sexta-feira, 30 de novembro de 2012

929-Iniciar-se para a Meditação



Tudo certo, então? Ainda não.

Anote as últimas recomendações.



Esta é uma advertência que fazemos à maioria das mentes ocidentais formatadas numa cultura religiosa ímpar. Quase todas as correntes de fé herdeiras de Moisés e do cristianismo originado em Roma, trabalharam um condicionamento NÃO da evolução das almas, trabalham o condicionando da obediência às regras em que os mandamentos começam pela palavra NÃO. Isto é, uma cultura do NÃO.

Experimente educar duas crianças, uma recebendo NÃO como respostas aos seus impulsos e outra recebendo SIM como respostas aos seus impulsos. É claro que se a criança do SIM subir na janela e pedir pra pular do oitavo andar a sua resposta não poderá ser sim para pular, mas sim para sair dali atendendo ao sim da vida.

Aprendemos em 17 séculos que o andor dos fiéis para Deus palmilha uma mesma escada, uma mesma larga estrada pavimentada pela crença e, marchando em procissão, tendo um condutor à frente: avança e relembra o conjunto de regras, não sou digno de pertencer ao reino de Deus, mas a uma palavra sua serei salvo. As obedientes “ovelhas” por não terem desrespeitado nenhuma das regras são levadas para o “ponto” aonde teriam imaginado chegar.

Ao contato com algum método, como este de meditação, corremos o risco de que mentes condicionadas a estereótipos busquem andar assim como os rebanhos condicionados.

Aqui não será assim.

Cada indivíduo tem o seu ritmo, sua faixa vibratória, seus estímulos, seu tempo, sua estrada, seu jeito, seu tempo, sua avaliação pessoal.

Deus não está parado ao portal pronto para barrar este ou aquele. Muito pelo contrário, cada um vai entrar portal que merecer entrar e vai obter o resultado que merecer obter segundo seu estágio de consciência.

As postagens deste blog procuram conduzir os leitores até a orla da floresta e brevemente fornecem alguns raros informes sobre a mesma. Desde este ponto em diante toda a experiência pertence a cada um. Não fosse deste modo, não estaríamos incentivando a transformação das pessoas e sim produzindo objetos em série ou vendendo objetos milagrosos capazes de oferecer a passagem para a travessia.

Aqueles que marcham nos pelotões como rebanhos conduzidos têm a impressão de que se transformaram sem, contudo, nunca se transformarem. E isso é uma falácia.

Sem estes cuidados de advertência, que você lê e precisa questionar-se, pois do contrário nós estaríamos fossilizando visões intuitivas e destruindo-lhes o valor empírico individual que têm os eventos do caminho “dentro da floresta” aonde cada ser deve buscar sua experiência. Esta aventura não pode ser reduzida a uma coisa qualquer sem nenhuma autenticidade.

Onde se requer desenvolvimento individual, todos os métodos plurais devem ser abandonados. Nenhuma das experiências singulares nascidas com o estímulo desta série será igual à nenhuma outra. Se fosse assim, você não teria andado com seu esforço e autoria, teria sido levado a um destino de maca ou cadeira de rodas. De que teria valido esta experiência? A individualidade é única e matriz, dela não se faz cópias e as experiências nestes campos do espírito são também únicas, imprevisíveis e não interpretáveis a não ser pelo próprio indivíduo autor da experimentação.

Todo ser humano tem de ser tomado por um explorador que abre seu caminho ao longo de uma densa floresta. Tomemos a floresta como o íntimo espiritual ou íntimo consciencial. Os preceptores e seus mapas não podem ir além da margem da floresta, aonde, de fato, começa a tarefa de exploração solitária, rica e insubstituível, única e incomparável. Não é como ver um filme ou andar por uma trilha em grupo com guia condutor e intérprete. Aqui não haverá guia. A meta é que haja um grande abraço inicial marcado pelo amor incondicional entre o ser eterno (espiritual) que se revela ao ser temporário (material) e entre o ser material que decide perder os rompantes de sabichão e autoritário para viver uma grande odisséia, unido à sua própria essência divinal, que é o Espírito.

Então, meu caro leitor, aqui se fecha o mapa, apaga-se a lanterna do preceptor, acaba a orientação grupal. Vai ter início a primeira viagem de um homem, de uma mulher, através do complexo, sofisticado e rico processo de crescer em consciência para aproximar-se do Objetivo Planejado pelo Autor Maior. A busca é clara: aprender a interiorizar-se e caminhar nas trajetórias do seu próprio ser, onde certamente a mente terrena encontrará a maior das verdades, a Sua Verdade Eterna; conquistar e amadurecer as características espirituais de muito longo prazo e ampliar as funções mais nobres da inteligência a serviço da vida.

Escute sua alma; ela tem muito a fazer e sua única chance é contar com você nesta obra. Não traia sua alma. Entregue a ela o futuro desta existência.

Não tenha ansiedade, pressa, afobação, medo. Tente quantas vezes for preciso até descobrir como é lindo e fácil unir ego e Self. Boa viagem. Alguém estará esperando por você na borda da floresta, lá do outro lado.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

928-Iniciar-se para a Meditação


Meditar também com o anjo guardião

Você leu na postagem anterior: tornar-se venturoso no elo com uma árvore, com um rio é o começo de quão mais venturoso será o elo com uma pessoa, porque nós, pessoas, somos o fenômeno mais elevado, o ser mais altamente candidato a tornar-se desenvolvido e chegar a ser anjo.

Leu também que através de uma pessoa podemos alcançar os mais altos picos de experiência. Se você se torna extasiado até com uma pedra, com uma pessoa você sente um êxtase divino acontecendo em você.

Então, para ainda maior conforto, pense no seu anjo de guarda ou seu guia espiritual.

Pense no espírito que mora em você. O que seria ele antes de encarnar?

Faça uma oração, fervorosa oração, uma declaração de amor, de amizade, de respeito ao seu espírito. Perca-se, funda-se conscientemente nele. Quando você se perde conscientemente dentro de alguém, esse alguém se perderá dentro de você; quando você está aberto e flui para dentro do outro, o outro começa a fluir dentro de você e há um profundo encontro, uma comunhão. Aquela figura do yin e do yang um entrando dentro do outro é, exatamente um exemplo do que estamos buscando.

Parece besteira falar que a gente está fluindo para dentro do espírito da gente. Mas, isso aqui é só figurativo para a nossa mente entender. Eles já podem estar fundidos, mas a nossa mente não entende assim. Queremos ser um só com nosso espírito completamente.

Duas energias se fundem uma na outra. Nesse estado, não há nenhum ego, nenhum indivíduo – simplesmente consciência.

E se isto já experimentamos com a árvore, com a pedra, com o universo, é possível com nosso espírito, é possível com tudo mais. O que os santos chamaram de êxtase, samadhi, é apenas um profundo amor entre a pessoa e todo o universo.

JÁ PODEMOS COMEÇAR

Este ato de amor do ser material que pensa com o ser espiritual que pensa melhor, é um casamento que nem a morte separará. Sabe por que? Toda a experiência realizada pelo espírito no corpo, ficará marcada como história de vida, capital espiritual. Negar esse amor, esse compromisso, essa responsabilidade, é criar turbulências sem necessidade.

Como é que você, matéria, poderia conversar numa boa com você, espírito, se vocês não se conhecem, não se sentem amigos?

Teria de haver identificação entre vocês? Até agora talvez não.

Agora vai, haver!

Então conversem.

O estado meditativo deve ter início com a atenção à respiração, pode evoluir para o entra e sai, como já foi ensinado, deve evoluir para a imaginação de estarem frente a frente a mente terrena e a mente espiritual. Deixar rolar o que virá por aí. Isso é meditar. É só namorar.

OBSERVE O INTERVALO NA VIDA COTIDIANA

Em qualquer coisa que esteja fazendo, mantenha sua atenção no intervalo entre as duas respirações. Mas isso deve ser praticado enquanto houver atividade.

Isto deve ser praticado enquanto você estiver numa atividade mundana. Não a pratique em isolamento. Esta prática é para ser feita enquanto você estiver fazendo alguma coisa. Você está comendo: continue comendo e esteja alerta a intervalos. Você está andando: continue andando e esteja atento aos intervalos. Você está indo dormir: deite-se, deixe o sono vir. Mas continue atento ao intervalo.

Por que em atividade? Por que a atividade distrai a mente. A atividade chama sua atenção a todo momento. Não se distraia. Esteja fixado no intervalo e não pare a atividade; deixe a atividade continuar. Você terá duas camadas de existência – fazer e ser.

Nós temos duas camadas de existência: o mundo do fazer e o mundo do ser, a circunferência e o centro.

Continue trabalhando na periferia, na circunferência: não pare. Mas continue trabalhando atentamente no centro também. O que acontecerá? Sua atividade se tornará uma atuação, como se você estivesse representando um papel.

Todo mundo pensa que está vivendo a vida. Não é a vida, é apenas um papel. - um papel que lhe foi dado pela sociedade, pelas circunstâncias, pela cultura, pela tradição, pelos pais, pela situação. Foi-lhe dado um papel e você o está representando; você se tornou identificado com ele.

Quando esta técnica é praticada, ela ajuda a interromper a identificação que temos com muitos papéis que desempenhamos na nossa vida.

FAZENDO DO SIM UM MANTRA

Quando: todas as noites, antes de dormir, por pelo menos 5 minutos; então, novamente, a primeira coisa da manhã, por pelo menos 3 minutos; também durante o dia, quando quer que você se sinta negativo, sente-se e faça isso: comece a colocar sua energia no sim, faça do sim um mantra. Sente-se na sua cama, comece a repetir “Sim...sim...sim...” Entre em sintonia com ele. Primeiro você estará apenas repetindo e, então, comece a senti-lo. Comece a se balançar com ele, permita que ele se espalhe por todo o seu ser, da cabeça aos dedos dos pés. Deixe que ele o penetre profundamente.

Se você não puder dizê-lo alto, pelo menos silenciosamente diga: “Sim...sim...sim...!”

SOBRE A ENERGIA DO SIM

“A vida não pode ser vivida através do NÃO e aqueles que tentam viver a vida através do não, simplesmente vão perdendo a vida. A pessoa não pode fazer uma morada no não, porque o não é simplesmente vazio. O não é como a escuridão. A escuridão não tem existência real; ela é simplesmente a ausência de luz. É por isso que você não pode fazer nada com a escuridão diretamente. Você não pode empurrá-la para fora do quarto, você não pode atirá-la para dentro da casa do vizinho; você não pode trazer mais escuridão para dentro da sua casa.

Nada pode ser feito diretamente com a escuridão, porque ela não tem existência real.

Se você quiser fazer algo com a escuridão, apague a luz; se você não quiser a escuridão, acenda a luz. Mas tudo que você tiver que fazer terá de ser feito com a luz.

Exatamente do mesmo modo, o sim é luz, o não é escuridão.

Se você quiser fazer alguma coisa em sua vida, você tem de aprender os caminhos do SIM.

E o sim é tremendamente belo. Simplesmente dizê-lo é tão relaxante! Deixe-o tornar-se seu estilo de vida. Diga sim às árvores e aos pássaros e às pessoas, e você ficará surpreso: a vida se tornará uma benção se você souber dizer sim. A vida tornar-se-á uma aventura”.

Mas, cuidado, não vá dizer sim ao mal, à dor, à tristeza. Busque, sempre, o antídoto.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

927-Iniciar-se para a Meditação


Conecte-se com o Universo

Sempre que possível, pense e faça acontecer uma integração de seu corpo ao meio. Torne-se um elo com o todo, uma porção com o todo. Primeiro com a mente, amplie o espaço energético onde você está e incorpore o ambiente como extensão de seu corpo. Num segundo momento, abrace uma árvore, abrace uma pedra, sinta a árvore, sinta a pedra, e sinta que você tem um elo com elas. Tire os pés de sobre as borrachas que nos isolam (calçados) do telúrio curador. Perceba que há um fluxo dentro de você, uma comunicação, um diálogo surdo-mudo, um encontro com o mundo exterior, indo e vindo, não só em pensamento, isso é energia pura.

Sente-se perto de um rio fluindo, simplesmente sinta o fluxo, ouça a água correndo como se fosse o sangue em suas veias, entre n’água, molhe-se, sinta que você e o rio têm um elo, uma irmandade.

Deitado(a) de bruço sob o céu, no gramado, encoste sua testa no chão e mande fluidos para a terra através do chakra frontal, sinta que você e a terra estão ligados, em comunicação.

No começo, será pura imaginação, mas em pouco tempo você sentirá que você está tocando a realidade através da imaginação e que essa linha não apenas imaginativa. Tenha diálogos com o universo sem destruir sua personalidade, sem que seu ego ou self se funda com o todo, como ensinam algumas escolas hindus e budistas.

Importante: isso não precisa ser uma prática diária.

Depois, tente isso com as pessoas. Comece pelo cônjuge, namorado, filho, irmão, mãe, pai. Isso é difícil no começo, porque há um medo, um pudor, uma falta de iniciativa.

Abrace-os, de forma a que o lado (esquerdo) do coração fique frente a frente (isso se chama “abraço de índio”); depois de alguns minutos em que corações batem frente a frente, toquem-se fronte com fronte também por longos instantes. Nos momentos seguintes, liguem-se mãos com mãos, formando uma cruz e se possível pés com pés (evidentemente descalços), o esquerdo sob e o direito sobre o pé do outro.

Este é um treinamento destinado a nutrir nossos corpos e nossas almas com os fluidos universais e humanos.

Iremos perder o medo da vida. Iremos pulsar com a vida. Iremos nos conectar com a vida. Iremos nos abastecer dos fluidos da vida, ao mesmo tempo em que doaremos de nós aquilo que a vida quer retirar de nós.

Descobriremos que tolo é o medo, boba é fantasia, absurdo é o perigo.

Explico: vivemos sob a ameaça do acidente, doença, roubo, assalto, ameaça. E não é fantasia. Eles existem. Fantasia é admitir que sejamos as vítimas e ficar chamando o azar. Mas, não pense que estamos trazendo de fora amuletos, escapulários, simpatias, rezas para fechar seu corpo como também há quem prefira. Nada contra. Isso também funciona, não porque isto ou aquilo faça efeito, o mistério está na nossa mente, no campo energético que criamos como antídoto ou rejeição.

Com isso, estamos treinando religar o foi separado, incluir o que foi excluído, conectar o que foi isolado. Queremos voltar a absorver o telúrio que a terra nos dá, de graça, tanto quanto o ar nos dá o oxigênio. Veja, aí, leitor, em poucas pinceladas a vida está se abrindo pra nós.

TORNAR-SE ESTRELA

Nada é separado, apesar das individualidades. A teia nos liga uns aos outros. Somos irmãos das estrelas e árvores, sim. Todo o Universo é feito de um único continuum.

Pense em você como uma estrela fazendo com as outras estrelas o firmamento do Cosmos Humano.

Assim, como viemos narrando, você começou a árvore, a pedra, o rio, com as pessoas queridas, e agora vai aos céus, vai ao infinito do cosmos.

• Uma vez que você saiba a sensação do resultado quando você se torna um elo com a árvore;

• Uma vez que você saiba quão venturoso você se torna, quando você estabelece um elo com o rio;

• Uma vez que você saiba como, sem perder nada, você ganha toda a existência quando se conecta ao cosmos;

• Então, você já pode tentar com os pássaros, com os animais, com os peixes, e novamente com as pessoas uma grande teia de entendimento, amor, cooperação, complementariedade.

E se é tão venturoso com uma árvore, com um rio, você nem imagina quão mais venturoso será com uma pessoa, porque a pessoa é um fenômeno mais elevado, o ser mais altamente candidato a tornar-se desenvolvido.

Através da pessoa, você pode alcançar os mais altos picos de experiência. Se você se torna extasiado até com uma pedra, com uma pessoa você sentirá um êxtase divino acontecendo em você.

Então, agora, para maior conforto, pense no seu anjo de guarda ou seu guia espiritual. O que, você não os conhece? É verdade, a gente não os conhece. Que pena! Eles estão aí há quanto tempo? E nem lhes damos um oi?

Então, vamos por partes. Volte aqui amanhã.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

926-Iniciar-se para a Meditação


Meditar não é concentrar-se, é entrar em vigília

Aqui, agora, vamos falar um pouquinho de espiritualidade dentro das escolas meditativas budistas. Já advertimos atrás: Meditação não é concentração.

Não se concentre! Se você se concentra, cria um problema porque então tudo o mais se torna uma perturbação, uma tentação a desviar a sua atenção. Se você tenta se concentrar dentro de um carro andando, então o barulho do carro se torna uma perturbação; a pessoa sentada ao seu lado se torna uma perturbação. Onde quer que você busque concentrar-se algo surgirá como tentação para desconcentrar, mais ainda nas mulheres cuja mente é um radar ainda mais potente e vigoroso que o dos homens.

Meditação não é concentração, está certo? É simplesmente estar consciente, vigilante. Você apenas relaxa e observa a respiração, o ruído da chuva, o andor dos passos, o cantar dos pássaros, o barulho do cosmos. Neste observar, nada é excluído. O carro está roncando – perfeitamente OK, aceite isso. (Claro está que o motorista não é você) O tráfego está passando – está OK, é parte da vida. O passageiro roncando ao seu lado no avião ou no ônibus, aceite isso. Nada é rejeitado.

Isto faz de você um prestador de atenção ao que se passa com seu corpo, a respiração, os batimentos cardíacos, a digestão, o movimento dos intestinos e até dos gases que ali se formam e que, agora, você está ciente de que eles existem e vão sair, precisam sair.

Nesse treinamento, em vigília constante, você vai desenvolver o fluxo da mente. Ela vai obedecer ao seu comando e fará o acompanhamento de qualquer coisa que seja uma ordem sua.

Por quinze minutos durante o dia, exale profundamente o ar dos pulmões várias vezes. Este é um exercício ideal para se fazer ao acordar ou ao deitar-se. Sente-se numa cadeira ou no chão, exale profundamente várias vezes e, enquanto exalar, feche os olhos. Quando o ar sair, você entra em seu corpo com o pensamento. E, então, permita ao corpo inalar e, quando ar entrar, abra os olhos e saia de dentro de corpo. Exatamente o oposto: quando o ar sai, você vai para dentro; quando o ar entra, você vai para fora.

Quando você exala, é criado um espaço internamente, porque respiração é vida. Quando você exala profundamente, você se esvazia, “aquela vida” saiu. De certo modo, você “está morto”, por um átimo de tempo, claro. Nesse silêncio de morte vá para dentro. O ar está saindo: você fecha os olhos e vai para dentro. O espaço está presente e você pode se mover facilmente.

Lembre-se: é difícil fazer isso na contramão do ar. Enquanto você está exalando está, ao mesmo tempo movendo-se para dentro. Não fácil inverter esses fluxos, mas é assim que tem de ser. Crie um ritmo entre esses dois movimentos. Dentro de quinze minutos, você vai se sentir profundamente familiarizado com este movimento de brincar com o pensamento entrando e saindo do interior do seu corpo enquanto você está “brincando” de entrar e sair na contramão do ar.

A mente irá se acostumando a obedecer. Esse é o segredo. A mente tem de obedecer e não sair por aí como casquinha de amendoim caída no rio.

RESPIRANDO PELA BARRIGA

Depois de algumas semanas de treinamento de acordo com o que foi sugerido na questão da respiração, alguma coisa nova já deverá estar acontecendo em sua vida. A mais importante observação deve ser para os sonhos.

No entanto, você pode ir além. É o que veremos agora.

Comece relaxando o estômago e respirando pela barriga. Faça disso uma prática. Deitado na cama, antes de dormir, por três ou quatro minutos, respire pela barriga. Ué, você nunca fez isso? É fácil. O seu diafragma deve ser acionado aumentando de volume quando o ar é inspirado e muito contraído, esvaziado, quando o ar é expirado.

De manhã, quando acordar, respire pela barriga. Faça isso sempre que se lembrar. Lembre-se, não esqueça. Sinta mais a sua barriga.

Quero abrir um parêntese para falar desses cuidados, dessa disciplina, dessas prioridades. Você se alimenta sempre que seu corpo pede, não é mesmo? Você toma água ou suco sempre que sente sede, não é mesmo? Seu corpo sabe pedir. Sua mente, não. Então é você que tem de cuidar das necessidades dela, assumindo isso como se sua mente fosse uma criança.

Sua mente irá ganhando experiência para “anotar” coisas que ela deixava passar sem prestar atenção. À medida que sua mente dignificar aquela região do corpo para a qual foi treinada a “olhar”, perceba, começará existir entre ela e os órgãos uma enorme empatia. Percebeu? Isso, de modo análogo, é a interação entre mente, corpo e espírito.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

925-Iniciar-se para a Meditação


Meditar conversando com o espírito

Comece por respirar com consciência ao dormir e ao acordar.

Não se aborreça, para aprender a meditar você terá de mudar muita coisa que hoje você faz de um jeito inconsciente e torna inconsciente um montão de outras coisas.

Juro que você nunca havia treinando mastigar e engolir as refeições com consciência. Vá além, antes de colocar os alimentos à boca, olhe para eles, imagine de onde surgiram até chegar ao seu prato. Se for uma fruta, imagine ela na árvore, como flor, como botão, como fruto verde, como fruto maduro, sendo colhido, acondicionado, transportado, até chegar à sua mão.

Você já jogou tênis? Imagine quanto de preparação é necessário para aprender a bater na bolinha, dar direção a ela, rebatê-la com precisão. Você está se oferecendo a um jogo muito mais delicado: jogar um jogo entre a sua mente e a sua alma. Então, se realmente quer aprender a jogar, treine, treine muito. Não se aborreça. Os grandes vencedores são aqueles que ensaiam muito, treinam muito.

Iremos escolher apenas o método mais simples, o mais fácil e aplicável a todos. E simplesmente esse único método pode se espalhar por todo o mundo. Esse método chamado de 'testemunhar a respiração', é igualzinho aos da escola budista. A diferença virá adiante. É um método muito simples.

Nos seus momentos de silêncio, quando você estiver sentado, deitado, ou viajando num trem, num ônibus, num avião, numa fração de dois minutos ou pelo tempo que você queira, feche os olhos e observe a sua respiração. O ar entra e você vai junto com ele lá no fundo dos pulmões; ele sai e você sai junto com ele. Fique assim pelo tempo que puder, quantas vezes for possível no dia, nos dias, na noite, nas noites.

Às vezes você está se sentindo sem sono e está simplesmente deitado na cama; não se importe com o sono, simplesmente faça o método. Ele fará os dois trabalhos - ele lhe dará um profundo silêncio meditativo, e simplesmente por fazê-lo, você só saberá amanhã, quando acordar que, em algum lugar, o sono entrou você passou a noite. E os sonhos que vierem, serão muito mais calibrados com sua vida.

Atenção para esta coisa maravilhosa e estranha: ao meditar e cair no sono, você acordará meditando.

Isso significa que, de um modo sutil, que no seu inconsciente profundo o método continuou; toda a sua noite se tornou uma meditação. Por isso, os sonhos serão mais calibrados.

Ora, esse é o período mais longo que você pode ter para meditar. Então medite dormindo. E o seu sono será de uma qualidade diferente: mais silencioso, mais relaxado, mais rejuvenescedor. E por seis, oito horas, subliminarmente, o testemunhar continua. De manhã, quando você tornar-se consciente de que está acordado, você ficará surpreso: você está testemunhando sua respiração.

domingo, 25 de novembro de 2012

924-Iniciar-se para a Meditação


Treinar caminhando os primeiros passos

Veja: a meditação budista ensina a sentar-se com as pernas entrecruzadas, braços distendidos sobre os joelhos, dedos indicador e polegar unidos, tudo estático.

O nosso treinamento manda caminhar.

Você precisar educar sua mente e se tornar uma mente meditativa. Meditar não é concentrar-se, nem parar, é fluir. Flua ao caminhar pela rua, preste atenção aos seus passos, ao ruído dos pés, ao impacto deles contra o chão. Caminhe com consciência. Não se distraia olhando para as pessoas. Ao chegar à esquina, olhe o sinal, a faixa de segurança, a aproximação dos carros, passe com segurança e novamente acompanhe seus passos.

Quando você tiver educado sua mente a seguir seus passos, você terá preparado ela para tarefas mais qualificadas, como acompanhar o ritmo da respiração ou dos batimentos cardíacos. É um pouco difícil, porque a mente foi treinada para ser um radar. Nem todo mundo faz da mente um radar, mas ela (mente) pensa que é.

Então mude o exercício. Está chovendo? Escute a chuva cair.

Você conseguiria ouvir o cosmos? Já fez isso? Esse ruído contínuo (não é um motor, não é um alarme disparado, não é uma furadeira ligada) suave, ao longe, indescritível, é o som do cosmos. Preste atenção nele. Ah, você não o ouve, ainda? Sem problemas. Trabalhe com sua respiração. Não permita que a mente se mova para algum outro lugar.

