terça-feira, 1 de abril de 2014

1378-Destino e Livre Arbítrio


A Grande Teia


Mais de vinte e cinco séculos depois que as deusas Cloto, Láquesis e Átropos,  entraram para o rol das discussões da parte instruída da humanidade, cientistas de última geração de nossa contemporaneidade concluem que a vida é uma imensa teia, cujos fios estão absolutamente integrados uns aos outros. Ao tocarmos num deles, toda a teia balança. Seus fios somos nós e todos os demais seres vivos, desde bactérias até elefantes, desde o átomo até a galáxia. Dentro da trança, nossa liberdade é pautada pela saúde da rede. A rede nunca é a mesma. A cada segundo, novas configurações se fazem, novas possibilidades se tornam eventos e assim por diante. Dentro da teia (limite) sou livre para algo (limite) pelo qual respondo com a própria vida, se for o caso. Seria isso o destino? O livre arbítrio é só isso?

Somos, então, membros de sistemas. O menor deles é o nosso, a partir da primeira batida do coraçãozinho no ventre da mamãe, formando com ela e em seguida com os demais do mesmo clã, o primeiro e segundo sistemas, por enquanto.

Dá para imaginar, afirmando, tratar-se de algo determinado, algo livre.

Razão e intuição no caso do Livre Arbítrio, são caminhos à nossa escolha desde que aprendemos a pensar. E aparecem e mantém relação com lendas, mitos e tradições de todos os tempos. Curiosamente, nas cartas do tarô, amplamente usadas para o exercício da adivinhação, jaz oculta uma de suas maiores verdades: a lição de que o nosso destino está dentro de nós.

Guardamos no coração as sementes da felicidade e da realização. A vida é o jardim onde podemos semeá-las. Escolhemos sempre o que semear.

Em uma das cartas do tarô, o Arcano VI, a carta d’O Namorado, mostra um jovem rapaz entre duas mulheres. Cada uma cobra-lhe sua escolha. Uma veste azul, simbolizando o mundo emocional e intuitivo, e toca-lhe o coração, órgão humano associado à alma à época em que o tarô passou a existir. A outra veste vermelho que, do mesmo modo, traduzia o lado racional da vida ou nosso pensamento lógico. Mais velha que a outra, esta puxa-lhe pelo ombro, como que a acentuar um pedido de atenção. Mas o jovem parece realmente inclinado a seguir sua consciência, seguindo a direção da flecha de cupido, presente na cena.

O cupido simboliza o inconsciente, aquilo que está além do mundo racional, o não sabido, inconstância desconhecida que, ao mesmo tempo, nos assusta e nos guia. Ainda que represente algo oculto, repleto de meandros e mistérios, lança flechas que nos aguçam a percepção, provocando-nos vislumbres muito além da vida consciente, à qual está acostumado o nosso ego. Em resumo, a flecha do cupido é nossa intuição. E quem de nós pode negar que amiúde ouvimos essa voz interior, a nos guiar os passos, a nos inspirar em momentos difíceis, a nos orientar pelo caminho?

Decisões racionais, intuitivamente inspiradas, são sempre mais sábias. Pouco importa por qual dos caminhos seguirá o jovem do tarô, o necessário é que não se abata indeciso, não deixe de optar. Seja qual for a sua escolha, essa o levará por caminhos onde predomine razão e intuição, mas nunca onde uma delas exista totalmente sem a outra, até porque é impossível separar essas funções em nosso psiquismo. Razão e intuição, na verdade, é tudo o que nos move.

Nenhum comentário:

Postar um comentário