quinta-feira, 31 de outubro de 2013

1226-A Doutrina de Jesus


Não junteis tesouros na Terra

Num longo trecho registrado por Mateus no capítulo VI, 19-21 e 25-34, está o que Jesus define como valores espirituais, não suscetíveis à ferrugem, à podridão, ao desgaste, à corrosão e à ação dos ladrões. E vai logo dizendo: “onde está o teu tesouro, aí também está o vosso coração”. Melhor dizendo, para onde seu coração, sua vontade, seu desejo se inclinarem, lá estará o seu tesouro.

Todos os dias os noticiários registram a ação de pessoas de todas as classes sociais fazendo asneiras por dinheiro. Ali está o seu coração e o seu tesouro.

Apesar das inumeráveis tentativas de alguns pregadores religiosos procurando associar riqueza com coisa má, o mundo posto à disposição dos humanos é muito rico em florestas, minas, rios, solos, climas, aves, animais, peixes, insetos, o que você pensar. Tudo está posto para homenagear o ser humano, que foi o último habitante a habilitar-se para esse desfrute. Tudo está disponível para a nossa felicidade. Não o contrário.

“Procurai, pois, primeiramente, o reino dos céus e a sua justiça e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mt V, 33).

No momento em que eclodem guerras por disputa de espaço geográfico, por correntes d’água, minerais e outras riquezas, dá o homem a exata incompreensão que ele tem da realidade celeste pregada por Jesus. 

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

1225-A Doutrina de Jesus


Buscai e achareis

Ajuda-te para que o Universo possa te ajudar.

Quem quer algo precisa demonstrar querer e oferecer-se para aquilo que quer. Nada cai dos céus, nem mesmo a chuva, onde já não haja condições para isso. A necessidade da busca e não da espera é o que sugere Jesus em Mateus VII, 7-11, trecho que também foi aproveitado por Kardec no capítulo XXV do Evangelho Segundo o Espiritismo.

Só há uma visão sobre o tema: Viver é trocar, é relacionar-se, é oferecer-se para a vida. Aquele que assim não faz, atrofia-se, definha, deprime-se e esmaece, não raro, no fundo de uma cama de hospital.

Todas as formas de vida demonstram querer viver e tudo fazer para que a vida não lhes falte. Qualquer observador chegará a esta conclusão.

Por que isso seria diferente em relação à vida humana?

Buscai e achareis, batei e a porta abrir-se-vos-á. Nesta lição de sua doutrina, Jesus deixa claro que aqueles que apenas sabem pedir sem nenhum esforço para buscar o que desejam, continuarão apenas pedindo. E mais: toda busca tem seu achado. Para melhor ou para pior.

Todo aquele que acha que a elevada espiritualidade deve descer até onde estamos para promover o que tanto achamos que merecemos, ficará parado à frente da escada. A escada existe para subir e não para descer. Cada um receberá o que merece, tanto o que buscar quanto o que ficar parado.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

1224-A Doutrina de Jesus


Não coloqueis a candeia sob o alqueire

Aí está o conhecimento de gaveta, a teoria que não se aplica. A lâmpada que é retida sob o canto e não ilumina, não cumpre seu papel. Os capazes precisam sair das sombras. Aqueles que vieram para iluminar não devem esconder sua luz.

Os escritos de Mateus V, 15, bem como o capítulo XXIV do Evangelho Segundo o Espiritismo, advertem para isso. Não há uma nova visão para o tema. O mundo está carente de líderes do bem e muitos são os homens e mulheres talentosos capazes de fazer a diferença na família, no condomínio, no bairro, na imprensa, na associação, no templo...

Sufocar essa vocação, esconder esses luminares da sociedade ou da comunidade, é uma perda injustificável não só para todos, mas também para aqueles que podem ser chamados, isto é, alcançados pela chama. A luz que não ilumina acaba consumindo-se a si mesma, como são os chamados “buracos-negros” do universo.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

1223-A Doutrina de Jesus


Moral estranha

A difícil escolha de trocar o velho pelo novo é sempre dolorosa, escandalosa até, sob determinados pontos de vista. Para seguir a Jesus, os cristãos eram estimulados a rejeitar as arraigadas posições fanáticas de seus pais e deixar tudo quanto representasse o ideal de poder econômico e status.

O trecho retratado por Lucas XIV, 25, 26, 27, 33, é outro que contém um erro de tradução do aramaico para o grego e do grego para o latim e para as línguas atuais. Odiar ao pai, à mãe, à mulher, a seus filhos, a irmãos e irmãs e à própria vida para estar apto a seguir Jesus tem, no mínimo um absurdo. Largar, desapegar-se faz muito sentido. Mais uma vez os tradutores podem ter exagerado ao aplicar a palavra “ódio” como sinônimo de rejeição ou abandono.

Com Francisco de Assis tivemos um poderoso exemplo de rompimento do filho com o pai. Mas, nunca se pode pensar que isso seja escrito com a palavra “ódio”.

Os tradutores bíblicos não tinham muitas opções para trazer do aramaico para o grego e do grego para o latim, certas expressões, como já vimos em capítulos anteriores: o camelo e o buraco da agulha, a fé e a montanha. Como hoje também ocorre com o inglês. Há palavras com duplo sentido ou amplo sentido.

Se hoje alguém disser que deu a alguém um “drop” (do inglês), o que, mesmo teria sido dado?

Para buscar uma nova visão para o tema é preciso reconhecer: era tão renovadora a prática religiosa trazida por Jesus, no caso, com a introdução do amor, da compaixão e da caridade, práticas não comuns à severa religiosidade judaica, que para seguir a seu novo Mestre os novos cristãos eram aconselhados a romper com o modelo antigo, caso contrário seria impraticável tornar-se um novo membro efetivo da nova religião. Ao verter do aramaico para o grego e do grego para o latim, os tradutores encontraram o verbo odiar para expressar cindir, romper, libertar-se, promover um cisma.

Na história da própria religião cristã e mais ainda dos partidos políticos os cismas têm sido freqüentes. E à época de Jesus, judeus, fariseus e zelotas, por exemplo, eram membros de partidos religiosos.

Os espíritas, para freqüentar sua nova casa de fé, também foram chamados a abandonar a casa velha, e freqüentemente em situação de crise ou rompimento familiar. A isso os tradutores evangélicos chamariam de “ódio”? Na verdade, trata-se de um “quebra” ou de um “racha”.

Ainda no século XXI é fácil encontrar pessoas completamente rompidas com seus familiares por conta de religião, maçonaria, preferência sexual, etc.  

domingo, 27 de outubro de 2013

1222-A Doutrina de Jesus


 

Não separeis o que Deus juntou

Jesus foi duro com os fariseus que acenavam com a lei velha trazida por Moisés permitindo separar marido e mulher quando as circunstâncias ferissem o bom relacionamento. Suas palavras estão em Mateus XIX, 3-9 e também integram o capítulo XXII do Evangelho Segundo o Espiritismo.

