quinta-feira, 1 de maio de 2014

1408-A Pedra Filosofal


Em busca da Grande Obra

A Pedra Filosofal ofereceu provas irrefutáveis de sua existência, fato que tem sido demonstrado por inúmeras vezes e geralmente com a história nas mãos.

O que é necessário, leitor fiel, é acreditar no poder de criação pela energia bem dirigida. É risível ao cético leitor, risível e monótono conhecer o relato das legendas de velhos alquimistas usando sua vida e dilapidando sua fortuna na procura da Grande Obra. O ser humano é isso. Moisés veio da montanha com uma dezena de éditos divinos começados pela palavra “não”. O ser humano iniciou-se como alguém negado perante a espiritualidade superior. No tempo de Moisés não tinha condições de ouvir e respeitar uma regra construtiva. E seus tutores esforçavam por proibirem-lhe a obra destrutiva, que ele sabia fazer.

Veremos adiante a catarse de Adão em busca de sua recuperação. A história da Serpente, no Éden, é metáfora de coisas horríveis aprontadas pelos homens de uma raça chamada adâmica, em que Adão e Eva são sínteses.

Não temos toda a informação. As estruturas religiosas cuidaram para que os segredos se mantivessem ocultos dentro dos templos e mosteiros.

Não se trata de brilhantes quimeras. No fundo de tudo isso, oculta-se um reverberante raio de verdade e os dez mil volumes que tratam dessas matérias não constituem obra de malabaristas indignos ou de impudentes falsários. Heinrich Khunrath (o mais brilhante filósofo hermético alemão e um dos últimos alquimistas) também não era. E contribui para esta série.

Os livros de alquimia e outros que falam verdades que sabemos pela metade, são escritos de tal forma, que podereis, de maneira mais fácil, dar-vos conta de todos os fenômenos que se sucedem na preparação da Pedra Filosofal, sem jamais chegardes, vós mesmos, a prepará-la.

A razão disto é bastante simples. Os mestres escondem o nome da matéria-prima necessária à obra e o meio de elaborar e de preparar esta matéria-prima pelo emprego do Fogo Filosófico ou Luz Astral humanizada. Ora, é indispensável dizer duas palavras acerca dos fenômenos que assinalam a preparação da Pedra Filosofal, sob pena de jamais se chegar à compreensão do que iremos explicar com referência à figura simbólica de Khunrath considerada alquimicamente.

Quando colocais os dois produtos, sobre cuja origem os alquimistas silenciam prudentemente, no ovo de vidro do athanor e fazeis agir o fogo secreto sobre esta mistura, diversos fenômenos muito interessantes surgem aos vossos olhos.

A matéria contida no athanor torna-se, de início, absolutamente negra. Ela parece putrefata e completamente perdida, mas é neste momento que o alquimista se rejubila, uma vez que reconhece, aí, o primeiro estágio da evolução da Grande Obra, estágio designado pelos nomes de Cabeça de Corvo e Caos, semelhante ao que houve após o Bing Bang.

Essa cor persiste durante vários dias ou várias horas, conforme a habilidade do artista, e, em seguida, quase sem transição, a matéria assume uma coloração branca muito cintilante. Esta cor indica que a combinação entre os dois produtos colocados no athanor está efetuada, a metade do trabalho realizada.

A esta cor branca seguem-se cores variadas, segundo uma progressão ascendente relacionada com o espectro solar (arco íris como exemplo), ou seja, começando pelo violeta para elevar-se, passando por uma diversidade de nuanças, ao vermelho púrpura, que indica o fim da Obra.

A esses fenômenos de coloração, estão ligados outros fatos puramente físicos: alternativas de volatilização e de fixação, de solidificação e de semiliquefação da matéria; fatos que levaram os alquimistas a comparar a criação da Pedra Filosofal pelo homem com a criação do Universo por Deus (fenomenalmente falando).

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