quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Quem é ou que é Deus? (X)


10. ...e o preconceito de outros.

A coisa mais triste que se pode constatar é a divisão entre os homens por causa de Deus. Cito a Palestina, onde de um lado do muro Yaweh autoriza matar os filhos de Alá, do outro lado do muro. E vice-versa, como se o Deus do lado de cá, só porque é chamado por nome diferente, não fosse o mesmo Deus.
Outro exemplo: os jogadores do Santos F.C. foram levados a uma instituição que cuida de menores deficientes mentais para fazer uma distribuição de ovos de Páscoa, mas uma meia-dúzia dos seus atletas se negou a descer do ônibus porque eram evangélicos e a instituição era espírita.
Trago aqui o desabafo do pastor Ed Rene Kivitz sobre o episódio.
"Os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa.
Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso, cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.
A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e
códigos morais de cada tradição de fé.
A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e cada uma das tradições de fé.
Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno; ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo; ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião. Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Alcorão, você está discutindo religião. Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.
O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância. A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai.
E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixem de existir enquanto outros e se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.
Mas, quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia,
e compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz.
Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, fazem com que os discordantes no mundo das crenças se dêem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.
Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina ou pelo menos deveria ensinar, você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa para uma criança que sofre a tragédia e miséria de uma paralisia mental.
Ed René Kivitz, cristão, pastor evangélico, e santista desde
pequenininho."

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Quem é ou que é Deus? (IX)


9. Apesar de tudo, a negaça de uns...

Apesar de todas estas coisas narradas no capítulo 8, a Bíblia nos diz que as pessoas irão rejeitar o conhecimento claro e inegável de Deus e irão acreditar em uma mentira. Romanos 1:25 declara: “...eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente”.
A Bíblia também proclama que as pessoas não têm desculpas para não acreditar em Deus: “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das cousas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis” (Romanos 1:20).

Algumas pessoas afirmam não acreditar em Deus porque “não é científico” ou “porque não há prova”. A verdadeira razão é que, uma vez que as pessoas admitam que há um Deus, elas também precisarão se dar conta de que devem ter responsabilidade para com Deus e que precisam do Seu perdão (Romanos 3:23 e 6:23). Se Deus existe, então nós devemos prestar contas das nossas ações a Ele. Se Deus não existe, então nós podemos fazer o que quisermos sem termos de nos preocupar com o Seu julgamento sobre nós. Este parece ser o desejo do homem-animal (felizmente uma minoria), aquele desmentalizado que não quer responder pelo que faz porque teria vergonha de si mesmo se usasse a consciência.
Eu acredito que esta é a razão pela qual a evolução é tão fortemente aceita por muitos na nossa sociedade – para que as pessoas tenham uma alternativa a acreditar em um Deus Autor de Tudo.
Deus existe e todo mundo sabe que Ele existe. O fato de que alguns tentam tão agressivamente provar que Ele não existe é de fato um argumento para a Sua existência.

Permita-me expor mais um argumento para a existência de Deus. Como eu sei que Deus existe? Eu sei que Deus existe porque eu falo com Ele todos os dias. Eu não O ouço falar comigo “de uma forma audível”, mas sinto a Sua presença, sinto a Sua liderança, conheço o Seu amor, desejo a Sua graça. As coisas aconteceram na minha vida de forma que não há outra explicação senão Deus.
Deus me salvou e mudou a minha vida de forma tão milagrosa que eu só posso aceitar e louvar a Sua existência.
Nenhum destes argumentos pode persuadir alguém que se recusa a aceitar o que é tão claro. No fim das contas, a existência de Deus deve ser aceita pela fé (Hebreus 11:6). A fé em Deus não é um salto cego no escuro, mas um passo seguro em um quarto bem iluminado onde 90% das pessoas já estão presentes.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Quem é ou que é Deus? (VIII)


8. Afinal, Deus existe?

Existem evidências da existência de Deus?

Deus existe?
Eu acho interessante o fato de se dar tanta atenção a este debate.
As últimas pesquisas nos informam de que mais de 95% das pessoas no mundo de hoje acreditam na existência de Deus ou de algum poder superior, assemelhado. Mesmo assim, de alguma forma, a responsabilidade de provar que Deus realmente existe é posta sobre aqueles que acreditam que Deus existe. O correto deveria ser o contrário, não é mesmo?
Em todos os regimes discricionários cabe ao inocente provar sua inocência, quando o correto, nos regimes democráticos, é atribuir ao acusador o ônus da prova.
No entanto, não se pode provar ou deixar de provar a existência de Deus.
Sempre será um tema polêmico e sujeito à fé.
O Novo Testamento diz que nós devemos aceitar por fé o fato de que Deus existe: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que recompensa os que o buscam” (Hebreus 11:6).
Se Deus assim o desejasse, Ele poderia simplesmente aparecer e provar para o mundo inteiro que existe. Mas se Ele fizesse isso, não haveria mais necessidade de existir fé. “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram” (João 20:29).
Isso não significa, no entanto, que não existam evidências da existência de Deus. Nem mesmo um grão de trigo germinaria se não contivesse em si um programa inteligente preexistente.
Em todas as culturas de todos os tempos, sem a Internet que hoje torna tudo uma pequena aldeia, homens de todas as latitudes professaram a crença num Ser Superior.
O Antigo Testamento declara: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras de sua concepção. Um dia sucede a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo” (Salmos 19:1-4).
Olhando para as estrelas, compreendendo a vastidão do universo, observando as maravilhas da natureza, vendo a beleza de um pôr-do-sol – todas estas coisas apontam para um Autor.
Se estas coisas não fossem suficientes, também há evidência de Deus em nossos próprios corações. Eclesiastes 3:11 nos diz: “...[Ele] pôs a eternidade no coração (alma) do homem...”. Há alguma coisa no fundo do nosso ser que reconhece que há algo além desta vida e alguém além deste mundo. Nós podemos negar este conhecimento, intelectualmente, mas a presença de Deus em nós e através de nós ainda estará lá. Apesar disso tudo, os escritos ditos sagrados nos advertem que alguns, mesmo assim, irão negar a existência de Deus: “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus.” (Salmos 14:1). Visto que 98% das pessoas através da história, em todas as culturas, em todas as civilizações, em todos os continentes acreditam na existência de algum tipo de Deus – deve haver algo (ou alguém) causando esta crença.
Além dos argumentos bíblicos para a existência de Deus, existem argumentos lógicos.
Em primeiro lugar, existe o argumento ontológico. A forma mais popular do argumento ontológico basicamente usa o conceito de Deus para provar a existência de Deus. Começa com a definição de que Deus não pode haver concebido alguém maior do que Ele. Argumenta-se então que existir é maior do que não existir, logo o maior ser que pode ser concebido tem que existir.
Se Deus não existisse então Deus não seria o maior ser que pode ser concebido – mas isso iria contradizer a própria definição de Deus.
Em segundo lugar está o argumento teleológico. O argumento teleológico é aquele que diz que como o universo apresenta um projeto tão incrível, deve ter havido um projetista divino. Por exemplo, se a terra estivesse apenas algumas centenas de quilômetros mais afastada ou mais próxima do sol, ela não seria capaz de sustentar grande parte da vida que sustenta no momento. Se os elementos na nossa atmosfera tivessem apenas alguns pontos percentuais de diferença, tudo o que vive na terra morreria. A chance de uma única molécula de proteína se formar ao acaso é de 1 em 10243 (isto é, 10 seguido de 243 zeros). Uma única célula possui milhões de moléculas de proteínas.

Um terceiro argumento lógico para a existência de Deus é chamado de argumento cosmológico. Todo efeito deve ter uma causa. Este universo e tudo o que há nele é um efeito. Tem que existir algo que causou a existência de tudo.
Finalmente, deve existir alguma coisa “não-causada” que fez com que tudo viesse à existência. Este “não-causado” é Deus. E ainda há outro argumento conhecido como o argumento moral. Todas as culturas através da história têm alguma forma de lei. Todo mundo tem um senso de certo e errado. Assassinar, mentir, roubar e agir de forma imoral são coisas universalmente reprovadas. De onde veio este senso de certo e errado se não de um Deus santo?

domingo, 27 de novembro de 2011

Quem é ou que é Deus? (VII)


7. O que é sagrado?

O conhecimento xamânico trazido de volta apenas como verdade histórica e não incorporada aos novos tempos como coisa atual, ao contribuir extraordinariamente para o novo paradigma Deus-natureza-homem, ensina que “sagrado é tudo aquilo que não dominamos”. Logo, uma minúscula semente de girassol ou de alface, que traz em si uma programação com mistérios fora do alcance do homem, é algo sagrado, como tudo mais que nos rodeia nas mesmas condições, fora do nosso alcance. O DNA é um mapa do qual temos vagas informações. Todos os órgãos humanos (coração, pâncreas, rins, pulmões, etc.), ainda que dissecados, tratados e transplantados pela moderna medicina, estão longe de estarem ao alcance do homem. Estarão ao alcance quando o homem estiver apto a substitui-los por algo de igual desempenho e praticidade, criado pelo homem. Aliás, o homem não deveria querer substituir Deus e sim entendê-lo, ajudá-lo, complementá-lo.
Mas, isso explica o Sagrado?
Ele está fora de nosso domínio, mas não é algo desconhecido. É, por nós, percebido. E negado. Nossa cultura fez questão de afastar de nós as emanações provindas da dimensão sagrada.
No terreno deturpado de nossas criações perturbadoras em que inventamos dogmas, quem deseja substituir Deus é o diabo. E o que faz o homem?
É preciso indagar: se ao encontrar Deus o homem não estaria encontrando a si mesmo e vice-versa? E a indagação deve ser complementada: ao confrontar Deus o homem não estaria assumindo o papel de satanás?
Nunca pareceram tão verdadeiras essas possibilidades, lá e cá.
Nem mesmo sabemos o que somos. Pensar e perceber que existimos, é pouco. Pretender perquirir Deus pode ser excessiva ousadia. É isso: ao descobrir-se a si próprio o homem acabará por descobrir a Deus. Ou quem acabe descobrindo-se o adversário de Deus. Ou quem sabe buscando reconciliar-se consigo mesmo e com Deus.
Muitos intelectuais definem Deus ou tentam defini-lo. E dizem: a essência de Deus é atemporal, universal, irrefutável e incondicional. Seu conceito se mantém válido ontem, hoje e amanhã. Tem valor tanto aqui, como no outro lado do mundo. Agir fundamentado por esse conceito não exige explicações, é justificável.
Perceba que quando fazemos algo que reprovamos precisamos de diversas explicações para tentar justificar e eximir-nos das culpas.
Quando fazemos algo que nos enaltece perante a vida nada é preciso justificar. É incondicional, pois é um princípio, um conceito que origina outros conceitos. Nascemos para o bem. Então por que somos indisciplinados?
"Ninguém jamais viu a Deus, mas se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e em nós é aperfeiçoado o seu amor. Nisto conheceremos Deus..., pois Deus é Amor" I João 4:19

sábado, 26 de novembro de 2011

Quem é ou que é Deus (VI)


