sexta-feira, 31 de maio de 2013

1082-Lições de vida e morte


 A mochila não entra

Você saberia trazer espiritualidade para sua existência?

Conheça a história de outro alguém cujo desfecho pode ajudar. Isto aqui é uma metáfora, uma lenda, um causo.

Era uma vez uma pessoa, com nome, endereço e cpf. Lidava com as coisas e pessoas de sua vida de um modo especial, como será narrado.

Tudo quanto saísse errado, tinha de ter um culpado externo. Algumas vezes eram seus pais, noutras seus irmãos, noutras mais o prefeito, o governador, o vizinho, enfim, alguém.

Tudo quanto fizesse de errado, precisava ser escondido, jogado pra baixo do tapete, guardado num cantinho escuro da consciência.

No início, só algumas coisas eram guardadas. Depois, muitas coisas. É sempre assim, o primeiro erro puxa o segundo, puxa o terceiro...

O depósito foi ficando cheio, inchado, transbordante...

Chegou um tempo em que o nosso personagem precisava inventar uma mentira para encobrir outra, arranjar um novo esconderijo para esconder um novo erro.

Como fantasmas, seus erros se agigantavam em seu íntimo. E ocupavam quase todas as suas energias. Se quiser, pode comparar com alguém que carrega uma enorme mochila às costas, sem nenhum conteúdo útil.

Por conta de se ocupar excessivamente com seus monstros íntimos, o nosso personagem já não sonhava com nenhuma coisa boa, não tinha tempo para imaginar coisas novas e boas. Brigava, todos os dias, com seus monstros, obrigando-os a permanecerem engavetados, encaixotados, arquivados, escondidos. Mas, eles saíam da clausura.

Tinha dias que os monstros brigavam entre si, cada qual querendo ocupar maior espaço na mente do nosso personagem.

Por conta desse turbilhão de inquietações, vinham também as correrias. E nosso personagem começou a faltar com suas obrigações, esquecer seus compromissos, sofrer pequenos acidentes, até que, um dia, foi além: teve uma enorme discussão com seu cônjuge, perdeu a cabeça, meteu a faca no peito do cônjuge, matou-o. E mais uma vez não assumiu seu erro: fugiu de casa, escondeu-se da polícia.

Veja, agora, já não eram apenas os seus monstros que estavam escondidos. O próprio personagem também já se escondia.

Mas, foi localizado, recebeu voz de prisão, não se entregou, tentou fugir mais uma vez e foi atingido pelas balas dos policiais. Morreu.

Dizem que chegou lá aonde chegam as almas que perdem o corpo e foi recebido como alguém que tem muitas sombras dentro de si. “A mochila não entra”, disse o porteiro. Como estava acostumado a arranjar desculpas, tentou explicar quem eram os culpados por toda aquela enorme ficha. Argumentou, inventou lorotas, mas nada adiantou.

O encarregado da entrada das almas merecedoras de honra, explicou que para ser alguém nós temos de deixar de ser Ninguém.

“Mas, eu não sou Ninguém, eu tenho uma identidade, endereço cpf!!!”

A o que o porteiro retrucou. “Isso não prova nada. Você não foi você, você preferiu ser as fantasias que você mesmo criou, por isso você é sua mochila. E aqui mochila não entra!!!”

Como você acha que esta história acaba?

quinta-feira, 30 de maio de 2013

1081-Lições de vida e morte


Entre o amor e o labor

Veja, leitor, como são as coisas numa sociedade materializada, apressada, apavorada, desorientada, levada à competição que tira a oportunidade de muitos e privilegia a poucos. Entramos numa rota de exclusão em que o capital explora o trabalho, explora o conhecimento e os recursos naturais, num quadro agravado pela ação dos poderes constituídos ao permitirem diferenças de remuneração com mais de 100 vezes entre o menor e o maior ganho. Mas não acabam aqui as consequências da materialidade, da pressa, do pavor, da desorientação e da competição: a ausência de espiritualidade leva os abastados ao consumo da droga que, por sua vez financia o tráfico, chama o concurso de menores que são explorados (adultos também), sacrificados, vítimas da delinquência e, assim, excluídos do mercado, jamais voltarão à escola e a qualquer profissão. A sociedade não lhes dá essas chances. A responsabilidade social em nenhum momento é levada a sério.

Pequena parcela das pessoas encontra o significado da vida através do estudo, da iluminação ou da criatividade e mesmo assim, em geral, à margem da dimensão sagrada. O efeito são as levas de intelectuais alcançados pela frustração e não raro vítimas de dependências as mais diversas, desde a bebida, os “tarjas pretas” até os pós mágicos.

As polícias estaduais e municipais são chamadas a atender o contrabando, inclusive de armas, os assaltos a bancos, o tráfico de drogas, de mulheres e crianças, veja, todos crimes da esfera policial federal. E a União pousa de boa menina acenando com convênios cujos valores financeiros nunca chegam integrais à ponta do problema. Por isso não existem clínicas oficiais para recuperação de viciados.

Felizmente, iremos encontrar uma minoria (espírita, por sinal) que acrescentam às suas vidas o labor dativo em favor dos necessitados, excluídos, sofridos, descaminhados, como alternativa de transformação do mundo...  Outras, descobrem-no nos momentos de crises dolorosas, ou quando são obrigadas a contemplar a morte de frente, seja por uma doença ameaçadora, seja porque perderam seres amados ou situações “confortáveis” ou porque qualquer infortúnio bateu-lhes à porta.

Muitas pessoas que se encontram no limite entre a vida e a morte e chegam muito perto desta última, descobrem que também estiveram no limiar de uma nova vida. É como se a experiência tivesse o sabor de aviso, descoberta, oportunidade...

Ao olharem diretamente no “olho do monstro”, frente a frente com a morte, se entregam a ela completa e plenamente, como naquela tática guerrilheira de que se não podemos derrotar o inimigo, nos aliamos a ele. E o resultado é fantástico. A vida, que estava voltada para a morte, vira as costas para ela e se transforma em vida real. O candidato a morrer se candidata a viver ao aprender a lição fundamental.

Infeliz ou felizmente (quem pode saber?), existem pessoas que são obrigadas a decidir nas trevas do desespero o que querem fazer com suas vidas ou com o pouco de vida que parece terem. Essas lições, evidentemente, não são agradáveis, mas todos os que aprendem com elas descobrem que elas enriqueceram suas vidas no que a vida tem de essencial.

São muitas as lições que a vida e a morte sabem ensinar. É pena que nesse trem progressivo, que é a vida, a maioria embarca e fecha as sanefas acreditando que a felicidade e a recompensa estão na estação final. A felicidade, porém, precisamos buscar enquanto viajando pelo corpo. Essa é, exclusivamente, a viagem. Sobre o destino terminal temos poucas informações, mas já se sabe que a balela do céu e do inferno já foi esclarecida.

Sobram as várias lições do medo, da culpa, da raiva, da mágoa, do perdão, da entrega, do tempo, da paciência, do amor, dos relacionamentos, do divertimento, da gratidão, da perda, do poder, da autenticidade, da caridade, da tragédia e, se possível, a da felicidade.

Quem não tenha experimentado na carne, na mente ou na alma, quase todas essas lições, não pode dizer que viveu. Os espíritos não nascem prontos e acabados, desenvolvem-se, necessitam aprender a lidar profundamente com todas as nuances pelas quais uma alma está sujeita, como provas a serem superadas. Antes de concluir o aprendizado tendem a correr para o colo da mãe ou do pai para pedir socorro. Formados, se candidatam a serem pais e mães daqueles que vêm depois. E assim novas gerações vão se sucedendo à margem da espiritualidade.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

1080-Lições de vida e morte


Entre a dor e o pavor

Sem desprezar ninguém, mas tendo muita certeza do que afirmo, a comunidade mais identificada com o caminho do amor e do labor é, em sua maioria, hoje, a dos espíritas ativos, que se doam em salas, ambulatórios, escolas, hospitais, presídios, creches e entidades associativas e filantrópicas e até em salas de aula nessa sociedade tresloucada onde estamos inseridos e chamados a transformá-la. Justamente por não conhecer o caminho do amor e do labor essa pobre (de espírito) sociedade, se vê obrigada a ir buscar as lições da dor e do pavor que a vida e a morte sabem ensinar.

