sábado, 31 de agosto de 2013

1168-Jornadas de Crescimento Espiritual


Visões de mundo (de que mundo?)

O fato mais impressionante na experiência intelectual, espiritual e poética do homem sempre foi a preponderância universal desses espantosos momentos de intuição, de visão interior e exterior por ele alcançado, que se chama “consciência cósmica”. Não existe um nome satisfatório para esse tipo de experiência. Chamam-na de mística e confundem-na com visões de um outro mundo, ou de deuses e anjos. Chamam-na de espiritual e metafísica, sugerindo não se tratar de algo extremamente concreto e físico, ao mesmo tempo em que a expressão “consciência cósmica” possui um indisfarçável sabor de jargão ocultista.

Na verdade, tudo parece ser uma coisa só e a expressão “cósmica” pode significar o “eu superior”, por vezes também chamado de supraconsciente. E com um pouquinho mais de esforço, pode-se dar ao “eu superior” um status de entidade conectada com o divino.

Em todos os tempos e em todas as culturas são pródigos os relatos do envolvimento do homem com as sensações inequívocas do transcendental no sensorial, surgindo, via de regra, de forma repentina e inesperada, sem causas claramente compreendidas. É o nosso despreparo para a coisa? É possível.

Um setor da vida que podemos chamar de sagrado irrompe no plano da mente, a experiência é muito forte e agradável, deixando a sensação de que Deus passou por ali e no geral muito difícil de explicar. Sim, não temos palavras ou conceitos para definir essa vivência.

Pontos de vista

Para os indivíduos preparados para algumas coisas que podemos definir por Iniciação, a experiência aparece como uma certeza vívida e indubitável de que o universo, naquele momento preciso, como um todo e em cada uma de suas partes, está tão clamorosamente certo que não precisa de nenhuma explicação ou justificativa, além do que ele simplesmente é. A “visão” (é assim: “vemos” o que não pode ser por nós percebida de outra forma comunicativa: o cérebro “vê”) sugere que tudo está correto, não necessita de definição e não pode ser descrito por falta de referência. Inexistem palavras apropriadas para descrever o que “vemos”. Assim, se o universo está clamorosamente certo, o Espírito humano também está e não precisa de nenhuma explicação ou justificativa e sim de reconhecimento e transcendência.

Mas, é pouco. A curiosidade inconformada do homem quererá mais. E ao ter mais, quererá ainda mais e mais.        Quem já experimentou visitar a zona de absoluto silêncio, morada do Espírito, de lá retornará relatando que nesses momentos vê em vez de pensar e só mais tarde começará a procurar, de modo desajeitado, as palavras através das quais tentará expressar o que lhe foi revelado.

E de novo esbarramos nos pontos de vista. Uma pessoa dirá (1): “encontrei a resposta para todo o mistério da vida, mas não tenho palavras para descrevê-lo”. Outra sustentará impávida: (2) “não houve nenhum mistério e, portanto, não há nenhuma necessidade de resposta, dado que a experiência deixou clara a irrelevância e o artificialismo de todas as questões que nos atormentavam”. Uma terceira pessoa declarar-se-á (3) “absolutamente convencida de que a morte não existe e de que o seu eu verdadeiro é eterno como o universo”. Haverá ainda aquela que proclamará (4) “que a morte simplesmente deixou de constituir motivo de preocupação, pois o momento presente é tão completo que não exige um futuro”. E, assim, mais outra, sentir-se-á (5) “possuída e ligada a uma vida infinitamente diferente da sua própria”.

Mas, assim como as batidas do coração podem ser inscritas como algo que acontece conosco, ou como alguma coisa que nós fazemos, dependendo dos pontos de vista, um indivíduo sentirá que experimentou não a transcendência de um Deus, mas a sua própria natureza mais íntima. Isso mesmo, passamos muitos séculos esperando encontrar Deus aqui no nosso plano e esquecemos que quem tem de elevar-se para chegar a Ele somos nós.

Outro sentirá como se o seu ego ou o seu eu se expandisse a ponto de conter em si todo o universo, enquanto outro mais sentirá que se perdeu de si mesmo, inteiro, e que o que considerava seu ego nunca passara de uma abstração. Indefinidamente, outro contará entusiasmado de que forma enriqueceu (sabedoria), infinitamente, enquanto outro se lamentará de ter sido reduzido a tão extrema miséria (ego), que não possui nem mesmo a sua mente e o seu corpo, e não tem mais ninguém no mundo que se preocupe com sua desgraça, sem que em nenhum dos casos esteja se referindo a coisas materiais.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

1167-Jornadas de Crescimento Espiritual


A palavra mais recente sobre Espírito

Cientistas e filósofos, ultimamente, desenvolvem com intensidade seus estudos para tentar explicar o que existe, ali, tão misteriosamente, no íntimo humano, misturando inteligência, percepção, consciência, vontade, iluminação. Gunther S. Stent, biólogo molecular, conclui que “para ir além na investigação parece restar três sérios problemas a resolver: a origem da vida, o mecanismo da diferenciação celular e a base funcional do sistema nervoso superior”.

John White, cuja dedicação aos estudos da consciência humana é notória, anuncia: “não prevejo uma solução para o mecanismo da consciência (...) uma vez que seus aspectos epistemológicos postulam-na não só como o problema filosófico central da vida, mas também situam-na além do domínio da investigação científica”.

Roger Wescott contribui com a hipótese de que a consciência é uma bioiluminescência interna, endocraniana, “uma forma de luz, propriamente dita, gerada no, pelo e para o cérebro, podendo ser a matéria-prima da consciência pura, ou seja, o Espírito”.

A própria percepção pode consistir na geração e recepção internas de radiação perceptível – numa palavra: de luz. Seria, esta luz, a energia que chamamos de Espírito? Talvez, pois, à medida que as pesquisas avançam secundadas por equipamentos de registro, fica claro que em alguma região do cérebro se pode encontrar o que os cientistas chamaram de “ponto de Deus”, áreas muito fortemente carregadas de energia sempre que o ser humano se concentra em oração ou meditação.

