domingo, 2 de março de 2014

1348-Os motores da evolução humana


Um islã com raízes na América

No passado, através do Império dos Omíadas, os árabes se tornaram responsáveis por uma expansão política que se aproveitou da queda do Império Romano e invadiram a Europa (de 714 a 1212 d.C.) e deixaram profundas marcas de sua etnia e cultura, principalmente na Ibéria e, por extensão, na América ibérica.

Tirando-se, porém, o brilho dessa época, os árabes não conseguem contabilizar outras conquistas políticas: desde então eles foram sistematicamente invadidos por outros povos, espoliados por outros povos, humilhados na sua genuína fé e honradez. E aprenderam a reagir na pedrada, no coquetel molotov, na bomba de efeito retardado, no carro bomba, no homem bomba, no avião bomba...

Hoje a invasão sobre a vida árabe não é visível, é mascarada. Quem detém o poder de abrir ou fechar as torneiras do petróleo árabe é, no fundo, também dono do país e nem sempre acredita em Alá ou aceita Maomé. Os donos das megaempresas multinacionais do Ocidente são, efetivamente, os invasores. O invasor contemporâneo nem sempre coloca os seus generais no solo invadido e no interior do palácio submetido. Mas, também faz isso quando há rebeldia interna. O Afeganistão que o diga. O invasor contemporâneo fica com a chave do paiol. E o paiol está no subsolo. E seu conteúdo é o petróleo.

Assim, invadidos, invadindo-se mutuamente, enfraquecidos em sua identidade racial, política, religiosa e cultural pela prática do anti-corporativismo, os habitantes da região natal de Jesus têm os olhos no passado onde está enterrada a sua tradição e têm os olhos no futuro onde esvoaça a sua esperança. Para os muçulmanos, o progresso está atrás, mais de 1.400 anos atrás com Maomé. Para os judeus, o progresso está no futuro, com o messias que virá reinar em Jerusalém e dominar o mundo. É difícil, entre eles, encontrar uma atividade em que não se misture com nacionalismo, racismo, religião, governo e forças militares ou paramilitares.

Passaram-se muitos milênios em que a fé humana se impregnara de um materialismo brutal, através do que os deuses se mesclavam com reis e sumos-sacerdotes. A sede por um conhecimento mais nobre marcava a secura das almas e a índole da gente pendia entre a desesperança e a revolta, entre o ódio e a necessidade. Acachapados por crenças num sistema pseudo divino que confunde o governante (imperador, rei, sheike, ditador) da terra com o imperador dos céus, os homens foram endurecendo sua capacidade de pensar grande. Os benefícios estavam atrelados ao puxa-saquismo institucionalizado na terra valendo para os céus e nos céus valendo para governantes e governados, senhores e vassalos.

Por isso, a catástrofe encaminhada precisava impactar aqueles sistemas doentios, corrompidos, imorais, hipócritas em meio a tanta gente do bem e tinha de ter poder para fazer tremerem as estruturas do poder viciado. Foi isso que colocou Jesus na Palestina e, por extensão, no banco dos réus como subversivo.

Mas, lá no fundo, o impacto tinha a força que demonstrou ter, pois a sua doutrina permaneceu viva e válida pelos dois milênios posteriores sem necessidade de reparos. Está mais saudável agora quando adentra o seu terceiro milênio. A mensagem era profundamente espiritual. Continua profundamente espiritual. E ganha espiritualidade quando homens se fazem espiritualistas. Contempla tudo aquilo que os homens haviam abandonado nos últimos milênios e promete o reino dos céus na Terra imediatamente. Claramente, um tempo marcado pela influência dos espíritos sobre os homens. A sabedoria dos céus, permeada pelo Amor legislando entre os homens.

Eis que os homens não estavam preparados para tanto. Por isso, o escândalo. Eis a catástrofe ou tragédia religiosa. Depois dela, nos primeiros dois mil anos, andamos em círculos tentando ver onde tudo começa e se há um fim. Com as orientações do Paráclito prometido e enviado (João cap. 14 inteiro), projetamos para o infinito um traço luminoso que se faz canal para as comunicações entre os céus e a terra.

A maior parte da trajetória evolutiva está feita. A Terra não é mais uma penitenciária onde se cumpriam penas, se faziam provas e expiações, muitas vezes na luta aberta. A Terra é uma Escola e um Hospital onde se aprende e cura.

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