No geral, todos nós, bem lá no fundo, conhecemos nosso potencial, conhecemos quem podemos vir a ser e somos capazes de sentir quando estamos nos tornando a pessoa que somos. Vale para os dois extremos, o do crescimento no rumo do bem e também quando estamos escorregando ladeira abaixo, querendo ou não. É impossível não perceber a derrocada. No olho do furacão, parece improvável interrompê-la, mas impossível não percebê-la. Aqui entra o pedido de ajuda.

Por que tão pouca gente pede ajuda antes da dor e do pavor?

Uma das respostas é porque não existem casas de ajuda em cada esquina, farmácias e bares sim, pontos de drogas, sim. Entre as respostas também está o fato de as casas de ajuda alinhadas com a doutrina espírita serem vítimas de preconceito. Os detratores nunca perderam tempo para jogar o espiritismo puro na vala comum das coisas horrorosas que se praticam em nome do espiritismo. A outra e final resposta é porque o materialismo exacerbado hóspede da mente da população conceitua que nossos males vêm de fora e tem de ser o agente de fora o seu curador. Os centros médicos ficam lotados de gente desequilibrada buscando equilíbrio nos remédios, enquanto as verdadeiras causas do escorregão ladeira abaixo permanecem ativas: a falta de responsabilidade para com o corpo, a mente e a alma.

Iludidas pela algaravia da multidão que seguem, essas pessoas não buscam respostas para o projeto de anjo que somos, busca, antes, ter em mãos a passagem para ser feliz, como se a felicidade pudesse ser um endereço. E assim são elas levadas a aprender as lições da vida e também, por vezes, as lições da morte, através da dor e do pavor. Sofredores com medo e culpa, remorso e indignidade de seus atos, possuídos pela baixa estima, vão antes em busca do álcool e imediatamente das drogas e acabam doentes (dor), sofridos (perseguidos por obsessores) e apavorados (pelos efeitos da drogadição). E o pior: têm a tendência doentia de esperar, adiar, negar, esconder, mesmo percebendo que deslizaram ladeira abaixo.

Mesmo sem deslizar pela ladeira, todos nós não somos programados para entender os significados dos primeiros tropeços. Costumamos toma-los por azar, coincidência, casualidade e, na verdade, eles deveriam ser tomados por avisos, alertas, sirenes em disparada, botão de pânico ligado. As perdas e o tempo nada significam enquanto marchamos atrás do pelotão da ilusão. Nunca investimos uma hora, um dia, para descobrir quem somos e como podemos ser verdadeiramente felizes. Primeiro vamos atrás das realizações que o dinheiro compra e então até crimes podemos praticar em busca do dinheiro. Estúpidos, buscamos a felicidade alicerçada na mentira, no engodo, na traição e na delinquência. Às vezes procuramos a felicidade nas pessoas que amamos ou pensamos amar e, na maioria das vezes, é o dinheiro o autor da negaça e da solidão. O status que ele poderia oferecer ou o emprego “perfeito” que o mercado poderia oferecer, acabam em frustração. Frustração que uma mente despreparada para Deus, não sabe suportar.

Só raramente buscamos a felicidade em Deus. Quando o fazemos é porque nossos dias estão por acabar e, assaltados pelo pavor, saímos em busca de um salvador. De um externo salvador. Infelizmente, as maiorias são reféns da dor, do sofrimento e do pavor.

Quando seguimos trilhas falsas como se fosse aquilo que buscávamos mais essencialmente, o resultado é inevitável: acabamos nos sentindo vazios, acreditando que a vida encerra muito pouco significado, ou até mesmo nenhum, e que o amor e a felicidade não passam de ilusões. Ilusória não é a felicidade e o amor, mas aquilo que inventamos para substituí-los.

terça-feira, 28 de maio de 2013

1079-Lições de vida e morte


Os quatro compromissos

Nesta série, parece oportuno iniciar com uma referência à doutrina de Dom Miguel Ruiz, como relata um livro seu, com este título. Compromisso é um ato de fé e de caráter pelo qual se resgata a liberdade plena e a felicidade, segundo Ruiz. Comprometer-se com alguém ou com algo, é não trair. Voltaremos a falar em traição mais adiante.

Ruiz explica os quatro compromissos, que são indissociáveis ao que revoluciona o ser:

1.  Seja impecável com sua palavra – se julgares que teu único poder seja aquilo em que acredita, fuja de mexericos e comentários negativos. Nós só podemos responder por aquilo que acreditamos e naquilo que temos liberdade de mudar e fazer.

2.  Não leve nada para o lado pessoal quando falamos de alguém, na realidade, falamos de nós mesmos. Não absorva insultos e não se deixe levar por adulações. Aprenda a se tornar imune das opiniões alheias. Seja você mesmo.

3.  Não tire conclusões, não julgue – atente-se apenas à realidade imediata e concreta. Procure ser sempre claro e transparente e exija por seu exemplo que os outros também o sejam, ignorando o que há de nebuloso, duvidoso ou mal explicado ou mal enviado.

4.  Sempre dê o melhor de si – em todas as circunstâncias, mesmo nas situações mais simples e insignificantes, faça o melhor. Nem mais, nem menos. Não aceite sacrifícios ou esforços extenuantes, faça o que puder, mas sempre da melhor maneira possível e, se possível, sempre sem querer nada em troca.


Aí está, segundo Dom Ruiz um pequeno código para a liberdade e a felicidade.

Em Lições de Vida e Morte, seguiremos nos referindo ao que contém a dor, o pavor, o labor e o amor, compromissos nossos com a vida. Continue lendo.   

segunda-feira, 27 de maio de 2013

1078-Sinais dos tempos (final)


Reconheça os índigos e cristais

Já há alguma literatura sobre as crianças (já há entre os que chegaram alguns adolescentes e adultos) índigos e cristais. Elas estão nascendo entre nós, são nossos filhos, sobrinhos, netos, filhos e netos de amigos nossos. Não há um pai, uma mãe ou avós que não percebam estarem lidando com alguém muito especial.

Anote aí, leitor:

Índigos – (aura violácea) eles são, por excelência, indisciplinados (para a ordem de coisas tradicionais nossas) ou, se preferirmos um termo mais aberto, subversivos. Vieram para subverter, contestar, protestar, ultrapassar as coisas velhas às quais dos apegamos. Um exemplo gritante está dentro das escolas. Os índigos pegam no sono durante as aulas ministradas pelos professores atuais e quando acordam ficam jogando bolinhas de papel, anotando coisas nos cadernos estranhas ao tema de aula, já que os celulares e tablets são proibidos em sala. Existem estudos sobre eles em várias línguas ao redor do mundo classificando-os em quatro padrões: os humanistas, que ajudam sempre e sempre lutarão contra o materialismo arraigado nas civilizações; os artistas, que têm grande pendor e dom para as artes de forma precoce; os conceituais, que surpreendem a todos por suas posições quanto à filosofia, à política, à economia, às religiões; os interdimensionais ou transdimensionais, que esbanjam mediunidade, transitam entre os dois mundos com muita naturalidade. Um ícone entre esses novos especiais habitantes da Terra conhecidos atualmente é Akiane Kramarik, nascida em Illinois, EUA, em 1994, que aos oito anos de idade já se tornava famosa como artista plástica e poetisa.Traz em sua biologia algo estranho para muitas sociedades: entre os seus ancestrais estão poloneses, húngaros, eslovacos, russos, boêmios, chineses, franceses, dinamarqueses, judeus e germãnicos, como se sua biologia viesse avisar de que a separatividade entre os povos está sendo sepultada. Ela não frequenta escolas, sendo ensinada em casa por professores particulares porque as escolas se negavam mantê-la em sala.

