sábado, 10 de maio de 2014

1417-O fim e o significado da História


Por que Marx fracassou?

Os mesmos mitemas encontram-se, identicamente, sob uma forma laicizada e pretensamente científica, na visão marxista da História. Empregando o termo “marxista” não queremos participar no debate, muito em voga hoje, sobre o que seria o “verdadeiro pensamento” de Marx. No curso da sua existência Karl Marx pensou coisas muito diferentes e poder-se-ia discutir longamente para saber qual seria o “verdadeiro” Marx. Referimo-nos, então, àquele marxismo recebido, que foi durante muito tempo, que se mantém afinal agora, como doutrina dos partidos comunistas e dos Estados que se reconhecem na interpretação leninista.

Nesta doutrina, a História é apresentada como o resultado de uma luta de classes, por assim dizer, uma luta entre grupos humanos que se definem em relação à sua respectiva condição econômica, justamente onde teve início toda a quebra da harmonia desejada por Deus. O jardim do Paraíso da pré-história reencontra-se, nesta versão, no “comunismo primitivo” praticado por uma humanidade ainda imersa no estado de natureza e puramente predatória.

Há uma contradição temática a ser debatida e esclarecida: enquanto no Paraíso, embora com abundância de tudo, o homem sofria os constrangimentos resultantes dos mandamentos de Deus, as sociedades comunistas pré-históricas, apesar da vida comum, viviam sob a pressão da miséria. Esta pressão levou à invenção dos meios de produção agrícolas, mas esta invenção revelou-se também uma maldição. Implica, com efeito, não somente a exploração da natureza por parte do homem, mas também a divisão do trabalho, a exploração do homem pelo homem e, em consequência, a alienação de todo o homem em relação a si mesmo.

A luta de classes, segundo o marxismo, é a consequência implícita desta exploração do homem pelo homem. Em nenhum momento a Educação é apresentada como instrumento de polimento do homem para desenvolver-se igualitário, liberto, fraterno. Pela doutrina de Marx, o resultado da exploração do homem pelo homem, é a História.

Como se vê, são as condições econômicas a determinar para os marxistas os comportamentos humanos. Diga-se, a posse. E atrás da posse, o poder.

Por conexão lógica, segundo Marx, os comportamentos humanos conduzem à criação de sistemas de produção sempre novos, que causam, por seu turno, condições econômicas novas, e sobretudo uma miséria sempre maior dos explorados. Todavia, também ali surge uma Redenção. Com o advento do sistema capitalista a miséria dos explorados atinge, com efeito, o seu culminar: torna-se insuportável. Os proletários tomam então consciência da sua condição, e esta tomada de consciência redentora tem por efeito a organização dos partidos comunistas, exatamente como a redenção que Jesus havia levado à fundação de uma comunidade de santos. Mas, o marxismo é ateu.

Os partidos comunistas empreenderão uma luta apocalíptica contra os exploradores. Esta poderá ser difícil, mas será necessariamente vitoriosa (é o “sentido da História”). Levará à abolição das classes, porá fim à alienação do homem, permitirá a instauração de uma sociedade comunista imutável e sem classes. E se a História é o resultado da luta de classes, não haverá, evidentemente, mais História. O comunismo pré-histórico será restituído, como o Jardim do Paraíso do Reino dos Céus (sem Deus), mas de modo sublimado: enquanto a sociedade comunista primitiva estava afligida pela miséria material, a sociedade comunista pós-histórica se beneficiará de uma satisfação perfeitamente equilibrada das suas necessidades. Com uma ressalva: o regime é ditadura, muito parecida com a situação do Éden, em que o poder estava com Deus.

Assim, na visão marxista, a História assumirá igualmente um valor. Negativo. Nascida da alienação original do homem não tem sentido senão na medida em que, aumentando incessantemente a miséria dos explorados, contribua finalmente para criar as condições nas quais esta miséria desaparecerá, e “trabalha”, de algum modo, para o seu próprio fim.

Infelizmente, o ser humano é chamado a sofrer, passar fome e privações até de remédios, como ocorreu em Cuba, para aprender a ser igualitário, fraterno, porém sem liberdade. A educação, a informação como pressupostos de liberdade, não aparece na doutrina de Marx, nem Deus ali teve seu lugar. Parecem claras as razões do fracasso da doutrina de Marx.

Nenhum comentário:

Postar um comentário