segunda-feira, 30 de setembro de 2013

1196-A Doutrina de Jesus


Eu não vim destruir, mas dar
cumprimento às leis

Foi muito forte o impacto da doutrina de Jesus sobre os costumes e tradições dos judeus, pois era a Palestina a pátria natal do Messias.

Jesus nunca negou as leis e os mandamentos em vigor entre o povo judaico. Aliás, leis e mandamentos muito severos, como a Lei de Talião, instituindo a vingança, “olho por olho, dente por dente” e a prescrição da vingança sobre os descendentes.

Ele avisou que havia vindo não para revogá-los e sim para reafirmá-los com outra visão e dar-lhes cumprimento. E deu-nos a Sua visão para, ao menos, o que seria a Lei Maior da Vida: “Ama a Deus com toda a força de tua alma”, o que vale dizer: há um comandante do processo, Ele te ama e, para ser feliz, tens de amá-lo e respeitá-lo, o que também vale dizer: amar e respeitar a tua própria natureza e a natureza ambiente. “E ama ao teu próximo como a ti mesmo”, o que vale dizer: do modo que tratas o teu próximo, dás a entender que tratas de ti mesmo.

Se não amas, é porque não conheces o amor e nem mesmo sabes amar a ti mesmo. Tudo mais que queiras considerar e respeitar, nada vale se não conheces o amor e o perdão. E ensinou sobre o perdão: É preciso perdoar “setenta vezes sete” (Mt XVIII, 22).

Ao reinterpretar Mateus V; 17-18, que trata da nova lei comparada à antiga, e ao observar os acontecimentos do mundo presente, podemos deduzir que há uma crise de valores, houve o enterro da ética, as pessoas primam pela desobediência a começar por seus hábitos diários, alimentação, sono, exercícios, sexo, responsabilidade. Temos a rebelião do homem a desafiar as leis de Deus, muito parecida com a desobediência das nossas células corporais, que saem do padrão de comportamento e se tornam membras de tumores. Vamos além, essa crise atinge também as próprias leis humanas, onde a prática demonstra que nada mais está ordenado, justo, harmônico, alegre. Enorme parcela da humanidade está doente.

Uma Nova Visão sobre o tema sugere também respeito às leis humanas e divinas. O estado do bem, de disciplina, de hierarquia, de responsabilidade, de harmonia, de naturalidade, de saúde, de verdade, de justiça, de amor, precisa ser buscado. A contramão da vida se movimenta nos antônimos desses valores.

Ao rebelar-se contra as leis divinas, que são as mesmas leis naturais, o homem se faz anjo caído e em muitas oportunidades demonstra querer substituir ou competir com o Autor da Vida.

Os efeitos desse comportamento são sentidos no meio-ambiente, na sociedade, nas dores da carne. Enquanto somos as células cancerosas da sociedade, as células de nosso corpo se comportam da mesma forma.  

domingo, 29 de setembro de 2013

1195-A Doutrina de Jesus



A tentação no deserto

Tão logo foi batizado, segundo fontes evangélicas, o Espírito Santo se revelou a Ele, e três dos evangelhos sinóticos apresentam Jesus sendo conduzido pelo Espírito ao deserto para jejuar e ser tentado pelo diabo.

Trata-se de uma passagem estranha que Mateuss, melhor dizendo, seu tradutor (vide postagem nº 1192) introduziu no seu texto e, por extensão acabou sendo aprovreitada por Lucas e, de forma mais discreta, por Marcos. João não fala uma palavra sobre esse caso.

Há duas possibilidades para a inclusão dessa experiência vivida por Jesus. Uma delas é puramente xamânica, coisa que tinha certa ligação com os essênios de Nazaré, terra dos pais de Jesus. Ele teria sido submetido a uma iniciação xamânica para adquirir poderes especiais de cura, segundo os xamãs do passado. No texto de Marcos, aparece clara e discretamente a frase ”e esteve em companhia dos animais selvagens e os anjos o serviam” (Mc I, 13), uma prática ainda hoje em curso na iniciação de curadores xamânicos.

A outra possibilidade procede da fonte Q (também conhecida como documento Q ou apenas Q, sendo que a letra "Q" é uma abreviatura da palavra quelle que, em língua alemã, significa "fonte"). É uma hipotética fonte usada na redação do Evangelho de Mateus e, por extensão deste, no Evangelho de Lucas, os dois que descrevem as peripécias de Jesus sendo tentado. É um claro enxerto trazido de fora para dentrro dos evangelhos.

A fonte "Q" é definida como o material "comum" encontrado em Mateus e Lucas, mas não no Evangelho de João e muito breve no de Marcos. Os adaptadores dos textos antigos e os tradutores desejosos de valorizar a figura do diabo, aproveitaram algo de lenda ou propriamente criaram aquela difícil relação de Jesus frente ao poder do diabo. Contudo, isso só desmerece a realeza divina de Jesus e contesta a autoridade de Deus.

O erudito bíblico britânico, Burnett Hillman Streeter, formulou uma visão amplamente aceita de "Q": era um documento escrito (não uma tradição oral) composto em grego; quase todo o seu conteúdo aparece em Mateus, em Lucas ou em ambos; e que Lucas preservou, mais do que Mateus, a ordem original do texto. Na hipótese das duas fontes, tanto Mateus quanto Lucas teriam usado o Evangelho de Marcos, acrescentando o documento "Q". Alguns estudiosos têm postulado que "Q" é na verdade uma pluralidade de fontes, alguns escritos e alguns provenientes da tradição oral. Outros têm tentado determinar as fases em que "Q" foi composto. Pode tratar-se de uma alegoria, assim como a matança de meninos determinada por Herodes, o que teria forçado a fuga da família sagrada para o Egito. Nenhuma fonte confirma a chacina referida apenas por Mateus.

A existência de "Q" por vezes tem sido contestada. Isso porque os estudiosos se perguntam como um documento que deveria ter origem num tempo anterior a Jesus foi introduzido nos evangelhos no século IV, quando a Igreja refez aqueles documentos.

Na análise que se faz dos discursos de Jesus em nenhum deles ele cita o diabo e sim demônios, estes associados à figura de espíritos impuros, sofredores, obsessores. A estrepitosa valorização do diabo foi uma herança que o catolicismo foi buscar na doutrina de Zoroastro e muito bem aceita pelo evangelismo pentecostal.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

1194-A Doutrina de Jesus


 
Jesus dos 12 aos 30 anos

Lucas, o evangelista que, mais que outros, entrou em muitos detalhes sobre Jesus, descreve a gravidez, o nascimento, o batizado no templo judaico e o momento, alguns anos mais tarde, em que, aos 12 anos, o jovem Jesus se perde dos pais, é deixado para trás depois de uma festa, e é encontrado três dias depois no interior de um templo conversando com doutores. Repreendido pela mãe, Ele responde: “Não sabíeis que tenho de tratar das coisas de meu Pai?”, referindo-se à preparação para seu ministério como impulsionador da evolução humana no planeta. Estes trechos estão descritos em Lucas II, 41-50.

Desse momento em diante, Jesus desaparece dos escritos e ao que se deduz também desaparece das vistas dos palestinos. Lucas é o único a afirmar também que “Ele crescia em estatura, em sabedoria e graça, diante dos homens e de Deus” (Lc I, 52). Reaparece depois de homem feito, aos 30 anos, cabeludo, contrariando os costumes judaicos gerais de se cortar os cabelos. Os nazarenos usavam cabelos longos, como foi também o caso de Sansão.