Mais uma coisa que você pode fazer para treinar: quando estiver comendo, mastigue com consciência, com a mente consciente de que você está mastigando e engolindo, enviando para seu estômago aquele que você precisa que ele processe para a vida ir adiante.

O que quer que você faça, não o faça mecanicamente - e essa é a diferença.

As coisas que se faz, têm de ser sentidas. O sentido é este: por exemplo, eu posso levantar minha mão mecanicamente, mas também posso levantar minha mão na plena consciência disso. Minha mente está consciente de que minha mão está sendo levantada. Faça isto, tente isto: uma vez mecanicamente e, depois, com consciência alerta. Você sentirá a diferença. A qualidade do movimento muda imediatamente.

Caminhe alerta, acompanhe a chuva alerta, coma alerta, faça movimentos alerta. Você caminhará de forma diferente; uma graça diferente virá para o seu caminhar; você se moverá mais lentamente, mais belamente. Se você caminha mecanicamente - somente porque você sabe como caminhar e, assim, não existe necessidade de estar alerta, então o caminhar é feio, não existe graça nele. Faça, o que quer que você faça, em atitude alerta. E sinta a diferença.

Quando se diz "sinta", quer dizer observe, perceba, aproprie-se do ato. Primeiro faça mecanicamente e, depois, com consciência; e sinta a diferença. E você será capaz de sentir a diferença. É assim que você passará a ser a sua própria diferença.

sábado, 24 de novembro de 2012

923-Iniciar-se para a Meditação



Um ato espiritual


Meditar é uma prática espiritual de grande valia.Já se disse tratar-se de uma comunicação mediúnica entre a mente e o espírito de uma mesma pessoa. Não se irrite com o uso da expressão “mediúnica”, esta palavra só quer expressar o que de fato expressa: fazer-se meio entre duas inteligências. Como estamos lidando com a mente terrena em estado de vigília e com a mente espiritual (também chamada de subconsciente e até de inconsciente), quero entender tratar-se de “outra” mente ou, no mínimo, outro departamento de uma mesma e complexa MENTE.

Todos os métodos conhecidos de meditação têm âncora budista. Foi Buda e foram os seguidores de Buda grandes exercitadores da arte de meditar. Mas, convenhamos: o entendimento da questão espiritual pelos budistas e pelos espiritualistas é distinto. Quero, então, abrir este parêntesis para explicar que a iniciação meditativa objeto desta nova série terá conteúdos que não encontraremos no método budista de meditação. Isso, porém, não propõe um resultado diferente. Propõe uma compreensão linear e lógica para as mentes de formação não budista.

Uma metáfora bem simples para entendimento dos leitores mais radicais: o ato de nutrir uma pessoa, isto é, alimentá-la para saciar-lhe as necessidades nutricionais inerentes à energia para viver pode se dar por três modos: (i) a ingestão de alimentos pela boca; (ii) a ingestão de alimentos através de sonda por outra via que não a boca; (iii) e a introdução de alimento através da veia diretamente na corrente sanguínea.Todos os três caminhos atendem ao objetivo, porém por diferentes alternativas; uns e outros são mais diretos e eficazes, não é mesmo?

Aqui também a proposta é atender ao objetivo, atingir o destino com melhor eficácia.

Buda foi o primeiro mestre da arte meditativa e então surgiram várias “escolas” para ensinar as pessoas meditar segundo o conceito budista de Deus e das relações das pessoas com Deus.

O que há de incoerente entre os métodos budistas de meditação e a forma espiritual de conexão meditativa? Simples: para o budismo cada um de nós é uma fração do imenso Deus ou uma gota do imenso oceano cósmico. Ao alcançar o estado de fusão com Deus, ou ao a gota d’água chegar ao mar acaba-se a individualidade, tudo se funde num todo.

A partir de alguns mestres da cultura que prega individuação do espírito não podemos ver as coisas do modo budista. Quem estará mais certo, quem estará mais errado? Não se trata de acerto ou erro. “Vamos procurar nutrir a alma, seja pela boca, pela sonda ou pela veia”, conforme a metáfora. O que for mais eficaz para o fim a que estamos buscando, tem de ser melhor, sem necessidade de afirmar que os dois outros modos sejam ruins.

As ciências ocidentais nos ensinam que somos individualidades, não é isso? Ensinam que não há a menor possibilidade de haver dois seres iguais, por isso a impressão datiloscópica foi escolhida para a incorruptível prova de identidade na Cédula de Identidade e no Passaporte. E como tal queremos compreender o ser humano até prova em contrário.

Não existem duas gravuras datiloscópicas iguais entre os mais de 7 bilhões de seres humanos. Não existem dois desenhos da íris ocular entre esses bilhões de exemplares encarnados. Não existem dois espíritos com a mesma individualidade. Podemos compor com Deus uma grande teia, mas nunca deixaremos de ser indivíduos para pertencer ao Oceano Espiritual de Deus. Ao menos é isso que no Ocidente se diz do indivíduo espiritual.

Então, ao meditar pelos métodos budistas, somos induzidos à fusão com Deus e isso atrapalha a compreensão e a conexão final deixa de acontecer porque a cultura compreensiva da mente ocidental lê o resultado de modo diferente que lê a mente oriental. A começar pela escrita. A de lá e a cá são diametralmente opostas.

Foi assim que surgiu o Método Mediúnico de Meditação, que será exposto aos leitores desta blog a partir da próxima postagem.

Leia o que vem a seguir e aprenda a meditar para sua harmonia espiritual e para aproximar-se de sua verdade íntima, a maior de todas as verdades que deve ser buscada pelo ser humano.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

922-Iniciar-se para a Verdade


QS o novo e verdadeiro quociente

Como vimos nesta série e em outros textos, tudo evolui, tudo anda. Ficamos alguns anos do século XX acreditando que a medida definitiva da inteligência humana era obtida pelo QI - Quociente de Inteligência, pura e simplesmente. Mas, ainda na década de 1990 esse entendimento foi destronado pela nova descoberta, a do Quociente da Inteligência Emocional, oportunidade em que se fez a maior festa novamente porque havíamos descoberto que a nossa inteligência tem predicados suscetíveis de serem influenciados pela emoção. Ainda antes da passagem do milênio vieram à tona os estudos do Quociente da Inteligência Multifocal e novamente aprendemos que a nossa inteligência tem múltiplos predicados suscetíveis de serem influenciados por vários fatores, claro, sem excluir o emocional. E entramos no século XXI fogueteando a descoberta de novo quociente, o QS (que em virtude das autoras serem de fala inglesa, as norte-americanas Danah Zohar & Shana Marshal, escreve-se com S {Spiritual) – que quer dizer Quociente Espiritual), esclarecendo-nos que a verdadeira inteligência reside no espírito. O QS está ligado à necessidade do ser humano ter propósito e objetivo na vida, isso que tão exaustivamente esta série vem explorando quando fala dos sonhos – sonhados de olhos abertos e reforçados pelos insights do espírito enviados pelos sonhos sonhados de olhos fechados e também pela prática meditativa, que ainda será enfocada.

As autoras dos estudos do Quociente Espiritual conseguem provar cientificamente a origem a inteligência humana, localizando-a no espírito e obrigando toda a ciência a rever seus conceitos diferentemente elaborados. Evoluímos, pois, pois. Que ótimo!


VENCER COM A ALMA


Sempre que contrariamos as leis naturais pagamos um preço que nos obriga aprender a lição ou sucumbir, dentro da lógica de adaptar-nos às leis da vida ou sermos ejetados para fora de um determinado sistema e mandado para outro. Onde estão as regras da vida? Nela. Muito já se sabe por pesquisa e observação, mas a alma que habita em nós pode ser a melhor conselheira. Está tão próxima de nós e tem total interesse em nosso sucesso! E o que fazemos nós? Nem mesmo lhe perguntamos “como estamos dirigindo?”

Se somos capazes de mover o mundo para aprender uma profissão, ter renda, conforto, prazer, por que não ter em casa um laboratório especializado em sucesso?

Sugestão de Wilda Tanner (coisas simples): Manter contínua observação aos sentimentos, emoções, percepções, sonhos e outros sinais, fazer disso um hábito de anotar e refletir sobre os conteúdos e buscar nisso tudo coerências, nexos. Fazê-lo sem pressa, sem casuísmo, acreditando na única coisa da qual não podemos duvidar: nós existimos e isso não é um acaso nem uma brincadeira.

O que faz o navegador quando inicia uma travessia? Checa todo o equipamento de bordo, pega as cartas climáticas, examina todas as possibilidades de mau tempo, faz previsões, tem sempre um plano B. Em que nossas vidas são diferentes da situação do navegador? Quando Wilda nos pede para prestar atenção, anotar, refletir, meditar, sopesar sobre eventos de nosso dia-dia, inclusive sonhos, ela pede que sejamos gestores de nossas vidas. Quem queira chegar a algum lugar, não pode viver à deriva, ao sabor das ondas, tem de ter um rumo, optar por um desafio. Nisso se aloja a missão.

A nossa civilização ficou muitos séculos afastada de nossas conexões com a porção sagrada que habita em nós e agora temos de ter paciência para desconstruir as cadeias e reconstruir as pontes.

Através da interpretação que fizermos dessa leitura (sentimentos, emoções, percepções, sonhos e outros sinais), irá nascendo o objetivo de viver a DIGNIDADE DIVINA QUE SOMOS e irá se revelando o magnífico mundo da felicidade e do sucesso, contidos em nosso plano para esta vida.

Podes crer, leitor, nossa passagem pelo corpo não inclui o fracasso, nem a destruição. Fracassar e destruir é descaminho.

Se soubermos meditar sobre isso, melhor será. E sobre isso temos de abrir também outra série, neste blog, adiante.

As pesquisas sobre o pensamento empreendedor, sobre a iniciativa e sobre a realização pessoal ainda são muito pouco conhecidas. Mas, há uma crescente preocupação com o preenchimento do vazio existencial das pessoas de todas as idades. Há, hoje, inúmeros multiplicadores desses ideais fazendo o possível para que mais gente abandone a depressão ou tédio (doentios) por não saberem o que vieram fazer no planeta ou estarem fazendo as coisas com enorme dose de insatisfação. Com isso, esses multiplicadores buscam contribuir para a construção de pessoas mais responsáveis e mais comprometidas com as suas próprias qualidades e com seus próprios sonhos.

Aprender isso é viver.

Viver é sonhar.

Sonhar e acreditar nos desígnios dos sonhos, faz toda a diferença.

Isso também é estar em linha direta com o Espírito.

Já fiz uma breve referência, atrás, sobre uma série específica sobre meditação, que o blog abordará. Continue acessando e lendo nossas postagens e aguarde para breve a série orientadora sobre meditação.

Bibliografia de Apoio à Série 909-922:

Csikszentmihalyi, Mihaly – “A Descoberta do Fluxo” – Ed. Rocco

Denis, Leon - “O Problema do Ser, do Destino e da Dor” – FEB

Dolabela, Fernando – “A Ponte Mágica” – Editora de Cultura

Dolabela, Fernando – “O Segredo de Luísa” – Editora de Cultura

Kardec, Allan – “O Livro dos Espíritos” – Editora Petit

Stoltz, Paul G. – “Desafios e Oportunidades” – Editora Campus

Tanner, Wilda B. – “O Mundo Místico, Mágico e Maravilhoso dos Sonhos” – Editora Pensamento

Young, Evelyn M. – “Sonhos” – Editora Avatar.

Zohar, Danah & Schana A. Marshal. “QS: Inteligência Espiritual“, Record.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

921-Iniciar-se para a Verdade


Quando somos melhores e mais felizes?

O que seria a frustração e o que seria a realização? E o sucesso? E a felicidade?

A frustração, o desgosto, a depressão e mesmo as fugas pelos desvios dos vícios e até mesmo o suicídio, são conseqüências do fato de não ter sonhos, de não saber qual é o sonho ou da triste realidade dos sonhos desfeitos e da incapacidade de substituir um sonho por outro.

A realização nada mais é do que a concretização de um conjunto de planos ou idéias. Que plano ou que idéia teria motivado nosso espírito a encarnar? Talvez não seja preciso isso (preto no branco) para admitir que o caminho está correto. Talvez o sentimento de entusiasmo naquilo que fazemos seja a resposta.

A felicidade, bem, a felicidade tem a ver com fazer o que se gosta e se crê, estar com quem se gosta e respeita, principalmente, e isso nos remete para a realização dos sonhos, sonhos de olhos abertos e sonhos de olhos fechados que, no fundo, são sempre a mesma coisa. Estes são os aspectos em que o imã e os recados recebidos em sonho chamam para o mesmo rumo ou destino.

