúde ou de amparo à pobreza extrema. Como se lê esta notícia, se não através do elitismo destas organizações. Copiaram dos judeus a máxima de que irmão só ajuda irmão e mesmo assim em situações muito especiais. “Deus está por todos e cada um por si”.

terça-feira, 12 de abril de 2011

A religião que deram a Jesus

Ao padecer na cruz, Jesus demonstrou: (1) confiança na possibilidade de vencer a morte (ele havia experimentado isso com Lázaro, seu amigo); (2) capacidade de vencer a dor (seus conhecimentos eram próximos do que faziam os faquires); (3) provar aos inimigos que sua doutrina que não era apenas discurso, pois obrava episódios desconhecidos pela sociedade de sua época (e também da época atual), entre esses, o de salvar-se da morte; (4) coragem em submeter-se à crueldade das autoridades e dos militares da época, sem reagir e sem reclamar.
A Religião Cristã equivoca-se ao glorificar o Senhor morto e ao celebrar a sangria dele na cruz, e também ao prometer que aquele corpo sacrificado no ano 33 estará de volta aos olhos do povo, um dia. Isso não é ético e nem se coaduna com o materialismo hebreu adotado pelo catolicismo como valores ancestrais à nova religião concebida para ser universal e espiritual.
As bases da Religião, dita fundada por Jesus, teria de se assentar no Cristo vivo, caminhando, pescando, pregando, curando, assando peixe, distribuindo pão e peixe aos seus discípulos à beira dos lagos como de fato ali esteve (Tiberíades) novamente Ele, e assim fez novamente por 30 dias após sua crucificação (o que é negado pela religião oficial e admitido pelos gnósticos), antes de sumir da vista dos seus contemporâneos, não para subir aos céus em carne e osso, como querem os defensores do deus antropomórfico.
As provas de que a cura espiritual está ao alcance da fé foram dadas por Jesus e são repetidas agora já com o apoio de algumas universidades. É pena que essa demonstração de cura muito cedo tenha se perdido e demora a voltar por razões de fundo econômico. Durara apenas cerca de três séculos depois de evidenciada por Jesus e por seus apóstolos.
As escolas que sucederam as escolas antigas de filosofia, de matéria médica ou de teologia escolástica, jamais ensinaram ou demonstraram a cura divina que se realiza pela Ciência Absoluta, que não é dos homens, está nos homens.
Os homens de boa vontade já pararam para pensar por que os verdadeiros pastores de Cristo foram e são perseguidos, caluniados, condenados e assassinados? Por falta de argumentos para contrapor-se às idéias dos gnósticos e de membros de outras sociedades secretas com as mesmas características, os seus adversários sempre disseram que ali se pratica atos de licenciosidade, orgias e práticas criminosas, como o consumo de carne de crianças e cultos a satã.
A resposta à pergunta que não quer calar, é simples: os primeiros cristãos (antes da romanização) se dedicaram à obra de ensinar e demonstrar que pelo conhecimento e fora do pecado todos seremos mais felizes. Como conseqüência, haverá menos consumidores e usuários de bebidas, drogas, fumo, armas e arte pornô; cessarão os apelos à libertinagem, à velocidade, aos estados de adrenalina aberta; haverá menos doentes, menos acidentes, menor número de mortos, menor venda de produtos industrializados para o prazer material e religioso; muitos laboratórios para a fabricação de remédios deixarão de existir; muitos dos atuais beneficiados com a nova situação perderão dinheiro; muitas profissões serão declaradas extintas; muitos bilionários, por questão de ética religiosa, terão de se desfazer de suas fortunas obtidas por meios escusos e usadas com fins escusos. Muitos políticos que se elegem sob a sombra das igrejas perderão a mamata. E assim, etc. etc. etc.