6. Tudo é evento

A física tem contribuído para a elucidação da maioria dos equívocos que, por dogma, acabam incomodando a verdade científica, filosófica e religiosa. Em definições recentes, a física quântica ensina que nada é permanente, estamos caminhando, somos eventos a caminho de novo evento, a verdade não é estática, ainda que eterna e se movimenta na direção da luz, como soe acontecer com o conhecimento.
Logo, o primeiro e maior dogma, o da criação, está sepultado. Se a vida é um evento permanente nada foi criado estaticamente como sustentam os criacionistas e, sim, tudo está evoluindo desde sempre.
A vida é eterna porque sempre haverá, transmutando-se.
Isso vale para a verdade. A verdade de ontem está iluminada pela verdade de hoje, que a complementa. A árvore e o homem que você vê agora são verdadeiros, mas a cada minuto serão outros, ainda que verdadeiros.
O conhecimento de 5 mil ou mais anos passados não é o mesmo conhecimento útil ao homem de hoje.
Se para evoluir, no longínquo passado o homem precisava acreditar na sua condição de ser inteligente e para isso dependia de uma sacudida em sua vontade e auto-estima, esse empurrão foi dado e o homem foi chamado a palmilhar caminhos diferentes que os caminhos reservados aos peixes, às aves, aos animais e vegetais.
Foi o que aconteceu. Mas, o homem não deveria acreditar-se superior a ponto de apropriar-se na Natureza sem o uso da ternura. Hoje a sacudida é mais potente: o homem precisa aprender a ser irmão das estrelas e árvores, como de fato é (a Ciência confirma) para que a sua evolução se complete antes que o planeta seja destruído por falta daquela fraternidade cobrada em Mateus 22, 36ss.
Se todo o conhecimento se altera a cada minuto e foi duplicado nos últimos 28 anos, e se acelera nos dias atuais, os religiosos deveriam acautelar-se em insistir com os escritos de milênios passados dando-os como atuais e aplicáveis, ainda que verdadeiros e eternos como história. Agarrar-se a isso, apenas a isso como verdade imutável, é desonesto e perigoso.
Há um outro aspecto que o escritor criterioso precisa considerar quando ousa entrar neste debate. Os escritos sagrados tão ferrenhamente defendidos por algumas correntes de fé, todos eles, os escritos sagrados, são obra dos homens, homens que se disseram profetas autorizados a falar com Deus. Num dado momento Deus calou-se, os profetas não escreveram mais nada. Alguém já se manifestou sobre o por quê disso?
Seria prudente, em primeiro lugar, questionar se a voz ouvida pelos profetas era, mesmo, a voz de Deus ou de emissários de Deus.
Digamos que sim.
Parece um tanto arrogante a um proeminente religioso, Dalai Lama, por exemplo, apresentar-se à sociedade dizendo ter escudado a voz de Deus. Alguém o desautorizaria e a polêmica estaria aberta.
Pois é, caro leitor, mas até uns 300 anos antes da vinda de Jesus, era comum existirem profetas falando com Deus. E depois que Roma assumiu o legado de Jesus os intérpretes de Deus passaram a ser os papas, cardeais, bispos, padres, mesmo sem escrever muita coisa por conta desta outorga.
Dezenas de religiões na atualidade só têm olhos para os escritos de mais de 2.500 anos de idade e pouca coisa está dita sobre a nossa atualidade espiritual. Quem está certo?
Por que não podemos tomar Albert Einstein como profeta moderno? Por que a equipe de Allan Kardec não pode ser entendida como profetas modernos? Por que Helena Blavatsky não pode ser uma profetiza moderna? E esses poetas maravilhosos que cantam nas vozes dos principais cantores do planeta o que seriam? Será que Roberto Carlos e Chico Xavier não ganhariam uma vaguinha como profetas da atualidade?
O que você acha?

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Quem é ou que é Deus? (V)


5. Espiritualidade nascente

Mesmo que queiramos entender a vida humana como uma só passagem pelo corpo, como última e definitiva experiência como seres de carne e osso, e apesar do privilégio em relação a todo o resto do mundo natural, como ensina a cultura religiosa ocidental, predominantemente, alguns homens foram além: acrescentam-se-lhes ao corpo, a alma e o espírito, um ente capaz de sobreviver à morte. Trata-se de uma espécie de ateísmo egoístico ao sugerir que Deus não é completo, mas corruptível e paternalista em relação a alguns dos súditos de seu reinado.
Isso parece ter mudado o comportamento do homem em relação aos outros homens e em relação à natureza não humana, pois na qualidade de privilegiados filhos de Deus, ao louvá-lo e ao fazer oferendas a Ele, acreditam esses súditos poder merecer um juízo favorável. Por isso, no entender de milhões de seres humanos, dentro de sua normalidade cultural, esse ser capaz de muitas coisas, depois de reinar sobre toda a natureza (inclusive humana), depois usar e abusar dela, descansará em paz, sem responder por seus erros, ou seja, sem culpas. As culpas foram zeradas pelo “benefício da corrupção permitida por Deus”. Dá para entender uma estapafúrdia deste tamanho?
Valho-me da metáfora: o marido trai a mulher e com a oferenda de um buquê de flores resolve toda a dor da traição. Pode morrer em paz, ainda que o mundo natural e as futuras gerações fiquem ameaçados.
A maioria das religiões tolera esse entendimento entre os seus fiéis. O mundo onde se insere o homem ocidental move-se sobre esse tapete cultural.
Entre os orientais, de modo mais profundo, os espiritualistas definem um karma para o homem e compreendem que a colheita não pode ser outra senão o resultado do plantio, admitida a hipótese da reencarnação.
Mesmo assim, para uma boa parte dos espiritualistas de lá, o meio ambiente não está necessariamente incluído na quota kármica do plantar-colher. Os japoneses, mestres sujões do planeta, dão bem a mostra de que a paz eterna de suas almas nada tem a ver com as barbaridades que causam ao meio ambiente.
O que pode significar a “luz no fim do túnel escuro” é a minúscula, porém crescente comunidade de homens muito mais perceptivos, sensíveis, eticamente preparados por pensamentos, atitudes e ações, que promovem a inversão do paradigma e, no final, identificam quem vai obter a efetiva colheita. Para esses, o corpo humano é um feixe de energia cósmica (divina) que possui um corpo físico, não o contrário. Nosso corpo é-nos dado por empréstimo pela natureza. Em determinadas condições, podemos usá-lo com sucesso durante um certo tempo.
A colheita geral será dada não a um homem, apenas, mas a toda a sua espécie. Enquanto isso, cada homem estará voltando à matéria, em sucessivas encarnações no corpo biológico, respondendo por si e pelos seus semelhantes, até que sejam dignos de viver e desfrutar na dimensão cósmica (divina), planeta Terra no meio.
Este deve ser o entendimento do que está escrito em Mateus 22; 36ss: “Amarás o Senhor teu Deus (suas leis e suas obras) de todo teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Amarás teu próximo como o ti mesmo” (entendendo que o homem atual será também o homem do futuro).
Agora o principal: por este entendimento, Deus não está só nos céus, pode estar em todos os lugares e pode manifestar-se através de toda a natureza, sua obra, seu corpo físico. A natureza é um todo. Nada é separado. O corpo do homem é dado pela natureza, que é a manifestação física de Deus. O espírito do homem é dado por Deus e adquire poder manifestado na natureza. O amor a Deus sobre todas as demais coisas, inclui a natureza. O amor ao próximo como a si mesmo, inclui todos os homens. Este é um novo homem sob uma nova ótica e ética, um novo paradigma, uma nova ciência, uma nova filosofia e uma nova religião.
Do ponto de vista científico e filosófico, sempre foi assim. Do ponto de vista religioso, para os ocidentais, desde Cristo deveria ter sido assim. Os interessados em alterar isso têm ou tiveram interesses pelo domínio da natureza inteira, onde os homens sempre estiveram incluídos.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Quem é ou que é Deus? (IV)


4. Divergências ou interesses?

Nessas jornadas de busca e definição de Deus, levaremos muitos séculos teimando sobre Ele, brigando para impor aos outros o que entendemos ser correto. E, tentando decifrar se está certo mesmo, se Ele é, mesmo, como ensinam as principais religiões, iremos perguntando sem obter respostas: É Onipotente (poder absoluto sobre todas as coisas)? É Onipresente (poder de estar presente em todo lugar)? É Onisciente (poder de saber tudo)?
Essas características foram reveladas aos homens através de textos contidos nos Livros Sagrados, que são muitos. Entre eles estão:
o Bagavadguitá, dos hinduístas; o Tipitaka, dos budistas; o Tanakh, dos judeus; o Avesta, dos zoroastrianos; a Bíblia, dos cristãos; o Livro de Mórmon, dos santos dos últimos dias; o Alcorão, dos islâmicos; o Guru Granth Sahid dos sikhs; o Kitab-i-Aqdas, dos bahá'ís; outros que nem chega ao nosso conhecimento como cidadãos americanos..
Os livros conhecidos relatam histórias e fatos envolvendo personagens escolhidos para testemunhar e transmitir a vontade divina na Terra ao povo de seu tempo, tais como: Abrahão e Moisés na fé judaica, cristã e islâmica; Zoroastro na fé zoroastriana; Krishna na fé hindu; Buda na fé budista; Jesus Cristo na fé cristã e islâmica; Maomé na fé islâmica; Guru Nanak no sikhismo; Báb e Bahá’u’lláh na fé Bahá'í.
Estas escolas e seus mentores foram relacionados para que você tenha uma vaga idéia das inúmeras correntes, mas saiba que elas não convergem nem em 50% dos conteúdos. As divergências, no geral, estão nas práticas, no modo de fazer.
A Torre de Babel, que também é uma estória bíblica, dá bem uma idéia de como viemos caminhando pelos territórios que nos levaríam a Deus.
Somos assim, divergentes. Em toda reunião onde houver possibilidade de opiniões e sugestões, estará feita a bagunça. Chamam isso de democracia. Na verdade, o construtivismo é mais completo em se tratando de criar a partir das muitas vontades, porque democracia ultimamente tem sido o direito de escolher entre A, B ou C.
O que vem agora também é polêmico.
Passamos alguns séculos tentando nos iludir de que vivemos uma só existência e ao final dela seremos julgados, absolvidos ou condenados para todo o sempre.
As piores perdas evolutivas na caminhada rumo ao Sagrado vieram quando o poder governamental se serviu da religião para governar ou oprimir e afastou o Sagrado para governar profanamente apoiado numa fé não libertadora.
E no caso da condenação ou absolvição eterna, é válido destacar que como ocidentais, católicos ou protestantes, nunca demonstramos medo desse julgamento, pois exatamente os expoentes dessa tradição de fé foram os mais beligerantes, os maiores invasores e principais matadores de inocentes.
Dá para imaginar que os governos aliados dessa fé de uma só existência nunca acreditaram naquilo que os seus papas ensinaram, pois eram (ainda são) os primeiros a confrontar esta doutrina com os seus atos e atitudes.
As divergências não partiram apenas de entre os homens ditos crentes. Elas vieram também dos ateus. Para o anarquista Mikail Bakunin a idéia de Deus foi uma idéia criada pelas elites (reis, senhores de escravos, senhores feudais, sacerdotes, capitalistas) para justificar a sociedade autoritária e projetar ideologicamente as relações de dominação para o universo como um todo (Deus como senhor ou rei e o universo como escravo ou súdito).
A idéia de Deus, segundo esta tese, serviria como um instrumento de dominação cuja função seria fazer os dominados aceitarem sua exploração como se fosse um fato natural, cósmico e eterno, ou seja, um fato do qual não pode o homem fugir, restando-lhes apenas a opção de resignar-se.
E, pelo visto, as divergências não acabarão tão cedo, a menos que um fato transcendental modifique isto.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Quem é ou que é Deus? (III)


3. Há como demonstrar Deus?

Por que não podemos demonstrar Deus? Em primeiro lugar, não conseguimos demonstrar Deus por que dele fazemos apenas imaginação, o que é correto pensar, e não raro fazer dele uma imagem distorcida, como ocorre.
Uma imaginação é uma imagem refletida, produto do pensamento. A palavra se conceitua: imagem em ação: não é algo concreto. E assim fica fácil aos ateus baterem na tecla: Ele não existe. O que não é concreto não se demonstra, não aparece no microscópio e nem nas tomografias, logo, não existe. Ao menos para o materialista, não existe.
Se, porém, O sentimos, Deus deixa de ser uma imaginação. Passa a ser um sentimento, assim como a dor, o prazer, a sede, a esperança, o amor. Ao senti-lO e ainda no plano imaginativo, Ele toma a forma de um Ser que se faz anunciar ainda que de um jeito não bem definido, mas que pode ser encontrado em seu atributo. É isso. A essência do Ser é a sua ligação com o atributo, logo o efeito, o produto, o acontecimento, o estado, a natureza, a existência, a posição, a qualidade, sinal de relação entre sujeito e objeto passa a ser constituído, informemente, mas presentemente. Novamente se anuncia como atributo, predicado, substância de uma essência, criação de algum criador. Se o que se faz anunciar não é Ele, ao menos é uma emanação Sua.
Sem essa qualidade não pode existir o Ser. Ao menos é assim que Descartes ensinou e um monte de gente se curvou e aceitou.
A Natureza física é o corpo físico de Deus. Aquilo que não se demonstra, apenas sente-se, é o efeito de sua inteligência.
Para que não fique bailando dúvidas nas mentes mais severas, recorro à metáfora: a onda de rádio que você sintoniza provém do transmissor de uma rádio. Não é a rádio que está com você, é o seu efeito.
Mas, também não se deve acatar a metáfora simplesmente como se as percepções de Deus fossem algo tão fácil de acessar quanto sintonizar a rádio. Sabemos que não é assim. Quem apregoar facilidade nesta tarefa, mente, mistifica.
A preparação da mente receptora para captar emanações das elevadas hierarquias vibratórias é um caminho sagrado, santificado, descontaminado das principais impurezas que poluem a mente humana.
Numa outra série que pretendo transmitir aqui, breve, iremos tentar traduzir como conquistar os elevados estados vibratórios.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Quem é ou que é Deus? (II)