E o mais espantoso, segundo a pesquisa de um americano autor do livro "A Descoberta do Fluxo" é que a felicidade, que as pessoas tanto perseguem sem conhecer sua essência, na verdade, não é apenas a meta buscada, mas a meta que se nos apresenta como desafio. Fazemos aquilo que gostamos e/ou acreditamos, mas que, longe de uma rotina, nos incita. Isso é tudo.

Não devemos confundir felicidade com prazer. Há um professor que diz que quanto mais necessitamos de prazer, é porque menos satisfações temos com aquilo que fazemos ou temos. Quanto mais satisfeitos estamos, menos necessitamos do prazer fora do trabalho e do lar.

Bem, voltando ao americano da “Descoberta do Fluxo”: ele criou um sistema de medição da satisfação avaliando as sensações de bem-estar das pessoas em vários momentos do dia, escolhidos aleatoriamente. A impressionante descoberta é que as pessoas vivem três vezes mais satisfeitas e sentem-se melhor nos seus ambientes de trabalho do que em seus momentos de lazer (leia-se prazer). Você pode compreender o que isso significa?

Ele foi mais adiante e descobriu ainda que esses momentos de FLUXO, conforme ele denomina, é o tempo que permanecemos nesse estado de prêmio, êxtase ou satisfação, que acontece quando temos desafios de graus elevados, compensados por grande habilidade ao vencê-los. Caso tenhamos um desafio muito grande e pouca habilidade, isso gera ansiedade. Caso tenhamos pouco desafio e muita habilidade, isso gera tédio. Caso sejamos especialistas ou excelentes em algo e enfrentamos grandes desafios, isso gera os momentos de FLUXO: períodos de grande satisfação. E diz que a satisfação proveniente da habilidade de enfrentar e conquistar desafios é muito mais duradoura que os momentos passageiros de prazer, que as pessoas têm quando estão descansando.

As conseqüências lógicas do que foi exposto são que os problemas de nossa vida são responsáveis não somente pelo nosso aprendizado, mas também pela nossa sensação de satisfação.

O nó terá sido dado quando entendemos o problema como prenúncio de derrota. Indo um pouco além, segundo um outro autor americano chamado Paul Stoltz, sabe-se (naquele país) que apenas 25% dos indivíduos vindos das classes A e B chegarão a grandes e importantes posições por mérito próprio. Os outros 75% provêm de classes sociais menos favorecidas, pois desde cedo são expostos a grandes desafios e reúnem uma das maiores competências requisitadas atualmente nas empresas, que é a capacidade de superar obstáculos, também mensurável, segundo Stoltz, e chamada de Quociente de Adversidade. A boa notícia é que o Q.A. assim como o Q.E. (Quociente Emocional) podem ser desenvolvidos. E para onde retornamos? Para a educação. Não é a alma que derrota as pessoas. É a educação das pessoas que derrota suas almas.

Parece que agora já podemos falar da infelicidade. O infeliz é aquele que ainda não achou a coisa certa para fazer ou a pessoa certa para amar. Se desistir de encontrá-los, terá de assumir que suas escolhas foram essas e conformar-se. Ou lutar, provar que é merecedor de algo melhor.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

920-Iniciar-se para a Verdade

Um sofisticado sistema de comunicação

Voltemos à cátedra de Wilda Tanner. Ela assegura que a maior parte da humanidade adquire conhecimento nos sonhos. Por aproximação, temos entre cinco e sete sonhos por noite. Quando temos desenvolvida a nossa forma de lidar com eles, recebemos e temos consciência de lições, orientações, informação, compreensão, conhecimento e estímulo. Nossos sonhos, diz ela, são sinais, obtidos por telas mentais chamando-nos para os nossos verdadeiros caminhos. Alguns desses recados nos chegam diretamente de nossos níveis subconscientes, particularmente, as informações sobre nosso corpo físico e suas necessidades. Outros vêm de níveis conscientes: imagens e fatos diversos, informações para lidar com nossos problemas cotidianos. Mas, na maioria, as lições vêm do nível superconsciente, de nosso Eu Divino ou Eu Superior. Vêm em forma de lições e vislumbres espirituais que nos ajudam na solução de problemas em todos os níveis. Possivelmente tenham a virtude de nos colocar frente a frente com os nossos desafios associados com a grande missão de nossas vidas.

Você gostaria de ter em casa ou carregar consigo um consultor especializado em destino, missão, sucesso, realização, plenitude? Inteiramente gratuito? Nesses tempos de personal training, personal fashion, que tal um personal sucessing? Você já ouviu falar de visionários, bruxos, magos? Sabe o que eles fazem? Eles apenas confirmam para seus consulentes aquilo que seus consulentes desejam que aconteça. E se os consulentes vierem acreditar naquilo que os adivinhos dizem, terão mudado as suas vida para melhor ou para pior, dependendo daquilo no que andem “sonhando”.

Quando a semente do ser humano parte em busca da fecundação do próprio corpo, no ventre da mãe, põe nesse ato todas as suas esperanças, todo o seu entusiasmo, toda a sua energia. O seu objetivo é viver, cumprir uma missão, fazer tudo certo e alcançar a fita de chegada dessa maratona com a dignidade de um vencedor. Não se trata de derrotar os demais, aquilo não é uma competição. Todos os demais “competidores” envolvidos nessa operação, sabem que em 98,89% dos casos há um só óvulo à espera e que em 99,9999% dos casos uma só semente será premiada com a vida. Aquilo é uma travessia na qual cada um tem de vencer a si mesmo. E provar que é capaz de receber nova missão.

A vida, depois do nascimento, não é outra coisa. Alguém já se perguntou por que a vida nos chicoteia em certas circunstâncias? Estaria ela fazendo a mesma coisa que fazem os cavaleiros quando querem superar um obstáculo em plena cavalgada ou numa prova de hipismo? A reposta é sua.

Para desenvolver uma Cultura Multidimensional, o primeiro requisito é sentir-se divino, entender o prêmio da vida como outorga, dádiva, mérito, honra, dignificação, homenagem divina, claro, nunca para que o outorgado se atire nas cordas ou “tire férias”. Entramos na corrente universal da vida para realimentar e reafirmar o sentimento, permanentemente, de que somos um dente da engrenagem e que temos de corresponder a essa confiança. Se não sabemos, ao certo, o que devemos fazer, devemos, ao menos, ao acordar e ao recolher-se para dormir, que é quando adormecemos e nem sabemos o que será de nosso corpo, deixar ligado o instrumento através do qual nos comunicamos com outorgante. Claro, existem outros canais de comunicação, uns mais simples, como a oração e outros mais exigentes, como a meditação. Mas, este, dos sonhos, é tão fácil que a gente o executa dormindo.

Importa saber que não pode haver o ser separado, que em um momento se desgasta no jogo da vida desprovido de entusiasmo, vulnerável às energias opostas, abatido por elas e, em outro momento, o ser que se liga ou religa com a Fonte Vital para carregar suas baterias. Como também não pode haver o ser passivo que apenas ergue suas mãos ao infinito pedindo que lhe seja facilitado o papel diante da vida, quando, na realidade, nem sabe ou nem quer saber que papel é esse. Cadê os sonhos?

Somos enviados para a vida com planos por nós definidos, viemos como agentes ou produtores autônomos de ação e não como diligentes ou terceiros da ação delegada.

Ao postar-se como diligente, sem planos próprios, como serviçal de interesses alheios, o ser humano assemelhar-se-á aos animais dos serviços domésticos e terá perdido, em sua existência, a oportunidade de dizer a que veio.


NÃO ESTAMOS EM FÉRIAS


Ainda que muita gente se imagine de férias em sua existência corporal, no planeta, e por isso tente levar a vida irreverentemente, toda a logística da vida sinaliza para os propósitos: nada acontece ao acaso. O nosso nascimento não foi um acaso. O desafio ao ser mais inteligente da criação, é descobrir o propósito de cada coisa, principalmente o seu próprio propósito.

Como saber a que viemos? Não é uma tarefa fácil. Mas, também não é impossível. Existem três meios:

(1) Através dos sonhos sonhados de olhos abertos. Eles não nascem do nada. Lá no fundo da alma eles querem dizer algo. Tê-los e sentir que eles são um imã a chamar para um rumo, para um desafio, tal qual uma bússola, é o indicativo de que somos parte de um plano, temos um plano, como todos têm.

(2) Através dos recados enviados pelos sonhos sonhados de olhos fechados. Ter com os sonhos uma certa promiscuidade, um elevado grau de responsabilidade, interatividade, capacidade de anotá-los, investigar as suas circunstâncias, prestar atenção na sua coerência... O resultado poderá indicar mais do que assuntos para conversas matinais com nossos familiares. “Bárbaro! Tive um sonho legal esta noite!”

(3) Através do desenvolvimento de uma cultura de oração e meditação, contemplação e elevada percepção capazes de abrir canais de diálogo eficaz entre a mente corpórea e a mente espiritual. (Sobre este item 3, ainda voltaremos a aprender).



terça-feira, 20 de novembro de 2012

919-Iniciar-se para a Verdade



Mais inteligente que a máquina

Todos sabemos que o princípio que norteia a informática se baseia na mente humana. Programas informatizados já permitem digitar um contexto e oferecer a conjuntura na qual as coisas estão imbricadas e o computador nos dirá, percentualmente, quais as soluções mais adequadas para nossos problemas. Sabemos também que os computadores não têm emoção. Então, emoção à parte, a mente humana seria capaz de fazer melhor trabalho? E se formos além? Como se poderia chamar o ato de convocar um mestre mais inteligente que a máquina e tão mais livre das influências emocionais para indicar-nos os caminhos mais adequados a seguir, que é nosso espírito?

É claro que a coisa não é tão simples como digitar um contexto e oferecer uma conjuntura e pronto. Se não soubermos fazer a encomenda, a entrega pode sair errada. Isso vale para o computador, vale para nossa mente racional e vale para o mestre espiritual que habita em nós. Então, é preciso compreender que, em qualquer circunstância, pressa, sufoco, irreverência, casuísmo, pode estragar tudo. Mas, nunca é demais lembrar um velho ditado, que não foi aposentado: “discuta o seu problema com o seu travesseiro; quem sabe amanhã de manhã ele tenha a solução esperada!”

MENDIGOS DO UNIVERSO

Continuando com a cátedra de Wilda Tanner, anotemos o que ela sugere: é necessário desenvolver uma cultura de interação com os sonhos e não buscar socorro apenas quando os problemas estouram. Essa é a situação das pessoas que quando têm problemas correm para as igrejas, se curvam, acendem velas, oram, fazem promessas, querem trocar sua omissão por milagres vindos do alto da energia dos santos e guias de sua devoção. Pode ser também a situação daqueles que procuram os adivinhos ou pais-de-santo e pagam qualquer preço, fazem qualquer coisa para que lhes seja dito o que devem fazer. Pode ser, igualmente, algo parecido com o empresário desleixado, que passa o tempo sem se preocupar com a segurança de sua organização, até que um dia, no meio da madrugada, liga para o corpo de bombeiros ou para a polícia, desesperado, querendo que salvem seu patrimônio ameaçado pelo fogo ou pelos ladrões.

Em todos esses casos, estaremos diante de pessoas que querem viver por milagre, por intercessão de alguém de fora, nas mãos de quem depositam sua felicidade e/ou sucesso. São pessoas sem auto-estima, sem valores íntimos, sem capricho, sem garra, sem planejamento, desorganizadas. Viverão apenas enquanto a vida lhes seja misericordiosa. Nunca poderão dizer: isso eu conquistei. Têm a mesma sensação dos mendigos, isto é, falta-lhes DIGNIDADE. Onde e quando não há esmolas não sabem viver.



segunda-feira, 19 de novembro de 2012

918-Iniciar-se para a Verdade


Um pouco de história

Homero se ocupou dos sonhos e o fez de forma irreverente, preferindo entendê-los como tentações dos espíritos do mal. Sócrates foi além ao entendê-los como uma expressão do lado bestial humano. Freud veio nessa mesma linha: as repressões exercidas sobre o ser humano, principalmente, sexuais, para ele, dão origem aos sonhos. Jung foi mais sutil e prestou um grande serviço à humanidade. Observou que em toda a história e no mundo inteiro os sonhos têm muita semelhança. Logo, a sua finalidade tem uma causa: transmitem uma verdade universal àquele que sonha e informam que a origem do fenômeno está associada a processo não aleatório. Melhor dizendo: é mais uma coisa comum a todos os seres humanos. E assim fica demonstrada a existência de um criador, um plano, uma causa e um efeito comuns não apenas no plano biológico.