Estupendo! O que era negado até alguns anos atrás, hoje é fotografado em sinal de prova de sua existência. Já existe um bom número de literatura científica tratando do Ponto G, de Deus, no centro do cérebro humano, cuja área se expande luminosa diante da tomografia computadorizada cada vez que o titular daquele cérebro abre-se para contatos mentais com o que imaginamos ser Deus.

A consciência explica?

Antes de pensar, imaginar, estudar e deter-se sobre o Espírito, o homem precisará vencer suas pequenas diferenças, que se tornam grandes a jusante das ideias religiosas, filosóficas e culturais adquiridas com o tempo velho e de difícil atualização, que perturbam a compreensão nem tanto pela via dos conceitos, mas muito pela via dos preconceitos.

A sutil diferença entre um cavalo e um homem, além da construção biotipológica, sempre será o aspecto da consciência, que em um deles está desenvolvida e no outro não. E é o aspecto consciência que parece traçar o mapa de ingresso do nosso conhecimento no mundo do Espírito. Mas, até mesmo para falar da consciência devemos afinar conceitos, pois o Ocidente costuma confundi-la com pensamento e chega ao extremo de colocá-la no mesmo nível da emoção, da sensação ou do movimento. E ela – a consciência – não é nenhuma dessas funções; ela é uma percepção das nossas diversas atividades no exato momento em que estas estão ocorrendo em nós. Ela é aquela região silenciosa, que para muitos estudiosos é a morada do Espírito ou memória dele. Quem sabe se possa conceituá-la como a memória do Espírito? E aqui já tomamos o Espírito como a mesma coisa que a consciência pura, desprovida de quaisquer pensamentos e palavras. Por isso, uma região silenciosa. Tão silenciosa, que em todas as culturas se pede silenciar a mente para alcançá-la, alcançando assim o Espírito e, por extensão, a Deus.

Mais recente, mesmo

Ken Wilber (Kenneth Earl Wilber Jr.) é, hoje, o mais famoso pensador em atividade. É o criador da Psicologia Integral e de forma mais geral do Movimento Integral. No dia 4 de Janeiro de 1997, o jornal alemão Die Welt declarou Wilber como "o maior pensador no campo da evolução da consciência". Para os acadêmicos em geral, sobretudo aqueles relacionados à Filosofia, Wilber se apoia numa intelectualidade de massas para surpreender um público não especializado.

Sua obra concentra-se basicamente na integração de todas as áreas do conhecimento (ciência, autoajuda, arte, ética e espiritualidade). A preocupação em unir ciência e religião apoia-se em sua própria experiência e na de diversos místicos de algumas das grandes tradições de sabedoria, tanto ocidentais quanto orientais; aliado à sua releitura transpessoal da psicologia analítica de Carl Gustav Jung dá novos passos na área.

Mesmo sendo considerado um fundador da escola da Psicologia Transpessoal, desde então ele se dissociou dela. Em 1998 Wilber fundou o Instituto Integral (Integral Institute), organização que reúne inúmeros pensadores nas questões sobre a ciência e a sociedade de maneira integral. Ele tem sido pioneiro no desenvolvimento da Psicologia Integral, da Política Integral - e, mais recentemente, de uma nova Espiritualidade Integral. A partir de 2005 passou a fazer parcerias com outro destacado pesquisador que une biologia e mística, o inglês Rubert Scheldrake, nascendo daí uma obra importante: Vida depois da morte: a ciência na fronteira do mistério.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

1166-Jornadas de Crescimento Espiritual


O que é o Espírito

Sabemos muito pouco sobre ele e sobre ele estudamos muito pouco. De qualquer forma, é muito importante estudá-lo. Ao conhecê-lo, o homem conhecerá talvez tudo sobre si mesmo e sobre o que poderá existir além do homem.

Sabendo muito pouco sobre o Espírito, os desinformados e apressados exercitam a própria imaginação para falar sobre ele. Para defini-lo, dizem tratar-se de algo imaterial e sobrenatural ou imaginário, como imaginários poderiam ser também os anjos, os diabos, os duendes e, por que não, Deus. Imaterial por que, ao que consta, é energia, conceitos que ainda não admitiam a energia como matéria.

Sobrenatural porque, ao que se ensina, está acima do mundo que existe, num conceito que ainda separa tudo, inclusive no ser humano: corpo é uma coisa, alma é outra coisa. Imaginário porque, segundo se diz, é a imaginação que qualifica o animal humano perante os demais animais. Os dons humanos, segundo esta lógica, advêm do imaginário.

Não se pode pensar, imaginar, estudar e deter-se sobre o Espírito, sem incluir a hipótese de que o mundo é permeado e organizado por uma inteligência superior, da qual o Espírito que habita o homem é parte, cópia, semelhança ou algo assim, como sugerem as escrituras sagradas. O ponto de vista humano será ainda por muito tempo o ponto de vista da parte perante o todo. E a parte não pode conhecer o todo. Ou pode? Podendo ou não, é certo, nenhum computador inferior será capaz de definir um computador superior. O ponto de vista humano será provisório e temerário enquanto a coisa for colocada como algo incomensuravelmente maior que o homem. Ou enquanto insistirmos em separar a parte do todo, como viemos fazendo há séculos.

A tese Fonseca

No livro “Karma Genético” (Evolução Editorial, SP, 1997), o autor, Alcides A. Fonseca, desenvolve o raciocínio não muito diferente do que encontramos no “Livro dos Espíritos”, segundo o qual um Espírito é soma ou agregação de trilhões de átomos com origem no reino mineral, evoluindo para o reino vegetal e deste ao reino animal e humano. Sem novidade, pois, como vimos, Kardec já aborda a mesma sequência.

O que determina, segundo Fonseca, o limite para a transmutação, é o volume celular compatível a cada reino. Algumas espécies de vida, como a dos vírus e dos insetos, ele coloca como estágios transitórios entre os reinos. Assim, entre o estágio mineral e vegetal, vivem os vírus portadores de rudimentos intermediários do Espírito. Os insetos seriam os portadores dos rudimentos transitórios entre os estágios vegetal e animal. E os símios seriam os portadores dos rudimentos transitórios entre os reinos animal e humano. A cada fase o Espírito cresce em conteúdo (saber) e poder. A mais importante transmutação se dá na passagem do reino animal para o reino humano e deste para o reino angelical.

