sábado, 31 de maio de 2014

1438-Cônjuges


Esculhambado, mas não cansado

Você esteve conosco na leitura dos tomos anteriores e viu como o amor foi ganhando adjetivos, muitos dos quais esculhambando com ele, mas ele não se cansou. Atravessou a borrasca e está próximo de atracar no porto onde é esperado por quem, de fato, ama.

Mas, como a proposta é tratar de cônjuges, voltemos à energia amorosa do casal e dos vários níveis de consciência da dupla. Haverá amor em alguns níveis de consciência? Haverá amor em alguns níveis e rancor em outros? Em quantas dimensões diferentes podemos conhecer o amor?

Nos níveis superiores de consciência, o amor não cansa. Além disso, é eterno.

Há momentos em que o amor surge espontaneamente. Mas é infantil querer ser levado sempre de carona nas asas leves e irresponsáveis desse sentimento. O desejo superficial leva a uma infelicidade profunda quando insistimos nele.

Por isso, pode-se dizer que há uma yoga do casal, isto é, uma disciplina espiritual pela qual construímos uma relação de amor correta. Essa yoga consiste em colocar toda a vida do casal no contexto da caminhada espiritual, reconhecendo que tudo o que ocorre no amor, como nos outros aspectos da vida, é parte do nosso aprendizado interior.

Quando somos conscientes disso, olhamos a vida a dois com olhos diferentes. Se limitamos a relação a aspectos puramente mecânicos e materiais de vida, a convivência pode tornar-se um inferno. Todo casal tem possibilidades concretas de deixar de existir como processo de crescimento espiritual, e parece necessário admitir honestamente essa possibilidade para que ele possa viver e renovar-se sempre.


O amor é um processo organicamente vivo

 e pode morrer a qualquer momento,

soterrado pela rotina ou por uma mudança

de interesses de uma das partes.

 Negar essa verdade é inútil e perigoso.

Examine, por exemplo, o casal de que você é parte, se é que é. Veja honestamente quanto por cento dele é feito de prazer sexual, prazer emocional, costume ou gosto de viver juntos, rotina, interesses materiais concretos, necessidade de sentir a pele do outro por perto e de passar a mão por ela; confira a afinidade intelectual, os interesses espirituais e a decisão de buscar juntos a verdade suprema da sabedoria imortal.

Veja como essas quantidades foram mudaram ao longo do tempo, e também como aumentou a sabedoria com que você administra sua vida emocional.

A experiência ensina como se pode integrar harmoniosamente corpo e alma, espírito e carne, céu e terra.

A vida moderna tem colocado grande quantidade de pressões sobre o casal e, na verdade, também sobre todos os vínculos humanos que não têm por objetivo a busca de dinheiro e bens materiais.

O casal ressurge hoje mais forte diante desses desafios, expressando o gradual, mas irreversível amadurecimento da alma humana. Como escreveu um dos mestres de sabedoria que participaram da fundação do movimento teosófico moderno, "a pureza do amor terreno purifica e prepara para a realização do Amor Divino". O mesmo mestre afirmou em outra ocasião: "Onde um amor verdadeiramente espiritual busca consolidar-se através de uma união pura e permanente de duas pessoas, no sentido terreno, não há pecado nem crime aos olhos do grande Ain Soph (o grande princípio universal), pois esta é somente a repetição divina dos princípios masculino e feminino, isto é, o reflexo microcósmico da primeira condição da Criação. Diante de uma tal união, os anjos bem poderão sorrir!" Este é o casal do futuro.

O casal do futuro se conjugará pela aliança atma, que é o nosso eu ou princípio supremo e universal, que com ajuda de um amor puro dá um sentido poderoso e criativo às nossas vidas individuais. Atma vê tudo o que há como uma só coisa inseparável.

Aí pode ser que masculino e feminino já não existam mais. Ou sejam uma coisa só.

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