Outros estudiosos, em linha semelhante de pensamento, teorizaram que os sonhos consistem de associações e memórias emitidas da parte frontal do cérebro, em resposta a sinais aleatórios do tronco encefálico. Estes autores sugeriram que os sonhos são o melhor "ajuste" que o cérebro frontal poderia fornecer a este bombardeamento provindo do tronco cerebral. Nesta proposição, os neurônios-ponte, via tálamo, ativariam várias áreas do córtex cerebral emitindo imagens bem conhecidas ou mesmo emoções, e o córtex, então, tentaria sintetizar as imagens disparadas, dando origem aos sonhos. O sonho "sintetizado" pode ser completamente bizarro e mesmo sem sentido porque ele está sendo desencadeado por uma atividade sem controle. Aquele sonho que temos dormindo é uma propriedade do cérebro, dizem os acadêmicos. Com base nessa assertiva, também vão além e dizem que cachorro, veja, um bicho, também sonha, tem pesadelos.

Mas, há o sonho no sentido figurado, que sonhamos acordados ou imaginando, aquele que chamamos também de devaneio, plano de vida ou fantasia. Esse parece ser uma função além da mente humana, quem sabe algo maior que esta existência.

Contudo, parece existir uma sutil ligação entre uma e outra coisa, entre sonhos e sonhos.

UM MUNDO A PESQUISAR

Já se disse que pessoas aposentadas, de larga idade, umas viúvas, outras não, começam dizer que não têm mais idade para isso ou aquilo e também já não falam mais de seus sonhos quando dormem. O que seria isso, se não o prenúncio da morte?

Pode ser um exagero, mas poderemos ver que não é bem assim. Esse é um distúrbio muito comum, chamado de "Síndrome do Ninho Vazio", no qual adultos a partir de 40 ou 50 anos de idade enfrentam grandes depressões quando seus filhos saem de casa para terem suas próprias vidas. Já é possível aceitar que quando uma pessoa pensa em derrota, a vida que está nela desiste de lutar.

Wilda Tanner, num brilhante trabalho intitulado “O Mundo Místico, Mágico e Maravilhoso dos Sonhos”, ensina que os sonhos que acontecem enquanto dormimos, são terapias para nossos males do dia-a-dia. Segundo ela, para uma imensa maioria, o “terapeuta” chega e trabalha de graça nas altas horas da noite, faz muito bem o seu trabalho, vai embora e nem deixa um cartãozinho para esperar uma ligação de “muito obrigado”. Há casos, porém, que o paciente interage e encomenda ao “terapeuta” as tarefas mais absurdas e importantes e, na manhã seguinte, ao abrir os olhos a solução está ali, completa, clara e certa, também a custo zero.

Wilda trabalha com a hipótese de que interagir com nossos sonhos noturnos significa abrir a porta que leva às maiores oportunidades de expansão do conhecimento. Como alguém que se oferece para estudar o lado espiritual do homem, Wilda assegura que estamos na vida corporal para bem mais do que apenas aprender com os professores, que cobram, e não ensinam tudo; há muita sabedoria nos sonhos e cabe a nós entrar nela.

Mas, atenção: existem livros que sugerem a interpretação literal dos sonhos cujos símbolos prometem dizer a “mesma verdade” para os sonhos de todas as pessoas que, por exemplo tenham sonhado com o pato ou com o padre. Isso não é tão simples assim, pois para uns o pato tem um significado e o padre também. Os símbolos colocados dentro dos nossos sonhos nem sempre são o conteúdo e sim a chave para se chegar ao conteúdo.

As teses de Wilda são conciliatórias entre o saber acadêmico e o saber empírico. Se temos um problema, o melhor caminho é distanciar-se dele para vê-lo de fora. Não é assim que atua a consultoria empresarial? E por que é assim? No centro do problema, agimos com a emoção. E a emoção contamina a razão. Ter emoção é um dos atributos do ser animal que somos. Enquanto animais, temos instintos, temos impulsos, temos medos. Ao trabalhar com os sonhos, permitimos que nosso espírito, de per si ou com a ajuda de guias espirituais, sem emoção, com a razão pura, nos indique a melhor solução.

domingo, 18 de novembro de 2012

917-Iniciar-se para a Verdade



Somos aquilo do sonhamos

Todos sonhamos, isto é certo. O sonho é uma necessidade fisiológica. Não sonham aqueles que dormem sob efeito de soníferos, entorpecentes ou bebida alcoólica. E não sabem o que estão perdendo.

Dormir e sonhar, tanto quanto sonhar acordado, pode ser mais interessante e produtivo do que se imagina. Há, no entanto, aqueles que dizem não lembrar dos sonhos sonhados e mesmo aqueles que dizem e acham que não têm nenhum tipo de sonho.

Médicos, psicólogos e místicos estão cada dia mais interessados nessa relação de nossa mente com sensações e percepções que escapam-nos ao controle. Elas podem significar tudo ou nada para a vida.

Sonhar é, no mínimo, tão importante quanto dormir. Não sonhar pode significar nada ser para a vida.

A par do bem que nos acontece ao sonhar, existem sonhos espontâneos, que sonhamos ao dormir e existem sonhos construídos, que sonhamos imaginando, acordados. Uns e outros parecem ser a mais genuína das formas do ser humano expressar seus desejos, anseios, inclinações, motivações e, (por que não?) a missão! Podem expressar a vida que vive em nós e podem, na sua ausência, sinalizar a vida que está indo embora de nós.

Existem sonhos que movem os seres humanos e existem sonhos que poderiam mudar o destino dos seus sonhadores caso fossem levados a sério. De uma forma mais direta se pode dizer que talvez sejam mensagens de Deus, plantadas em nossa mente, que sirvam para nos direcionar na vida ou para dar sentido à nossa existência. Ou, talvez, seja nosso espírito mandando recados à nossa mente. Não sonhar talvez seja uma das primeiras evidências de que abandonamos a vida e esperamos a morte. Vale para quem turba os sentidos para dormir, vale para quem desiste de ver adiante e vale muito para quem já desistiu de viver e esqueceu de avisar que está de partida.

Três explicações para os sonhos, uma do ponto de vista espírita, duas do ponto de vista científico:

(1) Os espíritas ensinam que os sonhos são produtos da emancipação da alma que, ao dormir o corpo, torna-se independente pela suspensão da vida ativa e da convivência. Daí adquire, o espírito, uma espécie de clarividência indefinida e abandona o corpo para efetuar visitas a lugares mais afastados, conhecidos, jamais vistos e algumas vezes até de outros mundos.

(2) Cientificamente se ensina que o sonho se presta para descargas das tensões cotidianas e como capacitação para enfrentarmos os medos e as tensões.

(3) Há, contudo e também, o sonho que se sonha de olhos abertos, como a razão de ser de nossas vidas, aquilo que, para alguns, tem conotação de destino, missão ou carma.

Nossos sonhos combinam estímulos verbais, visuais, emocionais e espirituais em uma série de histórias fragmentadas e, às vezes, sem sentido, porém sempre muito interessantes. Às vezes, podemos até mesmo resolver problemas em nossos sonhos.

Entre os peritos ainda não há um acordo sobre qual deve ser o propósito de nossos sonhos. Será que eles são somente impulsos mentais ou nosso cérebro está realmente trabalhando em questões da nossa vida cotidiana enquanto dormimos, como se fosse um tipo de mecanismo de imitação? Será que deveríamos nos preocupar até com a interpretação dos nossos sonhos? A resposta é sim! Temos muito o que aprender com eles.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

916-Iniciar-se para a Verdade



Visitas espirituais entre encarnados

Não se canse com a leitura proposta, pois a compreensão do que seja o nosso íntimo passa por saber o que fazemos enquanto dormimos e o quanto mal faz a falta do sono.

O Livro dos Espíritos - 413. Do princípio da emancipação da alma parece decorre que temos duas existências simultâneas: a do corpo,que nos permite a vida de relação ostensiva; e a da alma, que nos proporciona a vida de relação oculta. É assim?

“No estado de emancipação, prima a vida da alma. Contudo, não há, verdadeiramente, duas existências. São, antes duas fases de uma só existência, porquanto o homem não vive duplamente”.

414. Podem duas pessoas que se conhecem visitar-se durante o sono?

“Certo e muitos que julgam não se conhecerem costumam reunir-se e falar-se. Podes ter, sem que o suspeites, amigos em outro país. É tão habitual o fato de irdes encontrar-vos, durante o sono, com amigos e parentes, com os que conheceis e que vos podem ser úteis, que quase todas as noites fazeis essas visitas”.

415. Que utilidade podem elas ter, se as olvidamos?

“De ordinário, ao despertardes, guardais a intuição desse fato, do qual se originam certas idéias que vos vêm espontaneamente, sem que possais explicar como vos acudiram. São idéias que adquiristes nessas confabulações”.

416. Pode o homem, pela sua vontade, provocar as visitas espíritas? Pode, por exemplo, dizer, quando está para dormir: Quero esta noite encontrar-me em Espírito com Fulano, quero falar-lhe para dizer isto?

“O que se dá é o seguinte: Adormecendo o homem, seu Espírito desperta e, muitas vezes, nada disposto se mostra a fazer o que o homem resolvera porque a vida deste pouco interessa ao seu Espírito, uma vez desprendido da matéria. Isto com relação a homens já bastante elevados espiritualmente. Os outros passam de modo muito diverso a fase espiritual de sua existência terrena. Entregam-se às paixões que os escravizaram, ou se mantêm inativos. Pode, pois, suceder, tais sejam os motivos que a isso o induzem, que o Espírito vá visitar aqueles com quem deseja encontrar-se. Mas, não constitui razão, para que semelhante coisa se verifique, o simples fato de ele o querer quando desperto”.

417. Podem Espíritos encarnados reunir-se em certo número e formar assembléias?

“Sem dúvida alguma. Os laços, antigos ou recentes, da amizade costumam reunir desse modo diversos Espíritos, que se sentem felizes de estar juntos.Pelo termo antigos se devem entender os laços de amizade contraída em existências anteriores. Ao despertar, guardamos intuição das idéias que haurimos nesses colóquios, mas ficamos na ignorância da fonte donde promanaram”.

418. Uma pessoa que julgasse morto um de seus amigos, sem que tal fosse a realidade, poderia encontrar-se com ele, em Espírito, e verificar que continuava vivo? E, dado o fato, poderia, ao despertar, ter dele a intuição?

“Como Espírito, a pessoa que figuras pode ver o seu amigo e conhecer-lhe a sorte. Se lhe não houver sido imposto, por prova, crer na morte desse amigo, poderá ter um pressentimento da sua existência, como poderá tê-lo de sua morte.”

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

915-Iniciar-se para a Verdade


Kardec explica o sonho

Como você percebe, leitor, a caminhada em busca de nossa Verdade Íntima passa por auto-conhecermos-nos. O caminho mais curto é pelos sonhos.

O Livro dos Espíritos - 400. O Espírito encarnado permanece de bom grado no seu envoltório corporal?

“É como se perguntasses se ao encarcerado agrada o cárcere. O Espírito encarnado aspira constantemente à sua libertação e tanto mais deseja ver-se livre do seu invólucro, quanto mais grosseiro é este”.

401. Durante o sono, a alma repousa como o corpo?

“Não, o Espírito jamais está inativo. Durante o sono, afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando este então da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos”.

402. Como podemos julgar da liberdade do Espírito durante o sono?

“Pelos sonhos. Quando o corpo repousa, acredita-o, tem o Espírito mais faculdades do que no estado de vigília. Lembra-se do passado e algumas vezes prevê o futuro. Adquire maior potencialidade e pode pôr-se em comunicação com os demais Espíritos, quer deste mundo, quer do outro. Dizes freqüentemente: Tive um sonho extravagante, um sonho horrível, mas absolutamente inverossímil. Enganas-te. É amiúde uma recordação dos lugares e das coisas que viste ou que verás em outra existência ou em outra ocasião. Estando entorpecido o corpo, o Espírito trata de quebrar seus grilhões e de investigar no passado ou no futuro.

