sábado, 31 de maio de 2014

1438-Cônjuges


Esculhambado, mas não cansado

Você esteve conosco na leitura dos tomos anteriores e viu como o amor foi ganhando adjetivos, muitos dos quais esculhambando com ele, mas ele não se cansou. Atravessou a borrasca e está próximo de atracar no porto onde é esperado por quem, de fato, ama.

Mas, como a proposta é tratar de cônjuges, voltemos à energia amorosa do casal e dos vários níveis de consciência da dupla. Haverá amor em alguns níveis de consciência? Haverá amor em alguns níveis e rancor em outros? Em quantas dimensões diferentes podemos conhecer o amor?

Nos níveis superiores de consciência, o amor não cansa. Além disso, é eterno.

Há momentos em que o amor surge espontaneamente. Mas é infantil querer ser levado sempre de carona nas asas leves e irresponsáveis desse sentimento. O desejo superficial leva a uma infelicidade profunda quando insistimos nele.

Por isso, pode-se dizer que há uma yoga do casal, isto é, uma disciplina espiritual pela qual construímos uma relação de amor correta. Essa yoga consiste em colocar toda a vida do casal no contexto da caminhada espiritual, reconhecendo que tudo o que ocorre no amor, como nos outros aspectos da vida, é parte do nosso aprendizado interior.

Quando somos conscientes disso, olhamos a vida a dois com olhos diferentes. Se limitamos a relação a aspectos puramente mecânicos e materiais de vida, a convivência pode tornar-se um inferno. Todo casal tem possibilidades concretas de deixar de existir como processo de crescimento espiritual, e parece necessário admitir honestamente essa possibilidade para que ele possa viver e renovar-se sempre.


O amor é um processo organicamente vivo

 e pode morrer a qualquer momento,

soterrado pela rotina ou por uma mudança

de interesses de uma das partes.

 Negar essa verdade é inútil e perigoso.

Examine, por exemplo, o casal de que você é parte, se é que é. Veja honestamente quanto por cento dele é feito de prazer sexual, prazer emocional, costume ou gosto de viver juntos, rotina, interesses materiais concretos, necessidade de sentir a pele do outro por perto e de passar a mão por ela; confira a afinidade intelectual, os interesses espirituais e a decisão de buscar juntos a verdade suprema da sabedoria imortal.

Veja como essas quantidades foram mudaram ao longo do tempo, e também como aumentou a sabedoria com que você administra sua vida emocional.

A experiência ensina como se pode integrar harmoniosamente corpo e alma, espírito e carne, céu e terra.

A vida moderna tem colocado grande quantidade de pressões sobre o casal e, na verdade, também sobre todos os vínculos humanos que não têm por objetivo a busca de dinheiro e bens materiais.

O casal ressurge hoje mais forte diante desses desafios, expressando o gradual, mas irreversível amadurecimento da alma humana. Como escreveu um dos mestres de sabedoria que participaram da fundação do movimento teosófico moderno, "a pureza do amor terreno purifica e prepara para a realização do Amor Divino". O mesmo mestre afirmou em outra ocasião: "Onde um amor verdadeiramente espiritual busca consolidar-se através de uma união pura e permanente de duas pessoas, no sentido terreno, não há pecado nem crime aos olhos do grande Ain Soph (o grande princípio universal), pois esta é somente a repetição divina dos princípios masculino e feminino, isto é, o reflexo microcósmico da primeira condição da Criação. Diante de uma tal união, os anjos bem poderão sorrir!" Este é o casal do futuro.

O casal do futuro se conjugará pela aliança atma, que é o nosso eu ou princípio supremo e universal, que com ajuda de um amor puro dá um sentido poderoso e criativo às nossas vidas individuais. Atma vê tudo o que há como uma só coisa inseparável.

Aí pode ser que masculino e feminino já não existam mais. Ou sejam uma coisa só.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

1437-Cônjuges


Cadê o amor?

Você vem lendo (espero que gostando) e percebe que pelos séculos, milênios, os casamentos existem e dificilmente as uniões se davam por amor. Tinha sempre outros objetivos obscurecendo o amor.

O próximo estágio desta escalada que fazemos é a do Amor-Kairós, palavra grega que significa experiência. Pois, o ser humano fez tanta pompa para os casamentos na igreja, no clube, com luxo e requinte, porém nem sempre por amor, que um dia a noiva emancipada, egressa das comunidades do interior, onde é maior a tradição, jogou tudo pro alto e pensou: vou escolher o meu amor e nem quero papel passado. O homem que também estava cansado de deixar a mulher em casa e ir encontrar-se com a amante, adorou a ideia de ter uma parceira sem aquele compromisso fiscalizado pela sociedade. Nasceu o casamento aberto.

Queiram ou não, Kairós é uma união por amor. Pode não durar, pois se tratar de uma experiência, isto é, um namoro em que os namorados moram na mesma casa e dormem na mesma cama, mas é uma forma de amor que chega perto daquele do próximo estágio, o Amor-Ágape.

Ágape é uma forma de amor posterior aos fenômenos da posse, do prazer carnal, da paixão e da resignação encontrados em posse, pornéia, eros e philos. Ágape é o amor muito próximo da incondicionalidade. Uma forma um tanto rara de amar. É voltar-se ao outro, aos outros. É um ato de dar sem representar sacrifício, como uma escolha voluntária do coração. Não é amor exclusivo, mas é um relacionamento único. Mães e pais, avôs e avós, cônjuges, pessoas que se doam continuamente podem viver ágape e sentirem-se realizados, muitas vezes minimizadas as formas posse, porneia, philos, mas sem desprezar eros e kairós. É aquele amor que resume: “você não me serve pra nada, mas eu te amo”.

Contudo, agora, no alvorecer desse novo estágio, é preciso entender que a sociedade pronta para o Amor-Ágape é a mesma que condena a destruição ambiental, que se compadece das filas nos hospitais, que tem vergonha da miséria humana. Esse é um amor visto como princípio de sentido para a vida e a razão pela qual o ser humano está debaixo do Sol.


