domingo, 30 de junho de 2013

1112-Geopolítica e Espiritualidade


Uma nova lei eleitoral
 

Os protestos que vêm ocorrendo no Brasil vão além do aumento de R$ 0,20 na tarifa dos transportes públicos, onde parece terem começado. A dor maior mais agita. Os estudantes reivindicam principalmente aquilo que todo dia está na sua pauta: ir e vir. Ir e vir mal, pessimamente, e cada dia mais caro.

Mas, tem muitos outros pontos em debate. O Brasil está experimentando atualmente um colapso generalizado em sua infraestrutura legal e de serviços. Há problemas com portos, aeroportos, transporte público, saúde, educação, segurança, processo penal, sistema prisional... O Brasil não é um país pobre e as taxas e impostos são extremamente altos. Os brasileiros não veem razão para uma infraestrutura tão ruim quando há tanta riqueza arrecadada. Há dinheiro para estádios de luxo e faltam remédios nos postos de saúde.

Nas capitais, as pessoas perdem até quatro horas por dia no tráfego, seja nos automóveis ou nos ônibus e trens do transporte público, lotados, que são realmente de baixíssima qualidade.
O governo brasileiro tem tomado medidas remediadoras para controlar a inflação apenas mexendo nas taxas e ainda não percebeu que o paradigma precisa compreender uma aproximação mais focada na infraestrutura, nos investimentos.

Ao mesmo tempo, o governo está reproduzindo em escala menor o que a Argentina fez há algum tempo atrás: evitando austeridade e proporcionando um aumento com base em interesses da taxa Selic, o que está levando à inflação alta e ao baixo crescimento.

Além do problema de infraestrutura e ausência de investimentos produtivos , há vários escândalos de corrupção que permanecem sem julgamento, e os casos que estão sendo julgados tendem a terminar com a absolvição dos réus.

O maior escândalo de corrupção da história do Brasil finalmente terminou com a condenação dos réus e agora o governo está tentando reverter o julgamento usando de manobras através de emendas constitucionais inacreditáveis: uma, o PEC 37, que aniquilará os poderes investigativos dos promotores do ministério público, delegando a responsabilidade da investigação inteiramente à Polícia Federal. Mais, outra proposta busca submeter as decisões da Suprema Corte Brasileira ao Congresso – uma completa violação do princípio de independência dos três poderes.

Estas são, no mínimo, as principais causas da revolta dos brasileiros. Mas, não se engane, tem muito mais.

Os protestos não são movimentos meramente isolados, unificados ou badernas de extrema esquerda, como parte da imprensa brasileira chegou a afirmar e sentiu que queimou a língua. Não é uma rebelião adolescente. É o levante da porção mais intelectualizada da sociedade que deseja pôr fim a esses problemas brasileiros. A classe média jovem, que sempre se mostrou insatisfeita com o esquecimento político, agora “despertou” – na palavra dos manifestantes.
 
As elites brasileiras já foram acusadas de omissas. Na verdade, marcha lenta. Fala-se muito e age-se pouco. A moçada que lota os protestos é descendente das gerações das Diretas Já e do Fora Collor. Seus pais e seus avós estão por trás e essa é a esperança para evitar que o País caia no colo de um novo salvador da Pátria. Não precisamos de salvadores. O povo se salva sozinho. Demora um pouco, mas bota a boca no trombone e o pé na rua.

sábado, 29 de junho de 2013

1111-Geopolítica e Espiritualidade


Os Movimentos Populares no Brasil (II)
 

Em 1982, o MDB era a confederação das facções de oposição, muitas legendas proscritas infiltradas ali. E o MDB nem era um partido de esquerda, mas se valia da ação dos ativistas para cobrar eleições diretas, através do movimento “Diretas Já”, que conseguia encher as ruas e praças querendo votar para presidente. Tinha Tancredo Neves como o nome de consenso para promover as reformas e trazer de volta a democracia. Democracia que, a rigor, nunca havíamos tido. E não houve diretas, já. O governo militar garantiu maioria para derrubar no Congresso a emenda constitucional que propunha eleições diretas para 1984, chamada de Emenda Dante de Oliveira.

Para eleger indiretamente o presidente, a oposição precisava de mais votos no parlamento. Valeu-se de uma dissidência da Arena/PDS e trouxe como aliados os parlamentares da ala Sarney. Com a doença e morte de Tancredo (antes da posse), Sarney ficou presidente. E nos deu Collor, um salvador que, com seu rompante de caçador de marajás, acabou caindo pela arrogância. Caiu também, como Jango, a pedido do povo. Mas, a Globo tem enorme participação na queda dele.

Agravado o desgaste brasileiro com a espera por salvadores da Pátria, veio o fenômeno Lula (novamente embalado pela Globo), esse governo que agora se esgota a pedido do povo.

Não se trata se um movimento anti-PT. Trata-se de um basta ao modelo político em vigor, incluindo-se todos os partidos e governos recentes.

O regime em vigor apodreceu e os governantes por mais bem intencionados que possam ter sido, são reféns do modelo. O povo chama para si o poder. O que virá depois?

Isso é muito importante. O País não resiste mais a sucessão de salvadores. 

sexta-feira, 28 de junho de 2013

1110-Gepolítica e Espiritualidade


Os movimentos populares no Brasil (I)
 

O Brasil vem saindo às ruas com certa frequência desde 1963.

