terça-feira, 4 de março de 2014

1350-Os motores da evolução humana


Avaliação conclusiva

O propósito da série é mostrar as catástrofes motoras da evolução humana numa sucessão de eventos que, se reunidos numa única planilha, resumiria quem somos depois de passar por quem fomos para chegar aonde quem seremos. Numa frase, fomos exímios nas lutas para submeter o próximo. Já vimos em postagens de séries anteriores que até com Deus nós tivemos a petulância de lutar. Mas, não pensem que esta referência está presa apenas à luta de Jacó contra Deus, a nossa luta como seres rebeldes, desobedientes, contestadores, subversivos, é diária.

Tudo bem, dirão alguns analistas. Viemos para este planeta primário, em fase de depuração e aqui tivemos de aprender a vencer obstáculos compatíveis com a nossa compreensão. Pensávamos que o OUTRO era inimigo. Expandimos o EGO e partimos para conquistas, acumulação, submissão, predação, rapina.

Hoje, um pouco desenvolvidos, industrializados, exportadores, estamos descobrindo que na ALDEIA GLOBAL uns têm a galinha, outros têm a panela, um terceiro tem o fogo, um quarto sabe preparar o quitute e ainda vem um quinto com o vinho para o brinde e o sexto para limpar a sujeira e colocar ordem na cozinha coletiva. Se haverá galinhas, vinho e fogo para todos, eis a questão...

Os humanos, neste instante, somos mais 7,1 bilhões disputando “galinhas”, “vinho” e “fogo” em casas, automóveis, trens, ônibus, estradas, rios, mares, praias, terras, lavouras, pomares, hortas, fábricas, montanhas, supermercados, cinemas, shoppings, boates, restaurantes, etc. Celebra-se ou lamenta-se a marca do heptabilionésimo habitante da Terra?

A catástrofe cantada ou projetada por alguns - Thomas Malthus (1766-1834) parece ter sido o primeiro – foi (talvez não deixou de ser) e é a fome. Sete bilhões é um bocado de gente e, no plano físico, sempre que nos sentimos apertados, com o espaço individual invadido, nosso impulso é o de tentar ampliar a área livre que nos circunda. Será isso compensado com viagens para fora do planeta? Já se anuncia (utopicamente). Será retomada a velha prática de inventar uma grande guerra (já que as pequenas guerras prosseguem)?

O fato de, até aqui, todos os profetas do caos demográfico terem errado sistematicamente em seus vaticínios, nos faz acreditar que a agricultura e a pecuária continuem compensatórias aos investidores e que eles não desistam de vender seus produtos aos países super populosos. Ali pode haver regime, fome talvez não.

Contudo, tenhamos cuidados. As duras condições de vida durante o passado darwiniano fizeram com que tenhamos entre os nossos ancestrais (nós talvez, em vidas passadas) aqueles que não hesitavam muito em sacrificar membros da comunidade que consumiam mais do que produziam, como velhos, inválidos e até bebês. Se olharmos para os noticiários diuturnos veremos quantos filhos acabam com os pais, quantos pais acabam com os filhos. Quanta herança maldita?

Já estamos, do ponto de vista reencarnatório, fazendo uma brutal seleção: famílias que poderiam ter muitos filhos, têm um, no máximo, dois. Famílias que não podem sustentar e educar, ainda têm vários. Mas, isso vai mudar. Não nos damos conta que quanto menos gente nasce, limitada está a chegada aqui de espíritos reencarnando.

É, provavelmente, mais grave o problema climático do que a capacidade das terras e pastagens em produzir alimentos para esses já nascidos. A tendência é a queda da taxa da natalidade. Os efeitos vão ser sentidos lá por 2050.

Os cálculos populacionais que projetam a futura catástrofe pela via da fome, levam em conta projeções com base naquilo que está acontecendo hoje e em se tratando de humanidade, os cálculos sempre saem furados. Em uma década a taxa de natalidade pode descer de 7 para 1 filho por casal. Basta tomar os casos das uniões homoafetivas (que crescem geometricamente) e se verá que dessas conjugações nada nascerá.

