sábado, 5 de abril de 2014

1382-Fantasmas e Assombrações


Introdução

É a mente ou é a emoção humana que aprecia ser desafiada por estórias assombrosas? Quem, dentre os leitores, não tenha sentido medo, geralmente à noite, por qualquer situação em que se configura coisa fantasmagórica ou assombrosa?

Há um tipo de medo benéfico, que regula nosso comportamento e evita que saltemos pela janela, atravessemos a rua, façamos qualquer coisa com risco de machucadura ou morte, mas, aquele medo paralizante, capaz de elevar os batimentos cardíacos ao limite máximo e ao desmaio, esse medo precisa ser controlado, ele é nocivo.

Somos uma sociedade que trabalhou o medo como instrumento de educação. Qualquer criança, hoje com mais 60 anos, dirá que respeitava o pai e a mãe (eventualmente os avós) por medo, não por amor.

O ensino religioso estava arraigado no medo. Medo do castigo divino.

No passado, quando a vida humana se passava bastante em ambiente rural, circular pelas estradas, campos e matas, para crianças e adolescentes era um exercício de coragem, pois havia, sempre, o inusitado de um animal silvestre, um touro bravo, uma cobra e, claro, as assombrações. As taperas, quase sempre, traziam consigo estórias de assombrações, almas penadas.

À medida que a vida urbanizou-se e o ser humano se viu confinado entre ruas, casas e apartamento, o cinema e a televisão ocuparam o lugar daquilo que foram as experiências dos, hoje, sexagenários com experiências rurais.

Falo de experiências rurais porque há 50 anos atrás ainda tínhamos mais habitantes rurais que urbanos. As cidades incharam quando a mecanização agrícola substituiu o trabalhador braçal em quase todas as atividades.

Assim, quase metade do público urbano, hoje, tem ou pode ter experiência rural. O por que dessa conversa? É no meio rural que fantasmas e assombrações mais se fazem sentir. Você entenderá isso no curso das postagens desta série.

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