As “Diretas Já”, em 1982/83, e o “Fora Collor”, em 1992, são os mais famosos. Existiram dois outros movimentos um tanto esquecidos, mas importantes tanto quanto estes. Em 1963, o Brasil tinha uns cinco partidos políticos heranças das duas correntes (republicano e conservador) vigentes na velha República. Essas correntes sobreviveram até 1965 e puderam ser identificados no seio do MDB e da Arena, da era do regime militar. Os conservadores tinham um posicionamento capitalista e rural, encastelados no velho PSD que, de social democrático não tinha nada. Os republicanos também eram capitalistas, mas queriam modernizar a gestão e pertenciam à UDN. Correndo por fora das duas grandes legendas nacionais, estavam: o PRP, alinhado com movimentos radicais da Europa; o PTB, também seguindo a tendência europeia de apoio ao trabalhador; e havia o PL, liberal, e os partidos comunistas, estes últimos proscritos e colocados fora da lei.

Uma perigosa inclinação do trabalhismo socialista de Jango na direção da esquerda, levava o País à baderna com comícios gigantescos, através dos quais os políticos queriam influenciar o Congresso, pesadamente dominado pelos capitalistas, a aprovar a reforma agrária e as estatizações, justamente, por um Congresso pesadamente composto por ruralistas.

A sociedade saiu às ruas (1963) na “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, encorajando os militares a também gritarem um basta. E Jango caiu. E os militares assumiram o País por longos 21 anos, período durante o qual as liberdades foram sufocadas.

Já em abril de 1968 a truculência do regime levaria às ruas a “A Marcha dos 100 Mil Contra a Ditadura”, que não foi vitoriosa, mas mostrou ao governo que o povo estava insatisfeito. Afastados os velhos líderes da esquerda, os governantes fardados sentiram firmeza para sair de cena gradualmente. Foi quando veio o “Diretas Já” (1982/83), que não teve o êxito imediato.

O outro movimento foi o “Fora Collor” (1992) ou “Caras Pintadas”, que ganhou as ruas de surpresa e serviu de partida para o impeachment do presidente. A análise continua.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

1109-Geopolítica e Espiritualidade


Os governos americanos
 

Com exceção dos Estados Unidos que, desde a sua independência, em 1776, fundaram uma república democrática, os governos dos países americanos com origem ibérica (e que receberam imigrantes) foram estruturados no modelo feudal: o poder central tinha os vassalos a servir-lhe (burocracia, clero e militares) e tinha os servos libertos da economia europeia a trabalhar para produzir e gerar impostos.

Repetidamente golpes de Estado entregavam o poder a ditadores. Ditadores derrubavam ditadores. E democracia, mesmo, nada.

Os incipientes exercícios democráticos vieram viciados pelo sistema eleitoral estruturado na ativa e exclusiva participação das classes produtoras.

O povo trabalhador aprendeu a olhar para as instituições não como coisas do povo, talvez para o povo, porém, passando pelo despacho da burocracia corrupta e corruptora.

Os políticos ou eram venerados como reis nos seus currais ou eram encarados como vassalos, escolhidos para servir ao poder e para receber as benesses.

O marxismo russo, tremenda fraude quanto à teoria dos seus autores, tentou abrir espaços nas Américas, mas acabou, mesmo, se fixando apenas em Cuba, apesar de influenciar as políticas de muitos países do continente, entre eles o chamado socialismo bolivariano, que é outra fraude. O pós-guerra (1945) e a Guerra Fria fez com que alguns países procurassem o desenvolvimento através de empresas estatais e aí mais uma vez a vassalagem se fez sentir através de milhares de cargos “executivos”, na verdade, cabides de empregos.

Os modelos mais autênticos de poder as populações das Américas começaram a descobrir quando passaram a viajar para o exterior e a ler as notícias geradas naqueles países cujo modelo hoje é buscado. Muitos dos manifestantes de 2013 projetam para o Brasil o que sabem existir lá fora. Esses são os casos dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha, da Suíça, da Holanda, da Alemanha e de outros, cujas informações chegam aqui ou recolhidas lá fora por quem viaja e passam a ser  comparados com o governo que sustentamos a elevados custos.

Assim, entre admirar aquelas democracias e aquelas monarquias e ante o descalabro da política e administração nossas, o povo começa a compartilhar um desejo de mudança nas instituições. Vieram os abaixo-assinados monstros com vários milhões de assinaturas, um dos quais foi o da “Ficha Limpa”, que tirou de uma multidão de políticos o direito de uma nova eleição.

A mídia brasileira e também de alguns países sul-americanos vinha deixando muito a desejar. Então vieram os grupos sociais na internet.

Foi assim que chegamos aos últimos movimentos populares no Brasil, na Argentina e noutros países. Entrou na moda. Vem fazendo moda desde o norte africano, onde os ditadores vêm sendo afastados por mobilizações que a internet convoca.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

1108-Geopolítica e Espiritualidade


O que era o feudo
 

No sistema feudal europeu havia quatro classes sociais. A do clero, a da nobreza, a dos servos e a dos vassalos.

O clero tinha como função oficial rezar. Na prática, exercia grande poder político sobre uma sociedade bastante religiosa, onde o conceito de separação entre a religião e a política era desconhecido. Mantinham a ordem da sociedade evitando revoltas e conspirações, principalmente camponesas (justamente por causa das injustiças), por meio de persuasão e criação de justificativas religiosas.

A nobreza (que se confundia com a classe chamada de senhores feudais) tinha como principal função a administração do espaço geográfico e guerrear. O que hoje acontece, em que o ladrão vem tomar o que é nosso pela força, há 300 anos era feito em nome de Deus de povo para povo. A nobreza também exercia considerável poder político sobre as demais classes. O rei lhes cedia terras e estes lhe juravam ajuda militar (relações de suserania e vassalagem) para montar exércitos, pôr os homens a cavalo, alimentar pessoais e animais e dinheiro para comprar ou fabricar armas.