No livro de Dan Gardner, "Future Babble" (Balbucio sobre o futuro) é o próprio Gardner quem critica os prenúncios que acabam sendo engodo. Existem adivinhos anunciando o fim do mundo como se o planeta fosse dar uma cambalhota e jogar contra o vazio do espaço tudo o que estiver sobre sua fase. Isso nunca aconteceu. De onde essa gente tira isso? Querem tirar proveito do medo do povo? Pode ter certeza.

Como será o nosso planeta daqui a 50 anos? Como estaremos vivendo? O que vamos deixar para as gerações que virão? Estas são as perguntas que devemos estar fazendo diariamente a nós mesmos, pois muitas de nossas ações podem ajudar a melhorar ou a piorar esse quadro. Anos atrás não era comum acontecerem tantas catástrofes e tragédias provocadas por fenômenos naturais. Porém hoje em dia está mais comum vermos nos noticiários de TV e até no dia-a-dia em nossas cidades como o clima, a temperatura e os demais fenômenos climáticos e geológicos vêm aumentando, onde também podemos ter como exemplo o estado de Santa Catarina que já viveu a experiência de ter sido atingido por um furacão, uma situação muito difícil de acontecer aqui no Brasil, mas que pode voltar acontecer com um pouco mais de frequência se as mudanças climáticas continuarem contribuindo e alternando a temperatura em nosso oceano e em terra.

Em se tratando de clima e fenômenos climáticos e geológicos não podemos nos limitar a análises regionais. O Brasil, apesar das desgraças do desmatamento amazônico, é um oásis do planeta.

No caso do aquecimento global, que está fazendo com que as geleiras dos pólos derretam com mais rapidez e aumentem, assim, o nível dos mares e condenando as populações de pequenas ilhas e moradores em praias a perderem seu habitat, também temos de pensar no intenso frio que chegou a provocar neve nos picos do Litoral Catarinense. E o último inverno do hemisfério norte? O que foi aquilo? Tem explicação?

Já tivemos o calor que assolou a Europa (2011) matando pessoas e deixando um rastro de preocupação para cientistas e governantes.

Devemos ter a plena maturidade para entender que o nosso planeta não é mais o mesmo e que corremos o risco de daqui a alguns anos podermos torná-lo um lugar sem muitas condições de vida, e também devemos ter consciência de que estamos destruindo a nossa casa aos poucos e talvez mesmo querendo e fazendo muito esforço, talvez não consigamos reparar todos os erros.

Para resumir, a dificuldade para adivinhar o futuro é de ordem física. Nós nos habituamos a ver a ciência antecipando com enorme precisão fenômenos como eclipses e marés. Só que esses são sistemas simples ou, pelo menos, sistemas em que as dinâmicas impostas pelo caos podem ser desprezadas. E, embora um bom número de fenômenos naturais sejam simples, existem muitos que não o são. Quando o homem faz parte da equação, a complexidade é praticamente inafastável.

Paul Ehrlich (1932), professor de biologia de Stanford e mais famoso dos neomalthusianos, em "A Bomba Populacional", seu best-seller de 1968, escreveu: "A batalha para alimentar toda a humanidade acabou. Nos anos 70, o mundo passará por grandes fomes — centenas de milhões de pessoas morrerão de inanição". Um rápido confronto da previsão com os fatos mostra que, entre 1961 e 2000, a população mundial dobrou, e a quantidade de calorias "per capita" aumentou em 24%. Não foi só. Passamos a viver mais tempo, a padecer de menos mortes violentas e ficamos mais ricos, porque o valor das principais commodities caiu em termos reais. Ehrlich, é claro, não era unanimidade. Havia muitos que não pensavam como ele.

