quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

1650-Xamanismo, a Arte do Êxtase


Comecemos, então, pela ARTE do Xamã

A figura do xamã ou pajé deve ser entendida como um instrumento de busca, tanto quanto o pesquisador é um dos instrumentos da pesquisa. A comparação é proposital. O xamanismo é o predecessor do pensamento científico. E o xamã está longe de ser uma pessoa ingênua e os seus métodos e recursos são claros e simples, jamais podendo entrar para a classificação de charlatão, pois as suas experimentações se dão no campo empírico. E disso ao método científico é um passo.

Há muitos milênios são estudados os mistérios insondáveis da mente e do espírito, contando a quem quiser ouvir que todos temos capacidades mentais e intelectuais que vão além das que estamos usando. Como argumento lógico basta observarmos que o seu pensamento subsiste desde os primórdios até os nossos dias sem necessidade de uma instituição ou religião para perpetuá-lo. Perseguições houve. Mas, quem que tenha estado na contramão dos processos oficiais, que não tenha sido perseguido, atacado, preso, condenado, executado? O que dizer de um aplicador de qualquer ciência que precisa afastar de seu caminho aquele concorrente que não tenha estudado os mesmos estudos? Todos os absurdos praticados em nome de um pseudo deus se inscrevem no ato de eliminar os não iguais.

Esta série tem a pretensão de se aproximar de uma espécie de apostila para estudantes da ARTE DO ÊXTASE, voltado para o auto-conhecimento, para que os exploradores de si mesmos, do seu próprio mundo intrapsíquico, tenham facilitado o conhecimento da história da transição do xamanismo da floresta para o sistema urbano, na América do Sul, e especialmente no Brasil.

Por que o êxtase? Porque o êxtase é o estado de consciência que equivale ao orgasmo físico. Este último, no ser humano, não igual ao dos animais, que ai se dá no propósito de procriar, aqui tem o propósito de ensinar. Nos humanos, o êxtase orgástico se dá como prêmio de amor entre os envolvidos, antessala do próximo estágio.

Primeiros Conceitos


Quando nos distanciamos demais do princípio é hora de voltar para a origem. Assim a Natureza cuida de sua integridade e diversidade. Por que teria de ser diferente com o homem? Estudar o Xamanismo, é conhecer a RAIZ.

Arte do Êxtase ou "ex stasis", termo grego, significa literalmente – "ficar fora" –"libertar-se" da dicotomia da maior parte das atividades humanas. Êxtase é o termo exato para a intensidade de consciência que ocorre no ato criativo. Não é irracional, é supra-racional, une o desempenho das funções intelectuais, volitivas e emotivas; a experiência com o NUMINOSO, a CONTEMPLAÇÃO do TODO, a UNIDADE, o ENCONTRO, a FUSÃO.

O ÊXTASE elimina a separação entre objeto e sujeito, alargando as fronteiras da consciência humana, levando o sujeito à CRIATIVIDADE.

No entanto a vida é dinâmica, não extática, é movimento puro. A harmonia entre o extático e o movimento é o ponto da questão.

Agora você começa a penetrar no campo fértil do trabalho do Xamã, que é ARTE PURA, reunião de atributos estéticos como beleza, harmonia, equilíbrio, repetindo para a vida humana o que nos mostra ser a natureza circundante. Com isso, o ser humano se descobre integrante – um integrante destacado – do todo que existe.

Numa perigosa manobra de promover o homem a um estágio superior ao dos elementais – água, terra, ar e fogo – e, por extensão superior aos micro-organismos, peixes, insetos, aves, animais e duendes, criou-se a separatividade: não ser um igual ao que está embaixo e não ser um igual ao que está acima.

Religar, colar o que rachou, emendar o que quebrou, reatar o que desatou, refazer, reemendar, remediar, mediar para que as pontas se toquem e se casem, fazendo isto com enlevo, leveza, atração, beleza, encanto, prazer, eis o trabalho do Xamã: êxtase espiritual.

A Experiência Extática
e o Teatro

O que têm em comum o TEATRO e a experiência extática? – O som, a palavra, a capacidade de representar emoções pelo dom da linguagem da voz humana, do canto, dos gestos, da dança, do lúdico, da pantomima. Os autores deste texto transitam tanto na Floresta Amazônica, como estudiosos do xamanismo, como no Teatro como escritores e criadores; e percebem com alegria a semelhança de intenções de um e de outro. Não temos intuito de ensinar (nada de novo descobrimos), ou de impor fatos que fundamentem nosso pensamento (não estamos fundando ou vendendo algo), mas apenas de relatar experiências incomuns aos estudiosos desta igualmente incomum expressão humana – a ARTE.

Os nativos sul-americanos (que é o universo estudado), habitantes da floresta amazônica internacional, criaram sua ARTE, próxima ao que se conhece como expressão teatral, como uma forma de transmitir seus sentimentos para o grupo, usando a arte para não ofender a sensibilidade de seu próximo. Criaram máscaras que são usadas em dias especiais e somente em determinadas reuniões. Dançam e cantam em transe, onde a criatividade aflora e os leva a reclamar ou elogiar uns aos outros, usando bailados e cânticos belíssimos. É a arte desta delicada maneira de ser nativo – o que chamamos de Teatro e eles chamam de A CASA DAS MÁSCARAS, o lugar mais importante e sagrado da aldeia nativa.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

1649-Xamanismo, a Arte do Êxtase


Quem é o que faz o Xamã?


O XAMÃ é aquele ser humano que consegue entrar, manter-se, e sair dos estados alterados de consciência, trazendo ensinamentos e curas para si e para os outros, com técnicas exclusivas, tendo à sua disposição espíritos, seres ou entidades, que quando chamados o atendem prontamente. Conhece a Lei do Som, das vogais comuns a toda a humanidade, como força criadora de tudo o que existe na Terra. Reconhece a evolução da linguagem como meio de comunicação, levando à compreensão da realidade, ampliando os limites das fronteiras da mente.