Cristais – (aura com o brilho dos cristais), nome que também lembra Cristo e sua característica de vanguarda, liderança, carisma, encantamento. Crescerão e assumirão seus lugares na Universidade, nas religiões, nos partidos políticos, na medicina, onde houver um espaço, dispostos a semear ideias e modos para germinarem em transformação. Outro ícone é o indiano Akrit Jaswal, que aos sete anos fez a sua primeira cirurgia e aos doze dava aulas na Universidade de sua cidade, Himachal Pradesh, revolucionando o meio médico do Oriente. Hoje está em Harward. E também te, a título de exemplo, o caso de Alexander Chen, na China, um gênio do piano aos cinco anos de idade, sem ter recebido nenhuma aula para isso.

Eles são assim, vêm prontos. Akiane começou a desenhar aos quatro anos de idade, pinta desde os seis e compõe poesias desde os seus sete anos. Seu primeiro auto-retrato foi vendido por dez mil dólares. Como ela mesma diz, sua arte é inspirada nas visões do céu, bem como em suas ligações com o que a religião de seus pais (luteranos) chama de o Criador.

Utilizamos o exemplo de Akiane, Akrit e Alexander como amostras do que vem por aí.

De um modo geral, as crianças médiuns passam a primeira infância conversando com os espíritos. Os pais acham que falam sozinhas ao brincar, o que também acontece, mas, no geral, a conversa é transdimensional. Não quer dizer que os talentos tomados como exemplos aqui sejam de inspiração mediúnica. Podemos estar lidando com reencarnações até de outras galáxias.

As crianças são seres tão próximos de Deus que não é de admirar que algumas delas sejam dadas como dotadas para terem visões e sinais dos céus. Afinal, Nossa Senhora se fez ver em Fátima, Portugal, por três crianças. Suas naturezas inocentes e confiantes lhes permitem acreditar no que nós, adultos, nunca aceitaríamos por conta da arraigada cultura materialista que aprendemos com os anos. Isso deve ser parte do que Jesus quis dizer quando disse: Eu vos digo em verdade, a menos que você mudar e se tornar como criança, não entrará no reino dos céus (Mateus 18:03).

Cumprindo boa parte de sua extraordinária missão neste planeta, os índigos e cristais vêm ocupando seus lugares entre nós e dizendo logo como é o seu estilo. Uma verdadeira dor de cabeça para os pais e professores, a menos que tenha esta percepção e passem a tratar deles de modo especial. Akiane Kramarik afirma ter visão e fazer visitas a Jesus. Mesmo que aí possa existir algo fantasioso, não se pode negar, nos casos dos três exemplos citados, o seu extraordinário talento artístico, poético, médico. Seus casos podem ser vistos na Internet, basta digitar seus nomes no Google.

E há outros inúmeros casos ao redor do mundo de crianças que aos três ou quatro anos de idade falam várias línguas completamente estranhas aos idiomas locais, numa clara referência ao que ensinou Paulo (Coríntios I, 14;1-25): Empenhai-vos em procurar a caridade. Aspirai também aos dons espirituais, mas, sobretudo, ao da profecia. Aquele que fala línguas, não fala para os homens e sim para Deus. Ninguém o entende, pois fala coisas misteriosas sob a ação do Espírito. Aquele, porém, que profetiza, fala para os homens, para edificá-los, exortá-los e consolá-los. Aquele que fala em línguas, edifica-se a si mesmo; mas quem profetiza, edifica a comunidade. Ora, desejo que todos faleis línguas, porém desejo muito mais que profetizeis. Maior é quem profetiza do que quem fala em línguas, a não ser que interprete para a comunidade ser edificada”. O que Paulo teria desejado dizer quando cita que “profetizar” é algo superior que “falar línguas”. Já vimos que quando incorporados, alguns médiuns falavam línguas que não eram a sua. Assim aconteceu na reunião do Pentecostes, narrada em Ato dos Apóstolos I. Paulo se referia a “falar línguas” como uma comunicação limitada, inócua por falta de comunicação e de menor envergadura vibracional, e   “profetizar” pode ser entendida como uma comunicação de elevada vibração, obtida com meditação e destinada a servir para a transformar a vida humana e da comunidade.

Sobre os espíritos curadores, conselheiros e intelectuais, Paulo diz (I Cor 12, 4-11): “A cada um é outorgada a manifestação do Espírito em vista do bem comum. A um é dada pelo Espírito a palavra da sabedoria. A outro, a palavra da ciência segundo o mesmo Espírito. A outro, a fé no mesmo espírito. A outro, o dom de curas no mesmo Espírito. A outro, o poder de fazer milagres. A outro, profecia. A outro, discernimento de espíritos. A outro falar línguas estranhas. A outro, interpretação de línguas”.

Sobre o dom da mediunidade se tornar menos inédito, está escrito em Atos dos Apóstolos 2; 16-19: “Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do Meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos terão sonhos; e também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão”...

domingo, 26 de maio de 2013

1077-Sinais dos tempos


A nova geração

Para que na Terra sejam felizes os homens, preciso é que somente a povoem Espíritos bons, encarnados e desencarnados, que somente ao bem se dediquem. Havendo chegado o tempo, grande emigração (saída) se verifica dos que a habitam: a dos que praticam o mal pelo mal, ainda não tocados pelo sentimento do bem, os quais, já não sendo dignos do planeta transformado, serão excluídos, porque, senão, lhe ocasionariam de novo perturbação e confusão e constituiriam obstáculo ao progresso. Irão expiar o endurecimento de seus corações, uns em mundos inferiores, outros em regiões terrestres ainda atrasadas, equivalentes a mundos daquela ordem, aos quais levarão os conhecimentos que hajam adquirido, tendo por missão fazê-las avançar. Substitui-los-ão Espíritos melhores, que farão reinem em seu seio a justiça, a paz e a fraternidade. Este é o papel dos índigos e cristais, por exemplo, mesmo que para eles se retirem essa nomenclatura.

A Terra, no dizer dos Espíritos, não terá de transformar-se por meio de um cataclismo que aniquile de súbito uma geração inteira ou quase. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança alguma na ordem natural das coisas quanto à geologia. É claro, pelos maus tratos ao meio ambiente, continuarão avassaladores os tornados, os vendavais, as enchentes, as secas, a gritar pedindo socorro em nome do equilíbrio do planeta e com isso levando consigo vidas e mais vidas. É parte do expurgo.

Tudo, pois, se processará exteriormente, como sói acontecer, com a única, mas capital diferença de que uma parte dos Espíritos que encarnavam na Terra aí não mais tornarão a encarnar. Em cada criança que nascer, em vez de um Espírito atrasado e inclinado ao mal, que antes nela encarnaria, virá um Espírito mais adiantado e propenso ao bem.

Muito menos, pois, se trata de uma nova geração corpórea, do que de uma nova geração de Espíritos. Sem dúvida, neste sentido é que Jesus entendia as coisas, quando declarava: “Digo-vos, em verdade, que esta geração não passará sem que estes fatos tenham ocorrido”. Assim, decepcionados ficarão os que contem ver a transformação operar-se por efeitos sobrenaturais e maravilhosos. Ela virá como resultado do pensamento e da ação dos homens. O Juízo Final não será um evento único, temporal, com uma única data. Será processado em décadas, séculos, até que a obra seja completada, como preveem as escrituras.

A época atual é de transição; confundem-se os elementos das duas levas de gerações. Colocados num ponto intermédio, assistimos à partida de uma e à chegada da outra, já se assinalando cada uma, no mundo, pelos caracteres que lhes são peculiares. Os truculentos sendo retirados pelos mais diferentes meios e os amorosos, em menor número por que a taxa de natalidade cai, chegando e dizendo a que vêm. Têm ideias e pontos de vista opostos às gerações que sucedem. Pela natureza das disposições morais, sobretudo das disposições  intuitivas e inatas, torna-se fácil distinguir a qual das duas pertence cada novo indivíduo.

