sexta-feira, 4 de abril de 2014

1381-Destino e Livre Arbítrio


Conclusões


Parece óbvio. Há um destino, porém não no conceito que (muito) se dá a ele, como algo engessado, definitivo enquanto trajetória da jornada da alma em trânsito pelo corpo humano, mas como um porto de chegada, onde somos esperados com algo a contribuir para com a obra do Autor da Vida. O livre arbítrio está, justamente, naquilo que cada indivíduo pode alterar e debitar ou creditar em sua ficha pessoal.

Quantos seres humanos nascidos em determinadas circunstâncias conseguiram alterar o rumo de suas vidas? Quem sabe você, leitor, seja um deles. Um dos exemplos mais destacado é o de Francisco de Assis, cujo pai, apegado ao dinheiro, apesar de religioso e até articulado com os padres de sua paróquia e de contribuir para o establishment, atuava na contramão da vida ao explorar os operários de sua fábrica como verdadeiros escravos em campo de concentração. Francisco, que estivera numa guerra suja movida pelos governantes de então, comparou o que o obrigaram fazer a mando do poder governamental com o que era chamado a fazer a mando do poder patriarcal e escolheu romper com tudo: Estado, Igreja e com seu pai.

Transformou-se no maior líder ocidental das jornadas destinadas a socorrer sofredores, mendigos, desvalidos, doentes e ainda saiu patrono da vida animal.

Todos aqueles que romperam com alguma coisa, seja um vício, uma tara, uma tendência, uma compulsão, hoje podem dizer que aplicaram o arbítrio em favor da liberdade. Todos aqueles que se descobriram prisioneiros de mentirosas liberdades, podem afirmar que tiveram a coragem necessária para quebrar paradigmas.

Numa poesia protesto contra o que a própria letra define, Mano Terra solta o verbo: “Aos milhares, os inventos destinados ao conforto e ao ócio dos homens e das mulheres, servem para escravizá-los. Antes, montava-se nos cavalos para ganhar liberdade e poder. Hoje, os tarecos inventados montam nas pessoas para tirar-lhes a liberdade e o poder. Parece que o demônio comprou o tempo e insiste em trocá-lo por dinheiro... ...e tarecos.

Até os velhos relógios que marcavam o tempo, nada mais valem.

São relíquias, só! Tudo é digital. Tudo é automático. Tudo é global.

E sempre aparecem demônios novos, sempre mais aptos a negociar novos tarecos inventados. Tarecos que nos levam o dinheiro e o tempo. Inventa-se o que não foi pensado. E ensina-se a pensar o que foi inventado. E sempre tem mais gente disposta a trocar o tempo e o dinheiro pelas mercadorias e drogas.

Isto é, pelos demônios. É isso! Somos escravos do demônio.

É ele que insufla nossas vontades e nossos impulsos. Enche os nossos fazeres, anseios e devaneios. Compra nossa capacidade de sonhar. Os sonhos já vêm empacotados, prontos, sonhados. O tempo não existe para ser vivido.

Existe para negar a vida. Existe para o incômodo. Para a notícia ruim.

E tempo tem nome de corre-corre. E existe para consumir, perder, gastar, queimar, destruir a vida.

Nesse cismar das idéias, enquanto o tempo passa, vou me perguntando por que será que inventamos as máquinas e drogas e entregamos a elas o comando de nossas vidas, renunciando viver como seres livres?”

BIBLIOGRAFIA:

Capra, Fritjof. “Pertencendo ao Universo – Explorações nas Fronteiras da Ciência e da Espiritualidade”, Cultrix, SP, 1999.

Ingiles, Brian. “Coincidências: Mero Acaso ou Sincronicidade?” Pensamento, SP, 1998.

Terra, Mano. “Um poema xucro”, livro ainda no prelo.

Urban, Paulo. “Livre Arbítrio ou Destino?” Revista Planeta, ed. 344, maio 2001.

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