Ele também pode estar no amor de manas, a inteligência espiritual, a mente superior que pertence ao eu imortal de cada ser humano. Acima dela está buddhi, a intuição que nos permite perceber em um relance e sem palavras ou pensamentos a necessidade e o sentimento do outro. Essa intuição é também um amor altruísta, incondicional e terno pela alma do outro.

Pode até haver – como de fato há - um estágio mais alto que Ágape, mas a escalada vai ficar um pouco mais estacionada aqui porque nós estamos tratando da questão cônjuges. E a maioria da humanidade não pode conhecer, ainda, o Amor-Ágape.

Então, voltemos aos cônjuges.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

1436-Cônjuges


Estágios para o amor

Existem muitos estudos sobre as formas de amor. O filósofo André Comte-Sponville arranjou uma grade que foi enriquecida por mim quase no mesmo caminho, mas rebuscando um pouco mais. Assim o amor tem na Posse o seu estágio inferior e ainda num plano inferior chega à Pornéia – estágio do prazer carnal – e avança um pouquinho mais para chegar a Eros, já como uma espécie de Paixão, por vezes exacerbada e causa até de desregramentos quando o passional se torna capaz de matar por ciúme. Veja, já estamos no terceiro estágio e ainda não encontramos o Amor-Amor. Até aqui ele coube no bolso, na genitália, no subconsciente (até doentio), mas não chegou ao coração, que é apontado como a sede do Amor.

Claro, os estágios se sucedem e é saudável que você, se não conhece a escala do Sponville, tenha o maior interesse em saber onde isso acaba. Calma, leitor. A humanidade à qual pertencemos ainda tem pruridos indeléveis do Amor-Posse; a Poneia ainda está no cinema, na televisão, na literatura barata. A Globo admite que quando suas novelas estão perdendo audiência é só arranjar umas cenas fortes de sexo que o Ibope vai lá pra cima. Escondemos o prazer do sexo por milênios, aprendemos que o prazer era pecado e parecia que não havia, mesmo, entre os casais, posto que era buscado mais pelos homens, mas também pelas mulheres, fora do casamento. Porneia se tornou uma busca, já ultrapassada por quem ama, mas o cinema, a literatura barata e a televisão não acompanharam a evolução do amor.

Nós iremos mais longe, com certeza. Mas, não dá para colocar certas coisas na frente das outras. Os casamentos por interesse começam no interesse e depois vão se ajustando, quem sabe para chegar ao Amor. Mas, em geral, nem no sexo dão certo, por sexo também é amor e não apenas prazer. Quando ele é apenas prazer se faz mercadoria. E mercadoria se compra ou se aluga.

A escalada combinada entre mim e o Sponville (claro que sem anuência do filósofo) segue em frente: o quarto estágio do amor é Philos, um amor dependente, centrado na segurança, no relacionamento certo, estável, calculista. Um amor mental, quase um negócio. Não é, de todo, mau, pois o amor no nível mental, abstrato, se mostra, por exemplo, também pela capacidade de sonhar, filosofar, admirar a arte e a poesia, ouvir música, caminhar em silêncio por lugares bonitos ou praticar meditação juntos. Ele só é inferior quando se apega ao outro de uma forma um tanto doentia.

O amor é também aquele tipo de afeto que está

além da forma externa e

torna o silêncio uma coisa gostosa.

Mas, a verdade é que o Amor-Amor, aquele que se define por si mesmo, ainda não chegou aqui na página. Vai ficar para as próximas postagens.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

1435-Cônjuges


Papéis conjugais

Finalizamos a postagem 1434 sinalizando uma busca pelo amor que não necessite de adjetivo para defini-lo. Esse amor a tudo o que há, deve surgir não só quando se está apaixonado, mas suficientemente profundo e permanente em afeto por alguém ou por algo - como uma causa ou ideal.
 

O ideal deve proporcionar aos casais a grandiosidade

de sentirem-se pais e mães de toda as formas mais jovens de vida,

e irmãs e irmãos de todos os demais seres humanos.

O amor ajuda a dissolver a noção árida e asfixiante de um eu pessoal separado do resto da vida. Para o psicólogo Viktor Frankl, o afeto está relacionado com a auto-transcendência, isto é, a transcendência dos pequenos interesses do eu inferior. Está claro que remete para o que já foi dito: quem pode dar do bom e do melhor se não os tem? Sempre que você der o que não está em si, é fraude.

Por um processo de irradiação natural, o casal altruísta deve ser capaz de construir ao seu redor um mundo melhor, assim como, no contraponto, um casal de egocêntricos tenderia a gerar sofrimento e confusão para si mesmo e para os outros.

Naturalmente, quem ama não deseja que o outro viva apenas para satisfazer suas necessidades pessoais de curto ou longo prazo. Ao contrário, cada um tem a responsabilidade de "construir" de certo modo o seu parceiro de acordo com o melhor potencial, talvez adormecido, que há dentro dele.

"O amor é o processo pelo qual eu levo delicadamente o ser amado ao encontro de si mesmo", disse o aviador e escritor Antoine de Saint-Exupéry, que também escreveu: “tu te tornas responsável por tudo aquilo que cativas”.

No casal, o homem é filho, pai, amigo, irmão e amante, não necessariamente nessa ordem. A mulher é filha, mãe, amiga, irmã e amante, também não necessariamente nesta ordem. Todos esses papéis - e muitos outros - são vividos constantemente. Devemos exercê-los de modo tão consciente quanto possível. Um bom exercício de diálogo seria dizer, um ao outro, como se pensa que esses papéis estão distribuídos, e como se gostaria que eles fossem exercidos. Então se descobrirá que uma mulher pode estar cansada de ser "mãe de família" como tem sido e gostaria de ser mais "amante"; ou que o homem está cansado de disputas de poder como se os dois fossem atletas que disputam para ver quem é mais poderoso, mais inteligente ou veloz.

Além de cumprirmos simultaneamente diferentes papéis em nossos namoros e casamentos, o amor é um processo que não funciona do mesmo modo nos diversos níveis e dimensões da nossa consciência. Há o amor físico que vai muito além do ato sexual e inclui também a carícia, a proximidade, a ternura, a ajuda mútua, o prazer de estar por perto. Há o amor emocional, que inclui não só a atração, mas a admiração, o querer bem o outro, alegrar-se com a felicidade dele e entristecer-se com o seu sofrimento.