As pessoas idosas podem observar isso nos seus netos e bisnetos. Sentem que cabe-lhes fundar a era do progresso moral; a nova geração se distingue por inteligência e razão geralmente precoces, juntas ao sentimento inato do bem e a crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento anterior. Não se comporá exclusivamente de Espíritos eminentemente superiores, mas dos que, já tendo progredido, se acham predispostos a assimilar todas as ideias progressistas e aptos a secundar o movimento de regeneração.

O que, ao contrário, distingue os Espíritos atrasados é, em primeiro lugar, a revolta contra Deus, pelo se negarem a reconhecer qualquer poder superior aos poderes humanos; a propensão instintiva para as paixões degradantes, para os sentimentos anti-fraternos de egoísmo, de orgulho, de inveja, de ciúme; enfim, o apego a tudo o que é material: a sensualidade, a cupidez, a avareza.

Desses vícios é que a Terra tem de ser expurgada pelo afastamento dos que se obstinam em não emendar-se; porque são incompatíveis com o reinado da fraternidade e porque o contato com eles constituirá sempre um sofrimento para os homens de bem. Quando a Terra se achar livre deles, os homens caminharão sem óbices para o futuro melhor que lhes está reservado, mesmo neste mundo, por prêmio de seus esforços e de sua perseverança, enquanto esperem que uma depuração mais completa lhes abra o acesso aos mundos superiores.

Não se deve entender que por meio dessa emigração de Espíritos sejam expulsos da Terra e relegados para mundos inferiores todos os Espíritos retardatários. Muitos, ao contrário, aí voltarão, porquanto muitos há que o são porque cederam ao arrastamento das circunstâncias e do exemplo. Nesses, a casca é pior do que o cerne. Uma vez subtraídos à influência da matéria e dos prejuízos do mundo corporal, eles, em sua maioria, verão as coisas de maneira inteiramente diversa daquela por que as viam quando em vida, conforme os múltiplos casos que conhecemos. Para isso, têm a auxiliá-los Espíritos benévolos que por eles se interessam e se dão pressa em esclarecê-los e em lhes mostrar quão falso era o caminho que seguiam. Nós mesmos, pelas nossas preces e exortações, podemos concorrer para que eles se melhorem, visto que entre mortos e vivos há perpétua solidariedade.

É muito simples o modo por que se opera a transformação, sendo, como se vê, todo ele de ordem moral, sem se afastar em nada das leis da Natureza.

Sejam os que componham a nova geração Espíritos melhores, ou Espíritos antigos que se melhoraram, o resultado é o mesmo. Desde que trazem disposições melhores, há sempre uma renovação. Assim, segundo suas disposições naturais, os Espíritos encarnados formam duas categorias: de um lado, os retardatários, que partem; de outro, os progressistas, que chegam. O estado dos costumes e da sociedade estará, portanto, no seio de um povo, de uma raça, ou do mundo inteiro, em relação com aquela das duas categorias que preponderar.

Uma comparação vulgar ainda melhor dará a compreender o que se passa nessa circunstância. Figuremos um regimento composto na sua maioria de homens turbulentos e indisciplinados, os quais ocasionarão nele constantes desordens que a lei penal terá por vezes dificuldades em reprimir. Esses homens são os mais fortes, porque mais numerosos do que os outros. Eles se amparam, animam e estimulam pelo exemplo. Os poucos bons nenhuma influência exercem; seus conselhos são desprezados; sofrem com a companhia dos outros, que os achincalham e maltratam.

Não é essa uma imagem da sociedade atual?

Suponhamos que esses homens são retirados um a um, dez a dez, cem a cem, do regimento e substituídos gradativamente por iguais números de bons soldados, mesmo por alguns dos que, já tendo sido expulsos, se corrigiram. Ao cabo de algum tempo, existirá o mesmo regimento, mas transformado. A boa ordem terá sucedido à desordem.

As grandes partidas coletivas, entretanto, não têm por único fim ativar as saídas; têm igualmente o de transformar mais rapidamente o espírito da massa, livrando-a das más influências e o de dar maior ascendente às ideias novas.

Por estarem muitos, apesar de suas imperfeições, maduros para a transformação, é que muitos partem, a fim de apenas se retemperarem em fonte mais pura. Enquanto se conservassem no mesmo meio e sob as mesmas influências, persistiriam nas suas opiniões e nas suas maneiras de apreciar as coisas. Uma estada no mundo dos Espíritos bastará para lhes descerrar os olhos, por isso que aí veem o que não podiam ver na Terra. O incrédulo, o fanático, o absolutista, poderão, conseguintemente, voltar com ideias inatas de fé, tolerância e liberdade. Ao regressarem, acharão mudadas as coisas e experimentarão a influência do novo meio em que houverem nascido. Longe de se oporem às novas ideias, constituir-se-ão seus auxiliares.

A regeneração da Humanidade, portanto, não exige absolutamente a renovação integral dos Espíritos: basta uma modificação em suas disposições morais. Essa modificação se opera em todos quantos lhe estão predispostos, desde que sejam subtraídos à influência perniciosa do mundo. Assim, nem sempre os que voltam são outros Espíritos; são com frequência os mesmos Espíritos, mas pensando e sentindo de outra maneira.

Quando insulado e individual, esse melhoramento passa despercebido e nenhuma influência ostensiva alcança sobre o mundo. Muito outro é o efeito, quando a melhora se produz simultaneamente sobre grandes massas, porque, então, conforme as proporções que assuma, numa geração, pode modificar profundamente as ideias de um povo ou de uma raça.

É o que quase sempre se nota depois dos grandes choques que dizimam as populações. Os flagelos destruidores apenas destroem corpos, não atingem o Espírito; ativam o movimento de vaivém entre o mundo corporal e o mundo espiritual e, por conseguinte, o movimento progressivo dos Espíritos encarnados e desencarnados. É de notar-se que em todas as épocas da História, às grandes crises sociais se seguiu uma era de progresso.

Opera-se presentemente um desses movimentos gerais, destinados a realizar uma remodelação da Humanidade. A multiplicidade das causas de destruição constitui sinal característico dos tempos, visto que elas apressarão a eclosão dos novos germens. São as folhas que caem no outono e às quais sucedem outras folhas cheias de vida, porquanto a Humanidade tem suas estações, como os indivíduos têm suas várias idades. As folhas mortas da Humanidade caem batidas pelas rajadas e pelos golpes de vento, porém, para renascerem mais vivazes sob o mesmo sopro de vida, que não se extingue, mas se purifica.

Para o materialista, os flagelos destruidores são calamidades carentes de compensação, sem resultados aproveitáveis, pois que, na opinião deles, os aludidos flagelos aniquilam os seres para sempre. Para aquele, porém, que sabe que a morte unicamente destrói o envoltório, tais flagelos não acarretam as mesmas consequências e não lhe causam o mínimo pavor; ele lhes compreende o objetivo e não ignora que os homens não perdem mais por morrerem juntos, do que por morrerem isolados, dado que, duma forma ou doutra, a isso hão de todos sempre chegar.

Os incrédulos rirão destas coisas e as qualificarão de quiméricas; mas, digam o que disserem, não fugirão à lei comum; cairão a seu turno, como os outros, e, então, que lhes acontecerá? Eles dizem: Nada! Viverão, no entanto, a despeito de si próprios e se verão, um dia, forçados a abrir os olhos.

sábado, 25 de maio de 2013

1076-Sinais dos tempos


É pra valer

De todos os movimentos libertadores de que tem memória a civilização atual, permanece a doutrina de Cristo. Tudo mais contribui para com ela ou a desmerece. E o que pregou o luminar universal que por aqui passou?