Não se nasce Xamã – torna-se um deles, pois não é uma profissão, como ser médico, em que se pode desistir quando queira. Depois que se é Xamã, nunca mais se deixa de ser Xamã. Não se é xamã por indicação, convite ou oportunismo. Na realidade não se decide ser xamã. Se chega a Xamã mediante um despertar, uma descoberta, uma revelação.

Existem algumas referências naturais como justificativas que o confirmem Xamã:
1 – Ter antepassados com este dom (entendo que deva o revelado ter maior probabilidade pela força da genética), que no decorrer da vida deverá se manifestar, confirmando-o como herdeiro do DOM;

2 – É considerado como sinal quando o revelado se auto cure ao passar por uma doença grave ou uma prova moral muito forte;

3 – Ser aceito como discípulo de um pajé ou xamã mais velho, que irá lhe ensinar algumas técnicas para desenvolver seu dom.

Ser um xamã não é, como em nossa sociedade urbana, ser um professor, terapeuta, um médico especialista que faz diagnósticos e receita ervas, indo depois da consulta para casa ou clube do bairro, ou ainda um bom ouvinte dando palpites ao que escuta. O XAMÃ CURA algo específico com um dom (paranormal), tem uma arte e a domina.

Na nossa cultura o que mais se aproxima dele é o médium, o paranormal, mas mesmo assim é diferente, pois o xamã não depende somente dos espíritos ou elementais, ele os interioriza tornando-os parte de seu ser, como qualidades SUAS em circunstâncias tais que dispõe delas permanentemente.

Convém citar que numa aldeia existem, além do xamã ou pajé, os raizeiros, e também os aprendizes de raizeiros e amigos do xamã, assim como existem os muito velhos que somente trabalham se quiserem e são consultados em alguma dificuldade. Interessante que quando morrem nenhum nativo diz que morreram, mas que viajaram e vão demorar a voltar.

Hoje, dada a urbanização dos seres humanos, passaram a existir os Xamãs de asfalto atuando não propriamente em salas fechadas, mas em ambientes naturais com boa interação com a natureza. Eles serão enfocados mais adiante nesta série.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

1648-Xamanismo, a Arte do Êxtase


O que é o Êxtase?

Perdemos as contas de quantas vezes fomos desviados do caminho do êxtase. E por estupidez criamos a poderosa e rica empreitada de venda de drogas substitutas com uma finalidade absurdamente danosa àqueles que, por ignorância, mas por necessidade, vão pelo atalho e em 100% dos casos, se machucam.

Respondendo à pergunta-título, tento explicar que a alma humana na qualidade de instrumento sagrado precisa realimentar-se bebendo da fonte que está acima da prisão biológica. Mas, os direcionamentos materialistas orquestrados pelas religiões e ciências e até mesmo pelo marxismo, jogou uma quase totalidade da humanidade na vala comum dos desligados da dimensão sagrada, condenados a não extasiar ou a buscar um arremedo de êxtase através dos aditivos alucinatórios, nos quais se incluem o álcool, o fumo e todos os alucinógenos. Isso rende uma fortuna àqueles que exploram a venda, principalmente ilícita desses aditivos.

Êxtase é uma necessidade espiritual. Tem outros nomes: luz interior, individuação, experiência mística, estado supremo de consciência, satori, samadhi, consciência cósmica, inconsciente transcendental, mente superior, quinto nível de consciência, iluminação do eu, estado supraconsciente, unificação, fusão, mergulho, noese e outros mais. Quero ficar no mergulho para fazer dele um paralelo com uma descrição que se faz do estado extático: a realidade e a idealidade tornam-se uma. O aborto do processo extático é feito através da drogadição, por vezes em níveis leves e outras vezes em pesadíssimos processos de mergulho sem volta, como são as overdoses.

A experiência do Êxtase é o ato de experimentar Deus – seja lá o que for que entendamos por Deus e não necessariamente apenas no campo da pobreza como aprendemos lidar com Deus. Aliás, este é o primeiro problema humano quando colocamos Deus nos céus, desligado da natureza e dependuramos o homem entre um e outro extremo.

A verdade é que jogamos fora os mapas de como se chega ao Êxtase e para substitui-lo compramos drogas que ingerimos sempre em maior quantidade para tornar o mergulho mais profundo e mais sem volta exatamente porque pela via do aborto extático não se caminha para Deus, afasta-se dele.

Os xamãs sabiam e sabem extasiar. Quem sabe a gente volta lá atrás e tenta aprender com eles a Arte do Êxtase?   

domingo, 28 de dezembro de 2014

1647-Xamanismo, a Arte do Êxtase


Introdução

O enigma da vida e da morte sempre fascina. Viver é sinônimo de criatividade e essa qualidade caminha ao lado das ideias, das artes e das ciências. São temas que mexem com o inconsciente de todos, ao menos daquelas pessoas que costumam questionar e questionar-se. Qual é a relação entre talento e ato criativo, entre criatividade e morte? Quais foram as primeiras ideias criativas do ser humano? Com que recurso ou técnica contou o nosso antepassado? Com a palavra do Divino? Como os nossos antepassados entraram em contato com o Divino, segundo indicações de seus textos, que o afirmam com tanta segurança? O Divino veio numa nave do céu? Ou foi no céu de sua mente? As perguntas, que são muitas perguntas, e as desconfianças, que são naturais, prosseguirão. Graças a isso o espírito pesquisador irá buscar respostas mais precisas, pois foram as crenças imobilizadas que levaram as instituições a matar e a torturar durante milênios, afirmando o que “Deus disse”.

E estamos de volta às perguntas: disse para quem, como e em que circunstâncias? Os livros não possuem as respostas que procuramos. Quanta gente abandonou a religião de seus pais porque ali não havia respostas, só perguntas?

