sexta-feira, 14 de março de 2014

1360-As deusas e a feminilidade


Das deusas às mulheres

Estamos no século XXI da Era Cristã que, somados aos outros 50 séculos decorridos desde que temos memórias escritas da trajetória humana no planeta, perfazem 70 séculos, metade deles honrando a mulher e metade deles pisoteando sobre ela.

É difícil entender como apenas nos últimos 30 anos a mulher de alguns continentes vem se libertando de tudo o que lhe sucedeu, ao menos nos últimos 35 séculos. A ciência avançou, conseguiu desvendar o genoma humano, o mundo virtual se impôs nas mais diversas esferas sociais e no meio de uma quase guerra, com a descoberta da pílula anticoncepcional, com a redução do número de filhos para tomar conta, com título universitário em punho ou nem tanto, a mulher foi à luta e superou as barreiras de esposa/dona de casa/professora/enfermeira/ concubina/prostituta, para assumir o comando de alguns países machistas. Ela irá mais longe, mas...

Mas, o que? Em algumas regiões muito antigas, de culturas muito ortodoxas, as mulheres continuam sofrendo muitas limitações, mutiladas até, discriminadas com certeza dos pontos de vista socioeconômico, político e religioso.

Como entender e aceitar, por exemplo, que na Índia, a cada 15 minutos uma mulher é estuprada; isso sem falar das que são mortas por seus companheiros, não importando se o país for do que chamávamos de Terceiro, Segundo ou Primeiro Mundo; as meninas sendo as maiores vítimas dos pedófilos, as que têm sua individualidade escondida por burkas (símbolo inegável da opressão sobre a mulher) e tantas outras atrocidades como, por exemplo, na África, a mutilação de sua genitália? Por que a desigualdade entre mulheres e homens ainda se mantém e tem sido reafirmada por leis, tradições, normas sociais e pelos mais importantes aparelhos de Estado (família, escola, religião, meios de comunicação etc)?

Muito já se escreveu, muito já se falou sobre este tema, mas alguns aspectos fundamentais não são apontados pelas várias disciplinas existentes no universo das letras. A dificuldade existe porque corre-se o risco de que a abordagem seja considerada parcial, ou seja, defendendo um lado ou outro. Na realidade, quando falamos da compreensão de fatos, temos que recorrer à ciência, por isso vamos, com ela, fazer uma rápida viagem através dos tempos para juntarmos as peças do quebra-cabeça que resultou do amálgama formado pelas várias disciplinas que abordaram este tema (antropologia, sociologia, teologia, filosofia, arqueologia, direito, psicologia, história).

O que é permitido recolher das fontes de pesquisa, é que até o regime de Alexandre, o Grande, a mulher grega, romana, judia, e parcialmente também as árabes, tinham prestígio, eram respeitadas, assumiam cargos na sociedade e apesar dos casamentos polígamos existentes em algumas culturas, elas se completavam nos haréns, mas não tinham sofrimento algum.

Viemos de um tempo sacrossanto quanto à figura de deusa e da mulher e só a presença dos governantes desrespeitosos à mulher foi capaz de tanto? Claro que não só isso. Sucederam os reis helenistas os romanos. E atrás deles estava a Igreja de Roma e seus instrumentos coerção.

O que teria havido desde o regime alexandrino para que decaísse tanto o prestígio das mulheres?

É o que vamos investigar nas próximas postagens.

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