domingo, 20 de abril de 2014

1397-Brasil: a undécima chance


5ª crise: a coroa se muda pra cá

O Iluminismo irradiava novos tempos por vários países da Europa. A Revolução Francesa havia demonstrado que o povo destituíra sua monarquia em represália à má gestão das finanças públicas em combinação com a falta de liberdades individuais, implantando em seu lugar um novo regime até então desconhecido na história da humanidade (a república democrática). Pregava justiça e participação popular no governo sob o lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”.

Por conta do sucesso de seu desempenho como general do novo governo francês, Napoleão Bonaparte depois de expandir o território da França, passa a ameaçar Portugal, um país que se tornara gigante nos mares, porém pobre em reservas, vulnerável, pois, pois. A rainha, louca, passara o cetro ao príncipe regente (Dom João). Toda a coroa ameaçada decide fugir para o Brasil e instalar aqui o Império Português com todos os seus vícios, paternalismos, burocracias, benevolências, corrupções...

O Brasil era uma terra de índios, escravos, senhores feudais disfarçados de latifundiários e foi surpreendentemente alçado à condição de sede do decadente Reino de Portugal e Algarves.

A cidade do Rio de Janeiro não tinha porto, nem bancos, nem palácios, nem pessoal capacitado para servir à burocracia do rei e, no entanto, foi transformada em capital, assombrando as pessoas que viam passar pelas estreitas ruas as carruagens suntuosas com aquele pessoal carregado de nobreza, de vestes e modos incomuns.

Era muito para uma antiga roça, uma quase esgotada mina, uma abundante e parcialmente dizimada floresta, um incipiente curral situado na longínqua América do Sul: o Brasil. Éramos tudo isso e assim vistos e tratados lá de donde viera a Corte. Foi um aborto na história de uma colônia que em mais uns 50 anos talvez começasse a pensar em sua independência.

Tanto foi assim que a independência só veio porque, de volta a Lisboa, o rei passou a exigir demais da colônia em termos financeiros, com cujos recursos tencionava pagar as dívidas do reino itinerante.

Mas, justiça seja feita: o medo da derrota, da prisão e da perda da coroa, ou seja, o apego ao poder, decretou a fuga da família real portuguesa para a colônia, mas, por outro lado, deu um tremendo avanço nesta rica e miserável colônia, a começar por decretar a sua liderança no continente americano do sul.

Nenhum outro período da história brasileira testemunhou mudanças tão profundas, decisivas e aceleradas, quanto os treze anos em que a corte portuguesa esteve instalada no Rio de Janeiro. No período de apenas uma década e meia, o Brasil deixou de ser uma colônia retrógrada e esquecida para se tornar um país independente. Foi Dom João VI, com todas as suas fraquezas pessoais, o verdadeiro fundador da nacionalidade brasileira, depois consolidada pelo seu filho, Dom Pedro II.

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