Ao lado disso, no plano mental concreto, o amor se mostra pela sinceridade, pela capacidade de pensar juntos e construtivamente as coisas práticas da vida, pelo hábito de se dizer o que se pensa e pensar bem o que se diz. O amor no plano mental concreto inclui definir metas de vida e planos de trabalho em comum.

terça-feira, 27 de maio de 2014

1434-Cônjuges


 
Reciprocidade

Esta série é um tanto petulante e quer avançar por territórios nunca antes tão acessíveis. Quem tem a informação não distribui e quem precisa da informação não sabe buscá-la. Ficamos, muitas vezes, entrincheirados em nossa redoma, jogando pedras na redoma de lá, sem disposição e capacidade para ver se é só pedras que se pode trocar. Não é agredindo que se conhece o amor. Isso vale também para os exageros da parada gay.

Há uma linha de pesquisa que assegura ser diferente, melhor, imensamente mais realizador o sexo entre sexos diferentes e ainda mais, quando realizado com interação energética. Aí vai se encaixando o que a série quer apontar como conjugação.

Talvez seja errado pensar que o amor, em si mesmo, produz felicidade. Na verdade, o amor produz altruísmo. A prática do altruísmo é que produz felicidade. Em quaisquer relações humanas, quando cada um se preocupa com a satisfação das necessidades do outro, há plenitude e bem-estar. Por outro lado, a ausência de amor e de solidariedade é uma desgraça porque torna as pessoas egoístas. E o egoísmo produz infelicidade.

Essa é a lei que opera em todos os níveis de consciência, do mais alto ao mais baixo. Por isso, por exemplo, o homem sexualmente maduro encontra prazer, sobretudo, em dar prazer à mulher amada. E o fato se torna recíproco.

O indivíduo humano mais feliz não é aquele mais

amado e sim o que mais ama.

Esta frase em destaque talvez já tenha sido dita ou cantada, parece, inclusive, por Roberto Carlos em uma de suas canções, mas ela vem aqui como uma colaboração para dizer que infelicidade, por seu lado, consiste em não ter prazer pra dar prazer ao outro.

Vai, evidentemente no rumo da profundidade das relações e bate forte naquilo que um busca no outro o que não encontra em si mesmo, talvez como explicação lógica do que mais se vê em nossos horizontes conjugais hetero e homo.

Que se danem os estupradores de todas as laias, mesmo aqueles que estão casados ou amasiados com suas vítimas.

Todos sabem que o amor dá sentido à vida, mas deve haver algo que sustente o amor. O que é que sustenta o amor e faz com que ele viva para sempre? Em geral, o afeto não pode durar se não há talento, criatividade, inteligência emocional e, sobretudo, percepção da unidade da vida. Esse último item é um ponto sutilmente decisivo. O amor não deve ser um ato solitário a dois, algo a ser defendido contra um mundo externo considerado mau e hostil. Se quisermos recuperar o casal humano como processo vivo e transformá-lo na base de uma nova civilização fraterna e saudável, será necessário resgatar o amor altruísta por toda a vida, em toda a natureza e mais ainda entre os seres humanos, fechando nos dois que se conjugam.

O amor que acaba no cartório, no cemitério ou nem chega até ali, nunca foi e nunca será amor. Continuaremos a buscar o amor sem adjetivo.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

1433-Cônjuges


Huarochirí

Creio que esta palavra quéchua – língua falada pelos incas - seja pronunciada como “huaroquirí”. Ela narra a interação entre masculino e feminino não como fonte de vida apenas no reino humano, mas ocorre também em dimensões cósmicas e nos processos do mundo natural. Cada relação entre macho e fêmea é um resumo microcósmico da relação gigantesca entre as forças vitais expansivas e receptivas da natureza.

O manuscrito Huarochirí, da tradição andina, ensina que Chaupi Ñamca, a suprema divindade feminina, é o espírito do vale e das terras baixas (onde há produção), enquanto Paria Caca, a divindade masculina, é a montanha, que aponta para o infinito. A mulher recebe o homem como o vale recebe a água que desce. O macho, a montanha, irriga a terra do vale para que ela dê frutos e vida.

Há correspondências perfeitas entre o céu e a terra ou o cósmico e o individual. A sensação de êxtase presente no amor humano surge da percepção não cerebral e da sintonia ou alinhamento do afeto terrestre com o amor maior que move o universo. O feminino é estável e abriga a vida dentro de si; o masculino é transcendente, às vezes imprevisível como as tempestades do céu.

A parte mergulha no todo oceânico de onde um dia surgiu e

esquece de si no êxtase decorrente.
      
O masculino necessita descarregar amorosamente sobre a terra o excesso de suas energias acumuladas. Assim se dá a fecundação. Assim se dá a irrigação. Os arquétipos mais profundos do masculino e do feminino têm sua vida dinâmica no cosmos. Mulheres e homens abertos à dimensão espiritual da vida devem manter contato consciente com essas fontes de inspiração eterna. Cada homem e cada mulher contêm dentro de si os dois pólos do universo em equilíbrio dinâmico, e as formas de combinação das polaridades evoluem o tempo todo. A diferença entre macho e fêmea é apenas de predominância relativa. No homem, a polaridade expansiva é mais forte. Na mulher, é a receptiva.

Tudo no universo é eletromagnético - inclusive a evolução das galáxias, a vida das borboletas, a formação da chuva na atmosfera, as batidas de um coração, o funcionamento do Sistema Solar e os impulsos entre neurônios de um cérebro humano. O fluxo da vida se dá por processos elétricos e magnéticos de transmissão de vontades definidas em torno de polaridades expansivas e receptivas, positivas e negativas, masculina e feminina, quente e fria, ou yang e yin como ensina a tradição chinesa. A chave do bem-estar consiste em harmonizar essas correntes elétricas.

