domingo, 25 de maio de 2014

1432-Cônjuges


O casal cósmico
 
Uma frase, que encontrei nas minhas buscas de pesquisador, cativou-me sobremaneira e faço questão de destacá-la aqui.
 
Quando compreendermos o caráter sagrado do amor que envolve um casal ¾ centro e fonte de toda a civilização ¾-
a humanidade recuperará a felicidade primordial.
 
Não deve haver dúvida que o começo da humanidade, tenha se dado com um casal procriador em que a metáfora de Adão e Eva tenta explicar. Mas, aquilo é uma metáfora – como disse – e conta melhor a perda da dignidade humana perante Deus – ou por outra, conta o desafio humano para escapar da tutela divina e assumir, de fato, o livre arbítrio – pois, repetindo, o começo da humanidade teve como origem um casal heterossexual, é óbvio, evidente, lógico, teve um macho e uma fêmea a contribuírem com seus gametas para, na conjugação de X e Y, dessem origem ao terceiro ser. Quem sabe tenha sido gêmeo, mas foi assim que veio ao mundo o terceiro, o quarto, o milésimo, o bilionésimo ser. O computador ainda não faz sozinho este trabalho.
 
A frase destacada, porém, não faz alusão à prole e sim à felicidade. Logo, o casal do mesmo sexo também pode ser fonte de civilização e conquista de felicidade. A grande questão está no objetivo ou sentido da união. Se for para subir em cima de um carro de som, exibir o corpo, provocar escândalo, chocar as pessoas que não sentem e não procuram a mesma coisa, é lamentável, tanto quanto o é a televisão procurar o sucesso de audiência ensinando pornografia e erotismo. Veremos aí adiante os estágios pelos quais o amor passou, está passando, e a sua nobreza ainda está longe de ser atingida, mas já a sentimos em seus albores.
   
O casal – com ou sem procriação - é a fonte e o centro das civilizações. A sua procriação pode se dar na adoção. Embora às vezes seja desprezado por movimentos religiosos ingênuos, o casal resume em si todo o processo humano do nascimento à morte. Para saber como vai a saúde da sociedade, busca-se examinar como está o casal que forma a sua base.
 
A relação entre homem e mulher é tão grande quanto o imenso potencial humano para o bem, mas pode se tornar uma prisão quando há ignorância e injustiça. Ali encontramos o céu, a terra e - às vezes - o inferno. Nessa perigosa relação de amor convivem confiança e medo, dor inesperada e êxtase supremo, poder ditatorial e democracia ampla, individualismo e altruísmo, amor e ódio, ajuda mútua e competição. Quando for compreendido o caráter sagrado do amor entre um homem e uma mulher, a humanidade recuperará sua felicidade primordial, sim, com certeza.
 
Nas últimas décadas, o casal humano tirou sua camisa-de-força institucional e tornou-se mais leve e dinâmico, embora também tenha ficado mais frágil. A vantagem dessa flexibilidade é que ela nos permite romper o casal, sem traumas demasiado devastadores quando ele já não se sustenta.
 
Veja, nós viemos de sete mil anos ou mais de casamentos arranjados por conveniências em que o amor não participava do acerto. Homem e mulher pré-históricos se procuravam por atração – isso também é amor – copulavam por química e emoção e geravam filhos que eram recebidos na comunidade como mais um membro. Quando a sociedade se organizou em aldeias ou vilas, já com governo, propriedade privada, leis, sacerdotes a ditar regras, vieram os casamentos por interesse, que ainda estão vivos entre nós juntando príncipes e princesas por comodidade material, por convenção social, como preservação de tradição.
 
O contraponto é dado pelas uniões livres, sem papel passado e sem data para acabar. Não são como os casamentos religiosos que é a morte que rompe. Vale argumentar que não é a morte que rompe, ou por outra, a morte não rompe. Muda de dimensão sem alterar a finalidade maior do amor.
 
A tendência neste século e milênio é ir além disso. A tarefa do momento é construir casais psicologicamente flexíveis, isto é, capazes de aprender com rapidez, de modo que os erros do homem e da mulher sejam corrigidos enquanto são pequenos os erros, enquanto a sociedade não seja vítima do que faz, e a felicidade possa ser construída de modo mais eficaz e duradouro através da inteligência emocional, do altruísmo e da sensibilidade.
 
Na mesma linha de trabalho, diversas organizações sociais voltadas para a libertação da mulher vêm discutindo o chamado pós-feminismo. Depois de imensos progressos contra o chamado "machismo" patriarcal, setores ligados ao feminismo histórico vitorioso, parecem descobrir, afinal, que a mulher livre e feliz deve amar e ser amada, e que não pode haver vida inteligente sem uma boa parceria entre homens e mulheres. Essa tendência de pensamento ocorre em meio a fatos culturais e transformações sociais que estão recuperando o prestígio aparentemente perdido pelo casal durável e permitem antever o surgimento de uma nova família mais sólida e mais sábia.

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