Pobres homens, que mal conheceis os mais vulgares fenômenos da vida! Julgais-vos muito sábios e as coisas mais comezinhas vos confundem. Nada sabeis responder a estas perguntas que todas as crianças formulam: Que fazemos quando dormimos? Que são os sonhos? O sono liberta a alma parcialmente do corpo. Quando dorme, o homem se acha por algum tempo no estado em que fica permanentemente depois que morre. Tiveram sonos inteligentes os Espíritos que, desencarnando, logo se desligam da matéria. Esses Espíritos, quando dormem, vão para junto dos seres que lhes são superiores. Com estes viajam, conversam e se instruem. Trabalham mesmo em obras que se lhes deparam concluídas, quando volvem, morrendo na Terra, ao mundo espiritual. Ainda esta circunstância é de molde a vos ensinar que não deveis temer a morte, pois que todos os dias morreis, como disse um santo. Isto, pelo que concerne aos Espíritos elevados. Pelo que respeita ao grande número de homens que, morrendo, têm que passar longas horas na perturbação, na incerteza de que tantos já vos falaram, esses vão, enquanto dormem, ou a mundos inferiores à Terra, onde os chamam velhas afeições, ou em busca de gozos quiçá mais baixos do que os em que aqui tanto se deleitam. Vão beber doutrinas ainda mais vis, mais ignóbeis, mais funestas do que as que professam entre vós. E o que gera a simpatia na Terra é o fato de sentir-se o homem, ao despertar, ligado pelo coração àqueles com quem acaba de passar oito ou nove horas de ventura ou de prazer. Também as antipatias invencíveis se explicam pelo fato de sentirmos em nosso íntimo que os entes com quem antipatizamos têm uma consciência diversa da nossa. Conhecemo-los sem nunca os termos visto com os olhos. É ainda o que explica a indiferença de muitos homens. Não cuidam de conquistar novos amigos, por saberem que muitos têm que os amam e lhes querem. Numa palavra: o sono influi mais do que supondes na vossa vida. Graças ao sono, os Espíritos encarnados estão sempre em relação com o mundo dos Espíritos. Por isso é que os Espíritos superiores assentem, sem grande repugnância, em encarnar entre vós. Quis Deus que, tendo de estar em contacto com o vício, pudessem eles ir retemperar-se na fonte do bem, a fim de igualmente não falirem, quando se propõem a instruir os outros. O sono é a porta que Deus lhes abriu, para que possam ir ter com seus amigos do céu; é o recreio depois do trabalho, enquanto esperam a grande libertação, a libertação final, que os restituirá ao meio que lhes é próprio. O sonho é a lembrança do que o Espírito viu durante o sono. Notai, porém, que nem sempre sonhais. Que quer isso dizer? Que nem sempre vos lembrais do que vistes, ou de tudo o que haveis visto, enquanto dormíeis. É que não tendes então a alma no pleno desenvolvimento de suas faculdades. Muitas vezes, apenas vos fica a lembrança da perturbação que o vosso Espírito experimenta à sua partida ou no seu regresso, acrescida da que resulta do que fizestes ou do que vos preocupa quando despertos. A não ser assim, como explicaríeis os sonhos absurdos, que tanto os sábios, quanto as mais humildes e simples criaturas têm? Acontece também que os maus Espíritos se aproveitam dos sonhos para atormentar as almas fracas e pusilânimes”.

“Em suma, dentro em pouco vereis vulgarizar-se outra espécie de sonhos. Conquanto tão antiga como a de que vimos falando, vós a desconheceis. Refiro-me aos sonhos de Joana, ao de Jacob, aos dos profetas judeus e aos de alguns adivinhos indianos. São recordações guardadas por almas que se desprendem quase inteiramente do corpo, recordações dessa segunda vida a que ainda há pouco aludíamos.Tratai de distinguir essas duas espécies de sonhos nos de que vos lembrais, do contrário cairíeis em contradições e em erros funestos à vossa fé.”

“Os sonhos são efeito da emancipação da alma, que mais independente se torna pela suspensão da vida ativa e de relação. Daí uma espécie de clarividência indefinida que se alonga até aos mais afastados lugares e até mesmo a outros mundos. Daí também a lembrança que traz à memória acontecimentos da precedente existência ou das existências anteriores. As singulares imagens do que se passa ou se passou em mundos desconhecidos, entremeados de coisas do mundo atual, é que formam esses conjuntos estranhos e confusos, que nenhum sentido ou ligação parecem ter. A incoerência dos sonhos ainda se explica pelas lacunas que apresenta a recordação incompleta que conservamos do que nos apareceu quando sonhávamos. É como se a uma narração se truncassem frases ou trechos ao acaso. Reunidos depois, os fragmentos restantes nenhuma significação racional teriam.”

403. Por que não nos lembramos sempre dos sonhos?

“Em o que chamas sono, só há o repouso do corpo, visto que o Espírito está constantemente em atividade. Recobra, durante o sono, um pouco da sua liberdade e se corresponde com os que lhe são caros, quer neste mundo, quer em outros. Mas, como é pesada e grosseira a matéria que o compõe, o corpo dificilmente conserva as impressões que o Espírito recebeu, porque a este não chegaram por intermédio dos órgãos corporais”.

404. Que se deve pensar das significações atribuídas aos sonhos?

“Os sonhos não são verdadeiros como o entendem os ledores de boa sorte, pois fora absurdo crer-se que sonhar com tal coisa anuncia tal outra. São verdadeiros no sentido de que apresentam imagens que para o Espírito têm realidade, porém que, freqüentemente, nenhuma relação guardam com o que se passa na vida corporal. São também, como atrás dissemos, um pressentimento do futuro, permitido por Deus, ou a visão do que no momento ocorre em outro lugar a que a alma se transporta. Não se contam por muitos os casos de pessoas que em sonho aparecem a seus parentes e amigos, a fim de avisá-los do que a elas está acontecendo? Que são essas aparições senão as almas ou Espíritos de tais pessoas a se comunicarem com entes caros? Quando tendes certeza de que o que vistes realmente se deu, não fica provado que a imaginação nenhuma parte tomou na ocorrência, sobretudo se o que observastes não vos passava pela mente quando em vigília?”

405. Acontece com freqüência verem-se em sonho coisas que parecem um pressentimento, que, afinal, não se confirma. A que se deve atribuir isto?

“Pode suceder que tais pressentimentos venham a confirmar-se apenas para o Espírito. Quer dizer que este viu aquilo que desejava, foi ao seu encontro. É preciso não esquecer que, durante o sono, a alma está mais ou menos sob a influência da matéria e que, por conseguinte, nunca se liberta completamente de suas idéias terrenas, donde resulta que as preocupações do estado de vigília podem dar ao que se vê a aparência do que se deseja, ou do que se teme. A isto é que, em verdade, cabe chamar-se efeito da imaginação. Sempre que uma idéia nos preocupa fortemente, tudo o que vemos se nos mostra ligado a essa idéia.”

406. Quando em sonho vemos pessoas vivas, muito nossas conhecidas, a praticarem atos de que absolutamente não cogitam, não é isso puro efeito de imaginação?

“De que absolutamente não cogitam, dizes. Que sabes a tal respeito? Os Espíritos dessas pessoas vêm visitar o teu, como o teu os vai visitar, sem que saibas sempre o em que eles pensam. Demais, não é raro atribuirdes, de acordo com o que desejais, a pessoas que conheceis, o que se deu ou se está dando em outras existências”.

407. É necessário o sono completo para a emancipação do Espírito?

“Não; basta que os sentidos entrem em torpor para que o Espírito recobre a sua liberdade. Para se emancipar, ele se aproveita de todos os instantes de trégua que o corpo lhe concede. Desde que haja prostração das forças vitais, o Espírito se desprende, tornando-se tanto mais livre, quanto mais fraco for o corpo.”

Assim se explica que imagens idênticas às que vemos, em sonho, vejamos estando apenas meio dormindo, ou em simples modorra ou em estado medidativo.

408. E qual a razão de ouvirmos, algumas vezes em nós mesmos, palavras pronunciadas distintamente e que nenhum nexo têm com o que nos preocupa?

“É fato: ouvis até mesmo frases inteiras, principalmente quando os sentidos começam a entorpecer-se. É, quase sempre, fraco eco do que diz um Espírito que convosco se quer comunicar”.

409. Doutras vezes, num estado que ainda não é bem o do adormecimento, estando com os olhos fechados, vemos imagens distintas, figuras cujas mínimas particularidades percebemos. Que há aí, efeito de visão ou de imaginação?

“Estando entorpecido o corpo, o Espírito trata de desprender-se. Transporta-se e vê. Se já fosse completo o sono, haveria sonho.”

410. Dá-se também que, durante o sono, ou quando nos achamos apenas ligeiramente adormecidos, acodem--nos idéias que nos parecem excelentes e que se nos apagam da memória, apesar dos esforços que façamos para retê-las. Donde vêm essas idéias?

“Provêm da liberdade do Espírito que se emancipa e que, emancipado, goza de suas faculdades com maior amplitude. Também são, freqüentemente, conselhos que outros Espíritos dão”.

a) — De que servem essas idéias e esses conselhos, desde que, pelos esquecer, não os podemos aproveitar?

“Essas idéias, em regra, mais dizem respeito ao mundo dos Espíritos do que ao mundo corpóreo. Pouco importa que comumente o Espírito as esqueça, quando unido ao corpo. Na ocasião oportuna, voltar-lhe-ão como inspiração de momento”.

411. Estando desprendido da matéria e atuando como Espírito sabe o Espírito encarnado qual será a época de sua morte?

“Acontece pressenti-la. Também sucede ter plena consciência dessa época, o que dá lugar a que, em estado de vigília, tenha a intuição do fato. Por isso é que algumas pessoas prevêem com grande exatidão a data em que virão a morrer”.

412. Pode a atividade do Espírito, durante o repouso, ou o sono corporal, fatigar o corpo?

“Pode, pois que o Espírito se acha preso ao corpo qual balão cativo ao poste. Assim como as sacudiduras do balão abalam o poste, a atividade do Espírito reage sobre o corpo e pode fatigá-lo”.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

914-Inicia´-se para a Verdade


Sonhos: os vôos da alma


Aqui também viajamos nas asas do mestre Lèon Denis: O estudo do sono fornece-nos indicações de grande importância sobre a natureza da personalidade. Em geral não se aprofunda muito o mistério do sono. O exame atento desse fenômeno, o estudo da alma e da sua forma fluídica durante a parte da existência que consagramos ao descanso, conduzir-nos-ão a uma compreensão mais alta das condições do ser na vida do Além.

Que é então o sono?

É simplesmente o desprendimento da alma, que sai do corpo. Diz-se: o sono é irmão da morte. Essas palavras exprimem uma verdade profunda. Seqüestrada na carne no estado de vigília, a alma recupera, durante o sono, a sua liberdade relativa, temporária, e ao mesmo tempo o uso dos seus poderes ocultos. A morte será a sua libertação completa enquanto não estiver novamente encarnada.

Já nos sonhos, vemos os sentidos da alma, esses sentidos psíquicos, dos quais os do corpo são a manifestação externa e amortecida, entrar em ação. À medida que as percepções externas se enfraquecem e apagam, quando os olhos estão fechados e suspensa a audição, outros meios mais poderosos despertam nas profundezas do ser. Vemos e ouvimos com os sentidos internos. Imagens, formas, cenas à distância sucedem-se e desenrolam-se; travam-se conversas com pessoas vivas ou falecidas. Esse movimento, muitas vezes incoerente e confuso no sono natural, adquire precisão e aumenta com o desprendimento da alma no sono provocado, no transe de sonambulismo e no êxtase.

Às vezes, a alma afasta-se durante o descanso do corpo e são as impressões das suas viagens os resultados das suas indagações, das suas observações, que se traduzem pelos sonhos. Nesse estado, um laço fluídico ainda a liga ao organismo material e, por esse vínculo sutil, espécie de fio condutor, as impressões e as vontades da alma podem transmitir-se ao cérebro. É pelo mesmo processo que, nas outras formas do sono, a alma governa o seu invólucro terrestre, fiscaliza-o, dirige-o. Essa direção, no estado de vigília, durante a encarnação, exercita-se de dentro para fora; efetuar-se-á em sentido inverso nos diferentes estados de desprendimento. A alma, emancipada, continuará a influenciar o corpo mediante o laço fluídico que continuamente liga um à outra. Desde esse momento, no seu poder psíquico reconstituído, a alma exercerá sobre o organismo carnal uma direção mais eficaz e segura. A marcha dos sonâmbulos à noite, em lugares perigosos e com inteira segurança, é uma demonstração evidente desse fato.

O estudo do sono fornece-nos indicações de grande importância sobre a natureza da personalidade. Em geral não se aprofunda muito o mistério do sono. Já afirmamos que esses estudos conduzir-nos-ão a uma compreensão mais alta das condições do ser na vida do Além.