Não poderia ser diferente

Quando nos detemos a analisar o contexto no qual atuou Cristo, concluímos que o desfecho daqueles episódios não poderia ser outro. Não é por menos que o judaísmo continua distante da proposta crística. O judaísmo, que acabou sendo adotado como base da Religião Cristã, via Roma, é a antítese do cristianismo. A divergência não carece de remexer em genealogia (ser Jesus filho de um judeu ou não) e muito menos em dinastia (ser ou não sucessor de Davi), nem mesmo se Cristo veio ou não para substituir os profetas. Isso tudo é perfumaria para encobrir o centro da questão. E também não cabe dizer que sua estada na Palestina tinha por objetivo só aquele povo. Esses são os lados menores da divergência. A divergência mais profunda, é de concepção.
O judaísmo possui uma religião nacional, racial, tribal, excludente, que bate de frente com o princípio amplo, amoroso, solidário, universal, ensinado por Cristo para com toda a humanidade. E não é só. O sistema judaico é fechado e materialista, praticado segundo teorias especiais acerca de Deus, do homem e da natureza que, realmente, só poderiam criar a fragmentação que criou ao separar Deus do homem e o homem da natureza, impingindo-nos a sensação de que estamos soltos no contexto entre as duas outras dimensões e ainda, por pior que possa parecer, abrindo entre nós uma classificação de homens de primeira, de segunda e de terceira classe. A primeira classe é integrada pelos varões escolhidos, salvos e sábios. A segunda classe é integrada pelas mulheres dos senhores de primeira classe. À terceira classe pertencem todos os demais povos que irão se tornar escravos, banidos, ímpios e “condenados a não ter aquilo que os outros têm”, destinados a trabalhar para a satisfação dos seus senhores, que pertencem à primeira classe.
A fé ali construída é tão materialista que ainda nos dias de hoje temos organizações judaicas oferecendo um milhão de dólares ao ser humano que consiga comprovar um evento sobrenatural. Por isso, os fariseus, maiores complicadores do trabalho de Jesus, e seus mais destacados acusadores, inclusive no coro popular que pediu a sua crucificação, eram e são materialistas e foram colocados no olho do furacão crístico, em que a mística estava presente, em que os homens eram chamados a repetir os milagres outorgados por Deus.
Já é conhecida a passagem (Lucas 3, 16-22) em que Jesus assume a liturgia no interior da sinagoga, abre o livro sagrado (Torá) e lê o trecho 61, 1-3, do livro do profeta Isaías: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor consagrou-me pela unção: enviou-me para levar a boa nova aos humildes, curar os corações doloridos, anunciar aos cativos a redenção, aos prisioneiros a liberdade, proclamar o ano de graças da parte do Senhor, um dia vingança do nosso Deus; consolar todos os aflitos, dar-lhes um diadema em vez de cinzas, o óleo da alegria em vez de vestidos de luto, cânticos de glória em lugar de desespero. E fechando o livro, disse: Hoje se cumpriram estas escrituras. Ao ser perguntado qual a autoridade afirmava isso, Ele retorquiu: Eu vos digo isso!
E também é conhecida a passagem (João 14, 9-11) que enfureceu os fariseus, quando Jesus instrui os seus apóstolos: Aquele que me viu, viu também o Pai. Não credes que estou no Pai e o Pai está mim?
Para a cultura judaica, jamais um ser mortal poderia ter-se feito “igual a Deus”. Mas, nesse caso, também a reação dos fariseus fora prevista pelo profeta Isaías: Eles não podiam crer, estavam cegos e o coração estava endurecido (6,10).
Quando muitos cientistas, grande parte deles, judeus, nascidos em diferentes países da Europa e Estados Unidos, se declararam materialistas e afastam a possibilidade da intervenção de Deus através dos homens, e todos sabemos que essa divergência também se cristalizou com a Igreja Romana, para a qual só os santos agem por outorga de Deus, nada pode ser estranho ou extraordinário. A história é viva nos personagem que a escrevem. E a maior parte da história da raça branca foi escrita por judeus. Continua sendo escrita.

