terça-feira, 6 de maio de 2014

1413-A Pedra Filosofal


No umbral dos mistérios

Para a obtenção do significado de nosso pentáculo, do ponto de vista metafísico, é necessário revelar todos os mistérios do Tetragrama incomunicável UYUW (iod-he-vau-he), síntese divina do Universo vivo.

Ora, por um lado, seria desnecessário repetir aqui as explicações bastante detalhadas e precisas já fornecidas anteriormente; por outro lado, o caráter inefável do Absoluto, esse Inominável manifestado pelo nome de UYUW desafia o esforço de nossas línguas analíticas e relativas.

Seremos, pois, extremamente sóbrios ao escrever: convém limitar esta nota a algumas indicações bastante breves.

Que nos baste observar que Esch V} representa o Espírito puro, universal, principalmente, que tece uma veste de luz inteligível ao místico Ain-Soph >YJ GW}, o ser-não-ser: Ser absoluto com relação a si próprio, pois ele é só, no sentido primordial, não-ser em relação a nós, que somos finitos e contingentes, pois o Relativo não pode compreender o Absoluto.

O triângulo de Aourim JWBY} figura o Verbo, indestrutível conjunção do Espírito e da Alma Universal: como Adão-princípio produz Eva-Faculdade, constituindo com ela uma unidade; como o Fogo V} produz a Luz BY}, constituindo com ela uma unidade; assim, o Espírito Universal produz a Alma Coletiva, constituindo com ela uma só e única coisa: o Verbo.

Este arcano parece ainda mais perfeitamente expresso pela figura central do grande Andrógino. Do macho W, emana a fêmea U. Sua síntese Iah UW constitui uma assimilação homogênea, coesa: símbolo eterno do Pai engendrando o Filho (por intermédio da Mãe Celeste ou Natureza-Naturante) e se reproduzindo na pessoa desse Filho. Quanto ao pássaro de Hermes, pairando acima do Andrógino, deve-se ver nele o Espírito Santo, Y, que procede do Pai e do Filho, de Deus e da Humanidade. Enfim, os globos que figuram abaixo representam o Reino ZYPLK (Malkuth), esfera de ação do segundo U, onde se exerce a exaurível fecundidade do Tetragrama no domínio da natureza naturada, mundo da substância plástica, das formas sensíveis, das imagens.

Assim como o quaternário Iod-heve UYUW, o quaternário Agla }LO} pode servir de chave a nosso emblema:

O primeiro Aleph (} = 1) exprime, assim, a Unidade principiante do Universo; Ghimel (O = 3), o ternário das pessoas em Deus; Lammed (L = 12), o desenvolvimento do ternário espiritual multiplicado pelo quaternário sensível (3 x 4 = 12), e a difusão do Ser Universal no Tempo e no Espaço. Enfim, o último Aleph, a Unidade principiante e final, ponto de partida e ponto de chegada; a unidade suprema para onde tudo retorna após o duplo movimento hemicíclico da Descida e da Ascensão, da Desintegração e da Reintegração, da Queda e da Redenção.

Fazendo um paralelo do que foi dito acima com as noções desenvolvidas anteriormente, será lícito ao leitor engenhoso desenvolver e completar para seu próprio benefício o sentido superlativo ou divino do Grande Andrógino cabalístico.

Nada negligenciamos de essencial; mas, colocando os princípios, não pretendemos demonstrá-los e, menos ainda, elucidá-los até as consequências que se podem deduzir.

Fim da série.

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