2. Uma dualidade prejudicial

A herança transmitida aos cristãos pelas religiões nascidas com Abraão, leva-nos ao Gênese (1: 26-28), onde narra o que pensou Deus na hora da criação, e lá está escrito: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos e sobre toda a terra e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra ... Enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra. Eis que vos dou toda a erva que dá semente sobre a terra e todas as árvores frutíferas que contêm em si mesmas as sementes ...”
Por sua conta dessa outorga e de outros interesses dos quais falaremos adiante, o homem acrescentou poderes a si mesmo.
A mulher, o índio e o negro, imediatamente, ficaram de fora da outorga e passaram milênios na condição de sub-raça, seres sub-humanos, escravos, submissos.
A tradição de fé fundada por Moisés teve a capacidade de, diferentemente das demais tradições contemporâneas de fé, conceber um Deus apenas masculino, expulsando do ato criatório a figura feminina. Colocou sobre a Terra a mulher retirada da costela do Adão.
Por conta de muitas dessas concepções, mulher, índio e negro foram e ainda são indignos de estarem entre os seres semelhantes a Deus. Foram e ainda são usados e abusados em sua dignidade e liberdade graças à escravidão, à semi-escravidão, ao sub-emprego, à irresponsabilidade social.
A outorga de Javé também autoriza a destruição ecológica.
Deus está no céu, é um ser sobrenatural. O homem está na terra e não pertence à terra, está acima dela e autorizado a obter dela, sob tortura, todos os seus segredos. Note-se a separação, a dualidade e, por que não?, a exclusão.
Lá no início das civilizações o impacto era menor, mas o insaciável animal humano foi longe demais a partir da outorga de Javé. Na prática, o homem passou a administrar seus privilégios em relação a Deus e à Natureza, quase sem pertencer a nenhum dos extremos, uma caricatura de alguém que está dependurado no meio, sem pertencer a nenhum dos dois universos. Egocêntrico, trouxe seu ego para o centro e não prestou atenção em mais nada.
As conseqüências dessa cultura parecem estar claras.
A proto-cultura herdada dos xamãs, pela qual o Sagrado está refletido na Natureza, homem no meio, foi zerada sob a influência da Gênese bíblica. Passamos a entender que o homem não é Deus, é seu concessionário sobre tudo mais que chamamos de natureza e pode dispor de tudo como bem entender. Chegamos ao supra-sumo da perversidade moral quando Francis Bacon (1561/1626), criador do método científico, escreveu: “o império do homem sobre as coisas se apóia, unicamente nas artes e nas ciências”. Seu método indutivo, partindo do particular para o geral defendia que era preciso “extrair da natureza sob tortura todos os seus segredos”. Claro, até os escravos humanos estavam incluídos nisso.
Viemos caminhando sob a plataforma desse paradigma, melhorando um pouco aqui e ali, mas só nos demos conta de que estávamos destruindo o planeta quando o planeta entrou em estado febril e pediu socorro. Mesmo assim a moderna cultura da extração sob tortura se negou, por parte dos países mais ricos e mais sujos do planeta, a assinar o Tratado de Kioto.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Quem é ou que é Deus? (I)


1. Introdução

A maior ousadia do animal humano é querer conhecer Deus. Nem mesmo ele próprio sabe quem é.
Mas, temos de compreender esta necessidade. Ela é antiga.
Parece inerente ao espírito humano um desejo incontido de conhecer de onde vem e para onde vai, pois apesar de ter seguras informações biológicas a seu respeito (fecundar, nascer, crescer, reproduzir, envelhecer, morrer), isso é muito pouco. Pouco e assustador. Como é possível colocar em ação uma engenhoca tão maravilhosa como é o ser humano para viver apenas 60/80/100 anos?
Dotados de imaginação, somos maiores que a nossa inteligência, maiores que o nosso conhecimento, maiores que a nossa sabedoria.
Mas, infelizmente, estamos divididos e irremediavelmente opostos, separados por facções que gostariam de apoderar-se da verdade não só divina, mas principalmente a divina e, mesmo sem possuí-la, fazem disso um clube fechado, uma franquia, um negócio, na pior das hipóteses, um negócio político, uma forma de cooptar pessoas, mas não só. Não é, apenas, um negócio político, entra muito dinheiro associado ao poder no meio dessa atividade. Entra a formação de bancadas congressuais dispostas a influenciar a criação de leis e a destinação dos recursos públicos.
E isso não só aqui no brasilzão que amamos e não cuidamos.
Aprendemos a ser arrogantes e soberbos e com extrema ansiedade afirmamos: “eu estou certo, os outros estão errados”. Esse é o outro problema das igrejas. Temeridade a que está sujeito o escritor que assina este blog caso pretendesse concluir por ser o dono da verdade.
Ninguém é dono de nenhuma verdade e nem existe uma verdade última, acabada, ao alcance da mente humana, hoje. Passaremos pelos séculos e milênios reformando e revisando nossos conhecimentos, acrescidos de novas descobertas, a caminho da expansão de nossas consciências. Somos um evento em transição para o próximo evento. O evento velho dá a base ao evento novo, conexões se renovam, mas não se repetem no todo, não exatamente como foi. Eis o segredo do sagrado da vida: uma permanente evolução melhoradora.
A quase totalidade dos homens e mulheres ocidentais, por influência da cultura religiosa, aprendeu a crer numa divindade celeste, distante, inacessível, concebida segundo a imagem e semelhança física do homem e, não raro, pintada na pele de um Javé austero, barbudo, severo monarca ou magistrado, concebido para presidir um reino dentro de cujas fronteiras a sua vontade é soberana: dá e tira, concede e pune, julga, indulta, condena e perdoa.
Jesus Cristo, reiteradamente apresentado como Seu Filho, e assim auto-apresentado, também foi, por Roma, promovido à categoria de Deus, coisa que Ele nunca afirmou ser.
Se a imagem física de Deus já era humana, o fato de Jesus ter sido homem e, como tal “elevado” aos céus para ser o Deus dos católicos, reforçada estava a idéia do homem-Deus ou Deus-homem.
A proposta desta série, no blog “Maioridade Espiritual”, não é desfazer esta imagem, não tenho esse poder em apenas algumas linhas de texto, nem tão pouco quero apresentar outra imagem, eu não sei como é Deus, não tenho a imagem de Deus. Quero, sim, avançar na difícil tarefa de procurar Deus, independentemente de sua forma.
Parece importante buscar quem é ou que é Deus, pois se há uma Inteligência Superior que concebeu os cosmos, onde estamos inseridos, natural é até por mera curiosidade, refletirmos um pouco sobre esta entidade superior que nos concede a vida. Mais que curiosidade, temos necessidade disso. A vida nos chama e a consciência reclama. Se é também a sua necessidade e curiosidade, leitor, fique aqui pelos próximos capítulos diários dessa busca.

domingo, 20 de novembro de 2011

Desafio aos homens e mulheres de bem


Hoje o assunto é cidadania

Por dever de ética e de consciência política, os cidadãos brasileiros estão buscando mobilizar-se e sensibilizar a sociedade no sentido de pressionar os poderes constituídos da República para uma extensa pauta de exigências a serem contempladas na formulação de leis e de políticas públicas com vistas a corrigir o que mais decepciona os homens e mulheres de bem. Os pontos mais votados por enquanto são:
Fim do foro privilegiado para autoridades políticas.
Fim do voto secreto nos parlamentos e nas comissões do serviço público.
Cargos de Conselheiros e Ministros dos tribunais de contas e de justiça preenchidos por concurso público.
Ficha limpa aprovada no seu formato original.
Conteúdos de filosofia, política, ética e cidadania ministrados nas escolas, com programas de capacitação dos professores.
Fim das coligações eleitorais partidárias.
Definição de atos de corrupção como crime hediondo.
Mecanismos de controle social sobre o judiciário (por exemplo: independência e autonomia do Conselho Nacional de Justiça)
Penas mais severas aos membros do judiciário que estiverem envolvidos com corrupção.
Transparência e instrumentos de controle social sobre a execução de penalidades, multas e recuperações de valores.
Alteração do Código Penal de forma que os crimes cometidos por quadrilhas que integrem menores de idade, independentemente de quem seja o autor do delito penal, o de maior idade do grupo seja considerado o líder da quadrilha, aliciador de menores e receba um acréscimo substancial na pena.
Alteração do Regimento Prisional de forma que os condenados fugitivos além de terem sua pena acrescida em 30% do tempo, a autoridade administradora do presídio ou penitenciária seja julgada e condenada por crime de facilicitação de fuga e prevaricação.
Na busca de um país mais justo, honesto e democrático, contamos com a adesão, compromisso e apoio de todos os cidadãos e governantes.
Se você caríssimo leitor possuir alguma possibilidade de fazer multiplicar esta mensagem, acrescentando ou retirando algo que para você não faz sentido, contamos também com isso.
O blog Maioridade Espiritual entende que a maioridade humana passa por esta atitude e desemboca nesta ação, que não pode restringir-se apenas ao envio de e-mails, mas nos leva às manifestações de rua e a uma nova postura no dia das eleições.
Obrigado.

sábado, 19 de novembro de 2011

Reinterpretando o Evangelho (XXX)


Tomo XXX – Conclusão

Você viu, leitor, você participou, durante 29 tomos, em 29 dias corridos discorremos aqui sobre vinte e nove temas bíblicos do Novo Testamento, coincidentes com o que destacou Allan Kardec em seu “Evangelho Segundo o Espiritismo”. Assim foi porque a seleção de Kardec é perfeita. Se fosse para ampliar o trabalho de Kardec, parece relevante destacar apenas mais duas importantes passagens daqueles evangelhos: a oração do Pai-Nosso e as lições tiradas da Transfiguração havida no Monte Tabor.
No caso da oração-mestre, o Mestre Jesus demonstra todo o seu conhecimento esotérico deixando-nos um verdadeiro mantra pelo qual nos unimos às melhores correntes vibratórias e pelo qual assumimos só aceitar bênçãos que forem merecidas, pois fica implícito, entre outras lições, conceder o perdão antes de pedi-lo.
Esta oração, hoje, repetida em qualquer lugar onde se busque a intercessão da espiritualidade para a cura, para o alívio, para a harmonia, tem sido um convite a ação das boas energias sobre as pessoas. Já é chamada de oração da cura, oração do amor.
Trabalhar um pouco mais as influências e as correlações esotéricas desse enunciado parece valorizar não só o ato de orar, mas o ato de orar esta oração.
Saber, por exemplo, que ela se encaixa nos chakras de alto abaixo, podendo servir como mantras de seu alinhamento.
No caso da Transfiguração em presença de três dos seus mais próximos auxiliares, o que faz Jesus? Demonstra-lhes através de uma operação só possível aos grandes mestres ascensionais da espiritualidade, como transitar pelo mundo espiritual. Chama para a companhia deles os espíritos de Moisés e Elias, na verdade, este último, João Batista, pois foi durante este ato que, sob a indagação dos presentes, Jesus confirmou ser João Batista uma reencarnação de Elias.
O destaque, no caso, viria dar testemunho a toda uma sabedoria antiga que através dos sábios de Alexandria, passando pelos essênios e pelos nazarenos, já admitia a multiplicidade de vidas seqüenciais a um mesmo espírito.
Esta não era a tradição de fé dos judeus, por isso as divergências de Jesus com os fariseus e saduceus, entre outros que constantemente o interpelavam defendendo as arraigadas tradições tribais.
A simples aceitação da hipótese, da tese ou da síntese da reencarnação, alteraria, fundamentalmente, a cosmovisão religiosa da época, bem como depois e de agora, pois seria, é e será, através dessa aceitação que os homens sairiam, saem e sairão da tutela de Deus e de seus concessionários, sairiam, saem e sairão do controle que dizem partir de Deus e que nos transforma, como pregam algumas religiões em perfeitos autômatos. A nova cosmovisão traria, traz e trará aos homens autonomia, livre-arbítrio, liberdade de escolha naquilo que pensam, fazem ou deixam de fazer. Daria, dá origem, também, à Lei de Causa e Efeito, algo fundamental para infundir responsabilidade às pessoas.
A interminável luta de judeus e palestinos já teria acabado ao simples compreender que eles estão retornando a outros corpos para brigar e teimar pelas mesmas posições de 5 mil atrás sem nenhum avanço.
Fora do controle automatizado cada um de nós se convence de que Deus não distribui benesses segundo sua simpatia nem aplica sanções segundo a sua antipatia, mas sim entrega da liberdade a cada ser humano de escolher entre construir o seu jardim ou a sua pocilga.
E aí, como se pode deduzir, os 29 capítulos destacados nesta série que se conclui, passam a ter conotações de maior profundidade em todas as suas nuances como doutrina e ensinamento. Há um profundo didatismo nas palavras de Jesus. Eu não vejo como entregar a Ele as decisões que nós devemos tomar.
Aceitar, assimilar e aplicar esses ensinamentos deixa de ser um jeito para agradar a Deus e assumem foro de construção íntima do caráter, cujo resultado terá de ser a emancipação do homem no rumo da perfeição, do per-fazer, do para-fazer, do transformar, do evoluir. E aí apresentar-se a Deus como bom aluno, bom profissional, bom cidadão, bom eleitor, bom contribuinte,bom cônjuge, bom pai, boa mãe, bom vizinho...
Se você, leitor, nos acompanhou sequencialmente, tomo após tomo, e quiser juntar todo este material num único arquivo salvo em seu computador ou impresso para sua leitura, haverá de ter aí cerca de 30 páginas do word contendo uma síntese dos ensinamentos morais deixados por Jesus, sem modéstia, com espantosa atualidade.
Agradeço sua atenção. Fico honrado com sua leitura.
"Sucede com frequência que os espíritos mais mesquinhos são os mais arrogantes e soberbos, assim como os espíritos mais generosos são os mais modestos e humildes". (René Descartes)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Reinterpretando o Evangelho (XXIX)


