quinta-feira, 20 de março de 2014

1366-Kabbalah


União com o criador

Ao redor do mundo se pode constatar que ao lado de um conhecimento religioso popular sempre há um ensinamento velado que, para obtê-lo, o candidato precisa ser iniciado. Grosso modo, a Cabala está para o judaísmo assim como o gnosticismo está para o cristianismo, o sufismo está para o islã e a Pistis Sophia está para a Filosofia.


Gnosticismo e sufismo são as correntes místicas ligadas respectivamente às tradições cristã e muçulmana. E a Cabala completa o quadro enfeixando o conhecimento místico judaico. Como misticismos, essas três correntes têm muito em comum (como se poderá ver). A maior parte das diferenças está no modo de transmissão do conhecimento, adaptado à tradição em que aquele tipo de misticismo se desenvolveu. Este raciocínio não vale apenas para as três religiões derivadas de Abraão (patriarca hebreu e das religiões judaica, islâmica e cristã), mas também para as místicas orientais, como hinduísmo, tao e budismo, além do zoroastrismo na Pérsia, só para citar as mais conhecidas.

Se a Cabala é um tipo de misticismo, talvez seja o caso de explicar: o que é misticismo? Em poucas palavras, é a crença na possibilidade de percepção, identidade, comunhão ou união com uma realidade superior, representada como divindade(s), verdade espiritual ou o próprio Deus Único, por meio de forte intuição ou de experiência direta em vida. Na intenção de atingir esse tipo de experiência, as tradições místicas fornecem ensinamentos e práticas específicos, como meditação e aperfeiçoamento pessoal consciente.

Nosso foco nesta série, porém, é a Cabala, sem deixar de contextualizar no que for coerente as similitudes com outras ciências religiosas.

Já que abrimos um parêntese para falar do misticismo, aqui abrimos outro para falar da iniciação. Você, leitor, por certo conhece a razão de ser dos conselhos profissionais como OAB, CREA, CRM, CRA, pois não? Quem pode registrar-se lá? A resposta certa é: aqueles que receberam e comprovam os conhecimentos que os credencia a serem reconhecidos como tal. A isso se chama INICIAÇÃO.

Imagine que pudessem surgir cursos de direito, engenharia, medicina, administração não legalizados e que os conteúdos de seus ensinamentos pudessem ser entregues ao mercado onde advogados, engenheiros, médicos e administradores com aptidão inferior ao nível exigido e em que tudo isso passasse a ser rotina na sociedade. Ao longo de uma década as ciências dessas quatro áreas tomadas como exemplo já estariam deturpadas e com um pouco mais de tempo também os profissionais teriam perdido a credibilidade. O charlatanismo estaria institucionalizado em substituição à responsabilidade profissional. Acabar-se-iam as ARTs – Anotações de Responsabilidade Técnica.

Mais fácil ainda é a perversão de um conhecimento místico para o qual não se exige um curso superior nem o registro em um conselho ou ordem profissional. Em alguns anos aqueles, digamos, segredos zelosamente guardados pelos mestres da área teriam virado fofoca de esquina.

As responsabilidades com a aplicação do direito, com as construções, com a saúde e com a gestão de negócios exigem que seus manipuladores tenham competência e respondam civil e criminalmente por aquilo que recomendam e fazem. Nada diferente quando se lida com a alma humana. Seu enorme valor não pode ser deformado por curiosos que se atiram no métier sem conhecê-lo.

Você gostaria de ser enganado, ludibriado, vítima de engodo em se tratando de lidar com as coisas da alma?

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