Estamos no alvorecer de uma nova era, em que a tecnologia nos permite ir à Lua, enviar foguetes teleguiados a Júpiter, instalar telescópios e sondas lá nas alturas imensas e anuncia a medicina das clonagens e das interferências no DNA, dos genomas, dos transplantes, dos alimentos geneticamente modificados, das células tronco, indicando que estamos transcendendo limites nunca antes pensados aqui e ali com relação à matéria. Então deveríamos estar aptos a avançar por limites nunca antes pensados quanto às perguntas não respondidas que continuam sendo tema de decepção nos campos religiosos? Sim ou não?


O SER HUMANO criando novos humanos – cremos que da mesma forma como fomos criados um dia – é a maturidade da raça humana mostrando sua capacidade fecunda, a de CRIAR raças? Ao chamarmos DEUS de Criador, será o Deus conhecido ou Deus é mais que isso, transcende a criação humana, sendo causa primeira de algo que nem sonhamos?

Uma coisa é certa. A Humanidade está em vésperas de repensar as suas crenças, que envelheceram e já não servem mais ao discurso mofado dos pregadores que assumem a intermediação religiosa.

A FÉ não é abstrata. Ninguém acredita quando recebe um convite para acreditar. A fé é sentida, vivenciada e, portanto, calcada em evidências, se possível em provas concretas. Mentiram tanto a tantas pessoas, que hoje quase toda a humanidade está buscando a FÉ que foi perdida em algum lugar de nosso passado. É pena que, para a maioria dos procuradores da FÉ, o caminho acaba outra vez na mentira ou simplesmente o caminho acaba. Seria isso uma necessidade humana? A descoberta não vem pela via do ensino? Vem pela revelação? É por isso que poucos são fecundados?

Repete-se aqui a realidade das sementes que a natureza esparge e apenas uma minoria fecunda? Fecundar para ser a resposta. E a resposta requer um retorno.

Perdemos o elo da ligação com o conhecimento de RAIZ, onde tudo pode ter começado. Achar o elo perdido há quem conceitue como religar, de onde advém o termo religião e parece fazer sentido. Mas é possível religar sem, necessariamente pertencer a uma religião, onde, em geral, iremos encontrar interesses, facções, conveniências, posses?

A pior coisa do mundo, que pode acontecer a uma pessoa, é ser enganada em sua crença no Divino. A isso já houve quem dissesse tratar-se da PERDA DA ALMA. No geral, toda a perda de RAIZ implica em perda da ALMA. A árvore sem raiz seca, morre, não é árvore, é madeiro.

Aqui não iremos fazer uma defesa do xamanismo, até porque ele não carece de defesa, não é uma religião, não tem filiados, não elege dirigentes, nada recebe, nada paga, não edifica templos e não tem necessidade de prestar contas ou ser julgado. O que acontecerá nas linhas seguintes, é a tentativa de análise, abstração, síntese, com o objetivo da compreensão. É a busca da VERDADE. De uma parte dela.

Se esse trabalho acrescentar conhecimento útil, ótimo, que o conhecimento seja utilizado e contribua para o crescimento evolutivo da raça humana. Caso contrário, continuemos a senda de aperfeiçoamento através de outros meios e outros caminhos.

A informação liberta. Quando é verdadeira. Você vem?

sábado, 27 de dezembro de 2014

1646-A título de retrospectiva


Não iremos parar, literalmente

Nesta época de transição de um ano para o outro, tevês, jornais e revistas costumam reunir a maioria dos fatos que cobriram e apresentá-los aos seus telespectadores e leitores sob a forma de retrospectiva. Quem não estiver bem estruturado psicologicamente chegará ao final da narrativa pensando que o mundo bom não existe, que as pessoas decentes foram extintas, que a vida é uma porcaria e que o futuro foi detonado, tamanha é a carga de eventos mortíferos, muitos deles relacionados com pessoas de caráter duvidoso, de má índole, verdadeiros massacres humanos por conta de interesses que nada têm a ver com a elevação moral e a fraternidade.

Note que esses relatos alcançam a sociedade na semana do Natal que, por tradição, se relacionam com o nascimento de Jesus, o maior líder humanitário que conhecemos, autor de uma das mais poderosas pedagogias da moral elevada e da fraternidade. A carga de informação trazida por estes meios de comunicação está em absoluto contraste com o momento das pessoas, não só quanto ao espírito natalino, pois andamos também para a virada do ano, fazemos nossos balanços e desejamos uns para os outros paz, sucesso, alegria, prosperidade.

Estão equivocados os editores desses veículos? Não. É o que eles têm para nos dar. Eles passam o ano noticiando o lado pior da vida. O que assusta é reunir todos os fatos de um ano numa hora apenas. Ao voltar os olhos para o todo concentrado em um pequeno espaço, qualquer um balança. Muitos se decepcionam, se alarmam, perdem a esperança, se suicidam.

Seria da obrigação desses mesmos arautos do lado pior irem buscar os bastidores das notícias para subsidiar-nos com outros pontos de vista. O planeta passa por aquilo que se poderia chamar de inferno astral nos exatos momentos em que penetra na chamada Era de Aquário. Os blogs ”2012-Um Novo Começo” e “Profecias para um Novo Tempo”, hoje inativos, porém ainda acessíveis hospedados no Servidor Google, exploraram exaustivamente a questão desses novos tempos e o que nós poderíamos esperar por conta da aceleração vibratória proporcionada pela entrada do sistema solar na zona de fótons da estrela Alcione. Teremos mais de dois mil anos de acentuada apuração de segredos guardados, de exposição dos seres indignos de pertencer à comunidade humana desejada por Jesus e da aceleração da retirada do planeta daqueles homens e mulheres incompatíveis com o novo padrão humano. Quando não são os homens que proporcionam a mortandade, é a própria natureza que se encarrega disso, na maioria das vezes em reação aos maus tratos humanos perpetrados contra ela.

