segunda-feira, 28 de abril de 2014

1405-Brasil: a undécima chance


A saída das crises

O povo é a saída das crises. Sempre foi. Uma imensa maioria de brasileiros não tem o menor motivo para reproduzir herança lusa de patrimonialismo; paternalismo, sim. Vamos aos casos: com raras exceções, os escravos e seus descendentes demonstraram e demonstram a mansidão que foi a causa do cativeiro e, nessa condição, nunca se valeram do seu poder; a maioria mansa sentia-se protegida da princesa Isabel que, num gesto bondoso, assinara o decreto da Libertação dos Escravos, comemorado por muitas décadas no dia 13 de maio. Só mais tarde começava a ainda incipiente Consciência Negra, que celebra Zumbi como herói e elege o 20 de novembro como efeméride. Todos os imigrantes pobres, banidos de suas pátrias nos séculos XVIII, XIX e XX, aqui já incluídos os japoneses, não são herdeiros da cultura patrimonialista lusa e nunca se serviram do poder; pelo contrário, foram por ele abandonados à própria sorte.

Temos aí, por baixo, uns 60% da Nação, capaz de fazer a virada na base da vergonha, da indignação e do patriotismo.

É óbvio que a trajetória política, econômica, religiosa, educacional, moral, no Brasil, possui falhas gritantes. Os nossos políticos, de há muito, não se candidatam para resolver os problemas do povo; querem as benesses do poder (herança lusa) para darem-se bem, isto é, garantir o próximo mandato.

O PT havia sinalizado contra esta prática e traiu os seus eleitores. Propunha moralidade, participação, democracia, melhor distribuição da renda nacional e chegou a cativar enormes fatias dessa população pura, trabalhadora, patriota, contribuindo para a primeira eleição de Lula. A segunda eleição já veio marcada pelos vícios daquilo que os críticos chamam de petralhismo.

No escândalo chamado mensalão, ficou evidente o medo dos políticos em propor a cassação de Lula, no centro do escândalo como seu chefão: temiam o retorno dos militares e o fechamento das torneiras corruptíveis. Preservaram o poderoso chefe do esquema e isso atinge em cheio a questão moral do poder e torna a classe política abaixo de qualquer conceito positivo.

Aqueles cidadãos brasileiros que possuem vergonha na cara, hoje, tentam buscar uma saída democrática que detenha a utopia comunista, genocida e totalitária, mas, acima de tudo, que freie a escandalosa manipulação corrupta dos recursos arrecadados através da pesada carga de impostos e taxas. A proposta social-democrática foi bem vinda em contraponto ao capitalismo selvagem que tínhamos ou quiçá ainda temos. Mas, com honestidade e transparência.

Como sair do assistencialismo, não caritativo, que aposta no populismo e na demagogia, através da exploração da boa-fé das massas carentes, mendicantes e ressentidas pela retórica barata da luta sem classes e da propaganda midiática?

Haja ciência política que evite um retrocesso em nosso Brasil.

Para finalizar, repito, vai depender da reação democrática daqueles que nunca foram herdeiros do modelo luso de misturar a coisa pública com a coisa privada.

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