Interpreto assim: junções por amor não se dissolvem por que são junções de Deus. Também não há como interpretar como separação definitiva um matrimônio que se desfaz por incompatibilidade de gênio entre os cônjuges. As pessoas têm fases, propostas, objetivos, metas. Quando dentro de um matrimônio um dos cônjuges corre demais para melhor ou pior, é natural que deixe o outro para trás. Isso é separação? Espiritualmente, não. Pode estar havendo uma inversão de posições para, num próximo encontro, as parelhas estarem ao par.

Olhando para trás, compreendemos: está rigorosamente certa a expressão: que o homem não separe o que Deus juntou. É válida não só para a vida conjugal, como tem sido quase que exclusivamente usada; vale para todas as uniões. Quase nada a acrescentar a não ser que o mais urgente entre os homens é discernir o que seja uma junção de Deus e o que seja uma junção temerária assumida entre humanos. Casamentos por interesse financeiro ou resultado de uma paixão de verão não podem ser arrolados como junções de Deus. Se Deus não for o principal inspirador daquelas junções, aquelas junções não serão obras de Deus e, sim, obras de homens e, portanto, parciais, temerárias.

Mas, a frase de Jesus não se aplica apenas ao matrimônio; ela se aplica quase que exclusivamente à paternidade, à maternidade, à irmandade, essas, sim, como obras de Deus. Gerar um filho, nascer em uma família, receber irmãos carnais por companheiros de vida é, sem nenhuma dúvida, junções de Deus. Então, há que cuidar para que estas junções não sejam arrebentadas pela estupidez humana. E também cuidar para que um padre qualquer não venha abençoar em nome de Deus uma aliança que não é e nunca será uma obra de Deus. Só o que vem Deus é imutável.

O divórcio, como lei humana, veio consertar o que por ingênuo e ignorante comete o ser humano. Vale para o matrimônio, mas não vale para a paternidade e maternidade.

sábado, 26 de outubro de 2013

1221-A Doutrina de Jesus


Haverá falsos cristos e falsos profetas

É muito simples cometer um engano e mais desastroso se torna o engano quando o enganado teima em defender sua escolha. Não é de agora que existem argumentos furados proclamados como verdades. O próprio Cristo foi tomado por impostor pelos líderes daquela comunidade que o recebeu como Messias e depois o renegou e o executou.

É muito extenso o trecho bíblico que também dá origem ao capítulo XXI do Evangelho Segundo o Espiritismo tratando da falsidade ideológica e religiosa. Lucas, Mateus e Marcos fazem referências às advertências de Jesus quanto à sedução com origem em enganadores voltados para a exploração da ingenuidade, da boa fé e do dinheiro do povo. Há um pastor que ocupa um canal de televisão aos domingos pela manhã pedindo dinheiro para Deus e fornecendo o número de uma conta bancária que, obviamente, não é a conta de Deus. Tudo está lá em Lucas VI, 43-45; em Mateus VII 15-20, XXIV, 4,5, 11, 12, 13, 23, 24; e em Marcos XIII, 5, 6, 21 e 22. Todo aquele que, de forma cega e apaixonada, aceitar alguém como seu protetor e salvador, seu primeiro problema é a cegueira; o segundo é a paixão; o terceiro é precisar ser conduzido, caso em se deixa ludibriar ao entregar a condução de sua alma a charlatões da fé capazes de tudo, menos ode abrir a visão do caminho para Deus.

Os falsos profetas não existiriam se não houvesse plateia para eles. O traficante de drogas não existiria se não houvesse consumidor. Não é diferente o que ocorre com o sucesso musical ou artístico de algumas figurinhas que ocupam espaços na mídia atual com conteúdos inexplicavelmente sem qualidade. Eles só existem porque alguém os aplaude e remunera.

O animal se deixa domesticar porque não raciocina com a liberdade. Toda dominação tem início na mente. Não existe braço escravo; existe mente escrava.

Falsos messias e profetas medíocres nunca faltaram. O homem precisa conhecer o lado mau para poder avaliar o lado bom. O ouvinte deve ouvir a música ruim para aprender a gostar da boa. Esta é a nova interpretação para o tema: que valor daríamos ao verão ou ao inverno se não conhecêssemos o oposto? E à luz do dia se não houvesse a noite?

Os opostos existem para que nós os avaliemos e os escolhamos como desejável ou indesejável.

Em tempos de mediocridade moral e religiosa, o que mais acontece é as pessoas trocarem de ídolos, trocarem de líderes, trocarem de partido, trocarem de religião e, mesmo, trocarem de país. Estamos num tempo de ebulições em que a fervura se encarrega de depurar tudo para, no final, sobrar o que mesmo terá de sobrar, sob a batuta de Jesus.

Jesus também disse: “não sobrará um único jota até que a verdade triunfe”.

O papel dos falsos cristos e falsos profetas é despertar nas pessoas o interesse por algo melhor. A evolução nos proporciona começar embaixo e despertar para os degraus de cima. Crescer para a vida é uma necessidade cósmica.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

1220-A Doutrina de Jesus


Os trabalhadores da última hora

A cada um segundo o seu merecimento. Parece não haver outra interpretação para  o que relata Mateus nos capítulos XX, 1-16 e XXII, 1, válido para a época de Jesus e para os dias de hoje.

Se o leitor não está informado do que se passou e deu motivo ao trecho da doutrina em referência, havia trabalhadores numa obra desde o início do dia e chegaram à obra próximo do fim da jornada outros trabalhadores. Com cada um desses grupos houve um trato: pago tanto, certo? Ao fazer o pagamento o empregador pagou aos dois grupos a mesma quantia e houve reclamação. Ao que o empregador retrucou afirmando: tomai que o que vos pertence, porque foi isso que vocês pediram, e ide. Nada mais precisa ser dito.

O mérito deste ensinamento de Jesus, de certa forma, está relacionado com o conceito da postagem anterior (1218). Os trabalhadores que ficam mais tempo na obra e que ganham tanto quanto àqueles que chegaram mais tarde, explica-se por dois vieses: o da produtividade e o de haverem desejado receber aquele valor. Nada mais que isso. Cada um de nós se escala para tais e tais conquistas e se acomoda com sua escolha e prêmio, e por isso, nada tem a reclamar.

No caso da parábola que é citada também no capítulo XX do Evangelho Segundo o Espiritismo, não foi o patrão que agiu injustamente com seus peões, foram os peões que por circunstâncias de sua própria vontade apenas pediram para receber aquele valor. E que estava coerente com sua capacidade de produção. Digamos assim, não souberam negociar e eram aptos a receber mais do pediram.