Quando é visto andando pela região, alguém pergunta e alguém responde: “Este, pois, é o filho de Maria”. José já havia falecido.

Fontes não bíblicas afirmam que Jesus teria deixado a Palestina para estudar, por incrível que possa parecer, nas universidades sediadas nos países dos três reis magos que o haviam saudado ao nascer. E que sua entrevista com doutores, no templo, era parte desse mesmo assunto. Teria retornado à Palestina depois de formado naquilo que hoje é conhecido por medicina, direito e teologia. 

Toda a sua pregação e ação nos anos seguintes estavam centradas em curas, ética e espiritualidade, como se pode auferir dos principais trechos dos evangelhos de onde retiramos pontos chaves de sua doutrina.

Acompanhe, por favor, nas postagens seguintes.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

1193-A Doutrina de Jesus


A saudação dos magos ao Messias

Mateus é o único evangelista a escrever sobre os Reis Magos coerentemente com sua preocupação de mostrar aos judeus tratar-se do Messias esperado. Neste particular, fala de autoridades árabes, indianas e africanas vindas a Belém para saudar o recém-nascido. Diz que foram guiados por uma estrela e os apresenta como Baltasar, rei da Arábia, de cor negra; Melchior, rei da Pérsia, de cor clara; e Gaspar, rei da Índia, de cor amarela; nisso simbolizando as homenagens de todas as raças ao avatar terreno recém-nascido.

Pode até ser fantasiosa a narrativa de Mateus, mas ficou provado sobejamente que o Cristo veio para todos os povos, eis que a sua mensagem além de não colidir com as demais doutrinas, se encaixa perfeitamente no budismo, no hinduísmo, no islã e no judaísmo.

Sobre os presentes oferecidos pelos reis magos a Jesus, também se pode retirar um significado especial: o ouro representava a nobreza (só os reis recebiam presentes de ouro - lembre-se que Mateus apresentou em seu evangelho a árvore genealógica de Abraão a José e Maria, passando por Davi e lembrando a realeza do recém-nascido Jesus); o incenso representava a fé e era presente oferecido apenas para sacerdotes;
a mirra representava perfume suave e sacrifício e era presente oferecido a profetas.

E também em razão de Jesus ser apontado como futuro rei dos judeus, a família teve de exilar-se no Egito (segundo Mateus) para escapar do massacre determinado por Herodes ao procurar atingir e matar o prometido rei, que acabaria com o domínio romano sobre a Palestina.

Mas, o Messias anunciado por João Batista viria promover uma revolução através da implantação de um novo reino: “fazei penitência porque está próximo o reino dos céus”. “Eu vos batizo na água, Ele vos batizará no Espírito Santo”, anunciava JB.

Na dúvida entre a realeza terrena desse menino nascido de família judaica e entre a realeza celeste, profetizada por JB, é preferível acreditar que Baltazar, Gaspar e Melchior, realmente, tenham sido avisados da encarnação de um Espírito Especial entre os homens e que sua vinda a Belém era, mesmo, para homenageá-lo por sua realeza divina.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

1192-A Doutrina de Jesus


Quem escreveu os evangelhos?

Primeiro de tudo queremos considerar como Evangelhos de Jesus as passagens que envolveram diretamente o Messias. São, portanto, quatro livros: Mateus, Marcos, Lucas e João. Os demais livros do Novo Testamento são extensões evangélicas com narrativas de eventos e ensinamentos acontecidos posteriormente à presença de Jesus entre nós.

Numa análise bem profunda fica a sensação de que são dois os evangelistas originais, João Marcos – apóstolo de Pedro e companheiro de Paulo, primo de Barnabé, do qual Lucas fala em Atos dos Apóstolos 12;12, chamado apenas de Marcos e João, filho de Zebedeu, que é chamado João Evangelista em virtude de o outro João ser chamado de Batista.

Marcos não esteve com Jesus e sim com Pedro e narra aquilo que Pedro contava, aproximadamente no ano 65 e então cerca de 30 anos depois da estada de Jesus no Planeta. Trata-se de uma narrativa cheia de detalhes, pois expressa a memória de um apóstolo direto de Jesus.

Os outros dois evangelistas são Mateus e Lucas. Mateus, cujo nome verdadeiro é Levi, era um cobrador de impostos e foi chamado por Jesus para a equipe de apóstolos. Teria escrito seu evangelho em torno do ano 60, mas parece haver-se perdido, porque o tradutor que versou para o grego, colocou no texto o nome de Mateus como autor, mas parece haver copiado quase tudo do Evangelho de Marcos. Lucas, de origem grega, também esteve com Paulo, era médico e é também o autor dos Atos dos Apóstolos, datados de 68. O seu evangelho é muito rico quanto às fontes, mas certamente é uma cópia do evangelho de João Marcos.

Finalmente, João, o evangelista, apóstolo direto de Jesus, tem um texto diferente dos outros três (que são cópias entre si) e com foco distinto. Os outros evangelhos foram escritos para os pagãos e o de João foi escrito para os cristãos e por isso, com alguma profundidade espiritual.

Resumindo: Marcos escreve para os pagãos e destaca os milagres para justificar a divindade de Jesus. Mateus escreve para os judeus e, para provar que Jesus é o Messias esperado, abusa das comparações com o Antigo Testamento. Lucas também escreve para os pagãos e se preocupa em apresentar Jesus pelo lado atraente e comovedor destacando a bondade e a misericórdia do Messias. João procura mostrar a divindade de Jesus e a realidade invisível que se traduz pelo aspecto espiritual. Mas, faz questão de enaltecer ser Ele um homem e não um deus.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

1191-A Doutrina de Jesus


 
Introdução

Este blog oferece-se para fazer o resgate e a reinterpretação dos evangelhos de Jesus naquilo que separa história e doutrina, ou seja ensinamentos voltados para a moral e a justiça. Desta forma, buscando atualizar os discursos doutrinários daquele divino mestre, queremos prestar mais um serviço à comunidade participante/leitora deste blog.

Sem querer substituir nenhum dos maravilhosos trabalhos de evangelização realizados por tantos incansáveis pregadores, teremos tantos encontros evangelizadores quantos forem necessários para  trazer a palavra sempre viva de Jesus e expressa no Evangelho do Novo Testamento.

Esta providência se faz necessária como pressuposto cultural em favor daqueles que queiram adentrar à Era de Aquário afinados com os ensinamentos do mais importante educador divino que esteve entre nós.

Muitos evangelizadores em muitos templos pelo mundo a fora têm buscado ler aquelas mensagens com o foco “naquele tempo”, como de fato estavam ambientadas e temporizadas naquela época e na Palestina, afinal ali estava iniciando a Era Cristã. No entanto, o tempo correu, a humanidade evoluiu e a sempre viva palavra de Jesus, hoje, tem outros impactos entre os homens. É o que ousaremos fazer, mesmo correndo o risco de errar o alvo e sermos mal interpretados.

Você, leitor, será o nosso fiscal.

Nas postagens seguintes, nos dias seguintes, você será chamado a ler e a refletir sobre uma tentativa de reinterpretar o Evangelho de Jesus de forma a que em cada capítulo haja um intervalo para sopesar e identificar os seus recados identificados (se possível) com a nossa atualidade, numa tentativa de inserir novamente as mensagens de Jesus em nosso dia-a-dia do século XXI.

Você vem com a gente?

Se é que vem e se é que queira salvar estes arquivos, você irá colocando-os em sequência e depois de esgotada a série terá um texto só salvo contendo os temas-capítulos do Evangelho de Jesus Atualizado e Reinterpretado.

