domingo, 16 de março de 2014

1362-As deusas e a feminilidade


De Roma ao Vaticano e à Reforma

Com a substituição do controle da sociedade, que passou do Império Helênico ao Império Romano, nada mudou em relação às mulheres. Entramos da Idade Média (ou Idade das Trevas) e o poder romano cindiu-se e a Europa ficou à deriva, mas a Igreja de Roma tentou ser o poder central de controle numa vasta região do Ocidente. Conseguiu em parte, mas nada mudou quanto à mulher, porém.

No caminhar da humanidade, as características familiares se acham determinadas por suas relações com a terra. Quem a possuísse tinha direitos e poder, além de alguma liberdade. Surge o direito feudal e dentro dele o direito do primogênito herdeiro. As mulheres já não tinham poder e agora menos ainda porque eram incapazes de defender o patrimônio familiar.

Num discurso de Marco Pócio Catão (político romano) fica demonstrada com clareza a relação de poder existente entre o sexo feminino e masculino quando diz: “Os senhores sabem como são as mulheres, façam-nas suas iguais e imediatamente elas quererão subir às suas costas para governá-los”. Não é difícil entender que, com a criação da lei Pater-família, o homem era o único dono do patrimônio familiar e dispunha da vida ou morte daqueles que estivessem submetidos à sua autoridade. 

No âmbito do Cristianismo Romano, a mulher não era mais escrava e sim companheira (obviamente nas classes dominantes). Mas vamos destacar um trecho da Epístola de São Paulo...”O homem tem que ser o chefe porque foi o primeiro a ser criado. O homem deve amar a esposa como Cristo amou sua Igreja e a mulher deve comportar-se como a Igreja com respeito a Cristo. As casadas estão sujeitas aos seus maridos como ao Senhor”.

Citando agora a Gênesis: ”Deus criou a mulher com uma costela do homem, assim sendo, a mulher significa perda para o homem, é também responsável pelo pecado. Por isso, a mulher sofrerá maldições e parirá com dor; a paixão a levará ao esposo que a dominará”.

Agora as palavras de Santo Agostinho, uma das figuras mais importantes no desenvolvimento do Cristianismo: ”As mulheres não devem ser iluminadas ou educadas de modo algum. Devem ser, na realidade, segregadas, pois são elas a causa das horrendas e involuntárias ereções dos homens santos”. Vale dizer que o homem não pode ter ereção. Vem daí a barbaridade cometida contra os padres, impedidos de serem amados pelas mulheres, de terem uma família e de gerarem sua prole.

Mas vamos ver agora o que dizia um personagem que rompeu com a Igreja Católica, Martinho Lutero, criador da Igreja Luterana: “Ao homem compete o governo, a mulher deve curvar-se. O homem é mais elevado e a mulher é uma criatura partida, uma besta hidrófoba. O mérito maior que possui é o de gerar”.

É isso, meus caros leitores e caras leitoras. Dada a necessidade de um tempo para respirar, pensem na carga que foi colocada sobre os ombros das mulheres, nossas avós, mães, esposas, irmãs, filhas durante um milênio e pouco. Foi pesado demais!! Quem sabe na Idade Moderna a situação melhore. Você tem esperança? Até amanhã.

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