Uma Nova Visão para esse tema pode ser assim descrita: o poder de atração da energia mental não é uma descoberta recente. Quando Jesus dizia aos que buscavam sua ajuda: “tua fé te curou”, estava a certificar: obtiveste aquilo que muito buscaste. E também há os que pedem muito, mas merecem receber muito menos.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

1219-A Doutrina de Jesus


A fé transporta montanhas

A fé tudo pode. Tomando ao pé da letra as palavras de Jesus em Mateus XVII, 14-20, se pode arguir tratar-se de um arroubo discursivo. Qualquer pessoa tomada de racionalidade compreenderá que uma montanha não sai do lugar apenas porque um cristão cheio de imensa fé assim ordene. Montanha e montado para a língua aramaica tinham e têm pronúncias muito semelhantes e derivam, na verdade, do ato de estar acima ou em cima. Os tradutores tomaram algo mais simples por algo que acabou inviabilizando o sentido da frase. Vamos à leitura integral do trecho (Mt XVII, 14-20): “Quando ele veio ao encontro do povo, um homem se lhe aproximou e, lançando-se de joelhos a seus pés, disse: Senhor, tem piedade do meu filho, que é lunático e sofre muito, pois cai muitas vezes no fogo e muitas vezes na água. Apresentei-o aos teus discípulos, mas eles não o puderam curar. Jesus respondeu. dizendo: Ó raça incrédula e depravada, até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui esse menino. E tendo Jesus ameaçado o demônio, este saiu (desmontou) do menino, que no mesmo instante ficou são. Os discípulos vieram então ter com Jesus em particular e lhe perguntaram: Por que não pudemos nós outros expulsar esse demônio? Respondeu-lhes Jesus: Por causa da vossa incredulidade. Pois em verdade vos digo, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a este montado (ocupante do comando mental do menino): Transporta-te daí para ali e ele se transportaria, e nada vos seria impossível”.

O Mestre asseverou que a fé transporta coisas que podem ser transportadas, mas dependem da garantia da fé. A fé pode tudo naquilo que esteja ao alcance da mente humana.

Se o ato depende de Deus, para o qual nada é impossível, o ato depende dEle e não do homem, como em tantas e tantas outras coisas

Não é fácil ao intérprete dos evangelhos arrumar argumento para uma visão que remete a interpretação para o lado dos milagres inacessíveis aos homens. E assim, uma lição maravilhosa como essa se perde no plano de inacreditável apenas porque os tradutores foram ingênuos e despreparados.

Por isso, são muito poucos os pregadores que se dedicam a este tema pelo absurdo que ele parece incluir.

Há, porém, e sempre existiram, os vícios de tradução. Pertence a Jesus, também, a expressão: “é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no céu”. Só recentemente os tradutores se deram conta de que a expressão não se referia ao animal e sim à corda que era feita com as crinas do camelo. No caso da montanha, quem sabe, os tradutores possam amenizar a metáfora e concluir, para os tempos atuais, que a fé seja capaz de remover um câncer, coisa que nós estamos acostumados a testemunhar.

Quando alguém não acredita em si próprio nem mesmo Deus pode ajudá-lo. Quando, porém, esse alguém se dispõe a concentrar sua vontade e o poder de seu pensamento naquilo que mais ardentemente deseja obter, o Universo conspira a favor, isto é, Deus permite que aquilo se transforme em realidade. Isso pode ser explicado pelo poder de atração da energia mental.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

1218-A Doutrina de Jesus


 
Muitos os chamados e poucos os escolhidos.

A frase crística, registrada por Mateus XXII, 14 e também utilizada por Kardec no capítulo XVIII do Evangelho de Jesus Segundo o Espiritismo, deixa uma conotação de desestímulo, semelhante a um vestibular em que conseguem ser aprovados menos de 10% dos concorrentes. E olhando para o vestibular e para a frase de Jesus na expectativa de haja uma escolha por parte daquele que faz o chamado, realmente a nossa cultura transfere para o selecionador o juízo de quem será e de quem não será o escolhido. Há, mesmo, nos resultados dos vestibulares uma clara conotação de que os aprovados tiveram mais sorte que os reprovados. Em nenhum dos casos é encarada a questão do mérito.

Pois bem, vamos à semântica da palavra “chamado”. Ela foi traduzida do aramaico para a pobre língua grega e dela ao latim para poder chegar aos idiomas hoje conhecidos e utilizados. Vem de “chama” que tem a ver com luz, energia, iluminação. Logo os chamados são aqueles que fizeram luz dentro de si. E não serão selecionados pela cor de seus olhos ou beleza de seus corpos, mas, sim, pela quantidade de luminosidade que espargirem desde as suas almas. Os mais luminosos serão aproveitados antes, aos poucos, dentro da demanda por seres qualificados para as tarefas do Reino dos Céus. Poucos os escolhidos de cada vez. E sempre novas levas de escolhidos, escalados, promovidos depois da longa caminhada escada acima. Não basta entrar na fila à espera do prêmio, como costuma acontecer na imensa maioria dos ibero-americanos educados na cultura de que o pai, o rei, o mecenas, é quem tem o poder de premiar, tem de merecer ser premiado.

Jesus usou de uma parábola para notificar que chamados podemos ser todos, os outdoors luciluzem pelo caminho com apelos à luz, mas são sempre menores que os outdoors de sexo, bebida, jogo e velocidade. Quem olha mal, não vê o outdoor menor, se contenta com o mais fácil, com o efêmero, com o imediato, e entra na fila não dos chamados, entre na fila dos conduzidos, manipulados, engambelados, só descobrindo que se meteram numa roubada quando são obrigados a bater às portas das clínicas de reabilitação, vencidos, derrotados, indignos, submetidos às mais degradantes situações de perda total da própria luz.

Dentre os chamados alguns serão escolhidos imediatamente, outros não. Dentre os que venderam a alma decorrerá um longo período de reabilitação, não só para esta dimensão, como também para as hierarquias da outra.

Uma Nova Visão para o tema: Nem todos aqueles que se acotovelam dentro das igrejas, oram, cantam, fazem sacrifícios, penitências, peregrinações e demonstrações de fé e obediência, estarão entre os escolhidos, porque o próprio Cristo advertiu: não é aquele que clama por meu nome que espero no Reino dos Céus, mas aquele que faz a Vontade de meu Pai.

O coração puro, o comportamento brando e o serviço ao próximo, são virtudes que antecedem e dispensam os arroubos e as encenações.

Existem muitas maneiras de estar em paz com Deus: a mais fácil delas é gritar e gesticular para ser visto por Deus e acenar para Ele com gestos de amizade; a mais difícil é trabalhar ao lado de Deus por um mundo melhor, a começar por melhorar a nós mesmos em vários sentidos onde se incluem as nossas relações com os nossos semelhantes mais próximos.

Os escolhidos para atuar ao lado de Jesus não merecerão uma escolha, escolherão pertencer ao batalhão de lutadores por um mundo melhor.  

terça-feira, 22 de outubro de 2013

1217-A Doutrina de Jesus


Sede perfeitos

Depois de várias recomendações de ordem ética e moral, como registra Mateus V, 48, Jesus pede: “Sede perfeitos como vosso Pai”, lembrando que a maldade é o caminho do caos.

O que significa ser perfeito? Jesus falava ao mesmo tempo para homens de fé e para pessoas mal-intencionadas e buscava ser entendido como um pregador comprometido com a elevação moral dos seus seguidores, a fim de que o Reino dos Céus, proposto por Ele, pudesse acontecer. Num período de muita injustiça praticada pelo governo imposto por Roma, não raro digladiavam-se facções favoráveis e contrárias ao regime. Ser correto, de certa forma, parecia ser trouxa.

Não é diferente nos tempos atuais, mas hoje se pode mensurar o que seria a proposta do Reino dos Céus ou do Reino de Deus entre os homens. Jesus não prometeu essa realidade indiscriminadamente. Somente por mérito. E se referia ao plano espiritual. Alcançarão o Reino dos Céus aqueles que buscarem o Reino Espiritual; Jesus não distribuiu curas indiscriminadamente, mas somente aos que já haviam decidido modificar-se; e insistiu: “ninguém chega ao Pai se não através de Mim”. E este é um caminho longo com uma porta estreita no final.

Significa não se desviar das virtudes e esforçar-se para deixar pelo caminho os fardos imprestáveis a uma vida comprometida com a perfeição. Depois que o corpo falece, cada um leva consigo apenas o que possa carregar. Os seres evoluídos se tornam leves e em sendo leves andam mais rápido e sobem mais alto. Logo, o caminho se torna impossível aos sobrecarregados, inchados e lerdos e que não queiram desprender-se dos seus interesses materiais. Note como os conceitos vão se encaixando uns nos outros. Perfeitos, para a proposta da vida, começa num corpo equilibradamente alimentado e hidratado, passa por emoções comandadas pelo amor, passa por um intelecto iluminado por conhecimento útil e chega a um espírito fortalecido por vibrações elevadas.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

1216-A Doutrina de Jesus


Não se pode servir a Deus e a Mamon

Mamon, para a época de Jesus, era um deus adorado pelos buscadores de fortuna, uma espécie de Vênus do Ouro.

Como a nossa sociedade chegou a Mamom?

Para o leitor melhor compreender o comportamento dinheirista de praticamente 100% dos membros da civilização ocidental, buscarei um gancho retratando a história, que li, por curiosidade e interesse, escrita por um personagem que teve destaque na vida econômica e política de Santa Catarina. Ele escreve sobre a sua própria trajetória pessoal, quase uma biografia, ampliada, contando tudo desde seu nascimento no seio de uma família pobre de agricultores imigrantes, até os elevados cargos empresariais e políticos que ocupou.

É impressionante a mentalidade confessada: tudo girava em torno de ganhar mais, fazer mais para ter mais. As oportunidades se abriram para este homem simples que, para poder exercer determinados cargos e usar da palavra em discursos precisou receber aulas de como se expressar um pouco melhor, pois nem mesmo sabia falar a língua de seu país, influenciado pelos sotaques e dialetos estrangeiros.

Mas, a milhões de outras pessoas às quais as oportunidades talvez não se abram e nem cheguem a 1% da fortuna que alcançou o personagem que destaco, não é diferente: todas as horas da vida são oferecidas à atividade econômica, um mínimo à família e menos ainda ao sagrado.

Os reveses, as perdas, o luto, a doença, são vistos como atrapalhação. É o que também retrata o biógrafo citado, lamentando ter de suspender algumas atividades para dedicar-se aos momentos de dor física e emocional.

Educados para ganhar dinheiro como foi e é esta enorme massa humana da cultura ocidental, até o escravo olhava para a chance de comprar sua carta de alforria. Alcançados pela cultura monarquista olhávamos para o rei (hoje chefe do poder executivo) a espera dos benefícios financeiros que de lá poderiam vir.

Qualquer um bem vestido, sobre um carro de luxo, é visto como alguém especial a quem as portas e barreiras se abrem mais facilmente ou se abrem exclusivamente. Qualquer um modestamente vestido é visto como um pobre diabo a quem não se deve especiais atenções. O “doutor” vem de gravata, o “serviçal” vem de chinelo de dedo... Que visão, a nossa!

Por estas e por outras razões, hoje somos quase todos dinheiristas, cultores de Mamom (Lucas XVI; 13), como sinalizou Jesus, personagem que ainda não foi entendido por falta de intérpretes à altura de sua doutrina.

Jesus advertiu-nos para o perigo de nos desviarmos para o lado ruim, para o lado em que a nossa vontade se sente atraída exclusivamente pela posse dos bens materiais. E comparou o lado ruim daquela época a um antigo símbolo da riqueza e da fartura, chamado Mamon.

Ao reinterpretar Lucas XVI, 13, que também aparece no capítulo XVI do Evangelho de Jesus Segundo o Espiritismo e ao trazer esta interpretação para o mundo presente, podemos deduzir e chegar a uma nova visão sobre este conteúdo: a energia do nosso pensamento é capaz de atrair aquilo para onde a dirigimos. Nossa realidade é concebida em nossa mente. Ao dirigir devoção a outros credos e preferências fechamos a porta para a entrada das energias provindas de Deus.

A rigor não há divergência entre riqueza, fartura e Deus. Deus chama riqueza e chama fartura, mas se a nossa prioridade for riqueza e fartura, não há lugar para Ele. E não havendo Deus, não há ética, não há justiça, não há respeito. E também não há como a vida prosperar. Os descalabros cometidos em nome do dinheiro nos tempos atuais explicam bem onde vai parar a moral quando o interesse primordial é a riqueza material.

domingo, 20 de outubro de 2013

1215-A Doutrina de Jesus


Fora da caridade não há salvação

Sem meias palavras: ninguém se salvará sozinho. Ou nos resolvemos todos juntos ou não haverá solução, isto é, salvação para ninguém. Se for difícil ao leitor entender mais profundamente este axioma, retorne à postagem 1214 e releia-a. O que secularmente vínhamos conceituando por salvação é livrar a cara, dar-se bem, sair desta para a melhor e sempre individualmente. As correntes de fé ensinaram isto.

Mas, num repente, o axioma é dado como falso, falho, equivocado. Não há, propriamente, uma salvação assim como se um benfeitor viesse alcançar a mão àquele que está se afogando. O salvar-se passa a ter conotação com fazer a passagem para o novo patamar e reencarnar em melhor situação. E como vibramos juntos numa frequência aproximada, porque somos todos um, é o novo axioma: precisamos passar (juntos) para o novo patamar.

