terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

1336-Os motores da evolução humana


Ficamos cheios de ócio e ódio

Lá atrás, na nossa história, o tempo passava e a vida dos homens ia tendo vagarosas transformações. É nesse momento que ocorre o surgimento da escrita em diversas partes do planeta, sob diferentes modos.

A Revolução Agrícola no período Neolítico levou o homem a trocar a vida nômade baseada na caça, na pesca e na coleta, pela vida sedentária, ou seja, com residência praticamente fixa. Menor esforço para se alimentar. Mais ócio, mais tempo para pensar.

A agricultura e a domesticação dos animais propiciaram alimento a menor distância da habitação e mais tempo para a vida familiar e comunitária. As técnicas agrícolas não pararam de se desenvolver levando ao surgimento da a irrigação, a guarda das sementes e o invento de ferramentas como o arado puxado por animais. Tem início o que chamamos de cultura.

A tecnologia avançava e as ferramentas de pedra polida eram substituídas pelos metais maleáveis como o cobre, o estanho, o bronze e posteriormente metais rígidos como o ferro, no que é chamado de Idade dos Metais.

Os homens passam então a se agrupar em áreas de terras férteis, propícias à agricultura, geralmente nos vales dos grandes rios.

Destes agrupamentos surgem os vilarejos que seriam os embriões de sociedades mais estruturadas e complexas que iriam se formar, através do que podemos chamar de civilizações e hoje os grandes conglomerados urbanos.

É bem do início desse cenário o surgimento da escrita e daquilo que se pode efetivamente chamar de primeiras civilizações. Do cotejo de entre os atores sociais mais a manipulação dos governantes e líderes religiosos, nasce a cultura. E a cultura se encarrega de formatar as mentes daquele meio.

Formam-se governos criando os Estados, vêm as relações de troca que dariam origem aos mercados e a possibilidade de impor a força através dos exércitos.

E vêm as disputas pelas novas riquezas da época: terras férteis, água, minas, embarcações, novos alimentos. Matanças e expropriações. Bandidagem e ladroeira. Quanto mais ócio, mais ódio.

As guerras aparecem aqui como motoras de evolução porque passaram a exigir novos métodos de produção, novas estratégias de ataque e defesa, abertura de novos mercados, esquemas de abastecimento. Por conta do que aprendemos fazer no início da “civilização”, houve tempo em que se gastou mais com guerra do que alimentos.

Com o descobrimento da agricultura e a do manejo pecuário, o ser humano começa a cultivar diversos cereais como o arroz, o trigo e o milho, os tubérculos como a batata, em diversas regiões do globo entre o sexto e o quinto milênio a.C. e lembre que agora já existe a escrita em algumas dessas regiões. Também estávamos a caminho da universidade.

Assim o homem, aos poucos, se transforma em auto-suficiente em alimentos, fibras, madeira, tração animal, uso do barro e da pedra cortada e adota um modo de vida sedentário (se bem que em algumas atividades como o pastoreio requer-se a prática do nomadismo e do seminomandismo).

Também evoluíram as práticas alimentícias: a invenção do moinho levou ao pão, e vieram as bebidas fermentadas e alcoólicas.

Ao haverem crescido as primeiras civilizações isoladas entre si, as dietas próprias de cada uma foram as mais diversas em função daqueles produtos vegetais e animais que existiam em seu entorno imediato.

Assim, o porco, a galinha e o arroz foram próprios da dieta da Sudeste da Ásia e Sul da China; o trigo, a cabra, o ganso e a ovelha, foram próprios do Oriente Médio.

No mundo mediterrâneo, a uva, o centeio, a aveia e a azeitona entre os vegetais e a vaca e porco entre os animais domesticados.

O milho, uma espécie de tomate, as batatas, os feijões e algumas pimentas, entre outros, foram próprios da América Précolombiana. Os animais domesticados desse continente foram o peru, a llama, a alpaca, o chamado porquinho da índia, na verdade, o cuyo.

No entanto, as barreiras alimentícias foram caindo a medida que as distintas civilizações históricas foram entrando em contato umas com as outras e comercializando algo entre si mediante muitas limitações quanto a conservação.

Desta maneira, as especiarias que entre outras finalidades ajudavam na conservação dos alimentos, como a pimenta, a noz moscada, o cravo da índia, passaram a ser produtos de exportação, mas a este tempo já graças à navegação.

Essa evolução toda pode ser creditada na maior parte à arte da guerra. Sempre que o instrumento de guerra, como o navio, foi usado para o bem, saímos ganhando em evolução.

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