sábado, 15 de março de 2014

1361-As deusas e a feminilidade


Da pré-história à Idade Média

A origem da família foi o resultado do agrupamento dos primeiro seres humanos, (ao que se sabe) na África, que, em busca de sobrevivência e conveniências, foram se aglutinando em subgrupos. Não podemos esquecer que somos animais e que, naquela época, pouco nos diferenciávamos dos outros mamíferos, também a procura de sobrevivência.

Com relação à procriação, sim, éramos diferentes: as mulheres têm períodos férteis a cada lunação; os acasalamentos não ocorrem apenas no cio (como é com as fêmeas animais), mas quando quer o casal; embora os animais obtenham prazer no ato sexual, o detalhe que nos diferencia dos demais animais, é que os humanos buscam o prazer fora do objetivo da procriação e a procriação acaba sendo consequência e não objetivo, apenas.

Não é necessário muito esforço para deduzir com que frequência as mulheres engravidavam. Era um filho pra fora, outro pra dentro. Havia um cuidado especial para com a mulher, enquanto geradora de filhos. Porém os escritos antropológicos afirmam que os homens eram responsáveis pela caça e pela pesca porque eram mais fortes.

Um momento... Mas se a gravidez era o estado “normal” das mulheres, como poderiam elas correr atrás da caça, subir em árvores, mergulhar nos rios em busca de alimentos? Podemos então deduzir que, se fossem os homens que parissem, as mulheres é que teriam desenvolvido a força física tão decantada pelos “machos” (até hoje!).

Muitos estudiosos da família dizem que naquele tempo havia promiscuidade sexual, “esquecendo-se” que então não existia a noção de família individual, era um estado primitivo, as relações sexuais aconteciam sem limites proibitivos e os filhos de um clã eram filhos de todos os membros do clã (para efeito de alimentação e educação).

Lembremos que, além de parir, cabia às mulheres os serviços localizados próximos às vivendas, como preparar os alimentos, cuidar das crianças e dos velhos, abastecer a vivenda com água e lenha (mais tarde, também, cuidar dos animais, da limpeza do entorno) e tinham que satisfazer sexualmente os companheiros.

Vemos, então, que as atividades das mulheres foram fundamentais para a formação, manutenção e desenvolvimento da humanidade. E eram consideradas peças fundamentais “nessa sociedade” que, como vimos lá atrás, esse papel procriador era entendido como sagrado, de vem a ideia de deusa.

Dando um salto na história, vamos aportar na Grécia de Aristóteles (aliás, professor de Alexandre, o Grande, também chamado de Magno, rei do Império Macedônico e impulsionador da chamada cultura helenística). É isso. Estamos na Grécia e arredores, berço da democracia, da teoria da república. Uma democracia tão diferente de hoje: era uma democracia para poucos, nesse caso, para os homens.

As mulheres passaram a ser consideradas “coisas”, junto com escravos e prisioneiros de guerra. É nesse cenário que vamos encontrar o famoso filósofo grego Aristóteles, aluno de Platão e professor de Alexandre, o Grande. Seus escritos abrangiam diversos assuntos, como a física, a metafísica, as leis, a poesia e o drama, a música, a lógica, a retórica, o governo, a ética, a biologia e a zoologia. Juntamente com Platão e Sócrates (professor de Platão), Aristóteles é visto como um dos fundadores da filosofia ocidental. Contudo, foi um dos primeiros a justificar “cientificamente” a autoridade marital e paterna. “É legítima a autoridade patriarcal, pois foi a Natureza que criou indivíduos aptos para mandar e outros para obedecer. As mulheres, escravos e crianças são seres incompletos, por essência, e inferiores ao homem, representam um princípio negativo. A mulher, na reprodução, tem uma função secundária, pois é apenas um simples receptáculo”(!!!). Para ele, a virtude da mulher é o silêncio e, com esta “simples” afirmação, na realidade, nega-lhe a voz, a criação do próprio discurso e, portanto, a identidade. É... Ninguém é perfeito! Nem mesmo tu, Aristóteles.

Platão dá sinais de evolução no processo. Em sua obra, “A República”, dá indícios da importância dos direitos da mulher à educação completa, pois nesta obra fala de sociedade perfeita, de igualdade. Ocorre que Platão era até mal visto pelo poder imperial e nesta Era Alexandrina da história se dá “o desmoronamento do direito materno, a grande derrota histórica do sexo feminino... O homem apoderou-se também da direção da casa; a mulher viu-se degradada, convertida em servidora, escrava da luxúria do homem, um simples instrumento de serviço, reprodução e prazer. Essa baixa condição da mulher, manifestada sobretudo entre os gregos dos tempos helênicos e, ainda mais, entre os dos tempos clássicos, tem sido gradualmente retocada, dissimulada e, em certos lugares até revestida de formas de maior suavidade, mas de maneira alguma suprimida”. (frases de Friedrich Engels).

Em “A origem da família, da propriedade privada e do Estado”, Engels demonstra toda a sua revolta ao modelo dos três universos estudados por ele e de onde se retira pesadas críticas ao tratamento dado à mulher. E olha que tradicionalmente a mulher alemã, pátria de Engels, não era a mais severamente castigada no Ocidente.

Quem tenha estudado as relações conjugais entre os imigrantes europeus no Brasil, sabe que a mulher alemã tem muito maior autoridade na família que a mulher italiana. Neste último caso, pesa muito a cultura transportada do Império Romano, via igreja, para dentro dos lares até atuais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário