domingo, 30 de março de 2014

1376-Destino e Livre Arbítrio


Dimensões distintas

Parece haver duas dimensões onde encontramos a mão daquilo que para alguns se chama destino. Para isso, devemos entender por destino o lugar, a situação, o contexto para onde apontamos nossa caminhada individual, familiar, profissional, nacional: o que quero e onde quero ou queremos chegar.

Na dimensão individual, mais próxima e palpável, o destino pode ser determinado com certa precisão a partir das minhas tendências/escolhas: colherei o que planto; enfrentarei as conseqüências de cada um dos meus atos presentes; edificarei o que o planejo; entendimento que pode ser ampliado para o grupo familiar ou mesmo para a Nação.

Na dimensão remota encontramos a missão. Quase todas as religiões admitem existir uma missão dada pelo Autor da Vida, negociada com forças fora do alcance das mentes mortais ou livremente escolhida por nós antes de receber o corpo. Aqui pode ser novamente incluído o grupo familiar, a Nação. Não fora isso, qual será a razão de ser da vida?

Infelizmente, a rigor, nenhuma cultura é tão pobre quanto à vida que essa que nos formata como pessoas ocidentais. Mas, o que dizem que somos, isto é, réus pela crucificação de Jesus, ou eternamente atrelados ao ato sublime em que Jesus padeceu para livrar a nossa cara, são ensinamentos que tomaram proporções insustentáveis na cosmogonia cristã: uma parte se penitencia por haver dado causa à sua morte e a outra parte se sente perdoada e livre para fazer o que quiser.

Nesses casos, tanto é provável que escolhamos sofrer ou que estejamos determinados a sofrer, possivelmente nunca pelo mesmo motivo: crescimento, aprimoramento. Vencida a dor estaremos (?) livres dela e de tudo mais (?) que impede nossa liberdade (?) aonde se pode ir?

Iremos a qualquer lugar sempre esquecidos de que qualquer movimento para crescer ou encolher, dói. Dói não só fisicamente, como é desagradável sair da inércia.

Esse heroísmo justifica a evolução do homem. Herói é uma palavra grega que significa “pequeno deus, grande homem”, aquele que rompe a barreira limite do seu eu num esforço constante para a realização dos seus feitos e para renúncia de sua ambição, esse é o herói. É aquele que estando no lugar certo para si, faz certo aquilo que lhe cabia fazer, e na hora certa. Herói de si mesmo, apesar de, muitas vezes, haver destaque e reconhecimento da comunidade admiradora de seus atos.

Por que a criança chora ao nascer? Pela dor de haver deixado a aparente inércia do útero. Mas, também, como ainda não consegue falar, poderia estar gritando: “cheguei! Se preparem que estou aqui!”

Enquanto aguarda a próxima postagem, vá pensando na razão de ser do nosso nascimento como membros da vida, portando um corpo da dimensão humana.

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