Então, meus queridos leitores, apesar de assustadores os relatos da imprensa condensados em suas retrospectivas, somos convidados a refletir: os escândalos que não vinham à tona agora vêm e ai daqueles que os causam. Estamos só começando. Muito mais está por ser apurado.

À medida que avançamos novas autoridades são colocadas em postos chaves ao redor do mundo (novo Papa, novos dirigentes das nações líderes) e no nosso caso brasileiro: os novos membros do Ministério Público, os novos juízes, os novos delegados de polícia, com ênfase para a Polícia Federal, tudo anda numa velocidade que assusta. Prefeitos, servidores, vereadores, deputados, governantes, empresários, sendo pegos em flagrante e chamados a responderem por seus atos ilícitos. Tudo está dentro da expectativa da nova era. Até a imprensa se reciclou para fazer as coberturas.

Mas, não é tudo. É preciso ir buscar a imensa lista de outros fatos animadores, alguns não incluídos nas retrospectivas e outros ofuscados pela imensa lista dos fatos escandalosos. Nas esferas científicas é muito grande a lista de descobertas destinadas a melhorar a vida. A indústria química, depois de promover muita sujeira e muitas perdas, começa a retrabalhar-se para não ser condenada a pagar a grande conta. Na área dos alimentos temos muitas boas novidades. Os algozes do meio ambiente serão colocados a ferros. A própria imprensa será chamada a reciclar-se mais ainda para tornar-se digna das exigências dos novos consumidores. O conhecimento religioso deve colocar na lista “fora de moda” algumas centenas de seitas, igrejas e congregações que passaram muito tempo promovendo a obscuridade de seus fiéis. Haverá um “apertar de cintos” por um tempo até relativamente longo, até que o reequilíbrio seja alcançado, mas daí em diante o Planeta Terra estará apto a candidatar-se ao “Reino de Deus” como enfatizou Jesus. O tempo é chegado. A avalanche não irá parar. Nós estamos sendo chamados a andar sem parar, literalmente.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

1645-Juntos Helena, Annie, Kardec e Krishnamurti


Capítulo Único: As vozes do Paráclito

Boa parte da humanidade mergulhou num nevoeiro denso do não conhecimento espiritual cujas marcas mais horrendas deixadas foram as Cruzadas (1096-1316), ao todo 10 expedições guerreiras destinadas a matar quem não fosse daquela mesma religião e a Inquisição (1183-1821), tribunais de investigação, condenação e execução de pessoas que não fossem daquela mesma religião em diversos países em épocas distintas, cá e acolá.

Se pudermos observar, Helena Blavatsky, Annie Besant, Allan Kardec e Jiddu Krishnamurti foram as vozes mais autorizadas a cumprir uma missão deixada por Jesus Cristo no capítulo 14 do Evangelho de João, qual seja o do Espírito de Verdade, que seria enviado para decodificar conteúdos que há 2.000 anos a humanidade não teria como entender.

A existência de um Princípio onipresente, eterno, ilimitado, imutável, insondável, impenetrável à razão humana e além do próprio âmbito do pensamento, foram trazidos por estes profetas da modernidade.

É a realidade absoluta que existe antes e além de toda manifestação, é a causa eterna de todas as coisas, sua fonte e destino último. Este Princípio, que os gregos chamavam de Logos, os ocidentais chamam de Deus e os hindus de Parabrahman, não possui atributos e Jesus tentou explicar, mas seu público era analfabeto; os doutos não o ouviram; não pode ser descrito de qualquer maneira concebível; é a Causa sem Causa, o Absoluto da metafísica, que já ensaiava os primeiros passos com a filosofia nascente.

A primeira manifestação objetiva desse Absoluto é uma dualidade: Espírito (Purusha para os hindus) e Matéria (Prakriti para os hindus), que juntos formam a base de todo o ser condicionado. São apenas aspectos do Absoluto, e não realidades independentes, e em relacionando-se com a sua fonte formam a primeira Trindade, que antecede o cosmos e é a inteligência-consciência que guia toda expressão objetiva ulterior.

Na relação entre Espírito e Matéria aparece outro elemento, Fohat, ou Segundo Logos, que é a própria Vida, uma energia dinâmica pela qual a ideação espiritual se imprime na matriz substancial sob a forma de leis da natureza. Consequentemente, do Espírito ou ideação cósmica procede a Mônada humana, e da Matéria ou matriz substancial emergem todos os corpos manifestos onde a inteligência única se individualiza e pluraliza.

Já se tratava disso antes mesmo da jornada crística. Mas, o nevoeiro se abateu e ofuscou a visão da humanidade por longos 18 séculos.

A eternidade do universo in totum, como um plano ilimitado que se manifesta e se oculta em ciclos periódicos de Criação e Destruição universais, que os hindus chamam de Os Dias e Noites de Brahma, vinham despertando o interesse dos pesquisadores ocidentais até chegar no episódio de Galileu, mais um que seria executado não fosse suas amizades dentro do núcleo de poder religioso.

A identidade fundamental de todas as almas individuais com a Alma Universal, que é um aspecto da Causa sem Causa já era apontada por Zoroastro, Pitágoras, Orfeu. A mônada obrigatoriamente, de acordo com as leis cíclicas, e a da causa e efeito ou do karma, peregrina pelos mundos manifestos, encarnando em todas as formas de vida incluindo as não humanas, primeiro por um impulso automático e depois com crescente grau de vontade própria e planejamento dirigido, a fim de conquistar sua autoconsciência, o que acontece no fim de uma série de encarnações em forma humana.