O autor também define a missão do Espírito: unir os pedacinhos de consciências inferiores que carrega para alcançar o conhecimento total, quando completar a evolução. E, para isso, a necessidade das passagens pelos reinos mineral, vegetal e animal, numa estreita relação com a água, a terra, o ar e o fogo e a absoluta necessidade da reencarnação, uma vez que também as vidas em todos os reinos são, também, reencarnações, porém muito curtas para garantir a inteira evolução.

Atenção estudiosos da espiritualidade (repetindo para destacar): nesse conceito também vivendo nos reinos inferiores os pré-espíritos se tornam reencarnantes.

Fonseca ainda explora a possibilidade da existência dos Espíritos iniciáticos, inocentes, ingênuos, puros, que são os seus estados naturais de criaturas detentoras de pouca ou nenhuma informação, até mesmo pela ausência de experiências anteriores de vidas no reino humano, podendo aí serem chamados de gnomos, duendes, etc.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

1165-Jornadas de Crescimento Espiritual


Crescer infinitamente

Assim como Deus é infinito e o homem Sua imagem e semelhança, devemos entender o homem como um ser infinito. Infinito não no uso do corpo porque a matéria deteriora-se, recicla-se e se transforma, mas eterno, sim, como ser espiritual e não apenas como uma alma que se desprende do corpo após a primeira vida biológica e se apresenta aos portais sagrados como alguém que cumpriu sua missão e vai descansar.

Esse é um pensamento simplório demais para a complexidade dos temas sagrados e ao admitirmos este pedaço da história estaremos impedindo que a compreensão se alongue e se revele como uma obra magistralmente arquitetada por Deus para ser perfeita: múltiplas existências, pressuposto para uma aprendizagem ininterrupta, um crescimento sem fim, a mesma evolução que o Criador programou para toda a sua obra natural.

Não fosse assim, valeria perguntar: por que viver apenas uma existência, iniciar o aprendizado e, como acontece muito, deixar o corpo ainda jovem em razão das guerras, dos acidentes, dos assassinatos? Isso tem lógica? Isso é inteligente? Isso tem relação com a bondade e sabedoria de Deus?

A tese das múltiplas vidas vem sendo protelada apenas por aquelas correntes de fé que não evoluíram e estão presas a conceitos antigos, elaborados quando ainda precisávamos dos mitos para entender a vida. Éramos crianças a ouvir estórias sobre os deuses e a vida terrestre.

Da mesma forma que as religiões andaram para frente, embora com certa lentidão, também o conhecimento sobre Deus vem andando, agora com mais pressa em alguns setores e com mais vagar em outros.

Nenhuma inteligência superior, como é Deus, ao planejar a vida, como demonstra tê-la planejado, evolutiva, melhoradora, teria cometido o erro de conceber o homem para uma existência só, de 100 anos, no máximo, diante da marcha infinita da vida cósmica em que tudo mais evolui.

Uma pequena consciência, se comparada com a de Deus, porém imensamente poderosa. Isso somos nós. Não cabe sucumbir nos limiar de seu primeiro aprendizado, não pode caber interromper a vastidão da obra humana numa pequena existência, muitas vezes de semanas, meses, poucos anos...

Sabemos ao observar que uma criança que aos três anos de idade fala quase todas as palavras nossas conhecidas. Logo, não se trata de um espírito estreante no corpo. Naquele subconsciente está o conhecimento de outras vidas. Maior ainda é a evidência quando a criança fala línguas estrangeiras, desconhecidas da família onde nasceram. Como explicar isso?

Crescer infinitamente. Essa é a proposta da vida.

O que dificulta um pouco o entendimento da Ciência Espiritual, é o escasso conhecimento que se tem sobre o Espírito.

A palavra espírito tem sua raiz etimológica no Latim "spiritus", significando "respiração" ou "sopro", mas também pode estar se referindo à "alma", à "coragem", ao "vigor" e finalmente, fazer referência a sua raiz no idioma PIE (s)peis- (“soprar”). Na Vulgata, a palavra “espírito”, em Latim, é traduzida a partir do grego “pneuma” (πνευμα), (em Hebreu (רוח) ruah), e está em oposição ao termo anima, traduzido por “psykhê”.

A distinção entre a alma e o espírito somente ocorreu com a atual terminologia Judeo-Cristão (ex. Grego. "psykhe" vs. "pneuma", Latim "anima" vs. "spiritus", Hebreu "ruach" vs. "neshama", "nephesh" ou ainda "neshama" da raíz "NSHM", (respiração). Eles não sabiam quase nada e foram inventando.

A palavra espírito costuma ser usada em dois contextos, um metafísico e outro metafórico.

Filosofia

Espírito é definido pelo conjunto total das faculdades intelectuais. Ele é freqüentemente considerado como um princípio ou essência da vida incorpórea (religião e tradição espiritualista da filosofia), mas pode também ser concebido como um princípio material (conjunto de leis da física que geram nosso sistema nervoso).

Na Antiguidade, o sopro e o que ele portava (o som, a voz, a palavra, o nome) continha a vida, seja em protótipo, em essência ou em potência (mítica). No tronco judaico-cristão das religiões diz-se que Deus soprou o barro para gerar o (ser no) homem. Dar um nome aos seres vivos ou não, emitir o som do nome (i.e, chamar por um nome, imitar as vozes animais, mimitizá-los, fazer do nome onomatopéia, apresentar-lhes na língua, dar-lhes uma palavra que lhes chame etc), fazer soar pela emissão do sopro vocal, significava possuir (ter o que é deles, a carne, a voz, i.e., ser-lhes o proprietário).

Assim, diz-se também que ao dar nomes aos animais, o Homem ancestral, tomou deles a posse, tomou deles algo, deu-lhes a representação, o espírito.

Nos contos míticos, emitir um som significa chamar pelo ser que atente a tal som. Assim, o gênio da Lâmpada de Aladim, das (Mil e Uma Noites), aparecia quando Aladim esfregava a lampada maravilhosa, assim emitindo um ruído ou som que era exatamente o nome do gênio encarcerado.