Tomo XXIX – Pecar contra o espírito

Era grande a inquietação nos meios palestinos com a nova doutrina trazida por Cristo. Os fariseus (seita religiosa) eram radicais defensores da Lei e cobravam de Jesus certas interpretações novas para o que, para eles, era velho. Os publicanos (função de coletores de impostos), tinham receios porque Jesus condenava o pagamento de qualquer tributo. Os saduceus (seita religiosa) não acreditavam na imortalidade da alma. E Jesus falava da eternidade do espírito. Sem falar que os zelotas queriam a devolução do governo de Jerusalém aos judeus, enquanto os Escribas se opunham às inovações e eram aliados dos sacerdotes que, em minoria, eram simpáticos ao regime romano.
Cobrado, insultado, provocado, ameaçado, Jesus tinha uma linha doutrinária impecável. Numa bonita pregação sobre a “Casa Dividida” (Mt 12;22<), Jesus ensina que divididos nos enfraquecemos e nos tornamos vulneráveis. Não se referia apenas às questões políticas da época, que haviam permitido o domínio de Roma sobre a Palestina, Jesus ia além, falava das inquietações íntimas quando as dúvidas se opõem às certezas e a nossa alma vai perdendo energia e o corpo padece e desfalece. E adverte com uma clareza meridiana: é menos grave as disfunções e divergências da carne, do dinheiro, da política, dos interesses terrenos. Estas poderiam ser reparadas. Mas, “isso eu vos digo: todo pecado, toda blasfêmia contra o espírito não lhes será perdoada” (Mt 2;31). Ora, a que tipo de prejuízo poderia estar se referindo Jesus? À perda do senso que pode retardar a evolução do ser durante toda uma encarnação. Negar a possibilidade de evolução espiritual, renunciar ao crescimento, não investir na aquisição e no aperfeiçoamento das virtudes, persistir nos mesmos erros, na teimosia das mesmas concepções, posicionamento radical que leva à divisão, à luta interna dentro dos clãs, estavam à conta das perdas espirituais, não perdoadas, não suavizadas. Teriam de ser reparadas uma a uma para poder seguir em frente. As constantes perturbações objeto de curas e desobsessão, praticadas por Jesus, tinham como causa os ódios, as picardias, a ira e a vingança presentes nas relações entre os judeus daquele e deste tempo. Sim, deste tempo. O que vemos ainda nos dias atuais, no entorno de Jerusalém entre os primos judeus e árabes dá bem uma idéia de quanto ainda aqueles povos terão de ralar para chegar a um consenso e promover a paz. Vale concluir: condenar nosso espírito a repetitivas experiências, a recorrentes teimosias por conta de tradições ultrapassadas, por defesa de honra construída em sistemas injustos ou por regozijo a conquistas históricas em que apenas o vencedor é que fala, é jogar pesado contra nosso futuro como seres divinos. Temos propósitos muito elevados e os desvios provocados enquanto brigamos por coisa pequena é como sufocar a vida que quer respirar. "O que conduz o mundo é o espírito e não a inteligência".
(Antoine de Saint-Exupéry)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Reinterpretando o Evangelho (XXVIII)


Tomo XXVIII – Pedi e obtereis

A vontade comanda a vida. Novamente neste tomo se percebe que o Evangelho retoma o tema “batei e abrir-se-vos-á” quando ensina complementarmente: “pedi e obtereis”. Uma Nova Visão para o tema: alguns estudos comportamentais e de psicologia apontam para os estados doentios, de pobreza ou de constante insucesso, como resultados de bloqueios mentais. Da mesma maneira que alguns vendedores alcançam grande sucesso em sua função, existem aqueles que são eternos perdedores e mal-sucedidos. Acreditar, confiar, exercer maestria pessoal, com ordem, perseverança, persistência e determinação são posturas indispensáveis às pessoas que queiram vencer. É preciso acrescentar também: postura só é pouco. Há que ter ação. Postura mais ação se transforma em atitude e a atitude sempre está mais próxima do fazer. A título de brincadeira podemos pensar a palavra “deus” como o verbo dar conjugado no tempo passado no plural: deu+s. Isto é, Ele deu-nos tudo, tudo está disponível na exuberância da natureza que nos cerca e na natureza que temos em nós. Cabe a nós criar a forma, o modo, de como aproveitar melhor os nossos talentos diante da abundância que se nos é oferecida.
Infelizmente, a sociedade está recheada daqueles que se negam a buscar, querem que as coisas venham até eles.
Transportando a questão para a conjuntura administrativa pública, descobrimos que somos culturalmente moldados a um brutal desvio de propósitos. O Estado tem de fazer aquilo que nós nos negamos fazer e o Estado é mau planejador, mau prestador de serviços e excelente perdulário. Então o cidadão não faz e não cobra, limita-se a pagar, paga muito caro e não tem quase nada em troca. Estamos novamente no “pedi e obtereis”: não sabemos pedir, não sabemos cobrar, temos muito pouco e pagamos muito caro.
“Quem não sabe pedir não merece ganhar”. (Anônimo)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Reinterpretando o Evangelho (XXVII)


Tomo XXVII - Dai gratuitamente o que recebestes gratuitamente

Nesta conceituação certamente haverá polêmica. Jesus não autorizou o comércio da fé. Qual é o preço de uma graça de Deus?
Para muita gente a graça de Deus tem um preço a ser cobrado e tem um preço a ser pago.
O comércio que se faz com as graças obtidas pela via da fé contrariam a doutrina de Jesus. É escandaloso passar a bolsa entre as pessoas durante as cerimônias de fé. Se a instituição precisa sobreviver das doações dos seus fiéis, esse aporte financeiro tem de ser feito entre a tesouraria e o contribuinte fora do templo. Essa parte da doutrina cristã já ficou clara no episódio em que foram expulsos os vendilhões do templo, em João II – 14 e 15.
Todos sabemos que há a indústria de objetos de fé, imagens, livros, discos, filmes, patuás, breves, etc., geralmente vendidos longe das cerimônias sagradas e, portanto, encaradas como uma indústria e um comércio como qualquer outro. Os empreendedores devem ter o direito de fabricar e vender aquilo que os consumidores buscam adquirir, seja em prol da fé, do sexo, do luxo, do prazer, da elegância, do conforto.
Nas questões de venda daquilo que de graça recebemos, a condenação de Jesus alcança o comércio das graças espirituais, tais como benzimentos, imposição de mãos, curas espirituais, pajelanças e outros ritos de cunho espiritual.
Uma Nova Visão para o tema: aqueles que mais se oferecem para pagar por uma graça recebida são, na verdade, os que não se julgam merecedores dela. De outro lado, aqueles que cobram para entregar o que de graça recebem, estão roubando de Deus.
E graças aos não merecedores de graças continuarão a existir os comerciantes e corretores de graças (que não são graças), são serviços e rituais destinados a impressionar aos incrédulos, céticos, ingênuos e ignorantes.
As graças divinas não podem ser compradas, não podem ser transferidas, elas não chegam pelo correio, nem pela internet, elas despertam dentro de nós, nascem dentro de nós, como se a alma tivesse descoberto que pode.
Somos nós, pois, que chegamos aonde elas estão e elas nada custam em termos financeiros e também não carece agradecer aos intermediários entre Deus e elas, pois elas são dádivas de Deus enviadas diretamente a quem se faça merecedor.
Novamente aqui podemos buscar aquela comparação entre crianças, adolescentes, adultos e anciãos quanto à fé e a busca da graça. As crianças correm atrás do Papai Noel para ajuntar um caramelo. O adolescente acena para o velhinho e deixa-o passar. O adulto sabe que ali há a representação de uma tradição. O ancião se veste de Papai Noel na intenção de ajudar o mundo.
"É graça divina começar bem. Graça maior é persistir na caminhada certa. Mas a graça das graças é não desistir nunca". (Dom Hélder Câmara)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Reinterpretando o Evangelho (XXVI)


Tomo XXVI – Buscai e achareis

O tema deste tomo é um dos mais fáceis de interpretar: ajuda-te para que o Universo possa te ajudar. Pare de correr de um santuário para o outro a fazer promessas, acender velas e pedir bênçãos.
Quem quer algo precisa demonstrar querer e oferecer-se para aquilo que quer. Nada cai dos céus, nem mesmo a chuva, onde já não haja condições para isso.
Uma Nova Visão sobre o tema: viver é trocar, é relacionar-se, é oferecer-se para a vida. Aquele que assim não faz atrofia-se, definha, deprime-se e esmaece. Todas as formas de vida demonstram querer viver e tudo fazem para que a vida não lhes falte. Qualquer observador chegará a esta conclusão. Por que isso teria de ser diferente em relação à vida humana? Buscai e achareis, batei e a porta abrir-se-vos-á. O Universo está repleto de oportunidades, mas elas não chegam pelo correio sem que antes sejam buscadas, elas não batem à nossa porta sem que as convidemos.
O tema “buscai e achareis” se encaixa muito bem naquilo que muitos chamam de bênçãos. Os buscadores podem ser abençoados com o encontro daquilo que muito buscam. Quando isso pode ser diferente? Quando o que se busca está fora o alcance, não é merecido. A vida tem suas razões para negar isto ou aquilo e a negativa sempre pode estar associada à missão daquele que busca.
Nesta lição de sua doutrina, Jesus deixa claro que aqueles que apenas sabem pedir sem nenhum esforço para buscar o que desejam, continuarão apenas pedindo. Pedir, só, pode significar não receber. Cada um receberá o que merece receber. Quem só tiver foco para receber sem esforço por buscar, poderá ficar apenas no desejo. Quem muito enfocar o lado negativo corre o risco de chamar para seu destino coisas negativas.
“O seu pensamento é o seu GPS; para onde ele apontar é para lá que você irá”. (Anônimo)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Reinterpretando o Evangelho (XXV)


