quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

1338-Os motores da evolução humana


A emigração como salvação

Estamos acompanhanado tropeços que se transformaram em avanços para a civilização e evolução dos homens. E um desses avanços foi o armazenamento do conhecimento de maneira mais segura que a tradição oral: a gráfica, o livro, a imprensa. Foi também o que permitiu desenvolver a burocracia governamental. As primeiras escrituras eram ideográficas, mas logo evoluíram para sistemas fonéticos, cabendo aos fenícios o crédito de haverem criado o antecessor do alfabeto moderno.

Exemplos mais antigos são os hieróglifos ou a escrita cuneiforme. No Império Inca, desenvolveu-se a engenhosa solução dos quipus. Em torno do ano 1000 da Era Cristã, em geral, a maioria dos povos da terra – com maior ou menor desenvoltura - conheciam algum sistema de escrita ou de símbolos desenhados ou escritos. Eu, particularmente, noto uma distância muito grande entre uns e outros povos quanto ao desenvolvimento em geral e quanto às habilidades. E fazendo dessa observação um olhar espiritual, vou deduzindo que não somos mentes descendentes da primeira safra de seres inteligentes. Houve, por conta desse raciocínio, choques evolutivos que escapam da (hoje) compreensão (científica) humana.

Ao mesmo tempo, como já abordamos, o desenvolvimento na navegação levou às primeiras audaciosas expedições de exploração. Do Egito Antigo, partiram expedições para o país chamado Ponto, e navegadores fenícios alcançaram a Inglaterra e provavelmente deram a volta na África. Por sua parte, os polinésios empreenderam uma marcha lenta e implacável pelo Oceano Pacífico, colonizando lugares tão distantes quanto de difícil acesso, como o Havaí e a Ilha de Páscoa. Há, por outro lado, a hipótese de que o Havaí tenha sido conquistado a partir do Peru ou do Equador.

Os países que se tornassem superpopulosos davam jeito de fazer guerra ou mandar adiante notadamente suas mulheres. E quando não houvesse guerras para descarte de população, esta sobrava, como aconteceu com a Europa no século XIX.

Assim teve origem o espetáculo mais catastrófico da emigração em massa.  Foi proporcionado pela Europa no século XIX, quando os feudos acabaram e a Revolução Industrial começou a fazer efeito. Sobravam milhares de homens e mulheres em plena capacidade de trabalho e já passando fome. O território da América estava quase despovoado. Assim, navios cheios de gente de todas as idades partiam de vários portos com destino a Espírito Santo, Rio de Janeiro, Santos, Paranaguá, São Francisco, Itajaí, Florianópolis, Laguna, Porto Alegre, Rio Grande, Buenos Aires, trazendo passageiros com passagem apenas de saída da Europa, para se transformarem nos colonos (termos atrelado à colonização). Não foi fácil a este povo sobreviver nos sertões sul-americanos, mas fizeram um grande favor aos seus países de origem e com certeza, também, aos seus países adotivos.

Países como o Brasil, entre outros, haviam proporcionado o vexatório episódio da escravidão que, aqui, durou até 1888. Veja a espantosa coincidência: em 1830 começam chegar os imigrantes; 58 anos mais tarde libertam-se de vez os escravos, porém não como cidadãos emancipados, pois foram abandonados sem trabalho, sem casa, sem terra.

Essa foi uma marca indelével da formação do Brasil: vínhamos da injustiça da escravidão, permitimos o abandono à própria sorte dos imigrantes, permitimos o abandono à própria sorte dos ex-escravos. Construímos, deste modo, uma sociedade dos beneficiados por latifúndios – amigos do rei e na outra extrema os abandonados do reino. A primeira República, que foi de 1889 a 1930 simplesmente trocava o comando entre latifundiários de SP e MG. Em1930, o latifundiário gaúcho, Vargas, introduziu a indústria e procurou aproximar os dois lados do abismo social brasileiro.

Ainda vamos falar mais sobre esse tempo.

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