O sono possui não só propriedades restauradoras que a Ciência não pôs no devido relevo, mas também um poder de coordenação e centralização sobre o organismo material. Pode, além disso, acabamos de o ver, provocar uma ampliação considerável das percepções psíquicas, maior intensidade do raciocínio e da memória.


NOSSAS VISITAS EM SONHO


O sono é um fenômeno físico pelo qual o corpo entra em repouso ficando a alma parcialmente em liberdade. Durante o sono, apenas o corpo descansa, pois o Espírito nunca fica inativo. Quando dormimos, ficamos, temporariamente no estado em que nos acharemos de maneira definitiva após a morte, excetuada apenas a questão dos sinais vitais que na morte são paralisados.

Assim deveríamos ir nos acostumando, desde já, a não temer a morte, visto que morremos todos os dias um pouco até o dia em que este corpo será oficialmente abandonado.

Por meio do sono, entramos em contato mais direto com os Espíritos, através dos sonhos, e é isso precisamente o que faz com que os Espíritos superiores consintam, sem grande repugnância, encarnar entre nós; o sono é a porta aberta para irem ter com os seus amigos celestiais; é o recreio após o trabalho, enquanto aguardam a grande libertação, pelo desencarne, que os restituirá ao meio que lhes é próprio.

Pelos sonhos os Espíritos recobram a noção de sua liberdade, lembrando-se do passado e algumas vezes prevendo o futuro.

O sonho é a lembrança do que o Espírito viu ou fez durante o sono.

O perispírito, laço fluídico que liga o Espírito ao corpo através do sistema nervoso, somente se rompe definitivamente pela morte, isto é, pela extinção absoluta da atividade vital, e assim, enquanto o corpo vive, o Espírito, a qualquer distância que esteja, é instantaneamente chamado à prisão, desde que a sua presença aí se torne necessária.

Sendo pesada e grosseira a matéria de que se constitui o nosso corpo, dificilmente podemos conservar as impressões que o nosso Espírito recebeu durante o sono do corpo, e daí não nos lembrarmos sempre dos sonhos; por vezes, porém, ao despertar, conservamos uma lembrança dessas peregrinações, uma imagem mais ou menos precisa, que constitui o sono, ou ainda, trazemos dessas atividades espirituais, intuições que nos sugerem idéias e pensamentos novos, justificando o provérbio que diz ser a noite boa conselheira.

Quando, porém, é necessário e útil que recordemos certos sonhos, os Espíritos atuam magneticamente sobre nós, tão intensa e deliberadamente que nos possibilitam fazer essas recordações, vencendo a barreira vibratória da matéria.

No estado de emancipação, isto é, quando dormimos, prepondera a vida da alma, podendo então, nesse estado, dar-se o encontro entre pessoas vivas, ou seja, entre encarnados. Aliás, quase todas as noites, durante o sono, nos encontramos com amigos e parentes e com os que conhecemos.

Podemos mesmo, às vezes, provocar pela nossa vontade, esses encontros; porém, muitas vezes acontece que, adormecendo, nosso Espírito desperta com o propósito de não prosseguir na intenção do homem, visto que desprendido da matéria vê as coisas diferentemente, sob outro prisma.

Os sonhos podem ser classificados como: sonhos do subconsciente e sonhos reais. Os sonhos do subconsciente são reproduções de pensamentos, idéias e impressões que afetaram nossa mente na vigília, caracterizando-se pelo seu aspecto confuso, nebuloso e pela incoerência e falta de nitidez. Os sonhos reais são os contatos feitos com pessoas ou coisas do mundo espiritual, em lugares para onde somos atraídos por afinidade, vendo, ouvindo ou sentindo, direta e objetivamente os acontecimentos destas esferas de ação, até mesmo com protagonistas, em verdadeiros desdobramentos ou exteriorizações involuntárias do Espírito. (Mediunidade, 3ª edição, página 68 e 69).

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

913-Iniciar-se para a Verdade


Cadê a verdade?

Para encontrar a Verdade temos de tangenciar o Espírito. Mas, não só. Conforme proposta destes blogs conjugados, nós temos um mapa e não basta abrir uma porta e dizer : “muito prazer, senhora Verdade”. Antes, o procurador – e o procurador é sempre um curioso (ou deveria ser) – precisa entender que a verdade mais antiga (mas não definitiva) está na Consciência. E a Consciência é a Mente do Espírito. Não está escondida, nem fechada, ela se mostra, conversa conosco, faz gestos, dá sinais, mas desespera-se com nossa insensibilidade.

Os outros endereços da nossa verdade estão naquilo que as pessoas pensam de nós. Embora irrelevante, como pensam muitos, a opinião dos nossos vizinhos, de nossos parentes, das pessoas que tratam coisas conosco, é uma poderosa fonte de energia, um canhão laser apontado para nosso sistema energético. Conta também o que nós pensamos deles. Toda a emissão energética vai e rebate, rebate e volta. Claro, você pode pensar: no primeiro caso também os canhões laser apontados pelos outros baterão e voltarão, sim, é verdade. Mas, o conceito não se desfaz. E é no conceito que se consolida o discernimento, o foco, e esse foco acaba sendo verdade, a verdade momentânea. Dá para mudar isso? Dá. Esse é o esforço dos blogs conjugados: contribuir para nossa chegada aos patamares da Nova Era que acelera em condições de melhor fluxo.

Outro endereço da nossa verdade está naquilo que pensamos de nós mesmos. Somos os melhores ou somos os piores, não importa tanto, mas importa, sim, saber se é isso é verdade, porque se penso que sou o pior e isso é mentira, tem um preço. Se penso que sou o melhor e isso é mentira, tem outro preço. Se, sim, penso que não sou tão bom, mas quero melhorar e dirijo meus esforços para este objetivo, faz toda a diferença.

Se o que os outros pensam de mim não é o real, causará um descompasso em minha vida e eu, só eu tenho o poder de mudar isso.

Em casos extremos – e já abordamos algo parecido anteriormente – surgem para nós perturbações capazes de chamar muita atenção por conta de seus efeitos. São rebeliões provocadas pelo Espírito para dizer “eu não estou brincando, quero dirigir o destino desta vida que me pertence”.

E pensar que ainda tem gente que consegue confundir tudo e imaginar que tais perturbações têm origem numa entidade separada, imiscuída, intrometida, invasora, rival!!! (Às vezes, sim, são obsessores, mas esses podem ser afastados mais facilmente do que solucionar-se o outro descompasso).

Uma interessante abordagem a este respeito pode ser encontrada em “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, em que Lèon Denis explica:

No seu conjunto, esses fenômenos demonstram que além do nível da consciência normal, fora da personalidade comum, existem em nós planos de consciência, camadas ou zonas dispostas de tal maneira que, em certas condições, se podem observar alternâncias nesses planos. Vê-se então emergirem e manifestarem-se, durante um certo tempo, atributos, faculdades que pertencem à consciência profunda, mas que não tardam a desaparecer para volverem ao seu lugar e tornarem a mergulhar na sombra e na inação.

O nosso “eu” ordinário, superficial, limitado pelo organismo, não parece ser mais do que um fragmento do nosso “eu” profundo. Neste está registrado um mundo inteiro de fatos, de conhecimentos, de recordações referentes ao longo do passado da alma, compromissos assumidos, metas determinadas, missões recebidas. Durante a vida normal, todas essas reservas permanecem latentes, como que sepultadas por baixo do invólucro material; reaparecem no estado de sonambulismo. O apelo da vontade e a sugestão as mobilizam e elas entram em ação e produzem os estranhos fenômenos que a psicologia oficial comprova sem poder explicá-los.

Todos os casos de desdobramento da personalidade, todos os fenômenos de clarividência, telepatia, premonição, bilocação, aparecimento de sentidos novos e de faculdades desconhecidas, todo esse conjunto de fatos, cujo número aumenta e constitui já um grandíssimo amálgama, deve ser atribuído à intervenção das forças e recursos da personalidade oculta.

O estado de sonambulismo, em que é mais comum a sua manifestação, não é um estado “regressivo” ou mórbido, como o julgaram certos observadores; é, antes, um estado superior e, segundo a expressão de Myers, “evolutivo”. (Denis trabalha incansavelmente os conteúdos do pioneiro da psicologia, porém não famoso como Freud, Frederic William Henry Myers, contemporâneo seu). É verdade que o estado de degenerescência e enfraquecimento orgânico facilita, em alguns pacientes, o afloramento das camadas profundas do “eu”, o que é designado pelo nome de histeria. Tudo o que, de um modo geral, deprime o corpo físico, convém notar, favorece o desprendimento, a saída do Espírito. A esse respeito, muitos testemunhos nos seriam fornecidos pela lucidez dos moribundos; mas, para avaliar somente esses fatos, é mister considerá-los principalmente sob o ponto de vista psicológico. Aí está toda a sua importância.

A ciência materialista viu nesses fenômenos o que ela chama “desintegrações”, isto é, alterações e dissociações da personalidade. Os diversos estados da consciência aparecem algumas vezes tão distintos e os tipos que surgem são de tal modo diferentes do tipo normal, que têm levado a crer que se está em presença de várias consciências autônomas, em alternação no mesmo paciente.

Acreditamos, com Myers, que nada disso sucede. Há aí simplesmente uma variedade de estados sucessivos coincidindo com a permanência do “eu”. A consciência é uma, mas se manifesta de diversos modos: de maneira restrita, na vida normal, enquanto está limitada ao campo do organismo; mais completa, mais extensa em estados de desprendimento e, finalmente, de maneira cabal, perfeita, na ocasião da morte, depois da separação definitiva, como o demonstram as manifestações e os ensinamentos dos Espíritos.

A desagregação é, pois, apenas aparente. A única diferença entre os estados variados de consciência é uma diferença de graus. Esses graus podem ser numerosos. O espaço que, por exemplo, medeia entre o estado de prisão ao corpo e a exteriorização completa parece considerável. A personalidade não deixa, por isso, de permanecer idêntica através da concatenação dos fatos da consciência, que um laço contínuo liga entre si, desde as modificações mais simples do estado normal até os casos que comportam transformação da inteligência e do caráter; desde a simples idéia fixa e os sonhos até a projeção da personalidade no mundo espiritual, nesse Além onde a alma recupera a plenitude das suas percepções e dos seus poderes.

Já no decurso da existência terrestre, da infância à velhice, vemos o “eu” modificar-se incessantemente; a alma atravessa uma série de estados, anda em mudança contínua. Não obstante, no meio dessas diversas fases, é invariável a fiscalização que exerce sobre o organismo. A Fisiologia salientou a sábia e harmoniosa coordenação de todas as partes do ser, as leis da vida orgânica e do mecanismo nervoso, que não podem ser explicadas sem a presença de uma unidade central. Essa unidade soberana é a origem e a causa conservadora da vida; relaciona-lhe todos os elementos, todos os aspectos. Foi por uma conseqüência não menos perniciosa das teorias materialistas que os “psicólogos” da escola oficial chegaram a considerar o gênio como uma neurose, quando ele pode ser a utilização, em maior escala, dos poderes psíquicos ocultos no homem.

Myers, falando da categoria dos histéricos que conduzem o mundo, emite a opinião de que “a inspiração do gênio não seria mais do que a emergência, no domínio das idéias conscientes, de outras idéias em cuja elaboração a consciência não tomou parte, mas que se têm formado isoladamente, por assim dizer, independentemente da vontade, nas regiões profundas do ser”.

Em geral, aqueles que tão levianamente são qualificados como “degenerados” são muitas vezes “progenerados”, e nestes sensitivos, histéricos ou neuróticos, as perturbações do organismo físico e as alterações nervosas muito caracterizadas em certas inteligências geniais, como em outro lugar vimos (No Invisível, último capítulo), podem realmente ser um processo de evolução pelo qual toda a humanidade terá de passar para chegar a um grau mais intenso da vida planetária.

O desenvolvimento do organismo humano até à sua expansão completa é sempre acompanhado de perturbações, do mesmo modo que o aparecimento de cada novo ser na Terra é delas precedido. Em nossos esforços dolorosos para maior soma de vida, os valores mórbidos transmutam-se em forças morais. As nossas necessidades são instintos em fusão, que se concretizam em novos sentidos para adquirir mais poder e conhecimento.