Os servos de gleba, camponeses (berço principal dos imigrantes), constituíam a maior parte da população: estavam presos à terra, sofriam intensa exploração, eram obrigados a prestar serviços à nobreza e a pagar-lhes diversos tributos em troca da permissão para o uso da terra e de obter proteção militar. Embora geralmente se considere que a vida dos camponeses fosse miserável, a palavra "escravo" seria imprópria. Para receberem direito à moradia nas terras de seus senhores, juravam-lhe fidelidade e trabalho. Por sua vez, os nobres, para obterem a posse do feudo faziam o mesmo juramento aos reis.

Os vassalos (espécie de parasitas da sociedade) eram os que ofereciam ao senhor ou suserano, fidelidade e trabalho, em troca de proteção e um lugar no sistema de produção. As redes de vassalagem estendiam-se por várias regiões, sendo o rei o suserano mais poderoso. Os vassalos intermediavam negócios e produções.

Foi de entre os servos dos feudos europeus que vieram alemães, astríacos, italianos, poloneses, holandeses, eslavos, ucranianos, espanhóis, russos, etc, etc, para os países do nosso continente e mais ainda para o Brasil.

Os principais habitantes do Brasil, além dos imigrantes, vieram de entre os degredados portugueses, expatriados por terem sido condenados à forca e trocaram a morte por serviços à corte em nosso litoral. Uma minoria era de empreendedores que autorizados pelo rei, ou não, exploravam os recursos naturais e careciam de mão de obra, onde tem origem a outra importante origem de pessoas chegadas da África na condição de escravas.

Numa situação um tanto atípica vieram os açorianos. Saíram dos domínios de Portugal, no Arquipélago de Açores, para outro domínio português na colônia chamada Brasil. Mas, não receberam melhor tratamento. Tanto no Espírito Santo quanto no Paraná, em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, para onde foram enviados, suas vidas foi um calvário longe dos apoios governamentais inexistentes.

terça-feira, 25 de junho de 2013

1107-Geopolítica e Espiritualidade


A maturidade dos excluídos
 

Esta série de artigos tem a pretensão de analisar o comportamento político e espiritual dos povos imigrantes que ocuparam a geografia das Américas a partir do descobrimento (1492) e notadamente nos séculos XVIII e XIX correlacionando isso com as marchas populares (especialmente no Brasil em 2013) em busca de transformações políticas nos países para onde emigraram.

Os habitantes das Américas são, na maioria, expurgo populacional europeu. Houve um momento na trajetória política, econômica e social dos países do Euro atual, que eles se viram obrigados a despachar para os novos continentes recém descobertos muitos milhares de seus concidadãos. Era a sobrevivência de quem saísse e de quem ficasse. Os pobres, em estado de miserabilidade, alcançados pela Revolução Industrial e pelas mudanças do novo modelo rural europeu, ficaram sem terra, sem emprego, sem nada. Famintos, representavam ameaças à estabilidade buscada pelas nações deserdadas do Império Romano e atingidas pelas transformações que a Revolução Industrial trazia.

Vieram para a América, desde 1750 (escoceses para os EUA e açorianos para o Brasil) e mais ainda a partir de 1820, para a América do Sul, milhares de pessoas nas piores condições que se possa imaginar: com a pobre roupa do corpo, sem dinheiro, sem ferramentas, sem nada. E foram jogados nos sertões da América (também no Brasil) sem estradas, sem escolas, sem hospitais, sem nenhuma assistência ou apoio.

Sua fé os manteve de pé. Sua religião pouco ajudou, mas sua força íntima e seu desejo de sobrevivência, os fez unirem-se uns aos outros, cooperarem ao extremo para abrir estradas, construir escolas, igrejas e hospitais, trocando sementes, fazendo mutirões e erguendo comunidades onde hoje estão as cidades que nasceram das roças e currais.

Eles já possuíam baixo nível escolar em virtude de terem sido semiescravos dos senhores feudais europeus, que lhes negavam direitos fundamentais e agora, aqui, nem mais eram dependentes de governos ou patrões, pois estes não existiam na sua realidade.

Estavam aqui como empreendedores, livres para produzir, mas sem saber para quem vender, como entregar ou receber. E tinham uma cultura com seus vícios feudais, isto é, vinham de uma economia que lhes dava só o sustento enquanto os senhores feudais ficavam com os excedentes.

Aqui também foram explorados por atravessadores, ainda são.

Queremos caminhar sobre essa saga e descobrir os valores que esse povo repassou aos homens e mulheres dos tempos atuais. Acompanhe-nos.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

1106-Festas Juninas


Importância de João Batista

João era um judeu de fina educação. Toda a filosofia judaica foi-lhe incutida desde criança. No tempo de João Batista o povo vivia subjugado à soberania dos chamados gentios (não jueus) havia quase cem anos. A desilusão nacional levantava inúmeras questões a respeito dos ensinamentos de Moisés, do desocupado trono de David e dos pecados da nação.

Era difícil de explicar na religião daquele povo a razão pela qual o trono de David se encontrava vazio. A tendência do povo era justificar os acontecimentos adversos com um provável “pecado nacional”, tal como tinha acontecido anteriormente no cativeiro da Babilônia, e outros mais.

Os judeus acreditavam na previsão de Daniel a respeito do Messias, e consideravam que a chegada desse prometido iniciaria uma nova época – a da Libertação. Foi necessário aos judeus acreditarem na ideia de um rei poderoso para governar uma nação. Mas, a proposta desse messias era mais ampla. A pregação de João é fortemente influenciada pela antevisão do "Reino dos Céus". E os ouvintes acreditavam que o esperado Messias estaria para chegar e restaurar a soberania do povo que eles definiam como escolhido, e iniciar uma nova época na Terra: a época de justiça.