Em outras palavras, simplificadamente, um raio ou centelha do fogo divino único, a mônada, para se individualizar e ser autoconsciente, deve passar por um ciclo ascendente de encarnações progressivamente de mais densas para menos densas a partir de seu plano de existência sublime e eterno. Assim vai assumindo sucessivos corpos espirituais, mentais, emocionais e, por fim, físicos. Quando chega à encarnação física, passa primeiro pelos estágios de vida mais brutos, os elementos minerais. Adquirindo a experiência necessária neste nível, o que pode se estender por períodos longuíssimos de tempo, ganha o direito de encarnar como planta, inseto, vírus, peixe, ave, e depois como animal e por fim humano, o ponto médio do ciclo geral.

É quando se estabelece o mesocosmos, intermediário daquele que precisa de telescópio para ser olhado e daquele que precisa do microscópio para ser olhado.

Na série de encarnações humanas a mônada tem a chance de se individualizar, quando deixa de lado a preocupação consigo mesma e passa a trabalhar para a coletividade. Mas este não é o fim do ciclo, e à frente jaz todo o caminho de retorno à sua origem divina e união final com o Absoluto. Então, depois de uma série de iniciações conduzidas por mônadas que percorreram antes esse caminho - os mestres de sabedoria -, que abrem os canais de comunicação internos entre a personalidade que adquiriu ao longo dos evos de evolução anterior e seu princípio espiritual mais puro, conquista um primeiro degrau de autoconsciência em todos os planos.

Doravante o seu caminho é facilitado pelo domínio pelo Espírito de todos os seus veículos, tornando-o apto para expressar sua divindade em todos os planos com crescente grau de perfeição. Assim a mônada abandona o reino humano e ingressa no domínio dos deuses, coletivamente chamados de Construtores do Universo, os Elohins dos judeus, tornando-se um deles, um novo auxiliar da divindade, plenamente consciente e voluntário, no plano geral de evolução do universo.

O processo evolutivo da mônada continua até alturas insondáveis, chegando a se tornar um espírito regente de todo um planeta e de todo um sistema solar ou vários subsistemas, seguindo nesse caminho ascendente até que o universo continue em manifestação, para depois do grande ciclo cósmico encerrar-se ser reabsorvida junto com tudo, de volta no Absoluto não-manifesto.

Depois de um intervalo cuja extensão não pode ser medida, pois na fase não-manifesta o tempo não existe, o Princípio único volta a se manifestar objetivamente, e assim por ciclos incontáveis. Dentro deste plano evolutivo, que se desenrola e tem sua substância toda dentro da própria divindade, tudo o que existe, mesmo a matéria dita "inanimada", possui vida e está infusa de inteligência, mas por outro lado, toda manifestação é considerada ilusória, ou Maya para os hindus, pois apesar das progressivas diferenciações objetivas, a unidade essencial nunca é rompida e todos os seres são como células de um só corpo. Sendo emanações da mente de Deus, todos seres são apenas fenômenos temporários e perecíveis, mesmo os mais exaltados dos deuses, e nesse sentido é que se os considera ilusórios, pois apenas o Absoluto tem uma verdadeira existência e é o único Ser.

Mesmo prejudicados pela existência do nevoeiro, que não se sabe para que serviu, realmente, chegamos aonde chegamos. O caminho está livre e será iluminado à medida que as mentes queiram avançar.

Bem vindos ao novo tempo. Desarmem as mentes. Desçam dos pedestais. Todos temos de ir juntos. É melhor assim.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

1644-Annie Wood Besant


O vôo solo de Krishnamurti

O menino Krishnamurti foi ‘descoberto’ para o mundo por um padre convertido espiritualista, em Adyar. O padre Charles W. Leadbeater, famoso membro da Sociedade Teosófica (ST), a partir de abril de 1909, em diversos encontros com o menino viu que ele estava talhado para se tornar o ‘Instrutor do Mundo’, acontecimento que vinha sendo aguardado pelos teosofistas assim como uma espécie de retorno de Jesus Cristo.

Após dois anos, em 1911, a ST se encarregou de fundar a Ordem Internacional da Estrela do Oriente, com Krishnamurti como chefe, que tinha como objetivo reunir aqueles que acreditavam nesse acontecimento e preparar a opinião pública para o seu aparecimento, com a doação de diversas propriedades e somas em dinheiro.

Krishnamurti, assim, foi sendo preparado pela ST. Mas, algo, porém, ditou sua separação de seus tutores: a morte de seu irmão Nitya, em 1925, lhe trouxe uma profunda compreensão e, desvinculado da ST e da Ordem Internacional da Estrela do Oriente, em breve, viria a emergir como um instrutor espiritual, e dito, agora realmente, como Mestre extraordinário e inteiramente descomprometido. As suas palestras e escritos não se ligam a nenhuma religião específica, nem pertencem ao Oriente ou ao Ocidente, mas sim ao mundo na sua globalidade. São frases suas:

"Afirmo que a Verdade é uma terra sem caminho. O homem não pode atingi-la por intermédio de nenhuma organização, de nenhum credo (…) Tem de encontrá-la através do espelho do relacionamento, através da compreensão dos conteúdos da sua própria mente, através da observação. (…)"

Durante o resto de sua existência, foi rejeitando insistentemente o estatuto de guia espiritual, que alguns tentaram lhe atribuir. Continuou a atrair grandes audiências por todo o mundo, mas recusando qualquer autoridade, não aceitando discípulos e falando sempre como se fosse de pessoa a pessoa. O cerne do seu ensinamento consiste na afirmação de que a necessária e urgente mudança fundamental da sociedade só pode acontecer através da transformação da consciência individual. A necessidade do autoconhecimento e da compreensão das influências restritivas e separativas das religiões organizadas, dos nacionalismos e de outros condicionamentos, foram por ele constantemente realçadas como passos aprisionadores. Chamou sempre a atenção para a necessidade urgente de um aprofundamento da consciência, para esse "vasto espaço que existe no cérebro onde há inimaginável energia". Essa energia parece ter sido a origem da sua própria criatividade e também a chave para o seu impacto catalítico numa tão grande e variada quantidade de pessoas.

A educação foi sempre uma das preocupações de Krishnamurti. Fundou várias escolas em diferentes partes do mundo onde crianças, jovens e adultos pudessem aprender juntos a viver um quotidiano de compreensão da sua relação com o mundo e com os outros seres humanos, de descondicionamento e de florescimento interior. Durante sua vida, viajou por todo o mundo falando às pessoas, tendo falecido com a idade de noventa anos em plena atividade. As suas palestras e diálogos, diários e outros escritos estão reunidos em mais de sessenta livros.

Reconhecendo a importância dos seus ensinamentos, amigos do filósofo estabeleceram fundações, na Europa, nos EUA, na América Latina e na Índia, assim como Centros de Informação em muitos países do mundo, onde se podem colher informações sobre Krishnamurti e a sua obra. As fundações têm carácter exclusivamente administrativo e destinam-se não só a difundir a sua obra, mas também a ajudar a financiar as escolas experimentais por ele fundadas.

Um brasileiro com Krishnamurti. Isto aconteceu em 1946, quando o indiano esteve em Montevidéu, capital do Uruguai, e conheceu o brasileiro, espiritualista, e tradicional livreiro de Santana do Livramento, RS, Sr. Dario Farias, que viajou até a capital uruguaia para conhecê-lo pessoalmente e de quem se tornaria, na fronteira do Brasil com o Uruguai, um discípulo, amigo e divulgador de seus livros e de sua doutrina.

Obras de autoria de Krishnamurti:

A Busca (Poemas)

Cartas às Escolas

Comentários Sobre Viver

O Despertar da Sensibilidade

O Descobrimento do Amor

Diálogos Sobre a Vida

Diálogos Sobre a Visão Intuitiva

Diário de Krishnamurti

Vida e Morte de Krishnamurti

A Educação e o Significado da Vida

A Eliminação do Tempo Psicológico

Ensinar e Aprender

A Essência da Maturidade

Fora da Violência

O Futuro da Humanidade

O Futuro é Agora

Libertação dos Condicionamentos

Liberte-se do Passado

O Mistério da Compreensão

O Mundo Somos Nós

Novo Acesso à Vida

Novo Ente Humano

Novos Roteiros em Educação

Onde Está a Bem-Aventurança

O Passo Decisivo

Palestras com Estudantes Americanos

A Primeira e Última Liberdade

A Questão do Impossível

A Rede do Pensamento

Reflexões Sobre a Vida

Sobre o Amor e a Solidão

Sobre o Aprendizado e o Conhecimento

Sobre o Conflito

Sobre Deus

Sobre Liberdade

Sobre o Medo

Sobre a Mente e o Pensamento

Sobre a Natureza e o Meio Ambiente

Sobre Relacionamentos

Sobre a Verdade

Sobre a Vida e a Morte

Sobre o Viver Correto

Uma Nova Maneira de Agir

O Verdadeiro Objetivo da Vida

O Voo da Águia

Acampamento em Ommen, Holanda 1937/38

Aos pés do Mestre

Fim desta série.

Na continuação um laudo em favor de quem ensinou.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

1643-Annie Wood Besant


Ligações com Krishnamurti

Annie Besant adotou, em 1909, como filho seu o jovem indiano Jiddu Krishnamurti, que era tido, pelos teósofos, como um grande mestre espiritual do planeta.

Krishnamurti nasceu em 11 de maio de 1895, em Madanapalle e viveu até 17 de fevereiro de 1986, quando desencarnou na Califórnia, EUA.

Foi um filósofo, escritor e educador indiano. Proferiu discursos que envolveram temas como revolução psicológica, meditação, conhecimento, liberdade, relações humanas, a natureza da mente, a origem do pensamento e a realização de mudanças positivas na sociedade global. Constantemente ressaltou a necessidade de uma revolução na psique de cada ser humano e enfatizou que tal revolução não poderia ser levada a cabo por nenhuma entidade externa, seja religiosa, política ou social. Uma revolução que só poderia ocorrer através do autoconhecimento; bem como da prática correta da meditação ao homem liberto de toda e qualquer forma de autoridade psicológica.

Reza a tradição brâmane, a qual a família era vinculada, que o oitavo filho toma no batismo o nome Krishna em homenagem ao deus Sri Krishna, de quem a mãe, Sanjeevamma, era devota; foi o que aconteceu com Krishnamurti, a quem foi dado o nome de Krishna, juntamente com o nome de família, Jiddu.

Com a idade de treze anos, passou a ser educado pela Sociedade Teosófica, que o considerava um dos grandes Mestres do mundo, tendo Annie Besant como uma espécie de mãe ou madrinha, mas se desligou de Annie, como veremos adiante.

Annie Besant escreveu bastante. Suas obras mais importantes são:

Brahmavidya - Sabedoria Divina

Dharma

Karma

O Enigma da Vida

O Homem e Seus Corpos

Reencarnação

Sugestões para o Estudo do Bhagavad-Gita

Um Estudo Sobre o Karma

A vida do Homem em Três Mundos

Formas de Pensamento

Ocultismo, Semi-ocultismo e Pseudo-ocultismo

Vegetarianismo e Ocultismo

A Doutrina do Coração

A Vida Espiritual

Os Ideais da Teosofia

Os Sete Princípios do Homem

Sabedoria Antiga

Os Avatares

Morte... e Depois?

Os Mestres

Do Recinto Externo ao Santuário Interno

Um Estudo Sobre a Consciência

A Sabedoria dos Upanixades

O Homem - Donde e Como Veio, e Para Onde Vai?