Para o economista Julian Simon (1932-1998), o que gera a riqueza, em última análise, são ideias. A imaginação humana, diz ele, é o recurso final — e inexaurível. Mais gente no planeta, só aumenta a probabilidade de surgirem ideias originais. Quem sabe o grande objetivo das famílias e das escolas seja evitar que a mente de nossas crianças e jovens seja atrofiada. Justamente porque outra característica vantajosa do crescimento populacional é que ele cria escala para que as invenções se paguem. Se eu moro numa comunidade de duas dúzias de pessoas que não se comunicam com o mundo exterior, mesmo que eu seja um Steve Jobs não vou perder meu tempo desenvolvendo computadores ou telefones celulares. Eu jamais ganharia dinheiro vendendo-os e provavelmente gastaria todo o meu tempo plantando e cuidando do meu jantar.

Como coloca o economista neossimoniano Bryan Caplan, em "Selfish Reasosn to Have More Kids" (razões egoístas para ter mais filhos), até misantropos pagam mais para viver numa cidade superpopulosa como Nova York. Fazem-no porque, apesar de odiarem pessoas, é a concentração de gente que torna a cidade interessante, ao povoá-la com um número quase ilimitado de opções de cultura, consumo, lazer, gastronomia etc.

Mais indivíduos nascendo também ajudam a garantir a viabilidade de sistemas previdenciários, entre outros benefícios.

É claro que nem tudo são rosas no crescimento populacional. Nós somos poluidores por excelência, consumistas por defeito cultural e é o nosso lixo que ameaça o planeta. Porém, alto lá. O efeito estufa tem esquentado e tem esfriado. As últimas estações de frio e calor mostram isso nos dois hemisférios.

Mas, nada de otimismo quase panglossiano (relativo à figura literária do doutor Pangloss, personagem do romance "Cândido", de Voltaire, que professava um otimismo beato, e para quem tudo parecia correr às mil maravilhas). Não podemos fazer como Simon o fez: deixar de perceber que mais gente sobre a Terra também cria uma série de dificuldades.

É outra mania dos projetistas: tomar como padrão a população dos Estados Unidos. Esta é a última que eu pegaria para modelo. São os Estados Unidos em primeiro e a China em segundo, os que mais colocam em risco o planeta.

Já, hoje, assistimos a uma taxa preocupante a extinção de espécies, em grande medida causada pela degradação que nossa simples presença provoca.

A questão é: qual a melhor forma de lidar com isso? Os neomalthusianos costumam apostar em medidas fortes de controle populacional, que não raro remetem ao fascismo, como a política do filho único na China. Tão logo a China comece a reduzir drasticamente os seus números populacionais, eles serão obrigados a flexionar essa lei.

Simonianos, por seu turno, tendem a exibir um excesso de despreocupação, confiando, talvez com razão, mas talvez não, que a criatividade humana aliada aos mecanismos de mercado dará um jeito em tudo.

Na dúvida, como lembra Caplan, podemos sempre instituir uma taxa sobre o carbono e tomar outras medidas que aumentem os incentivos para que trilhemos o que, hoje, parece ser a melhor rota.

No embate entre profetas do caos e doutores Pangloss, os últimos têm levado a melhor, mas não há nenhuma garantia de que continuarão a fazê-lo.

Dada a nossa ignorância essencial sobre o futuro de sistemas altamente complexos, vale a pena ficar longe dos cenários mais extremos, pela simples razão de que eles são em menor quantidade do que as alternativas intermediárias.

A Quarta Onda, depois da primeira que foi composta por motores a vapor (que garantiu a invenção e utilização efetiva das locomotivas mais potentes); depois da segunda em que vieram a eletricidade e os automóveis, permitindo que a humanidade se deslocasse para o meio urbano; e depois da terceira com equipamentos de qualidade que permitem a conexão com outras pessoas em todos os lugares: os smartphones, tablets, microcomputadores e outros nano-eletrônicos que podemos considerar como disseminados pela humanidade; como disse, a Quarta Onda será uma Onda Espiritual. Ela está a um passo de acontecer. A ciência descobrirá o Espírito e a mente humana ganhará muitas outras funções que hoje estão entregues às máquinas.

Fim da série

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