quarta-feira, 26 de março de 2014

1372-A Kabbalah


Planos superiores para a alma

É curioso observar que, na Cabala luriânica (com adaptações), desenvolvida no século 16 pelo rabino Isaac Luria (de onde vem o sistema luriânico, citado na postagem anterior), há um conceito que lembra a Teoria do Big Bang. Segundo essa linha cabalística, a primeira ação de Ein Sof para criar o Universo teria sido uma contração sobre si mesmo, que teria provocado uma catástrofe inicial chamada tohu, gerando um vácuo. Em seguida, esse vácuo teria sido preenchido com as emanações divinas (de uma maneira explosiva, tendo em vista a grande velocidade dos acontecimentos narrados) e, a seguir, "retificado" nos mundos que você conheceu na postagem anterior.

Enquanto estiver no Mundo da Ação, o homem está sujeito a dirigir o corpo físico que lhe foi concedido, mas seu objetivo deve ser sempre o mesmo: aprender e evoluir para ascender aos planos superiores. "O judaísmo acredita que a alma é eterna e subdividida", diz Alanati. "A vida continua em outras realidades além da nossa, aguardando a ressurreição. A cabala é a única corrente dentro do judaísmo que defende o conceito de reencarnação: algumas almas retornam a este mundo em outro corpo, até acabar de cumprir a sua missão. Ou então elas voltam para nos trazer bênçãos e luz através de seu ser altamente desenvolvido". Segundo ele, seria possível uma alma atingir o estágio de evolução necessário em uma única vida, mas é comum receber mais algumas chances, num processo de reencarnação que também faz parte dos aprendizados evolutivos.

Segundo a Cabala, a alma humana é dividida em 3 partes básicas. A mais "baixa", chamada nefesh, é a parte animal, responsável pelos instintos e reflexos corporais; acima dessa estaria ruach, o espírito ou alma, média, que contém as virtudes morais e a habilidade de distinguir o que é bom e o que é ruim; a alma alta, neshamah, seria a terceira parte, que representa o intelecto e distingue o homem das outras formas de vida, por permitir a vida após a morte. É a neshamah que permite a percepção da existência de Deus.

Outras duas partes da alma humana são discutidas no Zohar: chayyah, que permite a consciência da força divina, e yehidah, a parte da alma que é alta o suficiente para atingir o maior nível possível de união com o Criador. "A meta é alcançar o propósito para o qual fomos criados: a equivalência de forma com a Força Superior. Todo o trabalho na Cabala tem esse objetivo", resume Marcelo Pinto (já citado). Na hipótese remota de a humanidade finalmente se unir ao Criador, em uma fusão completa e perfeita, o que aconteceria? O fim do mundo? O começo de uma nova e gloriosa Criação? Bom, isso nem mesmo os mestres cabalistas sabem responder...

O que parece não ter volta neste começo de milênio e entrada na Era de Aquário, é a busca por Deus fora dos templos. Ali não nos souberam conduzir. As notícias ao redor do mundo indicam principalmente os jovens fazendo importantes esforços como o do grupo de israelenses que se reúne em uma caverna perto da vila de Beit Meir, em Jerusalém, para estudar a Cabala. Uma vez por semana, cerca de 12 judeus ortodoxos se encontram nesta caverna perto da cidade sagrada para repetir um ritual antigo: analisar e discutir, por horas a fio, os textos de livros como o Zohar.
Noutra experiência, mais de 2 mil estudantes da Cabala se reuniram na Times Square, em Nova York, para celebrar a chegada do Ano-Novo Judeu, Rosh Hashana, em setembro de 2001. O canto, a dança e as vestes brancas são típicos de uma nova geração de cabalistas, que considera a festa, a celebração e a alegria tão importantes quanto a meditação e as longas sessões de estudo dos textos antigos.

Por outro lado, judeus ortodoxos e soldados israelenses rezam juntos na tumba do rabino Isaac Luria, em Safed, Israel. Luria, um dos mais importantes cabalistas de todos os tempos, foi o responsável pela renovação do misticismo no século 16 com a criação da Cabala Luriânica e a divulgação de seus ensinamentos para além dos círculos judaicos.

Rituais de certa forma esquecidos, estão de volta. O banho nas águas geladas da Mikve Há Ari, localizada em Safed, Israel, por exemplo, não pelo simples fato de se banhar na água fria. São cabalistas que repetem há anos o ritual, prestando homenagem ao rabino Isaac Luria, que teria utilizado as mesmas águas no século 16. Alguns se banham todos os dias, mas o mais comum é realizar o ritual na véspera do Shabat.

Existe também a preocupação com a pureza do culto e do rito. O cabalista Yitzhak Kadouri, um dos maiores estudiosos contemporâneos da Cabala, ganhou notoriedade por sua influência política e por suas declarações polêmicas quando, em 2004, durante visita de Madonna a Israel, ele se recusou a falar com a cantora, dizendo que "o estudo de Cabala é proibido para as mulheres, e também para os que não são judeus".


A Cabala como caminho – são muitos os caminhos – é mais uma proposta antiga que volta e pode se tornar uma alavanca mística neste mundo materialista.

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