O Poder do Pensamento

Introdução ao Ioga

O Cristianismo Esotérico

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

1642-Annie Wood Besant


Interesse ocultista e humanitário

Em consequência do seu ativismo pelos direitos humanos, notadamente da mulher, causas humanitárias e interesse pelo ocultismo, Annie Besant pediu para ingressar na Ordem Maçônica Internacional Le Droit Humain (co-maçonaria, como vimos), porque os objetivos da Maçonaria eram semelhantes. Em 1902, juntamente com Francesca Arundale, viajou a Paris, onde foi iniciada nos três primeiros graus dessa categoria de maçonaria. De regresso à Inglaterra, Annie Besant criou a Co-maçonaria e fundou três Lojas Maçônicas em Londres, três Lojas no Norte de Inglaterra, outras três no Sul de Inglaterra e uma Loja na Escócia. Mais tarde fundou Lojas e Capítulos da Co-maçonaria em Canadá, Índia, Ceilão, América do Sul (Chile, Bolívia e Argentina), Austrália e Nova Zelândia.

Em 1912 Annie Besant em companhia de três outras pessoas fundaram, em Londres, a Ordem do Templo da Rosa-Cruz, mais uma entre as várias organizações que levam o nome Rosa-Cruz. Mas, em razão dos numerosos problemas originados na Inglaterra durante a Primeira Guerra Mundial, as atividades tiveram que ser suspensas.

Besant retornou às suas tarefas como Presidente Mundial da Sociedade Teosófica. James Ingall Wedgwood, seu parceiro rosacruz seguiu trabalhando como bispo da Igreja Católica Liberal e Marie Russak, a outra parceira, manteve contato na Califórnia com Harvey Spencer Lewis, ao qual ajudou na elaboração dos rituais da Ordem Rosa Cruz (AMORC) que se intitula a mais antiga e oficial.

Na Índia, Annie fundou a Liga Nacionalista Indiana. Ela dedicou-se não somente à Sociedade Teosófica, mas também ao progresso e liberdade da Índia. Foi a primeira mulher eleita presidente do Congresso Nacional da Índia. Besan Nagar é o nome dum bairro (próximo à sede da Sociedade Teosófica) em Chenai, assim designado em sua honra.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

1641-Annie Wood Besant


História pessoal

Annie Wood nasceu, como vimos na Introdução, em 1847, e casou-se em Hasting, Sussex, com o reverendo Frank Besant, irmão mais novo de Walter Besant, famoso romancista e historiador inglês. Seu casamento durou seis anos, havendo a separação em 1873. Foi dada a seu marido a custódia permanente de seus dois filhos, Mabel e Arthur.

Ela lutou pelas causas que acreditava serem justas, iniciando com a liberdade de pensamento, direitos das mulheres, secularismo (ela era membro líder da Sociedade Nacional Secular, ao lado de Charles Bradlaugh), onde atuavam no controle da natalidade e nos direitos dos trabalhadores.

Sua mais notável vitória neste período foi a greve que ela liderou em 1888 para melhorar a saúde e segurança das trabalhadoras de uma fábrica de fósforos. Durante aquele período a indústria de fósforo era extremamente poderosa, uma vez que a energia elétrica não estava ao alcance de todos e fósforos eram essenciais para acender velas, lampiões de gás e lamparinas.

A greve liderada por Annie Besant marcou história, pois foi a primeira vez que alguém desafiou com sucesso os fabricantes de fósforos; também foi considerada uma marca vitoriosa dos primeiros anos do movimento socialista na Inglaterra.

Em 1889 ela foi solicitada a escrever uma crítica sobre a Doutrina Secreta, livro escrito por Helena Blavatsky. Depois de ler a obra, ela pediu uma entrevista com a autora. Daí p’ra frente tornaram-se parceiras e membros da Sociedade Teosófica, tendo sucedido Helena no comando da organização.

Algum tempo após o falecimento de Blavatsky, Besant acusou William Quan Judge, líder da seção norte-americana da Sociedade Teosófica, de falsificar cartas dos Mahatmas. Tal conflito causou na época a separação de uma grande parte das lojas nos Estados Unidos da Sociedade Teosófica. Annie Besant em 1903 mudou-se para Índia e em 1908 foi eleita presidente internacional da Sociedade Teosófica, posição esta que ocupou até falecer em 1933.

Quero destacar que a palavra “loja” aplicada para designar uma sede, um escritório, uma seção da Ordem Teosófica, é a mesma usada para referir-se aos capítulos maçônicos. Não é coincidência. Na Inglaterra, onde tiveram origem a Teosofia e a Maçonaria não mais operativa, foi a palavra eleita pelos dirigentes de ambas entidades para designar o que as pessoas de fala inglesa chamam de “lodge”: pousada, casa, cabana, alojamento, hospedaria (e se poderia acrescentar: confraria – núcleo onde se encontram pessoas muito identificadas por princípios, regras, objetivos comuns, também chamado de irmandade).
Prosseguiremos.

domingo, 21 de dezembro de 2014

1640-Annie Wood Besant


Introdução

Annie Wood Besant, nascida em Londres, capital da Inglaterra, a 1º de outubro de 1847 e falecida em Adyar, Madras, Índia, a 30 de setembro de 1933, foi quem sucedeu Helena Petrovna Blavatsky no trabalho internacional da Teosofia, cujo trabalho já mostramos em uma série neste blog.

Além de teósofa (adepta da Teosofia fundada por Blavatsky), foi militante socialista e maçom, além de ativista e defensora dos direitos das mulheres e uma das mais notáveis oradoras da sua época. Deixou uma vasta obra literária sobre Teosofia.

