quinta-feira, 13 de março de 2014

1359-As deusas e a feminilidade


A deusa Kary’ó Uká

É uma dureza pesquisar registros onde os registros foram apagados ou não existiram. É o caso Kary’ó (e não Carijó), uma das mais fantásticas civilizações que existiu no Litoral de Santa Catarina, desde a Lagoa dos Patos/RS, passando pela Ilha dos Patos (Florianópolis) e se estendendo até depois de Itapoá, região que fica ao norte de Joinville/SC.

Os primeiros povos não nativos que ocuparam esta imensa geografia, primordialmente, estão entre os exploradores que só queriam as riquezas para delas se apoderar e voltar para suas origens, ou queriam escravizar índios, o que muito conseguiram, pois os Kary’ó eram dóceis, habilidosos, pacíficos.

Muitos de seus registros, escritas rupestres, monumentos, totens, foram destruídos. Até mesmo a sua extinção é dada através de uma mentira: disseram que eles se acabaram. Não é verdade. A grande maioria foi embora daqui. Aos que ficaram, em minoria, faltou espaço, comida, sossego e, sim, minguaram até acabar.

Mas, deles conseguimos duas lendas. Uma entra aqui, a propósito das deusas. O início da nação Kary’ó contou com a figura de uma deusa vinda das montanhas dos Andes, chamada Uká, integrante de uma civilização encantada que visitava o Litoral do Brasil, vinda através do Caminho de Peabiru, uma trilha pedestre da qual ainda existem vestígios, ligando a cidade sagrada de Macchu Picchu a Cananéia com uma derivação que vinha até onde hoje é Florianópolis.

Um grupo de índios Goiá, dissidentes de sua tribo (Espírito Santo) demandava o Litoral de São Paulo a caminho do sul, quando se encontrou com a caravana em que estava Uká. Araribé, cujo nome se traduz por Homem Pato (origem inicial do povo Kary’ó) teria se encantado com Uká e propusera casar-se com ela, o que não aconteceu de imediato, pois ela teria de ter autorização de sua tribo para contrair núpcias. Mas, o casamento houve, mais tarde, e o casal se transformou na origem do povo Kary’ó, um povo de estatura superior à média dos índios sul-americanos e de pele mais clara, bem como os historiadores de nosso passado descrevem os carijós (como grafaram).

Esta lenda completa e a outra estarão nas páginas do livro “Uma Terra Sem Males” que o autor deste blog prepara para lançar em breve contando toda a saga dos índios Kary’ó.

Uká entrou aqui como também nos referimos a Eva, a Sypave, a Lillith, mulheres ou deusas ou diabas que deram início a determinadas humanidades. No caso de Uká, dói na alma do pesquisador certificar-se de que os primeiros habitantes ditos civilizados, vindos de Portugal, de Açores, de Madeira, de outros pontos, nem quiseram tomar conhecimento dos valores do povo que aqui encontraram e, pior, vilipendiaram, trucidaram, destruíram tudo ou quase tudo o que podia servir de referência para os, hoje, ávidos estudiosos dessa raça superior humana que havia aqui antes de 1500. Hoje estamos buscando depoimentos de espíritos Kary’ó para poder ligar alguns elos destruídos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário