sábado, 3 de maio de 2014

1410-A Pedra Filosofal


Para chegar ao Homem

Talvez você devesse reler os quatro capítulos anteriores desta série para poder embarcar nesta próxima análise perfeitamente cônscio do que se falou atrás.

PAPUS

Acrescentaremos pouca coisa a esta explicação hermética, tão ampla quanto precisa. Nós nos limitaremos a esboçar, em linhas o mais concisas possível, os dois sentidos cabalísticos da figura central.


O ANDRÓGlNO constitui a mais cativante imagem do Reino Hominal reconduzido ao seu princípio inteligível. Trata-se, em linguagem puramente hieroglífica, do símbolo absoluto do Ser Virtual que se exterioriza por meio daquilo que Fabre d'Olivet denomina "faculdade volitiva eficiente"; - do Ser Universal que se particulariza por sua submultiplicação indefinida através do espaço e do tempo; - do Ser Espiritual, enfim, que se corporifica e cai na matéria, por haver pretendido tornar-se centro e por se ter afastado da Unidade Divina, princípio central e fonte essencial de toda espiritualidade.

Segundo Moisés, esotericamente interpretado, são as seguintes as etapas da queda; o Universal Adão FI} desdobra Aishah UV} ; desde então, ele próprio torna-se Aish VY} ; é o Intelecto Potencial do homem que se Realiza desenvolvendo a Vontade. Porém, o mau emprego dessa vontade faz com que ambos, homem e mulher, Intelecto e Vontade, caiam no mundo elementar: Aishah metamorfoseia-se em HEVAH UYU, a Vida Materializada, de que Adão se converte em esposo.

Para entender a explicação que demos sobre Hevah ou Heve UYU. Para não complicar mais ainda a nota, já bastante extensa, a respeito de I-eve e de Adam-eve, deixaremos de assinalar a conversão em U Heth do primeiro U He de UYU (Hevah), que se torna UYR (Havah). Esse endurecimento da vogal inicial marca hieroglificamente a queda de Adão e sua consequência: a materialização, nele, da vida universal.

Ora, o Andrógino de Khunrath representa Adam-Eve ou o Homem Universal destroçado na matéria e naufragado no devir. Isso é expresso pelo globo elementar de Hilé (gLH) que o Andrógino sustenta em suas mãos. Nesse globo acha-se inscrito o quadrado dos elementos (Água, Terra, Ar e Fogo), e no quadrado, por sua vez, o triângulo adâmico: corpo, alma, espírito.

Este esquema geométrico equivale e corresponde estritamente ao hieróglifo que os alquimistas usam como emblema da obra hermética realizada, da pedra filosofal obtida. A Grande Obra consiste, com efeito, em comprimir o Espírito (simbolizado pelo triângulo) sob a pressão da matéria (simbolizada pela cruz dos 4 elementos). O enxofre dos alquimistas, pelo contrário, é a Matéria dominada pelo Espírito. Também os adeptos, que são lógicos, exprimem-no pelo mesmo signo invertido.

Para voltar ao triângulo aprisionado por um quadrado inscrito em um círculo, seria possível representar melhor a decadência do homem, encarcerado entre as quatro paredes de sua masmorra sinistra?...

Passando do geral para o particular, os iniciados porventura não o entreverão, neste ternário vivo que comprime e retém cativo o quaternário dos elementos, o emblema de um temível arcano?

Não lhes virá à mente a alma adâmica individual, primeiramente arrastada ao vertiginoso vórtice das gerações, depois se debatendo, presa das quatro torrentes elementares que a disputam?

Pobre alma, aquartelada entre essas quatro potências de perdição, luta desesperadamente para atingir e conquistar o ponto central, equilibrado; a intersecção crucial, única; o lugar salvador em que sua encarnação poderá efetuar-se pelo menos sob a forma harmoniosa, ponderada e sintética do homem!

Se, por desventura, ela se deixar levar à deriva de uma das correntes, qual será sua sorte? Que se tornará?

Algum elementar na natureza ou, caso se encarne, uma pobre inconsciência, centelha divina obscurecida por longo tempo e cativa sob uma das formas analíticas desmensuradas, anárquicas da animalidade.

Reportemo-nos à figura mágica, à esfera substancial do Hyle, elaborada e renovada perpetuamente pela Luz secreta do universo: Etiam mundus renovabitur igne... Do princípio da encarnação, correspondente à mencionada esfera, passemos à realização, à efetivação desse princípio. Isso significa descer à esfera inferior em que Khunrath delineou continentes e mares; significa fixar nossos olhos no globo terrestre, considerado como tipo de todos os centros de condensaçao material, em que o universal Adam-Eve dispersa seus submúltiplos.

É lá o reino desse XLOS, a substância primeira criada: desse Tohou w’bohou YUPY YUZ ; desse abismo potencial (Thom JYUZ), gerador dessas AJWUL} RYB) exerce seu poder Fecundante. O teósofo de Lípsia revela, aqui, para aqueles que sabem compreendê-lo, diversos arcanos relacionados à gênese material dos mundos. As fórmulas gravadas são, aliás, límpidas, e é proveitoso consultá-las atentamente...

Nenhum comentário:

Postar um comentário