Quero destacar um detalhe que talvez possa ter passado desapercebido do leitor, quando há referência que ela foi maçom. Historicamente, a Maçonaria é uma instituição masculina que teve origem com os pedreiros ou cantareiros livres na Idade Média e antes, espécie de sindicato de classe ou cooperativa profissional, de onde herdamos recentemente os conselhos regionais e nacionais das profissões regulamentadas, a OAB, a Fenaj e outros. Só homens atuavam como cortadores de pedra, fazedores de cantos (nas pedras) num tempo em que nem se pensava em cimento e ferro e o domínio dos segredos da profissão era guardado dentro de alojamentos (hoje lojas), que eram locais de reunião guardados por muito segredo. O que hoje é buscado pelos serviços de inteligência entre países concorrentes, era, no passado, também, estratégia de mercado ligada às construções. Iniciava na pedra bruta e acabava nas obras de arte que ainda estão em pé para testemunhar a excelência do ofício dos mestres. Eram chamados pedreiros livres porque não se submetiam aos escravocratas de seu tempo. Maçom era o nome profissional, utilizadores do maço para bater no cinzel que cortava as pedras. E daí o nome Maçonaria, Maçonaria Operativa porque construía obras arquitetônicas.

Mais tarde criou-se a Maçonaria Especulativa, que foi quando outras pessoas não como profissionais das pedras foram aceitas nas ordens maçônicas e ainda assim só entre homens.

Essa senhora, Annie Wood Besant, teria sido mais uma a contestar o estatus quo e a organizar uma loja maçônica de mulheres onde ocupou cargos e desenvolveu-se até atingir o grau 33, grau máximo maçônico.

Antes de 1893 a filiação maçônica só era facultada aos adultos do sexo masculino. Naquele ano uma Loja da França procedeu à admissão de uma mulher em seus quadros, episódio que deu origem às Lojas Maçônicas Mistas, que se reuniram e formaram a Ordem Mista Internacional "O Direito Humano". Posteriormente outras Lojas mistas foram surgindo e hoje existe até mesmo Potência Maçônica Feminina, como por exemplo, nos Estados Unidos, a RainBow. O fato vai aqui anotado como constante de que a mulher passou a ter oportunidade de filiação em Lojas Maçônicas Mistas ou exclusivamente femininas, o que desobriga as lojas originalmente masculinas, originárias das corporações medievais, de recebê-las em seus quadros, sem que isso signifique discriminação de sexo, e sim um apego às antigas tradições da Maçonaria.

Mas, não é a Besant maçônica, apenas, que será enfocada nesta série. Vamos mostrar esta mulher e alguns dos seus auxiliares diretos com muito impacto na história espiritual do planeta.

Você nos acompanha nesta exploração? Então vem.

sábado, 20 de dezembro de 2014

1639-A Cura Espiritual e pela Fé


Pontes sobre o abismo

Terminamos o capítulo anterior com uma simples metáfora construída de improviso por um sábio não alfabetizado, que os doutos da ciência e da filosofia começam por compreender e por aceitar que temos de simplificar as razões básicas da existência. No passado e ainda hoje, dos centros de poder (totens, montanhas, árvores, pedras sagradas, locais místicos, imagens, santuários) brotam nas pessoas forças que ainda não têm explicação. Esses centros de força simbolizavam o centro do mundo para o homem não civilizado e simboliza aquilo que não desenvolvemos em nós por conta da repressão religiosa.

Tomemos como verdade que o centro do mundo começa no meio do peito humano, porque é dali que também sai o fio prateado, que se estuda com Kardec, e é por esta conexão que o homem chega a Deus ou traz Deus para dentro de sua alma, como pede o pajé. Ao assim proceder, acaba-se a separatividade, a fragmentação, ou seja, dá-se a religação, a recola, o remendo, a reemenda, faz-se o remédio, o meio (de ligação) é refeito. Sem delongas: a alma volta pra casa. Ao voltar para casa o aparelho biológico que a serve é reparado, retorna do caminho da degradação representado pela doença. A ciência ainda não aceita isso porque no currículo das faculdades de biociências este conteúdo ainda não figura. Mas, figura o efeito placebo, muito mal interpretado. Digamos que seja o primeiro degrau.

O homem é aceito no laboratório do Deus Cientista; é o homem que se nega a aceitar Deus no laboratório dos homens. Se nega, não, os financiadores da universidade interessados na química como único caminho da cura, restringem financiamentos para estudos sobre a cura energética.

O leitor percebe uma preparação que, capítulo por capítulo, vem sendo feita para que possamos dar um salto e começar a trazer a baila a questão da Consciência propriamente dita, o “Self” (maiúsculo, segundo Rhoden) que é visto pela ciência como Inconsciente. Mas, ainda há uma informação relevante antes do passo ao degrau de cima. Esta informação tenta decodificar para você os memes. Há autores que preferem grafar com maiúsculas: MEMES. O que seriam os memes ou MEMES?  Radicalmente, entenda-os como vírus. Se os sistemas de crenças e valores meu e seu não estiverem fortalecidos, blindados por uma boa higiene mental, por uma elevação de propósitos, por intenções abertas, sem necessidade de esconder sentimentos, e calcadas na verdade real, corremos sérios riscos de os memes ou MEMES virem se alojar e morar e fazer história em nossa mente humana e espiritual. Contaminados vemos como “isso é normal”, “tudo mundo faz assim”, “não há outro jeito”, “agora é moda” ou “como sei é que é certo". Entendeu o que é um vírus cultural, intelectual, comportamental, reacional, paradigmático?  Aqui entra o poder da indústria química dentro dos processos universitários.

Pois, eles existem, se chocam com nossas blindagens toda hora via mídia e vira “cultura”, através de “sugestões” vindas de formadores de opiniões como, por exemplo, por influência das leis, daquilo que aprendemos na escola, da deturpação de valores velhos e da insinuação de valores novos, porém sem compromisso com a vida; o compromisso é com o lucro. E quando nós os absorvemos como valor-MEME, céus! Haja “antibiótico” espiritual para matar o vírus!

Então, leitor, cuidado com os memes/MEMES sejam eles grafados em minúsculas ou maiúsculas, não importa. Contaminam e inviabilizam a evolução de uma alma. Os radicais religiosos e os radicais cientistas que se negam a subir um degrau para ver a ciência de Deus manifesta para além das rígidas regras do passado, precisam eliminar memes/MEMES.

Fim desta série.