Tomo XXV – Não coloqueis a candeia sob o alqueire

O contexto em que se deu o discurso de Jesus recomendando que a candeia não seja escondida debaixo do móvel, foi numa situação em que ele também falou que “somos o sal da terra e a luz do mundo” (Mt 5; 13), ao que se presume, logo após ter anunciado as bem-aventuranças.
O que significa salgar e iluminar? Decisivamente é não deixar como está, é incrementar, dar sabor, transformar, apontar horizontes, tirar do lugar, evoluir.
Isso aqui é um desafio interpretativo que bate de frente com a crença de que o mundo nasceu assim como está e que Deus está sentado na cabine mexendo os botões para controlar tudo. Sob esse rigoroso controle, a nossa liberdade de escolha ficaria anulada e nós seríamos autômatos, destituídos de responsabilidade e sem livre-arbítrio.
Verifico uma incoerência brutal na doutrina que assinala que tudo se dá por vontade de Deus que concede, controla, comanda, fiscaliza: se não temos como escolher, não podemos nos responsabilizar por nada, situação em que inferno e paraíso deixam de ser mérito nosso e passam a ser determinações de quem comanda a nossa vida, situação em que, novamente, o nosso destino fica a mercê da simpatia ou da antipatia do comandante todo poderoso.
Rebelo-me contra essa concepção por entender que dotado de inteligência o homem está autorizado a escolher, produzir a autoria do que quer para si e, consequentemente, investido na responsabilidade de assumir os resultados produzidos. Só assim faz sentido o estabelecimento de um julgamento, a concessão de um prêmio ou a estipulação de uma pena, segundo o correspondente merecimento.
O Criador, também chamado de Pai, tem de ser interpretado como autor, planejador, fornecedor da planta básica, arquiteto, engenheiro, maestro, treinador, mentor, enquanto nós somos os co-executores da obra.
A sua obra foi-nos entregue para ser melhorada. Cada um responde pela sua, individualmente, e pela coletiva, na soma, a começar pela família.
Existem frases, conceitos, recomendações no seio dos evangelhos de Jesus que dispensam grandes esforços de interpretação. Em outros trechos, não. Muitas vezes nós temos de puxar pela sapiência, ir além da ilação.
No caso do Tomo XXV, quanto à candeia, está claro, os capazes precisam sair das sombras. Aqueles que vieram para iluminar não devem esconder sua luz.
Não há uma nova visão para o tema. O mundo está carente de líderes do bem e muitos são os homens e mulheres talentosos capazes de fazer a diferença na família, no condomínio, no bairro, na imprensa, na associação... (com o seu a Bíblia na mão)
Não se trata de sair por aí pregando em favor desta ou daquela religião ou deste ou daquele partido. Isso sempre dividiu as pessoas. Faça a sua parte sem querer cooptar as pessoas para seu islã, para seu catolicismo, para o seu evangelismo, para o seu espiritismo ou budismo, ou hinduísmo...
Qualquer um pode fazer muito de forma diferente, sem misturar conceitos ideológicos ou em defesa de alguma tradição de fé.
O mundo pode ser melhorado com a ajuda de Deus independentemente de uma crença em A, B ou C.
Sufocar uma vocação para o associativismo, para o coletivismo, para um trabalho comunitário, para uma filantropia, para um avanço em favor de um condomínio ou de um bairro, esconder esses luminares da sociedade ou da comunidade, é uma perda injustificável. A perda não é só para todos, mas também para aqueles que são chamados e não se apresentam.
A luz que não ilumina acaba consumindo-se a si mesma, como são os chamados “buracos-negros” do universo.
Quem tiver vocação para qualquer coisa em favor dos seus semelhantes, haja, urgentemente. Verá o quanto isso é confortável.
Haverá obstáculos, sim, mas, isso é parte do aprendizado. Superar obstáculos é tão confortador quanto vencer um campeonato.
Agir comunitariamente é também salgar, oferecer tempero, transformar, melhorar a obra do criador, iluminar a senda de sofrimentos dos outros.
“Se a chama que está dentro de ti se apagar, as almas que estão do teu lado morrerão de frio”. (Mauriac)

domingo, 13 de novembro de 2011

Reinterpretando o Evangelho (XXIV)


Tomo XXIV – Moral estranha

A difícil escolha de trocar o velho pelo novo é sempre dolorosa, escandalosa até, sob determinados pontos de vista. Para seguir a Jesus, os cristãos eram estimulados a rejeitar as arraigadas posições fanáticas de seus pais (judeus tradicionais) e deixar para trás tudo quanto representasse o ideal de poder econômico e status.
O ambiente judaico daqueles tempos era e ainda é muito rígido. Jesus era um futurista, uma coisa nova entre aquele povo, apesar de judeu também, da corrente dos essênios.
No conteúdo do Tomo XXIV mais uma vez os tradutores podem ter exagerado ao aplicar a palavra “ódio” como sinônimo de rejeição, abandono ou troca (Lucas 14 - 25).
Com Francisco de Assis (italiano de uma época também rígida para as tradições daquele país), tivemos um poderoso exemplo de rompimento do filho com o pai. Mas, nunca se pode pensar que isso seja escrito com a palavra “ódio”. Francisco rompeu com o pai não por ódio, mas por divergir do modo ensandecido por dinheiro, como agia Bernardoni, inclusive praticando a escravidão e impingindo maus tratos aos seus trabalhadores.
Os tradutores bíblicos não tinham muitas opções para trazer do aramaico para o grego e do grego para o latim certas expressões, como já vimos em tomos anteriores: o camelo e o buraco da agulha, a fé e a montanha, etc. Como hoje também ocorre com o inglês. Há palavras com duplo sentido ou amplo sentido.
Se hoje alguém disser que deu a alguém um “drop” (do inglês), o que, mesmo teria sido dado?
Para buscar uma nova visão para este tema é preciso reconhecer: era tão renovadora a prática religiosa trazida por Jesus, no caso, com a introdução do amor, da compaixão, da caridade e do perdão, práticas não comuns à severa religiosidade judaica, que para seguir a seu novo Mestre os novos cristãos eram aconselhados a romper com o modelo antigo, caso contrário, seria impraticável tornar-se um novo membro efetivo da nova religião.
Ao verter do aramaico para o grego e do grego para o latim, os tradutores encontraram o verbo odiar para expressar cindir, romper, libertar-se, promover um cisma. Na história da própria religião cristã e mais ainda dos partidos políticos os cismas têm sido freqüentes. E à época de Jesus, judeus, fariseus e zelotas, por exemplo, eram membros de partidos religiosos sempre às voltas com distensões, rompimentos, rupturas.
Os espíritas, para freqüentar sua nova casa de fé, também foram chamados a abandonar a casa velha, e freqüentemente em situação de crise ou rompimento familiar. A isso os tradutores evangélicos chamariam de “ódio”? Na verdade, trata-se de um “quebra” ou de um “racha”.
Ainda no século XXI é fácil encontrar pessoas completamente rompidas com seus familiares por conta de religião, maçonaria, preferência sexual, etc.
"Eu sei que é moral o que nos faz sentir bem depois, e imoral o que nos faz sentir mal depois". (Ernest Hemingway)

sábado, 12 de novembro de 2011

Reinterpretando o Evangelho (XXIII)


Tomo XXIII – Não separeis o que Deus juntou

Esta citação evangélica tem sido usada para ilustrar os matrimônios. Em algumas tradições religiosas a separação dos casais é vista como coisa muito grave. Mas, de outro lado, não é visto como muito grave as uniões por interesses, os verdadeiros acordos comerciais selados diante do altar sob o argumento de se dar em nome de Deus. Será?
Junções por amor ou por necessidade não se dissolvem por que são junções de Deus. Também não se pode interpretar como separação definitiva um matrimônio que se desfaz em determinadas circunstâncias quando já não é possível conciliar os cônjuges. As pessoas têm fases, propostas, objetivos, metas.
Quando dentro de um matrimônio um dos cônjuges corre demais, é natural que deixe o outro para trás. Isso é separação? Espiritualmente, não. Pode estar havendo uma inversão de posições para, num próximo encontro, as parelhas estarem ao par.
Olhando para trás, compreendemos: está rigorosamente certa a expressão: que o homem não separe o que Deus juntou. É válida não só para a vida conjugal; vale para todas as uniões, a do espírito e do corpo (colocando um anteparo às diversas formas de suicídio e assassinatos) e vale certamente e bastante para a geração de filhos e todo o arcabouço de responsabilidade e ética espiritual que isso envolve.
Quase nada a acrescentar a não ser que a providência mais urgente entre os homens seja discernir o que é uma junção por autoria de Deus. Casamentos por interesse financeiro ou resultado de uma paixão de verão não podem ser arrolados como junções de Deus. A rigor, Deus não junta, é o livre arbítrio que permite-nos escolher e a escolha (humana) pode ser precária. E ela será sempre mais precária sempre que um cônjuge depositar no outro a sua própria felicidade e estabilidade.
Se Deus não for o principal inspirador daquelas junções, aquelas junções não serão obras de Deus e, sim, obras de humanas e obras fruto de interesses, muitas vezes, menos nobres.
Mas, a frase de Jesus não se aplica apenas ao matrimônio, como já vimos; ela também se aplica à paternidade, à maternidade, à irmandade, à encarnação. Gerar um filho, nascer em uma família, receber irmãos carnais por companheiros de vida é, sem nenhuma dúvida, junções patrocinadas por Deus. Então, há que cuidar para que estas junções não sejam arrebentadas pela estupidez humana. E também cuidar para que um padre qualquer não venha abençoar em nome de Deus uma aliança que é e sempre será obra do homem e da mulher, em geral, celebrada sob a aparência do amor, porém temerária do ponto de vista da ética espiritual.
A família é um conjunto de pessoas que se defendem em bloco e se atacam em particular. (Condessa Diane)
Um bom casamento não se baseia na franqueza total, mas em reticências sensíveis. (Morris L. Ernst)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Reinterpretando o Evangelho (XXII)


Tomo XXII – Haverá falsos cristos e falsos profetas

O contexto em que Jesus abordou a possibilidade de existirem falsos cristos e falsos profetas foi em paralelo a outra frase de efeito: “não atireis aos porcos as vossas pérolas” (Mt 7;6). São parecidas as duas abordagens. Numa delas ele pede cuidado para evitar ensinar álgebra ao aluno de primeiras letras ou falar de amor entre devassos ou pedir leite para beber no baile do chope.
Lembram em que tipo de platéia a fala crística era muito bem recebida? No meio dos sofridos, doentes, aflitos, insatisfeitos, desejosos de mudar. Aonde há conforto, luxúria, abundância, prazeres, o profeta não é recebido, não tem crédito. O profeta, o curador, o monge é procurado na dor, no luto, no desespero. Todo o crescimento se dá com dor, literalmente. Toda a crise trás ensinamentos. A passagem entre um e outro estágio é um processo de arrancar raízes velhas e buscar vigor para raízes novas. Isso dói. Isso chama esforço. Isso demanda querer. Isso significa lutar, avançar. Os confortados, atingidos pelo prazer, pela luxúria, pela abundância, renunciam crescer se o crescimento não for nestas direções.
Na verdade, os faltos cristos e os falsos profetas não são falsos, eles são incapazes. A gente testemunha tanta asneira que andam dizendo sobre as coisas sagradas por gente famosa, cheia de charme.
Os falsos, melhor dizendo, incapazes, não existiriam se não houvesse platéia para eles. As suas platéias nada exigem, são incapazes também, têm boa-fé, são ingênuas, são crianças intelectuais.
Não é diferente o que ocorre com o sucesso musical ou artístico de algumas figurinhas que, nos tempos recentes, ocupam espaços na mídia com algo que os ouvidos desenvolvidos se negam ouvir. Eles só existem porque alguém os aplaude. Claro, porcos não merecem pérolas, merecem comida que porco aprecia. O público para as pérolas é outro.
A dominação tem início na mente. A libertação tem início na mente.
Pobres messias e medíocres profetas nunca faltaram. A história dos homens é testemunha disso, apesar de escrita pelos vencedores e, como tal, a história dos dominadores. Mas, é sabido, o homem precisa conhecer o lado mau para poder avaliar o lado bom.
Há uma tese filosófica, cujo autor nos escapa, que compara a evolução religiosa com os estágios humanos. A criança aceita as estórias que os adultos lhes contam para obter delas a obediência e até para infundir medo. Os adolescentes já ousam divergir e já escutam menos estórias e idiotices, esboçando alguma reação ou revolta. Seus focos começam a consolidar-se. Os adultos costumam exigir mais e buscar descobrir além; não se deixam engravidar pelo ouvido. Os anciãos costumam ter certeza de muitas coisas e, diante da proximidade da morte, selecionam um pouco mais. Podem não acertar tanto, mas já podem optar entre a lorota e a coisa séria.
Quando há pobreza de argumentos para falar sobre Deus, é preciso que haja pobreza cerebral da platéia. Assim fica fácil apelar para o sobrenatural. Aí cabem os profetas medíocres que ocupam as tevês altas horas da noite. O seu público é feito de crianças ingênuas que aceitam aquilo sem questionar. Deslumbram-se até.
O amante da música deve ouvir a música ruim para aprender a gostar da boa.
Esta é a nova interpretação para o tema: que valor daríamos ao verão ou ao inverno se não conhecêssemos o oposto? E à luz do dia, o que diríamos dela se não houvesse a noite? Os opostos existem para que nós os avaliemos e os conceituemos como desejável ou indesejável. Assim podemos exercer o livre-arbítrio. Como crianças, sempre seremos levadas pela mão.
Os avanços havidos na Era do Conhecimento têm levado a que as pessoas troquem de ídolos, troquem de líderes, troquem de partido, troquem de religião. Estamos num tempo de ebulições em que a fervura depura tudo e, no final, sobrará o que mesmo tiver de sobrar. Jesus também disse: “não sobrará um único jota até que a verdade triunfe”. O papel dos pseudo cristos e pseudo profetas é despertar nas pessoas o interesse por algo que virá na seqüência. É como o motorista que experimenta a direção hidráulica: nunca mais quer a outra. A evolução nos proporciona começar embaixo e despertar para os degraus de cima. Crescer para a vida é uma necessidade cósmica.
“A maioridade vem com a necessidade. A natureza cobra de quem vive crescer e corresponder ao que a vida se propõe. Se isso não ocorre há um hiato de compromisso, em geral, reparado pela dor”. (Anônimo)

