sexta-feira, 16 de maio de 2014

1423-O fim e o significado da História


Rumo a uma regeneração da História

Aqueles que adotaram uma visão linear ou segmentária da História têm a certeza de “estar do lado de Deus”, como dizem uns, de “ir no sentido da História”, como dizem os outros. Já, os seus adversários, não podem ter qualquer certeza.

Se se acredita que a História é feita pelo homem e só pelo homem, que o homem é livre e que livremente forja o seu destino, é preciso admitir que esta liberdade pode, no limite, colocar em causa, e talvez abolir, a própria historicidade do homem. Ocorre-lhes, repetimo-lo, considerar que o fim da História é possível, mesmo se é uma eventualidade que rejeitam e contra a qual se batem. Mas se o fim da História é possível, também a regeneração da História o é, em qualquer momento. Porque a História não é nem o reflexo de uma vontade divina nem o resultado de uma luta de classes predeterminada pela lógica da economia, mas de uma luta que empreendem entre eles os homens em nome das imagens que fazem, respectivamente, de si mesmos e às quais, realizando-as, pretendem adequar-se.

Na época em que vivemos alguns não encontram outro sentido na História senão na medida em que esta tenda à negação da condição histórica do homem. Para outros, ao contrário, o sentido da História não é outro que o sentido de uma imagem do homem, uma imagem usada e consumada pelo marco do tempo histórico. Uma imagem nascida no passado, mas que molda sempre a sua atualidade. Uma imagem que não podem, portanto, realizar senão com uma regeneração do tempo histórico. Esses sabem que a Europa não é já mais que um monte de ruínas. Mas, com Nietzsche, sabem também que uma estrela, se deve nascer, não pode nunca começar a brilhar senão num caos de poeira obscura.

É muito possivel, fugindo um pouco de Nietzsche, que grande parte da atual civilização terrena, como outras que (se sabe) sucumbiram no passado, seja expulsa daqui por haver cumprido uma etapa de sua experiência e já não mereça estar entre aqueles que melhoraram a vida aqui. Pode parecer torpe, mas até os evangelhos falam dos 144 mil que serão beneficiados; não propriamente um benefício, se não que um prêmio. Continuariam aqui porque arrumaram a escola para nela continuarem estudando e morando. Os indisciplinados são removidos para outra escola compatível com seu grau de consciência. Pode estar implícito, aqui, uma Lei Divina que os homens não conhecem: tudo evolui. Por que não os homens? Isso não quer dizer que haja um Deus intervindo; não é assim que se deve pensar. Há um Universo que se arranja segundo leis que o homem não conhece. Segundo a Lei, uns podem ficar, outros não. Ficam os que aprenderam a lidar com os meandros da lei. São expulsos (e o serão de qualquer sistema de auto-regulação) todos quantos se colocarem à margem da regra. A vida faz isso com quem bebe demais, se droga demais, come errado, anda na contramão, abusa dos limites dela, a vida. Por que não poderia ser deste modo a migração das almas entre os sistemas espirituais?

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