Ainda quanto ao gênio, desde as mais antigas tradições cultiva-se a idéia do gênio que vem em ajuda do homem, porém nem sempre, nascendo daí a necessidade de tê-lo aprisionado, disponível, numa alusão de que para possuir as suas qualidades há que dominá-lo, domá-lo. Somente a partir de 1572 começou a aparecer na literatura a expressão “gênio” como sinônimo de inteligência extraordinária ou dom genial.

De qualquer maneira, há muito significado entre gênio e espírito.

Em política, diz-se do espírito das leis, expresso na constituição e em muitas outras ocasiões em que se refere ao “espírito da coisa” como um conteúdo entendido não explicitamente.

Corpo e espírito

Em diferentes culturas, o espírito vivifica o ser no mundo. O espírito também permitiria ao ser perceber o elo entre o corpo e a alma. Entretanto, muitas vezes espírito é identificado com alma e vice-versa, sendo utilizados de forma equivalente para expressar a mesma coisa.

Segundo a teoria dualista de Descartes, o corpo e o espírito são duas substâncias imiscíveis, cada qual com uma natureza diferente: o espírito pertenceria ao mundo da racionalidade (res cogitans), enquanto o corpo às coisas do mundo com extensão (res extensa), i.e., ao mundo das coisas mensuráveis. Descartes acreditava que a função da glândula pineal seria unir a alma/espírito ao corpo. Sua visão do ser humano era mecanicista. O corpo era tratado como uma máquina de grande complexidade. Pensava em partes separadas, no que ligaria o que com o que, qual seria a função de cada parte, em suas relações, etc.

Para os religiosos, a morte separa o espírito do corpo físico, e a partir daí, o espírito passa a ser somente da esfera espiritual. Para eles, a morte parece não encerrar a existência de cada ser particular.

Psicologia

Em psicologia, o espírito designa a atitude mental dominante de uma pessoa ou de um grupo, que motiva-o a fazer ou a dizer coisas de um determinado modo.

Espiritologia

De acordo com a espiritologia (ou "psicologia espiritual"), o espírito é o corpo psíquico, que entra em contato com a quarta dimensão (ou Mundo Astral), local onde não existem problemas de espaço (distâncias) ou de tempo. Segundo esta corrente, o ser humano pode entrar em contacto com outros lugares ou até outras épocas, sendo que, alguns pesquisadores, como o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, acreditavam que os problemas do mundo contemporâneo, não eram regidos apenas pelas pessoas fisicamente, mas também psiquicamente, utilizando o mundo astral como meio de intervir no Mundo Terrestre.

Espíritos na Bíblia

Na Bíblia, ao menos no que restou das mutilações que ela sofreu quando foi adaptada ao interesse ao romano, a expressão "espírito" se refere aos anjos que se rebelaram contra Deus. Na tradição judaico-cristã, são também chamados de "anjos decaidos", "espíritos impuros" ou “demônios”. Eles subordinaram-se à liderança de um anjo rebelde que foi proeminente na hierarquia angélica, comummente denominado por Satanás e Diabo.

Segundo a Bíblia Cristã, embora impedidos de se materializar, estes "anjos decaidos" teriam grande poder e influência sobre a mente e o modo de viver dos humanos. Teriam capacidade de se incorporar em humanos e em animais e possuí-los (possessão espírita, não delirio de possessão), e também usam coisas inanimadas (assombração), tais como casas ou objetos.

No Novo Testamento, o uso do termo "demônio", em gr. daimoníon, é limitado e específico em comparação com as noções dos antigos filósofos e o modo em que esta palavra era usada no grego clássico. Originalmente, o termo daimoníon designava as divindades, que podiam ser boas ou ruins.

Os "espíritos superiores" ou "mais evoluídos", alegadamente espirítos do bem, apresentam-se como protectores e conselheiros dos humanos, e até mesmo, chegando a conferir poderes ou dons sobrenaturais.

É também no Novo Testemento que o Espírito Santo é apresentado como a ligação entre Deus (Autor da Vida) e o Homem (Membro da Vida).

Espiritismo

Segundo a Doutrina Espírita, o espírito é a individualização do princípio inteligente do Universo. Quando encarnado - ou seja, vestido de um corpo humano - é chamado de alma, nesta situação alma e espírito são as mesmas coisas em diferentes estágios. A reencarnação, segundo o espiritismo, é o processo de auto-aperfeiçoamento por que passam todos os espíritos.

Para os espíritas, o estado natural do espírito seria o de liberdade em relação à matéria, ou seja, a condição de desencarnado. Nesta situação, o espírito mantém a sua personalidade e suas características individuais: consciência.

Também segundo a doutrina espírita, a interação do espírito com o cérebro se dá através do perispírito. Este conecta a vontade que nasce no espírito com o estímulo que direciona ao cérebro.

Para designar um espírito específico, os espíritas utilizam a inicial em maiúsculo, como por exemplo: "O Espírito Emmanuel".

Teosofia

Na Teosofia, o espírito é associado aos dois princípios mais elevados do Homem, a díade Atman-Budhi, a essência imortal do Homem.

Outras teorias

Na teoria Shmuelin, é o espírito Divino que reside na mente do homem – o Ajustador do Pensamento. Este espírito imortal é pré-pessoal – não é uma personalidade, se bem que esteja destinado a transformar-se em uma parte da personalidade da criatura mortal, quando da sua sobrevivência.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

1164-Jornadas de Crescimento Espiritual


Crescimento espiritual a caminho da plenitude

Esta crônica não tem por objetivo perpassar o longo e demorado crepúsculo da viagem religiosa humana através dos milênios. O que se objetiva é avaliar os resultados que obtivemos.

Centenas de gerações se sucederam reproduzindo o que ficou sendo a nossa dependência a monarcas, faraós, profetas, césares, kaisers e papas “outorgados”, autorizados a cuidar do povo, a decidir pelo povo. Há cinco mil ou mais anos caminhamos deste modo e o que foi conseguido?