A pergunta era quando. A fé de todos defendia que seria ainda naquela geração, e João vinha confirmar o credo. A fama da sua pregação era o fato deste pregador ser tão convicto ao anunciar o Messias para breve. Milhares de pessoas, na sua ânsia pela liberdade acreditavam devotamente em João e nas suas admoestações.

Muitos judeus acreditavam que o Reino dos Céus iria ser governado na terra por Deus em via direta. Outros acreditavam que Deus teria um representante – o Messias, que serviria de intermediário entre Deus e os Homens. Os judeus acreditavam que esse reino seria um reino real, e não um reino espiritual como os cristãos mais tarde doutrinaram. Foi esse o motivo da negação de Jesus como o Messias, por parte da maioria do povo Judeu. Faltou grandeza intelectual ao povo judeu para discernir a figura de Jesus.

João pregava que o "Reino de Deus" estaria "ao alcance das mãos" e essa pregação reunia em sua volta centenas de pessoas sedentas de palavras que lhes prometessem que o seu jugo estava próximo do fim.

João escolheu o Vau de Betânia para pregar. Este local de passagem era frequentada por inúmeros viajantes que, ao seguirem viagem, levavam a mensagem de João a lugares distantes. Isto favoreceu grandemente o espalhar das suas palavras. Quando ele disse "até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão" ele referia-se à 12 pedras que Josué tinha mandado colocar na passagem do rio, simbolizando as doze tribos, na primeira entrada do povo na Terra Prometida.

João era um pregador heróico. Ele falava ao povo expondo os líderes iníquos e as suas transgressões. Quando o assemelhavam a Elias, era porque este tinha o mesmo aspecto rude e admoestador do seu antecessor. João não queria simpatia. Ele pregava a mudança, chamava "raça de v[iboras" e com o indicador apontado, tal como Elias o tinha feito anteriormente, e isto o categorizou como profeta.

João tinha discípulos. Isto significa que ele ensinava. Ele tinha aprendizes com quem dispensava algum tempo em ensinar. Havia interesse nas suas palavras e filosofia nos seus ensinamentos.

Cronologia


Pelos cálculos de James Ussher – pesquisador -, Herodes, cognominado “o Grande” passou a governar a Galileia aos vinte e cinco anos de idade, subordinado ao seu pai Antípatro, em 47 a.C.. Em 46 a.C após corromper o governador romano da Síria, Sexto Júlio César, Herodes tornou-se governador da Celessíria (sudeste da Síria).

Após a morte de seu pai em 43 a.C., da revolta contra os romanos de Aristóbulo II e seus filhos, a partir de 42 a.C., e da invasão dos partas em 40 a.C., Herodes conseguiu o apoio de Marco Antônio, e se tornou rei da Judeia em 37 a.C. recebendo, depois, de Augusto, várias províncias adjacentes. Herodes morreu por volta do dia 25/11 do ano 4. A.C., após haver sido declarado rei por trinta e sete anos (desde 40 a.C.) e tendo reinado, de fato, por trinta e quatro anos.

Houve vários censos feitos no Império Romano durante o reinado de Augusto. O segundo censo ocorreu em 8 a.C., e o terceiro censo em 14 d.C.. Segundo Ussher, o censo referido na Bíblia e que permite a datação do nascimento de Jesus não foi nenhum destes, mas um decreto de Augusto de 5 a.C. que ordenava a taxação de todo o Império Romano, e que ocorreu quando Cyrenius (Públio Sulpício Quirino, que fora cônsul romano sete anos antes) era governador da Síria.

Ainda segundo Ussher, Jesus nasceu no ano seguinte a esta ordem de Augusto de cobrar impostos, e no mesmo ano em que Herodes morreu. João Batista nasceu seis meses antes, em 5 a.C.

domingo, 23 de junho de 2013

1105-Festas Juninas


A Influência Religiosa de João Batista

É perspectiva comum que a principal influência na vida de João terá sido o registos que lhe chegaram sobre o profeta Elias. Mesmo a sua forma de vestir com peles de animais e o seu método de exortação nos seus discursos públicos demonstravam uma admiração pelos métodos antepassados do profeta Elias. Foi muitas vezes chamado de “encarnação de Elias” e o Novo Testamento, pelas palavras de Lucas, refere mesmo que existia uma incidência do Espírito de Elias nas ações de João Batista.

O Batismo de Jesus

Pessoalmente para João, o batismo de Jesus terá sido o seu auge experiencial. João terá ficado admirado por Jesus se ter proposto para o batismo e imensamente agradecido pela oportunidade. Esta experiência motivou a sua fé e o seu ministério a diante.

João batizava em Pela, quando Jesus se aproximou, na margem do rio Jordão. A síntese bíblica do acontecimento é resumida, mas denota alguns fatores fundamentais no sentimento da experiência de João. Nesta altura João encontrava-se no auge das suas pregações. Teria já entre 25 e 30 discípulos e batizava judeus e gentios arrependidos. Neste tempo os judeus acreditavam que Deus castigava não só os iníquos, mas as suas gerações descendentes. Eles acreditavam que apenas um judeu poderia ser o culpado do castigo de toda a nação. O batismo para muitos dos judeus não era o resultado de um arrependimento pessoal. O trabalho de João progredia.

Os relatos bíblicos contam a história da voz que se ouviu, quando João batizou Jesus, dizendo “este é o Meu filho amado com o qual Me alegro”. Refere que uma pomba esvoaçou sobre os dois personagens dentro do rio, e relacionam essa ave com uma manifestação do Espírito Santo. Este acontecimento sem qualquer repetição histórica tem servido por base a imensas doutrinas religiosas.

Outros relatos contam também que João terá batizado dois irmãos de Jesus, Tiago e Judá, sendo os três batizados no mesmo dia do ano 26 d.C. e depois que batizou esses três, dispensou todos os outros e não batizou ninguém mais nesse dia.

A Prisão e Morte de João Batista

O aprisionamento de João ocorreu na Pereia, a mando do Rei Herodes Antipas I, no 6º mês do ano 26 d.C. Ele foi levado para a fortaleza de Macaeros (Maqueronte), onde foi mantido por dez meses até ao dia de sua execução. O motivo desse aprisionamento apontava para o líder de uma revolução. Herodias, por intermédio de sua filha, Salomé, conseguiu coagir o Rei na morte de João, e a sua cabeça foi-lhe entregue numa bandeja de prata e depois foi queimado em uma fogueira numa das festas palacianas de Herodes.

Os discípulos de João trataram do sepultamento do seu corpo e de anunciar a sua morte ao seu primo Jesus, como registram os Evangelhos.

sábado, 22 de junho de 2013

1104-Festas Juninas


As janelas solsticiais

Muito antes do surgimento de João Batista e Jesus entre nós, era costume religioso de alguns povos, entre eles os romanos, festejar a entrada e saída do Sol nos hemiférios, o que ocorre em 21 de junho e 22 dezembro.

Celebradas em 24 de junho (mais tarde dia de São João Batista) e em 27 de dezembro (mais tarde dia de São João Evangelista), essas celebrações não foram originalmente católicas e nem em homenagem a esses dois santos. Outrossim, embora essas festas sejam coincidentes com os dois solstícios anuais, a História nos ensina que foi a Igreja de Roma que associou as festas pagãs com os santos.

Depois do advento da Igreja Romana, no século IV, persistindo as celebrações que igreja chamava de pagãs, o Vaticano juntou-as com os santos de nome João, porque profanamente as datas solsticiais eram chamadas de Janus, janela pela qual o Sol penetra em cada hemisfério nessas datas, hoje erradas porque o calendário foi alterado de Juliano para Gregoriano e o solstício ficou marcado cerca de três dias depois de sua data efetiva.

No dia 24 de junho de 1502, o Rei Henrique VII, da Inglaterra, acompanhado por membros da Ordem dos Hospitalários, sucedânea dos Templários, e de seleta comitiva, assentou a pedra fundamental de sua famosa capela particular em Westminster. Outra nota nos remete a 27 de dezembro de 1561 na cidade de York, quando novamente essa Ordem Secreta promoveu cerimônias solsticiais e já então fazendo a ligação com o outro João referido.

A Igreja somo a expressão Janus (janela) ao nome João e assim os dois Joãos vieram ser considerados patronos das passagens solsticiais no planeta.

Os solstícios

Em sua marcha, em torno do sol, (a translação) a terra descrevendo uma elipse, ora fica mais próxima, durante os Equinócios, ora mais afastada do Sol durante os solstícios.

O plano do equador terrestre e o plano da trajetória da terra, em seu movimento em redor do Sol quase nunca coincidem, havendo inclinação de um, em relação ao outro, até de vinte e três e meio graus (23,5°). Isso acontece porque a parte superior do eixo da terra está sempre apontado em direção a uma estrela de enorme brilho que fica ao norte, denominada de Estrela Polar.

Em consequência, de acordo com a posição da terra, ora o hemisfério norte, ora o hemisfério sul, ficam mais expostos aos raios do Sol. Quando ocorre o verão, o hemisfério oposto resguardado da luz do Sol fica sobe efeito do Inverno. Essas mudanças se dão cada seis meses. 

Os dois solstícios ocorrem, em 21 de junho e 22 de dezembro, datas bem próximas aos dias santificados de que tratamos, como dissemos por erro dos calendários.

Para o Hemisfério Norte, onde esses eventos tiveram origem, São João Batista é dado como o precursor da Luz (vem antes da entrada do Sol no hemisfério) e com a prática da purificação, pela água, é considerado o profeta das iniciações, enquanto, São João Evangelista é chamado de Apóstolo Virgem, foi o discípulo por quem Jesus Cristo teve grande zelo e respeito. Ele, Pedro e Tiago formaram o trio de apóstolos mais importante do cristianismo. Junto à cruz, recebeu de seu agonizante Mestre a sua própria Mãe, para proteger. Ele foi o anunciador ou revelador da Luz, o guardião da doutrina e defensor do amor fraterno. Esta prática antiga associada ao João Evangelista foi eclipsada com a escolha do 25 de dezembro para data natalícia de luz, simbolizando a entrada do Sol no hemisfério Norte.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

1103-Festas Juninas


Reencarnação de Elias

De acordo com um médico da Antióquia, que residia em Písia, de nome Lucas, o Lucas do Evangelho, João terá iniciado o seu trabalho de pregador em torno do 15º ano do reinado de Tibério, que governou Roma de 14 a 37 d.C.

Este 15º ano do reinado de Tibério César terá marcado, então, o início da pregação pública de João e a sua angariação de discípulos por toda a Judéia em acordo com o Novo Testamento.

João é tido como reencarnação do profeta Elias.

Mesmo a sua forma de vestir com peles de animais e o seu método de exortação nos seus discursos públicos, demonstravam uma admiração pelos métodos antepassados do profeta Elias.

Foi muitas vezes chamado de “encarnação de Elias” e o Novo Testamento, pelas palavras de Lucas, refere mesmo que existia uma incidência do Espírito de Elias nas ações de João.

O discurso principal de João era a respeito da vinda do Messias e da preparação moral para esse novo tempo.

Grandemente esperado por todos os judeus, o Messias era a fonte de toda as esperanças deste povo em restaurar a sua dignidade como nação independente.

Os judeus defendiam a idéia da sua nacionalidade ter iniciado com Abraão e Jacó, e que esta atingiria o seu ponto culminamte com a chegada do Messias.