Ao reinterpretar Mateus XXV, 34-36 (tive fome, tive sede e deste de comer e beber), que também é ampliado por Kardec no capítulo XV do Evangelho de Jesus Segundo o Espiritismo, novamente o axioma se reforça: enquanto os famintos se multiplicarem em meio à miséria das favelas com esgotos a céu aberto e água contaminada para beber, esta sociedade, através de seus governos dá demonstrações de que não é liberta, é cativa. Prende-se a qualquer deturpação seja por que interesse for, e isso não é ser livre.

Sob um novo prisma acabaremos por deduzir e chegar a uma conclusão de que misericórdia e caridade são sinônimos. Todos os sistemas vivos do planeta se assentam na interdependência e no mutualismo, o que vale dizer na solidariedade mútua, em que os mais fortes carregam os mais fracos e os fracos fortalecem os fortes num sistema real e profundo de caridade, modernamente chamado, entre nós, de “responsabilidade sistêmica”. Por outros, é chamado de auto sustentabilidade. Ou nos resolvemos juntos ou para nós não haverá solução, sustentação, salvação.

Raros são os sistemas humanos que atuam sob essa co-responsabilidade. Por isso se decompõe a nossa sociedade, deteriora-se e entra em crise.

É invejável o equilíbrio e a harmonia naquelas comunidades indígenas onde os nascidos antes se responsabilizam pelos que nascem depois.

Raros são exemplos disso entre as comunidades dos homens brancos, ditos desenvolvidos. A sociedade está cheia de crianças abandonadas, velhos descartados, jovens deserdados e lançados à própria sorte, mães levadas ao desespero para alimentar filhos “órfãos de pai”.

Houve e bastante, principalmente no final de século XIX e antes, em que os imigrantes se ajudaram definitivamente para poderem sobreviver no Brasil. Pode demorar um pouco, mas o futuro das estruturas sociais aponta para essa realidade. Nós chegaremos lá. As nações chegarão lá. Nos guetos de pobreza extrema, apesar dos outros problemas existentes, é muito grande a sustentação dada por aqueles que quase nada têm àqueles que têm menos ainda. Estão muito longe de serem desenvolvidos, porém muito próximos de libertarem-se das amarras que decompõem o ser humano.

sábado, 19 de outubro de 2013

1214-A Doutrina de Jesus


Honrai a vosso pai e a vossa mãe

A frase (honrai pai e mãe) é mais antiga que o tempo de Jesus entre nós. Na verdade, ela foi recebida por Moisés, por ele anotada e divulgada como parte do decálogo judaico conhecido como “os dez mandamentos”. Jesus voltou ao mesmo assunto porque lhe era cobrada, pelos fariseus, uma postura frente aos tradicionais ensinamentos antigos.

E Jesus posicionou-se acrescentando (Lucas XVIII, 20): honrai a vosso pai e a vossa mãe para que seja longa a sua permanência sobre a Terra.

Não estava em foco apenas o respeito que devemos ter para com os ancestrais, mas incluía a perpetuidade da espécie. Quando pai e mãe perdem a importância os filhos se perdem da vida, como ocorre hoje em nosso Brasil, em que em 24% dos lares não há a figura do pai, a mãe sai de madrugada para buscar o sustento dos filhos e retorna à casa alta noite, algo de errado se passa com suas crianças. Seus filhos se perdem pelas ruas e becos como vítimas de judiarias, estupros, sevícias e exploração de menores a serviço do tráfico de drogas e da prostituição.

Não há dúvida alguma: está aí uma importante vertente do crime.

Hoje, podemos reinterpretar aquilo que também foi aproveitado por Kardec no capítulo XIV do Evangelho de Jesus Segundo o Espiritismo. Podemos chegar a uma nova visão sobre este conteúdo: pertencemos a um mundo estabelecido sobre dois códigos, o genético e o espiritual. Somos o resultado das leituras que a vida faz nesses códigos. Aí, a nova visão sobre o tema encaminha para a reflexão de que viemos da noite dos milênios evolutivos da espécie palmilhando estradas biológicas pavimentadas por todos aqueles milhares de ancestrais que nos legaram seus genes num processo contínuo de transformação, ora melhorando, ora estagnando, de conformidade com o modo de viver de todos os que, biologicamente, nos entregaram suas heranças. E elas estão em nós, na cor de nossos olhos, no tamanho de nossos ossos, no tom de nossa fala, na fortaleza e na fragilidade de nossos órgãos.

E somos obrigados a reconhecer que o processo nunca foi apenas biológico, pois o biológico é um princípio obediente que executa os planos do outro princípio, que é inteligente e que traça os moldes e os mapas que a biologia reproduz e que hoje é conhecido como o código do DNA. Novamente aqui temos de reconhecer que a natureza é refém quando a inteligência é burra. De outro lado, temos de reconhecer que a natureza é livre (na ampla acepção) quando a inteligência é sábia.

Dentre aqueles que nos legaram os mapas de como somos constituídos fisicamente, estamos incluídos, também, segundo o arbítrio que rege o saber mais e o saber menos, pois em nossas reencarnações passadas estivemos entre os que semearam para o futuro, e hoje, no presente, nós também colhemos dessas mesmas semeaduras, pois entre os ancestrais nós também estivemos.

Muita coisa alguém semeou para nós, mas nós também semeamos para os outros e para nós mesmos.

Por isso, nossos pais, nossas mães e todos os demais ancestrais devem ser, para nós, figuras amadas, respeitadas e honradas pelo amor com que cuidaram da vida biológica que nos foi entregue. E, muitas vezes, não foram os mesmos que nos educaram. Existe o genitor e existe o educador, muitas vezes nas mesmas pessoas, mas em especial, separadas. Um e outro têm valor. Devem ter valor, devem ser honrados pelo muito que cuidaram dos valores que estão conosco, sendo revistos, mas nunca condenados.

Não é, pois, apenas biologicamente que temos de raciocinar. Toda a cultura que nos alcança é o resultado de nossos processos espirituais.

Se nossos antepassados não fizeram melhor é porque também nós fizemos junto com eles e se não fizemos melhor é porque não sabíamos como fazer.

O como fazer melhor está sendo reelaborado novamente agora, por nós, inclusive, nestes novos tempos ensinados por Jesus. E novamente como sementes plantadas a espera de germinação.

