sexta-feira, 25 de abril de 2014

1402-Brasil: a undécima chance


10ª crise: a oposição

O Brasil da República Velha praticamente não conheceu oposição política. O velho Partido Republicano Conservador era único e dentro dele é que se travavam as contendas e as negociatas para as candidaturas e a distribuição do poder.

Com Vargas, não. Já havia embriões de outros partidos, mas foi com ele que surgiram os grandes partidos e até mesmo o Partido Comunista, responsável por uma grave crise no governo getulista.

Nascem com o Estado Novo, em 1937, partidos fortes como o PSD, a UDN, o PTB, PRP e o PSP (veja Google), o primeiro e o terceiro fechados com Vargas e os demais fazendo-lhe oposição. O nascente rádio, principalmente, e os jornais da capital, eram os veículos de opinião a favor e contra o regime. Muito forte a atuação de Carlos Lacerda, jornalista e deputado, representante das vozes de oposição de extrema direita que, de crise em crise, leva Getúlio ao suicídio.

Apesar de filho de estancieiros, o advogado Getúlio demonstrava querer flexionar o capitalismo rural influente no Brasil, talvez com interesse eleitoreiro, mas o fato é que criou a CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, o voto feminino, fez uma tênue reforma agrária e abriu as portas para a indústria nacional. Esse caminho político destinado a fazer encolher o capitalismo selvagem principalmente rural, desagradava importantes setores da sociedade que, talvez, vissem nisso o crescimento (por dentro) da esquerda comunista.

A eleição de Juscelino Kubitschek (após o período Vargas) com expressivo apoio da esquerda - que votou em Jango para vice – e as suas avançadas propostas de governo, parecia desbancar desde sempre os conservadores – no poder desde o Império e por toda a República Velha.

Assim, na sucessão de JK, Jânio Quadros se faz a esperança de retorno da direita. Venceu e eleição, mas traiu suas origens e pendeu demais para a extrema esquerda ao chamar comunistas para receberem comendas outorgadas pelo seu governo. Sua renúncia propalada como esquema para um golpe contra a democracia, fez a direita querer impedir a posse do vice (João Goulart).

E assim evoluímos para uma crise atrás da outra – proporcionada pela impotência de Jango frente aos seus conselheiros de poder. A sua queda se deu em 31/03/1964 através de um golpe armado pelos militares.

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