Se supusermos a maioria dos homens possuída de sentimentos cristãos (não católicos, eu disse, cristãos), poderemos facilmente imaginar as modificações que daí já vem ocorrendo e decorrerão para as relações sociais e, por extensão, as relações politicas e econômicas; todos terão por divisa: caridade, cooperação, fraternidade, benevolência para com todos, tolerância para com todas as crenças, o que vale dizer esse desconhecido sentimento da maioria: o amor. Acabar-se-á a miséria, a violência, a doença, a guerra.

Pode parecer estranha esta opinião, mas essa é a meta para onde já olha a Humanidade; e buscará intensificar esses olhares; esse o objeto de suas aspirações, de seus desejos, sem que, entretanto, ela perceba claramente por que meio as há de realizar na exata proporção em que seus líderes não se mexem nessa direção. Ensaia, tateia, mas é detida por muitas resistências ativas, ou pela força de inércia dos preconceitos, das crenças estacionárias e refratárias ao progresso. Se faz mister vencer tais resistências e essa será a obra da nova geração de que viemos falando desde a Introdução desta série. Quem acompanhar o curso atual das coisas reconhecerá que tudo parece predestinado a lhe abrir caminho para o amor. A nova geração terá por si a dupla força do número e das ideias e, de acréscimo, a experiência do passado.

A nova geração marchará, pois, para a realização de todas as ideias humanitárias compatíveis com o grau de adiantamento a que houver chegado e ao estágio das comunidades onde vier atuar. Avançando para o mesmo alvo e realizando seus objetivos, o Espiritismo se encontrará com esses missionários no mesmo terreno sem destruir as religiões; pelo contrário, fortalecendo-as. Os homens progressistas serão cativados pelas ideias espíritas como poderosa alavanca. E o Espiritismo achará, nos novos homens, espíritos inteiramente dispostos a acolhê-lo. Dado esse estado de coisas, que poderão fazer os que entendam se opor?

O Espiritismo não cria a renovação social; a madureza da Humanidade é que fará dessa renovação uma necessidade. Pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pela generalidade das questões que abrange, o Espiritismo é mais apto do que qualquer outra doutrina a secundar o movimento de regeneração; por isso, é ele contemporâneo desse movimento que vem desde Cristo. Surgiu na hora em que podia ser de utilidade, visto que também para ele os tempos são chegados. O próprio líder maior desse tempo, que é Jesus, previu isso e nos ofereceu um Paráclito, Espírito de Sabedoria e Verdade, que viria complementar sua doutrina (muito avançada para a época). Se viera mais cedo, teria esbarrado em obstáculos insuperáveis; houvera inevitavelmente sucumbido, porque, satisfeitos com o que tinham, os homens ainda não sentiriam falta do que ele lhes traz. Hoje, nascido com as ideias que fermentam, encontra preparado o terreno para recebê-lo. Os espíritos cansados da dúvida e da incerteza, horrorizados com o abismo que se lhes abre à frente, o acolhem como âncora de salvação e consolação suprema.

Grande, por certo, é ainda o número dos retardatários; mas, que podem eles contra a onda que se alteia, senão atirar-lhe algumas pedras? Essa onda é a geração que surge, ao passo que eles se somem com a geração que vai desaparecendo todos os dias a passos largos. Até lá, porém, eles defenderão palmo a palmo o seu terreno, que se torna pequeno e pobre. Haverá, portanto, uma luta inevitável, mas luta desigual, porque a banda antiga é a do passado decrépito, a cair em frangalhos, contra o futuro juvenil da banda nova. Será a luta da estagnação contra o progresso, da criatura contra a vontade do Criador, uma vez que chegados são os tempos por ele determinados.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

1075-Sinais dos tempos

 
O que vem por aí

A fraternidade e a cooperação serão a pedra angular da nova ordem social; mas, não há fraternidade real, sólida, efetiva, senão se assente em base inabalável e essa base é a fé, não a fé em tais ou tais dogmas particulares, que mudam com os tempos, em que os povos mutuamente se apedrejam por este motivo, ou se congelam com medo das atualizações do saber, e porquanto, anatematizando-se uns aos outros, alimentam o antagonismo, mas a fé nos princípios fundamentais que toda a gente pode aceitar e aceitará: Deus, a alma, o futuro, o progresso individual indefinito, a perpetuidade das relações entre os seres. E não há cooperação em que o egoísmo seja a marca das relações a começar, mesmo, dentro da própria família.

Quando todos os homens estiverem convencidos de que Deus é o mesmo para todos; de que esse Deus, soberanamente justo e bom, nada de injusto pode querer; que não dele, porém dos homens vem o mal, todos se considerarão filhos do mesmo Pai e, por isso, irmãos, se estenderão as mãos uns aos outros.

Essa a fé que o Espiritismo faculta e que doravante será o eixo em torno do qual girará o gênero humano, quaisquer que sejam os cultos e as crenças particulares.

É preciso entender que o Espiritismo não é uma religião, é um modelo de fé que cabe nas demais religiões se a soberba e a arrogância permitirem.

O progresso intelectual realizado até ao presente, nas mais largas proporções, constitui um grande passo e marca uma primeira fase no avanço geral da Humanidade; impotente, porém, ele é para regenerá-la. Enquanto o orgulho e o egoísmo o dominarem, o homem se servirá da sua inteligência e dos seus conhecimentos para satisfazer às suas paixões e aos seus interesses pessoais, razão por que os aplica em aperfeiçoar os meios de prejudicar e destruir os seus semelhantes sem assumir o ônus que isso representa ao seu avanço espiritual e às suas futuras visitas ao mundo corporal.

Somente o progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na Terra, refreando as paixões más; somente esse progresso pode fazer que entre os homens reinem a concórdia, a paz, a fraternidade, a cooperação.

Será ele, o homem, que deitará por terra as barreiras que separam os povos, que fará caiam os preconceitos de casta e se calem os antagonismos de seitas, ensinando os homens a se considerarem irmãos que têm por dever auxiliarem-se mutuamente e não destinados a viver à custa uns dos outros.

Será ainda o progresso moral que, secundado então pelo da inteligência, confundirá os homens numa mesma crença fundada nas verdades eternas, não sujeitas a controvérsias e, em consequência, aceitáveis por todos.

A unidade de crença será o laço mais forte, o fundamento mais sólido da fraternidade universal, obstada, desde todos os tempos pelos antagonismos religiosos que dividem os povos e as famílias, que fazem sejam uns, os dissidentes, vistos, pelos outros, como inimigos a serem evitados, combatidos, exterminados, em vez de irmãos a serem amados e incluídos.

Semelhante estado de coisas pressupõe uma mudança radical no sentimento das massas, um progresso geral que não se podia realizar senão fora do círculo das ideias acanhadas e corriqueiras que fomentam o egoísmo e a exclusão. Em diversas épocas, homens de escol procuraram impelir a Humanidade por esse caminho; mas, ainda muito jovem, ela se conservou surda e os ensinamentos que eles ministraram foram como a boa semente caída no pedregulho sem germinar.

Hoje, a Humanidade está madura para lançar o olhar a alturas que nunca tentou divisar, a fim de nutrir-se de ideias mais amplas e compreender o que antes não compreendia.

A geração que desaparece levará consigo seus erros e prejuízos; a geração que surge, retemperada em fonte mais pura, imbuída de ideias mais sãs, imprimirá ao mundo ascensional movimento, no sentido do progresso moral que assinalará a nova fase da evolução humana.

Essa fase já se revela por sinais inequívocos, por tentativas de reformas úteis e que começam a encontrar eco nas primeiras organizações da cooperação internacional, alcançando, aos poucos, também, as organizações sociais, as famílias, as comunidades.