Nosso destino é a consciência. Passamos milhões de anos atrelados aos sucessivos corpos materiais para que nossas aquisições de consciência sejam as mais abundantes, as mais aproveitáveis, as mais qualificadas ao bem – que é o objetivo da vida.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

1213-A Doutrina de Jesus


 
Que a vossa mão esquerda não saiba
o que dá a vossa mão direita

É muito proveitosa a parte da doutrina de Jesus que trata da filantropia ou benemerência, como costumamos falar. Está reproduzida em Mateus VI, 1 a 4. Quantas pessoas existem que se dizem caridosas ou generosas, mas que na verdade estão sempre efetuando trocas: dão algo a alguém pensando naquilo que retornará. Fazem o que chamam de caridade, porém diante das câmeras e dos holofotes. Só acendem uma vela pro santo quando dele querem algo. Pior ainda quando fazem o que fazem e como fazem para alívio de consciência, por remorso.

Ao reinterpretar a doutrina, também aproveitada por Kardec no capítulo XIII do Evangelho de Jesus Segundo o Espiritismo e ao observar os acontecimentos do mundo presente, podemos deduzir e chegar a uma nova visão sobre este conteúdo: a frase de Jesus registrada pelos evangelhos vai buscar aquele coração liberto do balcão de trocas e que se desapega e se doa sem condicionar. Esse é o coração sede do amor incondicional. Esse é um coração maior que aquele da esmola da esquina, maior que aquele da roupa velha da campanha do agasalho. Este é o caridoso que vai ao asilo levar alegria ao velho abandonado; que vai à escola ensinar lições de vida aos alunos; é aquele que assume compromissos com a própria família e comunidade; que trabalha e ensina pelo bem comum; que dá de si muito mais que coisas que se podem dar com o respaldo do elevado poder aquisitivo; dá seu tempo, seu saber, sua competência, sua lição, seu exemplo.

A caridade que liberta e dignifica é aquela em que a mão esquerda capta e a direita dá sem que nenhuma delas pense em recompensas.

“Mão direta sobre o paciente; em nome de Deus e de Jesus, a oração da cura”, são frases e gestos repetidos centenas de vezes nas dependências do Centro de Apoio ao Paciente com Câncer, em Ribeirão da Ilha, Florianópolis, SC, onde se trata de pessoas com a máxima responsabilidade fraterna sem nenhuma cobrança financeira.

Este é um modo exemplar de a mão esquerda não querer a recompensa do que a direita faz porque as duas fazem o que fazem por amor, por amor desinteressado, incondicional.

Existem vários níveis para a filantropia, benemerência ou caridade. O mais elementar e simples, ao mesmo tempo que perigoso, é o da moedinha no semáforo. Não ajuda nenhum dos lados. O doador não ajudou e o ajudado se afundou em má utilização do que recebeu e o pior ainda pela dignidade pessoal que deixou de existir. O próximo nível é o daquele que dá o que não serve mais: resto de comida, roupas e calçados usados. Tem algo de beleza, mas...

O terceiro nível é dos participantes das campanhas de doação, em que também vão coisas usadas, mas vão também coisas novas, que demandam sair de casa para adquirir ou para entregar.

O quarto nível parece ser o mais fiel ao amor, em que o doador doa seu tempo, sua capacidade.  

1212-A Doutrina de Jesus


Amai os vossos inimigos

Novamente em Mateus V, 20 e de 43 a 47, bem como no Capítulo XII do Evangelho de Jesus Segundo o Espiritismo (de Allan Kardec) está um trecho polêmico da doutrina de Jesus. Ficaram chocados os seus ouvintes, à época e, ainda hoje, qualquer um poderá questionar a proposta de Jesus: “amai os vossos inimigos”.

Aprendemos a olhar com rancor para um simples inimigo apenas depois que ele já jogou sua ira sobre nós. É a mãe, desesperada, olha para o motorista embriagado que atropelou e matou seu filho e dirige a ele toda a raiva, todo o desejo de justiça e, não raro com impulsos de fazer justiça com as próprias mãos. Não é a esse inimigo que Jesus nos pede amor e não um amor como nós estamos acostumados a dar e a negar. O amor se manifesta e age por diversos vieses: (i) amor entre companheiros e amantes; (ii) amor entre pais e filhos; (iii) amor entre colegas e amigos; (iv) amor profissional entre educador e educando, terapeutas e paciente, orientadores e orientados; (v) amor por si mesmo; (vi) amor incondicional ou espiritual. 

Por quantas centenas de noites aquele motorista embriagou-se e saiu pelas ruas e estradas? E o que fizemos nós ao tomar conhecimento das tantas e centenas de vezes que isso ocorre pelas noites, tardes e manhãs, por dias seguidos, com conhecidos nossos, amigos nossos, futuros algozes de alguém? Limitamo-nos a olhar para aquele inimigo em potencial com tolerância covarde, com indulgência passiva, com omissão, quem sabe, sem nenhuma misericórdia, do mesmo modo que olhamos para ele, para  o dono do bar, para o fabricante da bebida, para o dono da oficina de lataria... Percebe, leitor? Que tipo de amor está sendo cobrado por Jesus? Seja como for, o amor, nesse caso, se encaixa nos vieses iii, iv, v e vi.

O homem não nasce mau, não nasce bêbado, não assume o volante de um carro pensando em acidente ou morte... Ele copia o que vê nas pessoas que o educam e ousa. Deliberar por ser assim ou assado  é diferente. Porém, sempre possível de corrigir através da orientação, da educação, da correção.

A maldade do homem, pois, lhe é ensinada, introduzida, nesta existência ou nas anteriores...E as oportunidades de ouro para corrigir-se têm de vir daqueles que o façam por um ou mais vieses de amor e responsabilidade social. Mas, nós (sociedade e indivíduo) lhe negamos esta chance com omissão, tolerância covarde, leis fajutas que não são cumpridas, com policiais despreparados, com mídia deturpadora de valores, com hábitos arraigados por décadas sobre beber e alcoolizar-se enquanto celebramos algo.

Aprendemos a mentir para nós mesmos. Achamos que se o nosso filho não bebe e não dirige bêbado é suficiente. Não é. Achamos que se o nosso filho não se droga, é suficiente. Não é.

O motorista assassino até a véspera do crime, era um “cara legal”, brincalhão, amigo, festeiro. Quantos “caras legais” se defendem agredindo, matam para sobreviver.

Ensinamos isso a eles e para eles é isso que vale.

Quem é o nosso inimigo maior? Certamente não é apenas aquele que já fez o crime contra nós. É também aquele que vem vindo, aguardando a vez de agir, na fila.

Ao reinterpretar e ao observar os acontecimentos do mundo presente, podemos deduzir e chegar a uma nova visão sobre este conteúdo. O que nós somos capazes de fazer pelas pessoas amadas? Tudo, dirão muitos de nós. Já não temos a mesma atitude quando nos dirigimos a um delinqüente, futuro ladrão, ou a um potencial assassino que na data de hoje é apenas alguém que tem hábitos sociais que envolvem álcool e drogas.