Obrigado.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

1190-A Espiritualidade Cristã


Inteligência Espiritual

Já tivemos a fase da Inteligência Emocional. Foi muito usada nas empresas para humanizá-las. Mas, o jogo mercantil é desumano. Agora estamos experimentando divulgar princípios da Inteligência Espiritual. O que é a Inteligência Espiritual? Nada mais que deixar que o ancião eterno tenha maior participação em nossas vidas como conselheiro, consultor, mentor. Quem é ele? Nosso espírito, por enquanto desempenhando o papel de alma. Esse é o nome que se dá para ele enquanto alojado em nosso corpo biológico.

Já temos escrito aqui neste espaço que são muitos os pesquisadores destes últimos e novos tempos a apontar para o espírito sem que o que objetivo de suas pesquisas fosse esse. Eles são, geralmente, interrogadores voltados para a capacidade do cérebro e, de repente, encontram aquilo que foge ao poder da “máquina extraordinária que ele é”. Uma dessas pessoas é Danah Zohar (norte-americana), espécie de profeta científica que filosofa a partir da física, suas formações acadêmicas, cujos escritos merecem ser lidos por quem deseje sair do quadradinho das religiões engessadas. São dela “Os doze princípios da inteligência espiritual” um roteiro para educar a mente para se relacionar com o espírito e a partir dele alcançar a sociedade. São aproveitados aqui com muita atualidade.

Mas, antes, algumas considerações centradas na cátedra de Danah:

“Ecologia interior” não é para místicos e esotéricos. Os palestrantes da primeira mesa do II Fórum Internacional de Comunicação e Sustentabilidade, realizado em São Paulo, concordam que é preciso avançar nas questões sociais antes de se pensar em resolver os conflitos envolvendo meio ambiente. Respeito à diversidade, apego à arte e as coisas belas e postura individual voltada para a paz: esse foi o tom das falas. E Danah se volta para a conexão com o universo.

Viagem? Utopia? Nada disso. Muito inspiradora a fala da física e filósofa americana Danah Zohar. Formada pelo MIT – Massachusetts Institute of Technology, dá aulas sobre liderança em Oxford, na Inglaterra, e escreve livros sobre física quântica – alguns já publicados no Brasil. Deu uma “aula” estimulante não sobre ecologia, mas sobre inteligência espiritual – tão necessária para que a as ações pelo meio ambiente encontrem eco em toda a sociedade não como um regra prevista em lei, mas como um desejo íntimo de cada ser.

“Inteligência espiritual tem a ver com o que eu sou, com os meus valores”, lembra a pensadora, que avisa: precisamos alimentar essa inteligência para motivar a cooperação – entre a família, a comunidade, os países. Só assim vamos encontrar soluções positivas para o planeta, e nos encontrar nessa busca também.

Acompanhe o que Danah expôs sobre os princípios da inteligência espiritual – e motive-se.

1. Tenha pensamentos positivos, sempre. Não pense como vítima das circunstâncias, pense que sofrer é uma oportunidade de ser forte. “A crise econômica atual é uma oportunidade de pensar nossos valores, sair da crise com o poder dos valores, pois foi a ausência deles que nos derrubou”, lembra Danah.

2. Descubra quem você é. O que me faz levantar de manhã? Para que eu vivo, por o que daria minha vida? O que me motiva para fazer coisas todos os dias? Quem eu sou realmente? Comprar, trabalhar, sair com os amigos, faz parte de nosso universo, mas o “ser” é mais do que isso. Quando eu digo “minha vida é minha oração”, significa saber que minha vida é um presente de Deus e que precisamos fazer a diferença nesse planeta para corresponder à dádiva recebida.

3. Tenha humildade. Precisamos saber que fazemos parte de um sistema e que precisamos prestar atenção nos outros, lembrando que existem diversos pontos-de-vista – não o seu, unicamente.

4. Viva a compaixão. A origem dessa palavra significa “sentir com”. Sentir a dor do outro como se fosse a sua dor. “Eu não somente cuido dos pobres, eu sou pobre”. “O planeta é parte de mim – nascemos quando o Big Bang surgiu”. Lembre-se sempre: eu sinto que sou você, e que você sou eu.

5. Reveja seus valores. Precisamos pensar menos em “eu, mim, egoisticamente” e mais em “nós, nossos coletivamente”, porém numa escala em que os outros não representem a minha anulação. Portanto, precisamos rever nossos valores para servir uns aos outros. Como fazer isso? “Pergunte a você mesmo, qual é o melhor que você tem e pode dar”, avisa a filósofa. Nunca queira dar o que você não tem, porque aí você estará exaurindo a fonte que já está carente.

6. Viva o presente. Tire o peso do passado e das preocupações futuras – e viva o agora!

7. Estamos conectados, e o jeito que vivo minha vida afeta a vida do outro. “Se me sinto negativo, espalho essa negatividade para minhas relações, minha comunidade. Mas se me sinto esperançosa e que posso fazer melhor, espalho essa atitude para as outras pessoas”. É da formação dessas egrégoras que o planeta depende para vibrar a nossa evolução como seres eternos.

8. Responda a uma questão fundamental: sempre perguntar porquê! Nós nos fechamos à verdade se não questionamos.

9. Mude a sua mente, seus paradigmas, e coloque seus pontos-de-vista sob uma nova perspectiva. Isso é muito necessário no meio empresarial, social, religioso, destacou Danah. “Precisamos de uma revolução do pensamento também nas lideranças e na educação”. Educação significa memorização, imposição? Ou é ajudar as crianças a fazerem boas perguntas? “A mídia também precisa rever o seu papel e ajudar as pessoas a formarem consciência crítica”. Chega de pacotes acabados, modelos formatados.

10. Valorize seus princípios, mesmo que sejam impopulares. Entretanto, não seja arrogante de que está certo, mas questione-se e questione o que os outros entendem por valores seus. Escute os outros, mas veja o que você quer acreditar, para o que você quer lutar.

11. Celebre a diversidade. Isso não significa numa empresa, por exemplo, colocar uma mulher ou negro num cargo alto, mas construir um pensamento do que significa a diferença para você, e o que ela tem a te ensinar. Dizer “obrigada por ser diferente, por me fazer questionar a mim mesmo” tem uma conotação de inclusão diferente da hipocrisia de enaltecer os diferentes para tirar proveito.

12. Descubra a sua vocação, o seu propósito de vida e em como você pode fazer a diferença. “Você não precisa ser o Gandhi ou o Papa Francisco. Cozinhar um bolo pra sua família, ser um pai que vai brincar com seu filho, ou alguém que dá uma parcela de seu tempo para tirar alguém das amarras, é uma maneira de servir a humanidade com o melhor que temos”. E não queira ser um santo. Nossos heróis são falíveis, mas abriram, abrem novos caminhos. O pior que podemos fazer é repetir o caminho velho sempre mais deteriorado.

Para terminar, um recado aos educomunicadores e educadores em geral (também chamados de terapeutas pedagogos): “eu chamo a todos para a revolução não-violenta, onde as novas tecnologias podem mudar o mundo, sim, e que é preciso acreditar que você, enquanto gente, pode fazer a diferença”.


