segunda-feira, 26 de maio de 2014

1433-Cônjuges


Huarochirí

Creio que esta palavra quéchua – língua falada pelos incas - seja pronunciada como “huaroquirí”. Ela narra a interação entre masculino e feminino não como fonte de vida apenas no reino humano, mas ocorre também em dimensões cósmicas e nos processos do mundo natural. Cada relação entre macho e fêmea é um resumo microcósmico da relação gigantesca entre as forças vitais expansivas e receptivas da natureza.

O manuscrito Huarochirí, da tradição andina, ensina que Chaupi Ñamca, a suprema divindade feminina, é o espírito do vale e das terras baixas (onde há produção), enquanto Paria Caca, a divindade masculina, é a montanha, que aponta para o infinito. A mulher recebe o homem como o vale recebe a água que desce. O macho, a montanha, irriga a terra do vale para que ela dê frutos e vida.

Há correspondências perfeitas entre o céu e a terra ou o cósmico e o individual. A sensação de êxtase presente no amor humano surge da percepção não cerebral e da sintonia ou alinhamento do afeto terrestre com o amor maior que move o universo. O feminino é estável e abriga a vida dentro de si; o masculino é transcendente, às vezes imprevisível como as tempestades do céu.

A parte mergulha no todo oceânico de onde um dia surgiu e

esquece de si no êxtase decorrente.
      
O masculino necessita descarregar amorosamente sobre a terra o excesso de suas energias acumuladas. Assim se dá a fecundação. Assim se dá a irrigação. Os arquétipos mais profundos do masculino e do feminino têm sua vida dinâmica no cosmos. Mulheres e homens abertos à dimensão espiritual da vida devem manter contato consciente com essas fontes de inspiração eterna. Cada homem e cada mulher contêm dentro de si os dois pólos do universo em equilíbrio dinâmico, e as formas de combinação das polaridades evoluem o tempo todo. A diferença entre macho e fêmea é apenas de predominância relativa. No homem, a polaridade expansiva é mais forte. Na mulher, é a receptiva.

Tudo no universo é eletromagnético - inclusive a evolução das galáxias, a vida das borboletas, a formação da chuva na atmosfera, as batidas de um coração, o funcionamento do Sistema Solar e os impulsos entre neurônios de um cérebro humano. O fluxo da vida se dá por processos elétricos e magnéticos de transmissão de vontades definidas em torno de polaridades expansivas e receptivas, positivas e negativas, masculina e feminina, quente e fria, ou yang e yin como ensina a tradição chinesa. A chave do bem-estar consiste em harmonizar essas correntes elétricas.

De volta ao que já foi aludido na Introdução, os caminhos normais da vida passam pela polaridade (masculina/feminina) que aprendemos ver no homem e na mulher e, mesmo sem negar que alguns deles possam constituir-se por um exagero energético de um polo mais que do outro – o que não nega, mas compreende a possibilidade da homossexualidade -, então explicada sob o ângulo da energia pessoal, é certo que as uniões homoafetivas não se conjugarão e não gerarão filhos. Não é cósmico. Não é físico. Não é biológico. O que não quer dizer, aqui, ser algo condenável. Nela pode existir o amor. Certamente existe amor nela. Quem sabe uma dimensão do amor que o cosmos esteja querendo no mostrar.

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