Há momentos em que nos manifestamos a favor da prisão perpétua, de penitenciárias de alta segurança, redução da idade penal, trabalhos forçados e coisa pior, como a pena de morte. Olhamos para os transgressores apenas com a ótica de que são nossos inimigos. E não temos amor. Quase nunca queremos ver a coisa de dentro, dos motivos, das origens, dos desvios que levam um “ignorante” ao extremo de cometer um crime e ser condenado a nunca mais reabilitar-se. Faríamos o mesmo se o delinqüente fosse nosso filho ou um parente próximo?

Nunca pensamos que os desafetos de hoje podem ser mãe e filho amanhã?

A exortação de Jesus quanto a amar nossos inimigos é ampla, é um chamado a que nos comprometamos com as ações que objetivem diminuir o número de sofredores também pela delinqüência e para que aprendamos a cultuar as boas relações para que não haja desafetos dentro da mesma casa e, enfim, para que nossa energia não seja desperdiçada com o desamor, inclusive quanto a nós mesmos.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

1211-A Doutrina de Jesus


Amar o próximo como a si mesmo

O tema desta postagem é, de fato, uma extensão do tema 1209, que tratou da misericórdia. Quem é o nosso próximo? A primeira sensação que assalta ao egoísta é posicionar-se exclusivamente preocupado (1) com o ser desconhecido que passa na rua e (2) consigo mesmo: “por que teria eu de amar o outro se o outro não me ama?”

E assim caminhamos para o desamor sem perguntar se ali na poltrona ao lado do banco do ônibus existe alguém com medo de amar e carente de amor. Pior ainda será se pudermos tomar o próximo como nós mesmos em futura encarnação. A leitura poderia ser ampliada: ama hoje aquilo que vier a ser. E não destrua apenas o ambiente que já é de seus filhos netos, evite voltar a este plano e ter de fazer a colheita das sementes que plantaste pensando apenas no seu hoje atual. Você terá um hoje futuro com todas as colheitas. Elas serão suas, com muita probabilidade.

O que está dito em Mateus XXII, 34-40 e que também foi aproveitado por Kardec no Capítulo XI do Evangelho de Jesus Segundo o Espiritismo, é mais amplo que amar o próximo, seja ele o colega de banco no ônibus ou seja nós mesmos em futura encarnação. A primeira parte do conjunto de versículos trata da obediência às Leis Divinas quando recomenda amar a Deus de todo o coração, de toda a alma e de todo o espírito para, num plano mais pessoal amar o próximo como se fôssemos nós mesmos.

Ainda na postagem 1210 abordávamos as posturas humanas em completo contrassenso com a inteligência de que somos dotados. Esta situação retorna aqui para chamar a atenção do homem dos últimos 50 séculos. Como comprovar, de plano e de fato, ser ele o mais dotado, o mais capaz, o mais lúcido, o melhor dentre todos os demais indivíduos da Natureza? Parece sério levar em conta isso. Mas, por outro lado, parece hilário observar a realidade, não é mesmo?

Ao chegar a uma nova visão sobre o tema “amar ao próximo”, podemos enxergar que fomos longe demais nessa carreira dos valores invertidos e hoje temos medo de nos abrir para o amor. Talvez medo de nos abrir para a amizade não interesseira. Chamamos de amigo o freguês e só porque ele é cliente. O amor ficou brega. Amar, agora, é fazer amor. Amar, agora, é ficar. Amar, agora, é curtir o outro durante uma noite, um fim-de-semana, ainda que isto represente uma ameaça à própria saúde e à vida.

Uma infectologista famosa fazia pilhéria, meses atrás, na TV, ao apontar para os milhões de pessoas que usavam máscaras contra a gripe suína e ao indagar se, no mesmo dia, seriam capazes de enfrentar o sexo inseguro colocando uma camisinha para se proteger. Qual é a diferença entre o vírus da gripe suína e os vírus transmissíveis por via sexual. Esta semana saiu um relatório médico informando que quase 100% dos cânceres de boca tem origem no vírus HPV, que se propaga através do sexo e, neste caso, sexo oral atingindo homens e mulheres. Isso é “amar o próximo”: ter com ele uma intimidade que lhe entregue um câncer de boca.

Quem é nosso próximo? Seriam nossos filhos e netos? Somos nós mesmos daqui a algumas décadas de volta a um corpo e a este mesmo planeta em nova encarnação? Nosso próximo é a árvore, é o rio, é o peixe, são os passarinhos?

Aquele que não sabe amar a si mesmo dificilmente amará ao próximo e ao ambiente que lhe acolhe. E por estúpido, sempre achará que pode amar mais a um filho próprio do que ao filho do seu vizinho, achando que a vida daquele nada tem a ver com a vida deste e certamente vale menos.

Esta é grande crise do homem: falta de amor próprio de forma correta. Talvez ele goste de andar bem vestido e elegante, mas talvez esteja infeliz. Para ele, o próximo que merece o seu maior amor é o brilho do seu agora, é seu próprio brilho ou o brilho dos seus.

A vida está exausta desses algozes do amor.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

1210-A Doutrina de Jesus


 
O envio de um consolador

João abre todo o capítulo XIV de seu evangelho para narrar a promessa feita por Jesus de reservar-nos o envio de um espirito consolador. Nesse capítulo do Evangelho encontramos o compromisso de Jesus com o aprendizado que estava prejudicado ao seu tempo. Disse enviar o Espírito de Verdade para completar ensinamentos que o povo daquela época tinha dificuldade de assimilar. Nada mais coerente.

O professor não pode ensinar álgebra ao aluno das primeiras séries. Há, no entanto, naquele compromisso crístico, mais coisas do que a ocorrência de mestres mais adequados às novas e sucessivas épocas ou eras da humanidade futura. Jesus sempre soube que teoria é teoria, prática é prática, e que se os mestres se limitarem à retórica, seus ensinamentos virarão conhecimento teórico e, muitas vezes, inútil.

Como é preocupante a profunda diferença entre o padrão de comportamento pregado e demonstrado por Jesus e o mundo praticado pelos homens: por que os homens teimam em desafiar as leis do bem? Seria tão mais fácil buscar o modelo próximo do padrão deixado por aquele Mestre.

Ao se buscar uma nova visão sobre este tema iremos nos debater e, possivelmente nos convencer, como seres dotados de inteligência, que somos, de que tem de caber ao homem a aplicação de suas faculdades e assim comprovar, de plano e de fato, ser o mais dotado, o mais capaz, o mais lúcido, o melhor dentre todos os demais indivíduos da Natureza. Parece sério levar em conta isso. Mas, por outro lado, parece hilário observar a realidade.