Percebe, leitor, que a Inteligência Espiritual é aquela que traz de volta para a dimensão humana aqueles seres que estão perdidos nessa orientação e fadados a virarem qualquer coisa bestial e longe da proposta sagrada para a vida humana, que é libertar o espírito de suas imperfeições ou livrá-la da corrupção.

domingo, 22 de setembro de 2013

1189-A Espiritualidade Cristã


À fé temos de juntar o rito

Quem é para você, leitor, a pessoa mais importante do mundo? Desculpe, não captei seu raciocínio. Mas, é tão simples a resposta. Você tem quantos aninhos? Ainda precisa da mamãe ou do papai para comer, tomar banho, acordar, atravessar a rua? É comum aos terapeutas encontrarem pessoas com muito mais de 16 anos ainda olhando para fora quando buscam encontrar suas referências. Graças a isso, os políticos, pastores, formadores de opinião, os ídolos, vendedores de ilusões deitam e rolam ao obter de uma imensa massa humana maleável tudo quanto querem obter, onde se inclui o dinheiro e muito mais que isso.

Infelizmente, são muitos, muitíssimos, os homens e mulheres que entregam suas vontades a alheios (chamados de alienígenas e criadores de alienados) e aí a resposta àquela pergunta que abre o artigo. Ela escapa da mente e dos lábios com o nome de alguém que está do lado de fora da vida do autor da resposta.

Quantas esposas que respondem ser o marido a pessoa mais importante de suas vidas?

Responda-me, você, com sinceridade: quando seu Eu Espiritual apresentar-se diante dos recepcionistas do plano espiritual para as prestações de suas contas, elas serão feitas por um advogado, procurador, tutor, ou por quem mais? A pessoa mais importante do mundo estará do seu lado para testemunhar a seu favor? Quem é ela?

Claro, você percebe que estes enfoques tendem a identificar se a sua resposta incluiu qualquer outro nome que não o seu. Se você, de pronto, respondeu a pessoa mais importante do mundo, para mim, SOU EU, as coisas mudaram completamente de rumo. Mas, essa resposta, infelizmente, é rara. No entanto, seja lá o que você faz, fez ou fará, tudo que tiver feito, faz ou vier a fazer ficará a crédito ou débito de sua alma, cujo futuro está reservado como um ente eterno. Mesmo que você tenha dirigido outras pessoas ou tenha sido dirigido por outrem, o principal responsável por sua alma será, sempre, você. Logo, para ela (sua alma) a pessoa mais importante do mundo é você. Qual é a dúvida? Estamos de acordo?

Como a pessoa mais importante do mundo (sem que esse entendimento tenha conotação de egoísmo – não se trata disso), comece por reservar a você excelentes atenções destinadas a buscar a sua dignidade pessoal. Isso inclui dormir bem, comer certo, amar profundamente, realimentar corretamente seu intelecto, entrar em acordo com sua alma. Atendidas as prerrogativas já enumeradas, anote aí algumas coisas que você pode fazer para amparar sua alma no caminho da resolução evolutiva. Oração raciocinada: aquelas orações decoradas que você bota pra fora sem pensar no que está dizendo, é coisa pouca. Converse com a dimensão sagrada, diga o que pensa, deseja, busca. Contemplação: dirija seu olhar e concentre sua mente no que vê, juntando os sentidos com o que vê e admira. Esse é um passo importante para entrar em processo de meditação. Meditação: se não sabe como fazer, procure ajude, pois a meditação nem sempre se pode ensinar por internet. O futuro disso tudo é o desenvolvimento da Inteligência Espiritual, tema de nossa próxima postagem. É importante fazer dessas recomendações um programa sequencial, semanal, ritual.

sábado, 21 de setembro de 2013

1188-A Espiritualidade Cristã


Partindo para a prática espiritual

Um dia, breve, tomara, e sob a batuta de Jesus, todas as correntes de fé desenvolverão a prática espiritual em seus cultos e ritos. Por enquanto, isso é chamado de experiência mística e, como tal, reservada a uma elite. Por experiência mística, entende-se a iniciativa de Deus (mas o correto seria dos representantes de Deus) que faz com que a pessoa participe de seu próprio mistério (ainda hoje na obscuridade de um conhecimento inadequado à transcendência, que é o caso); e se fala do estado da vida em que Deus se manifesta à pessoa de modo sensível e que a intensidade do sentimento da presença de Deus é tão clara, que o místico tem totalmente a certeza de que Deus está nele. Veja o leitor nestas frases há uma brutal incoerência interpretativa. Se o espírito que está em nós é divino, por que só senti-lo depois que haja uma preparação para tanto? Isso não seria necessário se a cultura humana não tivesse sido manipulada a partir do momento em que a mitologia passou a atuar e a criar deuses identificados com reis e faraós para, exclusivamente, manipular a vida dos súditos. A elite referida ali na segunda frase deste artigo, é uma cruel herança daquele tempo em que até para engravidar as mulheres tinham de ter a autorização do faraó ou rei.

Estamos encaminhando questões de fé, sem a qual espiritualidade nenhuma pode ser estudada. A Espiritualidade cristã católica indica: “A fé é a garantia dos bens que se esperam, a prova das realidades que não se veem” (Hb11,1). Ver é uma coisa, sentir e transcender é outra. E os estudos de teologia espiritual ficam sempre na periferia tentando ver e incapazes de sentir e transcender. Leia o que é dito e note que o processo está restrito ao teólogo, diga-se ao membro da elite: “Nosso estudo da teologia tem mostrado o processo de elaboração teológico e sua importância para a vida dos crentes, sempre tendo em vista que fazer teologia não é um mero ato especulativo, onde o cientista da teologia se coloca diante do seu objeto com o objetivo de esmiuçá-lo, sem relação nenhuma com ele. A teologia tem, com efeito, uma projeção sobre a vida do teólogo, enquanto contribui para uma aproximação com o Mistério Divino e uma configuração a Cristo Senhor e Salvador, desembocando numa prática de vida coerente com aquilo que se crê e se celebra. Contudo, a teologia é possível por causa da fé. A fé é ato humano, realizado dentro da liberdade humana, porém não se pode dizer “eu creio” sem que o objeto crido se manifeste ao crente, ou seja, nós temos fé porque Deus mesmo se revelou e mostrou a nós sua vontade. Não se tem fé somente baseado no desejo humano de crer num ser superior a quem se dá o nome de Deus, mas a fé é Graça de Deus. Isso não significa que a fé contraria a razão e a liberdade humanas, porém “na fé, a inteligência e a vontade humanas cooperam com a Graça divina” (trecho do Catecismo da Igreja Católica n°155).

São passos de gigante dados por uma doutrina que não reconhecia em Jesus um ser espiritual que veio ensinar espiritualidade, a ponto de sugerir que Ele subiu aos céus na posse do corpo. O teólogo protestante Karl Barth define assim a fé cristã: “A fé cristã é o dom do encontro que torna os homens livres para escutar a Palavra da Graça, pronunciada por Deus em Jesus Cristo, de maneira tal que eles se atêm às promessas e aos mandamentos dessa Palavra, apesar de tudo e de uma vez por todas, exclusiva e totalmente”.

Mas, ainda há pruridos preconceituosos na forma de ensinar espiritualidade quando as igrejas insistem no privilégio da graça atribuída a uns e não a todos. Ela está aberta a todos quantos se purificarem para merecer vibrar nas frequências que operam os espíritos encarregados destas tarefas. É como a sala de aula: aprende o aluno que comparece, presta atenção e tem condições intelectuais para acompanhar o conteúdo ministrado. Quantos gazeiam? Quantos conversam em aula? Quantos que dormem? Está dito: Jesus diz a Pedro que ele é “Bem-aventurado”, pois não foi a carne nem o sangue que o revelou esta verdade, ou seja, não foi pelo esforço de Pedro que ele chegou a essa conclusão, nem porque recebeu de outrem esse ensinamento, mas foi o Pai que revelou a ele. Nada mais torto. Pedro era um simples pescador de espírito elevado, bons costumes, limpo e puro, elevação que o credenciou a vibrar nas correntes elevadas. Tira fora a questão da graça pura e simples, casual, caída dos céus como gotas de chuva, e coloca a questão do mérito. Eis o caminho.