Duas são as situações mais comuns no comportamento humano:

a)    Entre os aculturados na fé judaico-cristã-romana encontraremos aqueles que diante de qualquer dificuldade de ordem física, emocional, econômica ou espiritual, dirigem-se a um santuário (igreja, estátua, oratório, etc.) e se desmancham em orações pedindo graças ou fazendo promessas, acendendo velas, incensos, etc. na expectativa de que as forças do alto façam alguma coisa por eles.

b)   Entre uma boa fatia dos que perderam a fé encontraremos aqueles que diante de quaisquer das dificuldades relatadas no item anterior, sob revolta, esbravejam, reclamam, se irritam, e talvez se lembrem de Deus, porém, muito mais para se queixar da sua pouca sorte.

c)    Uma terceira situação – e essa é a contribuição que queremos dar aos leitores deste blog ao lembrar que estamos num universo energético, vibratório e influenciável, – é onde queremos encontrar aquelas pessoas que, diante de quaisquer das dificuldades já citadas, param, se concentram, refletem, declaram-se filhas do universo, portadoras dos poderes arbitrais para administrar suas vidas, perguntam a si mesmos “onde foi que eu errei”, meditam sobre a situação e assumem consigo mesmas a firme determinação de usar as energias divinas já instaladas em si através do espírito eterno e vão em busca de toda superação. Em casos como este (da letra c) a conspiração dos deuses, santos e guias far-se-á mais imediata e efetiva do que nos casos da letra “a” em que o pedinte apenas quer que as forças do alto atuem em seu favor.

A totalidade e a plenitude precisam vir de dentro. Buscar aquele deus, aquele líder, aquele guia ou santo sempre pronto a carregar-nos no colo para resolver os nossos problemas ou projetar em alguém a expectativa de felicidade, salvação, resgate, não vai melhorar as notas escolares, não vai trazer aquele aumento de salário, não vai pagar as contas, não vai fazer os vizinhos ficarem mais simpáticos ou a burocracia mais agradável e muito menos trazer, por milagre, a cura para aquele mal que nós arranjamos e não temos coragem de conversar com ele.

O caminho é interromper a busca externa e decidir por completar-nos através das descobertas íntimas, do amor-próprio sem ser egoísta, é oferecer amor ao invés de mendigá-lo. O Universo devolve-nos aquilo que oferecemos a ele.

Nós temos capacidade para ir, antes ao encontro de nosso eu íntimo do que ao encontro daquilo que buscamos fora de nós e sempre condicionamos o que queremos obter na exata medida de quanto podemos dar.

Não é propriamente uma troca, nesta concepção que os negócios acabaram por dar à prática da troca. É mais uma compensação, na concepção de cultivo: aquele que semeou receberá a safra.

Somos especiais pelo simples motivo de existirmos, mas sempre iremos receber aquilo que merecermos. E muitas vezes o que queremos obter pode estar vindo de outra fonte, diversa, oposta, inesperada. Por isso, é preciso confiar no poder que se esconde dentro de nós (poder espiritual), na maioria das vezes, desprezado, substituído, minimizado.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

1163-Uma Terra Sem Males


Os chamados para esta missão

Nesta série estamos narrando episódios relacionados com os Kary’ó, primitivos habitantes da região da Grande Florianópolis, que tinham estreitos contatos com os Inka da montanha andina e que no período de 1600-1750 se aproximaram muito dos Charrua da campanha pampeana, ao que se sabe, a procura de outro povo missionado a cuidar de outro centro sagrado de energias que tem sede em Salto, no Uruguai, e de outro que tem sede em Iberah, Patagônia, Argentina.

Os pormenores dessa grande missão estão descritos em detalhes em “Uma Terra Sem Males”, livro que em breve estará sendo editado contando muito mais. Inka, Kary’ó e Charrua, pela ordem crescente de elevação espiritual, chegaram a formar uma convergência de povos espiritualizados que “sabiam” da existência de centros energéticos, que hoje a ciência identifica como zonas de anomalia do tempo ou vórtices da rede magnética planetária.

Macchu Picchu se ligava a Yvymarãe’ÿ pelo Caminho Peabiru, o mesmo que Aleixo Garcia e Cabeza de Vaca palmilharam no século XVI com a ajuda dos Kary’ó. E no século XVIII o português administrador de Laguna, SC, descobriu o caminho pelo qual se encontravam os Kary’ó e Charrua e inclusive trouxe tropas de mulas através desse caminho.

Os primitivos habitantes desses centros sagrados de força entendiam ser a sua missão guardá-los, mas o explorador europeu estragou tudo quando aqui chegou e nem sequer tomou conhecimento das crenças, costumes, língua e sabedoria dos nativos. No caso do Litoral de Santa Catarina, o cheiro, a infecção e a urubuzada pintavam visões que vinham do inferno. No caso da montanha andina os depósitos de milho (desconhecido do europeu) foram confundidos com armazéns de pepitas de ouro e enlouqueceu a gula rapineira do invasor, distribuindo morte e esbulho. Vê se pode! No caso da campanha pampeana, o que se sabe é o que o governante uruguaio queria “branquear” a pele do povo e mandou “fazer a limpeza” promovendo a chacina dos índios.

Os índios, entre escravizados, perseguidos, dominados, vendo suas mulheres constantemente estupradas pelos aventureiros de pele branca e negra, ofereceram muito pouca reação, pois não possuíam armas de fogo e nem as conheciam. Os Charrua eram excelentes guerreiros sob o lombo de seus cavalos com o uso de lanças rústicas por eles produzidas, mas os Kary’ó e os Inka eram mansos e pacíficos. Estes últimos não chegaram a ser totalmente eliminados, preferiram sumir de diante dos olhos do agressor, foram embora, como também fizeram os Inka.

Confirmações da espiritualidade

As três datas dos martírios Inca (1532), Kary’ó (1787) e Charrua (1832), trazem consigo uma espantosa coincidência quando comparadas a 2013, primeiro ano do recomeço ou retomada dessas culturas em busca da reconquista operacional dos centros de força que estavam entregues a esses povos: somadas as diferenças das três datas para 2013, revela o número 888, que os antigos místicos atribuíam a Jesus e que também quer dizer: “saudável, saudável, saudável”.

A espiritualidade associada à Terra Sem Males está convocando todos quantos possam vibrar nestas correntes, sejam gnósticos, espíritas, budistas, hinduístas, teosofistas, logosofistas, seguidores do Seicho-No-Iê e todos mais que possam compreender este tema para uma grande cadeia de união mental no estabelecimento pleno da missão desses centros de força. Algumas coisas já eram sabidas, outras são novidades, mas o que se pode dizer é que nestas regiões estão localizados Plexos Energéticos da Terra.