Assim é que vemos fundar-se uma imensidade de instituições protetoras, defensoras, civilizadoras, emancipadoras, batalhadoras por melhorias, sob o influxo e por iniciativa de homens evidentemente predestinados à obra da regeneração; que as leis penais se vão apresentando dia a dia impregnadas de sentimentos mais humanos, faltando regenerar os caídos. Enfraquecem-se os preconceitos de raça, os povos entram a considerarem-se membros de uma grande família; pela uniformidade e facilidade dos meios de realizarem suas transações, eles suprimem as barreiras que os separavam e de todos os pontos do mundo reúnem-se em comícios universais por enquanto para negociar, mas já compreendendo que podem ser para as justas pacíficas da inteligência e do bem.

Falta, porém, a essas reformas uma base que permita se desenvolvam, completem e consolidem; falta uma predisposição moral mais generalizada, para fazer que elas frutifiquem e que as massas as acolham. Falta a visão de que somos responsáveis por nossos atos numa eterna Lei de Causa e Efeito. Ainda aí há um sinal característico da época, porque há o prelúdio do que se efetuará em mais larga escala, à proporção que o terreno se for tornando mais favorável à aceitação da reencarnação sucessiva.

Não estamos muito longe disso, pois outro sinal não menos característico do período em que entramos encontra-se na reação que se opera no sentido das ideias espiritualistas; na repulsão instintiva que se manifesta contra as ideias materialistas e ao espírito guerreiro. O espírito de incredulidade, que se apoderara das massas, ignorantes ou esclarecidas, e as levava a rejeitar com a forma a substância mesma de toda crença, parece ter sido um sono, a cujo despertar se sente a necessidade de respirar um ar mais vivificante. Involuntariamente, lá onde o vácuo se fizera, procura-se alguma coisa, um ponto de apoio. Cabe às religiões, todas, sem exceção, refazerem seus discursos, interromperem a sede pelo poder, onde entra o dinheiro, e se colocarem na posição de facilitadoras da doutrina de Jesus Cristo. Nada mais é necessário fazer.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

1074-Sinais dos tempos

 
Iluminismo sem fé e fé sem razão

Não é possível falar de avanços e estagnações de consciência sem relacionar a Igreja Católica com o período Iluminista. A história dessa Igreja cobre um período de aproximadamente dois mil anos e relata os eventos de uma das mais antigas instituições religiosas em atividade, influindo no mundo em aspectos espirituais, religiosos, morais, políticos e sócio-culturais. No seu apogeu atuou com mão de ferro e tirou de circulação muitos dos seus inimigos ou adversários.

O Iluminismo foi um movimento intelectual que surgiu durante o século XVIII na Europa, que defendia o uso da razão (luz) contra o antigo regime (trevas)  e pregava maior liberdade econômica e política. Este movimento promoveu mudanças políticas, econômicas e sociais, baseadas nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, (que deram causa à Revolução Francesa), mas por combater o clero acabou por tornar-se um movimento laico, não raro ateu e certamente agnóstico (se Deus existe eu não sei).

O Iluminismo tinha o apoio da burguesia intelectual, pois os pensadores e os burgueses tinham interesses comuns: a política e, por trás dela, o poder e os negócios. Algo parecido com o que aconteceu com a World Wibe Web, rede mundial de computadores: nasceu na esteira da globalização econômica, que buscava mercados e foi se afirmando. Hoje seus resultados são sentidos de muitos modos, inclusive na derrubada de ditadores no norte da África. E, claro, no mundo das porcarias também.

São avanços, aparentemente objetivando uma coisa e efetivamente atingindo outra.

A Gênese fala que de duas maneiras se opera, como já o dissemos, a marcha progressiva da Humanidade: uma, gradual, lenta, imperceptível, se se considerarem as épocas consecutivas, a traduzir-se por sucessivas melhoras nos costumes, nas leis, nos usos, melhoras que só com a continuação se podem perceber,  como as mudanças que as correntes d’água ocasionam na superfície do globo; a outra, por movimentos relativamente bruscos, semelhantes aos de uma torrente que, rompendo os diques que a continham, transpõe nalguns anos o espaço que levaria séculos a percorrer. É, então, um cataclismo moral que traga em breves instantes as instituições do passado e ao qual sobrevém uma nova ordem de coisas que pouco a pouco se estabiliza, à medida que se restabelece a calma, e que acaba por se tornar definitiva.

Àquele que viva bastante para abranger com a vista as duas vertentes da nova fase, parecerá que um mundo novo surgiu das ruínas do antigo. O caráter, os costumes, os usos, tudo está mudado. É que, com efeito, surgiram homens novos, ou, melhor, regenerados. As ideias, que a geração que se extinguiu levou consigo, cederam lugar a ideias novas que desabrocham com a geração que se ergue (referência novamente ao Iluminismo).

Tornada adulta, a Humanidade tem novas necessidades, aspirações mais vastas e mais elevadas; compreende o vazio com que foi embalada, a insuficiência de suas instituições para lhe dar felicidade; já não encontra, no estado das coisas, as satisfações legítimas a que se sente com direito. Despoja-se, em consequência, das faixas infantis e se lança, impelida por irresistível força, para as margens desconhecidas, em busca de novos horizontes menos limitados (ainda o Iluminismo).

É a um desses períodos de transformação, ou, se o preferirem, de crescimento moral, que ora chega a Humanidade. Da adolescência chega ao estado viril. O passado já não pode bastar às suas novas aspirações, às suas novas necessidades; ela já não pode ser conduzida pelos mesmos métodos; não mais se deixa levar por ilusões, nem fantasmagorias; sua razão amadurecida reclama alimentos mais substanciosos. É demasiado efêmero o presente; ela sente que mais amplo é o seu destino e que a vida corpórea é excessivamente restrita para encerrá-lo inteiramente. Por isso, mergulha o olhar no passado e no futuro, a fim de descobrir num ou noutro o mistério da sua existência e de adquirir uma consoladora certeza.

E é no momento em que ela se encontra muito apertada na esfera material, em que transbordante se encontra de vida intelectual, em que o sentimento da espiritualidade lhe desabrocha no seio, que homens que se dizem filósofos pretendem encher o vazio com as doutrinas do nadismo e do materialismo! (Ainda o Iluminismo, que nos deu levas de filósofos ateus). Singular aberração! Esses mesmos homens, que intentam impelir para a frente a Humanidade, se esforçam por circunscrevê-la no acanhado círculo da matéria, donde ela anseia por escapar-se. Velam-lhe o aspecto da vida infinita e lhe dizem, apontando para o túmulo: Nec plus ultra!(Nada além disso!)

Quem quer que haja meditado sobre o Espiritismo e suas consequências e não o circunscreva à produção de alguns fenômenos, terá compreendido que ele abre à Humanidade uma estrada nova e lhe desvenda os horizontes do infinito. Iniciando-a nos mistérios do mundo invisível, mostra-lhe o seu verdadeiro papel na criação, papel perpetuamente ativo, tanto no estado espiritual, como no estado corporal. O homem já não caminha às cegas: sabe donde vem, para onde vai e por que está na Terra. O futuro se lhe revela em sua realidade, despojado dos prejuízos da ignorância e da superstição. Já na se trata de uma vaga esperança, mas de uma verdade palpável, tão certa como a sucessão do dia e da noite. Ele sabe que o seu ser não se acha limitado a alguns instantes de uma existência transitória; que a vida espiritual não se interrompe por efeito da morte; que já viveu e tornará a viver e que nada se perde do que haja ganho em perfeição; em suas existências anteriores depara com a razão do que é hoje e reconhece que: do que ele é hoje, qual se fez a si mesmo, poderá deduzir o que virá a ser um dia.

Com a ideia de que a atividade e a cooperação individuais na obra geral da civilização se limitam à vida presente, que, antes, a criatura nada foi e nada será depois, em que interessa ao homem o progresso ulterior da Humanidade? Que lhe importa que no futuro os povos sejam mais bem governados, mais ditosos, mais esclarecidos, melhores uns para com os outros? Não fica perdido para ele todo o progresso, pois que deste nenhum proveito tirará? De que lhe serve trabalhar para os que hão de vir depois, se nunca lhe será dado conhecê-los, se os seus pósteros serão criaturas novas, que pouco depois voltarão por sua vez ao nada? Sob o domínio da negação do futuro individual, tudo forçosamente se amesquinha às insignificantes proporções do momento e da personalidade.

