sexta-feira, 21 de março de 2014

1367-A Kabbalah


Uma tradição oral de muitos séculos

Para entender melhor de onde vem a Cabala vamos dar uma espiada no passado.

Seja qual for o primeiro e privilegiado homem a ter recebido o conhecimento esotérico da Cabala, o que ninguém discute é que ou se os ensinamentos foram transmitidos oralmente ao longo de muitas gerações, até que alguém resolvesse eternizá-los na escrita ou se eles vieram pouco a pouco até se integrarem num todo.

Os primeiros escritos conhecidos com referências a esses ensinamentos datam do século I. São livretos reunidos numa coleção chamada Heichalot ("Os Palácios"), espécie de portais, que versam sobre os passos necessários para ascender evolutivamente através de 7 palácios celestiais, com ajuda de espíritos angelicais. Mas os livros mais importantes da Cabala são o Sefer Yitizirah (Livro da Criação) e o Zohar (Livro do Esplendor), ambos de origem incerta. O primeiro teria sido escrito no século II e o seu autor é desconhecido. No caso do Zohar, a situação é ainda mais complexa. Para alguns cabalistas, ele foi escrito pelo rabino Shimon bar Yochai, também no século II. A maioria dos estudiosos, porém, acredita que o Livro do Esplendor seja de autoria do escritor judeu-espanhol Moisés de León, que divulgou os manuscritos no século XIII.

Embora o Sefer Yitizirah e o Zohar concentrem em suas páginas os principais ensinamentos da Cabala, é importante lembrar que a Torá é tão importante quanto eles. Isso porque, segundo a Cabala, a Torá contém ensinamentos preciosos codificados dentro do texto sagrado - decifrar esses ensinamentos ocultos é, por sinal, um dos principais propósitos do misticismo judaico.

Uma das maneiras de interpretar a Bíblia hebraica é recorrer a códigos e números: a guematria, face matemática da Cabala, atribui valores numéricos a cada uma das 22 letras do alfabeto hebraico. A ordenação dessas letras no texto bíblico seria uma das maneiras que Deus teria encontrado para revelar ao homem os segredos do Universo.

As interpretações da Torá são tão importantes que foram divididas em 4 níveis de profundidade:

O 1º nível, Peshat, é aquele com que todos leitores estão acostumados, mais simples, que compreende o sentido literal do texto;

O 2º, Remez, já considera os significados alegóricos da linguagem (alusões);

No 3º nível, Derash, entram comparações entre trechos similares e metáforas.

O 4º e último nível seria aquele que compreende o sentido secreto e misterioso da mensagem divina: Sod.

Juntos, os nomes das interpretações já possuem um significado próprio. Combinando-se as primeiras letras de cada um, obtém-se a palavra PaRDeS, que significa “paraíso” e remete à finalidade última do esforço de interpretação. Isto é, ao finalmente compreender a mensagem que Deus colocou nos textos sagrados, o cabalista receberia de volta o conhecimento do paraíso, como se lhe fosse devolvida a chave para retornar ao Éden, do qual Adão foi expulso por desobediência.
 
"É como uma gota retornando ao oceano, de volta à realidade divina. Não é um processo fácil", diz o rabino Leonardo Alanati, da Congregação Israelita Mineira.

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