Essas zonas de anomalia, como viemos informando, se dividem em dois grupos, as zonas naturais e as zonas artificiais e entre elas têm cinco classificações: Centros de Força Intra-Terrenos, Centros de Força Intra-Oceânicos, Núcleos da Rede Energética-Magnética, Bases de Operações e Cetros Espirituais. Os primeiros são Centros de Força das Energias cósmicas circulantes sob e sobre a terra, ligados aos temas do elemento terra e voltados para a cura, em que pessoas escolhidas pelas hierarquias engajam-se em correntes e egrégoras de pensamento-vibração-energia para o desenvolvimento do Logos da Terra e trabalham efetivamente em prol da cura. Essas energias projetam-se até os níveis etéricos do plano físico e atuam a partir de níveis espirituais e divinos ou planos muitos elevados. Podemos enumerar sete deles em atividade: Anu Tea (Oceano Pacífico, entre Japão e Austrália); Aurora (Litoral SC, Brasil) Erks (Bariloche, Argentina); Iberáh (Patagônia, Argentina); Lis-Fátima (Portugal); Mirna Jad (Minas Gerais, Brasil), Miz Tli Tlan (Macchu Picchu, Peru) e Daymán (Salto, Uruguay).

Além dos vórtices planetários já referidos, em que as energias se voltam para os céus e dos céus para crosta do planeta, os estudiosos estão localizando redes magnéticas de cura ligadas ao centro intraterreno. Os Guarany sul-americanos conheciam o fenômeno e o denominavam Iberá.

No nordeste argentino uma localidade possuiu este nome há 2 mil anos e recebia pajés de todo o continente para o aprendizado da cura. Os terminais ou núcleos dessas redes magnéticas intraterrenas se conectam com os vórtices já referidos e se complementam com outros pólos irradiadores de energias.

Na América do Sul, está identificado um triângulo formado por dois vórtices, os de Miz Tli Tlan, junto de Macchu Picchu, Peru, com a função de Espelho, o de Aurora, localizado no Litoral de Santa Catarina, com função de Cura e um núcleo, o de Erks, próximo de Bariloche, Argentina, com função de Formação. Dentro dessa área, a espiritualidade maior realiza um dos mais completos trabalhos que compõem a proposta cósmica para o planeta. Esta parte está divulgada pela Grande Fraternidade Branca.

Outras confirmações têm vindo da NASA e da Academia para a Ciência Futura, da Califórnia. E agora se abre um canal espiritual com o espírito guardião dos Mares do Sul, por outorga de Araribé, o grande espírito Kary’ó.

O índio Kary’ó, que viveu no Litoral de Santa Catarina até o século XVIII, por mais de 2 mil anos cultivou a certeza de pertencer à “Terra Sem Males”, Yvymarae’y, na sua língua, e coincidentemente, estavam ligados a Macchu Picchu através do Caminho Sagrado de Peabiru ou São Tomé e à Pampa, através do Caminho Caverá Berá, pelo qual recebiam e faziam visitas dos e aos Charrua, uruguaios, praticamente fechando o triângulo Espelho/Cura/Formação, referido neste texto.

Duas principais instituições membros dessa missão estão a um passo de serem declaradas para honra daqueles que nelas já se dedicam ao trabalho de curas espirituais.

Fim desta série.

INTERRUPÇÃO NAS POSTAGENS

Leitor, este blog ficará inativo por uma semana. Se puder sugerir, recomendo reler a série “Uma Terra Sem Males” (1151-1163). Em primeiro lugar dará a você a completa compreensão deste caso; em segundo lugar, quem sabe, você se candidata a ser mais um guardião deste manancial energético sagrado que a espiritualidade está buscando repor em ação.

Obrigado, até a volta.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

1162-Uma Terra Sem Males


Banquete pré-Histórico

(Artigo escrito por Cláudio Ângelo e publicado em 20/10/2002 na Folha de São Paulo)

Os povos que habitaram o litoral de Santa Catarina há mil anos tiveram a melhor qualidade de vida de toda a população das Américas nos últimos sete milênios, incluindo aí descendentes de europeus que viveram nos séculos 18 e 19 para a América do Norte. A conclusão é de um estudo realizado durante mais de uma década, que envolveu 35 pesquisadores – três deles brasileiros – e acaba de ser publicado nos Estados Unidos e na Europa.

No livro “The Backbone of History” (A Espinha Dorsal da História), que saiu no mês passado pela Cambridge University Press, o grupo de antropólogos, médicos, historiadores e economistas, coordenado por Richard Steckel, da Universidade de Ohio, e Jerome Rose, da Universidade de Arkansas (ambas nos EUA), apresenta a maior base de dados já construída sobre a saúde da população do continente americano. Foram analisados cerca de 12.500 esqueletos, datados entre 4.000 a.C. e o começo do século 20. O levantamento buscou avaliar, nos ossos, indicadores de saúde como estatura média, estado dos dentes, grau de nutrição e doenças crônicas. Todas as populações representativas do continente – nativos americanos e descendentes de europeus e de africanos – foram estudadas e agrupadas em um índice de qualidade de vida biológica. Esse índice ia de 0 (para indivíduos que morreram no nascimento) a 100 (para populações de esqueletos sem sinal de patologia).

O resultado surpreendeu os pesquisadores por mostrar que grupos indígenas americanos ocuparam tanto o primeiro quanto o último lugar no ranking. No alto do pódio estão os ceramistas das tradições umbu e itararé, de língua jê, que se instalaram nos sambaquis do litoral de Santa Catarina a partir do ano 1000. Eles tiraram nota 91,8, seguidos por povos caçadores-coletores da costa da Carolina do Sul, nos EUA (89,2), e pelos sambaqueiros que os antecederam também em Santa Catarina (87,1).