João advertia os judeus e convertia gentios, e isto tornou-o amado por uns e odiado por outros.

Importante notar que João não introduziu o batismo no conceito judaico, este já era uma cerimônia praticada.

A inovação de João terá sido a abertura da cerimônia à conversão dos gentios, causando assim muita polêmica.

Numa pequena aldeia de nome “Adão”, João pregou a respeito “daquele que viria”, do qual não seria digno nem de apertar as alparcatas (correias das sandálias).

Nessa aldeia, também, João acusou Herodes e repreendeu-o no seu discurso, por este ter uma ligação com a sua cunhada Herodíades, que era mulher de Filipe, rei da Ituréia e Traconites (irmão de Herodes Antipas I).

Esta acusação pública chegou aos ouvidos do tetrarca e valeu-lhe a prisão e a pena capital por decapitação alguns meses mais tarde, segundo a história a pedido de Salomé, a filha de Herodíades.

Os relatos Bíblicos contam a história da voz que se ouviu, quando João batizou Jesus, dizendo “este é o Meu filho amado no qual ponho toda a minha complacência”.

Refere que uma pomba esvoaçou sobre os dois personagens dentro do rio durante a cerimônia, e relacionam essa ave com uma manifestação do Espírito Santo.

Este acontecimento sem qualquer repetição histórica tem servido por base a imensas doutrinas religiosas.

Os judeus acreditavam na previsão de Daniel a respeito do Messias, e consideravam que a chegada desse prometido iniciaria uma nova época – a do Reino do céu.

A pregação de João é fortemente influenciada pela antevisão do "Reino dos Céus".

E os ouvintes acreditavam que o esperado Messias estaria para chegar e restaurar a soberania do povo que eles definiam como escolhido, e iniciar uma nova época na Terra: a época de justiça.

João era um pregador heróico, corajoso.

Ele falava ao povo expondo os líderes iníquos e as suas transgressões.

Assemelhava-se, como foi dito, a Elias, porque tinha o mesmo aspecto rude e admoestador do seu antecessor.

João não queria simpatia. Ele pregava a mudança, chamava "raça de víboras" e com o indicador apontado, tal como Elias o tinha feito anteriormente, e isto o categorizou como profeta.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Extra: Democracia e Maioridade Espiritual


Vale, sim, pode protestar

Esta nota extra objetiva repassar aos leitores brasileiros que o Brasil está parado nesta noite de 20 de junho, pedindo respeito ao povo. Nossas autoridades, com raríssimas exceções acham que podem tudo e passam por cima dos mais elementares princípios de moral, ética e democracia. Queremos ser felizes aqui e agora. Isso também é maioridade espiritual. Saia da poltrona. A rua acaba de ser eleita a via dos democratas pela moral e pela ética.

1102-Festas Juninas


O profeta precursor

A fonte de consulta para esta postagem é o Evangelho de São Lucas e os escritos de Flávio Josefo, historiador contemporâneo de João Batista.

Segundo a narração do Evangelho de São Lucas,  João Batista era filho do sacerdote Zacarias e de Isabel (ou Elizabete), prima de Maria, mãe de Jesus, como vimos na postagem anterior.

Foi profeta e é considerado, principalmente pelos cristãos ortodoxos como o "precursor" do prometido Messias, Jesus Cristo.

Batizou muitos judeus, incluindo a Jesus, no rio Jordão e introduziu o batismo de gentios nos rituais de conversão judaicos, que mais tarde foram adotados pelo cristianismo.

João Batista teria 5 meses de diferença na idade com Jesus e eram parentes, como vimos, pois suas mães eram primas.

Nasceu em torno do ano 7 a.C. e foi executado por Herodes no ano 26 de nossa Era.

João nasceu numa pequena aldeia chamada Aim Karim, a cerca de seis quilômetros lineares de distância a oeste de Jerusalém.

Segundo interpretações do Evangelho de Lucas, era um nazareno como Jesus.

O que vale dizer que estudou na Escola de Qumram, de onde saíram os Manuscritos de Nag Hamadi. 

João terá efetuado os votos de nazarita que incluíam abster-se de bebidas intoxicantes, deixar o cabelo crescerem, como Sansão, Jesus, e nunca tocar nos mortos.

Os nazarenos eram muito espiritualizados, contrastando com a materialidade da cultura judaica e romana da época.

Com a morte do pai (Zacarias), no ano 12 d.C. João, aos 18-19 anos de idade, filho único, foi cuidar de Isabel, sua mãe, também desencarnada logo depois.

Para poder manter-se próximo de Qumram, sua escola, e ajudar a sua mãe, eles teriam se mudado para Hebrom (no deserto da Judéia).

Ali João teria iniciado uma vida de pastor, juntando-se às dezenas de grupos ascetas que deambulavam por aquela região e que se juntavam amigavelmente e conviviam como era o costume nazareno.

Com a morte da mãe (Isabel) no ano 22.d.C, João ofereceu todos os seus bens de família à irmandade nazarita e aliviou-se de todas as responsabilidades sociais, iniciando a sua preparação para aquele que se tornou um “objetivo de vida”: pregar aos gentios e admoestar os judeus, anunciando a proximidade da chegada de um “Messias” que estabeleceria o “Reino do Céu” na Terra.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

1101-Festas Juninas


O santo das fogueiras

As sociedades tradicionalmente alcançadas pela cultura romana, melhor dizendo, católica, desenvolveram festejos populares no mês de junho, chamadas de festas juninas ou festas dos santos populares: Santo Antônio (casamenteiro, associado ao dia dos namorados) São João, o santo das fogueiras e São Pedro/São Paulo, o primeiro padroeiro dos pescadores e tido como primeiro papa e Paulo, o maior divulgador da doutrina de Jesus além das fronteiras da Palestina.