Mesmo no estado comum, no estado de vigília, emergências, impulsos do “eu” profundo podem remontar até às camadas exteriores da personalidade, trazendo intuições, percepções, lampejos bruscos sobre o passado, presente e futuro do ser, os quais denotam faculdades muito extensas, que não pertencem ao “eu” normal. Cumpre relacionar com essa ordem de fenômenos a maior parte dos casos de escrita automática. Dizemos a maior parte, porque sabemos de outros que têm como causa agentes externos e invisíveis. Há em nós uma espécie de reservatório de águas subterrâneas, donde, em certas horas, rompe e sobe à superfície como uma corrente rápida e em ebulição. Os profetas, os mártires de todas as religiões, os missionários, os inspirados, os entusiastas de todos os gêneros e de todas as escolas conheceram esses impulsos surdos e poderosos, e nos têm brindado com as maiores obras que hão revelado aos homens a existência de um mundo superior.

No próximo capítulo falaremos dos sonhos.

domingo, 11 de novembro de 2012

912-Iniciar-se para a Verdade


A busca da Verdade

Quantas vezes você já ouviu a frase “conhece a verdade e ela te libertará”? Não foi um nem dois autores desta ótima sentença. O problema está em que só os iniciados têm a ocasião de descobrir qual é a verdade que se deve procurar. Os grandes filósofos do passado sugeriam a descoberta de Deus. Deus não pode ser descoberto pela mente humana. Seria mal comparar trazer um índio do sertão brasileiro para dentro de um avião a jato e dizer-lhe “voa!!!”

Na mente do índio não cabe o avião – que ele nunca viu, talvez o ouviu cruzando os céus –, mas, muito intrigado pode ter imaginado ser um deus mandando algum recado. Imagina o índio fazendo a parafernália acionar-se e sair do chão...

Assim, a mente humana não tem como imaginar Deus e muito menor entender como funciona a sua engenharia.

Mas, os afoitos gostariam de possuir o poder de concorrer com Deus e até conseguem de maneira paupérrima.

A verdade que o iniciado é chamado a buscar é a sua.

Certamente, não caímos da caçamba e não estamos aqui por acaso. A junção do espermatozóide com o óvulo que deu causa ao nosso corpo físico não foi um ato casual, nem é casual a mamãe e o papai e os nossos irmãos; eles não foram achados nalgum depósito de seres disponíveis para estarem conosco nesta jornada; e por aí vamos anotando o que mais tenha ocorrido: a formação escolhida, a profissão, o cônjuge, os filhos e até a cidade escolhida para morar...

Essa verdade é a única que roça a nossa face, ameaça aparecer atrás do véu, cobra nosso discernimento e pede passagem como as águas de uma vertente que busca o rio e do rio que busca o oceano.

Trabalhar estes conteúdos, perguntar-nos o por quê de todas as coisas, as conquistas, os solavancos, as pessoas que cruzam o caminho, os sustos, os prêmios, uma extraordinária combinação de “ss”, “rr” e “ff” para serem decifrados, entendidos, sabidos, incorporados, como parte do quebra-cabeça que é a vida é, por certo, a verdade maior a ser procurada.

Do mesmo modo que a ciência passou a entender o corpo humano quando chegou à minúscula célula e agora já está além do átomo, nós também entenderemos a vida quando encontrarmos a nossa verdade íntima.

Queres procurá-la? Amanhã tem mais.

sábado, 10 de novembro de 2012

911-Iniciar-se para a Verdade


Como se comporta um Iniciado

Nós somos seres de luz, divinos por excelência, cuja vibração deve estar nivelada com aqueles com quem convivemos para que: (a) não nos transformemos em vampiros sugadores da energia alheia, uma energia que nem sabemos o que é e o que fazer com ela, e que, no geral, pode ser a causa principal de nossos desajustes, doenças, sofrimentos e, nem (b) não nos transformemos em doadores inconscientes da energia que nos faltará para o dia-a-dia.

Temos aí, então, dois tipos de “profanos”: aquele que bebe a energia dos outros e fica de porre, sem nunca sair da ressaca e aquele que se deixa beber e padece de anemia vital. Sofrem os dois, achando que se consolam mutuamente, uns sugando e outros se deixando sugar deliberadamente ou não. Os dois precisam se tratar.

Quando usamos a expressão “profano” queremos que você entenda como coisa extra conhecimento espiritual, distante do sagrado, onde vibra apenas o bem, a beleza e a verdade. A coisa profana é uma manifestação que pode ser tratada se houver um bom encaminhamento. As casas espíritas sérias e comprometidas com a libertação das almas prisioneiras da ignorância, sabem cuidar disso.

A verdadeira cura passa por uma iniciação bem conduzida.

Nestes caminhares “profanos” não orientados, basta adicionar pensamentos impuros, bebida alcoólica, tabaco ou qualquer outra dependência química ou psíquica, como o jogo, a luxúria, a avareza, a vaidade, a gula e já estamos dentro dos identificáveis quadros obsessivos. É aqui que se enquadra novamente o exemplo dado com o Apóstolo Paulo, que “morreu” como verdugo dos cristãos e “renasceu” como apóstolo cristão. Todo o iniciado que morre para o estado velho renasce para o estado novo. Embora possa causar espanto (por puro preconceito), ao vermos nele o velho que se renovou, na verdade é o velho que morreu e já foi. Este é o novo. E se o iniciado quiser e persistir, sempre será outro, pois o velho, de fato, morreu. E ele renascerá novamente outras vezes sempre que o estágio velho se tornar ultrapassado. Isso tem nome: evolução. E aos nossos olhos ele tem de ser visto como o novo, apenas, sempre. Só é velho, inadequado, atravessado, aquele que não quer renovar-se.

Ao morrer o velho, na verdade, ele não morre de per si, ele é matado. Durante o processo iniciático ele é sufocado, minguado, exaurido e acaba por entregar-se à morte durante o ritual de iniciação – nesse caso, os ritos de passagem – que é quando, efetivamente, dá-se o nascimento do novo ser, ao menos para entidades que lidam com iniciações.

Feita a travessia, galgado o novo patamar, cabe ao iniciado, sempre e mais ainda nos primeiros tempos de seu mister sagrado, cuidar-se extremamente para não recair. Oração, contemplação, meditação, higiene mental, alimentos adequados a uma dieta não sobrecarregada de impurezas para a sua naturalidade biológica, irão melhorando constantemente o quadro energético e fortalecendo as blindagens contra vampiros encarnados e desencarnados.

Um iniciado tem de ser autônomo quanto a receber ou não receber imantação energética externa, isto é, ele só permitirá a interação com outras energias quando ele quiser. E assim fazendo, ele filtrará e só permitirá a interação em ambiente templário, com segurança mediúnica.

Outro ponto fundamental é o iniciado cuidar-se quando à sua condição de ministro de qualquer sacerdócio. Num ponto, ele não deve vangloriar-se de sua posição, porque ela sempre é transitória. Cessada a necessidade de sua dedicação nesta tarefa, ele poderá ser retirado do processo, queira ou não queira sair dele. Virá nova tarefa, é certo. Outro ponto, ele não deve sentir inveja de outro iniciado que esteja em melhor posição. A posição ocupada por A nunca será de B. Quem determina não está entre nós encarnados, isso corre por fora da vontade puramente humana.

A inveja é prima irmã da traição e é a flor venenosa que mais abunda entre os pântanos das escolas espiritualistas do mundo. A inveja costuma disfarçar-se com toga do juiz.

Devemos cultivar a sinceridade porque as flores mais belas do espírito germinam na substância da sinceridade e da humildade. Todas estas qualidades dar-nos-ão uma rica vida interior; assim preparamo-nos internamente para as grandes disciplinas que conduzirão nossa mente ao DISCERNIMENTO, onde flamejam as chamas abrasadoras do Universo, por outorga de Deus.

Capte bem, estas lições, prezado leitor. Isso será decisivo na sua caminhada como iniciado de um Novo Tempo. Isto é, depois de ter nascido para uma nova realidade e após uma passagem bem feita.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

910-Iniciar-se para a Verdade



Como se dá a Iniciação

Ainda que ao leitor lhe pareça extraordinário, às vezes está mais perto da Iniciação aquele a quem todos apontam com o dedo e acusam, do que aquele santarrão que sorri doce e candidamente diante do auditório de um templo ou casa espírita. Paulo de Tarso foi um verdugo e possivelmente autor de execuções antes do acontecimento que lhe sobreveio no Caminho para Damasco, quando a figura de Cristo se lhe apareceu cobrando razões para sua truculência contra os cristãos. A instantânea transformação desse homem surpreendeu aos santos de Jerusalém. O malvado converteu-se em profeta... Este é o Mistério do Escolhido para exemplificar uma iniciação.

Um longo período de turbulências emocionais, perturbações mentais, dores inexplicáveis, depressões causais, transtornos obsessivos, profissões que não dão certo, casamentos que se arrastam ou se desfazem, doenças renitentes, insatisfações psíquicas ou sexuais, comportamento inadequado e muito mais coisas não conhecidas e não pesquisadas aqui, podem ser sinais do chamado que não quer calar. Lembremos que Paulo foi derrubado do cavalo e estava sob intensa dor quando percebeu a doçura do terapeuta que surgira em espírito. Fora dessa circunstância Paulo não veria um santo; mais provavelmente visse um obsessor.

Todos os grandes médiuns e xamãs passam por períodos de provação. Se fracassam, sucumbem levados pelo minguar de seus estados vitais e abandonam seus corpos para fazer o retorno à Pátria Espiritual a caminho da reciclagem. Se fazem a travessia, assumem seu mister sacerdotal no que de mais sagrado possa existir o fazer de alguém perante uma comunidade. O tamanho da messe não conta. Pode ser a dedicação a uma criança abandonada, a uma creche, a um sanatório, um mandato à frente de uma instituição ou coisa ainda maior.

Obama, reeleito presidente da nação mais influente do planeta recebe a segunda chance de transformar o mundo sob sua influência. O mandatário chinês, recém conduzido ao posto tem uma missão pela frente. O planeta está sob os botões dos seus comandos e suas almas postas à prova.

Há, no entanto, as situações de menor intensidade, que não deixam de ter as mesmas conotações com que as que se revelam aos grandes médiuns, xamãs e líderes. Milhões de reencarnações vêm marcadas para o ofício do voluntariado: precisam doar-se, iluminar, servir. Não importa se eleitos por milhões de votos ou levados ao cargo por necessidade imperiosa bilateral: precisamos deles e eles precisam mostrar que podem atender. Enquanto o mister sagrado não se revela, haja perturbações, dores, doenças, sofrimentos, descaminhos, chamados, provocações. Paulo de Tarso já foi citado como exemplo, mas um muito bom exemplo.

Será que você já não foi chamado? Terá decodificado isto?

Podemos anotar com maior grau de acerto do que de erro, que a imensa maioria do voluntariado que conhecemos em muitas casas de serviços gratuitos ou não e de outras instituições similares, é formada por Escolhidos, pessoas trazidas de seus infernos vibratórios aonde muita coisa estava atravessada e que, em plena luz proporcionada pelo transtorno recebido, tiveram a iluminação, o insight, a queda da ficha, que resultou na sua continuidade já não mais como paciente, mas como alguém que embora ainda se faça ou se julgue necessitado de ajuda, não mais só quer receber, antes quer dar, completamente integrado no mister sagrado de ajudar. E, ao ajudar, liberta-se da síndrome do pedir.

Essa é uma situação que se aplica ao matrimônio, à paternidade/ maternidade, ao trabalho profissional e a muitas outras: quantas pessoas nós conhecemos que são carentes, sugam, se apropriam daquilo que o universo proporciona e são incapazes de produzir algo que possam rotular como sua obra, sua oferta, sua dádiva a este mesmo universo.

A iniciação tem início no insight, passa pelo calvário de uma preparação que não é curta, tudo à conta de um ritual de iniciação, ocasião em que o “profano”, “impuro”, “desajustado” beatifica-se, benze-se, purifica-se, ajusta-se, é sagrado e se levanta da tumba da morte (figuradamente) para uma vida de grandes compensações físicas, emocionais, psíquicas, espirituais.

Esta é a iniciação de primeiro grau. Outras virão para mudar de freqüência e subir de posto. Aqui também os chamados são tantos que ou o candidato foge e se esconde para renunciar a tudo ou faz a travessia e cruza mais esta linha na outra extremidade, sempre a caminho do cumprimento de sua missão maior. E de evolução.

Em geral as iniciações são dolorosas. Não há vitória sem esforço. Mas, a dor do período iniciático é sempre menor que a dor do período do chamado. Para o discípulo que se encaminha com determinação, o período iniciático nada mais é que um treino, uma preparação, um adestramento, como de fato, é, mas não só. A iniciação deve conter uma iluminação, uma revelação, o erguer de um véu. A partir daquele instante é que a morte do velho se faz verdade para dar nascimento ao novo ser. O comportamento do novo denota o seu novo estágio. Esse é o tema do próximo capítulo.