De volta ao que já foi aludido na Introdução, os caminhos normais da vida passam pela polaridade (masculina/feminina) que aprendemos ver no homem e na mulher e, mesmo sem negar que alguns deles possam constituir-se por um exagero energético de um polo mais que do outro – o que não nega, mas compreende a possibilidade da homossexualidade -, então explicada sob o ângulo da energia pessoal, é certo que as uniões homoafetivas não se conjugarão e não gerarão filhos. Não é cósmico. Não é físico. Não é biológico. O que não quer dizer, aqui, ser algo condenável. Nela pode existir o amor. Certamente existe amor nela. Quem sabe uma dimensão do amor que o cosmos esteja querendo no mostrar.

domingo, 25 de maio de 2014

1432-Cônjuges


O casal cósmico
 
Uma frase, que encontrei nas minhas buscas de pesquisador, cativou-me sobremaneira e faço questão de destacá-la aqui.
 
Quando compreendermos o caráter sagrado do amor que envolve um casal ¾ centro e fonte de toda a civilização ¾-
a humanidade recuperará a felicidade primordial.
 
Não deve haver dúvida que o começo da humanidade, tenha se dado com um casal procriador em que a metáfora de Adão e Eva tenta explicar. Mas, aquilo é uma metáfora – como disse – e conta melhor a perda da dignidade humana perante Deus – ou por outra, conta o desafio humano para escapar da tutela divina e assumir, de fato, o livre arbítrio – pois, repetindo, o começo da humanidade teve como origem um casal heterossexual, é óbvio, evidente, lógico, teve um macho e uma fêmea a contribuírem com seus gametas para, na conjugação de X e Y, dessem origem ao terceiro ser. Quem sabe tenha sido gêmeo, mas foi assim que veio ao mundo o terceiro, o quarto, o milésimo, o bilionésimo ser. O computador ainda não faz sozinho este trabalho.
 
A frase destacada, porém, não faz alusão à prole e sim à felicidade. Logo, o casal do mesmo sexo também pode ser fonte de civilização e conquista de felicidade. A grande questão está no objetivo ou sentido da união. Se for para subir em cima de um carro de som, exibir o corpo, provocar escândalo, chocar as pessoas que não sentem e não procuram a mesma coisa, é lamentável, tanto quanto o é a televisão procurar o sucesso de audiência ensinando pornografia e erotismo. Veremos aí adiante os estágios pelos quais o amor passou, está passando, e a sua nobreza ainda está longe de ser atingida, mas já a sentimos em seus albores.
   
O casal – com ou sem procriação - é a fonte e o centro das civilizações. A sua procriação pode se dar na adoção. Embora às vezes seja desprezado por movimentos religiosos ingênuos, o casal resume em si todo o processo humano do nascimento à morte. Para saber como vai a saúde da sociedade, busca-se examinar como está o casal que forma a sua base.
 
A relação entre homem e mulher é tão grande quanto o imenso potencial humano para o bem, mas pode se tornar uma prisão quando há ignorância e injustiça. Ali encontramos o céu, a terra e - às vezes - o inferno. Nessa perigosa relação de amor convivem confiança e medo, dor inesperada e êxtase supremo, poder ditatorial e democracia ampla, individualismo e altruísmo, amor e ódio, ajuda mútua e competição. Quando for compreendido o caráter sagrado do amor entre um homem e uma mulher, a humanidade recuperará sua felicidade primordial, sim, com certeza.
 
Nas últimas décadas, o casal humano tirou sua camisa-de-força institucional e tornou-se mais leve e dinâmico, embora também tenha ficado mais frágil. A vantagem dessa flexibilidade é que ela nos permite romper o casal, sem traumas demasiado devastadores quando ele já não se sustenta.
 
Veja, nós viemos de sete mil anos ou mais de casamentos arranjados por conveniências em que o amor não participava do acerto. Homem e mulher pré-históricos se procuravam por atração – isso também é amor – copulavam por química e emoção e geravam filhos que eram recebidos na comunidade como mais um membro. Quando a sociedade se organizou em aldeias ou vilas, já com governo, propriedade privada, leis, sacerdotes a ditar regras, vieram os casamentos por interesse, que ainda estão vivos entre nós juntando príncipes e princesas por comodidade material, por convenção social, como preservação de tradição.
 
O contraponto é dado pelas uniões livres, sem papel passado e sem data para acabar. Não são como os casamentos religiosos que é a morte que rompe. Vale argumentar que não é a morte que rompe, ou por outra, a morte não rompe. Muda de dimensão sem alterar a finalidade maior do amor.
 
A tendência neste século e milênio é ir além disso. A tarefa do momento é construir casais psicologicamente flexíveis, isto é, capazes de aprender com rapidez, de modo que os erros do homem e da mulher sejam corrigidos enquanto são pequenos os erros, enquanto a sociedade não seja vítima do que faz, e a felicidade possa ser construída de modo mais eficaz e duradouro através da inteligência emocional, do altruísmo e da sensibilidade.
 
Na mesma linha de trabalho, diversas organizações sociais voltadas para a libertação da mulher vêm discutindo o chamado pós-feminismo. Depois de imensos progressos contra o chamado "machismo" patriarcal, setores ligados ao feminismo histórico vitorioso, parecem descobrir, afinal, que a mulher livre e feliz deve amar e ser amada, e que não pode haver vida inteligente sem uma boa parceria entre homens e mulheres. Essa tendência de pensamento ocorre em meio a fatos culturais e transformações sociais que estão recuperando o prestígio aparentemente perdido pelo casal durável e permitem antever o surgimento de uma nova família mais sólida e mais sábia.

sábado, 24 de maio de 2014

1431-Cônjuges


Introdução

Estamos abrindo uma nova série para falar da conjugação, do ato de acasalamento, com as vistas voltadas para o que nos sugere a natureza, em que tudo, tudo mesmo, com raríssimas exceções, se conjuga na base do masculino e feminino, do positivo e negativo, em que as forças cósmicas da criação tendem, evidentemente, para o centro, em que um anula o outro e em que dão origem aí, sim, ao que se chama conjugação.

Enquanto isso não acontece, nesse nosso caso, ambos continuam cônjuges, isto é, candidatos à conjugação, também chamada de androginia, como é explorado pelo saudoso cientista do amor, Carl Gustav Jung.