São celebrações populares católicas que acontecem em vários países e que são historicamente relacionadas com a festa pagã do solistício de verão (no hemisfério norte) e de inverno (no hemisfperio sul), que era celebrada no dia 24 de junho, segundo o calendário juliano (pré-gregoriano, que trouxe a diferença de um ou dois dias para o solistício real). Tal festa foi catolizada na Idade Média, se tornando a Festa de São João, o profeta precursor de Jesus, conhecido como João Batista (porque batizava).

Anote que na mesma época (mês de junho) a sociedade interiorana no Brasil por incentivo dos padres católicos passou a organizar os festejos juninos com base nos bailes tradicionais nos quais se dançava a quadrilha (também chamada de polonaise – por que veio com os imigrantes polacos) e no qual se servia (e serve) a mesa com produtos tradicionais de suas colheitas acontecidas no final do verão: batata, mandioca, amendoim, cana de açúcar e seus derivados, uva e seus derivados, pinhão e seus derivados e muitos outros, inclusive a cachaça extraída da cana de açúcar, um produto que também é colhido no início inverno.

Aí vem a lenda ou história da fogueira: ao que se diz, as primas Maria de Nazaré e Isabel (ou Elizabeth) aguardavam o nascimento de seus filhos famosos: Jesus e João Batista, respectivamente e combinaram que o primeiro a nascer seria avisado mediante o acender de uma fogueira à frente da casa. As primas eram vizinhas e podiam ver, uma e outra, as casas onde residiam.

João nasceu antes e, evidentemente não foi em 24 de junho, como Jesus também não nasceu em 25 de dezembro, e a fogueira para o nascimento de João foi acesa, continua sendo acesa em sua honra.

Mas, isso não acontece só no Brasil. Com muitas variações, as festas acontecem na Europa: Dinamarca, Estônia, Finândia, Letônia, Lituânia, Nuruega, Suécia Irlanda, Galiza, Reino Unido, França, Itália, Malta, Portugal, Espanha, Ucrânia, e na América, Estados Unidos e Porto Rico associadas ao solstício de inverno, aludindo à entrada do Sol no Hemisfério Sul e dando causa às noites mais longas naquele hemisfério. Na Austrália as festas têm a mesma relação silsticial que para nós brasileiros.

Existem, porém, significados especiais sobre estas festas. É o que continuaremos a explorar nas próximas postagens.

terça-feira, 18 de junho de 2013

1100-Escolha sua posição


 Quatro variantes da vida em sociedade

Veja aí como você se enquadra ou se posiciona na sociedade em que se insere. O que está escrito aí nas linhas seguintes é a mais pura realidade. Em qualquer das situações em que estejamos andando nas correntes de cultura – e tome cultura por aquilo que fazemos e deixamos anotado como jeito de viver – temos quatro variantes básicas e algumas variantes secundárias onde somos fotografados como entes políticos, sociais, econômicos e religiosos.

Liderando ou seguindo nossos líderes, a variante que mais gente acomoda é a dos DISTRAÍDOS. É aquele grupo que pensa pouco, escuta muito, segue a onda sem se perguntar “aonde isso vai dar?” E por incrível que possa parecer, seus integrantes acabam sendo TRAIDORES e TRAÍDOS, como se descreve as duas outras variantes imediatas. Traidores porque traem seu próprio destino, traem o destino de seus filhos e de quem mais depender deles para levar adiante a vida. Mas, são, também, traídos, isto é, deixam-se trair por aqueles que se aproveitam de sua distração para subir sobre seus ombros.

Nessa imensa lista de distraídos estão muito trabalhadores, muitos consumidores, muitos eleitores, muitos contribuintes, e olha, estão também muitos torcedores, que entregam o melhor si em troca de coisa pouca e ruim. E ainda não falei dos fiéis de uma enorme lista de corporações religiosas. Todos renunciam sua condição de sujeitos dos processos políticos, sociais, econômicos e religiosos e entregam sua mente, seu corpo, sua alma a esquemas profundamente perversos. Tornam-se objetos. Referendam o naufrágio de muitos modelos que, sem dúvida, caminham para o caos. Distraídos, dentro desses “barcos fazendo água” não têm capacidade para perceber que o naufrágio é iminente.

Quanta coisa poderia entrar nesta lista para marcar sua atualíssima verdade... A mobilidade urbana dos grandes centros, para onde a maioria quer ir é, por enquanto, a mais visível e a mais badalada, até porque gera protestos.

TRAIDORES são os que enxergam tudo isso, mas nada fazem porque estão tirando proveito do caos. É duro recolher esta visão e anotar como esses caras de pau tem pouca ética, pouco compromisso com o certo, pouco respeito com a vida.

TRAÍDOS, além daquela parcela já referida atrás, ainda são os que dificilmente poderiam protestar, pois suas sobrevivências, pobres e desconfortáveis sobrevivências, ainda estão na dependência de se deixar trair para ter amanhã.

Finalmente a quarta e última situação. Esta pertence aos ATRAÍDOS. São poucos, por enquanto, mas não se deixam e não se deixarão abater. Alistam-se nos pelotões de resistência, fazem abaixo-assinados escritos e virtuais, saem em passeatas, erguem a voz nas reuniões, escrevem para os veículos de comunicação, ligam (xingando) para os políticos, cuidam do planeta, das crianças, dos velhos, dos doentes, dos índios, dos animais, dos miseráveis, dos doentes.