Mas, é importante, ao se tratar de fé não podemos nivelá-la às outras formas de conhecimento, pois ela não parte de nenhuma constatação empírica, ou seja, não se prova a fé como se prova que a Terra gira em torno do sol, nem tampouco se pode afirmar que se chegou a fé a partir de um esforço intelectual. Quem sabe, um dia, a ciência consiga identificar a fé através dos laboratórios, como já se tem como localizar na glândula pineal um centro vibratório que os pesquisadores tem chamado de Ponto de Deus.

A sabedoria da fé consiste em primeiro acreditar, abrir-se para a hipótese, ter confiança. O estágio seguinte é obter certeza de que algo acontece ou aconteceu e produziu um efeito que apenas o sujeito sente ou sentiu. A entrega do crente e o seu abandono confiantemente numa corrente vibratória elevada, frequentada por energias puras e fortes (que se diz serem de Deus), apoia-se em ato, “um ato para mim, que só eu posso saber e dificilmente posso descrever”. “Não se crê ‘por causa de’ ou ‘baseado em’, mas é despertado para a fé a despeito de tudo”. Eis que a fé é um ato pessoal e que ninguém poderá professá-la pelo outro e nem ser ensinada por outro, só estimulada por exemplos e palavras, pois é uma resposta livre do homem à Revelação da Espiritualidade. Cada um professa pessoalmente sua fé, porém, não se pode entender a fé como um ato isolado, solitário. Os ambientes coletivos ou místicos impregnados de pureza vibratória são os cenários ideais para os eventos derivados da fé.

Quando dissemos (ali atrás) estimulada por exemplos e palavras, é preciso que haja uma ressalva saneadora: o que temos visto em muitos templos e locais de concentração de fiéis, é o que se chama de “Palavra Proclamada”, ou seja, alguém anunciou para alguém uma palavra e esse alguém, por sugestão externa, aceitou como tal aquilo que foi proclamado. Isso não é fé, é crença.

Diz-se que a fé não brota do nada, mas esse tudo tem um abismo que o separa da sugestão. Nesse sentido, ninguém dá a fé a si mesmo ou a outrem vindo de fora. Mas, é difícil explicar onde ela (a fé) brota ou por que brota. O mais correto será entender que seja por necessidade física (dor, sofrimento), intelectual (carência no sentir) ou espiritual (carência de conexão).

Ao contrário de se pensar que a fé seja um Dom de Deus transmitido ou despertado por alguém, como vimos, devemos antes pensar que seja uma busca. Quem não busca, quem não acredita não a tem. É como a cura. Aquele que só entende sua cura vinda de fora, continuará doente apesar da redução dos sintomas.

Então, para começo de conversa: a prática espiritual tem como condição sine qua non, a fé. Sem fé, nada feito.

Quando alguém está muito farto das coisas materiais, prazeres, ganância, vícios, dependências dominantes, não há espaço para a fé, nem para a espiritualidade.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

1187-A Espiritualidade Cristã


A progressiva aceitação do espírito

Mas, não nos enganemos de todo. A Espiritualidade cristã católica ainda é ensinada como um modo de viver a vida biológica sob as bênçãos dos santos, notadamente do Espírito Santo, ou a própria vida cristã levada sob a condição de orientar-se para Deus, através de Cristo, no Espírito Santo; são experimentos de diferentes maneiras de sentir e fomentar a vida em Cristo; é uma realidade vital que se edifica sobre o dom da graça; é uma crescente comunhão com Deus, na qual a força do Espírito Santo conduz a uma progressiva espiritualização (compenetração do Espírito de Cristo), tornando o cristão capaz de acolher e conhecer os segredos de Deus, mas não de comunhão espiritual; segundo 1 Cor 2,9-14, 6,17, é o Espírito Santo que sonda as profundidades de Deus; segundo Rm 8,14-16, Gl 4,6, é espírito de filiação numa realidade teologal. Continua a separatividade: Deus está lá, o homem está aqui.

Por conta dessa visão, ainda há preconceitos em relação à presença dos espíritos atuando no dia a dia das pessoas e das pessoas interagindo na dimensão espiritual. A compreensão que os católicos e evangélicos passam a ter da vida espiritual é que entre nós só podem estar os espíritos maus e, portanto, aliados do diabo. São os agentes de tentação, causadores de obsessões, a quem as atenções se voltam no sentido não de educá-los, mas no sentido de enxotá-los. Os bons espíritos estão bloqueados e, aí, uma monstruosa incoerência, pois afasta dos humanos a ação do anjo de guarda, que a Igreja aceita existir e atuar de forma benfazeja.

Já abordamos essas deturpações, também, como álibi ou justificativa para os erros humanos. O pecador se torna contumaz nesses argumentos: “eu não tive culpa, fui tentado pelo diabo”. Melhor dizendo, a pessoa convida o diabo (espírito ruim) para saírem de braços dados e depois de acontecido o pior, a culpa é sempre do parceiro.

Falta às escolas católicas de espiritualidade o repasse aos católicos da responsabilidade para com a autoelevação dos indivíduos no sentido da salvação pessoal e, por extensão, na construção de uma sociedade mais humana sob a condição de que não há salvação individual. As Escolas de Espiritualidade Católicas são centros característicos da vida e doutrina espirituais comuns aos grupos de pessoas ligadas a um dirigente dotado de personalidade religiosa: um padre. Ensinam sobre espiritualidade, porém não autorizam a sua prática. É como se a escola de gastronomia ensinasse aos alunos a elaboração dos melhores e mais bonitos pratos, mas estivessem impedidos de prová-los. Provar, é tarefa para o professor. Em parte até é bom que seja assim, pois para operar nestas dimensões há que ter conhecimento de causa. E a sociedade angustiosa de “mostrar serviço” e até de ganhar dinheiro com coisas sagradas, está cheia de charlatões que se intitulam especialistas.

Elementos constitutivos do serviço espiritual: a) Intuição e experiência pessoal de operar na dimensão sagrada; b) Influência do ambiente sócio-religioso e do próprio temperamento pessoal da coordenação; c) Resposta às exigências históricas do povo de Deus abandonado em sua dimensão espiritual; d) Relevamento de aspectos do mistério de Cristo e das hierarquias próprias dos meios de santidade (naquilo que respeita ética, caridade, retidão de caráter); e) Estilo singular de vida: métodos de oração, meios ascéticos, praticas comunitárias e formas de apostolado.

Quando se fala em “meios ascéticos”, lembre-se que ascese (askesis) significa exercício físico para desintoxicação, treino na lida meditativa, esforços graças aos quais se procura progredir na vida moral e religiosa e, em geral, comporta exercícios de oração mental e uma disciplina corporal.

Também parece prudente falar um pouco de mística (expressão que já foi usada nesta série): mystikós é aquele que foi iniciado nos mistérios (realidade secreta, escondida ao conhecimento ordinário); realidade escondida que se propõe a um tipo de experiência que conduz à união com o absoluto; conexão com o sagrado.