Mas, não pense o leitor, que esta série vai redundar o assunto pelos ângulos do machismo ou do feminismo, apenas, numa espécie de condenação velada aos casamentos homoafetivos, em que dois homens ou duas mulheres se encontram como amantes, sem chance de conjugação.

As uniões homoafetivas – que é o termo que procura retirar a conotação sexual – é um opção dos dois, uma realização dos dois, coisa que, apesar de um tanto estranha a partir do ponto de vista de toda a natureza, nos mostra que também a natureza não humana nos tem mostrado alguns raros casos de homossexualismo. A palavra é um tanto restrita para definir uma coisa mais ampla, pois o prefixo homo imprime ou sugere alguma coisa relativa ao homem e, no entanto, a mulher também tem procurado outra mulher para parceira de relação. A verdade é que homossexualidade, como já abordamos em outra série há alguns meses, abrange um gama de categorias ou estágios. Não voltaremos a este assunto, agora. Esta série é dedicada a tratar dos cônjuges e não ficará exclusivamente nas suas relações na sociedade, na sala, na cozinha, na sala de jantar, no banheiro, no quarto, na cama, como você verá.

Não se esqueça, leitor, que este blog é dedicado à Maioridade Espiritual. Logo, é óbvio, levaremos nossas reflexões também ao plano da espiritualidade. Quem sabe lá sejam encontradas as razões de o homem procurar outro homem e de a mulher procurar outra mulher para parceiro, parceira.

Não importa se você é viúvo, viúva, casado, casada, namorido, namorida, solteiro, solteira, jovem, adolescente ou alguém já bem avançado na idade, esta série não quer ensinar, nem criticar, nem apoiar nada, quer enfocar com ângulos de vista em pouco mais amplos e elevados para se contrapor ao besteirol que é posto à disposição dos consumidores da mídia deslumbrada.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

1430-Família, alicerce da humanidade


Um retrato de muitas famílias atuais

Escrevendo a “saia justa” de muitos terapeutas de família diante de certas famílias que temos na atualidade, a terapeuta Laurice Levy, em artigo para a Internet chama a atenção para o grave momento em que vivemos. Ela diz:

Este artigo visa refletir com os colegas e principalmente alertar os novos alunos de terapia de família sobre as novas famílias que nos procuram na contemporaneidade nos deixando na maior perplexidade.

Sabemos que nas idas e vindas das teorias e terapias, o que tem de mais "in" em termos de terapia familiar é o enfoque construtivista/construcionista, do qual faço parte, indo na direção oposta da visão estratégica dos primórdios da Terapia de Família. O meu questionamento aqui seria como lidar com certas famílias onde aparentemente o nosso conhecimento e ideologia de uma co-construção se apresenta inócuo? A nossa postura atual é de uma não diretividade no setting terapêutico, da devolução da competência à própria família, da condução da terapia de família com um mínimo de influência do terapeuta (já que sabemos hoje o quanto a total neutralidade é impossível). Todavia, considerando que algumas famílias do século XXI nos confrontam com questões que ultrapassam o âmbito clínico e adentram em nossa condição de cidadãos, pergunto o que fazer nos casos que descreverei a seguir.

Todos sabem o quanto o mundo mudou. Todos sentem e vivem profundamente as transformações ocorridas em todos os contextos: social, político, financeiro cultural e evidentemente... familiar que é o que nos interessa aqui. Desde o final do século passado e inicio desse século nossos Congressos, Jornadas e Simpósios enfatizam os reflexos do momento socio-histórico atual que reverberam nas famílias que atendemos nos consultórios. Prova disso são os nomes desses eventos focando "As novas configurações familiares", "Novas formas de conjugalidade", "Novas famílias", etc., etc. entre muitos outros títulos que representam bem a preocupação com os desafios com que nos deparamos diariamente na clínica, no dia a dia.

Sem dúvida, a contemporaneidade encontra-se em um movimento acelerado, rodando a uma velocidade vertiginosa arrastando tudo e todos em seus ditames, regras e normas. Sim, porque o que quero compartilhar aqui é a minha impressão, através dos casos que têm surgido na minha clinica, que de uma forma ou de outra, estamos assistindo a novas "palavras de ordem", e porque não dizer a uma "nova normalidade". Entretanto, há muito pouco tempo atrás, afirmava-se como Lyotard, que a pós-modernidade era a era do instável, do contraditório, do paradoxal. Ele nos lembra Nietzsche que mesmo em sua época, sob a égide do pensamento racionalista, linear, reducionista, da objetividade e da neutralidade, já ia no caminho inverso do paradigma cartesiano (e apolíneo) defendendo uma vida que deveria fluir sem rotinas, enraizada no presente e aberta ao devir.

Mas por que estou falando disso? Porque acredito que enquanto terapeutas familiares sabemos o quanto essa "nova normalidade" muitas vezes se choca frontalmente com nossa visão de mundo (weltanchaaung) e, portanto nos coloca em uma posição de perplexidade. Perplexidade por perceber que Tanatos (instinto de morte) muitas vezes vence Eros (instinto de vida). O que são nossos políticos corruptos senão isso? Quando a força destrutiva é mais poderosa, constante, contínua, "normal" e comum que a energia construtiva? Daí meu questionamento: como lidar com nossa atual, embasada e democrática epistemologia construtivista frente a situações tidas como "normais" pela família, mas que apontam indubitavelmente para o caminho da destruição e da morte? Porque se nosso momento atual trouxe inúmeras satisfações e possibilidade de flexibilidade, co-construção, respeito pelas diferenças e ausência de preconceitos, ele acarreta também grandes preocupações.

Estou me referindo especificamente a algumas famílias que nos procuram hoje, e onde percebemos claramente que a falta de hierarquia, a falta de limites, a aparente "desrepressão" da sexualidade (onde tudo é permitido) apreendida e aprendida através dos órgãos de imprensa, dos filmes, das novelas e da "família", criam situações inusitadas e às vezes... de horror!

