sexta-feira, 2 de maio de 2014

1409-A Pedra Filosofal


A quase Grande Obra
 
A grande lei da Ciência Oculta, a Analogia, dá a razão de ser de todas as deduções, mas sairíamos do esquema que traçamos se nos detivéssemos mais nesse ponto.

Guardemos simplesmente os três grandes estados por que passa a matéria: o negro, o branco, o vermelho, e, munidos desses dados, vamos à explicação de nossa imagem.

No primeiro relance, aparecem três grandes círculos, cada um deles subdivididos em três outros. O círculo inferior traz, ao centro, escrita em letras maiúsculas e em língua grega, a palavra (Caos).

O círculo médio deixa sobressair, sobretudo, a palavra REBIS.

Enfim, o círculo superior apresenta a palavra AZOTH.

Caos, Rebis, Azoth são, portanto, os três termos que nos darão o sentido geral de nossa figura.

CAOS (1° Círculo)

O círculo inferior indica a criação da Matéria-prima e nos mostra a imagem do Universo. Ele simboliza particularmente a COR NEGRA da obra, ou a Cabeça de Corvo, um nevoeiro negro onde nada está organizado.

Não nos cabe entrar em todos os detalhes da preparação, revelados pelas palavras contidas no círculo; mostremos simplesmente a verdade de nossa explicação através de um excerto do Dicionário mitohermético de Pernety:

"Desenvolvendo-se este caos pela volatização, este abismo de vapor e água deixa ver pouco a pouco a terra, à medida que a unidade se sublima no alto do vaso. Eis porque os químicos herméticos acreditaram que pudessem comparar sua obra, ou o que se passa durante as operações, com o desenvolvimento do Universo quando da criação" (Pernety).

REBIS (2° Círculo)

O segundo círculo apresenta-nos a figura misteriosa do Andrógino hermético (o Sol e a Lua). Nosso sábio irmão Guaita exporá o sentido cabalístico dessa importante figura. Quanto a nós, basta que digamos que ela exprime alquimicamente a COR BRANCA da obra, resultante da união dos dois princípios, positivo e negativo. Faça-se a luz.

O adágio Etiam Mundus Renovabitur Igne, que corresponde ao famoso Igne Natura Renovatur Integra INRI, da Franco-Maçonaria Oculta, indica que é nesse momento que começa a aplicação do fogo filosófico sobre a matéria. O quadrado dos elementos (Ignis, Aqua, Terra, Aer), compreendendo o triângulo da constituição de todo ser (Anima, Spiritus, Corpus), indica a teoria do 2° grau da Obra.

O triângulo Separa, Dissolve, Depura, dominado pelo quaternário Solve, Fige, Coagula, Compone, indica a prática deste segundo grau da obra hermética. Enfim, todas essas operações redundam na criação de uma única e mesma coisa, REBIS, conforme define Pernety:

"O espírito mineral, crescendo como que da água, diz o bom Trévisan, mistura-se com seu corpo, na primeira decocção, dissolvendo-o. Eis porque se dá a ele o nome de REBIS, pois é feito de duas coisas, a saber, do macho e da fêmea, isto é, do dissolvente e do corpo dissolúvel, embora no fundo se trate de uma mesma coisa e de uma mesma matéria" (Pernety).

AZOTH (3° Círculo)

É a fênix alquímica que simboliza o terceiro círculo. O Fogo astral com todos os seus mistérios é claramente indicado nesta maravilhosa figura. As penas de pavão simbolizam as cores variadas que toma a matéria sob a influência deste fogo filosófico que chamusca sem arder, este fogo úmido e sutil representado pelas asas da Fênix. De resto, o vocábulo Azoth, indica por si mesmo, o sentido de toda a imagem.

"Azoth, segundo Planiscampi, significa meio de união, de conservação ou medicina universal. Observa também que o termo Azoth deve ser visto como o princípio e o fim de todo corpo e que encerra todas as propriedades cabalísticas, já que contém a primeira e a última letra das três línguas mães, o Aleph e o Thau dos hebreus, o Alpha e o Ômega dos gregos, o A e o Z dos latinos" (Pernety).

ELOIM

Acima desses três círculos, resplandece no triângulo místico o nome sagrado ELE-OS-DEUSES, Eloim, símbolo da Pedra Filosofal perfeita. Entramos aqui, inteiramente, no domínio da cabala. Assim, julgamos conveniente limitar aqui esta exposição já longa demais que o leitor mesmo poderá desenvolver a seu modo.

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