quarta-feira, 28 de maio de 2014

1435-Cônjuges


Papéis conjugais

Finalizamos a postagem 1434 sinalizando uma busca pelo amor que não necessite de adjetivo para defini-lo. Esse amor a tudo o que há, deve surgir não só quando se está apaixonado, mas suficientemente profundo e permanente em afeto por alguém ou por algo - como uma causa ou ideal.
 

O ideal deve proporcionar aos casais a grandiosidade

de sentirem-se pais e mães de toda as formas mais jovens de vida,

e irmãs e irmãos de todos os demais seres humanos.

O amor ajuda a dissolver a noção árida e asfixiante de um eu pessoal separado do resto da vida. Para o psicólogo Viktor Frankl, o afeto está relacionado com a auto-transcendência, isto é, a transcendência dos pequenos interesses do eu inferior. Está claro que remete para o que já foi dito: quem pode dar do bom e do melhor se não os tem? Sempre que você der o que não está em si, é fraude.

Por um processo de irradiação natural, o casal altruísta deve ser capaz de construir ao seu redor um mundo melhor, assim como, no contraponto, um casal de egocêntricos tenderia a gerar sofrimento e confusão para si mesmo e para os outros.

Naturalmente, quem ama não deseja que o outro viva apenas para satisfazer suas necessidades pessoais de curto ou longo prazo. Ao contrário, cada um tem a responsabilidade de "construir" de certo modo o seu parceiro de acordo com o melhor potencial, talvez adormecido, que há dentro dele.

"O amor é o processo pelo qual eu levo delicadamente o ser amado ao encontro de si mesmo", disse o aviador e escritor Antoine de Saint-Exupéry, que também escreveu: “tu te tornas responsável por tudo aquilo que cativas”.

No casal, o homem é filho, pai, amigo, irmão e amante, não necessariamente nessa ordem. A mulher é filha, mãe, amiga, irmã e amante, também não necessariamente nesta ordem. Todos esses papéis - e muitos outros - são vividos constantemente. Devemos exercê-los de modo tão consciente quanto possível. Um bom exercício de diálogo seria dizer, um ao outro, como se pensa que esses papéis estão distribuídos, e como se gostaria que eles fossem exercidos. Então se descobrirá que uma mulher pode estar cansada de ser "mãe de família" como tem sido e gostaria de ser mais "amante"; ou que o homem está cansado de disputas de poder como se os dois fossem atletas que disputam para ver quem é mais poderoso, mais inteligente ou veloz.

Além de cumprirmos simultaneamente diferentes papéis em nossos namoros e casamentos, o amor é um processo que não funciona do mesmo modo nos diversos níveis e dimensões da nossa consciência. Há o amor físico que vai muito além do ato sexual e inclui também a carícia, a proximidade, a ternura, a ajuda mútua, o prazer de estar por perto. Há o amor emocional, que inclui não só a atração, mas a admiração, o querer bem o outro, alegrar-se com a felicidade dele e entristecer-se com o seu sofrimento.

Ao lado disso, no plano mental concreto, o amor se mostra pela sinceridade, pela capacidade de pensar juntos e construtivamente as coisas práticas da vida, pelo hábito de se dizer o que se pensa e pensar bem o que se diz. O amor no plano mental concreto inclui definir metas de vida e planos de trabalho em comum.

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