Entretanto, que amplitude, ao contrário, dá ao pensamento do homem a certeza da perpetuidade do seu ser espiritual! Que de mais racional, de mais grandioso, de mais digno do Criador do que a lei segundo a qual a vida espiritual e a vida corpórea são apenas dois modos de existência, que se alternam para a realização do progresso! Que demais justo há e de mais consolador do que a ideia de estarem os mesmos seres a progredir incessantemente, primeiro, através das gerações de um mesmo mundo, de mundo em mundo depois, até à perfeição, sem solução de continuidade! Todas as ações têm, então, uma finalidade, porquanto, trabalhando para todos, cada um trabalha para si e reciprocamente, de sorte que nunca se podem considerar infecundos nem o progresso individual, nem o progresso coletivo. De ambos esses progressos aproveitarão as gerações e as individualidades porvindouras, que outras não virão a ser senão as gerações e as individualidades passadas, em mais alto grau de adiantamento.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

1073-Sinais dos tempos


Conspirações chamam para o novo

A explicação da indutância exercida por energias sobre corpos que se imantam e de corpos imantados sobre inteligências não livres para vibrar, foi apenas esboçada pelas equipes assistentes de Kardec, como se sabe, sem terem dado uma palavra sequer sobre coisas que ainda não podiam ser reveladas, como foi sobre os chakras. Hoje se conhece mais sobre obsessão, indução, canalização, perturbação, ressonância, egrégoras. O que está explícito na Gênese a seguir ocorre também de pessoa para pessoa, de grupos para grupos de pessoas.

Kardec vem falando sobre influência de astros sobre astros nos céus. E prossegue: “do que precede resulta que, em consequência do movimento de translação que executam no espaço, os corpos celestes exercem, uns sobre os outros, maior ou menor influência, conforme a proximidade em que se achem entre si e as suas respectivas posições; que essa influência pode acarretar uma perturbação momentânea aos seus elementos constitutivos e modificar as condições de vitalidade dos seus habitantes; que a regularidade dos movimentos determina a volta periódica das mesmas causas e dos mesmos efeitos; que, se demasiado curta é a duração de certos períodos para que os homens os apreciem, outros veem passar gerações e raças que deles não se apercebem e às quais se afigura normal o estado de coisas que observam”.

Do mesmo modo, pessoas existem que passam largos períodos aprisionadas a influências de outrem sem se aperceberem. Acostumam com o sofrimento ou com a prisão e nada produzem para deles se livrarem. Mas, nos tempos atuais essa percepção será acelerada. Que se cuidem aqueles que mentem sobre a verdade eterna.

As gerações contemporâneas da transição lhe sofrem o contrachoque e tudo lhes parece fora das leis ordinárias. Essas gerações veem uma causa sobrenatural, maravilhosa, miraculosa no que, em realidade, mais não é do que a execução das leis da Natureza.

Se, pelo encadeamento e a solidariedade das causas e dos efeitos, os períodos de renovação moral da Humanidade coincidem, como tudo leva a crer, com as revoluções físicas do globo, podem os referidos períodos ser acompanhados ou precedidos de fenômenos naturais, insólitos para os que com eles não se acham familiarizados, de meteoros que parecem estranhos, de recrudescência e intensificação desusadas dos flagelos destruidores, que não são nem causa, nem presságios sobrenaturais, mas uma consequência do movimento geral que se opera no mundo físico e no mundo moral.

Anunciando a época de renovação que se havia de abrir para a Humanidade e determinar o fim do mundo velho, a Jesus, pois, foi lícito dizer que ela se assinalaria por fenômenos extraordinários, tremores de terra, flagelos diversos, sinais no céu, que mais não são do que meteoros, sem ab-rogação das leis naturais. O vulgo, porém, ignorante, viu nessas palavras a predição de fatos miraculosos. E mais, viu um Deus irado a destruir sua obra. Que conceito se faz desse “deus” estranho aos princípios de amor e harmonia!

Agora mesmo, neste ano de 2013 processa-se um movimento alterando a posição do pólo magnético da Terra, com evidentes consequências principalmente na calibração de antenas ligadas a satélites e outras ainda não conhecidas. Mas, isso tem a ver com nossa entrada num cinturão de fótons emanados da estrela Alcion e só tem presságios benfazejos.

A previsão dos movimentos progressivos da Humanidade nada apresenta de surpreendente, quando feita por seres desmaterializados, que veem o fim a que tendem todas as coisas, tendo alguns deles conhecimento direto do pensamento de Deus. Pelos movimentos parciais, esses seres veem em que época poderá operar-se um movimento geral, do mesmo modo que o homem pode calcular de antemão o tempo que uma árvore levará para dar frutos, do mesmo modo que os astrônomos calculam a época de um fenômeno astronômico, pelo tempo que um astro gasta para efetuar a sua revolução.

A Humanidade é um ser coletivo em quem se operam as mesmas revoluções morais por que passa todo ser individual, com a diferença de que umas se realizam de ano em ano e as outras de século em século. Acompanhe-se a Humanidade em suas evoluções através dos tempos e ver-se-á a vida das diversas raças marcada por períodos que dão a cada época uma fisionomia especial.

A terrível epidemia que, de 1866 a 1868, dizimou a população da Ilha Maurícia, teve a precedê-la tão extraordinária e tão abundante chuva de estrelas cadentes, em novembro de 1866, que aterrorizou os habitantes daquela ilha. A partir desse momento, a doença, que reinava desde alguns meses de forma muito benigna, se transformou em verdadeiro flagelo devastador. Aquele fora bem um sinal no céu e talvez nesse sentido é que se deva entender a frase — estrelas caindo do céu, de que fala o Evangelho, como sendo um dos sinais dos tempos. (Pormenores sobre a epidemia da ilha Maurícia:  Revue Spirite, de julho de 1867, pág. 208, e novembro de 1868, pág. 321.)

Hoje, a ciência poderia deduzir: ou foi o medo, o terror, que derrubou as defesas naturais desses habitantes e seus corpos se tornaram vulneráveis a qualquer vírus já existente naquele meio, porém, inócuo até então; ou foram bactérias estranhas que penetraram na atmosfera terrestre trazidas pelos corpos cadentes. Neste último caso, porém, fica a dúvida: os invasores atuaram apenas sobre a população daquela ilha? Ou em terceira hipótese, as duas coisas atuaram reciprocamente?

segunda-feira, 20 de maio de 2013

1072-Sinais dos tempos

 
Outros e diferentes sinais

Os cataclismos gerais, prossegue o professor Rivail, secundado pelos seus bondosos e esclarecidos informantes, foram consequência do estado de formação da Terra (associado ao equilíbrio magnético com outros astros). Hoje, não são mais as entranhas do planeta que se agitam: são as da Humanidade.