Continuaremos nós, aqui, com este mesmo tema.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Ainda os gnósticos, na verdade, xamãs

O processo religioso da humanidade tem início no exato momento em que o homem teve sua consciência despertada para a sua individualidade, seguida da sua curiosidade para as coisas que escapavam de seu controle. Ali se revelara para ele o SAGRADO, o inteiramente outro.
O Sagrado se revelava poderoso porque erguia sobre o alto dos céus o sol, a lua, as estrelas, fazia chover, mandava raios e ventos.
Do respeito pelo Sagrado ou do temor e do desejo de fazer amizade com essa(s) força(s) extrema(s) – ainda não havia o conceito de UM deus ou de muitos DEUSES –, nasce o desejo de purificação, de mostrar-se digno perante o temível desconhecido e nasce o ritual, a oferenda, o sacrifício, nasce a tentativa de um desejável diálogo, que conhecemos pelo nome de oração.
E como a força extrema dava ao homem o fruto, o grão, a raiz, a água, o calor, o animal-alimento, nasce a refeição sagrada, também um tipo de oferenda, na qual o ofertante se julga anfitrião e toma parte dela e também dela se serve, num conceito de comunhão com as forças sagradas.
Tem origem aqui todas as religiões do planeta.
Coube ao xamã, na verdade sacerdote primitivo, que recebia outros nomes de região para região, de cultura para cultura, coube a ele inaugurar o contato espiritual, isso que modernamente conhecemos por telepatia ou por mediunidade. Na verdade, o diálogo entre a inteligência de cá com a inteligência de lá, sendo que naqueles tempos a inteligência de lá não estava numa figura antropomórfica como sugerem algumas corporações religiosas.
Note o leitor que com ou sem a intervenção do sacerdote ou xamã, a primitiva religião – ligar o que foi desligado – ensinava: “respeita, sede puro, dignifica-te, reverencia e serás admitido à comunidade abençoada”.
Isso tem conceito de gnose – conhecimento do segredo de como se faz e se age certo e se adquire capacidade para fazer a conexão, para estar de bem com aquele poder sagrado “do qual também podemos ser parte”.
Dentro desse conceito de “religião”, estão dispensados o templo, a regra, o sacerdote, o dízimo.
Isso era um absurdo diante do modo como os hebreus haviam sido preparados para serem conduzidos por um líder, por um rei, por um tetrarca ou por um rabino. Moisés, o maior dos líderes hebreus e todos os seus sucessores, mas especialmente Salomão e a esperança subscrita nos textos sagrados desse povo, dava a vinda de um SALVADOR – aquele que levará o seu povo ao porto seguro (conotação com Libertador), fez com que o discurso gnóstico de Jesus – capacitação para agir sem intermediários – fosse uma tremenda decepção para os hebreus, que esperavam um rei guerreiro. E foi uma tremenda ameaça para os romanos, que temiam um insurreto pleiteando colocar sobre sua cabeça a coroa de Davi.
O resto desta história, todos conhecemos.
O que não conhecemos são os seus meandros.
Jesus nunca desejou sentar-se na cadeira de Salomão, apesar de tecerem para ele uma linha consangüínea com Davi e apesar de os merovíngios (não oficialmente) haverem alegado descendência de Jesus/Madalena para ocupar o trono de uma região da Europa, como sabemos, entre os séculos V e VIII. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, como ensina o homem do povo sempre que quer ser entendido quando lida com coisas distintas.
O que queria Jesus? Libertar os homens de todos os jugos oferecendo o “seu leve jugo”, traduzido por conhecimento, consciência própria, autonomia, dignidade. Como poderia uma proposta destas chafurdar reduzida num cargo monárquico destinado a dominar uma nação ou um planeta inteiro? Não faz sentido na Palestina e nem na Europa, onde os merovíngios se matavam entre si para ficar com o poder.
Não se está negando a possibilidade de haver uma ligação marital entre Jesus e Madalena, nem de negar a possibilidade de haver descendentes biológicos destes dois seres humanos, ao que se sabe, iguais a nós.
Entretanto, vai uma enorme distância disso para que haja uma descendência intelectual ou espiritual autorizada a governar nações em nome da doutrina de Jesus. Sua doutrina se destinava a todos os povos, isso está claro dentro dos escritos que restaram. Suas idéias eram idéias de salvação/libertação, nunca de fidelização, adesão, escravidão. Todos quantos estiverem buscando fiéis, adeptos, vassalos, seja pela via do dinheiro ou da mão-de-obra ou da mente, estará na contramão da mensagem de Jesus.

Ainda retornaremos com novos enfoques.