São, principalmente, aqueles que já não votam nos candidatos viciados em carreira política, cuja campanha de agora prepara a próxima campanha, o seu próximo mandato. São os que acreditam que qualquer das três situações como distraídos, traídos e traidores sepultam o futuro político, social, econômico e religioso e saem à luta em busca de novos aliados, na verdade, novos atraídos para tocar a vida sem serem adversários dela.

Dá a impressão que quando a cultura religiosa inventou o diabo como um anjo caído, que se rebelou e passou a batalhar na ala dos adversários do bem, nada mais estava inventando do que o objetivo do próprio homem: opção sua (ou indução sua) por ficar na contramão da vida. E o anjo caído está conseguindo chegar ao seu próprio inferno.

Como fica, falando francamente?: os distraídos levam ferro e acham que isso é normal; os traidores terão de acertar contas com o futuro; os traídos que não acordarem serão como aqueles “cornos mansos” que conhecemos.

Para finalizar: os atraídos pertencem à única classe humana com a qual a vida ainda pode contar. O mundo do futuro, melhor, será deles.

Bem-aventurados os que acreditam porque deles será o reino da futura sociedade.    

segunda-feira, 17 de junho de 2013

1099-Instrumentos de Evolução


Distrair e desviar para manipular (III)

Segue a continuação do artigo anterior:

7. Manter o público na ignorância e na mediocridade. Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais menos favorecidas deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que planeja entre as classes menos favorecidas e as classes mais favorecidas seja e permaneça impossível de alcançar (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas").

8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade. Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto. A temática brega vira coisa chique. Tome-se a maioria das estações de rádio de grandes capitais e escute o que ali se toca.

9. Reforçar a autoculpabilidade. Fazer as pessoas acreditarem que são culpadas por sua própria desgraça, devido à pouca inteligência, por falta de capacidade ou de esforços. Assim, em vez de rebelar-se contra o sistema econômico, o indivíduo autodesvaloriza-se e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo efeito é a inibição da ação. E sem ação, não há revolução! Mas, lá vem o governo com as cotas nas escolas oficiais e então é dado o recado: você é incapaz de passar no vestibular, mas nós aqui, cheios de dó, arranjamos um jeitinho de botar você pra dentro.

10. Conhecer os indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem. No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência gerou uma brecha crescente para conhecer o que pensa e o que querem os diversos públicos. Essa ferramenta de marketing é posse e vem sendo utilizada pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicadas, o "sistema" tem disfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto no aspecto físico quanto no psicológico e na vontade. O sistema conseguiu conhecer melhor o indivíduo comum do que ele a si mesmo. Isso significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre si mesmos. A escravidão dominara pelo braço, passou a dominar pela mente e agora já domina pela psique.

Chomsky por não ser brasileiro talvez desconheça uma décima-primeira estratégia aplicada no Brasil e que é aqui incluída por nossa conta:

11. Minimizar a culpa dos culpados. Intensificar informações de que o sistema jurídico está constituído assim como está e que as leis são do jeito que estão e ali reside o fato da não aplicação da Justiça. Se as leis existem, o que acontece é legal, ainda que seja imoral. Como o público não legisla, faz o quê? Deixa assim e toca em frente. Enquanto isso, alguém está muito satisfeito com o que está acontecendo. Do lado de fora dessa esbórnia uns se indignam com ela, mas a maioria não toma conhecimento dela. Os culpados não são punidos e nada muda no mundo da corrupção e da ladroeira.

Que tal, brasileiro! O que você acha que tem de ser feito para sair dessa esbórnia?

Não venha me dizer que isso não é coisa sua!!!!

domingo, 16 de junho de 2013

1098-Instrumentos de Evolução


Distrair e desviar para manipular (II)

Segue a continuação do artigo anterior:

3. A estratégia da gradualidade. Para fazer com que uma medida inaceitável passe a ser aceita, basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Dessa maneira, condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Uma constante condenação à ineficiência governamental, seguida de pregações como Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4. A estratégia de diferir. Outra maneira de forçar a aceitação de uma decisão impopular é a de apresentá-la como "dolorosa e desnecessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Logo, porque o público, a massa tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isso dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5. Dirigir-se aos públicos como se fossem menores de idade. A maior parte da publicidade dirigida ao grande público utiliza discursos, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade mental, como se o espectador fosse uma pessoa menor de idade ou portador de distúrbios mentais. Quanto mais tentem enganar o espectador, mais tendem a adotar um tom infantilizante. Por quê? "Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, em razão da sugestionabilidade, então, provavelmente, ela terá uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas")".

6. Utilizar o aspecto emocional mais do que a reflexão. Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e, finalmente, ao sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos...

Voltaremos na próxima postagem com a conclusão desses raciocínios.

sábado, 15 de junho de 2013

1097-Instrumentos de Evolução


Distrair e desviar para manipular (I)

O padrão populista dos governos que oferecem pão e circo em troca do poder, como vimos, vem desde os tempos dos poderosos impérios da Antiguidade. Mas, ultimamente suprimiu-se o pão. A fome foi incluída na temática. E a oferta ficou somente no circo. E a grande arena do circo é a mídia.

O linguista Noam Chomsky elaborou a lista das "10 Estratégias de Manipulação" através da mídia. Chomsky é linguista, filósofo e ativista político estadunidense. Professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Eis a lista das estratégias que diariamente são aplicadas pela mídia para manter-nos longe da reação temida pelas gangues que tiram proveito disso:

1. A estratégia da distração. O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter distraída a atenção do público, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado; sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja com outros animais (citação do texto "Armas silenciosas para guerras tranquilas").

2. Criar problemas e depois oferecer soluções. Esse método também é denominado "problema-ração-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reação no público a fim de que este seja o mandante das medidas que desejam sejam aceitas. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o demandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para forçar a aceitação, como um mal menor, do retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços púbicos. Continua...