Hoje os marginais são os heróis dos jovens e adolescentes. O incesto, a drogadição, o sadismo e as perversões são banalizados e até mesmo estimulados através de anúncios em revistas e jornais. A frustração além de ser, como sempre soubemos, geradora de agressividade é usada como defesa inevitável. A síndrome de pânico é amplamente justificada. Jovens de menos de 15 anos usam camisetas com os dizeres "Vocês podem cuidar dos meus amigos, dos meus inimigos cuido eu" e divulgam um site chamado de "fúriajovem.com".

Dito isso, gostaria de indagar como tratar o mal de nosso tempo onde o caldo de cultura que nos cerca incita e convida aos crimes, à corrupção, à mentira como moeda corrente e banal que só não a usam os trouxas? Quando os valores estão completamente invertidos? Como tratar de filhos que dizem no consultório que vão matar seus pais (com a maior naturalidade) porque os maltratam muito? Quando o adolescente afirma que é muito melhor ser bandido que polícia? Quando afirmam que mesmo matando sabem que existe a impunidade e que, se por acaso forem presos, um ano depois estarão em liberdade (como de fato aconteceu no caso sobejamente divulgado pela imprensa da adolescente Suzane Ritchofen).

Como tratar um planeta cuja segunda maior fonte de riqueza é com as drogas, sabendo que os fortes e poderosos se beneficiam desses ganhos cientes de onde vem o dinheiro? Poderia parecer uma luta inglória tratar alguém que vive em uma família desestruturada, num país desestruturado, em um mundo à beira da falência ética, moral, social e econômica.

Acredito, simplificando aqui e agora, que talvez seja delimitando nosso campo de atuação e aceitando o fato de que a terapia de família não é panaceia para todos os males (como nenhuma abordagem terapêutica é) que poderemos ser eficazes e produtivos. Sistemicamente sabemos que a família deve ter seus próprios recursos internos para poder se beneficiar daquilo que temos para oferecer. Se oferecermos um alimento que não é desejado, que não pode ser engolido, digerido, nem tampouco metabolizado ele não poderá se tornar fonte de energia e saúde.

Assim, lembrando de Hanna Arendt que falava da "banalização do mal", acredito que mesmo sendo construtivistas e respeitosos em relação ao modo de ser de qualquer família fica muito difícil achar natural tudo que ouvimos. Afirmações, como os adolescentes, de 12, 13, 14 ou 15 anos, e/ou suas famílias que "é natural" beber para relaxar, fumar, cheirar, se drogar para se divertir "pois todos fazem isso" e é, portanto "normal" podem nos levar a refletir e nos espantar frente a essa concepção de mundo.

Na minha opinião, infelizmente, para algumas famílias e seus filhos adolescentes essa é a nova regra e a nova ordem, camuflada por trás de uma enganosa liberação que pode levar a família a sua total desarticulação.

Por isso, para terminar só posso dizer que é preciso ter humildade e aceitar nossos próprios limites e impossibilidade de abarcar tudo que existe na contemporaneidade. Penso estar em boa companhia já que mesmo Freud nas "Novas Recomendações aos médicos que exercem a psicanálise" (1913) pediu para não transformarem a psicanálise em panaceia. Diz que não se deve aceitar todos os pacientes. Assim, se o grande ganho da pós-modernidade é a possibilidade de trabalhar em rede com equipes multidisciplinares que auxiliam nos casos mais graves, com aquelas famílias onde tudo "parece normal", penso que teríamos o direito de não tentar compreender tudo. Certa vez um jornalista perguntou a Freud como ele via o nazismo já que o mestre compreendia tudo.
Freud respondeu: "Tout comprendre ce n´est pas tout pardonner". Ou seja: não se pode compreender tudo e muito menos perdoar tudo por mais construtivistas ou construcionistas que sejamos, frente a atitudes que, claramente, vão contra a vida: a própria e a dos outros.
 
Fim desta série.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

1429-Família, alicerce da humanidade


Pensar pra que? Planejar pra que?

Quantos de nós possuímos um Plano Estratégico de Vida? Se falarmos em termos espirituais, pode anotar que todos o possuímos e inconscientemente ele se apresenta diante de nós constantemente, ainda que não o interpretemos. Se falarmos em termos intelectuais, muitos podem tê-lo, mas, é claro, não podemos generalizar. Muitos jovens, cedo em suas existências, decidem estudar isto para serem aquilo e estabelecerem-se com algo do ponto de vista empreendedor e realizam seu sonho profissional que, talvez, se relacione com a vocação, com a missão ou algo assim.

Mas, e aqueles que caem na corrente da vida como casquinhas de amendoim e se deixam levar pela correnteza sem nenhuma previdência?

São felizes? Parece que são até o dia em que tenham de prestar contas de sua missão no mundo, que não é um acaso, como não é acaso também a sua existência como seres humanos. Como fica? Não fica.

Em algum lugar, não sei onde, li, que não viemos aqui como turistas, para desfrutar, para driblar as dificuldades, bater algumas fotos e ir embora deixando o lixo para alguém recolher.

Pensando pela mente de Deus, se o projeto é ser feliz e adquirir a perfeição (como enfocamos atrás), deve incluir um trabalho, um tecido (social), uma trança (humana), uma construção que leve a alguma realização, a algum resultado ou proposta, que não seja zero. E mais, é possível que este projeto não seja pessoal, nem individual, que inclua um cônjuge, um ou mais filhos, um grupo familiar, um clã, quiçá uma civilização.

Fracassar e contribuir para o fracasso de outros pode ser muito pior do que se pode imaginar.

É evidente que a primeira e maior responsabilidade deve ser em relação ao próprio corpo, às próprias emoções, à própria mente e ao próprio espírito.

A coragem e a responsabilidade de fazer do nosso corpo, de nossas relações, de nossa mente e de nosso espírito instrumentos do bem e para o bem, cabe aí, pois, a missão número um: primeiramente temos que cuidar da vida que vibra em nós. Ela pede carinho e respeito. Esta vida viverá o máximo de tempo permitido por nossas células em condições de responder à vida: longa, média ou curta; se depender apenas do plano biológico é tarefa para cada um no plano do que se come, se bebe, se exercita, e tudo mais.