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Reinterpretando o Evangelho (XXI)


Tomo XXI – Os trabalhadores da última hora

A cada um segundo o seu merecimento. Não há outra interpretação sobre isso nem para a época de Jesus, nem para os dias de hoje.
O mérito deste ensinamento de Jesus, de certa forma, está relacionado com o conceito do capitulo anterior.
Há duas interpretações possíveis: (1) os trabalhadores que mais tempo trabalharam e que ganharam tanto quanto àqueles que trabalharam menos, haviam desejado receber só aquilo, escalaram-se para receber só aquilo e mereceram só aquilo; (2) aquele que paga salários segundo a produtividade sabe que mais horas de trabalho não significam mais produção.
Cada um de nós se escala para tais e tais conquistas e se acomoda com esta escolha e, por isso, nada tem a reclamar. Todo aquele que permanece no local de trabalho enrolando sem produzir não pode queixar-se de que um outro em menos tempo fez muito mais.
No caso da parábola que é citada no Tomo XXI, não foi o patrão que agiu injustamente com seus peões, foram os peões que, por circunstâncias de sua própria vontade, apenas pediram para receber aquele valor ou se o raciocínio pender para o outro lado, o patrão apenas fez justiça com aqueles que apresentaram melhor desempenho.
Digamos assim, os primeiros não souberam negociar.
Digamos assim, os primeiros ficaram coçando em vez de trabalhar.
Uma Nova Visão para esse tema: O poder de atração da energia mental não é uma descoberta recente. Quando Jesus dizia aos que buscavam sua ajuda: “tua fé te curou”, estava a certificar: obtiveste aquilo que muito buscavas. A vida sempre nos entrega aquilo que estamos buscando. Quem busca vida mansa, terá menos que aquele que rala e se oferece para obter mais.
E também há os que pedem muito, mas merecem receber muito menos.
Parece que o equilíbrio, melhor dizendo, a justiça, pode ser definida pela sentença em latim: “Justitia est constans et perpetua voluntas jus suum cuique truendi”, com a tradução: A justiça é a vontade constante e perpétua de dar a cada um o que é seu. Reforçada pela expressão: e de pedir a cada um aquilo que pode ser dado.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Reinterpretando o Evangelho (XX)


Tomo XX – A fé transporta montanhas

A fé tudo pode. Num arroubo discursivo, o Mestre asseverou que a fé transporta montanhas e o fez para garantir que a fé pode tudo, tanto quanto, para Deus, nada é impossível.
Mas, como tantas outras versões do aramaico para o grego e do grego para o latim, a palavra “montanha” pode ter entrado para o texto fora de contexto, como já ocorreu com o “camelo” e o “fundo da agulha” na questão do “ricos entrarem nos céus”. Jesus não falava do animal (camelo) e sim da corda trançada como crinas de camelo. Será que falava de montanha ou se referia às pedras?
Não é fácil ao intérprete dos evangelhos arranjar argumentos para uma nova visão para o tema do Tomo XX se não puder concordar que a fé tudo pode e se pode tudo, ela pode remover as pedras do caminho do homem de fé. Pode reduzir um câncer, pode salvar uma vida.
Por não poderem se estender nos argumentos sobre o trecho de Mateus XVII - 14-20, são muito poucos os pregadores que se dedicam a este tema pela ausência de lógica que ele parece conter.
Considerados os vícios de tradução, como aludimos, é importante buscar todo o contexto em que a frase se insere. Na questão do camelo e da agulha só recentemente os tradutores se deram conta de que a expressão “camelo” não se referia ao animal e sim à corda feita de crinas de camelo. Sim, uma grossa corda e, claro, impossível de passar pelo fundo da agulha de costurar. Nas, com muito mais lógica do que tentar fazer o camelo entrar ali. Não acreditar que se pode afastar uma pesada obsessão, como foi o caso, ali naquele texto de Mateus, é o mesmo que duvidar que a fé possa curar um órgão lesado ou que a pedra possa sair do caminho do andante.
No caso da montanha, quem sabe, os tradutores possam amenizar a metáfora e concluir, para os tempos atuais, que a fé seja capaz, sim, de remover um câncer, coisa que nós estamos acostumados a testemunhar.
Quando alguém não acredita em si próprio nem mesmo Deus pode ajudá-lo. Quando, porém, esse alguém se dispõe a concentrar sua vontade e o poder de seu pensamento naquilo que mais ardentemente deseja obter, o Universo conspira a favor, isto é, Deus permite que aquilo se transforme em realidade. Isso pode ser explicado pelo poder de atração da energia mental.
Aquilo que parecia impossível de transpor, seja uma montanha ou uma pedra, seja um estado enfermo, pois, pois, com o concurso da fé, se torna possível. Quantas metáforas mais foram usadas por aquele orador extraordinário chamado Jesus?
Se plantar as sementes do seu jardim duvidando que possa merecer flores, as sementes não despertarão, os jardins não existirão e você não terá tido a oportunidade de sentir-se abençoado pela energia divina. Se Maomé não vem até onde está a montanha, você irá até a montanha e do seu cume dirá a Deus que você exercita sua fé sem duvidar, sem titubear.

“A fé amadurecida pelo conhecimento e provada pela experiência desvia-se do sofrimento e alimenta-se da verdade”. (Anônimo)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Reinterpretando o Evangelho (XIX)


Tomo XIX – Muitos os chamados e poucos os escolhidos

O trecho de Mateus XX – 16, está inserido num contexto mais amplo, que também contempla o assunto do Tomo XXI (futuro), que se refere aos trabalhadores da última hora chamados para a colheita da uva.
Para começar, não basta entrar na fila à espera do prêmio, tem de merecer ser premiado.
Jesus usou de uma parábola para notificar que chamados somos todos os agraciados com um corpo biológico, mas que mesmo entrando na fila dos chamados, isto é, nascidos, é preciso entender que dentre esses chamados/nascidos alguns serão escolhidos, outros não. Sempre foi assim. Os escolhidos farão por merecer. Os rejeitados retornarão ao caminho para fazer a lição de casa.
A humanidade sempre careceu de exemplos, motivações, exortações ou guias para andar para frente. É assim que temos de entender agora e depois quando vierem os argumentos do Tomo XXI. E quantos de nós fechamos os olhos para os mapas deixados pelos nossos condutores. Pior, nem mesmo queremos ouvir o que eles têm pra dizer. Até mesmo os mapas de Jesus são esquecidos nas gavetas em troca de se ouvir a voz das ruas, créditos para que as vozes inimigas possam prosperar.
Uma Nova Visão para o tema: nem todos aqueles que se acotovelam dentro das igrejas, oram, cantam, fazem sacrifícios, penitências, peregrinações, romarias e demonstrações de fé e obediência estarão entre os escolhidos. A que chamado eles estão respondendo? Cadê o trabalho transformador da humanidade na motivação dessas igrejas que já somam mais de 2.000 corporações?
O coração puro, o comportamento brando e o serviço ao próximo são virtudes que antecedem e dispensam os arroubos, as encenações, a proclamação de fidelidade que, no fundo, se mistura com política, bancadas evangélicas, grupos e gangues de poder, corrompendo e deturpando a evolução moral dos homens.
Existem muitas maneiras de estar em paz com Deus: a mais fácil delas é gritar e gesticular para ser visto por Deus e acenar para Ele com gestos de amizade e simpatia; a mais difícil é trabalhar ao lado de Deus por um mundo melhor, a começar por melhorar a nós mesmos em relação aos nossos semelhantes mais próximos.
Os escolhidos para atuar ao lado de Jesus não esperarão serem escolhidos, escolhem pertencer ao batalhão de lutadores por um mundo melhor.
O brutal egoísmo praticado por muitas corporações de fé é assustador nos dias atuais. Anunciam-se filhos de um Deus que exclui e seleciona entre a humanidade aqueles que serão premiados, não por trabalho, não por mérito, mas por fidelidade, por obediência às palavras de ordem dos pastores.
Se tivermos a capacidade de olhar para a realidade atual do planeta veremos que 8 em cada 10 pessoas parecem ter vindo aqui para servir-se. Apoderam-se de espaços que não poderiam ser seus nos ecossistemas, sujam o ambiente, maltratam seus corpos, arranjam confusão, roubam, mentem, querem a vantagem ilícita, exploram seus semelhantes e o fazem despreocupados com os resultados.
O planeta está pedindo socorro, a sociedade está um caos e os líderes e responsáveis pela gestão das coisas coletivas, inclusive os religiosos, ainda têm a guerra nas suas mentes, ainda têm o lucro e o dízimo em suas práticas. Somos 10 os chamados e parece que apenas 2 serão os escolhidos. Escolhidos para trabalhar e herdar uma sociedade futura melhor que esta. Os 8 rejeitados irão para o hospital ou para a penitenciária aonde suas imperfeições possam ser reparadas.
“Deus não escala os chamados, treina os escolhidos”. (Anônimo)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Reinterpretando o Evangelho (XVIII)


