terça-feira, 29 de abril de 2014

1406-A Pedra Filosofal


Introdução

Quem já não ouviu falar acerca dos respeitáveis filósofos, médicos, químicos e intelectuais que passaram boa parte da sua vida diante de seu laboratório alquímico tentando decifrar o enigma da pedra filosofal, tão comentada nos círculos iniciáticos da Idade Média?

O que deve ser entendido por Pedra Filosofal?

Obter uma pedra filosofal (Lapis Philosophorum) era um dos principais objetivos dos alquimistas em geral na Idade Média. Com ela, o alquimista poderia transmutar qualquer metal inferior em ouro, como também transmutar seres do reino científico-biológico Animalia (reino animal) sem sacrificar algo que dê um valor considerável em troca. Com uma pedra filosofal, também seria possível obter o Elixir da Longa Vida que permitiria prolongar a vida "indefinidamente".

Como se percebe a riqueza e a eternidade eram e são grandes objetivos humanos. Confusos objetivos, pois riqueza e eternidade já as temos, não precisam ser buscadas.

A atividade relacionada com a pedra filosofal era chamada pelos alquimistas de "A Grande Obra" (ou “Opus Magna”, em latim.

Ao longo da história, criações de pedras filosofais foram atribuídas a várias personalidades, como Paracelsus e Fulcanelli, porém é "inegável" que a lenda mais famosa refere-se a Nicholas Flamem, um alquimista real que viveu no Século XIV. Segundo o mito, Flamel encontrou um antigo livro que continha textos intercalados com desenhos enigmáticos. Porém, mesmo após muito estudá-lo, Flamel não conseguia entender do que se tratava. Segundo a lenda, ele teria encontrado um sábio judeu em uma estrada em Santiago, na Espanha, que fez a tradução do livro, que tratava de Cabala e Alquimia, possuindo a fórmula para uma pedra filosofal. Por meio deste livro, Nicholas Flamel teria conseguido fabricar uma pedra filosofal. Segundo a lenda, esta seria a razão da riqueza de Flamel, que inclusive fez várias obras de caridade, adornando-as com símbolos alquímicos. Ao falecer, a casa de Flamel teria sido saqueada por caçadores de tesouros ávidos por encontrar pedras filosofais. A lenda conta que, na realidade, ambos, Flamel e sua esposa, não faleceram, e que em suas tumbas foram encontradas apenas suas roupas no lugar de seus corpos.

Hoje, as pedras filosofais extrapolam as alquimias, como veremos.

As pedras filosofais antigas não tinham formatos físicos definidos. Mais tarde, a busca por pedras filosofais passaram, em certo sentido, para as buscas semelhantes à busca pelo Santo Graal das lendas arturianas, mas não só. Em seu romance Parsifal (como já abordamos noutra série) Wolfram von Eschenbach associa o Santo Graal não a um cálice, mas a uma pedra que teria sido enviada dos céus por seres celestiais e teria poderes "inimagináveis".

Ainda que palidamente as tábuas da lei recolhidas por Moisés no Monte Sinai poderiam ter a conotção de pedras enviadas dos céus, pois consta dos escritos sagrados terem sido ditadas para serem escritas por Moisés.

Em outras palavras, os alquimistas desejavam criar em pequena escala aquilo ou quase que Deus o faz em grande escala. É nesse sentido que se referiam ao homem como sendo um microcosmo, capaz de refletir, em partes, o potencial criativo do universal (Macrocosmo).

Dedicaremos alguns capítulos a esta tema na esperança de que os leitores e nós, em conjunto, consigamos também obter uma Pedra Filosofal.

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