Se depender apenas do plano emocional, é tarefa para as nossas relações com os demais seres, a começar por aqueles que estão muito perto de nós, pais, cônjuges, filhos. Se depender da saúde da mente para que também o corpo seja saudável, vai depender daquilo que serve de alimento e realimento de nosso intelecto: tarefa também nossa.

E assim parece estarmos no limiar do processo psicológico que sempre estará muito mesclado a tudo mais que dissemos como tarefas nossas e de nossas escolhas.

O sucesso ou o fracasso de uma vida, de uma família e quiçá de um grupo de pessoas, sempre será resultado de como vivemos. Viver por muito tempo nem sempre é sucesso, porque a idade acaba limitando as pessoas e transferindo para terceiros os cuidados que nem sempre os velhos têm da própria família. Isso é infelicidade.

Viver o bastante para amar e ser amado, para legar riquezas com valor eterno, se deve a um senhor projeto de vida.

Matar em nome "de um amor", justificar-se atingido pela incompreensão dos outros, exercer o ciúme, a inveja, a desconfiança, cultivar a agressão é a pior marca que o ser humano pode deixar nele mesmo e nos outros.

Seja qual for a razão pela qual ganhamos uma experiência para ser vivida no corpo biológico, isso não pode ser creditado ao acaso. Não existe efeito sem causa. Saber exatamente por que estamos aqui e nestas circunstâncias, por enquanto, por culpa nossa ao longo dos séculos, se torna um pouco difícil. Abandonamos as buscas que poderiam nos levar até lá. Estamos correndo atrás do prejuízo.

O certo é que seja qual for a coisa que estejamos fazendo, ela pode estar completamente dentro da missão divina ou completamente fora dela. A sensação de dever cumprido ou o incômodo íntimo por conta disso, podem indicar onde está a verdade.

Ainda voltaremos a este tema em nossas andanças futuras.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

1428-Família, alicerce da humanidade


A proposta de Deus

Se pararmos, um pouco para refletir como funciona nosso organismo, concluiremos que a perfeição biológica nos é dada ao nascer. Só não continuará assim se o uso intenso e mal feito dos órgãos nos levar para a morte geralmente muito antes do que seria normal.

O que passa pela mente do fumante, do drogado, do alcoólatra, daquele que se alimenta absurdamente errado? O que passa pela mente do ocioso, aplastado, preguiçoso que não tira o bumbum da poltrona?

O desempenho de cada órgão, de cada detalhe que faz parte do nosso corpo nunca seria deficiente se não os obrigássemos a trabalhar sob as mais duras e cruéis condições.

Cada sistema de nosso corpo cumpre, religiosamente, as suas funções contribuindo para que continuemos vivos, mas é obrigado e dar de si muito acima de suas possibilidades dado o nosso modo perverso de lidar com eles.

E isso já se torna um problema genético porque recebemos e repassamos esses legados repassados hereditariamente. E já que estamos lidando com a instituição família: são também os genes comprometidos que nos vem e que repassaremos aos nossos filhos e netos.

Viver plenamente, não destruir o que ganhamos como tarefa para cuidar. Viver bem, segundo a proposta do Autor da Vida, inclui ser feliz e gostar do nosso corpo, cuidando-o e respeitando-o, para que ele esteja sempre apto a desempenhar a sua missão, para existirmos pelo tempo a que estiver determinado, cumprindo coisas que aqui viemos fazer e que merecerão análise numa próxima postagem. São, ao que parece, indicativos de como se pode ser estável, manter uma família estável e evitar tantas confusões em delegacias de polícia, hospitais, fóruns e outras arenas aonde costumamos botar banca.

terça-feira, 20 de maio de 2014

1427-Família, alicerce da humanidade


Espelho, espelho meu...

Terminamos a postagem anterior (1426), avaliando que maioria de nós, hoje em dia, não tem sequer tempo para meditar sobre vida e, diante de um espelho, ao pentear-se, barbear-se ou maquiar-se, todos os dias, ao se achar bonita, bonito, perfeita, perfeito, não raciocinamos com o íntimo, e sim com a casca exterior. Menos mal que haja uma dose de narcisismo, porque, na verdade, debaixo do sol, são aos milhares aqueles que se detestam, sentem gordos, magros, altos, baixos, sem atrativos e por isso cultivam hábitos depressivos, caem no alcoolismo, nas drogas lícitas e ilícitas.

Quando foi lançado o programa que mandava correr pelas ruas (Dr. Cooper) e mais tarde evoluímos para as academias de trabalhos físicos, deu-se abertura para os corpos modelados que hoje desfilam pelas ruas e passarelas. São homens e mulheres que se olham no espelho e têm orgulho de si, querem ainda mais. No interior desse mesmo novo hábito veio o regime alimentar, os alimentos orgânicos e...

Bem, muita gente que nunca tinha ouvido falar em práticas espirituais, acabou por descobrir que estar bem não é só um corpo malhado, um rosto atraente, um peito saliente, um bumbum empinado.

Veja como são as coisas... Muita gente foi aprender a meditar, entrar em sintonia com o cosmos, chegar mais perto das frequências que nos tornam melhores para nós e para os outros. Atrás disso vieram as relações humanas de melhor qualidade, os namoros com algo mais que atração física, geração de filhos com sintonia em matrizes de maior qualidade espiritual.

Como resultado, virão filhos gerados com amor e responsabilidade.

Cada uma dessas pessoas que hoje saem às praças com seu cachorrinho pela coleira, amanhã poderão estar levando consigo uma criança adotada. Por que não? Se há necessidade de um cãozinho ou gatinho para preencher vazios existenciais e se há recursos financeiros para custear o nada barato de sua manutenção, por que não caberia ali um ser humano enviado de Deus por conta do mais puro amor?

Espelho, espelho, diga para mais alguém do que apenas pra eu, se há no mundo alguém tão especial quanto eu: não sou apenas bonita por fora, sou linda por dentro também.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

1426-Família, alicerce da humanidade


O que é a família

Não se pode iniciar uma abordagem séria sobre a família sem ressaltar indelevelmente que ela é uma obra de Deus. Isso não se reporta apenas aos textos da Gênese. Olhe para a natureza: não haveria qualquer população seja ela vegetal, entômica ou animal, sem a presença do macho e da fêmea e, na sequência, notadamente entre os mamíferos, onde a procriação não acaba com o coito e a parição subsequente, mas se estende pelas atenções maternais.