Alguns autores sugerem que os termos espiritualidade e mística são apenas maneiras diversas de se referir à relação pessoal com Deus, enquanto outros admitem que a mística seja um tipo de espiritualidade que enfatiza a experiência pessoal direta de Deus. Não estamos autorizados nem a nos aproximar de espíritos puros como Jesus Cristo. Nós causaríamos um terrível mal a Ele e Ele a nós, dada a diferença vibratória que nos separa. Jogue um pano alvo e limpo dentro de um rio poluído por decomposição orgânica e você verá o abismo que separa (por tosca comparação) as dimensões dos espíritos puros (pano limpo e alvo) e as vibrações das imperfeições, como ódios, crimes, ciúmes, ganância, deslealdades e corrupções, que é a nossa dimensão e onde ainda estamos inseridos. E aí vem o evangelizador despreparado e sugere que devemos estar frente a frente com Deus. Isso não existe. A ação sempre se dará por emissários que operam em nome de Deus: espíritos obreiros, os mesmos que inspiraram os profetas que escreveram os livros ditos sagrados, da Bíblia. E nunca uma ação direta de Deus na mente do profeta ou de qualquer homem ou mulher.

Você já chegou em casa depois de um encontro com pessoas e sentiu-se exaurido(a), como se um vampiro houvesse bebido todas as suas energias ou, por outra, como se tivesse recebido uma pesada carga de energia ruim, com dor de cabeça, náuseas, falta de concentração, total desconforto, sonolência ou insônia, sem nenhuma outra causa possível de ser apontada para isso? Pois, a causa completa, creia, pode ter sido a aproximação com alguém cuja vibração é tão pesada que afeta induzindo ou captando as energias dos outros. Assim parece ficar mais compreensível por que os espíritos impuros não têm permissão de estar frente a frente com os espíritos limpos e puros. Não são os limpos e puros que vêm a nós, somos nós que adquirimos méritos para chegar a eles.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

1186-A Espiritualidade Cristã


Avanços dogmáticos cristãos

Os estudos e os ensinamentos cristãos andam a passos largos para recuperar o terreno perdido. O termo francês spiritualité já era empregado desde o século XII. A partir do século XVII foi usado para designar as relações afetivas com Deus (Francisco de Sales e outros), como para referir-se ao conhecimento interno e direto do divino ou sobrenatural vibrado intimamente. Mas a crise do quietismo fez com que o argumento fosse desprezado, sobretudo o setor da mística; nesse mesmo século a espiritualidade dividiu-se em ascética e mística.

O renascimento da terminologia se deu desde meados do século XIX (Allan Kardec-1804-1869), e no XX, graças à revisão do que escreveu o teólogo Guibert de Nogent (1053-1124) e ao que acrescentaram o antropólogo Henry Pourrat (1887-1959) e o filósofo Henri Bremond (1865-1933): espiritualidade passou a designar a vida espiritual enquanto experiência vivida, e também o nome de uma disciplina acadêmica.

A cátedra universitária de espiritualidade foi instituída em Roma a partir de 1917, porém os tratados, no sentido de sistematizações lógico-formais, remontam ao século XVII. Vieram com os pioneiros dessa cátedra de ascética e mística.

Evoluindo, conseguiu a dignidade de ensino obrigatório nas faculdades teológicas católicas.

No século XX, introduziu-se o uso do termo espiritualidade, no seio de escolas espirituais. O mérito de se ter chegado á teologia espiritual pertence aos dominicanos, jesuítas e carmelitas, por meio das reflexões sobre conteúdos de espiritualidade. E certamente pela leitura das obras de Kardec no silêncio dos mosteiros católicos. O último passo, a partir de 1950, foi a fundação de institutos de espiritualidade.

A tendência clássica se reflete na exposição de Pourrat: para ele a espiritualidade é a parte da teologia que trata da perfeição cristã e das vias que conduzem a ela; a teologia espiritual subdivide-se em teologia ascética – exercícios aos quais todo cristão que aspira a perfeição deve entregar-se; a alma percorre três etapas: livra-se do pecado mediante penitência e mortificação, desenvolve as virtudes por meio da oração e imitação de Cristo, progride no amor divino e chega à união habitual com Deus – e teologia mística – estados extraordinários (êxtases, visões, revelações); privilegio de alguns, aos quais Deus se une de maneira inexprimível, inundando-os de luz e de amor.

Para Benigar, a teologia espiritual é a aplicação das conclusões da dogmática às situações concretas da vida. Em geral os teólogos católicos admitem a subordinação da teologia espiritual à dogmática, mas diferem em função da escolha da teologia espiritual à dogmática, Isto é, diferem em função da escolha da teologia de base sobre a qual fundam suas deduções espirituais.

Outra corrente, mais sensível à experiência da vida espiritual, concebe a teologia espiritual como uma antropologia ou ciência do humano religioso (mesmas estruturas psicológicas e formas místicas); insiste-se sobre os aspectos psicológicos do humano religioso, e o problema fundamental torna-se o estabelecimento da relação entre vida psíquica e vida espiritual.

Bernard afirma que, em conformidade com a tradição católica, a espiritualidade não pode prescindir nem da revelação, nem da comunicação da vida divina, tal como se verifica na vida cristã (Cristo foi a vida espiritual mais perfeita). A teologia espiritual extrai seus princípios fundamentais da fé no verbo encarnado; sem ser uma simples aplicação dos dados da teologia dogmática, depende da doutrina comum, enquanto esta se define nos aspectos principais da vida divina comunicada em Cristo; por outro lado, deve considerar o desenvolvimento completo da vida cristã – consciência que o cristão possui de sua própria vida espiritual – constitui outro princípio necessário à elaboração da teologia espiritual.

Assim como a Escritura, a Liturgia e a Tradição constituem lugares teológicos diferentes, a experiência cristã deve ser considerada um lugar teológico contendo elementos específicos em vista de uma intelecção mais profunda da vida cristã. 

Segundo Golffi, a teologia espiritual é a disciplina teológica que investiga sistematicamente a presença e atuação do mistério revelado na vida e consciência da igreja e do crente, descrevendo sua estrutura e as leis de seu desenvolvimento até o vértice, isto é, até a santidade enquanto perfeição da caridade.  

A fim de clarificar os termos empregados sobre a teologia da espiritualidade cristã, destacaremos o seguinte vocabulário:  Espiritualidade: conjunto de princípios e praticas que caracterizam a vida de um grupo de pessoas referido ao divino, ao transcendente; à vida no Espírito – o que se faz com aquilo em que se acredita; as diferentes maneiras pelas quais se experimenta a transcendência, o modo segundo o qual a vida cristã é concebida e vivida.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

1185-A Espiritualidade Cristã


 
Espíritos obscuros

Outro grave desvio na formação inicial da cultura religiosa cristã foi tratar como diabólicos os espíritos do mal como aliados do diabo e este como inimigo de Deus. Trata-se de uma presunção tremendamente equivocada e capaz de reduzir o poder do Autor da Vida. Aquele que dá a vida, segundo este entendimento, tem contra si um poderoso adversário que tudo faz para destruir a vida.

Trata-se de uma concepção temerária, equivocada, produtora de deturpações na mente humana. Quantos bilhões de pessoas vêm tomando conhecimento de que as tentações do diabo, para o mal, são mais poderosas que as exortações de Deus, para o bem. E vindas de fora. Os ensinamentos mais antigos da humanidade, desde Hermes, que nem data têm, sugerem que quem se enxovalha e derruba suas vibrações a ponto de nivelar-se com obsessores de péssima qualidade, somos nós, os humanos. Toda a cura produzida porJesus nessa área desobsedante vinha acompanhada da ordem: “vá e não peques mais”, isto é, eleva-te, diga-me com andas e eu te direi quem és.