Num dos níveis mais baixos da escala se encontra, curiosamente, um povo que costuma ser lembrado como sinônimo de civilização e padrão de vida elevado: os maias da América Central, com índice de 58,4. A julgar pelos esqueletos, a saúde dos habitantes de Copán (atual Honduras), uma das mais opulentas cidades do Novo Mundo antes da conquista, era tão boa quanto a dos escravos negros do sul dos Estados Unidos, que tiveram o mesmo percentual no índice. Só era melhor que os índios pueblos do Novo México (53,5), famosos por construir edifícios junto a paredões de pedra.

O estudo, segundo Steckel, ajuda a confirmar uma antiga suspeita dos antropólogos: a de que a transição da vida de caça e coleta para a agricultura e a vida nas cidades teve seu preço em saúde. A tese foi lançada pela primeira vez por Mark Cohen e George Armelagos no livro “Paleopatologia e as Origens da Agricultura”, de 1984, mas até agora nenhum estudo extensivo do gênero havia sido realizado com as populações americanas. Para boa parte dos historiadores, o continente era uma espécie de paraíso em termos de qualidade de vida antes da chegada dos europeus, em 1492. “Nossos métodos põem esse debate numa perspectiva mais ampla”, disse Steckel à Folha. Segundo o pesquisador de Ohio, foi surpreendente notar “o declínio de longo prazo na saúde na era pré-colombiana”.

Ossos do ofício

Medir a qualidade de vida de populações que viveram há milênios e cujos únicos testemunhos às vezes são um punhado de esqueletos desconjuntados não é tarefa simples. Tudo o que se pode inferir é a chamada “qualidade de vida biológica”, ou seja, os aspectos de saúde que chegaram a deixar marcas nos ossos de um indivíduo.

Para compor o índice, o grupo coordenado por Steckel e Rose usou sete indicadores de saúde: estatura média, saúde dental (presença ou não de cáries e abscessos), hipoplasias de esmalte (falhas na formação do esmalte nos dentes causadas por má nutrição ou doenças na infância), infecções ósseas, lesões traumáticas, doenças degenerativas nas juntas (causadas por esforços mecânicos repetidos) e hiperostose porótica – lesões causadas por deficiência de ferro em partes do crânio onde se produzem glóbulos vermelhos do sangue.

Não é uma medida livre de problemas. A ocorrência de doenças infecciosas, malária e verminoses não pôde ser computada. Limitações cognitivas, cegueira e estados emocionais também não. “No entanto, essas limitações tendiam a expor o indivíduo a maior risco de morte, e isso é capturado pelo índice”, dizem os autores.

Embora não tenha sido possível avaliar todos os indicadores, por falta de esqueletos completos, os grupos do litoral catarinense estavam bem na fita. A análise nos crânios desenterrados em diversos sambaquis da região mostra poucas cáries e quase nenhum sinal de hiperostose porótica. Segundo o antropólogo Walter Neves, da USP, que realizou o estudo em Santa Catarina em colaboração com Verônica Wesolowski (a terceira brasileira do projeto, Maria Antonieta Costa, analisou esqueletos do deserto de Atacama, no Chile), o bom estado dos ossos se deve ao ambiente costeiro, rico em peixe (fonte de proteína animal), e ao hábito de caça e coleta, no mínimo, se outros fatores não concorreram. (grifo nosso)

“Com a agricultura, você perde a diversidade de alimentos”, diz Neves. Além disso, o consumo de carboidratos, presentes especialmente em cereais como o milho, eleva a incidência de cáries. “E nós mostramos que esses grupos, apesar de serem ceramistas, não eram horticultores” – a presença de cerâmica costuma ser associada à agricultura na América do Sul.

O mais curioso, continua o antropólogo, é que os grupos que na realidade ergueram os sambaquis, milênios antes, tinham mais cáries que os ceramistas umbu-itararé, que os ocuparam ao redor de 1.000 d.C. “O que mostra que o homem do sambaqui pode ter recorrido a fontes vegetais, por razões que a gente desconhece.”

O que dinheiro não compra

Se a alta pontuação dos ceramistas catarinenses surpreendeu, o mau desempenho dos maias e de outras civilizações pré-colombianas mais adiantadas não chegou a causar admiração. “A saúde tem sido tipicamente pior em ambientes urbanos antes do século 20”, diz Steckel. Não é difícil imaginar por quê: a alta densidade populacional requer mais esforço para obter comida, que já tem sua variedade limitada pela agricultura. Além disso, a facilidade de contágio de doenças era muito maior antes da introdução dos sistemas de saúde e saneamento modernos.

O que talvez cause espanto é o fato de que uma amostra de população urbana branca do século 19 de Belleville, no Canadá, teve 69,3 no índice – mesmo com um alto grau de cultura material. “Sua riqueza aparentemente não os protegeu de fatores que causam má saúde dental e doenças degenerativas de articulação”, dizem oa autores. O principal culpado, no caso, foi o consumo excessivo de carboidratos, em especial açúcar refinado.

O grupo de Steckel, agora, vai analisar bancos de dados de saúde óssea da Europa, para tentar responder a uma questão que tem causado polêmica entre os historiadores: quem tinha a melhor qualidade de vida em 1492, os europeus ou os índios? Steckel diz que não é possível fazer uma comparação uniforme. Mas alfineta os partidários da visão da América como um paraíso na pré-história arrasado pela conquista:

“O hemisfério Ocidental antes da chegada dos europeus era tão diverso que parte dele, em algumas épocas, eram como um Jardim do Éden ou um deserto empobrecido de saúde pelos padrões históricos antes do século 20. Por isso, é altamente, é altamente enganoso falar da saúde ou da qualidade de vida dos nativos americanos como se ela fosse homogênea, ou como se as condições de 1492 fossem típicas.”

P.S. Onde se lê o grifo: se outros fatores não concorreram, há que se acrescentar: os pesquisadores não tinham conhecimento de que os índios pesquisados do Litoral de Santa Catarina habitaram um Centro de Força do Planeta responsável também pela longevidade das pessoas.

domingo, 18 de agosto de 2013

1161-Uma Terra Sem Males

 
A Lenda do Pai Sumé

A cultura antiga, do índio, era uma cultura oral. O índio somente falava. Não tinha alfabeto, não escrevia, nem lia. Apenas desenhava sobre rochedos e paredes de cavernas, onde retratava entre outros sinais que hoje são chamados de rupestres, algo que para ele era importante, quiçá sagrado.