Tomo XVIII – Sede perfeitos

O que significa ser perfeito? Jesus falava ao mesmo tempo para homens de fé e para pessoas mal-intencionadas e buscava ser entendido como um pregador comprometido com a elevação moral dos seus seguidores.
Assim como a expressão per-doar acabou dando origem à palavra perdão, também assim a expressão perfeição tem origem em per-fazer, isto é, estar em constante elaboração, estar em busca do próximo e novo estágio melhorador do que já foi obtido. Dentro dessa reinterpretação para perfeito concebe-se não o que muita gente conceitua. Nunca se chega ao fim da linha. Para cada estágio conquistado abre-se um novo portal “para-fazer”, para buscar, “para ser feito”. A obra-prima de Deus não é uma tela de Picasso, é o Tapete de Penélope.
A humanidade atual ao dar-se por satisfeita com suas conquistas morais, intelectuais, filosóficas, científicas, artísticas, corre o risco de implodir sobre si mesma.
Em alguns setores sociais damos mostras de exaustão, principalmente quando abrimos os Livros Sagrados e queremos impor aos novos tempos as mesmas interpretações que os muito antigos davam àquilo que se tinha por conhecimento religioso daquele período. Nada mais estagnante e perigoso. Os tempos mudam. O conhecimento novo ilumina novos espaços. Se Deus colocou em suas Leis a marcha evolutiva e, como sabemos, tudo evolui, não se pode fazer esta sacanagem com a proposta da vida ao travá-la justamente naquilo que é mais dinâmico: o conhecimento.
Todo ser aberto à evolução deve perguntar-se por que os conselheiros enviados por Deus, presentes no Antigo Testamento, silenciaram, demitiram os profetas e a mensagem não tem sido atualizada.
Como mensurar a proposta de um Reino dos Céus ou de um Reino de Deus entre os homens, como, de fato, foi a missão de Jesus entre nós, se não for pelos avanços de consciências? Pelos avanços de consciências que nçao estacionam no tempo.
O próprio Jesus e Sua obra são extraordinários avanços em relação ao Velho Testamento. Ele condicionou o Reino de Deus a quem pela transformação e pelas obras fizessem por merecer esse reinado. Somente por mérito alcançaremos o Reino dos Céus; Jesus não distribuiu curas indiscriminadamente, mas somente aos que já haviam decidido modificar-se; e insistiu: “ninguém chega ao Pai se não através de Mim”. E este é um caminho longo com uma porta estreita no final. Estreita como é a porta do saber e saber não se compra empacotado como tecnologia; saber é experiência e conhecimento. Experenciar para conhecer, dói, é suado, exige esforço.
Estreita é a porta, como estreita é a nossa passagem para o nosso próprio íntimo a fim de descobrir os caminhos de nosso aprimoramento.
A perfeição apontada por Jesus não se constrói num piscar de olhos, não pertence a uma vida de 80 anos terrestres.
Para buscá-la, significa não se desviar das virtudes e esforçar-se para jogar fora, à beira do caminho, os fardos imprestáveis à vida eterna.
Depois que o corpo falece, cada um de nós leva consigo apenas o que possa carregar.
Os seres evoluídos se tornam leves e em sendo leves andam mais rápido. Logo, o caminho se torna impossível aos sobrecarregados, inchados, lerdos, sobrecarregados, e que não queiram desprender-se dos seus interesses materiais e das marcas e cicatrizes guardadas de seus relacionamentos e, muito menos que não queiram desvencilhar-se das crenças que já estão ultrapassadas, e que travam o progresso da vida.
Note como os conceitos vão se encaixando uns nos outros. Perfeitos, para a proposta da vida, começa num corpo equilibradamente alimentado, hidratado e malhado, passa por emoções comandadas pelo amor, passa por um intelecto iluminado por conhecimento útil e chega a um espírito fortalecido por vibrações elevadas. Passa, enfim, pelas colheitas que são resultados de semeaduras anteriores.
Ser perfeito é uma conquista, uma cura, um caminhar constante, que começa com o primeiro passo de muitos milhões de próximos passos. Passos para frente.
“Para alcançar o conhecimento, acrescente coisas todos os dias. Para alcançar a sabedoria, remova coisas todos os dias” (Lao Tsé).

domingo, 6 de novembro de 2011

Reinterpretando o Evangelho (XVII)


Tomo XVII – Não se pode servir a Deus e a Mamon

Mamon, na época de Jesus, era um deus adorado pelos buscadores de fortuna, uma espécie de Vênus do Ouro.
Jesus advertiu-nos para o perigo de nos desviar para o lado materialista, para o apego, para o lado em que a nossa vontade se sente atraída exclusivamente pela posse dos bens materiais e também para o controle de pessoas. E comparou o lado ruim daquela época a um antigo símbolo da riqueza e da fartura, chamado Mamon.
Se o nosso foco está no dinheiro, nosso foco não está no crescimento espiritual, pois não nos dedicaremos a crescer espiritualmente enquanto nos dedicarmos ao objetivo do crescer monetariamente. Dá para conciliar, mas a experiência ensina que é difícil.
Ao reinterpretar o conteúdo do Tomo XVII e ao trazer esta interpretação para o mundo presente, podemos deduzir e chegar a uma nova visão sobre isto: a energia do nosso pensamento é capaz de atrair aquilo para onde a dirigimos. Nossa realidade é concebida em nossa mente. Ao dirigir devoção a outros credos e preferências, fechamos a porta para a entrada das energias provindas de Deus. A rigor não há divergência entre riqueza, fartura e Deus.
A imensa obra de Deus que se revela à nossa frente, materializada na Natureza Biológica e também revelada na Inteligência Outorgada à espécie humana, é pura fartura, riqueza sem limites.
Deus chama riqueza e chama fartura.
Mas, se a nossa prioridade for riqueza e fartura apenas, se nosso objetivo for riqueza e fartura ansiosamente, sem lugar para nada mais, nem mesmo para Jesus, desprezando a oportunidade de evolução espiritual, estará truncada a proposta da vida. E não havendo lugar para Deus, dificilmente haverá ética, dificilmente haverá justiça, dificilmente haverá respeito. E também não haverá como a vida prosperar segundo as mais caras razões para as quais ela existe.
Os descalabros cometidos em nome do dinheiro nos tempos atuais explicam bem onde vai parar a moral quando o interesse primordial é a riqueza material.
Levante a estatística dos crimes que os noticiários informam e verá que mais de 90% deles são pela busca do dinheiro. O deus dos criminosos se chama dinheiro, isto é, Mamom.

sábado, 5 de novembro de 2011

Reinterpretando o Evangelho (XVI)


Tomo XVI – Fora da caridade não há salvação

Sem meias palavras: ninguém se salvará sozinho.
Só um pequeno reparo para que não pareça utopia: Ou nos resolvemos em grupo, juntos, ou não haverá solução individual, isto é, ou vai o grupo ou não irá o indivíduo.
Se for difícil ao leitor entender mais profundamente este axioma, retorne ao capítulo XV e releia-o.
Você não precisará batalhar pela felicidade da humanidade toda se puder fazer pela humanidade que lhe diz respeito, que está próxima de você.
Ao reinterpretar o Tomo XVI sob um novo prisma, acabaremos por deduzir e chegar a uma conclusão de que misericórdia e caridade são sinônimos. No Tomo XI tratamos da misericórdia sob o prisma da tolerância e da responsabilidade para com os sistemas.
Todos os sistemas vivos do planeta se assentam na interdependência e no mutualismo, o que vale dizer na solidariedade mútua, em que os mais fortes carregam os mais fracos e os fracos fortalecem os fortes num sistema real e profundo de caridade, de trocas, de entregas, modernamente chamado, entre nós, de “responsabilidade social”. Por outros é, também, chamado de auto sustentabilidade.
Sim, ou nos resolvemos juntos ou para nós não haverá solução alguma, não haverá sustentação alguma, isto é, não haverá salvação alguma.
Porém, pise no freio de suas elucubrações: não estou falando de condenação, inferno, etc., como já ficou claro em inúmeros textos anteriores. Estou falando de salvação, sinônimo de LIBERTAÇÃO. Não libertos, ficaremos por aqui amargando os absurdos de nossa cultura, estagnados, marcando passo, procurando o próprio rabo, como fazem os cães.
Raros são os sistemas humanos que atuam sob essa co-responsabilidade que já tivemos quando estávamos na taba. Por isso o nosso sistema se decompõe, deteriora-se e entra em crise.
É invejável o equilíbrio e a harmonia naquelas comunidades indígenas onde os nascidos antes se responsabilizam pelos que nascem depois.
Raros são os exemplos disso entre as comunidades dos homens brancos, amarelos, negros, azuis, cor-de-rosa. A sociedade está cheia de crianças abandonadas, velhos descartados, jovens deserdados e jogados à própria sorte, mães levadas ao desespero para alimentar filhos “órfãos de pai” e o Estado faz vistas grossas, legisla para as minorias e administra para obter votos. Faz muito pouco por eles e elas deserdados e ainda faz errado quando faz.
Houve e bastante solidariedade, principalmente no final de século XIX e antes, em que os imigrantes se ajudaram definitivamente para poderem sobreviver no Brasil.
Pode demorar um pouco, mas o futuro das estruturas sociais aponta para essa realidade. Nós chegaremos lá. As nações chegarão lá. Nos guetos de pobreza extrema, apesar dos outros problemas ali existentes, é muito grande a sustentação dada por aqueles que quase nada têm àqueles que têm menos ainda.
As nações já começam a formar grupos, mercados comuns, alianças solidárias. As diversas cooperativas vêm ganhando terreno. As empresas formam consórcios. Condomínios se unem para compras em comum e para proteger-se. Os caminhos irão se abrindo. Nós precisamos rever nossos conceitos individualistas e excludentes. Então, vá pensando aí quando e como você baterá à porta do vizinho propondo colaboração, complementaridade, apoio, cumplicidade em prol da vida.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Reinterpretando o Evangelho (XV)


Tomo XV – Honrai a vosso pai e a vossa mãe

A frase é mais antiga que a presença de Jesus entre nós. Na verdade, ela foi recebida por Moisés, anotada e divulgada por ele no instante em que lhe foram transmitidos mediunicamente os demais nove mandamentos das Tábuas da Lei.
Ao reinterpretar o conteúdo do Tomo XV podemos chegar a uma visão ampliada sobre o mesmo: pertencemos a um mundo estabelecido sobre dois códigos, o genético e o espiritual. Somos o resultado das leituras que a vida faz nesses dois códigos desde que a vida é vivida.
Aí, a nova visão sobre o tema encaminha-nos para a reflexão de que viemos da noite dos milênios evolutivos da espécie palmilhando estradas biológicas pavimentadas por todos aqueles milhares de ancestrais que nos legaram seus genes num processo contínuo de transformação, ora melhorando, ora estagnando, de conformidade com o modo de viver de todos os que biologicamente nos entregaram suas heranças. E elas, as heranças, estão em nós, na cor de nossos olhos, no tamanho de nossos ossos, no tom de nossa fala, na fortaleza e na fragilidade de nossos órgãos.
Somos obrigados a reconhecer que o processo nunca foi apenas biológico, pois o biológico é um princípio obediente que executa os planos do outro princípio, que é inteligente e que traça os moldes e os mapas da vida.
Quero imaginar que o DNA seja muito mais espiritual que biológico e que se não fosse o código espiritual o DNA seria tanto mais falho, pois os átomos do olhos poderiam estar na unha e os do fígado nos cabelos.
Novamente aqui temos de reconhecer que a natureza é refém quando a inteligência é burra. O contrário é a lei da vida. A vida cobra inteligência. Nossos ancestrais usaram da inteligência para sobreviver e nos legar seus genes. De outro lado, temos de reconhecer que a natureza é livre (na condição de que não saia do projeto dela) quando a inteligência é sábia.
As maravilhosas curas que se repetem pelo uso da imaginação, bem dizem quanto a isso.
Dentre aqueles que nos legaram os mapas de como somos constituídos fisicamente, estamos nós mesmos, também, pois em nossas reencarnações passadas estivemos entre os que semearam para o futuro, e hoje, no presente, estamos colhendo dessas mesmas semeaduras, que foram nossas também. E assim no futuro se repetirá.
Quando se diz ama o teu próximo, pode estar sendo dito implicitamente ama o que você será quando reencarnar novamente e então te cuida agora para não pifar depois.
Muita coisa alguém semeou para nós, mas nós também semeamos para os outros e para nós mesmos.
Por isso, nossos pais, nossas mães e todos os demais ancestrais devem ser, para nós, figuras amadas, respeitadas e honradas pelo amor com que cuidaram da vida biológica e espiritual que nos foi entregue. Pelo muito que cuidaram dos valores que estão conosco, embora em parte revistos, mas nunca condenados.
Não é, pois, apenas biologicamente que temos de raciocinar. Toda a cultura que nos alcança é o resultado de nossos processos espirituais, também.
Se nossos antepassados não fizeram melhor é porque também nós os ajudamos a fazer, fizemos junto com eles e se não fizemos melhor é porque não sabíamos como fazer melhor. O como fazer melhor está sendo elaborado novamente agora, por nós, inclusive, nestes novos tempos ensinados por Jesus e depois dele.
Nosso destino é a consciência. Passamos milhões de anos atrelados aos sucessivos corpos materiais para que nossas aquisições de consciência fossem as mais abundantes, as mais aproveitáveis, as mais qualificadas ao bem – que é o objetivo da vida. Você tem dúvidas sobre isso?