A invenção do diabo está para os cristãos como o bicho-papão está para as crianças, serve apenas para interromper o pensamento (pelo medo) e botar pra dormir. Enquanto a criança para de pensar não faz perguntas embaraçosas e se aquieta, como quietos querem os pastores e padres que estejam seus fiéis. Sem ter o que falar (de concreto) para eles, vão enrolando com textos de mais de quatro mil anos de idade, ditos como “palavras de Deus”, escritas por homens, poetas, sonhadores, médiuns, intérpretes de alguma entidade espiritual que produzia conteúdos adequados àquela idade espiritual das pessoas. Essas pessoas hoje são adolescentes e adultas e já não querem mais ouvir estórias (para dormir). Querem ouvir estórias para acordar, elevar-se espiritualmente e oferecer-se para o banquete espiritual que Jesus veio mostrar que tem.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

1184-A Espiritualidade Cristã


 
Merecer estar em Deus

Todos nós somos chamados a uma vida espiritual, a viver a nossa própria santidade. Santidade é atingir o que a vontade de Deus deseja para todos os seus filhos. A corrente religiosa de maior abrangência no lado de cá de Greenwich não ensina lidar corretamente com a espiritualidade quando transfere aos cardeais o poder de fazer isso pelos fiéis. O Concilio Vaticano II, reafirma que todo o ser humano é chamado a viver a santidade. A palavra espiritualidade vem de Spiritus, ou do verbo spirare, “soprar”. Faz referência ao sopro de vida emanado de Deus ao homem, que vai embora quando morremos para o corpo. Aliás, só morremos porque o sopro se esvai.

A espiritualidade é uma “força” que nos motiva a viver de corpo e alma, e por isso nos envolve inteiramente. O Espírito é o que há de mais profundo, forte e verdadeiro em nós. É o que nos impulsiona a viver plenamente. “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em plenitude” (Jo 10, 10). A espiritualidade é a força que Deus nós dá para nos mantermos fieis aos compromissos pessoais e comunitários voltados para a transformação da sociedade tendo em vista o bem comum. Espiritualidade é um jeito de viver, uma maneira de ser livre e sintonizado com as coisas de Deus, da Igreja, da família, da natureza e do mundo à luz do Espírito santo. A espiritualidade vivida, no nosso caso, sob a orientação do mentor espiritual do planeta (Jesus) nos torna autênticos, dinâmicos, firmes na fé e perseverantes naquilo que é a nossa missão. A espiritualidade faz que nos posicionemos diante da realidade e nos leva a ver os acontecimentos do mundo com os “olhos de Deus”.

A palavra espiritualidade é considerada por muitos como filha da modernidade, pois sua origem remete-se à escola espiritual francesa do século XVII, como designação da relação pessoal do humano com Deus. No entanto sua forma abstrata, remonta à época da patrística, pois aí se encontra um texto por séculos atribuído a Jerônimo, mas que em realidade pertence a Pelágio no qual aparece a frase “Age ut in spiritualitate profecias”, designando a expressão o conceito de espiritualidade como vida segundo o Espírito de Deus e como progressão aberta a realizações ulteriores ou na perfeição da vida segundo Deus.

No judaísmo o termo ruah (espírito, respiração, vento), ou seja, é tudo aquilo que dá vida individualizada e o poderio de Javé que atua sobre seu povo como dom profético e como sabedoria personificada. Da experiência cristã surge a afirmação da pessoa divina do Espírito Santo e a visão da espiritualidade da própria existência. Na Bíblia não se encontra uma teoria sobre a espiritualidade, mas sim seus conteúdos, especialmente em Paulo. Encontramos com frequência o convite a viver como “homens espirituais” (1 Cor 2, 13; Gl 6, 1; Rm 8,9), a viver “na perfeição da santidade, espírito alma corpo” (1Ts 5,23). Com esta exortação Paulo queria sintetizar o estilo de vida do cristão: a vida cristão devia ser

entendida como a vida dominada pelo espírito, como vida de membros da Igreja, como abertura existencial a toda humanidade e como espera da plenitude futura para o ser humano e para o cosmo (Rm 8).

O cristianismo do primeiro milênio não conheceu a cisão entre dogmática e espiritualidade. A palavra da escritura era portadora e suporte da fé cristã: a letra significava a superfície, a alegoria era a realidade dogmática e salvífica expressa pela letra, a moral consistia na apropriação pessoal da realidade, e a antropologia mostrava a orientação à salvação escatológica.  Do século IX ao século XI, espiritualidade indicava realidade e atividade que não provém da natureza, mas da graça do Espírito Santo presente no ser humano. A partir do século XII, a homogeneidade de significado se decompõe: “espiritualidade” mantém o sentido de sobrenatural, mas também passa a designar aquilo que não é material; quando seu uso se associa ao discurso da vida devota e interior, equivale a vida afetiva ou interior. A partir de fins do século XII e durante todo o século XIII, na Igreja Católica do Ocidente, o discurso teológico tende a revestir-se de uma forma cientifica, que se distancia sempre mais da teologia concebida como comentário do texto sacro e aproxima-se da pesquisa filosófica: o teólogo esforça-se em determinar os conteúdos objetivos do texto sacro por meio de questões, ao passo que o monge entrega-se à meditação das Escrituras. A teologia, distinta da exegese, subdivide-se em especulativa ou dogmática, prática ou moral, afetiva ou espiritual. A geração dos grandes escolásticos é o último exemplo da unidade entre teólogo e santo, pois até então resultava incoerente a separação entre saber e experiência de fé, magistério e vida espiritual, pastor e doutor.

Mas, não é tudo. Um grave desvio das doutrinas religiosas desses séculos todos foi supor que a dimensão espiritual desce até os homens para produzir efeitos, sejam quais forem: cura, iluminação, salvação. Os xamãs da distante noite quando nenhuma Universidade havia para estender os conhecimentos humanos, já falavam em subir a escada para estar com a dimensão sagrada numa clara indicação de que somos nós que devemos nos tornar dignos de subir até as dimensões (hoje se sabe que são vibratórias) espirituais elevadas para ali comungar com o lado melhor da espiritualidade.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

1183-A Espiritualidade Cristã


A cura pelo espírito

Na postagem nº 1180 prometemos retornar ao tema da qualidade de vida medida pelo IDH que, por sinal, coloca algumas regiões de Santa Catarina entre os melhores índices.

Começaremos a abordagem pelo meio ambiente. Como viver saudavelmente em São Paulo/capital, onde o ar saturado por dióxido de carbono arrebenta com qualquer pulmão? Dá para entender, então, por que as regiões privilegiadas por saúde e longevidade são aquelas onde o ar que se respira é de qualidade. Como viver feliz se você abre sua janela e só vê lixo, esgoto a céu aberto, terra nua sem vegetação? Dá para entender, então, porque a visão do mar, da floresta preservada, das flores coloridas, com a companhia dos pássaros, são situações que interferem positivamente na vida das pessoas saudáveis e longevas? Juntemos esses dois fatores (respirar ar puro e ver paisagens deslumbrantes) e acrescentemos um terceiro, o amor: a pessoa se sente integrada ao seu meio e tem nos seus familiares e vizinhos pessoas estimadas e queridas. Como é que você, leitor, acha que andam as vibrações energéticas desses aí?

Vamos racionar ao contrário: você mora na favela onde a visão é pobre, acorda imaginando que os desafetos podem estar a sua procura, já tem uns crimes no histórico pessoal, vive em sobressalto. Dá para discernir minimamente, sem entrar em elucubrações sociológicas como andam as vibrações nesse caso?