Seus conhecimentos, suas tradições, sua sabedoria, seus ensinamentos, foram, desta forma, transmitidos através de lendas, contadas por eles, de gerações a gerações. As lendas são como luzes, que iluminam as sombras do passado longínquo dos povos primitivos, mas um passado puro e verdadeiro.

Sumé representa o nome de um personagem lendário vindo dos mares, que permaneceu algum tempo entre os tupi, guarani e mais nações, ensinando-lhes cultivo de várias plantas úteis, o emprego das ervas medicinais, a preparação de vários alimentos e outros benefícios, incluindo-se as curas espirituais nos mesmos moldes como narra a Bíblia em relação a Jesus.

Na mitologia amazônica encontra-se uma lenda atribuída a Sumé.

Diz a lenda: "Vosso povo viverá em rixas e se espalhará por tribos dispersas por toda a extensão da terra selvagem e áspera que vos espera. Sofrereis por muitas e muitas gerações a perseguição de povos estrangeiros vindos de fora e se abaterá sobre vós a tirania e a desgraça e até que venha a união de vossas tribos muito tempo se passará". 

Sumé teria andado por terras do Brasil, no Norte, no Nordeste, no Sudeste, no Oeste, temido por muitos indígenas que o queriam matar e adorado por outros que aprenderam muito com ele. Contam os ancestrais espirituais de Yvymarãe’ÿ, que ele veio à Ilha dos Patos avisar o patrono da nação Kary’ó que isto aqui era um portal de cura a ser cuidado por eles para juntar-se aos demais portais de curas do planeta.

Só a partir de 1600, quando a Companhia de Jesus se estabeleceu entre os guaranis e conheceu o Caminho de Peabiru ligando o Litoral do Brasil a Cusco, no Peru, é que os padres ligaram o nome Sumé com Tomé. E por que fizeram isto? Toda a descrição feita pelos nativos batia com a figura de Tomé, que deixou o Oriente Médio e saiu pela Ásia a pregar a palavra de Jesus. Teria ele tomado um barco e vindo até o Litoral do Brasil, de onde excursionou por vários locais, inclusive, abrindo o caminho citado?

Sumé nos Quilombos 

Entre os moradores do Vale do Ribeira, em SP, há cerca de duzentas famílias remanescentes de quilombos, comunidades fundadas por negros que escapavam dos seus senhores nos tempos da escravidão. São vinte comunidades, e a maior delas é a de Ivaporunduva, no município de Eldorado, com 88 famílias, que vivem da colheita de banana, do peixe e da agricultura de subsistência.

Em Rio dos Quilombos, no Ariri, divisa com o Estado do Paraná, a sociedade dos quilombos mesclava tradições bantos, sincretismos brasileiros e exigências militares. Plantavam milho, feijão, mandioca, banana (pacova) e cana. Comia melhor que a população colonial. A terra é coletiva, mas cada casa tem uma gleba. Intensa formação guerreira e instrução militar e comércio. A documentação atual dos fatos históricos encontra-se escasso e os registros se apagaram no decorrer do tempo. Restam-nos apenas as lendas e os relatos verbais da população. 

As lendas contam que Sumé, o civilizador dos índios tupi, perseguido pelos tupinambás, foi para o Paraguai e dali para o Peru. Durante esta caminhada, teria aberto uma estrada que ficou conhecida entre nossos indígenas como PEABIRU, ou o CAMINHO DA MONTANHA DO SOL.

Um arqueólogo brasileiro reconstituiu recentemente o caminho seguido pelo Sumé, encontrando dezenas de marcos. A existência do Peabiru parece confirmar que existiu um intercâmbio entre os indígenas do Brasil e do Peru. A questão maior é a de que o tipo branco na América pré-colombiana coloca em polvorosa os pesquisadores e estudiosos.

Em todo continente, durante a conquista e colonização, repetiram-se as mesmas cenas. Nos primeiros contatos com os índios, estes ficaram encantados com os cavalos e com as armas de fogo. Estranhamente, o fato que deveria ser mais insólito a eles, a cor branca dos descobridores, parece não tê-los afetado.

Ao contrário, justamente este aspecto levou-os a uma relação com os heróis míticos das tribos. Assim, os espanhóis  foram recebidos no México como descendentes de Quetzalcoatl e de Viracocha, no Peru.

Na tradição mítica brasilíndia não são raras as referências aos civilizadores brancos. A maior figura é o SUMÉ. Este herói se reveste de singular importância, uma vez que a influência dele se faz presente em quase toda a faixa litorânea, que vai do Rio Grande do Sul ao Maranhão, além de parte do interior.

Sumé é o civilizador máximo das tribos Tupi. E o fato curioso, este civilizador, como os demais do gênero, é descrito como grande feiticeiro, branco, barbado, que veio pelo mar. Além de Sumé vamos encontrar o MAIRATÁ, entre os tupis do Maranhão, com as mesmas características do primeiro. E também o MARÉ, civilizador mítico dos Aimoré, era branco e ruivo. Eram brancos e loiros os heróis do extremo norte, Izi, o filho do sol, e seu companheiro Dono do Fogo. E os Apinagé se referem, em seus mitos, a um grupo chamado "kupe-ki-kambleg", que significa literalmente " tribo estrangeira de cabelos vermelhos".

Sumé, no entanto, é o mais conhecido, pela extensão de sua influência. Contavam os índios do Maranhão que o Sumé tinha ensinado a seus antepassados o plantio e o preparo da mandioca, num tempo em que todos se alimentavam de raízes amargas e duras. Mas, Sumé não se limitou apenas em técnicas agrícolas. A ele foram atribuídas também a abertura de caminhos e a introdução de novos princípios religiosos. No entanto, Sumé era um pacifista e os Tupinambá eram guerreiros.

Os relatos mostram o herói expulso e perseguido pelos selvagens. No sul, conta-se que Sumé foi para o Paraguai (onde tinha ensinado o uso da erva-mate), seguindo dali para o Peru. Durante esta caminhada teria aberto a estrada que ficou conhecida como PEABIRU, ou PIABUYU, ou seja, o Caminho da Montanha do Sol.