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Reinterpretando o Evangelho (XIV)


Tomo XIV – Que a vossa mão esquerda não saiba o que dá a vossa mão direita

Quantas pessoas existem que se dizem caridosas ou generosas, mas que, na verdade, estão sempre efetuando trocas: dão algo a alguém pensando naquilo que retornará. Fazem o que chamam de caridade, porém diante das câmeras e dos holofotes da mídia. Só acendem uma vela pro santo quando dele querem algo.
Ao reinterpretar o conteúdo do Tomo XIV e ao observar os acontecimentos do mundo presente, podemos deduzir e chegar a uma nova visão sobre este conteúdo: a frase de Jesus registrada pelos evangelhos em Mateus 6; 1-4, vai buscar aquele coração liberto do balcão de trocas e que se desapega e se doa sem condicionar. Esse é o coração sede do amor incondicional. Esse é um coração maior que aquele da esmola da esquina, maior que aquele da roupa velha da campanha do agasalho, esse é o coração que vai ao asilo levar alegria ao velho abandonado; que vai à escola ensinar lições de vida às crianças; que assume compromissos com a própria família e comunidade; que trabalha e ensina pelo bem comum; que dá de si muito mais que coisas, que dá também coisas, mas dá seu tempo, seu saber, sua competência, sua lição, seu exemplo.
É também aquele que se programa para doar sangue aos bancos oficiais duas vezes por ano.
A caridade que liberta e dignifica é aquela em que a mão esquerda capta (sai a pedir em favor de outrem) e a direita dá sem que nenhuma delas pense em recompensas.
Quantos gestos são repetidos quantas vezes nas dependências das Casas de Caridade? Gestos que partem de pessoas anônimas, pelo prazer de servir com amor, pelo elevado sentido da dar sem condições. Este é um modo exemplar de a mão esquerda não querer a recompensa pelo que a direita faz e vice-versa, porque as duas fazem o que fazem por amor, por amor desinteressado, incondicionalmente. Fazem para que mundo se torne melhor, para que as pessoas não sofram, para que a vida tenha mais sorrisos que lamentos.
Fazem assim porque estão dispostas a apagar o incêndio com uma contribuição de água, como se diz do colibri que voltava do riacho com o bico cheio d’água para jogar sobre a chamas e provocava o elefante a parar de reclamar da destruição da sua floresta, fazendo a sua parte.
Quando uma mente deturpada avança o sinal, fura a fila, apropria-se do que não é seu e exulta: “me dei bem”, terá roubado, terá dado o mau exemplo, terá insistido que o desvio é a conduta, que o furto é a sorte, que a usurpa é a esperteza.
Pode-se raciocinar com a posição invertida da frase bíblica: que a vossa mão esquerda não veja o que rouba a vossa mão direta. E mais, podemos transliterar para: que a vossa mão esquerda não veja o que a direita rouba dela mesma. Alude-se, assim, tanto o que uma mão faz pelo bem do todo, tanto que quanto o que a outra mão faz pelo mal do todo. Nunca de sabe se a pessoa generosa tem idéia do bem que produz para si para os outros. Nunca se sabe se o perverso tem noção do mal que causa à sua alma ao agir perversamente.
E assim teremos chegado ao extremo de o ladrão querer esconder de si mesmo que rouba o lugar na fila, que entra sem pagar ingresso, que sai sem pagar a conta... Deu-se bem, afinal? Está cheio de gente que tenta esconder de si as nódoas de sua alma. Mas, vivem às voltas com os fantasmas, inventos seus, a atormentar-lhes a vida.
Como seria tão melhor de viver não fossem as negaças, as falsidades, as traições, a negatividade, a insatisfação, o melindre, a desconfiança, a angústia, a ansiedade, a incompreensão, a implicância, o remorso, o ressentimento, a tristeza, a desavença, a inimizade, a teimosa, a inveja, o ciúme, a possessividade...

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Reinterpretando o Evangelho (XIII)


Tomo XIII – Amai os vossos inimigos

Diante da proposta deste Tomo XIII ficamos chocados. O que desejava Jesus com uma proposta destas?
Ocorre que aprendemos a olhar para um simples inimigo apenas depois que ele já jogou sua ira sobre nós. O inimigo pode ser a TV ligada diante de nosso filho. O inimigo pode ser aquele que nos trará a dor, o vexame, o prejuízo. Talvez o agente da dor, do vexame, do prejuízo, esteja dentro de nossa casa, em nossa garagem, em nossa gaveta. Como eu posso amar aquilo que futuramente poderá virar-se contra mim? Meu filho drogado, meu filho e o meu carro andando por aí, meu revólver em minhas mãos ou nas mãos de um familiar meu. A garrafa de whisky na estande pode ser minha inimiga ou inimiga de outrem. Como posso amá-los? Obviamente que existem muitos modos de evitar que eles se voltem contra mim e me tragam dor, vexame, prejuízo, morte. Tudo é uma questão de escolhas.
A mãe que olha para o motorista embriagado, que atropelou e matou seu filho e que dirige a ele toda a sua raiva, todo o seu rancor, talvez não pensasse assim, ontem, ao tomar conhecimento que os jovens dirigem em alta velocidade, muitas vezes embriagados e/ou drogados, enquanto nossa sociedade dá de ombros e acha que isso não é conosco. A mãe quer vê-lo atrás das grades ou alcançado pela pena de morte.
Não é a esse inimigo que Jesus nos pede amor. É àquele outro das descrições anteriores.
Jesus pede amor aos seres e situações que antecedem as tragédias.
Por quantas noites, milhares de noites, aquele motorista embriagou-se e saiu pelas ruas e estradas? E o que fizemos nós ao tomar conhecimento das tantas e milhares de vezes que isso ocorre todas as noites, todos os dias com conhecidos nossos, amigos nossos, parentes nossos, futuros algozes nossos? Limitamo-nos a olhar para aquele inimigo em potencial com alienação, com desprezo, com omissão, quem sabe, sem misericórdia, do mesmo modo que olha para eles o dono do bar, o fabricante da bebida, o dono da oficina de lataria...
Percebe, leitor?
O homem não nasce mau, não nasceu bêbado, não assume o volante de um carro pensando em acidente ou morte... Ele ousa. Ele desafia. Ele belisca buscando petiscar.
O bom-senso morreu, assassinado pelos modismos.
Entrar num bar e pedir um copo de leite passou a ser coisa de babaca.
A maldade do homem é ensinada nesta existência ou nas anteriores, fica impressa na índole.
A oportunidade de ouro para corrigir-se nós lhe negamos com leis fajutas, com policiais despreparados, com mídia deturpadora de valores, com hábitos e costumes indignos da vida, com presídios que não corrigem, aprofundam o caos...
Aprendemos a mentir para nós mesmos. Achamos que se o nosso filho não bebe e não dirige bêbado é suficiente. E muitas vezes nem assim: achamos que conosco a tragédia será desviada. Achamos que se o nosso filho não se droga, é suficiente.
Não é assim em nenhum dos casos porque ele pode ser a próxima vítima dos que bebem e se drogam.
O motorista assassino até a véspera do crime, era um cara legal, brincalhão, amigo, festeiro. Quantos “caras legais” se defendem agredindo, matam para sobreviver. Ensinamos isso a eles e para eles é isso que vale.
Dá uma olhada para a ética dos filmes que nossos filhos e netos andam assistindo. Vê se é isso que você ensinaria a eles. Mas, o cinema ensina. A rua ensina. A mídia ensina.
Quem é o nosso inimigo maior? Certamente não é aquele que já fez o crime contra nós. É aquele que vem vindo em nossa direção, aguardando a vez de agir.
Ao reinterpretar e ao observar os acontecimentos do mundo presente, podemos deduzir e chegar a uma nova visão sobre este conteúdo.
O que nós somos capazes de fazer pelas pessoas amadas? Tudo, diremos. Já não temos a mesma atitude quando nos dirigimos a um delinqüente, futuro ladrão, ou assassino em potencial.
Há momentos em que nos manifestamos a favor da prisão perpétua, de penitenciárias de alta segurança, redução da idade penal, trabalhos forçados e coisa pior, até mesmo pena de morte.
Olhamos para os transgressores apenas com a ótica de que são nossos inimigos. E não temos amor. Pensamos que eles também não têm amor para conosco.
Quase nunca queremos ver a coisa de dentro, dos motivos, das origens, dos desvios que levam um “ignorante” ao extremo de cometer um crime e ser condenado a nunca mais reabilitar-se. E que o levam a fugir da prisão, não para escapar dali, mas, para voltar a transgredir, para voltar a ser preso, para fugir novamente... Até quando?
Faríamos a mesma coisa se o delinqüente fosse nosso filho ou um parente próximo?
Nunca pensamos que os desafetos de hoje podem ser mãe e filho amanhã?
A exortação de Jesus quanto a amar nossos inimigos é ampla, é um chamado a que nos comprometamos com as ações que objetivem diminuir o número de sofredores também pela delinqüência e para que aprendamos a cultuar as boas relações para que não haja desafetos dentro da mesma casa e, enfim, para que nossa energia não seja desperdiçada com o desamor, inclusive quanto a nós mesmos.
Para fechar, um raciocínio provocador: e se aquele que achamos ser o nosso inimigo é, na verdade, alguém que prejudicamos numa encarnação anterior? Mais do que isso: e se o receberemos como nosso filho numa encarnação futura?

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Reinterpretando o Evangelho (XII)


Tomo XII – Amar o próximo como a si mesmo.

Esta máxima crística é, de fato, uma extensão do tema anterior que tratou da misericórdia. Quem é o nosso próximo? A primeira sensação que assalta ao egoísta é posicionar-se exclusivamente na defensiva preocupado consigo mesmo: “por que teria eu de amar o outro se o outro não me ama?” “Por que teria eu de juntar o lixo da rua se todos jogam lixo na rua?”
E assim caminhamos para o caos, para o desamor sem perguntar se ali na poltrona ao lado existe alguém com medo de amar ou com carência de amor.
Continuamos a sujar o planeta sem se importar que talvez o nosso exemplo pudesse servir de começo de transformação para muitos outros sujões.
Assim afundamos no lixão com medo de ser o primeiro a juntar a porcaria do chão. Assim deixamos de ser amorosos porque o modelo de sociedade nos ensina o desamor.
O Tomo XII em nova fase de interpretação permite deduzir e chegar a uma nova visão sobre este conteúdo. “Amar o próximo”, podemos enxergar como uma idéia da qual nos afastamos, fomos longe demais nessa carreira dos valores invertidos e hoje temos medo de nos abrir para o amor.
O amor ficou brega. Amar, agora, é fazer amor e fazer amor não é amar, é furunfar. Amar, agora, é ficar. Amar, agora, é curtir o outro durante uma noite, um fim-de-semana, ainda que isto represente uma ameaça à própria vida e muitas vezes às vidas que descenderão desse gesto irreverente.
Uma infectologista famosa fazia pilhéria, meses atrás, ao apontar para os milhões de pessoas que usavam máscaras contra a gripe suína (então em curso) ao indagar se, no mesmo dia, seriam essas pessoas capazes de enfrentar o sexo inseguro sem camisinha?
Quem é nosso próximo? Seriam nossos filhos e netos? Somos nós mesmos daqui a algumas décadas de volta a outro corpo e neste mesmo planeta em nova encarnação? Nosso próximo é a árvore? É o rio? É o peixe? São os passarinhos? É a camada de ozônio? É a próxima década?
Aquele que não sabe amar a si mesmo dificilmente amará qualquer próximo que se apresente sob qualquer forma. E por estúpido, sempre achará que pode amar mais ao próprio filho do que ao filho do seu vizinho, achando que a vida daquele nada tem a ver com a vida deste. Achando que a vida do outro valha menos que a vida deste. Atribuindo maior importância a um cachorrinho abandonado do que a uma criança abandonada.
Esta é grande crise do homem: falta de amor próprio de forma correta. O amor próprio não exclui o próximo. Talvez o egoísta goste de andar bem vestido e elegante, mas não talvez esteja infeliz. Para ele, o próximo que merece o seu maior amor é o brilho do seu eu agora, é seu próprio brilho ou o brilho dos seus, da sua casa, do seu carro, do seu cargo. Talvez esteja buscando apenas isso e por isso, apenas, comete as maiores barbaridades contra seu futuro hoje e depois.
A vida está exausta desses algozes do amor. E muito assustada, pedindo socorro.