quinta-feira, 6 de março de 2014

1352-As deusas e a feminilidade


A primeira mulher de Adão

Segundo uma antiga lenda, e também na Cabala, a primeira companheira de Adão não foi Eva, mas uma deusa chamada Lilith — que depois passou a ser apelidada de "monstro da noite" pelos antigos hebreus — que brigou com Deus e por isso foi transformada em demônio, sob a forma de serpente e aí para vingança teria vindo tentar Eva no Paraíso.

Na verdade, o castigo maior que lhe impuseram os sacerdotes foi excluí-la dos relatos bíblicos da criação do mundo. Esse trabalho coube a Moisés, pois a Bíblia, como a conhecemos, teve a orientação de Moisés à frente de uma equipe de sacerdotes hebreus. Lilith é a versão hebraica de uma divindade babilônica, sinônimo de "face escura da Lua" como esposa de Adão. Mas não se dava bem com Adão. Certo dia, cansada de desavenças, Lilith abandonou o marido e foi para o mar Vermelho, onde passou a viver entre demônios, com quem teve vários filhos.

Inconformado pela perda da esposa, Adão foi pedir a interferência de Deus. Este determinou então que Lilith voltasse imediatamente para casa. Mas ela recusou-se e foi condenada a devorar todos os seus filhos, o que também não fez. Não bastasse, passou a ser considerada um demônio igual a outras deusas do mundo das trevas. Por tudo isso, no folclore judaico, cada vez que morria uma criança, dizia-se que Lilith a tinha levado na suposição de que ela tivesse ficado sem os filhos. A lenda de Lilith perdurou entre os judeus pelo menos até o século VII.

Aí também se especula que as criaturas geradas por Lilith e seu(s) novo(s) marido(s) compõem os seres humanos que Adão, Eva e seus filhos encontraram na Terra depois de expulsos do Éden. A mulher por quem Caim se apaixonou e teria sido a causa do assassinato de seu irmão, Abel, seria uma dessas criaturas geradas por Lilith e seu(s) marido(s) demônio(s).

Claro, você leitor, pessoa esclarecida, coerente, lógica, há de ler isso e pensar: são lendas! Onde está o real? O real está em nós, nas nossas memórias de milênios que, por relaxamento, esquecemos de manter aberta a porta. Enferrujou. Vamos ter muito trabalho para retirar os miasmas que emperram a abertura desses arquivos.

Mas, dá para imaginar. Quem escreveu a história, todas as histórias, puxou a brasa para sua sardinha: assegurou que seu clã (ou seu exército ou sua nação) era a “banda boa”, abençoados, outorgados, batizados, enquanto o oponente (por espaço territorial ou disputas outras por água, pastagem, floresta), era a “a banda ruim”, logo rotulado como ímpio, herege, pagão, profano, amaldiçoado. Assim os filhos de Lilith (para exemplificar) eram filhos da adúltera com os demônios. Mas os abençoados filhos de Adão e Eva encontraram-se com outras pessoas, não do seu clã, que habitavam a Terra e com elas estabeleceram núpcias, criaram filhos, deram segmento à humanidade. Ismael, filho de Abraão e patrono dos árabes islâmicos, nasceu do ventre de uma escrava africana e o filho teria permanecido entre os abençoados hebreus não fosse a barriga de Sara ter concebido Isaac.

O raciocínio que se quer fazer ao afastar a idéia de que Adão e Eva foram os primeiros seres humanos, é que eles representem espíritos vindos de outra dimensão para dar impulso ao progresso da Terra. As lendas querem contar uma estória/história. Cabe a quem ouve entende-la como possa.

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