sábado, 29 de março de 2014

1375-Destino e Livre Arbítrio


Pra que viemos ao mundo?

Os seres humanos são acorrentados a um destino previamente traçado, ou são efetivamente livres para fazer o que querem? Temos realmente permissão para fazer tudo aquilo que quisermos, já (ou não) resguardado o respeito pela liberdade alheia? Ou nascemos destinados a experimentar a sensação de que agimos “livremente” dentro de certas possibilidades já previstas desde o início? Tudo o que fazemos na vida nada mais é do que cumprir um risco já traçado, ou escolhemos passo a passo o caminho por onde seguir, imprimindo ao longo dele nosso rastro pessoal ao qual chamamos liberdade para culminar com a nossa obra prima?

“Estamos condenados a ser livres” (Jean-Paul Sartre - 1905-80). “Sofrer é o destino dos mortais” (Eurípedes - 485-406 a.C.). Frases assim ou assado acompanham a humanidade pelo tempo a fora, algumas sem autoria outras saídas de mentes muito brilhantes: “A minha liberdade termina onde começa a sua”. “Cada um com sua cruz”. “A liberdade não é compatível com quem não sabe usá-la”.

De fato, sempre que assumimos um comportamento ético frente à vida, obrigamos-nos a certas atitudes que bem nos revelam quão relativa é nossa liberdade diante dos conflitos que nos são impostos, dilemas aos quais chamamos de destino (sem saber exatamente do que falamos). Então, escolhemos sofrer ou a dor é atributo inerente à existência? Assim sendo, cadê e Livre Arbítrio, se num e noutro caso o sofrimento está ou pode estar presente?

O que nos trás ao mundo das formas? Para pagar contas velhas ou abrir novos débitos? Para gozar quando for possível e sofrer quando for inevitável?

Sempre que a oportunidade se oferece tenho reafirmado: se há destino fechado, o que passa pela mente de Deus quando manda pra vida alguém que nasce com síndrome de Down, autismo, cegueira, surdez ou deficiência motora? Qual teria o plano de Deus para Hitler? E para o Fernandinho Beira Mar?

Começo por admitir que uma existência é pouco para lapidar um anjo (e se a vida não é uma escola para a angelitude, me nego viver) e nisso surge o vislumbre: nascemos toscos e brutos e vamos ao embate de melhoramento disso. Ou nascemos angelicais e a sociedade nos impõe as suas condições, que podem descambar para dimensões irreconhecíveis de maldade. Nos dois casos, a sociedade tem a ganhar ou perder com aquilo que nos ensina.

Você deve ter a sua opinião ou convicção; nós a nossa. Mas, quem somos nós para ficar aqui dando palpite em coisas de tamanha profundidade?

Vamos adiante com esse caleidoscópio?

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