Por causa disso, o ser humano é gregário e não sobrevive se não houver quem cuide dele até a adolescência, no mínimo, o que decorre, em tempo, 25% da vida. Vê-se aí que dentre os mamíferos animais não há isso; só entre os mamíferos humanos. Algo está sendo transmitido ao mais inteligente dos mamíferos: “não se ufane, você precisa da família e, na falta dela, da comunidade; e na falta dela, do Estado”. Conclui-se que onde não haja família, nem comunidade e nem Estado para assumir as crianças, estaremos inviáveis como espécie.

Nas antigas tribos em regime da casa grande (moradia comunitária) todos os mais jovens eram filhos de todos os mais velhos e todos cuidavam de todos. Era diferente de hoje. A partir das aldeias precursores das vilas e dos centros urbanos, cada grupo familiar foi habitar uma choça, um casebre, uma casa, e a família (do mesmo sangue) passou a ser a raiz de tudo quanto veio depois, relativamente ao ser humano: manutenção, educação, moral, cultura, civilização, ética, construção da história da humanidade.

Hoje, como disse atrás, vivemos dias difíceis para a família. Há pais e mães que geram muitos filhos e não os assumem ou não têm condições para tanto, há casais que não querem filhos, há famílias que valorizam mais os animaizinhos do que as crianças e por aí vamos...

Há famílias que descartam seus velhos como coisa vencida. Há casamentos homoafetivos que não gerarão filhos. Sem contar o caso dos moradores de rua, drogados, que perambulam por aí sem eira nem beira apenas em busca da próxima dose. E ainda assim geram filhos. O que será deles? Ninguém pergunta, ninguém responde.

E assim, a humanidade irá, por um lado, reduzindo-se, por outro, perdendo qualidade.

Vivemos momentos até intransponíveis no seio de um crescente número estatístico de famílias. Quantas famílias cultivam a responsabilidade, o amor, a hierarquia, a disciplina e repassam valores de longo prazo? Quantas famílias cultivam atitudes de amor, de carinho, de respeito? Quantas são indiferentes, ensinam a raiva e até o ódio, em muitos casos?

O relacionamento esposo/esposa está, cada vez mais, esquecido dentro das relações entre cônjuges.

Qual é a razão de ser do ser humano?

Praticamente 100% ao responder, dirá que “a razão de ser é ser feliz”. Mas praticamente o mesmo número nada faz deliberadamente para isso.  Pensando com a mente de Deus, supomos que o ser humano é um projeto que deve colimar-se na felicidade e não apenas do indivíduo, mas de toda a humanidade.

Então, o que se vê?: em busca da felicidade este estúpido ser trabalha a infidelidade, a traição, a discórdia, a posse, o orgulho, a vaidade, o egoísmo em quase 100% dos momentos vividos a dois, a três, a quatro... No seio familiar, na rua, na empresa, no clube, na igreja, faz o que? Mete os pés no lugar das mãos. O que saiu errado conosco?

A autoestima é consumida aos poucos dentro das discussões e desentendimentos, quedas de braço, teimosias burras que mascaram, totalmente, a possibilidade de concórdia nas relações entre cônjuges, parentes, colegas, vizinhos e amores.

Pensando mais uma vez com a mente de Deus supomos que o projeto do ser humano é a busca da perfeição. E mais uma vez somos obrigados a raciocinar que um elevado percentual de pessoas não cultiva a perfeição e sim o uso dos recursos disponíveis em rota de destruição.

Muitos, maioria de nós, hoje em dia, não temos sequer tempo para meditar sobre vida e, diante de um espelho, ao pentear-se, barbear-se ou maquiar-se, todos os dias, ao se achar bonita, bonito, perfeita, perfeito, não raciocinamos com o íntimo, e sim com a casca exterior.

domingo, 18 de maio de 2014

1425-Família, alicerce da humanidade


Introdução

Que pena, não se dá à família a merecida atenção e o merecido valor. Eu acho. Acho, não, tenho certeza. Acabou sendo uma instituição em crise e carrega para a crise aqueles que mais delas necessitam para sobreviver e serem felizes: os últimos e mais numerosamente nascidos.

Por não receber atenção e valor, hoje, há mais gente defendendo a sua falência do que defendendo sua manutenção. Concordo plenamente que houve falhas antigas quanto à família, quando se estruturava sem amor, por interesse. E que apesar da ausência do amor, acabou ela, graças às responsabilidades paternais e maternais, oferecendo um lar, uma base de valores e um elenco de oportunidades aos filhos.

Ainda somos muito jovens com essa mania das uniões abertas ou estáveis para medir, lá na frente, os seus efeitos. Mas, de uma coisa estejamos certos: a união se dá por atração mútua. Tomara que por amor. O que será dos filhos ainda é cedo para vaticinar.

Vamos deixando claro, por outro lado, que nada há de tradicionalismo ou conservadorismo quando defendemos a instituição familiar e compreendemos muito bem que muitas famílias não poderiam ser apresentadas como modelo de família. Talvez, justamente, por sua influência, a outra extremidade se faça tão prestigiada ao propor sua extinção.

No Brasil, hoje, a grande tragédia se abate em duas classes sociais: a muito pobre, cujo pai de família já desertou e a mãe trabalha 12 ou 14 horas para manter o que ela chama de família (sem marido), enquanto seus filhos nem sempre estudam e quase sempre se criam nas ruas sendo vítimas de aproveitadores que levam as meninas para a prostituição e os meninos para o crime; a outra classe, a muito rica, onde nada falta e nem mesmo as extravagâncias consumistas, incluindo drogas, prática que vai financiar o tráfico pesado com repercussão, justamente, no aliciamento de menores pobres para a distribuição do produto maldito com menor risco de imputabilidade.

É para discutir um pouco o papel da família que estamos iniciando esta série. Esperamos seus acessos, leituras e opiniões.