Mas, existem pessoas que não estão nestes dois extremos e padecem de tristeza, depressão, insatisfação, guardam mágoas, ressentimentos ou carregam frustrações, culpas, remorsos, medos e, mesmo vivendo em lugares saudáveis e belos, adoecem, morrem cedo e derrubam os números do IDH.

O que lhes falta? Espiritualidade! Espiritualidade naquilo que estamos abordando nesta série.

Ao lidarem com a dimensão do sagrado, ao se conectarem com a dimensão espiritual e ao reformularem seu modo de pensar, sentir, agir e relacionar-se, estarão curando suas almas e transmitindo vibrações de cura para suas células.

domingo, 15 de setembro de 2013

1182-A Espiritualidade Cristã


 
O Reino de Deus entre nós

Esta foi a maior novidade nos anunciados de Jesus: levar-nos a participar do Reino de Deus. E infelizmente poucos entenderam a doutrina como ela tem de ser entendida. Os teólogos ficaram imaginando uma monarquia presidida por Deus e os súditos homens sujeitos àquelas leis emanadas do severo e exigente imperador. A cultura judaica tem esta visão. Esquecemo-nos que o Reino de Deus é uma dimensão espiritual e que por ser a matriz de tudo o que existe, trata-se de um Reino Espiritual, do mesmo modo que Deus (achamos nós) seja um Espírito, de onde retiramos a expressão de que fomos feitos à Sua Imagem e Semelhança.


Ao esquecermos de que a primazia da vida pertence ao mundo espiritual, passamos pelos milênios cuidando de tudo, menos do espírito.

O Espírito que age no homem leva-o a uma ação em favor do mundo, do próximo, do templo ou congregação onde está filiado (e, mesmo, sem nenhuma filiação) como núcleo de comunidade e dele próprio, já que elabora o itinerário de sua salvação/libertação através do desbaste de suas imperfeições, a caminho do reino presidido por Deus. A espiritualidade refere-se àquela inspiração que é concedida aos homens pelo Espírito de Deus.

Para o desenvolvimento de uma espiritualidade discernida, é preciso que cada um descubra sua maneira adequada de viver a relação com Deus e com o mundo. Tentar viver uma espiritualidade fora de seu estado de vida é uma grotesca falta de discernimento.

Por meio da teologia católica a espiritualidade cristã tenta responder à pergunta: “Que tipo de Deus nós temos e que diferença isso faz para nós?”.

A doutrina essencial da Igreja de Roma aponta para Deus como Trindade e fez de Jesus Cristo verdadeiramente Deus e verdadeiramente humano. Um enfoque equivocado quanto ao Deus de todos os outros credos. O espírito que transitou pelo homem chamado Jesus rezava para Deus e pedia ajuda de Deus, entregou para Deus o seu espírito na hora fatal da crucificação. Precisa dizer mais?

Quando pessoas sem a devida formação, “leigos no assunto”, opinam sobre espiritualidade sai uma salada intragável. É salutar a gente lembrar que espiritualidade é maior que amar a um Cristo vivo, que interpela profundamente nosso coração. Trata-se de uma atitude associada à vida que existe na outra dimensão! Sem essa firme convicção, Jesus continuará a ser o Ressuscitado que prometeu voltar para salvar a humanidade. Grande visão religiosa! Nada fazemos para merecer estar no Reino de Deus e queremos que o salvador venha quebrar esse galho. Somos crápulas que oferecem flores ao salvador na expectativa de “comprar” a sua simpatia. Dizei uma palavra e minha alma será salva!

Pois, sim. Esse Cristo não voltará, enviou o Paráclito, intérprete daqueles ensinamentos que Ele, à época, não pôde ensinar porque havia uma arraigada cultura de agrado a Deus através do sacrifício de animais, prática que hoje pode ser vista como penitências, jejuns, caminhadas extenuantes, a prática da esmola, etc. etc.

A verdadeira espiritualidade está embotada e continuará assim enquanto não nos ligarmos a Jesus e a Deus pela via espiritual. A salvação é por nossa conta. Cada um cuida de si. Não há jeito de pular a cerca. E nem de comprar a complacência dos mentores de nossa dimensão vibratória.

sábado, 14 de setembro de 2013

1181-A Espiritualidade Cristã


 
O infeliz descaminho


Lamentavelmente, milhões, bilhões de pessoas desconhecem o sentido da palavra espiritualidade. E é justamente por causa desse equívoco que não conseguem desenvolver adequadamente seu cristianismo, seu islamismo, seu budismo, etc. Muitos a confundem com “espiritismo”, “umbanda”, “candomblé”, “xamanismo” ou “espiritualismo” ou algum tipo esotérico de vida espiritual, sem saber conceituar nem tampouco avaliar como se desenvolve esse tipo de vivência. E não raro atrás desses carimbos está o preconceito, bobo preconceito que faz se separarem aqui na vida humana as almas que pertencem à obra do mesmo Autor da Vida.

A espiritualidade é uma forma muito rica de relação com Deus, suscitada, nos católicos, pelo Espírito Santo, como recomenda a nova doutrina que emerge no seio da Igreja Católica. E a expressão “Espírito Santo” acentua com ênfase não se tratar dos demais espíritos que podem andar circulando pelo ambiente. Esse Espírito é Santo. E se é santo não se nivela aos demais. Quanta ignorância! Se tivessem sido católicos, Gandhi, Krishnamurti, Buda, Maomé e tantos outros poderiam ser santificados, declarados santos? Certamente. A palavra santo vem de são, limpo, puro, elevado. Quantos espíritos santos, limpos, puros, elevados temos em nossa história passada e presente? Jesus Cristo é um Espírito Santo. Sua mãe, Maria de Nazaré, é outro, além de tantos mais que poderíamos citar.

A espiritualidade é um estilo de vida. De vida cristã, judaica, maometana, taoísta, budista, evangélica... Cristo foi um doutrinador espiritual.

O ser humano por ser uma justaposição de matéria e espírito, corpo, mente e alma, soma e psiquê, é suscetível às influências dessas duas instâncias, que nem sempre se harmonizam. Por esta razão, não é fácil para o ser humano estabelecer essa difícil convivência, das tendências (induzidas) da matéria com os apelos do espírito. As condições de vida, a Universidade, os meios de comunicação e os palpiteiros mais atrapalham que ajudam. Possivelmente, um indígena do fundo das selvas seja mais espiritualizado que um cidadão doutor em Filosofia.

O grande desafio é compatibilizar uma vida voltada para os apelos do Espírito na ambiguidade da vida material a que todos estamos sujeitos. É justamente nessas circunstâncias que devemos nos encontrar com Deus, sem fugir do mundo, mas relacionando-nos com o Infinito conforme nosso estado de vida, estágio emocional e frequência vibratória. É o grande desafio.

Toda a religião vivida de modo alienado torna-se alienante, para quem a pratica e para as demais pessoas. Como área de estudo, a espiritualidade vem emergindo mais claramente como uma reflexão que assume uma relação especial com a teologia, pois em ambas, a fé assume a característica de fio-condutor.

A espiritualidade se preocupa não apenas com o espírito, mas também com suas realidades temporais. É a inspiração do espírito que nos torna solidários e voltados às necessidades humanas dos outros. Espiritualidade é compreendida como a ação dos Espíritos Santos e Puros no cristão ou qualquer outro de qualquer corrente de fé; age nele e age através dele. Esse mistério da ação do Paráclito no ser humano, leva-o a orientar toda a sua vida para Deus, de acordo com os critérios que Deus lhe dá, por Cristo, através dos evangelhos. É destes aspectos que trataremos na próxima postagem.