Se a Terra já não tem que temer os cataclismos gerais, nem por isso deixa de estar sujeita a periódicas revoluções, cujas causas, do ponto de vista científico, se encontram explicadas nas instruções seguintes, provindas de dois Espíritos eminentes (conforme a Revue Spirite de outubro de 1868): “Cada corpo celeste, além das leis simples que presidem à divisão dos dias e das noites, das estações, etc., experimenta revoluções que demandam milhares de séculos para sua realização completa, porém que, como as revoluções mais breves, passam por todos os períodos, desde o de nascimento até o de um máximo de efeito, após o qual há decrescimento, até o limite extremo, para recomeçar em seguida o percurso das mesmas fases. O homem apenas apreende as fases de duração relativamente curta e cuja periodicidade ele pode comprovar. Algumas, no entanto, há que abrangem longas gerações de seres e, até, sucessões de raças, revoluções essas cujos efeitos, conseguintemente, se lhe apresentam com caráter de novidade e de espontaneidade, ao passo que, se seu olhar pudesse projetar-se para trás alguns milhares de séculos, veria, entre aqueles mesmos efeitos e suas causas, uma correlação de que nem sequer suspeita. Esses períodos que, pela sua extensão relativa, confundem a imaginação dos humanos, não são, contudo, mais do que instantes na duração eterna. Num mesmo sistema planetário, todos os corpos que o constituem reagem uns sobre os outros; todas as influências físicas são nele solidárias e nem um só há, dos efeitos que designais pelo nome de grandes perturbações, que não seja consequência da componente das influências de todo o sistema. Vou mais longe: digo que os sistemas planetários reagem uns sobre os outros, na razão da proximidade ou do afastamento resultantes do movimento de translação deles, através das miríades de sistemas que compõem a nossa nebulosa. Ainda vou mais longe: digo que a nossa nebulosa, que é um como arquipélago na imensidade, tendo também seu movimento de translação através das miríades de nebulosas, sofre a influência das de que ela se aproxima. De sorte que as nebulosas reagem sobre as nebulosas, os sistemas reagem sobre os sistemas, como os planetas reagem sobre os planetas, como os elementos de cada planeta reagem uns sobre os outros e assim sucessivamente até ao átomo. Daí, em cada mundo, revoluções locais ou gerais, que sê não parecem perturbações porque a brevidade da vida não permite se lhes percebam mais do que os efeitos parciais.

“A matéria orgânica não poderia escapar a essas influências; as perturbações que ela sofre podem, pois, alterar o estado físico dos seres vivos e determinar algumas dessas enfermidades que atacam de modo geral as plantas, os animais e os homens, enfermidades que, como todos os flagelos, são, para a inteligência humana, um estimulante que a impele, por força da necessidade, a procurar meios de combatê-los e a descobrir leis da Natureza.

“Mas a matéria orgânica, a seu turno, reage sobre o Espírito. Este, pelo seu contato e sua ligação íntima com os elementos materiais, também sofre influências que lhe modificam as disposições, sem, no entanto, privá-lo do livre-arbítrio, que lhe sobre-excitam ou atenuam a atividade e que, pois, contribuem para o seu desenvolvimento. A efervescência que por vezes se manifesta em toda uma população, entre os homens de uma mesma raça, não é coisa fortuita, nem resultado de um capricho; tem sua causa nas leis da Natureza. Essa efervescência, inconsciente a princípio, não passando de vago desejo, de aspiração indefinida por alguma coisa melhor, de certa necessidade de mudança, traduz-se por uma surda agitação, depois por atos que levam às revoluções sociais, que, acreditai-o, também têm sua periodicidade, como as revoluções físicas, pois que tudo se encadeia. Se não tivésseis a visão espiritual limitada pelo véu da matéria, veríeis as correntes fluídicas que, como milhares de fios condutores, ligam as coisas do mundo espiritual às do mundo material”.

Pensa, querido leitor, os mestres acabam de trazer importantes revelações da ativa participação do mundo espiritual nos eventos de nosso dia-dia. A anunciada “invasão” de índigos e cristais está associada ao impulso que as inteligências superiores querem dar ao nosso avanço. Não é sem tempo. As cabeças de muitos de nossos líderes ainda estão atreladas à ação e reação de coisas de mais 3 mil anos. Passaram por guerras terríveis, foram parar nos campos de concentração, sofreram, morreram, reencarnaram e ainda estão querendo guerras. Quanta falta lhes faz a doutrina do palestino e nazareno Jesus.

“Quando se vos diz que a Humanidade chegou a um período de transformação e que a Terra tem que se elevar na hierarquia dos mundos, nada de místico vejais nessas palavras; vede, ao contrário, a execução da uma das grandes leis fatais do Universo, contra as quais se quebra toda a má vontade humana.” (ARAGO).

Sim, decerto, a Humanidade se transforma, como já se transformou noutras épocas, e cada transformação se assinala por uma crise que é, para o gênero humano, o que são, para os indivíduos, as crises de crescimento, as mudanças de idade. Aquelas se tornam, muitas vezes, penosas, dolorosas, e arrebatam consigo as gerações e as instituições, mas, são sempre seguidas de uma fase de progresso material e moral.

A Humanidade terrestre, tendo chegado a um desses períodos de crescimento, está disposta em cheio, há quase um século, atuando no trabalho da sua transformação, pelo que a vemos agitar-se de todos os lados, presa de uma espécie de febre e como que impelida por invisível força. Assim continuará, até que se haja outra vez estabilizado em novas bases. Quem a observar, então, achá-la-á muito mudada em seus costumes, em seu caráter, nas suas leis, em suas crenças, numa palavra: em todo o seu estado social. Os desajustados serão mandados embora e os puxadores da nova era chegarão cada dia mais em maior número. Mas, não serão muitos, não. A limitação da natalidade em muitos continentes obriga a que os novos convidados venham em menor quantidade, porém sempre com mais alta qualidade. Os nossos escassos netos e filhos têm toda a chance de estarem incluídos nessas falanges transformadoras.

Kardec, na Gênese, em 1868, referia-se aos estragos causados nos velhos costumes pelo Iluminismo, tempo de muitos avanços, dentro do qual se inclui o surgimento da própria Doutrina Espírita e que os países católicos deixaram passar o cavalo encilhado sem embarcar na via luminosa daqueles avanços.

“Uma coisa que vos parecerá estranhável, mas que por isso não deixa de ser rigorosa verdade, é que o mundo dos Espíritos, mundo que vos rodeia, experimenta o contrachoque de todas as comoções que abalam o mundo dos encarnados. Digo, mesmo, que aquele toma parte ativa nessas comoções. Nada tem isto de surpreendente para quem sabe que os Espíritos fazem corpo com a Humanidade; que eles saem dela e a ela têm de voltar, sendo, pois, natural que se interessem pelos movimentos que se operam entre os homens. Ficai, portanto, certos de que, quando uma revolução social se produz na Terra, abala igualmente o mundo invisível, onde todas as paixões, boas e más, se exacerbam, como entre vós. Indizível efervescência entra a reinar na coletividade dos Espíritos que ainda pertencem ao vosso mundo e que aguardam o momento de a ele volver.

“A agitação dos encarnados e desencarnados se juntam às vezes, e frequentemente mesmo, já que tudo se conjuga na Natureza. Dá-se então, durante algum tempo, verdadeira confusão geral, mas que passa como um furacão, após o qual o céu volta a estar sereno, e a Humanidade, reconstituída sobre novas bases, imbuída de novas ideias, começa a percorrer nova etapa de progresso”.

“E é no período que ora se inicia que o Espiritismo florescerá e dará frutos. Trabalhais, portanto, mais para o futuro, do que para o presente. Era, porém, necessário que esses trabalhos se preparassem antecipadamente, porque eles traçam as sendas da regeneração, pela unificação e racionalidade das crenças. Ditosos os que deles aproveitam desde já. Tantas penas se pouparão esses, quantos forem os proveitos que deles aufiram” ( DOUTOR BARRY).

Para alguém pouco informado das correlações entre os mundos material e espiritual pode parecer estranho que espíritos benfazejos e malignos tenham influência sobre os humanos. Porém, basta raciocinar de forma simples: o que ocorre quando uma criatura pede a intercessão de um santo ou de Jesus ou de Maria em sua vida, buscando um milagre ou uma bênção? Ao responder terá de ser dito: está-se encomendando a intercessão de um espírito no mundo material. Caímos, de novo, na mesma anomalia de consciência que alcança alguns pastores de igrejas pentecostais, para os quais a ação maligna de espíritos vem por intermédio do diabo, mas são esses pastores os mesmos que negam a ação benigna de espíritos que pode vir por intermédio de Deus. Qual a diferença?

Avanços como de conceituação e compreensão são aguardados urgentemente no seio daqueles líderes que têm por missão iluminar (e não apagar a luz) dos seus seguidores.