sexta-feira, 30 de maio de 2014

1437-Cônjuges


Cadê o amor?

Você vem lendo (espero que gostando) e percebe que pelos séculos, milênios, os casamentos existem e dificilmente as uniões se davam por amor. Tinha sempre outros objetivos obscurecendo o amor.

O próximo estágio desta escalada que fazemos é a do Amor-Kairós, palavra grega que significa experiência. Pois, o ser humano fez tanta pompa para os casamentos na igreja, no clube, com luxo e requinte, porém nem sempre por amor, que um dia a noiva emancipada, egressa das comunidades do interior, onde é maior a tradição, jogou tudo pro alto e pensou: vou escolher o meu amor e nem quero papel passado. O homem que também estava cansado de deixar a mulher em casa e ir encontrar-se com a amante, adorou a ideia de ter uma parceira sem aquele compromisso fiscalizado pela sociedade. Nasceu o casamento aberto.

Queiram ou não, Kairós é uma união por amor. Pode não durar, pois se tratar de uma experiência, isto é, um namoro em que os namorados moram na mesma casa e dormem na mesma cama, mas é uma forma de amor que chega perto daquele do próximo estágio, o Amor-Ágape.

Ágape é uma forma de amor posterior aos fenômenos da posse, do prazer carnal, da paixão e da resignação encontrados em posse, pornéia, eros e philos. Ágape é o amor muito próximo da incondicionalidade. Uma forma um tanto rara de amar. É voltar-se ao outro, aos outros. É um ato de dar sem representar sacrifício, como uma escolha voluntária do coração. Não é amor exclusivo, mas é um relacionamento único. Mães e pais, avôs e avós, cônjuges, pessoas que se doam continuamente podem viver ágape e sentirem-se realizados, muitas vezes minimizadas as formas posse, porneia, philos, mas sem desprezar eros e kairós. É aquele amor que resume: “você não me serve pra nada, mas eu te amo”.

Contudo, agora, no alvorecer desse novo estágio, é preciso entender que a sociedade pronta para o Amor-Ágape é a mesma que condena a destruição ambiental, que se compadece das filas nos hospitais, que tem vergonha da miséria humana. Esse é um amor visto como princípio de sentido para a vida e a razão pela qual o ser humano está debaixo do Sol.


Ele também pode estar no amor de manas, a inteligência espiritual, a mente superior que pertence ao eu imortal de cada ser humano. Acima dela está buddhi, a intuição que nos permite perceber em um relance e sem palavras ou pensamentos a necessidade e o sentimento do outro. Essa intuição é também um amor altruísta, incondicional e terno pela alma do outro.

Pode até haver – como de fato há - um estágio mais alto que Ágape, mas a escalada vai ficar um pouco mais estacionada aqui porque nós estamos tratando da questão cônjuges. E a maioria da humanidade não pode conhecer, ainda, o Amor-Ágape.

Então, voltemos aos cônjuges.

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