Na sua infinita sabedoria, o Autor da Vida nos dá todas as oportunidades de crescimento através das múltiplas experiências individuais e coletivas com ou sem reencarnações e, inclusive, envia-nos seus mensageiros de grande capacidade para nos educar, que são os incansáveis espíritos superiores, dentre os quais o próprio Jesus e outros como Gandhi, Confúcio, Pitágoras, Buda, Maomé, João Paulo II, Chico Xavier, e quantos mais...

Cabe negar, por conveniência dogmática, que Moisés e quase todos os profetas do Antigo Testamento eram médiuns que interpretaram as vozes de conselheiros espirituais!? Cabe negar que todos os orientadores de respeito estiveram em linha direta com a espiritualidade!?   

Essas lições têm de ser urgentemente apreendidas, porque o modelo de sociedade que temos dá sinais de exaustão e somos nós que temos de construir os jardins aonde queremos habitar. E a crise maior é moral. E a moral cobra espiritualidade. E espiritualidade não se alcança com drogas atuando na expansão da consciência. Necessitada de expandir-se e negada a expansão pelos equivocados processos de educação religiosa, a consciência cobra sair da prisão. E o ser humano começa por embriagar-se e acaba no limite extremo do degredo quando se droga pensando em libertar sua consciência. Não só não a liberta porque a aprisiona mais e entrega sua vitalidade ao domínio da droga sem nenhum ganho espiritual válido.

Os espíritos de verdade, os gurus, os educadores, são apenas repassadores de conhecimento fundado desde sempre nas esferas espirituais, onde a inteligência tem âncora. A ação de encontrar as vias de acesso cabe a nós. Cabe a nós reproduzir aqui o que é verdade no mundo espiritual e fazer a diferença no mundo material. Este é o Reino dos Céus para quem não captou a profundidade da mensagem crística.

Ficou, para o homem, dentre todos os demais seres vivos, a capacidade de melhorar ou piorar a realidade do meio em que vive. Se ele quiser ele terá um Reino Espiritual Autêntico, Puro, Limpo, do Bem. Se ele quiser ele pode acabar com este planeta em menos de um século dos absurdos que cometemos por interesse financeiro.

O Cristo consolador veio ensinar isso e, não satisfeito, prometeu e cumpriu a promessa de enviar espíritos da verdade para completar a tarefa. Parece que estamos novamente rejeitando essa nova chance, como já rejeitada foi a antiga.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

1209-A Doutrina de Jesus



Bem-aventurados os misericordiosos

Nesses tempos mais recentes a misericórdia teve adulterado o seu conceito e, infelizmente, tivemos de aprender que misericordiosos são os generosos, são os que têm pena, piedade, dó, comiseração e que, por isso mesmo, olham para os de baixo e se permitem estender a mão superior para oferecer uma roupa velha no frio, um brinquedo velho no dia da criança, um litro de leite no dia do idoso hóspede de um asilo, ou alcançar uma moedinha ao mendigo, farrapo, parado no semáforo.

Nada mais absurdo, soberbo e hipócrita comparado com o que acontece com as hordas de catadores de objetos nos lixões do País.

A misericórdia não é irmã da tolerância, ao menos, não, dessa tolerância covarde que vemos reproduzida todos os dias, quando tolerar virou sinônimo de não se envolver, de não comprometer-se, enquanto covardemente permite que o erro continue reproduzir-se. A misericórdia é prima irmã da compaixão e parente distante da indulgência, essa sim, irmã da tolerância saudável que, aliada ao perdão, vai dar oportunidade ao caído de se levantar.

Ao oferecer interpretação mais coerente aos tempos atuais para Mateus V, 7, que também compõe o capítulo X do Evangelho de Jesus Segundo o Espiritismo, podemos chegar a uma nova visão sobre este conteúdo e sobre a misericórdia.

A primeira versão nos remete ao sistema prisional brasileiro em que o apenado, com raríssimas exceções, sairá de lá recuperado para a vida social. Estar na penitenciária é sinônimo de condenação perpétua. A sociedade (sem misericórdia) não aplica a pena de morte, aplica a pena de segregação definitiva ao prisioneiro que tenha sido condenado à prisão fechada por qualquer tipo de delito.

A segunda versão nos leva para a ecologia. Muitos dos ecossistemas agredidos têm reagido ao agressor. Algumas das suas manifestações têm causado muitos sustos. Os acontecimentos das enchentes em Santa Catarina e no Rio de Janeiro deixam claro isso. São muito diferentes os atos (1) de preparo de uma lavoura, seu plantio, os tratos culturais, a colheita e (2) a invasão pura e simples dos espaços vedados ao homem para a construção de casas, estradas, ruas.

Há uma parte do todo natural que se oferece à intervenção do homem e retribui amorosamente; e há outra parte do todo natural que é indefesa e necessita da misericórdia dos homens, se é que os homens queiram estar à altura da vida.

Agredida e incomodada com a falta de misericórdia de nossa parte, não só pela invasão dos espaços sagrados e proibidos ao homem e não só, também, agredida e incomodada pelo efeito estufa, o todo natural junta as duas pontas do processo: chuva intensa e contínua e fragilidade das encostas sem árvores - o barranco aonde não poderia haver casas e ruas potencializa o efeito com o excesso de água concentrada e o resultado é conhecido: tudo vem abaixo.

Ao extrairmos desses episódios uma lição duradoura, iremos anotar que a vida se faz naturalmente e sempre será saudável quando seus inimigos não a agridem. Vale para o prisioneiro do cárcere, que retorna de lá mais criminoso de quando ali entrou e vale para o barranco que desaba para livrar-se do oponente.

O aquecimento global, os desmoronamentos, as enchentes, as prolongadas estiagens, os desertos insipientes, a miséria que se transforma em violência social, a facilidade com que o homem faz dinheiro nas atividades ilícitas, são comprovações inequívocas de que a natureza e a vida vêm dando respostas às agressões que nós perpetramos contra ela.

Por conta de valores outros, o homem causa destruições, na maioria das vezes, irreversíveis, não só ao meio ambiente, e principalmente ao meio social, e faz isso com crianças indefesas, com pessoas idosas e contra a sua própria natureza biológica ao submetê-la aos mais absurdos processos de infecção, contaminação e judiaria. Isso é falta de misericórdia e uma enorme distância ao que pregou Jesus: quem for misericordioso também obterá misericórdia, isto é, terá oportunidade de viver aquele que der oportunidade à vida.

No coletivo, sofremos pela ambição do dinheiro; na família, sofremos pela irresponsabilidade como educadores; no individual, sofremos pelo desvario em busca do prazer e das fortes emoções.

Os bem-aventurados misericordiosos, chamados por Jesus, herdarão o Reino de Deus já em construção, não pela misericórdia de Deus, mas por sua própria qualidade de corações cheios de misericórdia.

São misericordiosos consigo mesmos, isto é, sabem viver, e conseguem pensar nas suas próprias futuras reencarnações.